Notas iniciais
[26/01/12 - Pra variar eu sou uma esquecida que esqueceu -LOL- de dedicar esse capítulo. Vai para a Lucy Babalu como uma promessa que eu fiz e infelizmente esqueci. Espero que veja isso amore, me perdoe e saiba que foi de coração ♥]
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Oiee *---*
Tava com saudade, como passaram de ano novo? ♥
Espero que bem, porque agora vocês precisam ajudar a Tia a fazer macumba contra o Word AUAUAUAUUAUHAUHA. Eu tenho a fic escrita até metade do cap 24, só que meu amado programa quase deletou a fic inteira. Pensa no drama u.u UHAUAUHUAHUHAUHA
Eu acho que consegui por enquanto resolver o problema, mas se eu demorar um pouco mais a atualizar as vezes, saibam que não é por falta de cap e sim por problemas com o Word.
Boa leitura.
PS: mais lá embaixo.

Uruha não sabia o que dizer ou mesmo o que pensar. Seu ser estava tomado de diversas sensações entre alegria e alívio, e o guitarrista apenas se deixou levar pelas lágrimas pesadas, grossas e aliviadas, levando Viktor a tomar cuidado ao lhe dar uma máscara cirúrgica, ajudando a colocá-la e o abraçando em seguida, sentindo que aquele era o desejo de Takashima, mais importante do que sua saúde.

Reita havia avisado Kai rapidamente antes de o líder receber o chamado de Miyavi para ir até sua casa, mas acabou não tendo contato com Ruki e Aoi, por isso os dois estavam tão surpresos. Sabiam que encerrando as férias Uruha iria ficar sozinho no hospital, o que não era permitido, dado que o ex-loiro tinha família viva, ainda que eles o rejeitassem.

Mas, agora com o médico lhe dando todo o apoio necessário para superar mais aquela batalha na luta contra a leucemia, o guitarrista só podia se deixar levar pelo alívio que lhe embargava por inteiro, enquanto os outros quatro sentiam que sairiam daquele local deixando o companheiro em boas mãos.

— Vai ficar tudo bem agora, vocês podem ficar tranquilos. — Viktor sorria ao ver a emoção de Uruha, sustentando o abraço pelo tempo que conseguiu, desvencilhando-se aos poucos de si.

- Eu agradeço tanto... Tanto. – O ex-loiro retirou a máscara logo que desvencilhou do médico, podendo respirar melhor, visto que chorando, a proteção abafava sua capacidade de aspirar perfeitamente.

- Não chore mais, as coisas estão se ajeitando. — O médico disse sorrindo, recebendo de Takashima o mesmo gesto, ainda que mais demorado para os lábios rachados não sangrarem.

Ruki e Aoi apenas se abraçaram sentindo um grande peso esvaindo-se, enquanto Reita sorria feliz, sabia que depois de voltar ao trabalho ainda assim poderia deitar a cabeça tranquilamente no travesseiro porque Uruha, mesmo estando doente, estaria bem acompanhado e seguro.

xXx

Miyavi havia acabado de voltar e como imaginou, a casa estava embargada num silêncio sepulcral. Viu os documentos de Kai e a carteira em cima da mesinha de centro, devidamente arrumados tentando pegar um mínimo possível de espaço. O Sapato colocado devidamente dentro da sapateira que havia sido incrustada na parede perto da entrada — Com uma porta cobrindo, para não causar má impressão -.

Acabou sorrindo ao ver todo aquele cuidado de Kai com sua casa e colocou todas as compras ainda dentro das sacolas em cima da mesa, guardando apenas o necessário que tinha perigo de estragar caso ficasse fora da refrigeração. Fitou as coisas na cozinha mais uma vez até subir as escadas, abrindo as portas do andar intermediário sem encontrar ninguém.

— Kai? — Perguntou num tom levemente alto, dado que a extensão da casa era enorme. Mas, não ouvindo respostas subiu os últimos lances de escada para seu andar, indo de encontro à porta de seu quarto.

Abriu-a devagar, vendo a cena mais doce de toda sua vida. As pantufas que emprestara a Kai repousavam ao lado da cama, e seu usuário dormia abraçado com Lovelie, seu braço protegendo a garotinha de se mexer e cair. Pela posição havia dormido sem querer, o que lhe daria pelos rubores mais tarde, apesar de que no momento Miyavi apenas conseguia sorrir, feliz por ver uma cena como aquela.

Era até um pecado saber que precisaria acordar o menor. Ele provavelmente surtaria e pediria milhões de desculpas, então no momento Ishihara resolveu apenas fechar a porta sapecamente e voltar para a cozinha para terminar de arrumar tudo, ainda com uma imensa vontade de tirar uma foto da cena para guardar de recordação.

No entanto, uma idéia nada pura passou por sua mente, levando-o a sorrir animado. Havia comprado um tubo de chantilly para comer com amoras*, mas não haveria problema usar um pouco. Caminhou até a sala e tateou até encontrar uma pena, praticamente voando para o terceiro andar. Acabou se encantando novamente com a cena linda de Kai dormindo junto com Lovelie, e por pouco não desistiu do que pensou. Mas, voltou a si depois de focar nas coisas em sua mão e caminhou até Yutaka, depositando uma boa quantidade de chantilly na palma da mão livre, fazendo uma espiral. Controlou-se para não rir alto e se acomodou perto do baterista, passando a pena por seus lábios e nariz.

Demorou um pouco para Kai começar a se mexer, mas aos poucos a textura da pena em sua pele foi se tornando incômoda, obrigando-o a mover o rosto. Miyavi se contorcia para se segurar e passava mais demoradamente a pena no nariz de Yutaka, fazendo-o reclamar baixo e levar a mão livre até o rosto, acertando-o em cheio com chantilly.

Naquele momento Miyavi nem lembrou da filha dormindo. Começou a gargalhar alto, sentando-se em sua cama com brusquidão, ajudando Kai a despertar mais rápido, não sabendo se corava por ter dormido na cama de Miyavi e ter sido pego, ou se ria junto com o maior diante da sujeira que deveria estar seu rosto.

— 'Ta lindo Kai. — Depois de tantas risadas altas, Lovelie começou a chorar e Miyavi foi até ela, pegando-a para que o baterista — Que também ria. — pudesse se sentar melhor na cama, já totalmente desperto.

- Perdão Miyavi — Disse entre risadas. — Eu estava tão cansado, mas não deveria fazer isso. — Ficou sério diante de Ishihara, que apenas sorriu amavelmente.

- Está tudo bem Kai, não se preocupe com isso. Eu fiz essa brincadeira mais por que sabia que você ficaria nervoso por causa disso, mas sei como ficar no hospital está cansando você. Pode ir lavar o rosto e descer que eu vou cozinhar alguma coisa e te levar de volta para o hospital antes que pensem que eu te seqüestrei. — Balançava levemente a menina nos braços, mesmo sabendo que aquilo não a acalmaria, já que provavelmente estava com fome.

Kai ainda tentou dizer algo, mas Miyavi não permitiu, praticamente o empurrando com a mão livre para dentro do banheiro, rindo e arrancando mais risadas dele.

— Se lave e desça para a gente comer. Se tentar fugir eu juro que coloco chantilly na sua cueca. — Mais risadas — E o choro de Lovelie. — por algum tempo até Miyavi se deixar vencer pelo pranto da filha e sair do quarto, deixando Kai a sós.

O baterista se sentiu novamente aquecido por tanto carinho, que nem o constrangimento de ter dormido na cama de Miyavi o incomodava mais. Pelo menos não tanto. Kai estava feliz por poder ajudar o amigo que até cozinhar havia aprendido, visto que outrora, antes de Ishihara sair da PSC, havia descoberto que ele era um desastre em casa.

Não pôde deixar de sorrir ao ver Lovelie acordada dentro do carrinho especial para seu pouco mês de vida ao lado da mesa enquanto Miyavi já preparava algumas coisas, sorrindo ao lhe ver parado perto da filha.

...

— A janta estava maravilhosa Miyavi, obrigado por tudo. — Kai sorriu ao descer do carro de Ishihara perto da entrada lateral do hospital.

- Eu que agradeço Kai, você me salvou hoje. — Não hesitou em abraçar o menor, tendo o ato correspondido. Sentiu o coração aquecer ao sentir o calor do baterista em si, instintivamente fungando a curva de seu pescoço, levando-o a se arrepiar.

Kai estremeceu com ato, sentindo os joelhos tremerem. Escondeu o rosto na curva do pescoço de Miyavi, sentindo-o despejar alguns beijos em seu próprio, fechando os olhos e se deixando levar pelo carinho. Estava carente e não admitia, mas havia percebido que perto de Ishihara poderia ser quem era de verdade, alguém com necessidade de afeto.

Sentiu-se ser mais apertado no abraço, sentindo o rosto do maior sair de perto de seu pescoço.

— Obrigado novamente Kai. — Deu um selo rápido nos lábios do baterista, deixando-o atônito, tendo assim chance de entrar em seu carro e dar a partida, só então tirando o baterista de seus devaneios.

Que somente teve tempo de sorrir abertamente, adentrando o hospital absurdamente feliz.

xXx

Viktor caminhava silenciosamente pelos corredores do andar de sua especialidade, mais uma vez sentindo aquela ansiedade e todo o peso de carregar consigo a cura destrutiva de Uruha. Havia notado como o guitarrista acordou mais sensível naquele dia, já sabendo que haveria mais uma crise de dores de cabeça e vômitos, muito provavelmente seus cílios e sobrancelhas também pereceriam com a segunda sessão, assim como os altos e baixos de sua sanidade.

Claro que o médico não podia demonstrar fraqueza e tentou se manter neutro quando adentrou o quarto de Takashima, sorrindo fechado para o ex-loiro e Reita, que novamente lhe acompanhava na aplicação da quimioterapia. Era visível que os dois sorriam mais por aparência, apesar de que para Viktor o gesto foi real e sincero, não que fosse se repetir para todos. Os dois estavam realmente nervosos porque mesmo Uruha estando melhor, ainda assim sofria sozinho com os efeitos colaterais da cura e com as oscilações de sentimentos.

Não havia outro caminho, afinal nem um transplante poderia ser feito com as células cancerígenas ainda no corpo de Uruha, então bastou apenas um suspirar do guitarrista, indicando que por mais triste que estivesse com aquilo, estava conformado, e apenas seguiu com os olhos o médico da altura de Ruki ligar o soro em seu cateter, reiniciando sua 'cura-de-dois-gumes'.

— Não é melhor se distrair com alguma coisa? – Viktor o fitou, mas este mal teve tempo de responder.

- Viktor emergência. – Felipe entrou de supetão no quarto, assustando aos três, não que algum deles tivesse tido tempo de se manifestar. O loiro saiu porta a fora com o hematologista, pedindo desculpas à Uruha e Reita que ficaram se encarando por alguns momentos.

- Acha que aconteceu algo muito ruim?

- Não tenho certeza Uruha, mas também não acho que é melhor você pensar nisso. Porque não tenta assistir tv?

O guitarrista ponderou um pouco, mas acabou concordando, deitando-se e se acomodando enquanto seus olhos corriam pela tela pousando sobre um filme que apesar de parecer interessante, muito provavelmente não mudaria os caminhos de seus pensamentos.

O 'ping' do líquido transparente descendo pela cânula de silicone conseguia ser mais alto do que o longa, e mesmo querendo, Uruha não conseguia ignorá-lo. Até prestava atenção em algumas cenas e em Reita de vez em quando, mas era fato que não estava distraído.

Não queria ter surtos e começar a chorar, já bastavam os efeitos colaterais da quimioterapia, que por si só derrubavam qualquer pessoa. Não precisava sofrer ainda mais, talvez fosse melhor focar no tal filme e pensar em coisas mais alegres do que em sua situação deplorável, vivendo aquela fantasia com as personagens.

Não havia pegado do começo, mas parecia um romance, não meloso, na medida certa, evidente que para quem gostava do tema. Não que Uruha detestasse, Titanic era seu longa favorito, então qualquer outro romance que passasse sobre seus olhos seria facilmente aceito e aos poucos ele conseguiu se deixar levar.

O conjunto fez sua mente bailar numa dança gostosa e calma, algo que ele não sentia a um bom tempo, deixando pensamentos tristes de lado e fixando-se apenas nas cenas à sua frente, sorrindo leve com alguns dos momentos dotados de demonstrações de carinhos.

Imaginou-se com Aoi, quando os dois poderiam se abraçar e beijar sem nenhum problema, podendo aproveitar da companhia do outro sentindo os carinhos e retribuindo, tudo isso no final de um túnel bem longo e tortuoso, mas que se fazia muito a pena lutar.

E pela primeira vez durante quase aquele mês internado, Uruha conseguiu sorrir de verdade, fechando os olhos para assimilar todos aqueles bons pensamentos, mas adormecendo com o gesto, enquanto Reita apenas olhava de esguelha, virando-se totalmente quando viu o sorriso ainda estampado, mas a respiração compassada e o fato de não ter aberto os olhos.

Sorriu ao ver a cena, Uruha feliz parecia algo que não via há anos e estava imensuravelmente satisfeito e contente por ter certeza de que ele já conseguia se manter mais equilibrado, mesmo pensando que começaria a chorar novamente por causa da segunda sessão do tratamento.

E o dito cujo dos pensamentos de Takashima surgiu alguns minutos na soleira da porta, pedindo à Akira que trocasse de lugar com ele, também sorrindo por debaixo da máscara ao ver o amado com o semblante tão sereno.

— Faz tanto tempo. – Sorriu, caminhando até a porta. – Aposto que tinha você no meio. – Riu baixo.

- Não seja besta. – Shiroyama acompanhou o riso, indo até a cama. – É tão bom ver ele assim. – Sorriu.

- Não seja besta? Eu tenho certeza absoluta que você está no meio desses bons pensamentos, mas se não acredita, pergunte quando ele acordar. E boa sorte na sua primeira missão como acompanhante dele no começo do ciclo da quimioterapia. – Sorriu, dando um tapa leve num dos ombros do moreno.

- Agradeço.

Reita fechou a porta espreguiçando-se preguiçosamente, caminhando até a sala de espera. Aoi se acomodou na poltrona e fitou seu amado cochilando, o sorriso em nenhum momento dando sinais de que desaparecia do conjunto.

O moreno praticamente se deixava levar pela imagem calma de Takashima, a cabeça parecia tão mais frágil sem nenhum fio e ainda tão gostosa de ser acariciada, tão mimada quanto um bebê recém-nascido. E mesmo que o ex-loiro ainda não soubesse Aoi e os outros já haviam combinado de lhe comprar algumas toucas, principalmente pelo frio que chegava. Uruha se protegeria bem e certamente adquiriria uma expressão ainda mais infantil com o acessório.

E Yuu já podia até imaginar como seria, abraçaria o outro com todo o calor do amor que sentia e o faria se sentir especial e querido, amparado mesmo de longe e sempre vigiado por seus olhos profundos e impactantes, ainda que estes não o estivessem realmente lhe fitando.

E ainda que as coisas estivessem em caminhos estranhos e tortuosos, e que o futuro fosse mais incerto do que costuma ser, Aoi se deixou sorrir e acarinhou uma das mãos do amado, subindo pelo braço e sentindo a cútis maculada sobre seus dígitos, passando pela clavícula coberta pela roupa do hospital, chegando ao rosto e evitando os lábios ressecados, subindo para a cabeça.

Nesse momento já se encontrava de pé e depositou alguns beijos na pele branca antes de fungar levemente no local e começar um carinho gostoso, arrumando-se sentado novamente para poder tornar o ato mais confortável, fazendo Uruha se mexer levemente. Takashima acabou desfazendo o sorriso, mas sua expressão mudou apenas para algo calmo, o que era raro atualmente.

Mas, dormindo, o ex-loiro estava livre de seus monstros reais, num mundo só seu, onde não precisava se preocupar com a leucemia, se podia ou não encostar ou alguém, ou mesmo se era obrigado a ficar longe de Aoi. Em seus sonhos podia abraçar e beijar o moreno, tocar sua pele alva e se deixar ser tocado e beijado sem receio, onde eles podiam se amar a todo o momento, indo de carinhos puros ao toque mais profundo.

Sentindo plenamente em seu ser todo o amor que Aoi podia exalar, assim como si mesmo. E ainda que estivesse dormindo e apenas sonhando, completamente em seu mundo, seu ser implorava para que o toque com seu moreno passasse de sonho...

...a Realidade.

Notas finais
* = Essa coisa da amora eu retirei da fanfic 'Amora Azul' da Yori Suzuki ♥. Créditos à ela.
Sobre a escrita, bem, eu ando impotente com ela. É, minha escrita me deixa pra baixo, eu não gosto muito dela e to meio parada nos caps, porque eu tive uma ideia agora que meio que ta sobrepujando as outras e ta difícil de arrumar isso, mas nem se preocupem, desistir dessa fic jamais, só peço que a partir do cap 24, se virem algo confuso demais, não mandem me matar -QQQQ eu to tentando ajeitar tudinho e colocar a ideia nova só depois do 33, e se as forças do céu ajduarem -Q eu vou conseguir ♥
Ja nee minna ♥