You Are Not Alone
45 Feliz...
Notas iniciais
Oiee *-*
Capítulo rápido nee? Eu me perdi nos dias e achei que ainda era dia 19, mas tudo bem, chegou agora ♥. Os reviews que faltam responder do cap anterior eu respondo depois porque me bateu um surto de inspiração e eu ja to quase começando o capítulo 51 *-*.
E claro, como sou malvada e adoro deixar vocês na ansiedade vou divulgar os caps dos três lemons que faltam:
- Lemon Reituki: Capítulo 47 (Ta chegando 8D e ta enoorme *-*)
- Primeiro lemon AoiHa (fofinho e tudo o mais): Capítulo 56
- Segundo lemon AoiHa (Pole dance): Capítulo 59.
Acho que por hoje é isso, boa leitura amores ♥.
Depois de ter jantado, Uruha, Aoi e os pais se sentaram na sala para jogar alguma conversa fora e ver tv. Aoi já havia se acostumado com o fato dos Suzuki's não ligarem caso os vissem abraçados e não demorou a se acomodar com Uruha, abraçando-o e sendo abraçado, depositando um beijo na testa do Takashima que lhe sorriu enquanto a calefação ajudava a aquecer a casa e deixar os ambientes confortáveis.
Do lado de fora, àquela hora, — Passava das nove. -, o vento ficara mais forte, chocando-se com alguma violência na casa e os noticiários avisavam sobre possíveis quedas de força, já que a neve poderia fazer peso nos fios de alta tensão e os derrubar. Era assim o ano todo, mas estavam acostumados com a voracidade das tempestades, fossem as chuvas do verão ou as neves do inverno.
Akemi havia separado algumas velas e cobertores de sobra, já que sem energia a calefação não funcionaria, e estava frio demais para se arriscar. Não havia lareira na casa então apenas o sistema elétrico e os cobertores para darem conta da noite gelada e das temperaturas que poderiam cair ainda mais durante a madrugada.
Claro que estavam otimistas e torciam para que nada acontecesse a eletricidade e durante todo aquele tempo em que ficaram conversando tudo estava normal. Por volta das onze um bocejo de Uruha se fez presente e os três o fitaram concordando mudamente que estava mesmo ficando tarde. Com algumas despedidas Takashi desligou tudo e os quatro subiram já visando emaranhar-se em suas cobertas quentinhas.
Aoi novamente ficou num futon ao chão, equipando-se com mais algumas cobertas. Tão logo disse boa noite para Uruha pôde ouvir sua respiração compassada e o relicário cintilando sobre a luz da lua, a corrente dourada e o coração de mesmo tom e tamanho quase médio sem muitos adornos, uma linha realmente masculina.
Sorriu e se virou para um lado que ficasse confortável, ajeitando-se sobre o colchão e se encolhendo entre as cobertas, também adormecendo poucos minutos depois.
xXx
Dia 23, manhã, Tokyo
Naquela semana em que Aoi se agarrou a ideia de Reita para ir até Kanagawa a maioria das lojas, shoppings, e centros comerciais num geral estavam aderindo ao natal, decorando ruas, prédios residenciais e empresas, docerias, muitos lugares em que era possível colocar os enfeites. As lojas já começavam a comercializar os produtos, e com todas aquelas variedades de objetos não tinha como não se encantar e querer comprar tudo.
Se você fosse um comprador compulsivo certamente deixaria boas notas em cada lugar que entrasse. Mesmo que muitos ali não comemorassem a data e fosse um dia como outro qualquer, o encanto que aqueles objetos luminosos e detalhados emanavam era quase irresistível e muito tentador. E uma oportunidade de ouro para Ruki, claro.
Logo que tomou coragem para levantar naquele primeiro dia de folga tomou um banho lento e acolhedor, já que do lado de fora o frio estava intenso. Vestiu roupas quentes, estas que não esqueceu de levar para o apartamento de Reita. Lá era praticamente seu lar agora, apesar de toda a dificuldade para não levantar suspeitas.
Durante a semana raramente dormia lá por causa de seu cachorro e sua própria casa que precisava de cuidados. Mas, era chegar sexta-feira ou feriados e folgas que os dois lados da cama de Reita se enchiam. No verão era desconfortável algumas vezes, já que tinham o costume de dormirem abraçados mesmo que estivessem pingando de suor, mas quanto o tempo esfriava e os edredons eram obrigados e sair de seus esconderijos as noites ficavam ainda mais confortáveis e acolhedoras.
Aquele cheiro próprio emanado de Reita era um prato cheio para Ruki. Estava se arrumando, terminando de enxugar o cabelo para colocar uma touca enquanto divagava. Tinha esse costume desde que Akira tomara conta de seus pensamentos e depois desse tempo todo se perguntava como se continha tanto. Além do medo, o que mais o fazia não arrancar as próprias roupas e as de Reita e consumar aquilo de uma vez?
Desejo não faltava.
— Então é frescura mesmo. – Riu de si mesmo enquanto a ideia começava a se construir em sua mente.
Reita ainda dormia tranquilamente e não dava a impressão de que ia levantar tão cedo. Fora dormir meio tarde no dia anterior e Ruki não pretendia lhe acordar. Ajeitou o edredom melhor sobre o corpo adormecido e saiu sem fazer muito barulho, encostando a porta. O quarto ainda estava levemente escurecido, não passava das sete direito.
Era quase uma raridade quando estava de folga, mas Ruki não descansaria enquanto alguma coisa martelasse em sua mente. Seria uma forma de se aproximar de Reita e poder abusar de suas mãos bobas enquanto ele o ajudasse a montar a árvore. Não era lá um costume muito adotado por ele, mas não era lá um problema se lhe garantisse boas apalpadas em certos lugares.
De algum jeito tinha de compensar os dias perdidos e nada melhor que castigar seu adorável – E sexy. – namorado dando alguns apertões suspeitos onde quisesse. Na situação em que se encontravam era quase como um aviso em néon: 'Hei estou quase pronto, apertar as suas genitálias é uma forma indiscreta de dizer que vamos transar logo'.
A dor que fosse colocada num lugar de onde não saísse mais.
Não que estivesse pensando bem nela, de fato. Aproveitava enquanto degustava um copo de café quente para contar as notas em sua carteira e verificar se não estava esquecendo nada. Havia pedido um táxi que estava quase na hora de chegar. Aproveitara para deixar um bilhete escrito em cima da mesa e tão logo terminou o café, desceu.
Hora das compras.
xXx
Kai era como um espelho de Reita. Também era surpreendido pelo namorado, que o esperava dentro do carro na noite do dia 22 e quase lhe matou de susto quando o puxou para dentro do veículo. Veja bem, estava escuro, passava das oito da noite e era o único carro em frente ao prédio, e um que Kai nunca tinha visto. Estava cansado de mais um ensaio e como havia voltado de táxi e precisou descer no começo da rua achou que fosse algum bandido. O sono o impedia de identificar que aquele carro era de Miyavi. Precisou que ouvisse boas risadas dele pra poder relaxar e se dar conta de que até Lovelie estava lá, no banco de trás.
Depois de muitos beijos e juras de morte por sua parte ele acenou para o porteiro que o havia visto ser puxado para dentro do carro e mostrou que estava tudo bem. Miyavi também deu um 'tchau' para o homem uniformizado que acabou rindo quando os dois saíram de sua vista.
Agora Kai dormia ao lado de Miyavi e com Lovelie entre os dois. A menininha já estava grandinha e quase para completar cinco meses. Ficava mais adorável a cada dia que passava e todo o cuidado de Miyavi lhe garantiu uma ótima saúde. Mal parecia que o tempo havia passado e Kai a encontrou com um mês completo, tão pequenina e encolhida.
Mal lhes dava trabalho, ao menos nos dias em que Kai passara lá nunca presenciou algum escândalo ou choradeiras por horas a fio. Talvez o ambiente sossegado ajudasse. Apesar de que com a chegada do natal ela certamente iria se agitar mais, principalmente por conta da árvore de natal que Miyavi havia encomendado junto com os enfeites. Podiam prever todas as bagunças e bolinhas jogadas por aí, fora as que corriam risco de pararem em sua boca.
Seria uma bagunça e tanto. Mas, por enquanto, ainda estavam embriagados pelo sono e como era relativamente cedo todos esses momentos ficariam guardados para dali mais algumas boas horas.
xXx
Ruki havia chegado à primeira loja, feliz por, a princípio, não ter sido identificado. A vendedora o pareceu reconhecer, mas o tratou como um cidadão comum, para sua sorte. Queria passear sem precisar fugir ou ser alvo de fotos, poder fazer tudo com calma. Mais um motivo para ter escolhido ir cedo. Seu celular acusava dez para as oito e a loja estava praticamente vazia.
Reita havia lhe mandado uma mensagem há alguns minutos o surpreendendo por sim, ter acordado cedo. Mas, como era segredo tudo que respondera foi que teria uma boa surpresa. Agora, surpresas vindas de si sempre traziam algumas coisas um tanto quanto peculiares que com certeza tornariam aquele dia 23 marcante.
Descobrira pelo próprio Reita que Aoi já havia saído para ir à Kanagawa e Takanori deixou anotado na agenda de seu celular mandar uma mensagem para ele perguntando como estavam as coisas. Enquanto isso fitava com certo interesse todas aquelas árvores. Só que apenas agora notava o lado ruim de seu plano: Era baixo. E sabia que subir numa escada renderia piadas vindas de Reita.
'- Se bem que...' – Pensou. Talvez não fosse tão ruim assim. Mais um motivo, na verdade, para suas inquietas mãos passearem por aquele corpo.
Sorriu fechado.
— Aquela ali, por favor. – E apontou para a maior árvore da loja fazendo os olhos da vendedora brilharem.
O próximo passo agora eram os enfeites. Bolinhas, pisca-pisca, e todos os outros adornos que compunham a decoração do item mais natural do natal, como descobriu fazendo algumas pesquisas sobre a data em outros países, os que comemoravam com aqueles banquetes, presentes e tudo o mais.
Apesar de não ligar tanto para aquilo sua veia crítica não parava de pulsar mandando-o comprar enfeites que combinassem de fato e tivessem de alguma maneira a ver consigo e com Reita e não qualquer coisa, como chegou a pensar em fazer só para passar o tempo com Akira. Mesmo que quisesse fazer pouco caso seu senso crítico estava ali para atormentar.
Decidiu-se, portanto, empenhar-se mais naquelas compras. A árvore seria entregue no apartamento ainda naquele dia, mas pediu num horário que já estivesse lá para evitar comentários sobre Reita receber o item. Não pretendia de fato demorar, sorte que achara tudo que precisou logo na segunda loja.
Tudo muito apreciativo, claro. Se pudesse, gostasse e fosse um pouco mais insano compraria a loja toda. Mas, seu nível de sanidade ainda era normal e não compraria mais do que precisava. Não que tivesse sido pouco. Mas, aquilo era um gasto necessário. E também uma forma de passar o tempo com Reita se divertindo.
Era como se ares novos estivessem pairando sobre os dois, seu relacionamento estivesse finalmente entrando em todos os eixos, já que apesar de instável era parado até demais. Ruki se indagara por várias vezes como Reita era tão paciente com aquilo. Momentos calmos eram sempre bons, claro, mas aquela calmaria toda mais parecia o mar morto. Na visão de Ruki era simples: Palavra de mais, gestos e ações de menos. Principalmente de sua parte.
E queria mudar aquilo.
...
Reita estava embasbacado.
— Pra que uma árvore desse tamanho Ruki?
- Por nada. – Desferiu um tapa não muito forte, mas audível no traseiro de Reita. – Foi sem querer. – Ainda fitava a árvore já montada num canto da sala.
E aquele ato pervertido respondeu a pergunta de Reita.
xXx
O dia fora frio, mas não nevava mais. Ruki recebera uma mensagem de Aoi à tarde avisando que Uruha estava no hospital recebendo mais quimioterapia, mas que de acordo com Akemi tudo estava bem. A arvore havia sido deixada um pouco de lado para que almoçassem e Reita pudesse imaginar as idéias mirabolantes que Ruki e seu sorriso sacana estavam planejando para assim que começassem a mexer nos enfeites.
Na casa de Miyavi os três haviam começado um pouco mais cedo. Sim, três, porque Lovelie já havia jogado um número significativo de bolinhas pela sala para ser considerada uma 'ajuda' para enfeitar a casa. Logo que almoçaram começaram a mexer nas coisas, ainda estranhando os próprios atos, de alguma maneira.
- Eu acho que só fiz isso uma vez. – Kai comentou recolhendo três bolinhas que estavam próximas de Lovelie. Ela engatinhava um pouco, às vezes se arrastava, e no momento estava por cima de um tapete felpudo deitada de barriga para baixo tentando pegar uma bolinha que insistia em escorregar por conta das luvinhas que usava. – E faz tempo.
- Eu também nunca fiz muito. Parece estranho fazer isso.
- Ao menos é bonito. – Sorriu. – E deixa um ar mais gostoso no lugar. Talvez seja por isso que os ocidentais tenham o hábito de montar as árvores.
- Quero ver quando ligar o pisca-pisca, se a gente não tomar conta a coitada da árvore vai despencar.
Viraram ao mesmo tempo para o alvo em questão que mordia a ponta da bolinha. Miyavi balançou a cabeça negativamente e com gentileza retirou das mãozinhas enluvadas, entregando outra coisa para ela. Por sorte fazia barulho e logo a bolinha babada foi esquecida.
- Baba de bebê. – Olhou com uma careta para o objeto. – Que nojo. – Kai riu.
- Você troca fralda e tem nojo de baba? – Sentou-se no sofá e pegou uma das embalagens com as pequeninas lâmpadas, mencionando desenrolar aquele fio verde escuro. Hora de testar a paciência.
- É melhor ter nojo da baba do que da sujeira e não querer trocar a fralda. – Sentou-se do lado de Kai, que riu novamente.
- Você não teria coragem, teria?
Miyavi deu de ombros.
- Não faço ideia. Acho que não, mas não ter nojo ajuda bastante.
...
- Eu disse que aí não, Akira. – Novamente a palma de sua mão foi parar numa das nádegas de Reita.
Uma hora se passara desde que começaram a decorar a árvore, iniciando por cima. Reita havia subido numa cadeira para alcançar o pico da árvore há mais ou menos vinte minutos e seu traseiro provavelmente estava vermelho de tantos tapas que levara. Claro que não foi difícil descobrir o porquê de tudo, árvore grande, enfeites, interesse de Ruki nisso, cadeira e um falso desagrado. Fitou-o.
- Eu vou te matar Ruki, pode esperar. – Desceu da cadeira e se sentou, cruzando os braços. Ruki também o fazia e o encarou com sua melhor expressão inocente.
- O que eu fiz Aki? Só disse que eu queria a bolinha em um lugar e você colocou no outro.
- Aham. – Reita arqueou uma sobrancelha. – Eu sei bem que tipo de coisa você disse.
- Não disse nada demais. – Disse descaradamente. – Eu só queria decorar a pobre da árvore desconsolada. – Um bico se formou em seu rosto e Reita acabou rindo.
- E queria marcar a minha bunda de tanto bater.
- Impressão sua.
Reita ia contradizer, mas Ruki não permitiu, não com palavras, mas sentando-se em seu colo de frente, as pernas separadas encostando nas pernas da cadeira. Encaravam-se em silêncio, os olhos puxados encarando-se sem medo, neutros. Um ar quase sexual começara a pairar sobre suas cabeças e apenas as respirações produziam som.
Reita sem perceber prendera a respiração e ofegava um pouco, cadenciando-a novamente. As mãos foram parar na cintura delgada e pequena, as de Ruki caídas desleixadamente por trás de suas costas, já que os braços estavam displicentes e soltos por seus ombros.
- Impressão minha é? – Disse baixo com medo de quebrar o clima. – E qual seria a verdadeira razão?
- Não pensei muito bem nisso. – Ruki comentou também baixo. – Realmente te tocar de modo pervertido, fazer algo diferente, jogar bolinhas em você. – Reita sorriu. – Um monte de coisa.
- E o principal? – Agora sua mão estava acarinhando a lateral do rosto de Ruki.
- Te apalpar.
Reita riu. No fim das contas ele realmente sabia. Mas, não tinha porque não se deixar aproveitar. Colocara menos de dez bolinhas por causa daquilo, mas quando se focassem realmente decorariam mais rápido. No momento queriam aproveitar da companhia do outro, beijando-se depois de mais alguns segundos se encarando.
Parecia diferente, apesar de não ter nada de novo. Não era a primeira vez que se beijavam com altos teores sexuais pairando sobre suas cabeças. Apesar de ainda não terem se deitado de fato suas mãos já haviam percorrido o corpo alheio sem problemas, intimidade entre eles era o que não faltava.
E Reita podia sentir as mudanças em Ruki. Era como se uma contagem regressiva tivesse se iniciado para Takanori e ele só precisasse das horas que viriam para ter certeza da própria decisão. Se estivesse realmente pronto – E por mais que pudesse soar infantil Reita não tinha problema em respeitar aquilo. – Akira já podia sentir os pêlos de sua nuca eriçando.
Assim como Ruki nunca escondeu seu medo ele nunca escondera seu desejo de tomar aquele corpo menor que o seu de todas as formas possíveis. Mais do que um momento de prazer significava a realização de um desejo e uma superação pessoal. Seria especial.
Encararam-se depois de findar o ósculo, sentindo-se mais leves. Trocavam diálogos mudos enquanto os orbes fitavam-se, perguntas sendo respondidas sem haver necessidade de qualquer palavra ser pronunciada. Por fim Ruki sorriu e abraçou Reita com vontade, sentindo um beijo ser depositado em sua cabeça.
- Eu te amo. – Disse Ruki.
Dia 24
Akemi respirava aliviada. Acordara mais cedo do que de costume quando ouviu a nevasca forte que caía, surpreendendo-se pela provável altura que o acúmulo da neve atingira. Tão logo havia ligado a tv e o noticiário avisava a todo o momento para que as pessoas não saíssem de casa, já que muito provavelmente a altura da neve aumentaria e era arriscado.
Uma das primeiras coisas que fez ao se deparar com aquela notícia fora verificar os remédios de Uruha, seguido do que tinha guardado na dispensa. Só então conseguiu se acalmar, tinha comida suficiente para alguns dias, caso a nevasca não passasse. Não era comum, mas sabia ser tolice desafiar a natureza.
Takashi levantara algum tempo depois, também surpreso pelo péssimo tempo. O risco de faltar energia estava presente e assim como Akemi tomou algumas medidas de segurança separando velas e o que mais fosse necessário, também não era dos que desafiava a natureza.
Deixou tudo na sala dentro de uma caixa e se acomodou no sofá ainda vendo o noticiário. Podia sentir o cheiro do que parecia ser bolo e biscoitos que Akemi costumava fazer e sua barriga quase que imediatamente começou a reclamar de fome e não pôde deixar de rir.
- Sua comida faz a minha barriga ter vida própria, Akemi.
- Vou parar de cozinhar então. – Brincou, sentando-se a seu lado. – Que acha?
- Acho uma péssima ideia. – Riu. – Mande as suas comidas não terem mais cheiro.
- Vou me lembrar de procurar meu livro de magias e tirar o cheiro das comidas, me aguarde.
Riram despreocupados, enquanto o noticiário transcorria e Akemi marcava a hora de retirar o bolo e os biscoitos do forno.
No quarto de Uruha Aoi fitava o teto ainda encolhido sobre os cobertores. O relógio marcava oito horas e havia acordado há quase meia hora, mas permaneceu em silêncio ouvindo a geada chocar-se contra a janela e vez ou outra Uruha se mover na cama.
Apesar de parecer pensar no ex-loiro, não o fazia. Eram apenas divagações avulsas, claro que às vezes Uruha aparecia, mas não era o foco. Na verdade nada o era. Mas, gostava de refletir. O natal lhe fazia agir daquela maneira com mais facilidade e coisas que aconteceram há anos, às vezes voltavam.
Raphael também acabou ocupado um espaço significativo em sua mente. Acreditava nas palavras de Uruha, como o havia dito não confiava no loiro. Mal o conhecia, mas entendera que o outro sabia de si. De certa forma lhe fazia sentir especial, confortável. Era inseguro, apesar de que não conversava muito sobre isso, já que tinha a sensação de irritar. Então alguns atos como o de Raphael saber de si lhe fazia bem.
Não pretendia voltar no assunto com Uruha, já estava praticamente esclarecido. Passar alguns dias ali seria bom para retornar com mais força para a companhia e a turnê imposta pela mesma. Mas, nada que quisesse colocar a frente da paz e o silêncio que o rodeava.
Ao menos até um barulho perto de si o fazer sentar no futon com um pulo.
- Ai... Droga. – Uruha praguejou, sentando-se perto do futon. – Não ria Aoi.
Mas, era praticamente impossível. Aoi arrumou a touca que estava quase caindo pela queda e desatou a rir, recebendo empurrões de Uruha.
- Você ta bem? – Conseguiu perguntar enquanto ria, ajudando-o a vir para ao futon.
- Não sei. – Disse emburrado. – Se eu tivesse me quebrado você ia rir?
- Depois que você estivesse bem, sim.
Aoi recebeu uns tapas, mas não deixou que Uruha voltasse para a cama. O puxou e mesmo com alguns praguejares baixos o trouxe para seu colo e abraçou a cintura delgada, beijando-lhe uma das bochechas.
- Não seja chato Uru. E agradeça por não ter se machucado, nem teria como te tirar da casa.
- É? – Virou-se para Aoi, só então ouvindo a nevasca e endireitando o corpo, fitando a janela escondida atrás das cortinas. – Vendo por esse lado eu dei sorte mesmo.
- Viu? Então não faça caso com a minha risada.
- Vou fazer com você. – Conseguiu finalmente se soltar, pegando a roupa que havia ao pé da cama. – E não me veja sem roupa.
- Bem que eu gostaria de ver. – Uruha o fitou de imediato, mas o que viu foi o Aoi sério que conhecia. – Queria saber o que mudou. Eu nunca te vi sem camisa ou calças antes de estar doente, mas parece que agora tem alguma coisa muito feia em você.
- Na verdade não. – Soltou um suspiro cansado. – Eu que tenho a impressão de estar feio, horrível. Acho que eu fiquei mais branco só. Se quiser ver...
Aoi quase podia pegar a confiança que estava crescendo novamente em Uruha. Apesar de a luz estar apagada, conseguia ver bem o outro e permaneceu em silêncio conforme o via tirar a parte de cima do pijama, confirmando o que o próprio Takashima havia dito: Estava apenas com uma cor um tanto anêmica, pálida.
- Muito feio? – Perguntou ao terminar de se agasalhar, tirando Aoi de seus pensamentos.
- Nada fora do lugar. – Riu fraco. – Pelo menos agora venci te ver sem roupa e sem touca.
- Eu acho a touca pior. Mas, também me acostumei com ela.
- Ainda bem.
Aoi sorriu e também se levantou pronto para se trocar. Fizeram a higiene matinal e constatou que seu cabelo mais curto era realmente fácil de arrumar, precisando apenas passar um pente rápido e finalizar usando os próprios dedos para tudo ficar no lugar.
Desceram alguns minutos depois se juntando à Takashi e Akemi para tomarem café e iniciarem mais um dia que prometia ser realmente frio.
xXx
Kai e Miyavi também haviam acordado cedo e acompanhavam da mesma forma o noticiário enquanto preparavam o café e Lovelie dormia num carrinho, — Daqueles modelos especiais para descansar. — também na cozinha. No dia anterior tiveram que ficar no segundo e terceiro andar porque ela queria fazer bagunça com o pisca-pisca e quase trouxe a árvore abaixo.
Só depois que se acalmou de vez os dois puderam ver o bonito trabalho que fizeram, a árvore estava impecável, luminosa e tornara a sala mais aconchegante. Miyavi havia deixado apenas o pisca-pisca iluminar o ambiente, e como colocara no modo que não piscava, tampouco era colorido, a iluminação média da sala o ajudou a convencer Kai a fazer amor ali mesmo, pelo sofá.
Mas, como Lovelie não tava de bom-humor naquele dia não conseguiram nem mesmo ter um orgasmo, o choro no meio do ato os fez rir como loucos depois que Miyavi a fez dormir novamente, mas já estavam desanimados para tentar de novo.
Não deram tanta importância, apesar de Miyavi ter deixado claro que a coisa só tinha parado por um tempo e logo voltariam a se pegar pelos cômodos espaçosos nem que Lovelie – Como havia dito. – fosse colocada do lado de fora.
- Você não teria coragem. – Kai riu, ajudando-o a guardar a louça do café.
- Teria sim. – Disse um pouco hesitante, o que só ajudou Kai a rir mais. – Não me desafie.
- Eu não vou. – Terminara de guardar os itens em sua mão. – Acredito que você tem coragem de fazer algo assim mesmo, mas não com a Lovelie.
- É acho que com ela não. Mas, acho que só com ela.
Kai arqueou uma sobrancelha.
- Isso é um aviso para eu ir embora correndo?
Miyavi riu. – Não. É exatamente o contrário. Um aviso de que se você for embora correndo depois disso vai dormir do lado de fora quando voltar.
- Melhor eu não voltar então.
Riu da cara de Miyavi que o seguia para a sala vocalizando diversos 'não'. Kai o havia pegado.
- Então não diga que eu vou dormir pra fora.
- Você não vai dormir pra fora. – Abraçou-lhe a cintura, depositando um beijo na bochecha.
- Ainda bem, se não só ia poder vir no verão. – Colocou o carrinho de Lovelie perto do sofá e se virou para Miyavi que ainda o abraçava na altura da cintura.
- Muito tempo, nem pensar. – Deu-lhe um rápido beijo. – Mas, a gente bem que podia terminar de ter o nosso orgasmo que a Lovelie-chan interrompeu.
Kai pareceu pensar por um momento até abraçar Miyavi na altura das omoplatas, trazendo-o para perto.
- Parece uma ideia muito tentadora. – Lambeu os lábios, beijando Miyavi logo em seguida, que tentava dizer entre o ósculo:
- Parece que alguém aprendeu direitinho comigo.
xXx
Reita e Ruki haviam conseguido finalmente decorar aquela árvore. Começaram de fato no dia anterior logo depois da janta, mas eram muitas coisas e foram dormir com parte do trabalho para encerrar, um pouco mais da metade para ser feito. Ainda assim o terminaram rapidamente logo após o café e a mão 'com vida própria' de Ruki não parara de bater em Reita.
Não parecia que reclamar ou algo parecido fosse ajudar, na verdade não o faria mesmo. Poderia provocar Ruki a fazer mais ainda, mas não parar. Ao menos haviam terminado, não que a mão pecaminosa fosse um problema, claro.
- Gostou? – O próprio Reita perguntou, dessa vez a mão passeando pelas nádegas de Ruki.
- Acho que de alguma forma não tinha como não gostar. – Sorriu abraçando a cintura de Reita. – Eu até que gosto do natal.
- Achava que não. – Sentaram-se e Reita ligou a tv, colocando em qualquer canal. Estava mais interessando em seu pequeno.
- Eu gosto do sentimento que vem junto. O amoroso, eu digo. – Completou ao ver que Reita não entendia.
- E desde quando você é tão romântico? – Os dedos embrenhavam-se por entre os fios num carinho suave.
- Desde que você me chamou pra sair. – Estavam abraçados e Reita não conseguia ver seu rosto, mas um calor gostoso apossou-se de seu coração ao ouvir aquilo. – Eu me senti diferente, queria te agradar de algum jeito. E me meti nessa situação depois que aceitei almoçar com você: – Riu baixo. – Estar aqui sem palavras e dando um pouco mais de importância para o natal. Que eu faço com você Suzuki Akira?
Seu rosto estava perto do colo de Reita e podia sentir o perfume de sua camisa perfeitamente. Seus dedos tamborilavam levemente pela região da cintura. Gostava de sentir Reita em seus dígitos, era quase como um vício absurdamente necessário. Ainda assim o silêncio dele o incomodou um pouco, só não se achou patético porque sabia que ele não zombaria de si.
Acabou erguendo a cabeça quase desesperado, mas franziu o cenho ao sentir uma lágrima no espaço entre seus olhos. Devia ter imaginado. Reita era mais do que aquele baixista sexy que usava roupas provocantes: Era o ser humano mais fascinante que conhecia.
- Quando for me dizer essas coisas me avise antes. – Enxugou as que ameaçavam cair. – E eu não faço ideia do que você pode fazer comigo. Quem sabe não me largar nunca?
- É uma ótima ideia. – Ruki sorriu e o puxou para mais perto, beijando-o rapidamente. – Te amar pra sempre também pode se encaixar nisso.
Reita sentiu outra lágrima escorrer por seu rosto.
- Eu te amo Ruki. – Declarou, entrelaçando os próprios dedos com os menores.
- Eu também te amo Reita. – Dessa vez era de seu rosto que escorria uma lágrima.
xXx
Os ponteiros haviam finalmente acusado meia-noite. Era natal.
- Feliz Natal. – Disseram os 4 em Kanagawa.
...
- Feliz Natal. – Disseram os 2 no conjunto particular em Tokyo acompanhados da pequena e terceira integrante do grupo.
...
- Feliz Natal. – Disseram os 2 no apartamento em Tokyo.
Depois de um ano tortuoso e complicado haviam conseguido chegar naquele dia lutando para se equilibrar na corda bamba que era a vida. Apesar de todos os problemas e alguns ainda não estarem resolvidos já podiam se considerar vencedores. Com tudo que enfrentaram de cabeça erguida por mais que em alguns momentos a vontade fosse fugir mereciam desfrutar da melhor forma possível às horas daquele dia.
Fosse em Kanagawa ou Tokyo, com ou sem árvore, com ou sem a saúde em perfeito estado. Estavam juntos em pensamentos, no coração nas promessas que não vocalizavam, na vontade de tudo melhorar para o próximo ano. E em comum o desejo de tocarem juntos novamente, este desejo sendo compartilhado por Aoi e Uruha, Miyavi que leu nos olhos de Kai e Reita e Ruki apenas com o olhar, nenhuma palavra sendo necessária.
Era quase como um sonho. Um sonho que pretendiam realizar juntos: Encerrar aquela turnê como o verdadeiro the GazettE. Desejariam com força, lutariam até onde seus braços e opções podiam alcançar e com certeza o realizariam. O desejo mais forte para o próximo ano, e que os ares vindos com o natal abençoassem aquele sonho.
Era natal, sonhar era sim uma opção.
Fale com o autor