Notas iniciais
Contagem regressiva: 08 para o fim.
Contagem regressiva para o lemon AoiHa: 04
Gente, oieee, olha quem veio logo *------*
Awn eu to tão feliz com as reviews ♥. Assim que terminar de postar esse cap eu vou responder todos ♥.
Mas, queria falar hoje sobre a minha nova fic, policial, vai ter só dois caps e eu queria tanto poder contar com os comentários de vocês lá T_T. É essa aqui: https://www.fanfiction.com.br/historia/224719/Uma_Chance_Para_Recomecar
Por favor gente, por favor *----------------*.
E esse cap apesar do nome é bem feliz (no fim).
Boa leitura.

Aoi levantou de súbito e todos os olhares se voltaram para ele. Esqueceu o coma, esqueceu tudo. Sua mente trabalhava apenas nas palavras de Koga sobre a tal carta. Porque não era preciso muito para saber que ele nunca faria aquilo, que ele jamais seria covarde de terminar por uma carta, de dizer coisas a ponto de deixar a pessoa que mais ama na vida em coma. Não soube dizer o que estava sentindo, mas dor e ódio subiam aos poucos por suas pernas e ele cerrou os punhos.

— Eu sabia, droga eu sabia! – Ruki lamentou, largando-se aos prantos pelo chão. – Eu deveria saber que alguma coisa estava errada, a gente deveria ter ido lá antes. – Levou as mãos ao rosto enquanto um desespero tomava conta de si. Kai foi ampará-lo.

- Deus, ele... Ele vai ficar bem? – Sugizo perguntou arrastado e com uma grande surpresa estampada em seu rosto.

- Eu... Eu não sei Sugizo-san, Viktor-san disse que as coisas vão ser mais bem explicadas quando a gente chegar lá.

Alheios a tudo isso Aoi fitava um ponto qualquer da sala com ódio concentrado em seus olhos e Reita o olhava num mix de surpresa e negação. Não, seu amigo não faria aquilo. Então pousou uma das mãos no ombro alheio. Aoi o fitou.

— Você não... – Perguntou quase em sussurro. Aoi negou com a cabeça.

- Nem nos meus piores pesadelos eu poderia fazer isso com ele. Alguém descobriu que a gente está junto e armou isso tudo. Eu só queria entender como ele acreditou nisso.

- Parece que havia alguma coisa a mais. – Disse Koga. – Viktor-san não me disse o que, acho melhor irmos todos de uma vez, a viagem vai ser muito longa até Kanagawa.

xXx

Uruha respirava de maneira cadenciada, calma e tranqüila. Seu peito elevava-se num ritmo compassado e bem marcado sem oscilações ou hesitações. Seu rosto era sereno e passaria ainda mais calma e tranqüilidade se o tubo não estivesse conectado em sua garganta e do lado de fora a máscara de oxigênio não cobrisse sua região da boca e nariz. Afora Viktor e Felipe havia um neurologista que estava cuidando dos sintomas do coma e uma equipe de enfermeiras se revezava para ficar consigo e banhar-lhe conforme o horário.

Agora apenas Viktor estava ali consigo, segurando-lhe a mão enquanto observava aquele emaranhado de fios em seu corpo, os aparelhos ao redor, as marcas em suas costas perto do pulmão que mesmo não aparecendo no momento estavam lá sim. Se tinham alguma sorte nesse caso era que através do soro Viktor podia ministrar os remédios do outro problema. Tantos ao mesmo tempo acometendo um corpo tão frágil. Ele havia lido a carta, havia visto as fotos. E não viu maldade em Raphael. Viu algo muito ruim que alguém havia feito e não conseguia se conformar, não era fácil aceitar aquilo. Ainda desejava com todas as forças que a pessoa que fizera aquilo fosse pega e pagasse pelo que fez. Não conseguia nem imaginar o que faria se acontecesse consigo. Talvez não passasse mal como Uruha fez, talvez não estivesse em coma agora, sabia como aquele tipo de situação podia acabar com quem lhe esperava do lado de fora.

E como responsável por cuidar daquele homem deitado ali com a vida em suas mãos ele se sentia na obrigação de salvá-lo, de entregar para o próprio Uruha, para seus amigos, pais e Aoi curado da leucemia, acordado e bem, recuperado e que conseguisse fazer as pazes com o moreno e resolvesse esse caso da carta. Porque Viktor não era idiota, ele sabia que aquilo não tinha vindo de Aoi.

— Droga Uruha, ele te ama. – Disse em tom baixo, mas suficiente para fazer o Takashima ouvir. Passou por aquilo, sabia como era. Podia não lembrar de tudo, mas nunca esqueceria as lágrimas de Felipe enquanto segurava sua mão e implorasse para que abrisse os olhos. E quando ele o fez era aquele japonês de nome brasileiro e faixa no nariz que viu primeiro. Melhor do que ninguém entendia aquilo. – Ele não faria aquilo com você, acorde e se entenda com ele, vocês ainda têm uma vida pela frente, não deixe o coma te levar.

No lado de fora daquele quarto de UTI tão silencioso e sepulcral Akemi e Takashi encontravam-se visivelmente abalados. Felipe estava a seu lado tão exausto quanto possível e preocupado com Viktor, que há mais de vinte e quatro horas não dormia, mas mostrava tanta vontade, tanta força que não pareceria sucumbir nem com as dores que sentia. Takashi se virou para seu sobrinho.

— Você já passou por isso não é verdade sobrinho? – Perguntou em voz baixa. Akemi também o fitou.

- Passei tio. E eu tinha quatorze anos, meu rosto estava enfaixado e com manchas de sangue porque as feridas abriam de tanto que eu chorava. Eu peguei uma doença nos pés por ficar parado em frente ao quarto da UTI. Minha mãe quase implorava para que eu sentasse, mas eu não ia. Eu não comia, não bebia, não cuidava dos meus pés inchados e nem da minha queimadura. Eu só queria que o Viktor acordasse que ele dissesse que estava tudo bem e que ia me chamar de idiota por eu não ter me cuidado. Que ele ia me amar mesmo que eu estivesse com o rosto marcado para sempre. Mas, ele não acordou por um mês e três semanas e meia. Meus pés doíam tanto que eu não conseguia andar e ficava com ele na UTI sentado numa cadeira. Quando ele mexeu os dedos eu chorei. Quando ele acordou eu me senti a pessoa mais feliz do mundo. Mas, até esse dia chegar eu estava tão agoniado, tão perdido. Eu sei o que estão sentindo porque eu vivi algo exatamente igual.

- E era ainda mais novo. – Akemi conseguiu dizer.

- Eu era sim tia. E três anos depois estava me casando com ele. E não me arrependo de absolutamente nada, nem disso.

E num ato que nunca fizera durante aqueles dez anos em que vivia daquela forma Felipe soltou as gazes de seu rosto e a jogou no lixo. As marcas da queimadura pareciam separar seu rosto em dois, e depois de tanto tempo restavam apenas as cicatrizes sem muitos contornos. Mas pelo óleo estar fervendo ela se repuxou e ficou mais alta. Ele não era feio, mas não era preciso muito para entender porque ele gostava de esconder aquilo. Seus tios lhes sorriram e Takashi afagou seu rosto. Eles então se acomodaram nas poltronas e esperaram.

Era só o que podiam fazer.

xXx

Os seis haviam saído da cidade há pouco mais de uma hora. Ruki chorava tanto que demorou quase esse tempo para adormecer nos braços de Reita que não fazia ideia de como conseguiu embalá-lo. Kai e Sugizo estavam calados e sem muita reação e o empresário tentara consolar Aoi, mas ele não esboçou nenhuma reação, o que alarmou Koga. Mas, estando de mãos atadas com o silêncio do Shiroyama apenas pousou uma mão em seu ombro e se distanciou alguns minutos depois, deixando um cobertor no banco ao lado.

Ele fitava a neve cair do lado de fora do ônibus como se fizesse em câmera lenta, cada floco branco e puro sendo um pedaço de sua alma que silenciosamente ia se desfazendo, se quebrando em pedaços pequenos e deixando muita dor em troca. Ele não conseguia chorar, não conseguia reagir de nenhuma maneira, só podia ficar inerte, sem ao menos piscar olhando as coisas passarem sobre seus olhos e não conseguir fazer nada a respeito. Estava cansado pelo show, cansado pela doença de Uruha, cansado por não fazer nada e apenas sofrer.

Estava perdido e sem rumo, sem chão. Alguém os odiava tanto assim para que fizessem aquilo? Era realmente necessário enganar e machucar um coração tão maculado quanto o de Uruha por sabe-se lá qual motivo? Aquilo tudo era necessário? Quem haviam ofendido, o que haviam feito de errado? Quebraram regras por serem homens e se amarem, mas serem dignos e não fazerem mal à natureza, aos inocentes e aos animais? Ainda assim precisavam passar por aquilo?

Não, não precisavam. Mas a maldade existia em cada canto, estava escondida nos lugares mais inusitados e que ninguém pensava achar. Aoi não imaginava quem podia ter feito aquilo, mas estava tão quebrado e balançado, tão machucado e partido em pedacinhos pequenos como os flocos de neve que caíam do lado de fora que não sabia nem o que fazer ou pensar. Talvez não conseguisse dormir, e com a lentidão do ônibus demorariam muito a chegar, talvez um dia ou mais. Então outra mão pousou em seu ombro.

— Você precisa. – Reita disse ao entregar um comprimido e uma garrafinha de água. – E eu não vou aceitar que negue. Se não dormir não vai poder cuidar dele.

Reita estava com lágrimas nos olhos. E não ver nenhuma reação em Aoi só demonstrava como seria grande a queda ao constatar o estado grave de seu amado. Se ele quisesse estar bem precisaria descansar de alguma forma, por isso Akira continuou insistindo, continuou oferecendo o comprimido e a água e ficou aliviado por Aoi aceitar. Depois o cobriu e mesmo que ele negasse inclinou sua cadeira e acarinhou seu rosto até que o show acabasse com suas forças e o calmante fizesse efeito.

Reita então voltou para a própria poltrona e abraçou Ruki. Apertou os olhos com força e tremeu inteiro sobre o corpo menor conforme as lágrimas desciam lenta e dolorosamente por seu rosto e a dor ao mesmo tempo em que saía de seu coração ia deixando um rastro de agonia e dilaceração. Reita soluçou alto e se agarrou a Ruki sem lembrar que ele dormia, afundando o rosto na curva de seu pescoço e chorando toda sua dor acumulada até ali. Estava tão cansado quanto Aoi, mas tão necessitado de colocar aquela agonia para fora que mal notou Takanori acordar e o embalar, invertendo os papéis.

— Você precisa.

Ele sussurrou rente ao ouvido e Reita desabou de vez, culpando-se por não cuidar direito de Uruha, por ser negligente e não ter sido esperto como Ruki fora. Ele por sua vez apenas negava dizendo que o namorado era o melhor irmão do mundo e nada mudaria aquilo, nada seria capaz de passar por cima daquele fato. No fim das contas quem dormiu primeiro fora Reita e algum tempo depois todos acabaram adormecendo de vez enquanto o ônibus movia-se com cautela pelas ruas cheias de neve e totalmente desertas.

xXx

Na alta madrugada Felipe conseguiu convencer Viktor há dormir um pouco. Suas canelas doíam tanto aonde seu pai havia partido os ossos que precisou ser aplicada morfina para conseguir dormir, não sem antes fazer Felipe jurar que tomaria conta de Uruha. Como havia descansado pôde prometer sem medo de não conseguir cumprir sua promessa e agora via seus tios adormecidos nos bancos em frente ao quarto de Uruha. Os dois, que carregavam sessenta primaveras, outonos, invernos e verões agora precisavam passar pelo desesperado ato de esperarem em um hospital notícias sobre o filho comatoso e que ainda apresentava Pneumonia Asiática, a mesma que matou Kaoru e agora atacava o organismo de Uruha.

Sim, o Suzuki sabia como os dois estavam se sentindo, sabia perfeitamente. E torcia para que mesmo com a nova tempestade que chegava que todos pudessem estar ali novamente e logo, pois, mesmo que os médicos desacreditassem que as pessoas comatosas ouviam as outras, ele acreditava veemente e tinha certeza que Uruha reagiria ao ouvir a voz de Aoi. Só precisava que chegassem logo e aquele pesadelo de uma semana desse trégua. Todavia, enquanto isso não acontecia, o médico vestiu sua roupa especial com ajuda de uma enfermeira e chegou perto de Uruha, avisando-a que passaria a noite ali. A mulher assentiu e deixou o local e Felipe fitou o rosto do meio-primo, impassível, apático, pálido... Morto.

Ele sabia como as noites ao lado de quem sofria com o coma eram longas e tinha consciência de que aquela madrugada demoraria muito para passar. Além disso, precisavam ficar atentos, já que cuidavam da leucemia, da pneumonia e do coma. Estar em alerta era uma obrigação que tinham de seguir à risca para evitar maiores problemas. E se antes só pôde chorar por Viktor há exatos dez anos, agora lutaria para salvar a vida de Uruha estando do outro lado, como médico.

xXx

O que reinava no ônibus era a catatonia e o medo. Às nove horas todos já haviam acordado, ainda estavam com os cabelos, a maquiagem e a roupa do show, coincidentemente com a camiseta com o rosto de Uruha. Ruki olhava a todo o momento para o rosto do amigo e pedia em murmúrios que ficasse bem, que agüentasse e saísse daquela situação, que eles ainda iriam tocar juntos por muitos e muitos anos. Era no que Takanori queria acreditar era no que precisava se segurar para ter certeza que de conseguiria chegar inteiro à Kanagawa, já que ainda faltava muito tempo para chegar a Tokyo. Reita a seu lado olhava fixamente para fora, ora para outro canto qualquer do ônibus, agarrado com o cobertor. Não sabia como havia conseguido dormir.

A todo o momento fitava Aoi de esguelha que devolvia o olhar ainda impassível, fazendo o Suzuki tremer. Ele via a dor, a insegurança, a raiva, a culpa e o ódio. A preocupação e o desespero, o abismo que se abria diante de Aoi e sabia que ele cairia ao chegar a Kanagawa. Sabia que independente de quem estivesse olhando, quando ele fitasse Uruha as suas defesas cairiam e ele mostraria toda a dor que estava guardando, que estava mantendo para em si sem saber como lidar com ela. E o que mais preocupava Reita era o tamanho daquela queda, se Aoi seria capaz de ajudar Uruha ou estaria tão impotente que não conseguiria ao menos sair de uma cadeira, de uma cama se talvez passasse mal.

Ele sabia, sabia que Aoi estava tão perdido e sem rumo ainda mais do que seus olhos mostravam. Sabia que aquela dor explodia em seu peito como centelhas a todo o momento e ele simplesmente se agüentava, sem limitava a parecer indiferente enquanto por dentro estava ficando cada vez mais dolorido e machucado, seu coração sendo envolvido por uma escuridão agonizante e dilacerante que fincava espadas em si e o fazia tremer, mas sem cair, sem reagir. E como aquilo doía, Deus. Como machucava em Reita ver o amigo calado e como Aoi sofria por se manter daquela forma sem saber o que fazer. Estava perdido até mesmo no que dizia respeito a lidar com a própria dor, nem mesmo isso conseguia fazer.

E todo aquele silêncio, todos ali sabiam que duraria por muito tempo, pois, não sabiam como quebrá-lo, como transformar aquela imensidão muda em esperança e apoio. As palavras otimistas faltavam nessas horas, quando todos mais precisavam delas para se apoiarem naquela corda bamba que ficava cada vez mais fina e incerta sobre agüentar tanto peso. Os ombros estavam caídos, puídos. As sanidades cada vez mais desgastadas e os olhos coçavam e doíam de tanto expelirem lágrimas. Kai se perguntava por que não podia ser mais fácil, porque tinha de ser tão dolorido quando já estava ruim, quando já se tinham as esperanças balançadas e os corações só se agüentavam porque o otimismo conseguia ser forte.

Mas, agora, não. Agora as coisas haviam mudado, a vida havia jogado as peças de tal forma que todos estavam em 'situação de xeque' e tinham como obrigação escapar dela. Mas, como, se para as diagonais os dois bispos esperavam, para frente e para trás em linha reta a torre os observava e em todas as direções a rainha estava esperando para derrubar o ser mais forte de todo o jogo? Será que haveria, naquele emaranhado de peças espalhadas pelo tabuleiro de xadrez da vida alguma maneira, alguma casa que poderia pela última vez sustentar um rei caído com a coroa no chão, mas que se recusava a se curvar? Que se recusava a acreditar que havia perdido depois de tanta luta, depois que cada peão caiu, que cada cavalo deixou de fazer brilhantes jogadas em 'L', que cada bispo e torre armaram as melhores jogadas e mesmo assim caíram, depois que a rainha se curvou a adversária... Será que depois de tanta luta era certo, justo que aquela vida comatosa dentro do hospital que era representado pelo rei, cairia?

Os outro quatro, assim como pais e Raphael eram as peças fora de jogo. Eles só podiam observar enquanto o rei Uruha estava quase de joelhos e numa extremidade um amedrontado peão jazia. De acordo com as regras de xadrez, quando um peão chega à outra extremidade do tabuleiro a rainha pode voltar. Seria Aoi essa rainha? Seria esse peão a esperança que os levaria até Kanagawa enquanto Uruha se mantinha dormindo, mas não morria? E se para Aoi ficou a jogada mais importante, visto que poderia abater vários adversários se fosse esperto, ele conseguiria ajudar seu rei a se levantar e imponente vencer tudo aquilo e sair vitorioso do tabuleiro e subir num palco orgulhoso usando todo seu talento para tocar novamente para cada fã?

Se a vida podia ser comparada a um tabuleiro de xadrez então era daquela forma que as peças estavam dispostas no jogo. A vida era a rainha implacável e seus seguidores eram as agonias, os desesperos, as dores, as melancolias... Tudo que era mal. E as peças representadas por Uruha eram a esperança, a coragem, a força, a vontade, o otimismo... E cada uma delas foi esmagada pela rainha implacável e seus fiéis seguidores durante aqueles seis meses de internação. Mas, a esperança foi forte, a última a cair. E mesmo de fora, sendo uma das torres maculadas ainda dava força para seu rei alquebrado. Bastava saber se ele conseguiria sobreviver a mais aquilo...

... E não sucumbir ao xeque-mate.

xXx

- Nada ainda? – Viktor perguntou a uma das enfermeiras ao aparecer de manhã.

- Infelizmente não, Viktor-san. Agora são uma semana e um dia de coma e já foi anotado na papeleta e colocado à cabeceira da cama.

- Eu agradeço, pode ir fazer outras coisas se precisar, irei ficar aqui.

A enfermeira assentiu e saiu. Com a ligação feita para Felipe utilizando o telefone que ligava o lado de fora com o quarto, o japonês preparou-lhe uma roupa e assim que o ajudou a vestir os dois se aproximaram de Uruha.

— O neurologista veio, mas ainda continua a mesma coisa.

- Conseguiram falar com a banda? – Perguntava enquanto usava o estetoscópio para verificar os pulmões.

- Reita-san ligou, está tão abalado quanto Akemi-san podia imaginar. Parece que ainda não chegaram nem a Tokyo, talvez leve mais uma hora para isso.

- Ou seja, no mínimo mais três para chegar aqui. Vamos torcer para as escavadoras conseguirem retirar a neve agora que a tempestade acabou e cobrirem as estradas com areia para melhorar o controle dos carros. Ao menos se estiverem aqui podem cuidar uns dos outros.

- E conseguirem fazer alguma energia chegar a Uruha-san.

- Isso eu aprendi com você. – Viktor sorriu-lhe. – E acho que acabei acreditando, por isso espero que eles consigam chegar logo e essa situação se resolva de uma vez. – Fez um rápido intervalo. – A pneumonia tem sido controlada?

- Por enquanto sim, e eu fiz um exame de sangue, as contagens das células continuam baixas como realmente deveriam estar, mas não houve indicação de mieloblastos.

- Menos mal, ao menos a leucemia, justo a que mais machucou está ajudando. Vamos ver se continua até nosso menino acordar. Enquanto isso eu vou continuar caçando alguma medula solta precisando de um corpo.

- Boa sorte. – Disse Felipe.

- Por falar nisso. – Disse o oncologista. – Prefiro você sem a faixa, mostra quem é a pessoa que eu amo de verdade.

- Vou me lembrar disso.

Viktor lhe sorriu e então passou pelas duas portas que isolavam completamente Uruha do exterior. Primeiro tirou o capote, a seguir a máscara e as luvas. Descartou tudo e fora lavar devidamente as mãos antes de voltar para sua sala. Se ao menos podia fazer algo por Uruha, que procurasse sua medula óssea e pudesse preparar um quarto para ele. Porque havia jurado a si mesmo e ao Takashima que não o deixaria cair, e a menos que fosse sua hora de ir não descumpriria essa promessa.

xXx

A comida simplesmente desceu pela garganta de Aoi e ele não se importou muito com o fato de não lembrar do gosto ou mesmo do cheiro. Agora seguiam viagem novamente e quando o ônibus finalmente passou por Tokyo uma chama tímida de esperança instalou-se entre eles. Se tudo ocorresse bem em mais duas horas estariam em Kanagawa e acertariam as coisas de uma vez por todas.

Todos poderiam ficar perto de Uruha e lhe amparar enquanto ele continuava lutando e talvez juntos descobrissem quem fez aquilo ao mandar a carta e as fotos. Todavia, Koga havia descido na rodoviária da capital do país para acertar esses pontos com os superiores da companhia. Os músicos desejaram-lhe boa sorte em sua missão quase impossível e continuavam seguindo viagem em silêncio.

Reita agora, porém, estava um pouco mais ativo e saiu do lado de Ruki para ter um pouco com Aoi que mantinha o rosto virado para a janela. Ao se aproximar do mais velho Akira notou que ele dormia e soltou um suspiro de alívio ajeitando-o melhor e o cobrindo. Kai e Sugizo observavam de longe e os três sorriram por verem Aoi adormecido, provavelmente estava exausto como todos ali e a melhor coisa era descansar um pouco mais antes de chegarem a seu destino.

...

E o fizeram às três da tarde daquela terça-feira. As estradas haviam sido limpas e cobertas de areia e o ônibus pôde acelerar mais conseguindo deixá-los na entrada do hospital de Kanagawa. Kai liberou o motorista e agora os cinco caminhavam rapidamente pedindo informações a todos que encontravam, procurando saber onde Uruha poderia estar, onde era sua ala.

Até que Reita avistou, no meio daqueles japoneses morenos e estatura mediana, um mais alto e absurdamente loiro. E mesmo que estivesse de costas, tanto ele quanto Aoi sabiam quem era. Eles se olharam e seus olhos diziam que agora não era momento para crises de ciúme e sentimentos fúteis.

— Raphael! – O Suzuki gritou pouco se importando com a enfermeira que o repreendeu. Quando Raphael se virou ao reconhecer a voz de Reita Sugizo, Ruki e Kai o olharam embasbacados. Era lindo, afinal de contas. – Cadê ele? – Reita perguntou ao se aproximar. Não sabia a marca, tampouco o nome do perfume do loiro, mas imaginava que era algo caro. A Prada nunca fora barata mesmo.

- Na UTI. – Disse com um suspiro cansado. Aoi franziu as sobrancelhas e agora sentia a realidade dando-lhe um tapa na cara. – Depois que vocês o verem nós temos coisas para resolver, eu realmente não acho que a pessoa que escreveu a carta foi Aoi-san. Muito menos quem tirou as fotos.

- Fotos? – Ruki indagou.

- Primeiro Kouyou, é melhor assim. – Disse ao fitar Aoi.

Ambos concordaram e todos caminharam ao lado do loiro que guiava-se com precisão pelos corredores do hospital. Em uma semana e um dia lá havia se acostumado com o lugar e não se perdia. Chegaram mais rápido a ala da UTI do que pensaram. Primeiro passaram por uma porta dupla com as letras UTI acima e o ar pareceu diferente ali. Depois de alguns corredores e encontros com médicos e enfermeiros eles viram os pais de Reita à distância.

Akira os abraçou com vontade, praticamente havia corrido até eles. Estava quase entrando em desespero ao ver o estado abalado de ambos, mas os dois e Raphael certificaram-se de que tudo estava bem, apesar de estarem abatidos.

— Felipe-chan tira nossa pressão e verifica o que precisa. – Disse Akemi. – Estamos bem filho. – Seus olhos então se voltaram para Aoi. – Aoi-san nós sabemos que não foi você.

- Eu nem sei que fotos e cartas são essas Akemi-san. – Ele falou depois de todas àquelas horas. – Quando ele recebeu a carta eu estava longe de casa.

- Nós sabemos Aoi-san. – Disse Takashi. – Agora o importante é descobrir quem fez isso e acabar com essa história dolorida de uma vez por todas.

- Podemos ver o que ele recebeu primeiro? – Aoi perguntou incerto. – Eu acho que vai ser melhor.

E eles sabiam do que se tratava exatamente. Akemi entregou o pacote para Aoi e ele o abriu e retirou a carta. Começou a lê-la em voz alta, deixando a embalagem cair de suas mãos a cada palavra que pronunciava. Kai e Sugizo mal podiam acreditar no que ouviam, Raphael balançava a cabeça de maneira negativa cada vez que se lembrava daquilo, Reita e Ruki estavam incrédulos e as primeiras lágrimas se formavam nos olhos de Aoi e acabaram escorrendo e molhando o papel.

— Se um dia eu fosse terminar com ele nunca diria as coisas desse jeito. – Deu um passo para trás e se encostou ao vidro. Só então os olhares novos fitaram as fotos fora da embalagem.

- Então são essas. – Disse Ruki ao pegar o bolo todo. – Com fotos assim e uma carta como essa eu também seria capaz de imaginar que o Reita me odeia.

Os cinco se aproximaram de Ruki enquanto ele passava as fotos. Aoi e Reita olharam com desconfiança e seus olhares se direcionaram para Raphael que lhes dirigiu um sorriso fechado.

— Eu sabia que seria assim e estava preparado. – Disse. – Primeiro eu não o beijei como mostra essa foto à noite. Isso foi um abraço e a pessoa tirou a foto quando a gente se separou. Eu o chamei para almoçar de manhã e tomar chá a tarde como uma despedida porque eu tomei algumas decisões, mas não queria ir embora sem me despedir dele.

- Despedir? – Reita indagou.

- Eu vou morar na Alemanha Akira. Recomeçar lá e queria apenas comentar isso com ele e contar algumas coisas, por isso acabamos nos tocando dessa forma que pareceu íntima demais. Mas, não foi ele que começou, fui eu, então se quiserem culpar alguém que seja a mim.

- Então aí está. – Disse Aoi. – Fotos aparentemente suspeitas, uma carta sem remetente e digitada para as letras não parecerem diferente, alguns detalhes em aberto como as 'coisas' que eu dei para o Uru que na verdade foi apenas o relicário. O tipo de coisa que acabaria com a saúde de qualquer um.

- Pior que isso. – Disse Reita trincando os dentes. – Estava de cabeça baixa e uma parte do bolo de fotos fora completamente amassada. Ele cerrou os punhos e quando fitou Aoi seus olhos emanavam ódio. – Essas Polaroids... – Ele jogou o bolo amassado na parede com força. – Maldição o Uruha me mostrou essa Polaroid quando veio morar comigo, quem bateu essas malditas fotos foram as irmãs dele!!

Akemi levantou-se num pulo, seus olhos antes sem vida agora brilhavam como os do filho. Raphael sentiu a raiva subir e os outros se olharam juntando todas as peças daquele quebra-cabeça que ferira tanto Uruha.

— Eu vou. – Reita disse seriamente. – Se eu parar na polícia vocês arrumam um jeito de encobrir.

- Eu vou junto. – Disse Raphael. – Afinal de contas a coisa tem a ver comigo também.

- E eu vou para garantir que eu posso dar uns tapas naquelas duas e vocês dois me defendem. – Disse Akemi.

- Antes... – Uma voz atrás de si os fez se virar e encarar Felipe, primeiro pela surpresa de estar sem faixa, segundo por terem encontrado um dos médicos de Uruha. – Se quiserem podem vê-lo. Ele ainda não acordou, mas com vocês aqui fazendo justiça e o ajudando eu tenho certeza que ele vai despertar logo. Mas, aviso que podem ficar um pouco impressionados. Além da infecção na boca ele está com Pneumonia Asiática, e acreditem ou não a leucemia continua quietinha. Eu tenho feito exames de sangue e a contagem dos mieloblastos ainda não é identificada.

- Ao menos alguma coisa boa. – Disse Aoi. – Mas, essa pneumonia matou a Kaoru-chan, ele...-

- Por enquanto está tudo bem Aoi-san, mesmo. Essa é mais grave, mas as coisas estão sobre controle, ele só precisa acordar para que o tratamento da pneumonia possa ser realizado de fato com a fisioterapia e a oxigenoterapia.

- Então vamos vê-lo. – Disse Reita.

Felipe assentiu e pegou o telefone. Rapidamente Viktor pegou do outro lado e o hematologista pediu que ele levantasse as persianas. Viktor assentiu e pediu que esperassem um momento enquanto terminava de colher o líquido dos pulmões. Quando ajeitou Uruha junto com a enfermeira foi até a janela. Respirou fundo e começou a erguer a cobertura que separava os dois mundos e agradeceu por não poder ouvir nenhum ruído. Conhecia bem aquele momento, sabia que as pessoas sempre se assustavam e o que viu na expressão dos cinco que se aproximaram do vidro foi a mais pura dor.

Uruha estava, além de entubado, com fios pelo peito que ligavam ao monitor cardíaco e outra série de emaranhados métricos de silicone que se ligavam em outros aparelhos. Podiam ver sua palidez, sua fragilidade, como parecia ainda mais magro, mais apático. A única coisa que se movia era seu peito por causa da respiração e o aparelho ligado a ele que exercia essa função, mas todo o resto permanecia imóvel, morto. E toda aquela dor, aquele desespero de Aoi que não fora botado para fora começou a descer numa lentidão mortífera por seu rosto, banhando-o rapidamente de lágrimas. Ele apoiou as mãos no vidro e a cabeça nelas e a abaixou, soluçando. Reita que estava próximo a si o abraçou e deixou que ele desabasse como sabia que ia acontecer. Toda a dor começaria a ser botada para fora depois de sufocar tanto, machucar como fez.

As persianas começaram a se abaixar e alguns minutos depois Viktor surgiu porta a fora ouvindo os choros baixos de Ruki e Kai, o lamento mudo de Sugizo e o choro pesado e agonizante de Aoi. E aquilo doeu em seus ouvidos, porque ele se lembrava de Felipe ter chorado daquela forma, e na época com muito menos idade. Sabia o que eles estavam passando e como era difícil lidar com aquilo e que a esperança nunca conseguia se sobrepor ao medo.

— Isso é doloroso. – Reita disse ao fitar Felipe. – Foi o que sentiu há quase onze anos atrás?

- Exatamente a mesma coisa. – Respondeu, postando-se ao lado de Viktor. – Imaginem uma criança de quartoze anos com o rosto deformado e alguém que ama em coma. Eu achei que fosse morrer ali, nem a dor da queimadura que abriu mais que tudo era capaz de ganhar do coma.

- E aposto que não foi fácil ter esperança. – Ruki disse.

- Nunca é. – Felipe respondeu. – Você nunca consegue ser esperançoso. Quando eu vi tantos fios ligados ao Viktor, tantos pontos nos braços e pernas e os machucados... Eu achei que os fios mais machucavam do que ajudavam, por isso sei o que passam agora. Queria poder dizer que ele vai acordar em tal dia, mas isso é tão imprevisível.

- O que vocês podem fazer – Disse o próprio Viktor erguendo as mangas do jaleco e da blusa, revelando as cicatrizes. – é torcer para que o coma dele dure menos do que o meu que foi de quase dois meses, não ficarem em pé em frente a esse quarto para não machucarem as pernas e, por favor, darem uma surra em quem fez isso, porque eu teria coragem de ir com vocês e fazer isso eu mesmo. Pelas marcas – Apontou. – eu posso provar que não teria como bater em alguém.

- Seus braços são frágeis. – Disse Kai.

- Sim, eu tecnicamente não deveria ter forças e nem poderia ferir alguém sem me machucar. Mas, eu acho que não sou tão covarde de bater em mulheres, Akemi-san pode fazer por mim.

- Por todos, Viktor-san. – Ela sorriu para o médico.

Viktor pediu licença e foi para a própria sala continuar pesquisando e pedindo urgência na fila do transplante. Atualizou os dados de Uruha contendo coma e pneumonia asiática, quadro estável, mas necessidade imediata de medula. Continuaria procurando cada vez mais até que seus braços doessem, suas vistas cansassem e ele conseguisse a medula.

— Cara, você pode. – Reita ainda estavam abraçado à Aoi. – Você precisa ser forte e vai ficar aqui esperando ele acordar para dizer que isso que acontece não passou de uma mentira maldita e que você não sente nada daquilo por ele e não quer o mal dele. Ele precisa de você aqui Aoi, fique bem por ele, pelo amor que você sente por ele.

Aoi se desvencilhou aos poucos de Reita ainda chorando. Seus olhos estavam altamente inchados e as lágrimas continuavam descendo, mas o pranto agora era mudo. Com hesitação assentiu para Reita e se sentou ao lado de Takashi e Ruki, que o amparou, trazendo-o para um abraço. Sugizo e Kai sentaram-se ao lado do vocalista e Felipe voltou para o quarto de Uruha. Agora o que todos podiam fazer ali era esperar e torcer para que ao menos do coma ele se recuperasse.

xXx

Reita, Akemi e Raphael saíram mudos do hospital carregando as fotos, a carta e a embalagem, prontos para cortarem de vez laços com aqueles que só fizeram mal à Uruha. O vento que lhes atingia era forte e cortante, mas nenhum deles estava preocupado com aquilo no momento. Talvez sentissem frio quando estivessem voltando, quando seus corações tivessem despejado tudo que aquelas duas pessoas mereciam ouvir, não medindo palavras, talvez contendo apenas gestos. Durante todos aqueles anos nenhum deles havia se aproximado da casa da família Takashima e Uruha nunca havia dado motivos para que uma coisa tão mesquinha quanto aquela acontecesse.

Não se conformavam com tal ato vindo daquelas duas a quais nunca mais haviam dirigido a palavra, tampouco fizeram algo contra e que haviam mexido com uma pessoa que não era mais aquele menininho de doze anos para qual armaram aquele problema com a foto. Não tinham ideia de como aquelas pessoas que amavam Uruha estavam se sentindo naquele momento, como seus corações já estavam doloridos por ele estar doente, e agora que ainda estava em coma e mais acamado ainda o que tomava conta daqueles que cuidavam de si e sofriam junto não era mais a dor, ela havia sido colocada de lado. Agora o que tomara conta e os movia em direção aquela casa era a raiva, a vontade de fazer justiça, o ódio contido, que ainda assim conseguia ser controlado pela razão, mas que parecia explodir em seus peitos quando passaram pela casa dos Suzuki's e começaram a subir a rua em direção a uma casa que juraram nunca mais ir, tampouco deixar que Uruha fosse.

Naquele momento Akemi se lembrou da promessa que fez a Takashi. Disse-lhe que não deixaria barato se alguma daquelas pessoas fizesse mal à Uruha e pretendia cumprir sua promessa, independente se não era mais tão forte por causa da idade. Era mãe, e como tal não deixaria que um de seus filhos fosse ferido e não fizesse nada, apenas olhasse. Seu filho e Raphael lhe passavam confiança e ainda mais coragem e assim que Reita chutou o portão de entrada e atravessou com os dois o caminho até a porta, também lhe dando um chute e assustando as pessoas do lado de dentro, seu sangue ferveu muito mais quando a irmã mais velha de Uruha abriu a porta.

Respirou fundo para não lhe agredir. Akemi pareceu ler sua mente e passou a frente do filho, dando um tapa no rosto da Takashima.

xXx

- Aoi você deveria comer. – Ruki tentou mais uma vez, mas o moreno negou novamente.

- Eu to sem fome Ruki, obrigado. – Sorriu fracamente para o vocalista. – Eu vou ficar bem se ficar sentado.

- Até certo ponto Aoi-san. – Viktor apareceu no corredor do quarto de Uruha. – O Felipe também não queria comer, passou mal por causa de outras coisas, mas eu vou sempre achar que ele deveria ter tentado cuidar um pouco mais dele mesmo. E acho sinceramente que você deveria fazer o mesmo. Comer alguma coisa, dar uma volta, tentar descansar.

- A gente ta tentando, Viktor-san. – Disse Kai. – Mas, o Aoi é teimoso.

Aoi fitou o líder e conseguiu rir cansado, deixando as costas encontrarem a parede.

— Eu só queria estar aqui quando ele acordasse. – Disse enquanto olhava para Viktor. Ele lhe dirigiu um sorriso acolhedor.

- Foi o que o médico na época me disse depois que eu acordei... Que o Felipe queria estar comigo. Mas, Takashima-san não vai acordar outra pessoa, outro alguém que não te ama mais ou te esqueceu. Ele entrou em coma achando que você não o amava mais. Se você estiver aqui com ele, mas um pouco mais descansado e alimentado vai ser melhor para ambos.

- Com você foi igual? – Aoi indagou tentando manter os olhos abertos.

- Foi sim. O Felipe se sentia culpado, dizia que aquilo estava acontecendo por culpa dele, mas eu não podia puxar a orelha dele e mandar que fosse descansar. Dessa vez eu posso, então, aceite o que Ruki-san te oferece e descanse um pouco, vou avisar a todos quando ele acordar.

- Você sabe se teve alguma mudança? – Takashi perguntou.

- Continua na mesma, se alimentando com a nossa ajuda, respirando com o tubo... Assim que ele acordar nós podemos tratar a pneumonia da forma que mais dá resultados. A infecção já foi controlada e a leucemia ainda ta a favor dele. Por enquanto continua estável.

Ouviram passos vindos em direção a eles e Viktor esticou a cabeça para ver Akemi, Reita e Raphael voltando, suas feições ainda estavam sérias, mas pareciam mais aliviadas.

— Como foi? – Takashi perguntou, fitando os três.

- Como a gente imaginou que ia ser. – Disse Raphael. – Disseram a verdade na cara de pau, sem se importar em dar qualquer desculpa.

- Pelo menos a mais velha saiu com a cara marcada. – Disse Akemi vitoriosa. Os outros a olharam incrédulos. Viktor sorriu.

- Akemi você deu na cara dela? – Takashi indagou estupefato.

- Dei. – Disse tranquilamente. – Eu disse que não ia deixar barato se machucassem ele.

- E como ele está? – Raphael perguntou.

- Na mesma. – Disse Aoi, abatido. – Eu não faço ideia de como vocês agüentaram mais de uma semana.

- Nem nós. – Disse o loiro. – Pelo menos parte desse problema foi esclarecido.

- Isso que dá roubar o namorado dos outros pra levar para almoçar. – Aoi disse de olhos fechados e um sorriso tímido no rosto. Raphael riu.

Viktor pediu-lhes licença, avisando que agora falariam com Felipe e ele estaria visitando mais o quarto de Uruha, que permanecia na mesma posição, respirando da mesma forma cadenciada, o peito subindo na medida certa, os aparelhos fazendo seu trabalho. Ele podia ouvir algumas coisas que as enfermeiras e os médicos diziam, ouviu Viktor lhe falar sobre Aoi, sobre seus amigos, a preocupação deles. Mas, simplesmente não conseguia abrir os olhos, pareciam ter sido colados tão forte.

Seus membros pareciam pesar toneladas, ele simplesmente não os conseguia mexer. Naquele momento conseguia ouvir alguns passos, mas não escutava vozes, então não sabia quem poderia ser. O monitor cardíaco também era audível para si, mas só. Estava perdido numa escuridão sem fim, não se lembrava de nada, não sentia nada, apenas desespero em abrir os olhos, falar, gesticular, ver as pessoas que amava. Ver... Aoi.

— Ele ta aí Uruha, cansado, triste e te esperando. E ele te ama muito, muito mesmo. – Podia ouvir aquela voz, mas não sabia bem se era Felipe ou Viktor. – E ele não vai embora enquanto não te ver, enquanto não tiver certeza que a pessoa que ele mais ama está bem.

Felipe segurava sua mão com carinho, viu no monitor que verificava as ondas cerebrais que havia mais atividade no cérebro de Uruha, o que indicava que as coisas estavam indo bem, os remédios estavam fazendo efeito e o ajudando. Sua mão foi levemente pressionada pelos dedos pálidos e um sorriso apareceu em seu rosto coberto. Pousou a mão dele novamente na cama e se preparou para anotar detalhes na papeleta e falar com Viktor e o neurologista.

Agora era questão de tempo, o Suzuki podia sentir.

xXx

Viktor trabalhava arduamente em sua sala enquanto tomava um grande copo de café quente. Seus olhos estavam exaustos e doloridos por toda aquela claridade batendo em seus dois rios verdes que eram mais sensíveis. Ainda assim não se importava com eles, seu interesse era outro, nas enormes listas em sua frente e as cadeias de informações que mostravam a porcentagem de compatibilidade de medula.

Quando Felipe lhe disse que Uruha havia mexido os dedos Viktor se empenhou ainda mais em pesquisar no banco de medula e há várias horas estava analisando incontáveis nomes, tipos sanguíneos, características, DNA, medulas, hospitais... Tanta coisa que sua mente absorvia e ia filtrando de acordo com o que era ou não relevante para o que estava pesquisando.

Enquanto isso em frente ao quarto de Uruha, Aoi havia adormecido finalmente, sucumbido ao sono, mas diferente do que todos pensaram não chegou a dormir meia hora antes de despertar novamente. Chacoalhou a cabeça levemente e só então se lembrou de que todos ainda estavam com a roupa do show e a camiseta do amado.

— Pelo menos ele vai ter uma surpresa. – Disse para Ruki enquanto fitava a peça.

- A sorte estava do nosso lado dessa vez. – Disse Reita. – Depois de tanto tempo ao menos isso a gente pode fazer por ele.

- Estava na hora de alguém nos ajudar. – Disse Akemi, sorrindo fechado. – Meio ano se passou, em algum momento as coisas precisariam dar certo.

Ouviram passos rápidos e descompassados ecoarem pelo chão absurdamente pálido daquele corredor silencioso. Passava das dez da noite, Felipe estava no quarto com Uruha há alguns minutos e Viktor alcançou a todos, gemendo baixinho pela dor em suas pernas. Ainda assim sorriu animado para todos ali que o encaravam curiosos.

— Encontrei um doador compatível, a medula do Uruha está vindo de Tokyo e chega pela madrugada.

No mesmo momento Felipe apareceu ainda com a roupa especial por tirar. Ele sorria tão radiante quanto o marido.

— O Uruha acordou.

Notas finais
Bill e Tom Kaulitz LoveForever ♥;
Tsuki Senshi ♥;
Su Shibasaki ♥;
AlineVKei ♥;
Takashima Yuumi ♥;
freeasabird ♥;
ChunLi W Malfoy ♥;
Lyncis ♥;
Melka ♥;
ninfanegra ♥;
Dayzeh Natsumi ♥;
Saa Chan ♥;
Ringo-Sama ♥;
Amo vocês T_T ♥.