Notas iniciais
Capítulo inteirinho da Yori Suzuki que me deu essa ideia linda e eu me senti na obrigação de dedicar ♥.
Gente, não vou falar muito aqui, mas queria que lessem as notas finais. É o de sempre, mas eu sou chata mesmo xD.
Boa leitura.
PS: COnseguem imaginar o que o Uruha disse pra menininha? :x

Uruha era puro sorriso. Desde que recebera a notícia seu coração se aqueceu e o ex-loiro, que havia descoberto que faria o mielograma depois da visita, só podia considerar aquele domingo um dos melhores de sua nova e temporária vida. Faria uma surpresa para os amigos aparecendo no dia seguinte na companhia, e seria mentira dizer que não cuidaria do coração carente do amado. Claro que daria atenção para todos da maneira que conseguisse, afinal, como disse Viktor “- Isso é uma saída, mas você ainda não está curado, então tem que tomar cuidados muito especiais.’’ E como queria que aqueles dias fossem os melhores possíveis, não planejava se descuidar, querendo aproveitar inteiramente cada segundo com Aoi – Principalmente -.

Claro que muito provavelmente os outros estariam com eles boa parte do tempo, coisa que Uruha também queria, mas quando estivesse realmente a sós com Aoi, quando fossem dormir ou aproveitar do tempo livre, não se negaria a dar carinhos para o moreno, e já podia sorrir com a ideia de senti-lo fazendo o mesmo, aquecendo o coração e se sentindo corar quando deixou que os pensamentos caminhassem demais, indo por estradas ainda a serem descobertas junto com o outro.

Ainda assim, qualquer pensamento foi deixado de lado quando Viktor adentrou o quarto junto com sua enfermeira, deixando-se sorrir ao imaginar como seria o contato com eles. Para Uruha seria único e inesquecível, e podia arriscar dizer que desde que entrara no hospital e se descobriu com leucemia, aquele foi um dia em exceção em que tomou café bem e feliz, e a dor de cabeça que ainda lhe acometia não era suficiente para lhe deixar mal, o que o loiro e a moça inteiramente de branco constataram.

- Deve estar realmente feliz.

- Estou e muito. – Fitou seu médico terminando de lhe arrumar, antes de colocar a touca e uma blusa de frio com zíper que acabou deixando aberta. A enfermeira verificou as últimas anotações na papeleta e deu uma olhada na região do cateter, consentindo à Viktor que tudo estava bem.

- Podemos ir então.

Os dois trocaram um último olhar e sorriram enquanto Uruha calçava os chinelos e se levantava, fazendo uma careta leve por causa da dor de cabeça. Viktor se postou a seu lado sempre observador e os dois se puseram a caminhar pelos corredores respeitando o tempo de Takashima, não permitindo mais esforço do que o necessário.

O guitarrista ainda podia sentir algumas pessoas lhe observando, principalmente agora que havia sido exposto pela mídia. Não falava com elas, apenas dirigia alguns sorrisos quando os olhares se encontravam, mas seu foco estava nas portas que havia acabado de atravessar, podendo ouvir alguns barulhos distintos daquela área. Seu coração se aqueceu com aquilo e foi impossível não segurar algumas lágrimas quando a porta foi aberta e todas aquelas criancinhas lhe esperavam, sorrindo.

Se tivesse forças para tal Uruha teria corrido até todos, mas estava tão emocionado que só conseguiu se sentar na cadeira destinada a si, abraçando aos poucos cada um deles, não se importando mais se tinha cabelo ou não, tirando a touca e pousando no braço de seu assento. Era igual a todos ali, mais um lutando contra o câncer em qualquer que fosse sua área, e mesmo que ele próprio e todos estivessem com máscaras podiam saber perfeitamente quando sorriam, afinal estavam juntos no mesmo barco.

Havia desde uma garotinha que agora estava em seu colo e tinha apenas cinco anos, até alguns garotos de quinze e dezesseis que eram inclusive fãs do guitarrista. A revelação, claro, levou Uruha a abraçar cada um deles, feliz por esse contato. Viktor sabia que seria bom tanto para seu paciente como para as criancinhas, um momento de alegria na luta contra a doença.

- Que tal vocês começarem a contar para o tio Uruha o que andam aprontando por aqui hein? – Riu com todos que aos poucos foram se sentando nas cadeiras que havia perto do guitarrista, assim como na cama que havia ao lado de sua cadeira, iniciando uma conversa animada que mesmo abafada por todas aquelas máscaras não mudava a alegria de cada um deles.

- Kaoru-chan é a mais nova de todos nós aqui. – Um dos meninos argüiu, levando Uruha a sorrir.

- E por acaso a Kaoru-chan é essa coisa fofinha no meu colo?

- Siiim! – A própria se pronunciou, abraçando o guitarrista pelo pescoço, que sorriu e correspondeu ao ato, depositando um beijo com textura de máscara em sua cabeça já desprovida de cabelos. — ‘’Uluha-san’’ vai cuidar da ‘’Kaolu-chan’’? – A garotinha perguntou fitando Uruha, que encarou Viktor com curiosidade, podendo notar o rosto triste tanto do médico quanto das outras crianças.

- Kaoru-chan – O médico se aproximou, ajoelhando-se na frente da menininha. – posso falar com o tio Uruha rapidinho?

A menina gesticulou um ‘sim’ e Uruha a deixou sentada na cadeira, dirigindo-se com Viktor para fora do quarto. Apoiou-se numa das paredes, fitando o homem menor que si.

- Kaoru-chan foi abandonada na porta da minha casa há um ano.

- O que?! – Uruha arregalou os olhos, incrédulo. Viktor apenas assentiu tristemente.

- E como eu e o Felipe trabalhamos sem hora para chegar em casa nos foi proibido adotar ela. Temos uma guarda apenas temporária para cuidar do câncer que ela tem que é na verdade o mesmo que o seu, mas depois disso ela deverá ir para um orfanato.

Uruha estava inerte e sem conseguir proferir qualquer palavra. Seu coração estava apertado e podia sentir como Viktor ficava triste por não poder cuidar de uma vez da pequena. Por um lado o médico tinha razão, realmente não tinha hora para chegar em casa, mas por outro era injusto com ele que parecia querer tanto ser o tutor legítimo da menininha.

Queria poder fazer alguma coisa, ajudar como pudesse, mas as coisas não pareciam estar ao lado do médico. Ainda assim seus pensamentos foram tomados por um barulho choroso, adentrando o quarto e vendo a menininha chorar.

- Kaoru-chan o que foi? – Pegou a menina no colo com alguma dificuldade, sentando-se e a recolocando no colo, abraçando-a e sentindo os pequenos braços em volta de sua cintura.

- ‘’Uluha-san’’ vai me abandonar. – Fungou contra a roupa do guitarrista, aninhando-se mais em seu colo.

- Hei não diga isso, eu não vou não. – Acarinhou a pequena cabeça, tentando acalmar a menininha. – Eu não posso ficar aqui com vocês porque tenho meu quarto, mas posso te deixar um presente bem especial para você não esquecer do tio Uruha.

A pequenina esfregava os olhos, mas abriu um grande sorriso ao sentir Uruha colocar a touca em sua cabeça, levando as mãozinhas até a peça felpuda, tirando-a e abraçando contra si.

- ‘’Uluha-san’’ não vai ficar sem?
- Não se preocupe. Uruha-san ganhou essa touca de alguém muito especial, e sabe que esse alguém ia ficar muito feliz que eu te desse. É para você não esquecer de mim. – Abraçou a garotinha novamente, depositando outro beijo em sua cabeça.

- ‘’Uluha-san’’ vai voltar?

- Eu vou meu amorzinho, prometo que sempre que eu estiver bem vou vir aqui te ver.

A menina voltou a chorar e abraçou Uruha com força, fazendo-o sorrir. Fez o mesmo enquanto fitava as outras crianças, emocionado por ver todos aqueles seres humanos ainda crescendo e tendo de enfrentar uma doença tão intensa. Ele sabia bem como era difícil lutar contra aquilo tendo suas trinta primaveras de vida, e imaginava que era muito pior sendo bem mais novo.

Mas, ainda assim não fora lá para deixar todos aqueles pequenos tristes. Contornou a situação colocando novamente a touca na cabeça de Kaoru e mudando o rumo do assunto, gesticulando bastante e levando muitas risadas a cada uma daquelas crianças. A garotinha ria gostosamente em seu colo e os outros contavam histórias tanto de suas vidas como sobre o que passavam no hospital, deixando uma aura boa no lugar.

Do lado de fora, ao lado de Viktor, Aoi, Ruki, Kai, Reita e Sugizo observavam Uruha tão à vontade com todos, vendo ainda o guitarrista entregar a touca para Kaoru. Estavam tão felizes pelo amigo, tão contentes que ele estava passando aquele domingo bem e alegrando cada criança daquela que certamente passava por maus bocados por causa do tratamento. Aoi e Reita – Mais precisamente. – estavam orgulhosos pelo guitarrista ter dado a touca para a menininha, deixando duas lágrimas solitárias escorrerem pelo rosto.

- É uma pena ela ter sido abandonada e você não poder fazer nada.

- É verdade Ruki-san, torço todos os dias para que alguém faça algo por ela.

- O tratamento dela está acabando? – Aoi inquiriu, fitando o médico.

- Mais ou menos, ela está um ciclo à frente do Uruha, começando a quimioterapia de consolidação.

- Ela deve sofrer com os efeitos colaterais. – O moreno mordeu o lábio inferior, tentando não imaginar muito.

- Sim, as crianças sofrem um pouco mais realmente. Mas, se vieram ver o Uruha eu posso avisar que vocês estão aqui e-

- Não, não precisa. – Reita cortou. – Vamos deixar eles a vontade, isso vai ser bom para eles. Podemos deixar as coisas com você.

- Ah sim eu entrego. – Sorriu. – Mas, ele vai perguntar por que não esperaram.

- Diga que nós passamos rapidamente. – Aoi sorriu.

Viktor deu de ombros levemente e sorriu, pegando os cinco embrulhos e se afastando enquanto os outros voltavam os olhos para o guitarrista que dava tanta atenção para as crianças, mais especificamente para Kaoru, que não parava de rir e sorrir em seu colo.

Mesmo não tendo falado com Uruha, os cinco estavam felizes pelo que viam, podendo arriscar dizer que ganharam o dia ao verem o amigo tão contente e fazendo aquelas crianças sorrirem por algum tempo. Sentiam junto com ele a dificuldade de enfrentar uma doença como aquela e internamente torciam para que cada um deles superasse bem e seus pais conseguissem suportar junto, afinal de contas devia ser realmente difícil ver os filhos tão doentes.

Acabaram perdendo a noção do tempo permanecendo parados observando as cenas que só se deram conta de que horas haviam passado quando seus estômagos acusaram que fazia algum tempo que não comiam. Queriam continuar ali, mas acabaram se rendendo e indo embora alguns minutos depois, passando ainda por Viktor que dissera ter deixado os presentes em cima da cama de Uruha. Eles agradeceram e foram embora enquanto o médico se dirigia para o quarto onde o guitarrista se encontrava.

- Pessoal Uruha-san precisa ir embora.

Acabou rindo com o ‘‘aahhhhh’’ em uníssono que ecoou pelo quarto, sendo pronunciado até mesmo pelo guitarrista. Realmente se pudesse o deixaria ali por um bom tempo, mas tanto as crianças quanto Uruha tinham algumas coisas para fazer ainda, sendo descansar ou fazer exames, como no caso de Takashima.

- Eu realmente sinto muito – Continuou. – mas Uruha-san precisa fazer um exame daqui a pouco e seria bom descansar um pouco. Sei que adoraram ficar aqui com ele e ele deve ter gostado também, mas agora eu preciso levar ele. Mas, não se preocupem, quando der eu o trago aqui novamente.

As crianças assentiram e Uruha vendo que Kaoru começaria a chorar, abraçou-a com força e dirigiu os lábios para perto de uma de suas orelhas, dizendo algumas coisas em tom realmente baixo, sendo observado pelos outros, que não entenderam quando a menininha assentiu sem parar com a cabeça, respondendo sim e abraçando fortemente o ex-loiro em seguida.

- Então não chore, está bem?

A garotinha concordou e Uruha depositou um beijo em sua testa e lhe deu um abraço, assim como fez com cada uma das crianças, prometendo voltar quando pudesse e com ajuda de Viktor saiu do local, caminhando lentamente pelos corredores do hospital.

- Deve estar cansado, creio eu.

- Um pouco sim. – Sorriu levemente. – Mas, feliz também.

- Aposto que vai ajudar a Kaoru-chan de uma forma única. – Viktor também sorriu, quase pegando a ideia de Uruha no ar.

- Se pensou a mesma coisa que eu, pode ter certeza.

- Isso vai fazer muito bem para ela e creio que para você também.

Uruha concordou e depois de uns bons minutos chegou a seu quarto, encontrando seus pais e uma mala, assim como cinco embrulhos no pé da cama.

- Presentes? – Indagou, sentando-se e se deitando em seguida, pegando com a ajuda de sua mãe, cada um dos embrulhos, abrindo-os.

- De Ruki-san e companhia. – Viktor riu leve. – Eles passaram aqui rapidamente só para te deixar os embrulhos.

- Poxa só porque eu queria vê-los. Mas, tudo bem, logo terei tempo. – Sorriu cúmplice junto com seus pais e Viktor, pegando cada uma das toucas. – Agora só preciso escolher com qual chegarei lá amanhã. – Sorriu feliz, já que poderia escolher e não precisaria sair careca do hospital.

- Eu acho que você devia ir com a que Aoi-san te deu. – Sua mãe começou, abafando o riso, não que seu pai e Viktor tenham feito o mesmo.

- Oe mãe! – Fez um bico, corando de imediato. – Vocês ficam fazendo isso comigo, vão ver só.

Escondeu a cabeça com as cobertas, aumentando as risadas dentro do quarto. Não tinha pensado exatamente na de Aoi, afinal todas eram realmente lindas e especiais, mas tinha certa propensão a escolher a do amado de qualquer maneira, entregando as outras junto com os pacotes para sua mãe colocar em sua mala, deixando a que ganhou do moreno na bandeja.

- Como estava minha casa?

- Silenciosa demais para um lugar normal, mas isso era de se esperar. Seu pai me ajudou a dar uma arrumada por cima, mas fora isso está tudo organizado. Suas guitarras estão no seu quarto, em cima da cama. – Sorriu.

- Sabem que não precisavam arrumar. – Retirou a máscara retribuindo o sorriso. – Não quero dar trabalho e já tive de fazer vocês irem até lá.

- Está tudo bem, Kou, não precisamos fazer muito. – Dessa vez seu pai tomou a vez. – Estamos contentes que você está bem, isso é o mais importante.

- E creio eu que ficará melhor amanhã. – Viktor argüiu. – É só esperar os sintomas do mielograma amenizarem que você terá alta.

Uruha não conseguia não sorrir com as palavras de Viktor. Estava tão contente de sair do hospital que podia sentir a ansiedade subindo. Ficava feliz por seus pais que certamente aproveitariam a companhia de Reita, afinal de contas mesmo não tendo diferença de amor e criação, Akira era seu filho legítimo e o Sr. e a Srª. Suzuki certamente ficariam felizes de estar com ele.

Mas, como recomendação de Viktor, tentou descansar um pouco enquanto Felipe, que novamente faria seu exame, organizava a sala que havia recebido um paciente antes de si, dando tempo para que tentasse relaxar um pouco. Não era muito fácil encarar um mielograma, mas a felicidade que sentia era maior que a dor do exame, e talvez tivesse sido ela mesma que o fez adormecer profundamente alguns minutos depois, levando um sorriso aos lábios de seus pais.

- Ele está realmente feliz. – Viktor comentou anotando algumas coisas na papeleta.

- Mas, deve ter sofrido muito enquanto não estávamos aqui. – Seu pai argüiu, respirando profundamente.

- Acho que principalmente quando perdeu os cabelos. Ele estava realmente mal.

- Quem cortou Viktor-san? – A Srª. Suzuki inquiriu, acomodando-se melhor em sua poltrona.

- Aoi-san. Acho que o Uruha fez isso para que ele visse logo de uma vez e não precisasse sofrer duas vezes.

- Boa decisão. – Sua mãe comentou mais para si, fitando seu filho adormecido, sorrindo fechado em seguida.

xXx

- Está bem Uruha? – Felipe perguntou ao término do exame, fitando o guitarrista que sustentava um semblante de dor.

- Já... Já estive melhor. – Sorriu fraco, levando uma risada ao médico.

- Agora vai ficar bem, só tente descansar um pouco.

O ex-loiro assentiu leve e se acomodou direito na maca, sentindo-a se mover alguns minutos depois, mas anestesiado demais pelo incômodo para pensar em qualquer coisa. Sentiu-se apenas relaxar demais, acabando por adormecer enquanto era levado de volta para seu quarto e Felipe terminava de organizar a amostra da medula, guardando e anexando tudo devidamente, cruzando os dedos com Viktor enquanto se dirigia para sua área, torcendo para que as coisas estivessem do lado de Uruha.

...

- Impressão minha ou alguém passou o dia realmente feliz? – Viktor perguntou fitando outro ponto qualquer, Uruha e seus pais rindo alegremente.

- É só impressão. – Takashima argüiu, sorrindo em seguida. – Estou tão normal quanto em qualquer dia.

- Eu posso imaginar. Mas, vamos anotar aqui algumas coisas. – Pegou a papeleta em mãos. – Sei que não é muito tempo, mas tente aproveitar, vai ser bom ficar em casa. Sua anemia ainda está presente, mas fraca e você deve seguir a dieta que eu providenciei. Seu sistema imunológico está enfraquecido e será bom permanecer com a máscara e claro, — Enfatizou. – não pode namorar ainda.

- AAHHHH não posso fazer a melhor parte de ir para casa. – Acabou corando da própria frase, mas caiu na risada com o médico e seus pais.

- É ainda não. E não digo para dormir de máscara, mas caso vá dormir junto com Aoi-san – Disse com uma voz branda, afinal de contas estava saindo um pouco de seus limites. – e ele estiver espirrando ou com algo similar seria melhor que dormissem separados. Para os talheres só precisará usar diferente pelo mesmo motivo. Fora isso não é bom tomar muito vento e deve se proteger para não resfriar nem em pensamento. Espero que aproveite esses dias fora, tomarei conta de Kaoru-chan e nos vemos dentro de alguns dias.

Uruha prestou atenção em cada detalhe atentamente, assentindo e sorrindo para Viktor em seguida.

- Obrigado. Até alguns dias.

xXx

Como era de praxe Reita e Ruki sentaram perto um do outro na sala de descanso da banda esperando passar mais alguns minutos para poderem ensaiar. Haviam provado as roupas de manhã e agora se preparavam para tocar duas vezes cada música do festival antes de irem embora, uma decisão tida em conjunto. Estavam contentes por não precisar haver mudança nas vestimentas e na sexta-feira fariam as fotos de divulgação, ou seja, estavam realmente atarefados.

Entretanto, o que nenhum deles esperava, enquanto conversavam amenidades, era que os pais de Reita tivessem adentrado a sala, cada um com um par de malas, sorrindo amavelmente para os cinco.

- Boa tarde. – Cumprimentaram devidamente, e mesmo tendo deixado os outros surpresos, foram recebidos da mesma maneira.

- Pai? Mãe? Que houve para estarem aqui? O Uruha está bem? – Reita acabou sobressaltando no sofá, aproveitando para lhes ajudar com as malas, levando ainda um sorriso maior ao semblante de sua mãe.

- Está tudo bem, não se preocupem. Na verdade viemos perguntar se podemos ficar em sua casa enquanto Kou-chan se trata.

- Claro que podem, seria muito bom. Mas, como vieram os dois? Não era mais fácil me ligar? Eu poderia buscar vocês quando saísse daqui.

- Reita quantas perguntas, larga de ser chato.

Os cinco olharam incrédulos para a figura de Uruha que começara a adentrar o local com uma mala vermelha, permanecendo ao lado de seus pais adotivos. O guitarrista usava uma calça jeans preta levemente agarrada na região das coxas, um sapato social e uma jaqueta preta, além de um cachecol da mesma cor da peça de couro e a touca que ganhara de Aoi, fora a máscara cirúrgica. Sorriu apesar de ninguém poder ver realmente.

- Fugiu do hospital Uruha? – Reita alfinetou.

- Não Akira, não fugi. Eu fiz um mielograma e como eu estava bem o Viktor me deixou ficar em casa até o resultado sair, ou seja, vou perturbar vocês por uma semana, no mínimo.

Perturbar? Se tinha uma palavra daquela frase que passou sem importância pelos ouvidos de Aoi foi aquela. Seu dia não poderia ter ficado melhor ao ver Uruha adentrando aquela porta e dando a melhor notícia que seus ouvidos atualmente poderiam ouvir. Não pôde deixar de sorrir nem mesmo se quisesse, ainda que os olhares alheios estivessem focados no outro guitarrista, o que de certa forma ele agradecia.

- E disse também... – Continuou um pouco hesitante. – Que seria melhor se eu passasse esses dias na casa de alguém ou mesmo na minha, mas com companhia para o caso de eu passar mal e precisar de ajuda.

O final daquela frase fora suficiente para o coração de Aoi se aquecer e seu ser inebriar num misto intenso de alegria e felicidade. Sim, seu dia teve como ficar melhor depois da presença de Uruha na gravadora.

Notas finais
Entããão 8D
Vamo enxer linguíça aqui qq -n, serei objetiva-
44 leitores, dois reviews no cap passado, por isso eu demorei tanto, foi de propósito. Esse capítulo e os dois próximos, principalmente os dois próximos, na minha opinião são esperados por alguns, então eu realmente queria que vocês dessem a opinião de vocês nesses caps.
Desculpem de verdade por algo tão baixo quanto demorar, mas quem escreve sabe como um comentário é importante