Notas iniciais
Oioioi voltei q
Nyah nesse acho que não tem mesmo muito o que comentar. Só aproveitem, sim? ♥
Boa leitura.

Uruha havia ido para a sala cirúrgica colocar o cateter depois de duas horas de conversa descontraída com Aoi e estava totalmente relaxado, ao ponto de quase ter dormido quando tomou a anestesia local. Claro que aquilo preocupou os médicos, mas o guitarrista disse que estava apenas relaxado demais.

O que só confirmava o poder de Aoi sobre si.

Pois bem, depois disso o loiro voltou para seu novo quarto e de fato acabou dormindo, mas por ser começo da noite e ele estar cansado, ainda por causa da anemia, que estava sendo curada, mas com o início da quimioterapia tinha risco de voltar novamente.

Claro que ele não estava mais naquele estado deplorável de quando Reita o encontrou em sua casa há mais de uma semana atrás, mas ainda assim estava debilitado.

E todos os outros acabavam sentindo também, visto que dormir num hospital não era saudável para suas próprias saúdes. Mas, nenhum deles arredaria o pé dali por um bom tempo, não importava o que lhes acontecesse, entre aspas, claro.

Reita era como a família de Uruha, não sairia nem arrastado. Aoi o estava começando a amar e não sairia nem se suas guitarras estivessem pegando fogo.

Mentira.

Ruki ficaria pela enorme preocupação com seu Pon e Kai, sendo o líder e mãe dos quatro também não sairia dali tão facilmente, apesar de nesse começo de segunda-feira quase de outono tenha necessitado se ausentar para ir até a PSC. Ligou antes para o empresário e descobriu que ele estava na companhia ainda, o que lhe rendeu um sorriso de satisfação.

Não se demorou e pediu que Uruha ficasse calmo, afinal de contas não tinha mesmo como ele ser expulso da banda por um motivo que nem ao menos era culpa dele. O próprio líder havia ficado internado quando teve problemas intestinais e em nenhum momento lhe foi ameaçado expulsão.

E não era por ser o líder, e sim porque não era algo que estava em controle de suas mãos. Então só restava que Uruha notasse aquilo e não passasse nervoso por motivos relativamente desnecessários. Viktor começaria sua quimioterapia naquele dia e o guitarrista definitivamente não poderia estar com os nervos alterados.

Por isso Kai praticamente voou do hospital até a companhia, encontrando quase todos os Staffs, e claro, seu alvo na sala de descanso da banda.

Estava um pouco ofegante porque saiu correndo quando adentrou a PSC, sentando-se ao lado de Koga-san e respirando até normalizar o ato.

— Kai, que aconteceu? – O empresário entregou uma garrafinha de água para o músico, que agradeceu com um menear de cabeça. – Por que toda essa pressa?

- Porque eu preciso ligar para o Uruha e lhe dizer que ele não vai sair da banda.

- E porque isso aconteceria? – O empresário arregalou os olhos, sentando-se de lado e fitando o baterista melhor. – O que está acontecendo?

- Lembra de todos os sintomas que ele estava sentindo?

O empresário assentiu, indicando que Kai continuasse depois de tomar mais um gole de água.

— Estavam todos ligados a uma doença mais séria.

- Doença? E como ninguém percebeu antes?

- Não sei, mas, faz uma semana e três dias que o Uruha está internado com a confirmação de que tem leucemia.

O homem olhou para o líder que lhe encarava sério, tentando, por um segundo que fosse encontrar um tom de brincadeira naqueles olhos penetrantes, mas tudo que viu foi a mais pura certeza emanando de cada poro de Kai.

— Mas... Como?

- Não sabemos Koga-san. – O líder soltou o ar visivelmente, tentando relaxar. – Mas, o maior medo do Uruha nesse momento é que ele seja expulso da banda.

- Não, isso não vai acontecer, mas com uma doença séria dessa está mais que lógico que esse mês de férias não será suficiente para a recuperação dele.

- E esse é o maior medo dele. Até porque o single novo está para ser gravado.

O empresário concordou, levantando-se e andando de um lado para o outro.

— Me diga tudo em detalhes sobre o que está acontecendo, Kai.

O baterista respirou fundo e começou a organizar as situações pelas quais Uruha passou nos últimos nove dias, contando ricamente em detalhes para o empresário, que mais uma vez surpreendeu-se pela atenção do outro para com relação aos ínfimos resquícios de detalhes das situações em que se enfiava. Realmente ele não era o líder por acaso.

— E foi isso. – Kai respirou fundo, encostando-se no confortável sofá da sala de descanso da banda, fechando os olhos por um momento.

- O medo dele é compreensível, qualquer um numa situação como essa ficaria sem muitas reações positivas. Mas, diga a ele Kai que não será expulso da banda. Eu vou falar com todos do Staff e nós vamos rezar por ele, pedindo que melhore logo, e falarei com os meus superiores, passando as informações e assim que possível, organizando uma comitiva.

- Mas, já? Quer dizer, eu pensei que isso fosse acontecer depois que nosso mês de férias passasse. E ainda é preciso falar com o diretor do hospital, não?

- Essa parte burocrática a companhia faz sem muitos problemas. Eu também acho melhor esperar mais um pouco, mas como isso não faz parte só da banda e de mim, entrarei em contato avisando a decisão.

Obrigado, Koga-san.

Kai sorriu e o empresário o retribuiu, pegando um papel em branco que havia perdido pela sala, dobrando perfeitamente até completar um tsuru. Arrumou-o com cuidado, entregando para o baterista em seguida.

— Eu acredito nos mil. – O empresário sorriu primeiro dessa vez, recebendo as covinhas do líder do GazettE como resposta.

- Eu também Koga-san... Eu também.

xXx

Viktor caminhou lentamente pelo corredor que dava ao quarto de Uruha. Havia passado na sala de espera, e como não viu nenhum dos outros membros da banda imaginou que todos estivessem com Uruha. E claro, muito provavelmente por causa da pequena maleta que carregava, contendo a parcial cura da doença de seu paciente.

Respirou fundo tentando não se envolver emocionalmente demais, apesar de ser quase impossível. Quase sempre se envolvia, apesar de não demonstrar. Mas agora, com tantos rostos preocupados e esperançosos, como também era normal, o oncologista acabou sentindo mais que o normal.

Não que realmente fosse demonstrar.

Tomou fôlego uma última vez e abriu a porta, encontrando Reita, Ruki e Aoi. Uruha estava sentado, mas apoiado na parte da cama que se elevava como Felipe o havia deixado. A bacia que havia perto de sua cama, caso ele vomitasse estava ali escondidinha, como se todos não quisessem que fosse necessário seu uso.

O ar estava claramente pesado dentro daquele quarto, como Viktor havia presenciado tantas e tantas vezes. Estava acostumado, apesar do quão cruel isso poderia parecer.

— Está melhor da dor, Takashima-san?

- Sim, agora não dói mais.

- Menos mal. Eu vou aplicar a quimioterapia pelo cateter, então como a operação não tem vinte e quatro horas ainda, pode incomodar um pouco. É que depois de dois meses e nove dias, não dá para esperar tanto.

Uruha engoliu seco.

— Está bem.

- As sessões são bem desgastantes, como eu já havia comentado antes, então você deve ficar com alguém aqui no quarto, e decidirá quem vai ser. Se seu organismo reagir bem, apesar da anemia e de outros sintomas ainda meio agravados, eu autorizo mais pessoas a ficarem, mas isso é você quem escolhe após a autorização. Como é a primeira sessão e você deve estar com um pouco de medo, eu vou ficar aqui com seus amigos o resto do dia, mas amanhã te deixarei com uma enfermeira e quero que o senhor Suzuki me fale toda a história da sua família, para ver se tem ligação com a sua doença.

- Não prefere que eu conte? Assim falo hoje e as coisas são esclarecidas de uma vez.

- Isso iria cansar mais ainda você. É melhor deixar que Suzuki-san nos conte amanhã. Sua saúde agradeceria Takashima-san. E enquanto isso vou começar o tratamento.

Todos estavam apreensivos. Viktor pegou a medicação e caminhou até Uruha, injetando-a no cateter e prendendo a bolsa no apoio para soro. Verificou os batimentos e pressão de seu paciente, que eram exibidos no monitor e baixou um pouco a inclinação da cama para deixá-lo mais confortável.

— Takashima-san, não a veja como um vilão. Talvez os sintomas, que eu vou comentar agora sejam os que mais dão medo, mas a quimioterapia caminha a nosso favor.

Uruha sorriu fechado, assentindo. Viktor então se sentou numa cadeira ao lado do paciente enquanto os outros se sentaram do outro lado da cama, nas poltronas. Não eram muito grandes para não ocupar espaço desnecessário, mas eram confortáveis.

— O mais conhecido e comum de todos é a alopecia, ou queda de cabelo. – Uruha levou as duas mãos à cabeça, fazendo uma careta e levando os outros a rirem.

- Eu tinha esquecido disso, vou ficar careca. – Choramingou.

- E pelo jeito vai fazer esse médico aqui morrer de rir com os choramingos, certo?

Uruha mostrou novamente a língua para Viktor, fazendo todos rir, e rindo em seguida.

— Bem, esse sintoma, é o mais clássico, por assim dizer. Tem ainda náuseas e vômitos, anemia, que no seu caso eu vou fazer transfusão de sangue para aumentar os níveis de glóbulos vermelhos, já que a quimioterapia destrói a medula óssea. E claro, tem o risco de hemorragias e infecções, já que seu sistema imunológico está baixo.

- E tudo isso por um bom tempo, acredito. – O guitarrista sorriu leve.

- A quimioterapia da sua leucemia é realizada de duas formas. A primeira é a redução, que diminui as células do câncer, eliminando quase todas, e assim normalizando a produção das células sanguíneas. Depois tem a de pós-remição ou de consolidação, que destrói por completo as células cancerígenas.

Viktor mencionou continuar, mas respirou fundo, apertando as mãos. Até aquele momento havia sido sincero com Uruha e sabia que não deveria mentir. Mesmo que fosse antiético dar tantas informações assim. Pelo menos em partes.

— Está tudo bem doutor?

- Está sim Reita-san. Estava só pensando nesse monte de informação que tenho jogado em vocês. Como todos estão de verdade?

- Preocupados, apreensivos, com parte do futuro da banda nas mãos da gravadora. – Reita jogou as principais palavras, sabia que todos estavam da mesma forma.

- Espero de coração que a banda não sofra com isso, afinal de contas não é culpa de vocês. Mas, bem, o que eu ainda tenho para falar de grave, por assim dizer, são as estatísticas da cura definitiva da doença.

- São mínimas? – Aoi indagou, preocupado.

- De vinte a trinta por cento dos pacientes apenas se curam de verdade. É pouco, é verdade, mas isso não significa que você, Uruha-san, esteja fora dessa porcentagem.

- E se eu estiver? – O guitarrista apertou as mãos.

- Transplante de medula. É o método mais eficaz para a cura da LMA.

Uruha respirou fundo, virando os olhos e fitando outra coisa. Sua doença parecia lhe ganhar mesmo com todos dizendo que ele se salvaria. Não achava que iria morrer, não era pessimista a esse nível. Mas, pensava que precisaria fazer transfusão sempre e teria de ir periodicamente ao hospital, não se livrando da sombra da leucemia.

Não devia pensar dessa forma, também sabia disso, mas não era como se conseguisse ser tão otimista ao ponto de ignorar tudo que estava acontecendo. Não iria desistir, mas também não estaria sorrindo para os quatro cantos. Tinhas suas crenças e seus medos, e sabia que, enquanto estivesse internado, estaria sobre uma corda bamba de sentimentos e somente seus amigos o ajudariam a se equilibrar.

— Minna-san, voltei. – Kai interrompeu os pensamentos do loiro, chamando a atenção de todos. – E queria que vocês três – Disse, apontando para Ruki, Aoi e Ruki. – viessem até aqui um minuto. E não se preocupe Uruha, você não será demitido. – O baterista sorriu.

Claro que ninguém entendeu nada, mas ainda assim foram. Viktor então se sentou numa das poltronas perto de seu paciente, segurando sua mão e sorrindo amavelmente.

— Vai dar tudo certo... Uruha.

O guitarrista sorriu para seu médico.

— Vai sim.

xXx

— Que foi Kai? – Reita indagou quando todos chegaram ao fim do corredor do quarto do guitarrista.

- O Koga-san disse que ia rezar com todos os Staffs pelo Uruha e isso me fez pensar que nós deveríamos fazer o mesmo. Com certeza faria muito bem para ele. E depois eu converso com vocês sobre tudo que me foi passado.

Os outros três entreolharam-se rapidamente, sorrindo fraco. Deram as mãos e começaram uma pequena prece, pedindo pela saúde de seu amigo acometido. De fato, sendo eles cinco tudo era possível.

xXx

Kai comentou com todos tudo que o empresário havia dito, tendo concordância total de Viktor para participar da comitiva caso fosse preciso, assim como Uruha autorizou que fosse confirmado que ele tinha leucemia e que muito provavelmente o single novo, assim como qualquer outra atividade da banda seria suspensa por um tempo.

Claro que o líder tinha os pés no chão e achava que os chefes acima do empresário podiam querer a substituição de Uruha para algum show, o que balançava bastante os cinco. Eles não queriam que algo daquilo acontecesse, mas sabiam que isso não estava mais em suas mãos.

— Pode parecer grosseiro, mas vocês poderiam esperar um pouco lá fora?

Viktor fitou as horas em seu bip, sendo fitado por quatro olhares curiosos que acabaram assentindo. Claro que nenhum deles entendeu nada a princípio, mas quando ouviram Uruha vomitar do outro lado daquelas paredes, entenderam perfeitamente.

— Você sabia.

- Tinha certa noção. – Por sorte o médico conseguiu colocar a bacia no colo de Uruha a tempo.

- E eu não posso fazer isso no banheiro?

- Só quando estiver sem a mangueira do soro ligada a si.

- Lembrarei disso, e obrigado por pedir que saíssem. Ainda ficaria constrangido. – O guitarrista sorriu.

- Aos poucos você se acostuma. Até porque eles passarão a maior parte do tempo aqui com você, certo? – O médico acarinhou os cabelos de Uruha, que sorriu.

- Certo.

- Mas, agora tente descansar. Isso ainda vai acontecer algumas vezes, e sua fome também será afetada, mas é imprescindível que coma, sim?

- Me esforçarei.

Viktor sorriu, indo até o banheiro e lavando a bacia. Deixou-a em cima da bandeja acoplada a cama, mencionando sair do quarto, e claro, encontrando os quatro em frente ao mesmo.

— Podem entrar agora. Isso vai acontecer algumas vezes, e ao meio-dia o almoço será trazido. Ele deve comer mesmo que não sinta tanta disposição para isso e eu vou precisar da ajuda de vocês para incentivá-lo, está bem?

Os quatro assentiram, adentrando o quarto novamente. Sentaram-se ao lado de Uruha e a conversa recomeçou sem que nada fosse mencionado sobre o vômito. Como aconteceria novamente, falar só deixaria o guitarrista mais constrangido, e tudo que eles queriam era que ele se sentisse bem.