Notas iniciais
Contagem regressiva: 18 para o fim.
Cap de hoje é meu u.u -q
Weeee hoje é meu aniversário -ainda auhhauuhauha-. E quero reviews como presente, sim? 8D -q.
Ahn acho que era só isso mesmo q.
Espero que gostem do final, todo mundo esperava isso desde o cap 10 -q. Não foi nada intenso, mas mesmo assim tomara que gostem.
Boa leitura.

Os dedos de Aoi passeavam com delicadeza pela pele de Uruha, fazendo um carinho na cabeça agora mais sensível sem os fios. Não havia sinal de aparecerem ainda então continuava lisinha e gostosa de acarinhar, como os dígitos podiam sentir. Eles podiam se perder na região frágil por horas se a barriga do Shiroyama não reclamasse pela falta de comida.

A hora do almoço havia passado há algum tempo, mesmo com todos fazendo tudo. O quarto de Uruha parecia ter tantos segredos que parte da demora foi do próprio moreno se perdendo na infância do outro. Reita precisou lhe apressar, mas acabaram conversando enquanto o Suzuki lhe ajudava o que não ajudou na arrumação, apesar de serem os dois.

Ao menos foi um tempo gasto com coisas boas inebriando Aoi. Akemi chegou a aparecer com uma vassoura em mãos para assustar os dois, mas acabou arrancando risadas deles e rindo das feições apaixonadas de seu genro, que percebeu, só se mostrava a vontade com Akira ou provavelmente com Kouyou.

Ainda assim Aoi não havia ligado as coisas. Continuava acarinhando a cabeça do Takashima se perdendo naqueles pensamentos. Mal se deu conta de que estava em seu antigo quarto até notar que a ordem das coisas lembrava levemente o Uruha de hoje. E aí o que não faltou foram pensamentos, desde os tristes quando foi abandonado até a descoberta da leucemia. Esses infelizmente eram mais intensos, mas nada que fugisse do normal.

Pelo menos as declarações, dormir agarradinhos, os momentos no apartamento do Shiroyama. Tudo isso era equivalente em intensidade, batendo de frente com as situações tristes, que ele desejava estarem acabando. Quase não acreditava que a cura já era mencionada nas conversas e que logo poderia ter o maior em seus braços, finalmente.

Sorriu ao ouvir um murmúrio de aprovação vindo do amado, que sorriu ainda de olhos fechados. Podia se deixar levar pelo carinho delicado de Aoi pelo resto da vida, se sua barriga também não tivesse roncado, apesar de ainda continuar com os orbes cobertos.

— Veio me acordar? – A voz estava como de quem havia acabado de acordar e baixa.

- E aproveitar para fazer um carinho. – Falava no mesmo tom, rindo igualmente.

- Pra deixar a minha cabeça ainda mais mimada. – Riu, finalmente abrindo os olhos. – É bom me acordar assim todo dia depois que eu for morar com você.

- Prometo que até nos piores dias. – Sorriu. – Mas, eu também vim te mimar, não só a cabeça.

- Acho bom. – Sentou-se, arrumando a touca. – Aposto que a mãe tava atrás de vocês com uma vassoura vistoriando tudo.

Aoi riu. – Principalmente quando eu cheguei no seu quarto.

- Aquele quarto tem tantas lembranças.

- O Reita me disse. – Levou uma das mãos até a lateral de uma das bochechas, acarinhando. Uruha sorriu.

- Aposto que vocês dois naquele quarto não prestou.

- Para Akemi-san querer dar uma vassourada na gente, não mesmo. Eu atrasei a limpeza e o Reita foi me ajudar, mas a gente acabou conversando e demoramos mais de uma hora.

- Essas conversas. – Riu, sentindo-se corar. – E o que você achou da dança?

- Dança? – Aoi arqueou uma sobrancelha. – Que dança?

Dessa vez Uruha quem se pegou surpreso.

— Você não viu a fita e a apostila? Ainda bem. – Colocou a mão na boca, rindo.

- Como ainda bem? Fica aí perguntando essas coisas estranhas e diz ainda bem? Pode ir me contando. – Cruzou os braços, usando um tom falso de autoridade. Uruha riu mais ainda.

- É que sabe, eu – Mandou uma piscadela para o moreno. – quando tinha quatorze anos eu fiz uma aposta com o Reita e perdi. Então precisei aprender a dançar pole dance.

Pole dance? Aoi havia escutado bem? Uruha? Seu Uruha, dono daquele corpo que lhe fazia babar em seu apartamento sabia algo altamente sensual como pole dance? E ele só descobriu isso agora?

— Como você me fala isso depois de tanto tempo? – Disse indignado, quase ignorado pela risada mais alta do Takashima, que se divertia com sua incredulidade.

- Eu não gosto daquilo, tenho vergonha de lembrar das aulas e do Reita rindo da minha cara.

- Eu não acredito que nem o Reita me disse isso. – Estava indignado. – E não ria, você vai dançar pra mim.

Uruha ficou sério.

— De jeito nenhum, ficou maluco? Logo pra você?

- Logo pra mim sim. Castigo por ter escondido.

- E se eu tivesse falado antes você também não ia querer que eu dançasse? – Agora os dois estavam de braços cruzados.

- Mas, é claro. Ou seja, não tem escapatória.

- Não sei o que não tem escapatória, mas eu vou dar umas pauladas nos dois se não descerem logo. – Akemi apareceu na soleira da porta surpreendendo os dois. Uruha riu.

- Nós estamos indo mãe.

- E andem logo.

Saiu, fechando a porta novamente.

— Vamos, Shiroyama indignado. – Brincou, levantando-se com certa pressa, sentindo as pernas fraquejarem em seguida. Aoi foi mais rápido, segurando-o.

- Ta tudo bem?

- Sim, deve ser só a falta de comida, já que eu andei passando mal no hospital por causa da Kaoru-chan e as outras coisas. – Disse com a mão sobre os olhos.

- Então vamos devagar pra você não passar mais mal.

Uruha assentiu levemente com a cabeça, apoiando-se em Aoi. O moreno abraçou sua cintura e os dois caminharam devagar, descendo lentamente pela escada, o Takashima usando o corrimão também como apoio. Podia sentir o cheiro gostoso da limpeza adentrando por suas narinas, imaginando como deve ter sido divertida e banhada a risadas a arrumação. De certa forma lhe doía não poder fazer parte disso.

— Finalmente chegaram. – Reclamou Reita. – A comida quase esfriou.

- Não enche Akira. – Takashima provocou. Aoi riu e os dois se sentaram em seus lugares, iniciando um almoço divertido e leve, finalmente boas lembranças para serem relembradas depois que a leucemia fizesse parte de um passado distante de Uruha.

...

— Melhor que isso só se estivesse um pouco mais quente. – Aoi comentou enquanto os dois caminhavam.

- É, sair com esse frio é ruim. – Uruha riu. – Mas, a culpa também é sua por ser meu namorado, agora agüente.

- Isso não é um problema. – Shiroyama o acompanhou na risada. – E você sabe disso.

- É, eu sei. – Pousou sua mão sobre a do moreno quando se sentaram num banco. – Mas, eu precisava sair um pouco.

- Ainda ta triste não é? Pela Kaoru-chan.

- E pela turnê também. Mesmo não querendo eu tenho medo disso. Já passou tempo demais. A minha volta pode sim estar em jogo.

Aoi suspirou. Estavam caminhando há alguns minutos logo que terminaram de almoçar. Uruha disse que precisava tomar um pouco de ar e de certa forma sabia do que ele falava. Ainda estava abalado, muito abalado pela perda de Kaoru e essa turnê inusitada.

Não que o ar da praça em que pararam estivesse dos melhores, já que os ares invernais traziam um sentimento melancólico junto, mas era visível que ele não queria desistir, se entregar. Aoi queria fazer algo, impedir que fosse guiado por pensamentos tão doloridos, esquecer essa turnê se pudesse, odiava a obrigação que tinha.

Desejava que toda aquela dor em volta de seu ex-loiro fosse embora o mais rápido possível.

— Me leva pra ver ela Aoi. – Uruha quebrou o silêncio, pegando o moreno de surpresa.

- Tem certeza? Você pode passar mal.

- Sim, eu acho que preciso disso para conseguir seguir em frente com esse assunto.

- Então vamos. – Sorriu fechado. – Você aproveita e leva umas flores.

Uruha concordou, levantando-se. Deram uma rápida caminhada pelo local quase vazio com o vento gelado beijando-lhes a face, o do maior levemente protegido pela máscara. A caminhada para o cemitério era um pouco longa e decidiram que seria de lá para casa, já que passava das quatro da tarde e o tempo ficava cada vez mais frio.

Pararam rapidamente numa floricultura perto do cemitério, passando das cinco. Uruha pegou um vaso e algumas rosas de tom clarinho, encaminhando-se para o local em questão. Por sorte havia uma área separada para crianças e não foi tão complicado encontrar o túmulo, que surpreendeu os dois homens.

O nome Suzuki Kaoru estava gravado na lápide e aos poucos a mente de Uruha foi clareando ao ler a inscrição abaixo. Apesar de sustentar o nome Takashima sempre se considerara Suzuki por todo o amor que recebeu de seus verdadeiros pais.

''Descanse em paz menininha do papai.''

Sentiu os olhos encherem d'água, apoiando uma das mãos no chão. Pousou o vaso ao lado da lápide levantando-se com alguma dificuldade e abraçando Aoi, deixando-se levar pelo choro novamente dolorido. Era difícil encarar que sua amada menininha havia perdido a luta contra a mesma doença que tinha. Talvez se não tivesse Aoi e seus amigos se entregaria de vez.

— Melhor a gente voltar Uru, ta tarde e você precisa descansar.

- Eu... Eu sei. – Desvencilhou-se com alguma demora, dando a mão para Aoi. – E a mãe vai matar a gente se demorarmos.

Puseram-se a caminhar para fora do cemitério com a noite já querendo surgir. Era normal que desse a impressão de chegar mais cedo por causa da estação, apesar de ser uma ajuda para os dois, que puderam andar abraçados. Deram sorte de estarem bem agasalhados, o vento frio lhes arrepiava até os ossos, o que era um pouco perigoso para Uruha.

Tiveram de apertar o passo quando a neve começou a cair e o Takashima chegou um pouco ofegante em casa, tirando as peças com a ajuda de Aoi, já que a calefação ligada deixava o ambiente aconchegante.

— Aconteceu alguma coisa? – Akemi apareceu no corredor, encarando os dois com alguma seriedade.

- Eu pedi ao Aoi para ir ver a Kaoru-chan, mãe. Vocês ainda me mataram sem avisar do Suzuki.

- Achei melhor que você mesmo visse. – Sorriu fraco. – Mas, vão tomar um banho, eu fiz algo mais leve e o de vocês está guardado, desculpem não ter esperado.

- Tudo bem. – Uruha sorriu. – Nós já voltamos.

Deram as mãos seguindo pela escada no fim do corredor.

...

— Eu não esqueci da dança, ouviu?

Uruha riu. – E não deve ter esquecido que eu também não vou dançar.

- É claro que vai. Eu não aceito um 'não' como resposta.

- Aoi!

- Uruha!

- Viado. – Deu o dedo para Aoi, que riu.

- Olha quem fala. – Provocou. – E eu não vejo nenhum problema em você dançar.

- Num pau? Isso é tão sugestivo que a gente quase consegue apalpar. Nada disso.

- Apalpar também é muito sugestivo. E eu nem disse que ia fazer algo depois de te ver dançar.

Uruha quase cuspiu a água que tomava, deixando-se levar por uma risada realmente alta. Nem o próprio Aoi agüentou a sentença, também rindo.

— Não seja hipócrita.

- Então dance e não seja malvado.

- Eu não sou malvado. E não prometo que vou. Agora melhor a gente ir lá para a sala antes que coloquem dois alvos nas nossas testas.

Aoi anuiu, lavando o que usaram. Uruha ficou responsável por guardar. Não demoraram muito já que não havia tanta louça, e bastou o guitarrista maior colocar o último copo em seu lugar para sentir ser levemente pressionado contra a parede.

— O Ruki disse que queria fazer horrores com o Reita lá no quarto dele. – Aoi beijou-lhe o pescoço, arrepiando-o. – Eu também quero fazer horrores com você.

- Eu sei. – Uruha segurou nas mãos do moreno, puxando-o mais para si, sentindo-o melhor. – Eu também quero. Que acha da gente derrubar o seu prédio quando eu finalmente estiver curado?

- Isso que eu chamo de proposta indecente. – Riu baixo. – Claro que eu aceito seu pervertido.

- Pervertido eu? Você que me excita seu tarado.

- Peguei os dois no flagra. – Reita disse levemente alto, assustando os dois.

- Larga de ser insuportável e vai se pegar com o Ruki. – Aoi rebateu, saindo de trás de Uruha.

- Culpem a mãe, ela que me mandou aqui. – Riu com a careta do meio-irmão.

- Aposto que ela vai vigiar a gente na hora de dormir. – Riu, dando a mão para Aoi.

- Isso não sei. – Disse Akira. – Mas, é melhor a gente ir antes que ela coloque cintos de castidade em vocês dois.

Os três riram, encaminhando-se para a sala.

— Que acham de jogar twister? É a condição para dormirem aqui. – Akemi 'sugeriu' com um sorriso maldoso no rosto.

...

Uruha não conseguia parar de rir. Talvez não houvesse situação mais constrangedora para presenciar do que a de quatro caras entre vinte e nove e trinta e dois anos emaranhados em cima de um tapete de twister. Ruki se fosse uma fã estaria aos barros, já que Reita estava por cima de seu corpo, tendo Kai e Aoi posteriormente. Os de fora se divertiam.

Não que os participantes também não rissem praticamente todos estavam com os rostos vermelhos e as partes íntimas se tocando, numa cena no mínimo dantesca.

— Isso merece umas fotos. – Uruha sugeriu ainda rindo tendo todos os olhares voltados para si.

- Eu juro que se você tirar uma foto disso eu vou fazer horrores com o seu namorado. – Ruki estatuou, não sabendo se ria das posições constrangedoras, falava ou deixava aproveitar os toques indecentes, mas nesse caso sem querer, de Reita. Talvez a terceira opção fosse mais proveitosa.

- E eu vou fazer com o seu. – Aoi também não parava de rir, deixando-se cair por cima de Kai, que foi derrubando os outros dois. – Bem-feito Ruki, você foi amassado.

O menor praguejou baixinho e Takashi não pôde deixar de rir.

— Eu acho que nunca mais vou esquecer essa cena.

- Acho que nem eu pai. – Uruha ria novamente, sentando-se direito no sofá que foi ocupado por Aoi a seu lado e Kai na outra ponta.

- Podemos dormir aqui agora Suzuki-san? – O próprio Yutaka perguntou, recebendo uma risada da senhora.

- Podem meus amores. Akira me ajuda a arrumar as coisas?

Reita assentiu, subindo com a mãe.

...

Uruha acomodou-se em sua cama com Aoi perto de si, num futon no chão. Não podiam dividir a mesma cama, nem tanto por ser de casal, mas para a saúde de Takashima, já que havia se recuperado a pouco da pneumonia. Um pouco da luz da lua adentrava pelas partes menos densas do tecido da cortina, iluminando parcamente o quarto. A neve havia piorado e podiam-se ouvir os ventos fortes que a acompanhavam.

— Muito cansado? – Aoi perguntou baixo, virando-se para seu lado e fitando parte de seu rosto apenas.

- Exausto. – Uruha respondeu no mesmo tom. – A fraqueza deve ajudar, mas hoje foi um dia e tanto.

- Eu nunca vou esquecer isso. – Riu baixo. – E pelo jeito esses cinco dias vão ser todos assim.

- É bom. Eu mato a saudade de vocês e consigo ficar mais calmo aqui com essa coisa da turnê.

- Você sabe que nós nunca vamos te abandonar não é?

- Eu sei Aoi. – Sorriu. – E eu vou morrer de saudade de todo mundo.

- Principalmente de mim, eu sei. – Riu baixo.

- Com certeza, seu convencido. – Mostrou a língua. — E venha aqui. – Chamou com a mão.

Aoi estranhou, mas se sentou no futon, arrastando-se para perto da cama. Uruha se apoiou num dos cotovelos, os rostos próximos. As respirações se misturando, e num leve impulso os lábios se tocando levemente. Yuu arregalou os olhos, afastando-se.

— Uru, você não podia fazer isso.

- Eu sei. – Sorriu fechado, dando de ombros. – Mas, eu queria. E eu não sou tão otimista. Se eu vou ficar longe de você queria fazer isso, vai que algo de ruim acontece.

- Não fala isso. – Aoi sentiu o coração apertar, aproximando-se e segurando uma das mãos de Uruha, beijando-a. – Você não vai morrer.

- Eu não acho que vou. Mas, pra mim, que to sentindo como é isso é difícil ter fé sempre. E estar longe de vocês vai ser muito ruim.

- Eu não queria ir.

- Eu sei Aoi. – Entrelaçou os dedos. – E eu também não queria que fosse, mas não te deixaria ficar. Eu acredito que meu lugar ainda está lá, mas, só com você firme e forte eu vou conseguir ter força aqui e saber que eu posso voltar.

- Eu vou guardar seu lugar Uru, eu vou com toda a certeza. – Disse com firmeza. – Eu e o pessoal. Você pode ficar tranqüilo. E eu ainda vou revidar esse beijo, mas com mais vontade.

- E eu vou esperar esse dia chegar. – Sorriu.

- Eu também.

Aoi devolveu o sorriso, finalmente se deitando. Desejaram boa noite e se deixaram levar rapidamente pelo sono.

Sua rotina era assim. Com altos e baixos, alegrias e tristezas, mas nunca, nunca deixando as coisas desabarem. Ajudavam de perto e ajudariam de longe. Com telefonemas, mensagens, até cartas. Mas, não deixariam de se falar de nenhuma maneira. Aproveitariam aqueles dias da melhor maneira possível, e com certeza se encontrariam da próxima vez na gravadora, com Uruha retornando como seu guitarrista e mostrando que nenhuma doença o tiraria de seu lugar ao lado de seus quatro amigos, seu amor e seu sonho que foi construído durante todos aqueles anos.

Aquele era o GazettE e ninguém mudaria aquilo nem em mil anos.