You Are Not Alone
28 Juntos
Notas iniciais
Disse que se tivesse reviews vinha mais rápido *-*
Não vou enxer muita linguíça aqui, só pedir que continuem comentando que faz bem e nos vemos lá embaixo nas side-storys dessa fic ♥
Boa leitura.
E dessa vez Shiroyama tivera de conter seu sorriso para não corar quando todos os olhares se voltaram indiretamente para si, sorrindo fechado e voltando sua atenção logo em seguida para um conjunto de cordas em suas mãos como um consentimento mudo de quem havia entendido a sentença e sabia perfeitamente o que fazer sem precisar usar as palavras.
- Você precisa usar essa máscara todo o tempo? – Se conhecia bem Uruha, Aoi sabia que o silêncio apenas o deixaria mais envergonhado e agora que ficaria em sua companhia e ele estando doente, as atenções também voltariam para si, então era melhor mudar o rumo daquela conversa.
- O Viktor acha melhor, pelo menos enquanto fico fora de casa. E também eu me sinto mais seguro. – Sorriu, sentando num dos sofás acompanhado por seus pais.
- Eu só não entendi porque você teve que fazer outro exame no meio do tratamento. – Ruki ajeitou-se em seu lugar, ficando de frente para o guitarrista.
- Porque a primeira parte do tratamento terminou. – Vendo que ninguém entendia bem, sorriu levemente e continuou. – A primeira parte era para limpar meu corpo das células infectadas. Depois eu tinha que fazer outro exame, que no caso foi o mielograma o escolhido, e se nenhuma célula infectada for encontrada na medula eu começo a segunda fase do tratamento que termina de eliminar tudo e tecnicamente eu estaria curado.
- Tecnicamente? – Reita inquiriu. – Não há certeza?
- O Viktor disse que sem um transplante realmente as chances de voltar são grandes, em torno de oitenta por cento. Então acho que mesmo parecendo estar no fim eu não me vejo livre do hospital tão cedo.
A tristeza que emanava de Uruha era perceptível por qualquer um, afinal a doença não havia mexido apenas com sua saúde e seu corpo, o psicológico estava abalado e Takashima não exageraria se dissesse que estava depressivo, o que era normal em pacientes que eram submetidos a tantos traumas com a doença ou o tratamento em si, e que ainda mexiam com sua estrutura corpórea. Aliás, aquele era um tópico que desejava discutir com Aoi e Reita depois que já tivesse instalado; não que quisesse focar seus dias longe daquelas paredes pálidas num assunto tão triste.
Sobressaltou um pouco ao ver o moreno sentando a seu lado, segurando uma de suas mãos com firmeza, mas delicadeza ao mesmo tempo, sorrindo para si.
- Sabemos que não está livre da doença ainda, mas é melhor não ficar tão triste por causa dela agora que tem a chance de descansar um pouco longe do hospital, não é?
- Tem razão. – Sorriu. – Melhor tentar aproveitar sem se preocupar com tantas coisas.
- E parece que hoje é seu dia de sorte. – Kai sorriu. – Vamos ensaiar apenas duas vezes e depois seremos dispensados. Poderá aproveitar o dia melhor e se instalar mais cedo.
- Isso que é sorte. – Riu baixinho.
- E é melhor – Reita jogou uma de suas palhetas no amigo. – Saber usar as toucas dos amigos e não só do namorado ta?
Os oito caíram numa gostosa e rápida risada, Uruha devolvendo o pequeno acessório para seu amigo.
- Usarei só se me disserem por que estavam com tanta pressa ontem que nem me esperaram voltar para o quarto. – Fez um bico que se não estivesse escondido certamente os faria rir mais ainda.
- Acabamos trabalhando ontem. – Kai disse tranquilamente. – Então só pudemos realmente passar lá e deixar.
- Trabalhar de domingo não deve ser bom. – Comentou, soltando lentamente seus dedos dos de Aoi. – Mas, se foi assim tudo bem, estão perdoados.
- Por você talvez. – Ruki se levantou. – Mas, se demorarmos mais um pouco o Koga-san que não vai nos perdoar.
- É verdade. – Reita copiou o ato do menor. – Melhor irmos logo para encerrar o dia e aproveitar um pouco o fim da tarde.
Kai e Sugizo concordaram mudamente, levantando-se alheios aos outros enquanto Aoi virava-se para seu amado.
- Prometo vir logo. – Disse baixo apenas para Uruha ouvir.
- Eu sei. – Sorriu, respondendo da mesma maneira. – Prometo não fugir.
Shiroyama riu baixo, apertando de leve o nariz do outro por cima da máscara, levantando-se e seguindo os outros para fora da sala tão imerso em pensamentos intensos quanto conseguia, tendo de se controlar para não sorrir bobamente para o nada enquanto caminhava.
- Kou-chan está tão feliz. – Sua mãe argüiu, fazendo-o sorrir.
- Yuu-san sabe como deixar nosso filho feliz. – O Sr. Suzuki sorriu orgulhosamente, puxando Uruha de leve para depositar um beijo no topo de sua cabeça.
- E eu sou absurdamente feliz por ter pais tão amáveis que não me abandonaram quando eu mais precisei. – Sorriu mais abertamente, abraçando os dois de uma vez, sentindo todo aquele amor familiar que por sete dias havia imaginado que tinha perdido para sempre, mas descobriu estar apenas começando, principalmente quando Reita deixou claro que não havia ciúmes entre as trocas de carinhos. Aquele ato do amigo apenas deu mais certeza de que Uruha podia dizer sem nenhum problema que tinha uma família amorosa e perfeita e aquilo o deixava realmente feliz.
...
- Será que ele estava tão cansado assim? – A Suzuki argüiu, acarinhando suavemente a cabeça relaxada em seu colo por cima da touca preta.
- Viktor-san disse que seria normal, ele ainda deve estar se recuperando do tratamento. Felipe-san também falou comigo e disse que demorava alguns dias para se livrar da quimioterapia. Aliás, Akemi, já notou como ele parece com nosso Akira?
A esposa diminuiu os carinhos na cabeça de Uruha, tornando-os mais lentos antes de erguer o rosto para encarar o do marido, que sustentava tanto a desconfiança, quanto a curiosidade.
- Sim, Takashi, ele lembra o nosso Akira. – Sentiu tremer levemente, assustando-se com a mão do marido em um dos ombros.
- Eles merecem isso, Akemi. Mais do que qualquer um de nós pode imaginar. Fora que ele também carrega nosso sobrenome. Deveria ter dividido isso comigo, mesmo que eu nem tenha tanta certeza do que realmente se trata.
- Eu já errei apenas em compartilhar segredos com um homem, fora Kami que nos ajudou a não sermos descobertos.
- Seria uma briga tão grande, talvez me impedissem de casar com a mulher da minha vida. – Segurou levemente no rosto da esposa, levantando-o e sorrindo tenramente para ela. – Não tenho ressentimentos por guardar segredos com Akihiro, Akemi, sempre vi em você alguém justa e que se precisasse passar por cima de tantas leis, o faria apenas precisando realmente. Mas, já se passaram trinta anos para um e vinte e cinco para o outro. Isso não é justo.
- Vamos conversar com Akira logo?
- Sim, é a melhor coisa-
- Uruha está bem? – Os dois sobressaltaram com o susto ao verem o filho parado na entrada da sala. Trocaram um olhar que dizia claramente que o assunto não estava encerrado e apenas sorriram fechado para o Suzuki filho, voltando suas atenções para o que faziam anteriormente, mas desta vez mais pensativos que o normal.
- Sim, meu filho, está tudo bem. – Akemi sorriu. – Viktor-san disse que era normal.
- Menos mal, estamos torcendo para ele não precisar voltar ao hospital. – Deixou-se cair num dos nódulos de um dos sofás, observando o meio-irmão dormir. Seus pais trocaram um último e rápido olhar e Akemi balançou levemente um dos ombros de Uruha, mencionando lhe acordar.
- Kou-chan, meu amor, acorde.
Os orbes de Takashima foram aos poucos encontrando com os de sua mãe. Mal se dera conta de que havia dormido, lembrava-se até de ter iniciado uma conversa com seus pais logo que todos saíram. Não fazia ideia de que ainda estava tão cansado, mas também não queria pensar em algo tão superficial. Piscou algumas vezes antes de despertar totalmente, sentando-se e arrumando a touca na cabeça, sorrindo para Akemi.
Aoi e Kai surgiram logo depois seguidos por Ruki e Sugizo. Estavam um pouco aéreos ainda por causa do ensaio e acabaram focando em alguns afazeres que tinham, ainda que Aoi tivesse se sentado ao lado de Uruha para tal. Arrumava sua guitarra no estojo rapidamente para poder se encostar ao sofá e relaxar um pouco.
Pelo menos até ouvir o amado tossir rapidamente. Ruki e Reita que trocavam baixas palavras, assim como Kai e Sugizo, viraram-se para o guitarrista que tentava ajeitar melhor o cachecol no pescoço.
- Está tudo bem? – Shiroyama indagou, colocando uma das mãos em seu ombro.
- Sim, eu devo apenas ter tomado algum vento sem perceber. – Estava tão acostumado a sorrir que mal conseguia se importar com a máscara bloqueando.
- Então seria melhor ir para casa descansar, não? – Reita começou a se levantar, entregando o estojo com o baixo para Ruki e pegando as malas de seus pais. – Podemos arrumar uma maneira de te ver caso não venha todos os dias.
- Infelizmente não posso prometer se vou vir sempre realmente, depende se eu não vou acordar tão cansado. – Acabou copiando o ato do meio-irmão, levando os outros a fazer o mesmo.
- Então já sabemos que no fim de semana o encontro vai ser no apartamento do Aoi. Vamos fazer festa lá. – Os outros concordaram rindo da feição do moreno e Kai sorriu, terminando de colocar um casaco.
- Vamos então? Fim de semana é dia de farra na casa do Aoi. – O próprio Uruha perguntou, caminhando e rindo ao lado de Aoi para fora da sala. Não queria preocupar ninguém, mas agora sabia que todos ficariam ainda mais alertas para qualquer mudança que ocorresse. Claro que ele também ficou surpreso, mas almejava tanto um bom descanso que agora que a oportunidade havia surgido não pretendia perdê-la, torcendo para nada ruim acontecer.
Acabou, no entanto sendo parado por Staffs de outras bandas no meio da recepção, chamando a atenção de outros funcionários. Reita semicerrou os olhos e Aoi coçou a testa impaciente, querendo os dois arrancar o maior daquela aglomeração, e justamente o fato de não poderem lhes deixavam ainda mais irritados.
Fora necessário que sua mãe dissesse amavelmente que ele precisava descansar que só assim conseguiu lhe tirar do meio de todos. Para alívio de deles o elevador dava direto para o estacionamento e se estivessem afortunados ninguém mais o pararia.
Alguns guardas acenaram de longe e o guitarrista retribuiu o ato, se encaminhando para o carro de Aoi, que já estava com vontade de matar alguém por não ter podido levar sua mala. Claro que internamente Uruha ria gostosamente do outro, mas sabia que mesmo nervoso ele tinha consciência de que não podia fazer, já que fofocas eram fáceis de espalhar.
Mas, acabou entregando a mala para Shiroyama de qualquer forma para poder se despedir dos outros, recebendo muitas recomendações de seus pais e de Reita, um abraço quase tímido de um dos seus maiores ídolos, assim como um sorriso de Kai e umas promessas de tapas que viriam de Ruki caso se descuidasse. Só pôde rir de toda aquela atenção e carinho recebidos, prometendo se cuidar e não preocupar ninguém. Se bem que com Aoi junto os outros já ficavam bastante relaxados.
Sabiam que o moreno daria a vida pelo outro e zelaria sua saúde, cuidando minimamente de tudo sem dar brecha para doenças que poderiam infectar Uruha. Em contrapartida daria muito mais amor, disso Kouyou tinha certeza e não pôde deixar de sorrir ao adentrar o carro e sentir o cheiro amadeirado do moreno, tão forte e marcante em cada pedacinho do automóvel.
Arriscou até mesmo tirar a máscara para aspirar o aroma, fechando os olhos e sorrindo bobamente, mal sabia que estava com tanta saudade daquele cheiro que antes não era muito marcante, mas depois que se apaixonou, se tornou tão necessitado como no momento.
- No que está pensando? – Acabou aumentando o sorriso ao ouvir Aoi, abrindo os olhos e o encarando.
- Principalmente no seu cheiro. – Viu a mão do moreno hesitar em te tocar, lembrando-se que ainda estavam na companhia.
- Você fica me cantando só porque sabe que eu não posso te agarrar agora. – Eles riram descontraidamente, sorrindo para o outro.
- Está bem senhor Shiroyama, vou colocar minha máscara e me comportar como um bom menino. – Disse isso se acomodando melhor no banco, sentindo o mesmo inclinar para trás.
- Aproveite e descanse um pouco, quando chegarmos eu te acordo e tiro sua auréola de bom menino. – Sorriu maliciosamente para o outro, que retribuiu o gesto com uma piscadela.
- Quero só ver.
Uruha se encolheu um pouco no banco, apoiando a cabeça confortavelmente e fechando os olhos, guiado para seu novo ‘’amigo constante’’, o sono. Aoi sorriu ao ver a cena, ligando o carro e saindo de uma vez da gravadora. Queria tanto abraçar o outro, dormir agarrado como se não houvesse o amanhã, fazer coisas juntos, nem que fosse apenas ver um filme. Estava tão feliz de poder aprofundar seu relacionamento depois de mais de um mês iniciado. Já se imaginava fazendo planos para aqueles dez dias.
E como desta vez a sorte estava de seu lado, as ruas eram praticamente suas, mesmo sendo segunda-feira. Não era um horário muito movimentado e precisava parar poucas vezes, algumas por causa dos semáforos. Ainda assim sua alegria era visível e seu encanto por ver o outro dormir também crescia. Parecia uma criança inocente desfrutando de uma viagem longa e que ficou tão entediado que resolveu dormir. Claro que a máscara não ajudava muito, já que puxava Aoi para a realidade, mas também não era como se ele se importasse.
Não podia nem parar de sorrir, agradecido pelos vidros escurecidos. Não que também fizesse tanta diferença, já que não tardou muito para chegar à rua de sua residência, mas naqueles trinta minutos que passara pensando, observando Uruha e sorrindo foram extremamente especiais, enquanto que para alguns eram apenas uns minutos perdidos num automóvel, para Shiroyama era uma realização no meio de toda aquela confusão que as coisas se tornaram por causa da doença de Kouyou.
Só de pensar nela seus pêlos eriçavam, mas, ao parar em sua vaga, tudo que menos queria era lembrar daquilo. Deixou que Uruha descansasse mais um pouco e subiu com sua guitarra e a mala do amado, retornando o mais rápido que conseguiu, para lhe acordar e ficar perto de si. Céus, como estava apaixonado.
- Uru... – Tocou de leve num dos ombros. – Uru acorde, chegamos. – Sorriu ao ver o outro abrir os olhos preguiçosamente, esfregando os olhos.
- Ahn? Chegamos aonde mãe? – Fechou os olhos novamente fazendo Aoi rir de sua frase.
- Uru eu não sou a sua mãe. – Acarinhou as partes da bochecha expostas, tocando mais uma vez um dos ombros. – Pelo que sei ainda sou o Aoi e você deveria descansar lá em cima.
Uruha concordou sem nem mesmo ter aberto os olhos, como se quisesse encerrar logo aquele assunto para voltar a dormir. Aoi voltou a rir e se viu obrigado a lhe acordar de outra forma, retirando seu cinto e lhe ajeitando como podia, passando um dos braços pelas omoplatas e puxando o corpo de leve para poder passar o outro pela região de trás dos joelhos, impressionado pelo peso do outro que parecia pouco demais se comparado ao Uruha saudável.
Ajeitou-o nos braços e fechou a porta do carro com um dos pés, batendo um pouco forte demais, fazendo Takashima abrir os olhos de supetão, fitando sua situação.
- Mas o que?... Aoi, me coloca no chão! – Tentou se mexer nos braços do outro que só conseguia rir de tudo. – E não ria Shiroyama!
- Eu não estou rindo, estou gargalhando. – O fez novamente. – Você me chamou de mãe e se virou para voltar a dormir, eu tinha que te tirar do carro de algum jeito.
- E aproveitou para me bolinar*, aposto. – Fez um bico, rindo das próprias palavras.
- E vou te patolar** também lá na gravadora qualquer dia, pode apostar.
- Tarado!
Uruha sentiu-se corar e Aoi riu mais ainda, finalmente lhe tirando dos braços. Trancou seu carro devidamente enquanto o outro se recompunha e os dois subiram alegres para o apartamento de Shiroyama, felizes por poderem ficar sozinhos de uma vez por todas. Não podiam dar as mãos no elevador porque o mesmo continha câmeras, mas quando se viram no hall daquele prédio de apenas dois apartamentos por andar Aoi teve apenas que consumir o ato de abrir e fechar a porta para poder abraçar Uruha pelas costas, aspirando o cheiro de sua jaqueta e descendo as mãos lentamente pelas laterais do corpo.
- Já posso prever a nossa primeira noite, Aoi. – Sorriu por dentro da máscara sentindo corar novamente, aproveitando do carinho malicioso.
- É mesmo? Só não passe esses pensamentos para mim, se não eu faço uma loucura. – Riu contra o couro da jaqueta, depositando um beijo no local. – E infelizmente nós não podemos ainda.
- Tem razão, é infelizmente realmente. – Riu baixo, soltando-se aos poucos do toque do moreno, dirigindo-se para seu sofá de cor prata fosca, mas que ainda se destacava pelo tom diferente, claro que combinando com todo o resto do ambiente. – E para variar minha cabeça começou a doer um pouco.
- Você precisa tomar alguma coisa? – Aoi foi até si, fazendo-o se deitar como podia, apoiando a cabeça em suas pernas. – Talvez seja o frio agora que não tem mais cabelos. – Tentou dizer o mais natural possível, não sabia como o outro estava lidando com aquilo.
- Sim, mas eu já comprei tudo, ta na mala. – Fechou os olhos conforme uma leve massagem foi depositada numa das têmporas. – Deve ser o frio mesmo. E a minha falta de cabelos.
- Ainda desconfortável não é? – Suspirou com o ‘sim’ gesticulado levemente com a cabeça. – Mas, pretende tirar a touca aqui?
- Acho que sim, eu talvez vá até precisar. Mas, isso é até confortável. A única coisa que eu queria mesmo pedir era para não tomar banho com você ainda. – Se encolheu um pouco.
- Não tem problema, eu nem pensava em algo assim. Mas, porque exatamente, ta se sentindo feio?
- Muito. – Respondeu sinceramente. — Mas acho que sobre a minha cabeça eu realmente não tenho muitos problemas ainda, e também não posso viver com a touca para sempre. – Riu baixo. – Mas, o que eu realmente queria agora era dormir um pouco, ta frio.
- Mas, você está bem? – O moreno indagou preocupado.
- Sim, se eu me sentir mal não vou deixar de te avisar. – Sentou-se novamente, retirando a máscara. – Eu só queria ajuda para guardar as coisas, e se for dormir com você queria saber se está gripado, tossindo ou espirrando.
- Não, quanto a isso pode ficar tranqüilo. Mas, se acabar ficando preocupado eu posso dormir no chão. – Deu de ombros, sorrindo para a feição incrédula do outro.
- Ficou doido, só pode. Eu jamais te deixaria dormir no chão Aoi, eu confio em você. Se está tudo bem eu posso ficar sem a máscara.
- Se é assim pode ir se deitar. – Shiroyama se levantou, encaminhando-se para a mala do outro. – Eu vou colocar suas coisas no meu guarda-roupa porque tem espaço e você pode deitar sem medo porque eu troquei a cama hoje antes de sair. – Disse sem olhar para Uruha, mais interessado em olhar os medicamentos que pegara de dentro da mala, fitando as receitas.
Takashima decidiu não interromper aquele momento protetor de Aoi e se levantou sem fazer muito barulho, caminhando a seu lado por um dos dois corredores da residência. Havia quatro portas distantes uma da outra, duas de cada lado do corredor. De acordo com o moreno, as duas do lado esquerdo eram os quartos, sendo o próprio a última porta. Do lado direito a última porta era o banheiro e a outra era como um pequeno quarto, mas que Aoi separava como área de trabalho, como Uruha se lembrava vagamente desde que estivera ali, há um bom tempo.
No entanto, como nunca havia entrado no quarto do moreno, não pôde conter a surpresa ao observar o local, as paredes num tom absurdamente claro de cinza, mas realmente bonito, contrastando com o chão de porcelanato branco e liso provido de poucos tapetes, apenas um grande que pegava metade da cama e sobrava para os lados. A mesma ficava de frente para a porta, a seu lado esquerdo um grande guarda-roupa de ébano que pegava toda a parede.
Um par de criados-mudo branco residia de cada lado da cama, esta tendo sua estrutura e cabeceira lisa e sem detalhes da mesma cor. Do outro lado uma porta solitária que dava para o banheiro e duas cômodas colocadas lado a lado na junção das paredes, também da mesma cor do guarda-roupa para não deixar aquele lado sem nada, completando com as duas janelas médias que havia na parede atrás da cama, cobertas por duas cortinas que muito provavelmente Aoi mandara fazer especialmente para o local. O babado liso que cobria o trilho era num tom champanhe, assim como a extensão da cortina. Abaixo dele vinham os dois pares, cada parte presa por uma cordinha dourada, as duas do meio presas por uma única, dando um ar realmente diferente e bonito para o local.
Na cama uma colcha azul marinho fazia par com as fronhas da mesma cor. Nos criados-mudo dois abajures de porte pequeno.
- Gostou?
- É lindo Aoi. – Sorriu abertamente dirigindo-se para a cama. – E essa colcha é a sua cara. – Dirigiu o sorriso para o moreno, que devolveu cúmplice.
- Nem lembro quem me deu de aniversário. – Caminhou até seu guarda-roupa. – Acho que acertei de colocar ela hoje.
- Foi uma coincidência e tanto. – Uruha passou uma das mãos pela dita cuja lentamente, sentindo sua textura suave e se lembrando de quando mandou entregar no apartamento do moreno, exatamente no começo daquele ano. Seus sentimentos estavam começando a despertar e não teve coragem de levar pessoalmente, apesar de ter deixado um cartão.
- Vai querer o que para usar agora? – Libertou-se do devaneio, levando o olhar para as costas de Aoi.
- O mais simples que minha mãe colocou aí. – Sorriu ao imaginar a Senhora Suzuki arrumando tudo. – Pode ser uma calça e uma camiseta.
- AAAHHH jurava que ia usar um short. – Pegou as peças e fez um bico, virando-se para Uruha e jogando em sua direção.
- Mas é tarado mesmo. – Takashima riu, pousando a máscara no criado-mudo do lado direito, seu lado da cama, retirando o cachecol e depois a jaqueta. – Quer me bolinar e ver as minhas coxas. Elas estão doentes também.
- Sei. – Novamente virado, Aoi retirava as peças e colocava em cabides, outras nas gavetas internas. – Mas, eu posso cuidar delas.
- Isso que me assusta. – Riu, retirando a camiseta que usava para colocar a outra, dobrando tudo e se levantando para retirar a calça.
- Bem, mas se não quer que eu te veja não tire as calças per- — Calou-se ao ver a peça já na região dos joelhos de Takashima, as coxas que tanto gostava pouco cobertas pelo tecido da camiseta. – Depois não quer que eu agarre.
- Não quero mesmo. – Uruha sorriu, vestindo-se finalmente. – Mas, pode olhar.
- Grande ajuda.
Aoi fez um bico rápido e pegou as peças já usadas anunciando que deixaria em cima da cômoda. Uruha anuiu e se sentou novamente passando uma das mãos pela touca. Ainda ficava nervoso com o ato e sem se dar conta começou a esfregar nervosamente o tecido pela cabeça, confuso e sem saber o que fazer. Tinha vergonha e ao mesmo tempo confiava em Aoi e aquilo tudo era um bolo ambíguo e intenso. Acabou assustando-se quando sentiu suas mãos lhe parando, só então voltando a si e encarando os olhos negros.
- Não precisa tirar se não quiser. E também disse que estava com dor de cabeça.
- Eu sei, mas não tem problema, no fim das contas. – Acabou retirando por fim, colocando sobre o criado-mudo. – É meio ruim dormir com ela e a dor passa com uma soneca.
- Então descanse. – Depositou um beijo na cabeça de Uruha. – Eu vou arrumar os seus remédios e quando precisar venho te acordar, tudo bem?
- Está bem. – Uruha sorriu rapidamente e se arrumou sobre a cama, cobrindo-se e quase gemendo de alívio. – Kami como isso é bom, eu achei que fosse morrer na cama do hospital.
- Então aproveite e me deixe te tocar de noite.
- Aoi taradooo... – Cantarolou a última parte fazendo o moreno sorrir.
Caminhou até as janelas fechando as cortinas para escurecer um pouco mais o quarto, apagando as luzes ao chegar até porta, fitando agora apenas a silhueta do amado.
“Bom descanso, Uru...’’.
xXx
- Pelo menos não são muitos remédios.
Aoi falava distraidamente, arrumando as embalagens em cima da geladeira e prendendo a receita na porta do eletrodoméstico. Havia se passado algumas horas desde que Uruha dormiu e a noite já havia se iniciado quando Shiroyama foi para a cozinha preparar algo. Era por volta de sete da noite e uma corrente de ar fria entrava pela janela do cômodo, baixando a temperatura. Aoi ainda estava um pouco protegido por estar mais perto do fogão e andando de um lado para o outro, mas apenas ele.
- Que frio. – Uruha se abraçava na soleira da porta, esfregando as mãos pelos braços, assustando o moreno com a fala repentina.
- Está, é melhor pegar algo mais forte para colocar. – Acabou não indo até ele por causa da comida que precisava ficar mexendo.
- E essa jaqueta já é quente. – Sentou-se numa das cadeiras que compunham um conjunto com uma mesa de madeira polida e retangular, de porte médio. Fitou Aoi de costas, sorrindo fechado. – Você também deveria colocar algo, só essa camiseta não vai ajudar muito.
- Eu não to com tanto frio. – Virou-se finalmente, retribuindo o sorriso. – Mas, e você, como está?
- Sem dor de cabeça, então ótimo. – Riu. – Só com um pouco de frio.
- Acho que deve ter tomado banho antes de sair do hospital, mas se quiser me acompanhar quando eu for... – Deixou a frase em aberto e ainda de costas sentiu-se ser abraçado pela cintura, o queixo de Uruha apoiado em seu ombro.
- Aoi seu tarado, eu disse que tenho vergonha de tomar banho com você agora.
- Eu sei, mas você não precisa tirar a roupa, pode ficar conversando comigo com a porta do box aberto.
Shiroyama ainda fitava suas panelas, mas ao término da frase virou o rosto para encarar o de Uruha, que por uns instantes olhava incrédulo antes de cair numa risada, desvencilhando os braços de sua cintura.
- Que oportunidade tentadora.
- Não é? – Shiroyama comentou. – Deveria aceitar.
- E aposto que, além disso, vai querer conversar coisas comuns comigo.
- Claro, por que não?
Sentiu um pano de prato bater-lhe nas costas, sorrindo e caminhando até a geladeira, fitando o papel recém colocado na mesma, pegando uma das caixinhas de remédio.
- Acho que você já tem que tomar esse. — Entregou o vidro com o conteúdo e uma colher para Uruha, que abriu lentamente e aspirou o cheiro do líquido, afastando rapidamente de si.
- Isso tem cheiro de remédio ruim, pode esperar. — Depositou as gotas necessárias na colher e cheirou novamente fazendo uma careta que levou Aoi a rir absurdamente alto, tomando o líquido e piorando a expressão.
Shiroyama não tinha como se segurar diante daquela visão, tendo de tapar a própria boca para a risada não sair mais alta do que o horário permitia. Uruha também o fazia, mas para não vomitar.
- Eu vou morrer tomando isso Aoi. — Dramatizou encarando o outro que não conseguia parar de rir. — E pare de gargalhar, Shiroyama. — Fez um bico. — Isso é muito ruim.
- Vou tentar. — Ainda rindo tentava retomar a respiração compassada encarando o bico do amado. — Isso é ruim assim?
- Acho que não ao nível do meu exagero. — Riu envergonhado, fitando as mãos em cima da mesa. — Mas, é meio ruim sim. Deveria experimentar. — Dessa vez Takashima quem riu com a recusa ávida do outro.
- Graças a Kami estou saudável e não preciso tomar essas coisas ruins. — Guardou o dito cujo em cima da geladeira, sentando-se de frente para Uruha. Havia terminado a janta. — Que foi Uru, ficou triste com o que eu falei?
- Não é isso. — A voz baixou gradativamente e uma linha triste percorreu seus olhos. — Eu ando assim meio triste demais Aoi, e às vezes acontece do nada.
- Mas, dessa vez aconteceu porque eu falei que estou bem.
- Não, não é assim. — Balançou a cabeça negativamente. — Eu conversei com a enfermeira que cuida de mim e ela me disse que depressão é normal para quem tem câncer. Mas, eu não quero ter isso, só daria mais trabalho.
- Você não dá trabalho, não é sua culpa estar doente. E se isso pode acontecer e você realmente estiver assim é melhor tentar se acertar com você mesmo principalmente. — Disse sério, mas com um tom acolhedor na voz. — Sabe que se precisar de ajuda eu vou sempre estar aqui, e agora você tem seus pais, o Reita, seus amigos, tanta gente que pode te ajudar de verdade. Mas, se estiver com medo de dar o primeiro passo eu dou com você.
Uruha sorriu fechado, mas verdadeiro para Aoi. Sentia-se acolhido pelas palavras do amado apesar de ainda se achar um peso, não que Aoi desse margem para pensamentos ruins. Uma de suas mãos foi beijada e num consentimento mudo decidiram que aquele assunto estava encerrado apenas por hora, já que no dia seguinte Aoi tinha ensaio e Uruha decidiria como as coisas ficariam naqueles dias e se iria com Shiroyama para a gravadora.
- Você vai? — Com ajuda do maior o moreno colocou a mesa, algo simples e sem muita decoração, mas que parecia realmente apetitoso.
- Eu não sei nem se consigo acordar na hora. — Riu. — Mas, se acordar e estiver bem vou sim.
- Bem, você decide. — Sorriu, servindo-se da própria comida.
- Sabe Aoi, andei pensando numas coisas que aconteceram ontem, e acabei de lembrar. Esse apartamento em frente ao seu está vago, não é?
- Sim, por quê?
- Eu pensei em comprar ele.
Aoi quase se engasgou com o alimento em boca, erguendo a cabeça e fitando o olhar decidido de Uruha. Não podia falar por estar comendo, mas sorriu o máximo que conseguiu feliz com a revelação.
- Claro que por nós dois, — Continuou. — mas também porque eu tenho uma promessa com uma pessoa para cumprir.
- Promessa?
Aos poucos Uruha começou a explicar sobre o encontro com as crianças. Aoi fez uma expressão surpresa, afinal de contas tinha combinado não falar nada, e não conseguiu não sorrir ao ouvir o amado falar sobre Kaoru, chateado pela história conturbada, mas vendo certo brilho nos olhos de Takashima. Sabia que quando aqueles orbes chocolates adquiriam aquele brilho esperançoso algo estava por vir.
- Eu vou adotar ela.
E veio.
Aoi arregalou os olhos com a notícia, embasbacado com o outro, não que a felicidade não tivesse lhe atingido. Sempre tivera vontade de ter um filho e com Uruha e sua menininha morando perto de si, já podia se considerar como tendo uma família tão feliz quanto a que sonhou e desejou.
- Espero que consiga adotar ela, de verdade.
- E o melhor ainda está por vir. — Aoi lhe fitou curioso. — No andar abaixo eu também lembro que me falou que um dos apartamentos estavam a venda. Vou falar com meus pais e ver se eles não querem comprar, afinal de contas aqui é uma rua calma, assim ajudaria no processo de adoção e eles ficariam felizes com um neto por perto. Já para nós dois poderia ajudar principalmente para não deixar suspeita caso me vissem entrando aqui.
- Você ser meu vizinho é mais do que eu esperava quando te entreguei o relicário no hospital. — Disse quase num sussurro para manter um clima mais íntimo com o outro, sorrindo ternamente.
- Eu viria de qualquer forma mesmo sem a Kaoru-chan. — Novamente Aoi se surpreendeu. — Eu quero morar perto de você Aoi, e poder aproveitar ao máximo essa nossa relação sem medo.
Aoi se sentia mergulhado num mar de alegria e felicidade, feliz por descobrir todas aquelas informações que Uruha planejou enquanto internado. O ajudaria com Kaoru e o que mais fosse precisar, assim como não escaparia de dar umas fugidas para sua cama em noites de insônia ou desejos insaciáveis.
Claro que o que se instalava era o sentimento puro, mas ao terminarem de lavar as coisas e arrumar a cozinha para se dirigirem ao quarto novamente, já que Aoi tomaria um banho, este não se segurou em dar alguns tapas ''sem querer'' nas nádegas e coxas de Uruha, fazendo caras inocentes quando os olhos se encontravam. As risadas eram inevitáveis e permaneceram por todo o caminho, encerrando quando o moreno foi pegar uma muda de roupas e o outro fitou sua foto em cima do criado-mudo de Shiroyama, sorrindo.
- Não sabia que ela ficava aqui, nem percebi mais cedo.
- Fica sim, eu gosto de acordar e te ver por aí. — Sorriu. — Mas, amanhã vou acordar melhor.
Uruha sorriu ainda fitando o porta-retrato em suas mãos, colocando uma delas na boca quando sentiu bocejar.
- Está cansado de novo. — Aoi disse, sentando-se a seu lado, um dos braços passando pela cintura delgada.
- Frágil demais Aoi, frágil demais. E ainda está cedo.
- Se agüentar podemos ver alguma coisa, um filme quem sabe.
Uruha negou com a cabeça. — Você precisa descansar. Na sexta eu topo, mas é melhor a gente dormir.
Shiroyama fez um bico. — E a visita ao banheiro?
- Não seja tão descarado Aoi. — Sorriu. — Lembra que eu disse dormir? Vamos dormir agora, a parte erótica fica para depois.
- Seu chato.
Shiroyama acabou se rendendo e se dirigiu para o banheiro, feliz por saber que dividiria a cama com Uruha por alguns dias. Não conseguia explicar a alegria que sentia por constatar aquilo, mas seu coração maculado pelo estado do outro agora estava aquecido e iluminado de novo, um relaxante para si que vivia com tantos fantasmas lhe rondando. Podia dizer que estava embriagado pela presença do ex-loiro, e cada segundo que fosse passar a seu lado tinha plena certeza de que seria especial, porque mesmo com as limitações de contato e carinho, nada poderia impedir que eles aproveitassem cada momento, enriquecendo ainda mais aquele sentimento já forte, que, aos poucos, ia se mostrando mais e mais para eles.
Notas finais
** Patolar Ato de apertar a genitália masculina dos outros em público.
xXx
Então gente, eu já tive duas ideias. Uma delas seria ReitUha e a outra AoiHa.
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A ReitUha seria o seguinte: Seria logo depois que o Uruha foi morar com os pais do Reita, e como o beijo mudou ele. Teria um lemon e tals e seria todo baseado nesse passado até a decisão deles de ir para Tokyo.
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A AoiHa seria assim: Imaginem que o Uruha se curou e esse capítulo 28 seria como um final de tudo. Eu também puxaria uma excessão e colocaria um lemon deles.
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Que acham, muito ruim, exagerado? Se puderem comentar eu adoraria *---*
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