Notas iniciais
Contagem regressiva: 12 para o fim.
Oi pessoal, como estão?
Eu sei que demorei e vocês devem estar querendo me matar, mas pensei que se demorasse mais chamaria a atenção dos 73 leitores e os que faltam talvez viessem comentar, mas parece que eles não se importam muito, então muito bem...
Peço desculpas aos que comentam, é por vocês que eu continuo, mas eu não acho muito justo, se bem que nada faz surtir efeito, então vamos que vamos.
A fic ta no fim já, agora a pouco eu terminei o primeiro lemon AoiHa que ficou uma coisa *¬* só que até ele vão acontecer outras coisas, então prestem atenção em alguns detalhes, certo? ♥.
Boa leitura.
PS: mais no fim.

Ruki ainda estava aninhado ao peito de Reita quando acordou, encolhendo-se um pouco por causa do tempo. No meio da noite os dois acordaram com frio, mas por estarem sonolentos dormiram logo quando Reita puxou o cobertor para lhes envolver. Agora, entretanto, que estava totalmente desperto Ruki amaldiçoava-se por não ter escolhido algo mais quente para deixar ao pé da cama. Claro que o fato de estar nu era um agravante, mas era como se aquela coberta que usavam fosse um simples lençol que estava permitindo que uma corrente de ar adentrasse, obrigado Ruki a tatear para tentar achar por onde isso acontecia.

Bufou e desistiu depois de não conseguir nada, sentando-se com alguma brusquidão da cama, mas tentando evitar que Reita acordasse. Seu traseiro reclamou e uma careta formou-se em seu rosto, mas não queria fazer muitos gestos, deixando que Akira continuasse dormindo. Levantou-se tremendo por conta de sua nudez e cobriu Reita melhor, deixando o lençol e o cobertor bem rente ao corpo do Suzuki, para só então ver a bagunça de roupas espalhada pelo chão. Sorriu para aquelas roupas jogadas no tapete e calçou os pés, pegando algumas coisas no armário como as próprias roupas e uma toalha, encaminhando-se para o banheiro que ficava no quarto.

Fez uma careta desgostosa ao fitar-se no espelho, os cabelos desgrenhados, um pouco de olheiras por ter dormido menos do que de costume, as marcas das mordidas e os chupões bem marcados no pescoço... Pra esses não havia uma careta. Na verdade um sorriso malicioso formou-se em seu rosto, passando a mão pelas marcas e aliviado por ser frio e poder usar algo que cobrisse bem aquilo. Não pretendia sair por aí mostrando as marcas de sua primeira noite com Reita, apesar de que estava mais interessado em apreciar o trabalho do que preocupado se as maquiadoras iriam dizer algo se por acaso vissem, já que com a turnê quase chegando era bem provável que testassem algumas maquiagens.

Alheio a isso, todavia, gemeu de alívio quando a água quente tocou-lhe a pele, aquecendo-o por fim. Desfilar nu por uma casa com a calefação desligada não era uma boa ideia, ainda mais no Japão, um país com um inverno bem rigoroso. A neve que caía só deixava aquilo mais claro, mas Ruki não estava se importando muito com aquilo quando saiu andando até o banheiro como veio ao mundo. O importante, entretanto, era que estava feliz consigo mesmo por ter conseguido ir para a cama com Reita de uma vez por todas, tendo certeza de que não pararia mesmo de fazer aquilo.

Apesar da ardência em seu traseiro quando foi se lavar. Sibilou baixinho com o incômodo, cerrando os olhos como se aquelas caretas fossem fazer a ardência desaparecer, o que, claro, não aconteceu. Mas, não foi algo que durou muito. Logo que terminou de se enxaguar as coisas ficaram 'normais' novamente. Lavou os cabelos de tonalidade mudada mais uma vez, assoviando uma das músicas da banda. A sorte de Reita era ter mais de um banheiro em seu apartamento, já que Ruki quando apoderava-se de um ambiente daquele era difícil que não demorasse, o que os itens em cima da bancada da pia revelaram assim que se enxugou ainda dentro do box, vestindo-se o mais rápido que pôde assim que abriu a porta de correr de vidro fosco escuro, fitando o secador que apenas lhe esperava para ser usado.

Ligou-o e começou a enxugar os cabelos, com o auxílio de uma escova, o aparelho em si e o espelho quadrado do banheiro. Deixara a porta entreaberta para ajudar a expulsar o vapor e viu pela fresta Reita deitado de costas para o colchão, o cobertor na mesma altura que Ruki havia deixado, os olhos fechados. Ainda dormia tranquilamente, o que levou um sorriso aos lábios de Takanori que achou a visão bonita, Reita calmo e sereno, ainda embargado no sono. Se a sorte estivesse ao lado de Ruki, conseguiria terminar de se arrumar e preparar algo enquanto o Suzuki ainda dormisse.

E ela estava. Não modelou os cabelos, na verdade apenas os enxugou e penteou para trás, mas mesmo assim consumiu algum tempo. Reita ainda continuava dormido, apesar de ter se mexido algumas vezes e Ruki sabia que não demoraria para que acordasse. Com isso em vista colocou todos os aparelhos necessários para um café especial para trabalharem ao mesmo tempo, fazendo o que precisava com as próprias mãos como os sucos naturais, o arranjo da mesa, a louça da noite anterior que deixaram em cima da mesa. Arrumou tudo que precisava, organizando a cozinha, que agora tinha um ar mais... 'Puro'.

Toda aquela tensão sexual desaparecera por completo, deixando apenas um ambiente leve e acolhedor. Ruki fitou a mesa decorada e bonita, pronta para duas pessoas e sorriu para si mesmo, fitando o relógio da cozinha que já marcava quase nove horas. Resolveu ir acordar Reita e saiu cozinha a fora, parando ao chegar ao meio da sala, visto que o baixista vinha em sua direção. Direcionou o sorriso para o Suzuki que o devolveu da mesma maneira, abraçando-o quando seus corpos já estavam próximos.

— Bom-dia pequeno. – A voz de Reita saiu abafada aos ouvidos de Ruki, que praticamente se embrenhara no decote produzido pelo casaco que usava, aspirando o cheiro do pescoço. Todavia, ao ouvir a frase inteira desvencilhou-se e o encarou.

- Tudo bem. – Riu baixinho. – Eu não posso mais dizer que o que você tem no meio das pernas é pequeno. – Reita compartilhou da risada. – Mas, posso dizer que o seu nariz é pequeno.

- Mas, meu nariz não tem graça. – Abraçou Ruki com ternura.

- Então não posso mais brincar e nem você.

Reita fez um bico e Ruki riu de si, entrelaçando as mãos e o guiando para a cozinha. A surpresa do Suzuki fora grande ao ver todo o cuidado do menor para organizar tudo, e ao menos o chá terminou de fazer e colocar sobre as xícaras, por fim, com tudo pronto, sentando-se de frente para Ruki.

— Bom-dia Aki. – Ruki sorriu-lhe para si, agradecendo e sorvendo um gole de seu chá.

xXx

Kai também fora o primeiro a acordar, mas com ajuda do choro de Lovelie. Sabia que Miyavi estava exausto e agradecia a si mesmo por ter conseguido despertar. Embalou a menininha em seus braços que não mais apresentava sintomas de febre, chorava mais por estar com fome, o que O Yutaka resolveu logo. E assim como Ruki, enquanto 'conversava' com Lovelie que estava no carrinho, arrumou a mesa e preparou um café quente, bom para esquentar naquele tempo gelado.

O céu estava absurdamente nublado, arrepiando só de o olhar por muito tempo. Nevara por boa parte da madrugada e bem ao longe Kai podia ouvir os caminhões trabalhando na remoção da neve acumulada, provavelmente na entrada do condomínio. A parte de trás da cozinha, que dava para a piscina também estava totalmente branca, e tendo de voltar à companhia no dia seguinte, o Yutaka só podia torcer para que o tempo melhorasse um pouco, e agradecia pelos shows que estavam por vir que seriam todos em um ambiente fechado.

Afora isso, todavia, estava feliz por ter a companhia de Miyavi por todos aqueles dias. Se tinha algo que poderia dizer era que havia passado um de seus melhores natais até aquele momento na companhia do Takamasa e de Lovelie, que apesar de ter apresentado aquela febre, estava melhor. Queria tê-la banhado logo, mas não tinha certeza se era uma boa ideia, então por enquanto não podia fazer muito, apenas esperar Miyavi acordar e o dia começar a transcorrer de verdade, para ter certeza se conseguiria ir embora, e se o tempo ajudaria naquele retorno.

Para alívio de sua mente que nunca desligava, as mãos de Miyavi em sua cintura era o que mais precisava no momento por conta de estar cedo demais para pensar em tantas coisas complicadas. Claro que o próprio Kai não pensava daquela maneira, mas as células de seu corpo agradeciam mudamente, e o coração o fazia da mesma forma, disparando enquanto o maior beijava-lhe o pescoço, tirando qualquer tensão de seus ombros. Acostumado com a aproximação sempre com alto teor sexual, Kai virou-se naturalmente para selar-lhe os lábios, apesar de tudo num beijo calmo e despreocupado.

Miyavi sustentava-lhe pelas costas, arranhando de leve a região, podendo sentir entre o ósculo o corpo de Kai arrepiar. O conhecia praticamente por completo, incluindo tudo que estivesse disponível. O moreno menor sempre amolecia em seus braços, quase como uma garota. Entretanto, Miyavi sabia bem que não o era e o que poderia acontecer se fizesse uma comparação como aquela. Kai podia ser bonzinho e sorridente, mas a fama sobre seu lado nervoso não era falsa. E como Miyavi não pretendia arriscar seus dentes e muito mais coisas, guardava a opinião distorcida para si mesmo.

— Eu sei que você adora o meu bom-dia, Kai. – Disse-lhe ante aos lábios, chocando-os propositadamente.

- Convencido. – Riu divertido. – Eu nunca te disse isso.

- E nem precisa. – Miyavi baixou o rosto para o pescoço desnudo e levemente marcado, beijando-o. Kai sentiu uma corrente rápida atravessar-lhe a espinha. – Eu sei que adora.

Com uma resposta muda, na verdade um gesto, o carinho dos dedos do baterista em seus cabelos negros, Miyavi ergueu o rosto para fitá-lo, encontrando um sorriso fechado, mas bonito em seu rosto. As covinhas bem marcadas, como sempre, o olhar acolhedor que o Takamasa tinha certeza que poucas vezes era mostrado. E o que não podia ver como os pêlos arrepiados de Kai pelo frio que conseguia adentrar por seu casaco. Só então ele se lembrou do café que havia preparado, a garrafa térmica sobre a mesa. Então apontou.

Miyavi seguiu seu dedo, notando a mesa bem colocada. Endireitou-se e beijou a testa de Kai num agradecimento mudo, sentando-se ao lado de Lovelie que o olhava com um sorriso infantil e alguns dentinhos que ainda estavam nascendo. Queriam aproveitar bem aquele último dia juntos, já que a turnê os separaria por um bom tempo. Miyavi já cuidava de seus afazeres como músico e Kai precisaria cuidar dos próprios, estes que pegariam uma boa parte do ano que ainda estava para começar. Portanto, queriam aquela tarde fria de inverno para se curtirem, aproveitarem o que ainda lhes restava de horas livres, e poderem se separar sem um buraco incomodando.

xXx

Uruha estava encolhido no futon dormindo tranquilamente, abraçado à Aoi. O moreno não queria deixar que o fizesse, mas não conseguiu negar depois de muitos bicos e insistências, apesar de o medo. Todavia, aconchegar Uruha a si depois de tanto tempo, quando a primeira vez foi em seu apartamento em Tokyo fez o coração de Aoi disparar, entretanto, avisando que dormiria de máscara para se sentir um pouco mais seguro. Demorara a dormir apenas acarinhando Uruha, sentia-se feliz em poder embalá-lo de tão perto, beijar sua cabeça, mesmo que o Takashima não gostasse de se mostrar sem cabelo. Talvez nunca se acostumasse com aquilo, assim como Aoi não o conseguisse se também estivesse naquela situação, então usava tudo que tinha para deixar o amado confortado.

E mimado, é claro. Naqueles quatro dias mimara muito Uruha, praticamente marcando território quando se lembrava de Raphael. Nada desesperado, mas gostava de brincar com o ex-loiro no quesito 'propriedade' alegando que se 'aquele safado' ficasse muito perto dele um alarme dispararia e Aoi viria de Tokyo até de canoa se fosse preciso para colocar Raphael no lugar. Apesar de sempre rir e chamar o moreno de bobo, Uruha se sentia feliz por todo o carinho. Estavam juntos e ao mesmo tempo não estavam, e era muito dura aquela realidade. Separados por um hospital, por uma companhia, depois por uma província, não era fácil lidar com tudo aquilo, e se estavam juntos ainda era porque realmente se amavam.

Não que precisassem provar, seus olhares mais longos, os sorrisos mais luminosos, só faltava uma placa em néon para indicar que estavam juntos. Era tão meloso, poderia até ser enjoativo, e provavelmente em sua realidade quando Uruha estivesse curado não fosse daquela forma, visto que nem todos os dias são coloridos, mas naquele momento, naquele instante para os dois quanto mais mel, melhor. Era como se apoiavam no outro para enfrentarem juntos todas as adversidades do câncer, para continuarem naquela luta que se aproximava do fim.

Assim como a estadia de Aoi em Kanagawa. Estava acordado já e novamente embalando Uruha, e quando aquele pensamento atingiu-lhe a agonia da separação veio junto, estava bom demais para ser verdade. Havia despertado há quase meia hora, e apenas pensamentos bons preenchiam sua mente, mas, como a maçã podre sempre estraga as outras se não for removida da cesta, a despedida e a turnê pela frente colocaram as coisas boas em segundo plano. Aoi engoliu seco e baixou o olhar para fitar parcialmente o rosto de Uruha, que dormia profundamente. Se pensasse um pouco mais naquilo acabaria chorando, a agonia subindo por todo seu corpo. Odiaria a si mesmo por um bom tempo por não poder fazer muito pelo Takashima.

Todavia, um menear de cabeça e um gemido arrastado fizeram Aoi espantar esses pensamentos mais intensos, fitando o maior mexer-se, mas ainda continuar dormindo, desta vez com o rosto voltado para si, como se lhe vigiasse, impedisse de pensar aquelas coisas tão ruins. Poderia até parecer vaidade de Aoi, mas não imaginava, vendo um rosto tão sereno, que Uruha o culpasse por precisar ficar longe. Suas feições tranqüilas passavam mais segurança e conforto do que qualquer intimação ou acusação. Aoi permaneceu o fitando, notando que despertava aos poucos, os orbes claros encontrando os negros do Shiroyama como primeira visão do dia.

Sorriu para Aoi, que retribuiu o gesto, acarinhando-lhe a lateral do rosto. Naquele momento não usava mais a máscara e Uruha podia olhá-lo por completo, copiando o gesto de afagar seu rosto. Seus lábios estavam próximos e sua vontade era tocá-los, engolindo seco para não o fazer. Nada de ruim havia acontecido quando dera aquele rápido selo em Aoi, mas não queria se arriscar, por isso esvaiu a mente de seus desejos reprimidos e soltou um baixo 'bom-dia' ao moreno, que sorriu.

— Bom-dia. – Aoi disse baixo, usando a costa de sua mão para acarinhar a bochecha de Uruha. – Dormiu bem?

- Com certeza. – Fechou os olhos ao sentir o carinho do Shiroyama em sua face. – Mas, você parecia nervoso, você conseguiu dormir bem?

- Demorei um pouco, mas, consegui também, só que vai ser mais fácil quando você estiver curado.

Uruha abriu os olhos lentamente, o fitando.

— Eu acho que ainda vai demorar um pouco. – Disse com um leve pesar. – Mas, se você ainda estiver me esperando quando tudo isso terminar talvez consiga dormir melhor. – Sorriu fechado.

- Eu vou sempre te esperar, você sabe disso. – Aproximou-se de Uruha, beijando-o no nariz. Ele franziu o cenho e fechou os olhos, por fim sorrido para Aoi. – Só se você quiser fugir com o príncipe encantado loiro para outro lugar.

Ao associar a frase de Aoi à Raphael, Uruha deixou-se levar por uma risada alta e despreocupada como Aoi não ouvia há muito tempo. Lembrava-se bem das risadas de Uruha no estúdio, leves e verdadeiras, e como mudaram quando ele ficou doente, perderam-se para umas mais contidas e quase falsas. Mas, ali no momento, não. Era de fato o verdadeiro Uruha rindo de uma frase boba sem se preocupar com qualquer coisa que fosse, aquele ar vivo que sumira há um bom tempo agora retornava à sua face. Estava... Feliz.

— Eu não vou fugir com ele, você sabe. – Disse com resquícios da risada em seu rosto, que agora virara um sorriso aberto todo para Aoi.

- É bom mesmo... – Disse num tom mais baixo, mantendo aquele ar acolhedor e íntimo do quarto. – Se não eu te marco a ferro antes de ir embora... Nas duas coxas.

Uruha sibilou baixinho e semicerrou as sobrancelhas. Aoi riu também baixo.

— Malvado, assim eu vou errar o seu endereço de propósito quando me curar. – Levou uma das mãos à boca ao bocejar, aproveitando para se espreguiçar.

- E vai parar aonde? No seu apartamento?

- Pode ser. – Deu de ombros de maneira engraçada por estar deitado sobre um deles. – Vou para as minhas guitarras, casar com elas.

- Aí – Aoi apoiou-se num dos cotovelos, fitando Uruha por um novo ângulo. – Eu te seqüestro e de qualquer forma você vai parar no meu apartamento.

Os rostos estavam próximos. Uruha fitava devotamente os lábios de Aoi se moverem ao falar, desejoso de lhe beijar, mesmo sabendo que não podia. A proximidade dos dois, todavia, fez com que fossem se aproximando cada vez mais, os olhos se fechando automaticamente, as respirações se chocando. Uruha quase podia sentir o gosto de um beijo de verdade, cálido, vindo de Aoi, mas o que sentiu foi um selar em sua bochecha. Abriu os olhos frustrado, não conseguindo evitar um bico desanimado. Aoi sorriu-lhe condescendente, um sorriso fechado e acolhedor.

— Falta pouco koi, não vamos nos arriscar. – Sentou-se no futon. Uruha automaticamente fez o mesmo. – Se nós agüentamos todo esse tempo, mais algum não é problema.

- ... Eu sei. – Uruha conseguiu dizer, mas baixo. Fitava o futon com algum resquício de raiva, mas que acabou dissipado ao sentir Aoi segurar-lhe delicadamente pelo queixo.

- Não fica chateado, isso ta acabando.

Uruha suspirou. – Eu espero que logo, Aoi... Que logo.

Aoi sorriu-lhe fechado e o abraçou por alguns momentos. Disse-lhe palavras acolhedoras rente ao ouvido, e apenas o soltou quando Uruha deu-lhe certeza de que faria tudo para ficar bem quando fosse embora à tarde. Com alguma preguiça e bastante frio os dois se levantaram e Aoi ficou responsável por arrumar o quarto, insistindo para que Uruha fosse tomar banho primeiro para se aquecer rapidamente. O ex-loiro ainda tentou discutir, dizer que Aoi fosse primeiro porque ele demorava demais, mas o moreno não deu o braço a torcer, e agora Uruha encontrava-se no banheiro, despindo-se para tomar banho.

Colocou a touca e as peças limpas no balcão da pia e fitou a si mesmo no espelho, como de costume incrédulo por não ter um fio de cabelo na cabeça. Tinha saudade dos fios que mudavam tanto de cor e o deixavam tão diferente de como estava no momento. Não que ainda fosse tão encanado como antes, mas ainda se sentia estranho e desconfortável. E como não podia deixar de acontecer, deduziu que os fios de Aoi com aquele corte e cor eram para a nova turnê, esta qual não tinha o interesse em saber como andava. Naqueles dias em que ficara com o moreno se segurou o máximo que pôde e não ia estragar sua última tarde com ele pensando em coisas tão ruins e que só lhe fariam mal.

Assim sendo deixou aqueles pensamentos de lado e aproveitou aqueles jatos de água quente que banhavam-lhe por inteiro, relaxando cada célula, cada músculo, confortando sua cabeça desprotegida, umedecendo o rosto e os lábios que viviam ressecados e precisando de hidratação. Aonde ia estava com uma garrafinha de água por perto, e sempre aproveitava o banho para dar um cuidado ainda mais especial ao rosto e a boca, demorando na escovação para não se ferir. Não gostava muito de demorar tanto, mas não queria correr o risco de se machucar por fazer algo na pressa.

Saiu arrepiado de dentro do box, apesar de ter se enxugado dentro do cubículo. Tremia um pouco, mas nada fora do comum num tempo como o inverno, e logo que se vestiu e o calor começou a irradiar por seu corpo a tremedeira foi embora. Encontrou com Akemi no corredor e a mãe beijou-lhe à testa e pegou as coisas de sua mão para levar até a lavanderia. Ele também tentou não deixar, mas parecia que tanto Akemi quanto Aoi fariam de tudo para que não se esforçasse tanto ou tivesse que ir até a parte externa da casa. Discutir não daria em nada e ele apenas deu de ombros e foi ao encontro de Takashi na cozinha.

Aoi tomou um banho mais rápido logo depois de levar algumas broncas de Akemi sobre ter arrumado as coisas. Claro que ele não ia deixar a Suzuki fazer tudo, mas também não a deixaria saber disso, então deu apenas um sorriso para a sogra dizendo algumas coisas amenas e ela acabou saindo do quarto, mas o fazendo prometer que não era para fazer as coisas. Ele prometeu com os dedos cruzados escondidos atrás das costas como uma criança e não conteve uma risada baixa quando ela saiu.

Agora os quatro tomavam café e conversavam amenidades como fizeram por todos aqueles dias frios. Sempre que terminavam Akemi expulsava os dois da cozinha e ela e Takashi arrumavam tudo, apesar da insistência dos guitarristas. Ainda como nos dias anteriores eles acabaram abraçados no sofá trocando palavras em tom baixo, quase sussurros. Entre elas algumas juras de amor que inevitavelmente deixava-os meio envergonhados, e apesar de não ter falado nada sobre o cabelo de Aoi, Uruha se pegou mexendo nos fios de duas cores.

— Ficou bonito. – Fitava a própria mão embrenhando-se pela cabeça de Aoi e desgrenhando um pouco o que o moreno fizera. – Mais 'Aoi'. – Fez aspas com a mão livre.

- O Reita também falou isso, e acho que eu também prefiro assim.

- Tomara que eles deixem por um bom tempo então. – Uruha voltou a atenção para Aoi e sorriu fechado. – E que não queiram cortar logo.

- Cortar? – O moreno indagou curioso. – Porque não?

- Ta bom de agarrar.

Aoi associou de imediato a frase de Uruha com atos pervertidos. E riu. Os dois riram. Akemi e Takashi riram quando Uruha corou assim que Aoi disse-lhes o motivo de suas risadas. E os quatro tiveram um dia caloroso dentro daquela casa, almoçaram com calma e tranqüilidade, Aoi e Uruha esqueceram-se completamente das horas quando foram para o quarto do maior passar aqueles últimos momentos juntos, mas quatro da tarde chegou mais rápido do que podiam imaginar.

Uruha o ajudou a guardar as coisas na mala e enquanto Aoi se despedia de seus pais, o Takashima fora na frente, trazendo a mala consigo enquanto caminhava lentamente, fortalecendo seus pensamentos de não ficar triste, que era apenas temporário e logo estariam juntos de novo. Usava a máscara agora que tomaria algum vento, e sentiu-se arrepiar quando o mesmo bateu em si assim que abriu a porta. Como não nevava o carro de Aoi já estava fora da garagem e seu dono apareceu logo em seguida, pousando uma das mãos em um de seus ombros. Uruha virou-se para si e a máscara bloqueou seu sorriso.

Ao longe, eram observados.

— Eu venho te ver de novo quando tiver uma folga. – Os dois pararam em frente à porta do motorista logo que Aoi guardou a mala.

- Não se esforce muito Aoi, turnês cansam. – Quase se surpreendeu pela normalidade e a calma em sua voz.

- Essa mais ainda. – O moreno disse com algum pesar. – Vou ficar com mais saudade.

- Eu também vou. – Uruha sorriu por baixo da máscara. – Prometo que se me der uma loucura eu vou até Tokyo te ver.

- Aí Akemi-san, Takashi-san, o Viktor, o Felipe e o Reita me matam.

Eles riram.

— Matam nada, a gente foge lá pra Mie.

Aoi riu. – Mas, se a gente fugir pra lá eu vou te fazer usar vestido e lenço na cabeça e você vai arrumar um jeito de engravidar.

- Dispenso. – Os dois soltaram uma gargalhada e se abraçaram logo em seguida tentando manter o máximo que podiam aquele contato.

Não sabiam quanto tempo demorariam para se abraçarem de novo, portanto queriam manter aquele ato por muito mais tempo, sentindo pouco o corpo alheio por causa das roupas pesadas, mas podendo aspirar o cheiro do outro e deixar como uma lembrança para quando a saudade fosse realmente grande, apesar de Uruha insistir que cheirava a hospital e doença, não que Aoi visse daquele jeito. Ainda era o Uruha saudável e despreocupado da companhia por quem se apaixonara perdidamente. E nada, nem as mudanças ocasionadas pela leucemia e o tratamento mudariam isso.

Separaram-se sem muita vontade.

— Se cuida, dá o melhor de você nessa turnê e guarda o meu lugar.

- A segunda coisa eu não sei se vou conseguir com tanta vontade, mas você sabe que o seu lugar nunca vai ser tomado pelo Sugizo-san.

- Não, Aoi, não é bem sobre a banda agora. – Disse um pouco mais sério e com um tom triste em sua voz.

Aoi o fitou curioso. – Então, seria sobre... ?

- O meu lugar ao seu lado. – Uruha sentiu como se tivesse desatado um nó que havia se formado há muito tempo em sua garganta. – Quando você me entregou o relicário eu tive certeza que mais do que meu lugar na banda, eu tinha a chance de perder você.

Aoi sorriu para ele e com a coragem que sobrara para fazer aquilo encostou os lábios na máscara de Uruha, na altura de seus próprios lábios. – Esse lugar vai estar sempre guardado Uru, não se preocupe com isso. – Disse bem próximo ao rosto do Takashima, os lábios roçando mais um pouco.

Uruha sorriu.

— Então vai antes que fique escuro e eu pareça uma mãe preocupada com o filho que não chega logo em casa.

Aoi riu. – Eu te ligo quando chegar lá, ta?

Uruha assentiu com a cabeça e depois de mais um abraço fechou a porta do carro de Aoi, que só deu a partida quando o ex-loiro entrou em casa. Respirou fundo uma vez e distanciou-se daquela rua, algum tempo depois o faria de Kanagawa.

...

Chegou exausto em casa. Demorara mais de quatro horas por causa do trânsito ruim devido ao mau tempo. Seus membros estavam doloridos por permanecerem tanto tempo na mesma posição e sua vista estava cansada de tanto prestar atenção ao guiar. Sua casa pareceu realmente acolhedora assim que acendeu as luzes da sala e acionou a calefação, jogando todo o cabelo para trás e amarrando baixo a maior parte com um elástico fino. Levou as roupas usadas para a lavanderia e colocou para bater enquanto preparava alguma coisa rápida para cozinhar e avisava Kai de que já estava de volta a cidade.

O líder deu um rápido parecer sobre a agenda do dia seguinte e Aoi suspirou cansado ao desligar o telefone, dando-se conta do quão corrida ela seria. Também não esquecera de ligar para Uruha, apesar de Akemi ter atendido, descobrindo que ele ainda dormia cedo, mesmo que não estivesse sobre o efeito da quimioterapia. A Suzuki disse gentilmente que o avisaria quando acordasse e Aoi agradeceu, estendendo as roupas já limpas e jantando com alguma pressa por causa da hora. Tomou um banho na mesma velocidade e depositou um beijo na foto de Uruha com a touca quando se recolheu finalmente para dormir.

xXx

Apesar de o ano novo ser mais simbólico, não parecia que os Staffs, o empresário e o próprio the GazettE conseguiriam comemorá-lo, ou mesmo ficar em casa. A correria daquele dia vinte e sete era grande, os cinco ensaiavam sem parar enquanto Koga tratava de coisas pendentes sobre a turnê com os diretores de produção e arte e os estilistas e os Staffs organizavam a parte dos instrumentos, transporte e o ônibus que levaria a banda.

O frio era um detalhe no meio daquele conglomerado de pessoas correndo de um lado para o outro. Não havia tempo para pensar em se arrepiar com um vento mais gelado, uma janela aberta. Estavam todos muito atarefados e aqueles pareciam detalhes que não eram muito importantes. Ao menos, com toda aquela agitação o relógio parecia estar ao lado deles e quando o almoço finalmente chegou cada um se deixou cair numa parte do sofá da sala de descansos e pôde completar um ciclo de respiração, sem precisar fazer qualquer coisa que fosse antes de respirar oxigênio e liberar gás carbônico.

— Pelo menos a gente não precisa comer correndo. – Reita comentou.

- Pelo menos isso. – Disse Aoi. – Seria comer rápido pra voltar e ensaiar e passar mal depois de um tempo. E eu só acho que o Koga-san não ia ficar contente de ter os cinco músicos em casa com indigestão.

- Falar de passar mal perto de turnês me arrepia. – Agora a palavra era de Ruki. – Com esse frio ainda por cima eu mal consigo não pensar que posso ficar rouco.

- O Koga-san te surra. – Kai brincou.

- E o Reita surra o Koga-san. – Aoi completou.

Os cinco riram e podiam sentir seus ombros relaxando com aquela conversa. Esperaram mais alguns minutos para recuperarem o fôlego e saíram da PS para apenas atravessarem a rua e se encontrarem num restaurante onde se esconderam numa mesa ao fundo e pediram pratos quentes como principais, apesar de Aoi e Reita terem escolhido também sushi. Beberam coisas leves já que Kai proibiu de pedirem qualquer coisa com álcool e como sugestão de Ruki compraram garrafas de água antes de voltarem para a companhia e sua segunda parte de ensaios cansativos e intermináveis.

...

No fim do dia, quando os relógios acusaram seis da tarde, Ruki sentia desconforto na garganta, os braços e pernas de Kai estavam doloridos e as mãos de Aoi, Reita e Sugizo tremiam. Já haviam passado por coisas semelhantes e não se surpreendiam por ser apenas segunda-feira e as coisas apenas ficarem mais intensas a partir dali, e seus corpos estarem em frangalhos. Estavam acostumados com aqueles extremos e assim como de tarde quando permaneceram descansando por alguns minutos, agora o faziam de novo, saindo um pouco depois das seis e quinze da companhia.

...

E claro, o trânsito não teria como ter ajudado. As pistas estavam ainda mais escorregadias, porque mesmo que não nevasse, estava garoando e as temperaturas caíram mais ainda. Em seu carro, Aoi se abraçava enquanto parado num farol, bebendo um belo copo de chocolate quente, um hábito que tinha nos invernos, comprar líquidos quentes para beber enquanto ia da companhia para casa, já deduzindo que as chances de ficar preso em engarrafamentos era grande. E agora isso fazia toda a diferença, já que o chocolate aquecia-lhe enquanto os termômetros das ruas marcavam dois graus abaixo de zero. Apesar de estar acostumado, Aoi não se deixava levar pelo comodismo e se equipava como podia.

Levou outro gole da bebida à boca e com algum receio fitou seu celular para ver as horas, bufando ao ver que já passava das sete da noite. As temperaturas estavam dando sinais de que cairiam ainda mais, mas esse não era um motivo relevante para o moreno. Estava cansado e tudo que mais queria era tomar um banho e dormir, mas conforme as coisas estavam caminhando, muito provavelmente não conseguiria chegar em casa tão cedo.

Logo que colocou o celular em sua base no carro ele tocou. Aoi sobressaltou com o barulho, já que estava imerso em silêncio em seu carro e atendeu sem olhar no visor.

— Moshi moshi. – Disse com uma voz cansada.

- Atrapalho?

- Tanto que eu vou fingir que estou entrando num túnel e desligar. – E todo seu cansaço e frio pareceram desaparecer ao ouvir a voz de Uruha.

- É mesmo? – Riu. – Então talvez queira saber que eu já tomei banho, jantei, e agora estou numa cama confortável, num quarto quente e embaixo de dois cobertores.

- Acho que eu te odeio um pouquinho agora. – Aoi pôde ouvir Uruha rir do outro lado da linha. – Eu devo demorar no mínimo mais uma hora para chegar em casa.

- Eu vi o noticiário, as coisas estão frias por aí.

- E eu imagino que por aí também.

- Ainda não está abaixo de zero. – Disse. – Mas, ta chovendo bem forte.

- Por aqui também, e está ainda mais frio. – Fez-se um silêncio entre os dois, como se o assunto tivesse se encerrado e uma das partes fosse desligar. Aoi quebrou essa falta de palavras. – Mas, eu tenho quase certeza que você não quer falar sobre o tempo.

- Não mesmo. – Uruha sorriu para as paredes de seu quarto. – Eu liguei pra ouvir sua voz. – Não pôde ver o sorriso que Aoi direcionou para o pára-brisa. – E te tirar do seu tédio, porque eu já fiquei preso com você em um carro e sei muito bem como você fica no trânsito.

Aoi riu abertamente, lembrando-se daquela data. Ainda eram apenas amigos e Uruha havia decidido ir de moto para a companhia, mas não podia voltar para casa com a tempestade que caía do lado de fora dela. Normalmente não havia problema em dirigir na chuva, mas naquele dia estava forte demais e podia acabar acontecendo algum acidente.

A solução fora ir com Aoi e deixar a moto por lá. E com tanta água caindo do céu os dois ficaram boas três horas daquela sexta-feira presos no carro do moreno no meio de um trânsito que não andava, tampouco permitia que as pessoas pegassem atalhos para escapar da avenida, lhes restou esperar. Naquele dia os dois conheceram um pouco mais do outro, jogaram muita conversa fora, riram, falaram coisas um pouco mais pessoais e conseguiram manter um clima agradável dentro do carro.

Mas, fora eternizado nas mentes dos dois os momentos de raiva de Aoi ao ter que esperar. Uruha ria toda vez e depois daquilo eles foram conversando mais, saíram para beber algumas vezes e um ano depois viram-se apaixonados pelo outro. Não teria como esquecer aquele momento mesmo que quisessem.

— Tem que ter paciência para agüentar todo esse tempo parado aqui. – Disse. – Acho que vou aceitar sua proposta de fugir para Mie, só falta você andar de vestido.

- Não vou ter que parir? – Uruha riu de si mesmo. Aoi o acompanhou.

- Não. – Disse-lhe. – Só andar com vestido e o lenço.

- Então acho que eu to aceitando sim, só de lembrar do trânsito daí já me deu coceira.

- Ta vendo, nem você agüenta. – Aoi riu do mais novo. – E só pra comentar mesmo, tem uns minutos que eu passei por um poste que lembra muito um de pole dance. Isso te lembra alguma coisa?

Riu ainda mais ao ouvir Uruha tossir do outro lado, podia imaginar ele corando e tentando mudar de assunto.

— Não faço ideia do que você está falando.

- Eu faço. Vai dançar ou não vai?

- Não tenho tanta coragem. – Respondeu Uruha. – Eu já disse, nem sei como consegui fazer aula.

- Aposto que não é nada feio você dançando, não devia ter vergonha.

- Você diz isso porque é tarado, Shiroyama.

- Imagine. Eu? – Aoi riu. – E olha quem fala o senhor Uruha, o santo.

- Sim, sou muito santo mesmo, sou até virgem.

- Mas, daqui a pouco você se cura.

Eles gargalharam por bons momentos até Aoi precisar desligar quando o trânsito finalmente deu sinais de começar a andar. Ainda teve problema em alguns trechos, mas num todo fora uma viagem mais tranqüila tão logo pegou algumas ruas alternativas. Teve de dar voltas a mais, mas chegou ao prédio oito e meia, horário bom para quem achou que talvez fosse demorar mais.

Não fez mais do que o necessário, tomando um banho rápido e jantando com um pouco menos de pressa. Quando terminou tudo praticamente se arrastara exausto para seu quarto, deixando-se cair de qualquer jeito na cama, adormecendo tão rápido que mal teve tempo de se cobrir.

xXx

A correria não parou nos dias seguintes. Naquela terça-feira fora divulgada as fotos da turnê e os ingressos colocados à venda. A mídia não teve tanto papel nessa divulgação, já que devido ao incidente com as palavras usadas quando o anúncio de uma nova turnê tinha sido divulgado, Koga achou melhor ele mesmo dar uma comitiva, dando um parecer rápido sobre algumas datas. O material fora divulgado pela internet e ainda de outras maneiras, e pela primeira vez desde a comitiva quando fora mostrado que Uruha estava doente, a banda deu uma entrevista para o rádio.

Perguntas sobre o Takashima não faltaram em nenhum momento, alguns fãs ligaram e desejaram melhoras à Uruha, mas o foco principal também fora a turnê. Sugizo falou sobre a experiência de estar em outra banda e para surpresa de todos (de certa forma) negou que tivesse pretensão de ficar no lugar do ex-loiro, e que em nenhum momento aquilo passou por sua cabeça. Depois o assunto se voltou para a visão de cada um sobre essa nova turnê, e Ruki quase falou 'mais do que devia' quando pensou em dizer que a turnê deveria se chamar 'Incompletos' pelo fato de Uruha não estar com eles.

Mas, não podia fazer isso, não estava louco, ainda. Entretanto, todavia, depois daquilo o baixinho conseguiu se acalmar e ao sair de lá, como já estava de tarde, os cinco passaram rapidamente na companhia para acertar algumas coisas e foram dispensados rapidamente, podendo naquele dia dormir mais cedo, algo que era quase como uma benção divina.

E claro, passaram o ano novo na companhia. Aoi e Reita não pararam de zombar de Sugizo, chamando-o de azarado por estar com eles ali. O guitarrista entrou na brincadeira e disse que os dois não estavam em posição melhor, principalmente Aoi que estava ainda mais longe de Uruha. Nesse momento as risadas explodiram enquanto eles discutiam sobre a set list do primeiro show. Quando se viram perto de outras pessoas assim que foram trocar de roupa e testar algumas maquiagens mudaram o rumo do assunto, mas isso não diminuiu suas risadas.

Apenas Uruha e os pais tiveram um ano novo mais 'tradicional', com uma mesa novamente cheia de delícias, o suco de laranja se fazendo presente de novo e conversas amenas, promessas feitas, desejos de melhora pairando sobre os três. Fora bem mais calmo que os outros em Tokyo, mas também com risadas e paz emanando por toda a casa. Foram dormir um pouco depois da meia-noite, e mesmo que parecesse cedo, estavam felizes por terem comemorado aquela data de um jeito simples, mas especial, e não podiam estar mais satisfeitos.

Já Ruki e cia. limitada só foram dispensados depois da uma, e claro, chegaram absurdamente cansados em casa. Sugizo ainda fez uma força para ficar com a esposa e as filhas, Kai conversou com Miyavi por telefone durante um bom tempo, Reita e Ruki tiraram energias de ninguém sabe onde e transaram duas vezes naquela madrugada e Aoi foi dormir pensando em Uruha.

Dali para frente à coisa foi ficando cada vez mais corrida, e nenhum deles se deu conta de que estavam cara a cara, às dez da manhã do primeiro sábado de janeiro em frente à companhia com o ônibus os esperando. O primeiro show seria um tanto quanto longe então o empresário pediu que saíssem mais cedo. Cada um se acomodou em um banco e podiam ouvir os Staffs trabalhando do lado de fora, e assim como no festival, aquele sentimento mais forte pairava no momento, cada um deles imerso em pensamentos diferentes, memórias diferentes. Apenas quando o ônibus começou a se mover eles iniciaram um diálogo.

...

Desta vez chegaram mais escondidos, longe dos olhares de quem quer que fosse. Fariam uma vistoria rápida sobre o lugar e começaram pelo palco, onde muitos já trabalhavam. Haviam visitado ali antes, mas era normal que o fizessem de novo. Cada um foi para seu respectivo instrumento e tocaram coisas alheias, testando o som, Aoi e Sugizo concentrados nas guitarras e o Shiroyama no violão, Ruki murmurando baixo para entender como sua voz se propagava naquele espaço, Reita tocando e olhando com cuidados as cordas de seu baixo e Kai verificando as partes da bateria. Depois de um bom tempo foram para a iluminação, apenas confirmar o que já tinham decidido sobre como cada um seria iluminado e de que maneira dependendo da música. Somente depois de boas horas ali conferindo tudo e com o empresário junto de Kai apressando a todos foi que conseguiram ir para o hotel que ficava ali perto num carro menor e sem propaganda, onde se arrumariam para a primeira apresentação daquela turnê.

...

Cada um estava em um quarto separado terminando de se arrumar. Pela hora era provável que os fãs já tivessem entrado e o carro estivesse esperando do lado de fora do hotel. Cada maquiadora e cabeleireira ajudavam um deles e Ruki ainda tinha ajuda de uma moça que cuidava da sua voz. Aos poucos iam finalizando tudo, e como costumavam fazer, as moças saíram de seus cômodos e cada um deles tinha alguns minutos para pensar e refletir.

Para Aoi era inevitável não pensar em Uruha e como queria que estivesse ali no cômodo ao lado, pensando nas fanservices que faria e as pernas expostas pelo short curto. Reita também compartilhava do mesmo sentimento sobre o irmão e ia além, pedindo que as coisas dessem certo na apresentação. Ruki se concentrava, pedindo que sua voz agüentasse mais uma vez, mais um show. Sugizo pensava em suas amadas filhas e em sua esposa, ambas esperando-o em casa. E Kai pensava nas coisas que aconteceram, desde o começo com Uruha até seu relacionamento com Miyavi. Quantas coisas haviam passado e tudo que eles enfrentaram até ali.

Quando passados cinco minutos todos se reuniram no corredor do andar em que estavam e apenas mais alguns instantes foram necessários para que estivessem dentro do carro em direção ao local do show.

Em Kanagawa, como não sabia de nenhuma data, Uruha se divertia com seu PSP enquanto uma garoa fina caía do lado de fora, Akemi preparava um bolo e Takashi a ajudava com a janta. Desta vez era bom não terem informações. Nenhum coração saía machucado e a paz reinaria por muito mais tempo ali.

...

Os murmurinhos estavam presentes dentro do estádio, até que as luzes se apagaram. Os fãs fizeram um rápido silêncio antes de gritarem a plenos pulmões por seus ídolos. Assim como fizeram uma vez, uma câmera mostrava a chegada dos cinco. Primeiro o carro parou na visão de todos e os clamores continuavam intensos. Depois as portas foram abertas e os gritos ficaram ainda mais ensurdecedores quando Reita saiu do veículo, acompanhado por Sugizo. Kai, Aoi e Ruki vieram na seqüência. As pessoas que ali estavam gritavam os nomes de cada um dos membros.

Naquele momento seus corações disparavam, era como um caminho sem volta. Cada passo fazia a adrenalina subir, aquela ansiedade que eles conheciam bem tomando-lhes as veias em grandes doses. Em suas mentes os pensamentos de que tudo desse certo, que mais uma vitória fosse alcançada com o sucesso daquele show. Conforme os gritos agoniados entravam-lhes por seus ouvidos eles sentiam os pêlos arrepiarem. O frio não existia mais ali. Quando as luzes em volta deles se apagaram e as coloridas explodiram assim que pisaram no palco e se colocaram em seus lugares, apenas o êxtase de mais um show inebriava suas mentes conforme os fãs gritavam loucos, Ruki os saudava com berros potentes com a ajuda do microfone enquanto Kai iniciava as batidas e ditava o ritmo de Agony e o primeiro show da turnê começava.

...

— ...E como não poderia deixar de ser, — As lágrimas desciam pelos olhos dos quatro ali e Sugizo mantinha uma postura respeitosa. – nosso encerramento vai ser em homenagem àquele que no momento não está aqui, mas que vai voltar e trazer alegria a todos vocês como sempre aconteceu.

Os fãs bateram palmas calorosas, as palavras de Ruki, como sempre, emocionaram a todos. Eles retiraram os casacos que usavam, revelando as camisetas com o rosto de Uruha. Os acordes de Best Friends começaram e os fãs acompanhavam num coro emocionante, batendo palmas, a maioria deles chorando, alguns assoviando. Quando, por fim, terminou, todos gritaram o nome de Uruha com força e vontade, e como não poderia deixar de ser, os músicos e os Staffs se reuniram no palco e à contagem de Ruki todos pularam com vontade, este, de acordo com Takanori sendo o 'pulo do Uruha'. Eles se despediram da multidão e saíram do palco em direção ao camarim. Cada um foi atendido por um Staff cuidando do que mais haviam forçado durante a apresentação, e claro, Kai contava com a ajuda de uma maca. Todos ali tinham fisioterapeutas para ajudar e sempre que um show terminava o local ficava bastante movimentado.

Apenas meia hora depois do show o camarim fora ficar mais calmo, alguns aperitivos haviam chegado junto com água e suco e Aoi acordou Kai que havia adormecido na maca para poder comer alguma coisa. Koga avisou que lhes daria uma hora para que descansassem enquanto o ônibus era preparado e as coisas guardadas e que a ordem era de que ninguém entrasse ali. Claro que fora suficiente para Reita e Ruki embrenharem-se num sofá com suco, água e alguns bolinhos, enquanto Kai, Aoi e Sugizo conversavam animados sobre como fora o show enquanto também desfrutavam do que havia sido trazido para eles. Apesar de toda essa animação estavam exaustos e Ruki ainda guardava para si o sentimentos de estarem incompletos, mas de certa forma tanto ele quanto os outros estavam felizes por tudo ter ocorrido bem.

Todavia seus corpos clamavam por descanso e fora inevitável não dormirem. Para evitar qualquer problema, Reita e Ruki acomodaram-se sem muito contato, Kai zombou de todos por poder se estivar e voltou para sua maca, e Aoi e Sugizo beijaram as fotos de Uruha, da esposa e das filhas (respectivamente) antes de também se acomodarem e tirarem um cochilo.

Koga os despertou cerca de quarenta minutos depois e todos caminharam sonolentos para o ônibus. E lógico que com aquelas poltronas confortáveis eles adormeceram novamente logo que se acomodaram enquanto o ar-condicionado era acionado para deixar tudo mais agradável e eles eram levados para casa.

xXx

Acordar pensando em Aoi era uma normalidade para Uruha. Desde aquele dia preso no carro durante a chuva sonhava de vez em quando com o moreno. E agora que estavam juntos Kouyou praticamente dormia pensando nele, sonhava com ele, e acordava pensando nele. Ainda se lembrava de quando acordara no dia vinte e seis e a primeira coisa que viu foram os orbes negros do moreno. E mesmo que agora estivessem separados, não tinha como não sorrir ao lembrar dele.

Seu sorriso apenas morreu quando se levantou e o frio lhe atingiu, obrigando-o a se abraçar. Olhou por uma fresta da cortina, notando que não chovia, tampouco nevava, mas o céu continuava nublado e os ventos provavelmente estariam fortes. Para um dia de domingo em que não faria muita coisa estava bom. Só torcia para que o dia seguinte também estivesse assim, já que teria outra consulta com Viktor.

Afora isso arrumou o quarto e foi tomar seu demorado e quente banho, hidratando os lábios e o rosto com a água do chuveiro, depois colocando roupas confortáveis e quentes, e por último encontrando os pais na cozinha, e como sempre, uma farta mesa de café da manhã colocada por Akemi e muito provavelmente com ajuda de Takashi. Mesmo que estivesse frio e fosse apenas oito da manhã os três já mantinham um sorriso no rosto.

Uruha sentou-se e observou as coisas por cima da mesa.

— Eu vou acabar engordando de tanto comer os bolos da mãe. – Fitou a guloseima coberta com calda de chocolate.

- Se quiser eu como inteiro. – Takashi respondeu, rindo. Uruha também riu e teve ímpetos de abraçar o bolo.

- Depois eu faço regime, isso não é um problema. – Mandou um beijo de longe para a mãe que cortou um farto pedaço e colocou em seu prato.

- Tem que aproveitar mesmo Kou-chan. – A Suzuki disse. – Quando precisar voltar para Tokyo quase não vai ter tempo de preparar essas coisas.

- É verdade mãe, depois eu me preocupo com essas coisas. – Riu e se serviu de uma generosa garfada em seu pedaço.

- Mesmo que não entre em suas roupas? – Takashi indagou enquanto também comia um pedaço de bolo.

- Nesse caso – Akemi cortou a resposta do filho. – Aoi-san ia gostar porque até Kou-chan ter tempo de arrumar roupas novas iria ter que andar nu.

Uruha engasgou com o que comia, Akemi deu uma risada contida e Takashi não se agüentou, pousou o garfo ao lado do bolo e começou a rir enquanto Uruha tomava água para o bolo descer e enrubescia, conforme as imagens da fala de Akemi começavam a se formar em sua mente.

Seus dias eram assim. Calmos, tranqüilos, regados a risadas que ecoavam pelos ínfimos cantos da casa, uma alegria que eles compartilhavam muito quando Uruha e Reita ainda eram pequenos e que agora retornava, mesmo que eles já tivessem seus trinta anos de idade, um deles não estivesse lá e o outro fosse acometido por uma doença tão ruim. Ainda assim estavam sorridentes, leves e despreocupados e apenas sentimentos bons perduraram durante o tempo em que tomaram café.

Depois que terminaram de comer Akemi colocou Uruha e Takashi para arrumarem as coisas enquanto ela guardava as coisas que usaram. Takashi lavou e Uruha enxugou e guardou tudo, e rapidamente os três estavam na sala e Akemi colocava num programa humorístico bem comum aos domingos e junto com Takashi se acomodava por debaixo de um cobertor. Uruha também tinha um e se cobriu, mas dividiu a atenção entre seu PSP e o humorístico na tv.

...

As risadas ecoaram pela casa durante toda a manhã. Uruha não conseguia nem mesmo jogar de tanto que ria as coisas que aconteciam no programa, que acabou ao meio-dia, hora em que Akemi levantou para preparar o almoço. Takashi também se levantou alegando que a ajudaria com a comida, mas antes de chegar à cozinha sua atenção fora atraída para a campainha.

Entreolhou-se com Akemi, mas a expressão dela também indicava que não fazia ideia de quem era. Takashi deu de ombros e foi atender a porta enquanto Uruha conseguia finalmente voltar a se concentrar em seu jogo. Ou ao menos era o que pretendia antes de Raphael adentrar a sala e chamar por si. Kouyou encontrou seus olhos e lhe sorriu.

— Tudo bem Kouyou?

- Tudo frio. – Brincou. – E você?

- Tudo bem também. – Sorriu para o guitarrista, entregando-lhe a famosa caixa de bombons.

Naquele momento Takashi já não estava mais na sala e os dois podiam conversar com tranqüilidade.

— Os meus bombons. – Uruha comentou. – Obrigado. É uma pena que não consegui oferecer o seu chá.

Raphael sorriu-lhe. – Não tem problema, talvez possamos fazer isso agora.

- Mesmo? – Uruha o fitou com curiosidade. – Como?

- Eu andei pensando muito e decidindo algumas coisas e queria conversar com você sobre isso. Alguns restaurantes funcionam e queria saber se não quer ir almoçar comigo. Depois mais tarde a gente pode tomar chá.

Uruha pareceu ponderar sobre o assunto rapidamente, os olhos passando de Raphael que o olhava complacente para outro ponto qualquer da sala. Havia deixado claro que amava Aoi de verdade, e se ainda conhecia o ex-namorado sabia que ele não ia tentar nada, então talvez não tivesse nada a temer ou pensar demais. Sorriu para Raphael.

— Eu vou me arrumar, só um minuto.

Notas finais
Melka ♥;
Su Shibasaki ♥;
ChunLi W Malfoy ♥;
Tsuki Senshi ♥;
Saa Chan ♥;
Ringo-sama ♥;
Rukía ♥;
Obrigado à vocês pelos reviews lindos, se a you are continua sendo postada é porque vocês são muito especiais e merecem ver o final disso aqui. Sei que faltam nomes aí de outros leitores que eu tenho muita estima e amo por igual como a linda Takashima Yuumi, Aline V Kei, minha linda Lucy Babalu, Yori Suzuki e entre outras, mas agradeço pelos reviews do cap anterior ♥. Desculpem pelo desabafo dessa autora.