You Are Not Alone
21 Guitarristas
Notas iniciais
Nhai fiquei tão feliz que os leitores aumentaram ♥
Mas gente, vocês podiam dar uma ajuda pra tia ''/. Eu recebi dois reviews no cap passado, tentem comentar nesse, por favor, acreditem quando digo que eles são importantes D:
Espero que aproveitem, fase nova da fic.
Boa leitura.
Aoi chegou a seu apartamento por volta de sete da noite. Estava absurdamente cansado e seus ouvidos doloridos de tantas conversas por telefone. Conhecia alguns contatos de Uruha e também conversou com eles, conseguindo, junto com os outros, algumas apresentações para o dia seguinte. Sabia que precisaria ser forte, mas não sabia o se seria realmente. Se pudesse ficaria em casa desabafando com o travesseiro, mas a realidade não era sua amiga e mostrou que Yuu não poderia se esquivar daquela decisão. Sim, porque sendo o segundo guitarrista da banda a decisão final seria sua. Bela sorte, não?
Sorte, azar, ou pura ironia o que ele realmente precisava era de um banho. Foi até seu quarto, mas não acendeu a luz, deixando a iluminação precária, mas bonita, da lua preencher o ambiente. De alguma maneira aquilo lhe era mais reconfortante e trazia um pouco da paz que tanto desejava. Preferia aquele escuro misterioso à iluminação gritante e reveladora, da mesma maneira acendeu algumas velas de copo dentro do banheiro, tudo para não deixar o ambiente naquela claridade berrante.
Gemeu de alívio ao sentir a água quente sobre os ombros cansados, só então se dando conta de que depois de bons dias teria o conforto de sua cama. Claro que talvez realmente fosse dormir pouco, devido a preocupação e os problemas que estava enfrentando, mas por mais cruel que pudesse parecer seu corpo clamava por um conforto maior, o que o deixava impotente.
Talvez fosse por achar que não havia feito nada de bom para Uruha, talvez fosse por precisar escolher alguém para tomar o lugar dele, ainda que temporariamente, não sabia bem. Só o que conseguia pensar era que parecia um inútil no meio daquela guerra, vendo os amigos se ferir e ele sem conseguir apertar o gatilho.
Ainda assim não conseguia raciocinar direito e sentiu a cabeça doer, sabia que precisaria de um remédio. Demoraria mais tempo dentro do chuveiro, mas o cansaço e a cabeça pesando o impediam de permanecer em pé por muitos minutos. Com muito custo se enxugou e vestiu uma boxer, pegando um comprimido na cozinha e engolindo-o sem água, sentindo-se relaxar de imediato quando as costas cansadas tocaram o colchão macio.
Sentiu algo sobre a colcha, descobrindo um dos braços e passando a mão sobre a mesma, pegou a caixinha felpuda do relicário que dera à Uruha, abrindo-o delicadamente e fitando a jóia descansar em seu espaço.
- Fique bem Uru, eu estou com você. – Sussurrou a frase, colocando a embalagem de veludo sobre o criado-mudo, acomodando-se na cama e fechando os olhos, uma lágrima solitária escapando pelo rosto enquanto se deixava levar pelo sono.
xXx
Naquelas vinte e quatro horas longe do hospital, Aoi estava relativamente bem para quem achou que mal conseguiria sair da cama ou segurar o choro. Não estava feliz, de maneira alguma, mas estava bem descansado – O que já era muito. – e conseguiu sorrir para algumas pessoas dentro da companhia antes entrar no auditório, encontrando Kai e o empresário sorrindo gentis para si.
- Bom-dia Aoi. – Kai lhe cumprimentou enquanto olhava alguns papéis em suas mãos.
- Bom-dia Kai, Koga-san. – Sorriu mais abertamente, sentando-se ao lado do líder enquanto seu empresário lhe desejava cumprimentos.
Conseguiu olhar pelo canto do olho os papéis na mão de Yutaka, vendo os nomes dos guitarristas que havia chamado. Não estava satisfeito, e nem em estado insano conseguiria estar, mas as coisas não podiam ser paradas mesmo com a doença de Uruha. O que lhe restava era pedir para ser forte enquanto seus pensamentos viajavam por entre aquelas quatro paredes, pousando sobre seu amado.
- Posso ouvir seus pensamentos daqui Aoi. – Reita disse perto do ouvido do moreno, assustando-o. – Conseguiu descansar pelo menos?
- Mais do que imaginei que conseguiria. Talvez eu consiga ficar um pouco bem. – Confessou, suspirando leve.
- Isso é bom, essa fase não vai ser muito fácil para nenhum de nós, mas não vamos poder descontar nossas frustrações em cima da pessoa que assumirá o lugar.
- Eu sei, precisamos ser fortes. – Ditou, mas visivelmente balançado, afinal de contas, ser forte não seria nada fácil.
- Bem bem, vamos dar início a nossa seleção. – O empresário carregava microfone consigo, fazendo sua voz ser ouvida por todo o ambiente. – Que se apresente o primeiro candidato.
- É hora do pau. – Reita comentou baixo para Aoi, que se mantinha concentrado, um dos dedos apoiado no lábio inferior, dando uma pose avaliativa para o moreno.
- Concordo.
...
- Dez, e nada. – Kai soltou os ombros, deixando-se encostar-se ao banco. – Isso vai ser quase impossível de entregar até amanhã.
- É quase inacreditável não ter alguém. Koga-san isso vai realmente dar certo? – Aoi indagou, de certa forma realmente feliz por não terem encontrado alguém.
- Tem que dar Aoi, e de preferência até amanhã. Os diretores de produção ainda precisarão falar com vocês para ajudar na sincronia. Alguém tem que aparecer. – Apertou um dos punhos visivelmente nervoso, no sentido desesperado da palavra. – Vocês devem ir almoçar. Mais contatos aparecerão somente em uma hora e vocês podem esfriar um pouco a cabeça.
Os quatro agradeceram pegando o mínimo que precisariam e saindo do auditório, satisfeitos por respirarem ar puro e mais leve do que o concentrado no ambiente em que estavam. Ajeitaram as roupas sobre os corpos quando assim que saíram do prédio, um vento frio beijando-lhes a face enquanto se misturavam com outras pessoas, caminhando em silêncio até um restaurante costumeiro, escolhendo sempre as mesas mais distantes do público.
- Acham que vamos conseguir? – Ruki indagou enquanto fitava o cardápio, uma das pernas roçando levemente na de Reita.
- Precisamos não é? Mas, além de precisarmos escolher, ainda há os trabalhos com os diretores de produção e arte que com toda certeza vão nos fazer correr feito loucos para que tudo saia perfeito.
- Em duas semanas e meia Kai? – Aoi indagou meio receoso. – Claro que vamos trabalhar seriamente como sempre, mas é pouco tempo, não? Seria bom se déssemos sorte com o tal guitarrista e ele já tivesse uma visão mais aguçada para shows.
- Alguém não tão amador? – Reita inquiriu, recebendo uma resposta muda do moreno. – Seria ótimo, dos caras que escolhemos algum toca em banda?
- Um dos meus toca. O número sete. – Ruki voltou à conversa depois de fazer seu pedido ao garçom junto com os outros. – Aliás, era uma de minhas apostas, mas acho que pensei errado ao achar que daria certo.
- Para mim ele foi o melhor até agora. – Aoi comentou, pegando seu celular que havia acabado de indicar que tinha uma mensagem. Não conhecia o número, mas se surpreendeu com as palavras.
''Aoi, é o Uruha. Peguei o celular do Viktor emprestado para conversar um pouco. Como passou a noite? Espero que tenha conseguido dormir bem. ''
Sorriu fechado ao ler a mensagem, respondendo de imediato: ''Seu espertinho, roubando o celular alheio. Espero que esteja bem também. Eu estou indo, sem estar bem ou mal. O que tenho certeza é que já estou com saudades. ''
Guardou o aparelho no bolso e voltou a atenção para a conversa, que já se desenrolava ao sabor dos pedidos dos quatros, oscilando entre piadas para descontrair e diálogos mais sérios, passando tanto por Uruha como pelas informações do festival, que haviam sido entregues para Kai.
''Também estou com saudades, mas acho que vocês vão demorar a voltar aqui por causa de todos os trabalhos acumulados. Sinto falta de vocês e espero poder voltar a conversar com todos nem que seja por telefone. Essa distância já machuca muito''.
Aoi ditou a mensagem num tom que os três pudessem ouvir, fazendo-os sorrir tristemente. Mesmo se passando pouco mais de um dia, realmente todos já sentiam falta de Uruha e podiam imaginar como o amigo estava triste. Era difícil.
- Ele disse ainda que precisou ser sedado depois que nós saímos, mas que agora está melhor. Espero que não precisem fazer isso sempre.
- Porque não vai ao hospital Aoi? – Ruki encostou-se na cadeira confortavelmente enquanto falava; uma das mãos se juntando com a de Akira. – Faria bem a vocês.
- Espero ter tempo. – Shiroyama falava enquanto digitava no celular. – E torcer para que o trânsito ajude.
''Fico aliviado que acordou bem. Espero que não seja necessário fazer isso sempre, morreria mais um pouquinho cada vez que o fizessem. O pessoal está mandando melhoras e dizendo que estão com saudades também. Não mais do que eu, claro.''
- E por falar em hospital, médicos e Uruha, — Aoi voltou a guardar o celular, olhando para Reita. – não acha que você e o Felipe se parecem? Quer dizer, ele usa aquelas ataduras no rosto que o deixam mais parecido com você.
- Nisso eu concordo. – Kai disse veemente. – Claro que eu não acho que as ataduras são um cosplay seu, mas vocês realmente são parecidos. E o sobrenome faz jus a isso.
- Acham que somos parentes? Meus pais nunca me disseram nada desse tipo.
- Pode ser que sim e que não. Mas que parece, parece. – Aoi sorriu de lado ao terminar de falar, tomando seu aparelho celular em mãos novamente.
''Oh não, podem ficar tranquilos, eu estou bem de verdade. Quer dizer, pelo menos enquanto as crises não aparecem. Mas, fora elas que são até normais dentro do tratamento, quero que vocês fiquem bem aí e sem se preocupar tanto. Eu estou em boas mãos. ''
Aoi sorriu, despedindo-se de Uruha e desligando o celular, voltando um pouco para a realidade enquanto se encaminhava com os outros para a companhia. Mais alguns nomes ainda estavam na lista e ao mesmo tempo em que os quatro desejavam que nenhum conseguisse, torciam para que ao menos um fosse bom o suficiente.
Precisavam encontrar alguém mesmo que seus corações lhes dissessem que aquilo ia machucar dolorosamente, subir no palco levando o estandarte do the GazettE utilizando uma pessoa de fora que não era aquela que lhes acompanhou durante aqueles nove anos. Mesmo que quisessem mascarar, que sua amizade estivesse além de qualquer contrato e que jamais deixariam quem fosse para trás, o sentimento de abandono era forte em seus corações.
Ainda que trocassem mensagens, que estivessem relativamente perto do hospital e que se organizassem sua agenda poderiam visitá-lo, não poderiam lhe trazer de volta para a companhia, onde era seu lugar, para frente de suas amadas guitarras, que agora descansavam em seus pedestais em seu apartamento vazio e sem vida.
Não, não era nada fácil lidar com aquilo. Os quatro precisavam ser fortes, mas ninguém lhes dera um manual de como o ser. Ninguém os estava ali amparando e ajudando a segurar seus problemas, eles quem o faziam com as experiências que tinham adquirido durante seus trinta anos, exceto por Ruki e Aoi.
Para cada um deles a dor daquela decisão, daquela obrigação, caía de uma forma diferente. E ser forte, na teoria, é algo que todos são. Mas por dentro, no íntimo de cada um, em seu coração e alma, só eles sentiam como aquilo sufocava, tornando quase impossível a respiração normal e completa, como se cada inspiração significasse uma força maior para os problemas.
Mas, ainda assim não podia se deixar abater. Precisavam se segurar e manter a postura, ainda que a tentativa de provar para si mesmos que estavam bem fosse como dar murros em pontas de faca achando que uma hora não doeria mais. Mas se enganar, num momento como esse, onde precisavam pisar em ovos para não quebrarem, era quase como cometer o mesmo erro duas vezes e achar que seria diferente.
Entretanto, nada, nenhum pensamento podia ser mais forte do que a obrigação, e novamente caminhando em silêncio, viram-se diante da porta do auditório, encaminhando-se para seus lugares mais uma vez, tentando encontrar aquele tal guitarrista, que sem saber estava ajudando a banda e quebrando corações.
Não que a culpa fosse do provável escolhido, isso jamais. Eles tinham um compromisso a seguir e precisavam lidar com aquilo racionalmente. Não era fácil? De maneira alguma. Mas não era como se qualquer argumento vindo do coração fosse maior do que o contrato que eles tinham. Não gostavam daquilo, mas não tinham alternativas.
- Número onze, por favor, venha até o palco. – E a voz grave do empresário se fez presente. Era hora de botar novamente a máscara da frieza.
...
- Nenhum. Quantos ainda temos? – Kai indagou visivelmente nervoso e apreensivo.
- Temos mais quatro e um que chegou agora a pouco e não foi possível colocar o nome. Imaginam quem seja? – O empresário fitou os quatro, mas nenhum parecia ter uma resposta.
- Os que eu recomendei já foram todos. – Reita anunciou, seguido por Ruki.
- Então faltam meus e do Kai.
- Certo. – O líder tomou a frente. – Acha que algum deles pode ajudar?
- Admito que nenhum seja profissional com a banda que tem, mas sua capacidade é boa. Vamos torcer.
- Temos alguma alternativa secundária? – Reita não queria imaginar que precisariam sair correndo para cumprir prazos de algo tão doloroso.
- Temos um que eu não quero precisar usar. – Koga suspirou recostando-se ao banco.
- E qual seria?
- O Uruha, Ruki. Nem todos os contatos dele estão aqui.
Aoi sentiu uma fisgada na cabeça e os outros não podiam acreditar no que ouviram. Se existia crueldade e era possível matar uma pessoa na unha, chamar Uruha para ajudar seria uma junção horripilante das duas.
- Então, — Koga anunciou. — vamos torcer para o nosso escolhido estar entre os cinco que faltam. Pelo bem da banda, e da saúde do Uruha.
...
- Muito bem, candidato surpresa, favor comparecer ao palco.
Os cinco ali sentados estavam com os dedos cruzados. Pedir a Uruha seria como partir seu coração e pedir desculpas descaradamente achando que as coisas permaneceriam da mesma maneira seria hipocrisia. Não podiam arriscar sua saúde tão delicada com uma decisão importante como aquela, prefeririam pedir ajuda de casa em casa do que serem cruéis a tal ponto.
Mas, no meio da tempestade em que estavam, quando cada ínfimo canto estava preenchido de tormentas fortes e incessantes, sua esperança apareceu por entre as cortinas pesadas de veludo vinho, trazendo consigo uma solução para alguns de todos os problemas que tinham.
- Sugizo... San. – Kai disse num sussurro enquanto o homem a sua frente sorria amavelmente, carregando sua guitarra presa à correia e uma sacola em uma das mãos.
- Desculpem a demora, o Toshi perdeu as cartas e até eu e o Yoshiki acharmos demorou muito tempo.
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