Notas iniciais
Geeeeente oi oi oi *-*
Tudo bem?
Eu tava fuçando as estatísticas da fic, e omg, 59 leitores. Posso desmaiar? *ooooo*.
Muito muito obrigada mesmo a todos que acompanham T_T -abraça todo mundo-. Eu fico muito feliz ♥.
Maaaas, qq papinho do cap qq.
Revelações, muitas revelações. Tentem ler nas entrelinhas ♥.
Eu betei, mas sempre existem trogloditas, sabem como é q.
Boa leitura.

— Para Kanagawa.

A tristeza se apossou mais ainda de Aoi. Tanta coisa junto e uma impedindo de se realizar a outra. Era pressão demais, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e todas o impedindo de fazer o que mais queria, ir atrás de Uruha.

— Podia ser para o ambulatório que tem aqui perto. – Riu amargo permitindo que as lágrimas escapassem. – Seria mais fácil. – Uma das mãos foi até o rosto, a pequena e falha refeição sendo deixada de lado.

- Para todos nós. – Reita o abraçou como podia. – Mas eu prometo fugir com você para lá cada vez que nós tivermos tempo. É o que eu to usando para não cair.

Aoi não sabia o que dizer. Estava tão sem rumo que se lhe mandassem seguir a esmo ele o faria. Achava patética a própria situação, mas com todas as lembranças boas que tivera com Uruha em seu apartamento não podia estar menos melancólico.

— Acho que vou te usar de apoio, vai ser um inferno encarar esse apartamento e o da frente. – Abraçou Reita pelos ombros, apesar de a expressão ainda estar caída. Sabiam que precisariam se apoiar.

- Mas, você não vai ficar aqui e muito menos sozinho. Eu vou te levar lá pra casa. – Akira estatuou e Yuu arregalou os olhos.

- Mas,-

- Sem ‘mas’. Ficar sozinho agora não vai fazer bem para ninguém Aoi. Arruma tudo e vamos. – Praticamente ordenou, levantando-se.

xXx

Descrição. Nunca fora tão difícil ter descrição como para sair do hospital sem causar alarde. Os Suzuki’s não eram conhecidos então não foi complicado, mas para Viktor e Felipe passarem com a maca até o transporte pareceu um inferno. Nem pensavam em virar o rosto para o lado, diálogos eram proibidos, o objetivo era chegar até a ambulância com certa paz.

Conseguiram com muito esforço. O automóvel era espaçoso, daqueles que também faziam pequenas cirurgias, o que ajudava a circular o ar, importantíssimo para a saúde frágil do Takashima. A pneumonia havia deixado um semblante cansado e caído e Uruha parecia quebrar se fosse observado por muito tempo.

Uma máscara de oxigênio pegava boa parte de seu rosto e um fio ligado a soro lhe alimentava e despejava a medicação em sua corrente sanguínea. O fato de já estar doente deixava-o muito mais fraco e os momentos em permanecia acordado eram pequenos. Viktor não permitia que falasse muito, visto que o ato singelo lhe cansava.

No momento dormia e seus sinais estavam estáveis, o que garantia calma para seus pais, que estavam quase adormecidos nos bancos da ambulância, ao lado do motorista e para os médicos atrás. Apenas eles foram com Uruha para não deixar o ambiente carregado.

Os dois se olharam, era visível o cansaço estampado em seus rostos.

— Parecemos fugitivos de guerra.

Viktor riu. – Com um membro ferido. – Deu uma pausa. — Fico me perguntando o que aconteceu.

- Eu penso sinceramente em sabotagem. – Felipe espreguiçou-se no banco, apertando os olhos e sacudindo a cabeça. Não podia dormir.

- Sabotagem? Alguém com pneumonia fez isso?

O japonês não pôde segurar o riso.

— Esse meu marido loiro. – Devolveu o gesto obsceno com o dedo médio que recebeu. – Alguém poderia querer infectar os pacientes com alguma coisa, mas acabou que eles pegaram pneumonia. Ou sei lá, uma infecção em conjunto assim pra mim é ‘nova’. – Não esqueceu as aspas.

- Pra mim também, e me parece muito maldosa. Tomara que em Kanagawa seja diferente. – Suspirou, se permitindo encostar desleixadamente no banco em que estava. Cansaço era seu novo sobrenome.

Pelo menos mais fácil que o Rickerstzhausen.

— Vamos torcer. – Sentou-se ao lado do marido. – Mas, por enquanto descansa que você ta precisando.

- E você? – Inquiriu preocupado.

- Eu vou ficar bem.

Viktor hesitou, mas acabou aceitando, aconchegando-se no peito do maior. Há mais de vinte e quatro horas não dormia e precisava de um descanso. Já Felipe torcia para que tudo permanecesse calmo até que chegassem à cidade.

...

Aoi não havia conseguido barganhar com Reita e agora se encontrava em seu apartamento. Ficaria no quarto dos pais do Suzuki que Ruki arrumou para deixar o mais aconchegante possível, já que podia sentir o corpo maior emanar tristeza e desamparo. Shiroyama estava em frangalhos e fora difícil lhe convencer a jantar, o qual também foi regado a silêncio, as forças concentradas em conseguir terminar a refeição e a falta de palavras para manter um diálogo ameno tornavam o ambiente cada vez mais pesado.

Ainda assim a pior parte foi se ver sozinho no novo quarto. As malas dos Suzuki’s pais num canto perto do guarda-roupa, o desejo de Aoi de estar em seu lugar cada vez mais forte. A luz da lua que invadia o quarto pelos tecidos da cortina nunca pareceu tão melancólica. E junto com ela as lágrimas vieram novamente aos olhos do moreno que se encontrava sentado no meio da cama, já coberto para tentar dormir.

Cada segundo passado parecia cada vez mais pesado e a sensação da garganta fechando retornara, tornando a respiração mais pesada, seguida por soluços. Aoi não estava nada bem e infelizmente não havia o que fazer apenas aceitar sua condição presa em Tokyo e uma responsabilidade tão grande quanto uma turnê nas mãos num momento em que tudo que mais queria era desabar.

Desabar e só levantar depois de todo o pesadelo terminar.

...

Era como um déjà vu. O moreno sentado na sala de descansos da banda esperando. No dia anterior esperava Reita, agora o empresário. Antes estava feliz, rindo e conversando amenidades, e agora estava triste e mudo, o olhar dizendo que qualquer diálogo seria improdutivo. O tempo parecia ter invertido o dia passado e transformado aquele momento calmo em algo perturbador e pesado.

Havia dormido pouco e nos momentos em que permanecia apenas inerte na cama podia ouvir a porta se abrindo, muito provavelmente era Reita indo lhe ver. Em nenhum momento o loiro chegou perto ou permaneceu tempo demais no local, mas ainda assim Aoi se sentia em estorvo e um peso em seu apartamento. Mas, não podia negar que se sentia acolhido, bem mais aquecido do que se estivesse sozinho em casa.

Ainda assim não estava sendo nada fácil permanecer naquela sala quando o que mais queria era estar pegando o primeiro avião/ônibus/navio/canoa/jet ski/asa delta/caiaque/transporte para kanagawa. Queria, mas não podia. Somente em pensamentos e desejos estava no encalço do amado no momento.

A preocupação, no entanto, não lhe escapava do semblante e fora a primeira coisa que o empresário notou, apesar de não ter dito nada.

— Koga-san... – Kai tentou iniciar. – Hoje podemos conversar melhor sobre essa turnê.

- Eu consegui driblar os diretores ontem, mas isso não pode esperar muito. Eu realmente sinto por Uruha, mas precisamos dar continuidade às coisas.

Os quatro concordaram levemente. Apenas Aoi estava inerte demais para isso.

— O planejado era que Sugizo-san nos ajudasse com o festival, e mesmo com um contrato que só seria rompido quando Uruha voltasse, as atividades da banda posteriores seriam apenas entrevistas ou aparições simples. Mas, os índices de aprovação da formação especial foram tão altos que a sugestão de uma turnê foi dada assim que os gráficos chegaram aos diretores.

- Podemos recusar? – Aoi o fitou sério.

O empresário soltou os ombros.

— Não. Nessa semana vamos organizar tudo e a partir da outra o anúncio será feito.

...

Aoi estava exausto. Com muita insistência conseguiu que Reita o deixasse ir para casa e agora se controlava para não atirar todos os objetos nas paredes. Não culpava Sugizo, o empresário ou os amigos. Sua raiva estava concentrada nos diretores e principalmente no azar de ficar tão longe de Uruha. Estava preocupado, se perguntando como o amado iria lidar com essa coisa da turnê, se ia comer direito e se cuidar.

Simplesmente não aceitava precisar ficar longe disso tudo. Discutir todas aquelas coisas com Kai sobre o início de uma nova turnê não havia feito nada bem para sua cabeça. Tomou alguns comprimidos e se deixou cair no sofá fechando os olhos e levando uma das mãos a testa. Sentia as têmporas latejarem.

O desejo de sair correndo e largar tudo era intenso, mas ele sabia que não podia. Era algo que nem sequer deveria passar por sua mente, mas não era de todo egoísta. Era ele quem sofria, afinal. Não apenas ele, mas seu coração estava em jogo. Amava Uruha como nunca amou outra pessoa e só o fato de amar já lhe machucava mais do que os outros.

As amarras do trabalho pareciam lhe sufocar cada vez mais, era uma sensação que piorava sua dor de cabeça e trazia uma angustia e sentimento de inutilidade junto. E ele sabia que endoidaria pensando naquilo. Não havia almoçado, alegando estar sem fome, e por mais que no momento estivesse, já que era começo de noite decidiu apenas apagar as luzes e se encaminhar para seu quarto. Precisava dormir. Comer deixou de ser uma prioridade.

xXx

Haviam chegado à Kanagawa na madrugada. O hospital, uma espécie de filial do central em Tokyo, era um pouco menor, mas suficiente para atender a demanda da região em que se encontrava. O que poderia ser dito era que o lugar todo era mais calmo e tranqüilo, totalmente diferente da agitação da capital do país. Viktor havia lido que alguns médicos recomendavam a cidade e ainda outras como Mie para tratamento de algumas doenças pela paz do lugar e não discordava de nenhuma palavra.

A situação de Uruha não havia melhorado muito, mas já conseguia se manter acordado por mais tempo. Sua respiração ainda dependia da oxigenoterapia, e os sintomas da pneumonia ainda não haviam recuado, mas seus pais e ele mesmo já estavam cientes de que era normal, dado que a leucemia havia deixado seu corpo mais fraco e o sistema imunológico baixo não podia ser contado como uma ajuda na cura da doença secundária.

Não fora necessário a internação na UTI, já que a própria ambulância lembrava muito um quarto desses e os dois médicos conseguiram alguma melhora, mesmo que mínima. Um dos sintomas graves da doença era a diminuição do nível de consciência e com os medicamentos que foram ministrados desde Tokyo esse sintoma havia amenizado.

O único problema fora a barragem dos Suzuki’s para entrar no quarto. Apesar de não estar na UTI Uruha não podia ficar com ninguém no quarto e apenas os médicos e enfermeiras que haviam feito assepsia completa poderiam ficar no mesmo ambiente. Ao menos estavam em sua cidade e comunicaram que se revezariam no hospital, já que sua casa não ficava tão longe do local.

Assinaram os documentos para internação e Akemi aproveitou para ir embora, deixando o marido e Felipe na sala de espera do andar em que estavam, já que Viktor e um outro hematologista tomavam conta de Uruha, o loiro tendo em mente deixar os dois conversando mais um pouco.

— Conseguiram se falar?

- Eu o vi rapidamente no hospital na segunda, mas só isso. – Sorriu fraco. – Acho que vai ser uma aproximação estranha.

- Pelo que descobri vocês se deram bem quando Kou-chan foi internado antes de saber que tinha câncer.

- Mais ou menos. O Viktor contou sobre as próprias cicatrizes e sobre a queimadura no meu rosto e Reita-san se mostrou confiável e que não falaria nada. Nos entendemos bem no começo, e Uruha-san também sabe.

- Eu acho que te entendo filho. Não conseguiria falar com Akihiro depois de saber tantas coisas ruins que ele fez e também pelo tempo e as circunstâncias. Mas, vocês ainda têm chance.

- É uma pena que o senhor não tenha também, Takashi-san. – Disse visivelmente sentido. – Meu pai era alguém bom, eu nunca o odiei por nada e prefiro achar que o acidente aconteceu porque tava na hora dele ir.

- A morte nunca dá aviso prévio meu sobrinho. É admirável você o amar depois de tudo e ter perdoado. Não deve ter sido fácil, mas de onde ele estiver, deve estar arrependido.

- Eu realmente espero que sim. Não posso odiar ele nem depois de tudo.

- Vai fazer bem principalmente para você.

O médico sorriu fechado, concordando. Não gostava de guardar rancor e havia aprendido que isso machucava mais a si mesmo. Não havia sido fácil perdoar seu pai que o ignorou depois de saber que havia passado em medicina e o chamava de aberração sendo que ele mesmo havia deformado seu rosto. A mãe fez tudo que pôde e o mandou para casa de uma conhecida, mas se tinha algo de que Felipe jamais esqueceria eram esses encontros.

Seu pai nunca deixou de pisar em seu sonho da medicina e comparando com o amável tio não podia crer que eram irmãos. Não sabia como ele havia se perdido, mas de todas as lembranças que tinha as que menos gostava de lembrar eram as ruins. Podia sorrir com cada memória feliz, os passeios, as brincadeiras, os momentos alegres. Tentava sempre estar rodeado deles, já que os posteriores ao atentado sofrido eram dolorosos.

Não costumava comentar nem com Viktor, mas achava que Akihiro havia perdido o rumo da vida quando ficou alucinado com a advocacia. Nunca perguntou o porquê da profissão e hoje não se arrependia de ter brigado pela medicina. Talvez a sombra do passado tivesse voltado quando retornou ao Japão com seis anos e isso deixou seu pai confuso. Nunca descobriria, mas agora estava feliz pela mãe ter uma vida tranqüila, mantida desde que Akihiro morreu batendo o carro por causa da embriaguez. Sofreu muito com a progenitora, mas – E por mais doloroso que parecesse. – a paz que reinou nas três vidas, já que Viktor viera morar consigo quando foi atacado pelo pai, fora o que os impulsionou a continuar.

— Como... Como ele morreu? – Takashi estava um pouco hesitante, mas perguntou ainda assim.

- Batendo o carro. Havia bebido pelo que ficamos sabendo e houve perda total. Pelo menos o outro motorista se salvou. Acho que já tava na hora dele ir. O passado deve ter voltado. – Felipe suspirou pesadamente.

- Ele e Akemi aprontaram todas. – Riu fraco.

- Ainda bem que não foram descobertos. – Felipe compartilhou do riso. – Mas, eu queria saber quem foi a esposa abandonada. Espero que ela esteja bem.

- Quando Akemi me contou eu também pensei nessa pessoa. Na época que meu irmão fugiu ela deve ter ficado perdida. Nunca a conheci, mas não é tarde para desejar que tudo fique bem. Aproveitamos e rezamos pelo Kou-chan.

Felipe sorriu mais aberto assentindo e dando o braço para seu tio. Os dois se puseram a caminhar até a capela do hospital, um pouco mais leves pelos desabafos. Takashi sabia que muita dor estava guardada no coração de seu sobrinho, mas somente com confiança e tempo ele falaria tudo. Por enquanto bastava que limpassem a alma daqueles pensamentos intensos e fortes e que se dedicassem novamente a Uruha. O passado que ficasse aonde pertencia.

...

— Sim senhor, senhor diretor, eu entendo. – Viktor disse com pesar. – Vou avisar Uruha-san e qualquer despesa que tiver pode mandar para a minha conta. (...) Sim senhor. Para onde foi mesmo? Mie né? (...). Não se preocupe, eu vou acertar tudo que precisar.

Desligou o celular ainda pesaroso, querendo se deixar cair, mas com a obrigação nas costas. Não era a primeira vez que perdia um paciente e não seria a última. Já tinha certo ritual para sofrer pelas perdas. Não fazia ideia de quantas camisas de Felipe ficaram inundadas com suas lágrimas, mas o moreno também nunca tinha reclamado. Os dois estavam sempre envolvidos com doenças que tiravam vidas e dessa vez não havia sido diferente.

...

Akemi aspirava profundamente os ares de sua casa. Nada melhor do que estar em seu próprio lar para se sentir acolhido e toda a carga negativa ir embora. Além do mais poderia descansar mais tranquilamente e usar de desculpa o fato de suas coisas terem ficado em Tokyo para que Reita as levasse e assim pudesse rever-lhe quando a saudade apertasse.

Para eles não era fácil ter os dois filhos na música e tão longe. Quando a vontade de os ver batia apenas as fotos supriam aquela necessidade e ainda assim por pouco tempo. Talvez com o natal chegando pudesse se usar da data para arrastar Akira uns dias para casa.

Também não podia esquecer de Felipe, certamente aquela casa também era dele e gostaria de compartilhar e criar muitas lembranças, claro que junto de Viktor. Imaginava sua sala com todo mundo, conversando, rindo e brincando, esquecendo do mundo doido de fora.

— Além de que estaria rodeada de muitos homens.

Riu da própria sentença, deixando-se bailar pela sala. Tantos pensamentos passavam por sua mente enquanto dançava sozinha a música que colocou no rádio. Lembrava-se de Uruha quando o viu pela primeira vez, todos os dias que brincou com Reita naquele chão, a maneira como entrou correndo todo sujo e perdido depois que fora abandonado, toda a paz que reinou depois que começaram a morar juntos, os primeiros namoros, uma vida toda passando por seus olhos.

Até a campainha decidir quebrar isso.

A pobre Suzuki fez um bico e riu de si mesma, baixando o volume e se encaminhando até a porta. Alguém havia dado sorte de lhe encontrar em casa, só podia ter chegado um pouco mais tarde para não quebrar pelo meio os pensamentos e a dança da senhora.

— Senhora Suzuki. – A voz tão conhecida ecoando pelos ouvidos de Akemi conforme os olhos foram se arregalando ao ver a figura parada a sua frente.

Notas finais
Mereço algo? *-*. Os leitores novos bem que podiam aparecer, please *---*. Nem que seja pra dizer: Sua cretina continua logo.
Sim sim sim *----*.