Notas iniciais
Minna, cap de presente de natal *--------------*
Não digo que está feliz, mas posso dizer que está mais ameno que o anterior. Desejo que Kami-sama abençôe todas vocês, tantos as que comentam como as leitoras fantasmas. Espero que um dia antes da fic acabar vocês apareçam nem que seja para dar um 'Oi' para a Tia xD.
Bem, espero que curtam o cap e tenham uma boa leitura.

- Como ele está? – Todos estavam melhores, mas ainda abatidos pelo que houve, abordando Felipe quando este surgiu na sala de espera.

- Eu passei lá rapidamente e o Viktor disse que ele está dormindo e que vocês deveriam tentar descansar um pouco, o que eu concordo. Estão abatidos, e seria bom se-

Um paparazzi desconhecido, com certo receio de dizer seu nome, entregou pela manhã de hoje à emissora NHK fotos e um vídeo do líder da banda the GazettE, Kai, saindo do hospital geral de Tokyo na tarde de ontem, indo até a PSCompany, gravadora da banda, e voltando a tarde com uma sacola em mãos. O suposto paparazzi disse ainda acreditar que os outros membros da banda encontram-se no mesmo local e que provavelmente o guitarrista principal da banda, Uruha, diagnosticado com Leucemia Mielóide Aguda esteja internado neste hospital. Não se sabe ao certo, e somente há especulações, mas diversas emissoras se dirigiram para o local e é muito provável que as suspeitas estejam certas.

Pois bem, um vírus encontrado ontem na cidade de-

Frustração...

Frustração era o que se podia ver claramente nos olhos de Kai, após ouvir aquelas palavras do âncora de um dos jornais mais importantes daquele horário. O líder sentia como se tivesse perdido o chão, levando as duas mãos à cabeça e apertando com força os fios castanhos, quase os arrancando, se Reita não tivesse impedido.

— Eu sou um maldito idiota! – Vociferou, dando um soco na própria perna enquanto Akira tentava fazê-lo olhar para si.

- Kai, calma, espera a culpa não é sua! – Reita tentava falar, mas sabia como o líder odiava deixar partes soltas. – Você não precisa ficar ligado nos 220 o dia todo, você também é humano e se cansa, sabia? Um dia iam acabar descobrindo.

- Mas... – Kai estava cansado, era verdade. E sentiu as palavras de Reita caírem sobre si. De fato era humano e sabia daquilo perfeitamente. Só pôde respirar fundo, deixando os ombros caírem. – Bem, me desculpem, de qualquer forma.

- Está tudo bem, Kai, a segurança não vai deixar ninguém entrar, e muito provavelmente vocês só serão guiados a sair pela porta lateral, lugar por onde poucas pessoas passam. O problema é que a mídia vai demorar a deixar tudo em paz novamente. – Felipe disse, apertando um dos ombros de Yutaka.

E ele entendia aquelas palavras, mas estava se sentindo impotente. Além da própria banda, sabia que tinha prejudicado os outros pacientes e era tudo que menos queria. Sabia que o empresário provavelmente ligaria e infelizmente havia arrumado mais problemas do que já tinham.

Só esperava realmente que tudo desse certo e que os repórteres fossem embora depois de um tempo sem resposta, mesmo com as provas em mãos, sem tentarem abordar Viktor que havia aparecido na comitiva, ou entrarem a força no hospital. Não acreditava muito no último, mas estava meio perturbado para pensar coisas coerentes.

Acabou apenas por levar uma das mãos ao rosto, tentando não deixar emoções tomarem conta de seu ser tão racional. Tinha consciência de que não fora culpa sua e precisava lidar com aquilo como o fazia com qualquer outro problema, seja como o líder do the GazettE ou como Uke Yutaka em sua vida pessoal.

Sim, precisava ser forte. Por ele, por Uruha, por seus amigos e por sua sanidade.

...

Enquanto isso no quarto de Takashima, este olhava sua face pálida e sem vida no espelho que Viktor havia lhe emprestado, a expressão vazia e triste, os olhos ainda vermelhos pelo choro mesmo que já passasse de ‘horas’ desde que chorou até o presente momento. Mas, não estava preso a esses detalhes. O que lhe fazia revirar o estômago era sua cabeça sem um único fio de cabelo.

E se as lágrimas já estavam prontas para cair, quando ouviu que os repórteres haviam descoberto onde estava elas desceram de fato e o guitarrista se deitou, cobrindo-se até a cabeça e deixando o choro escapar, largando o espelho em cima da bandeja de sua cama.

Estava com medo de ser filmado, de fotos serem tiradas escondidas e que o mundo o visse daquele jeito, debilitado, sem vida nos olhos, a passos do abismo, somente voltando a si quando sentiu mãos lhe tocarem e descobrirem seu rosto, encontrando Viktor. O médico lhe ajudou a sentar, retirando a máscara de oxigênio para que não sufocasse por causa do choro.

— Acalme-se Uruha, acalme-se, que aconteceu? – Entregou-lhe um pedaço de papel, observando a forma como respirava.

- Eles vão... Vão tirar fotos não vão? Vão me filmar assim, todo acabado. – Tentava se acalmar, mas ainda estava cabisbaixo e desconsolado.

- Uruha isso não vai acontecer de forma alguma, a segurança e a diretoria jamais permitiriam que a imprensa entrasse aqui dentro, não precisa se assombrar. – Acarinhou a cabeça desprovida dos fios loiros, tentando passar segurança, o que parece ter conseguido quando seu paciente lhe fitou. – Acredite em mim, vai ficar tudo bem.

Takashima assentiu leve, pedindo desculpas e se recompondo, tencionando se deitar novamente. Viktor o cobriu e sorriu ternamente, erguendo um pouco a cama.

— Eu acho que preciso ir até lá embaixo para saber o que está acontecendo. Não pode ficar com algum deles? Eles estão tão preocupados, Aoi-san estava até chorando quando saiu daqui mais cedo. – Disse com um tom preocupado e implorativo na fala, fazendo Uruha arregalar os olhos.

- O que, o Aoi chorou? – Sentiu o coração apertar e um nó se formar na garganta, a bile subindo e obrigando Viktor a colocar a bacia sobre seu colo.

- Sim, ele ficou mal por te ver tão triste, mas está bem agora. Só que todos estão preocupados com você e-

Uruha acabou vomitando devido ao nervoso, mas por sorte seu almoço não veio junto, o que deixou o médico aliviado. Amparou-o até que o vômito cessou, fazendo-o se recostar na cama lentamente, retirando a bacia de cima de si e indo até o banheiro, voltando e pegando uma luva, colocando na mão direita enquanto segurava uma gaze levemente úmida, passando em volta dos lábios de Uruha.

— Está tudo bem, vou chamar eles aqui para conversarem um pouco, está bem? – Inquiriu, agradecendo por Uruha conseguir respirar melhor e não precisar dos respiradores artificiais no momento.

- Tudo... Tudo bem. – Tentou sorrir, conseguindo uma curva pequena, mas que de certa forma aliviou o médico.

- Eles não vão te julgar, acredite em mim. – Sorriu, afastando-se e guardando o necessário, saindo do quarto em seguida, caminhando rapidamente pelo corredor silencioso.

Uruha tentava manter a calma. Estava ansioso, mas depois de ter vomitado não queria mais se deixar levar por tantas emoções e fechou os olhos, respirando fundo e tentando relaxar um pouco antes de encarar todos novamente. Não queria se deixar levar por aquilo, mas não sabia direito o que fazer.

E por mais que tivesse sido ‘Ele’ quem cortou seu cabelo, Uruha não conseguiu não corar quando viu Aoi adentrando o quarto, desta vez agradecendo por todos eles usarem máscaras. Nenhum deles o encarou com asco ou algo parecido, mas estavam surpresos, o ex-loiro parecia tão abatido, mesmo que nem tivesse se dado conta disso.

Reita foi o primeiro a chegar perto do amigo, uma das mãos se dirigindo até a cabeça tão frágil agora que estava desprovida de cabelos, acarinhando suavemente com as costas dos dedos, fazendo Kouyou fechar os olhos e sorrir com o carinho.

— O Aoi beijando, você fazendo carinho. Minha cabeça vai ficar mal-acostumada. – Riu da própria sentença, levando os outros a rirem também.

- Pelo menos já parece melhor. – Aoi comentou, sentando-se na poltrona enquanto os outros também se acomodavam. – Ou ainda se acha um monstro?

- Ainda me acho um monstro. – Fez um bico antes de responder, mania que tinha com os amigos. – Mas, eu vou ficar bem, não se preocupem. Na verdade eu estou preocupado. O Viktor disse que vocês estavam mal. – Sentenciou levemente corado e baixando o olhar, sentindo que a culpa era sua.

- Nós estamos bem. – Kai informou sorrindo, mesmo que o amigo não pudesse ver. – Estamos preocupados, afinal de contas o Aoi disse como ficou, mas estamos bem de verdade. Cansados talvez. – Riu leve, tirando um sorriso do guitarrista. – Mas, estamos bem.

- Mentira o Kai está se sentindo culpado por nossa descoberta. – Reita fez fiasco de brincadeira, arrancando risadas dos quatro enquanto Kai lhe dava uma chacoalhada.

- Eu devia ter sido mais cuidadoso. O Koga-san provavelmente vai me matar.

- Não acho que ele deveria brigar vocês estão com tantos problemas e cansados por ficarem aqui, quando as férias acabarem, o que vai acontecer logo, vocês vão ficar mais exaustos ainda. Ele deve ver isso. – Uruha disse seguramente, mais confortável ao fitar os amigos, não que aquilo se estendesse à Aoi.

E Kai até ponderou sobre o assunto, de fato não foi culpa sua, por momentos esqueceu-se da fama e tentou ser um cidadão comum, mas os paparazzis não os deixavam respirar e esse tal misterioso havia acertado ao segui-lo, mas de fato o que mais desejava era que as coisas se acertassem de alguma forma, tendo quase certeza de que o empresário daria uma entrevista rápida contando tudo.

No momento, todavia, o que queria era ver Uruha bem e fazê-lo compreender que estava tudo bem ele ter perdido o cabelo, o que importava era seu ser, a pessoa, e não se ele tinha cabelo ou não. Mas, até se surpreendeu com a espontaneidade do amigo, apesar de ter notado que com o guitarrista moreno sentado a seu lado é que as coisas iriam ser mais complicadas.

Provavelmente não conseguiria fitá-lo nos olhos por algum tempo e as palavras trocadas seriam menores até ele conseguir ficar confortável na presença do amado, e por um momento Kai desejou não estar na pele de Aoi, apesar de internamente torcer para tudo dar certo.

E para que aquilo acontecesse todos tinham de sair dali, e naquele momento o líder parecia estar com sorte. Seu celular tocou e o baterista pediu licença, saindo do quarto dando uma última olhada para Reita, que compreendeu o que ele quis fazer e tomou a mão de Ruki num gesto mudo, saindo com o namorado do local sem falar nada, sendo velado pelos olhares de Uruha e Aoi, este último se voltando para o ex-loiro.

— Uru, por favor, olhe pra mim. – Pediu calmo, a voz baixa e tranqüila. Mas, Uruha estava constrangido e com vergonha de si mesmo para olhar o amante daquela forma, e apenas negou com a cabeça.

- Não... Não posso. – Disse quase num sussurro, fitando nervosamente as próprias mãos.

- Você não é um monstro Uruha, porque insiste nisso? Nada do que pensa sobre si é verdade, as coisas não mudaram entre nós. – Não queria ver o amado daquela forma, o amava com ou sem cabelos, independente de qualquer coisa. – Por favor, Uru, olha pra mim.

Uruha ergueu lentamente a cabeça, os olhos encontrando os de Aoi enquanto corava instantaneamente, mirando outra coisa que não fosse aquele mar negro em formato ocular na face do moreno.

— Eu... Eu tenho vergonha, Aoi. De mim, do que me tornei. Sei que é superficial e mesquinho pensar nessas coisas enquanto tenho essa doença para vencer e todos vocês se cansando de cada crise minha, mas infelizmente eu não consigo não juntar tudo e não criar esse bolo de problemas tão ruim. Se eu pudesse dormir e acordar só depois de estar curado eu faria com certeza. – Queria se conter, não agüentava mais chorar, mas estava realmente difícil. Sentia-se cada vez mais perdido.

E Aoi queria lhe abraçar, mas tinha tanto medo, tanto receio de deixar o amado mais doente. Somente conseguiu acarinhar uma das pernas por cima das cobertas, fazendo-o fitar-lhe.

— Eu te entendo Uru, sei que tudo isso está te sufocando, e infelizmente não posso amenizar sua dor, ou pelo menos não sei como, mas posso te garantir que estaremos sempre com você e não é sua falta de cabelo que vai me fazer afastar ou ter nojo de você, não pense isso. Eu escolhi você para passar o resto da minha vida e com ou sem cabelo eu vou lutar por isso, por favor, não fique infeliz assim, eu morro ao te ver tão machucado. – Disse com lágrimas nos olhos, fazendo Uruha lhe encarar por mais tempo, os olhos também inundados, mas não sabia mais se era por tristeza ou por se sentir tão feliz ao ter alguém como Aoi a seu lado.

- Eu vou tentar Aoi, cada dia surge mais coisas novas e isso têm me esgotado, mas eu vou tentar melhorar, e não ficar tão para baixo, até porque ando fazendo as contas e vocês têm pouco tempo aqui comigo e não quero que se esgotem de manhã e venham ficar comigo à noite, então por isso sei que preciso melhorar. – Disse sinceramente, conseguindo manter o olhar fixo nos olhos de Yuu.

O moreno sorriu fechado, uma das mãos indo a encontro das bochechas do amado, acarinhando suavemente com a costa, um carinho bem aceito por Uruha que fechou os olhos, sorrindo e aproveitando o contato.

— Vai ficar tudo bem Uru, sei que vai. Vamos passar por esses repórteres e nenhum festival vai mudar a formação da banda ou o que sentimos por você. Estamos juntos, lembra? – Sorriu, recebendo uma concordância muda com a cabeça.

- Não vou esquecer, prometo. – Sorriu mais abertamente, sentindo um pouco de cansaço e se deitando, bocejando rapidamente enquanto sentia os olhos pesarem.

- Durma mais um pouco, vai fazer bem.

Takashima concordou, fechando os olhos e se deixando levar para seu mundo de sonhos, e para alívio de Aoi dormiu logo, o que fez o moreno respirar fundo e se deixar largar um pouco na poltrona, fechando os olhos cansados por um momento, somente ouvindo os sons vindos da tv.

Estava esgotado, assim como todos os outros, e era duro pensar daquela forma, mas muito provavelmente só conseguiria descansar – não somente ele. – depois que as férias acabassem e estivesse em casa, o que machucava abertamente a si. Ficar longe de Uruha para descansar era uma equação que não desejava fazer parte de sua vida nunca.

E talvez por causa disso o ex-loiro tenha dito tudo aquilo, sentia que era um empecilho para todos, afinal em seus rostos estavam estampadas as noites mal dormidas, assim como seus corpos estavam sentindo de ficarem naquelas poltronas e cadeiras tão desconfortáveis.

Mas, como se ver livre de tudo aquilo? Como ficar longe de Uruha, descansando, enquanto queriam estar perto para proteger e dar amor e carinho ao companheiro que estava a dois passos da depressão e só ficava bem dormindo?

Como ficar longe do amor de sua vida, a pessoa que lhe tomou o coração inteiramente quando em trinta e dois anos ninguém havia conseguido feito igual? Eram muitas perguntas e poucas respostas, especulações demais e incertezas do futuro, e agora, pesando sobre tudo isso, Aoi conseguia entender melhor ainda porque o amado estava tão desesperado.

Não bastava estar doente, e agora, careca. Ainda tinha o sentimento de dor por ter crises de dores e de vômito, enjôos incessantes e oscilações de humor, assim como a sensação de despedida que estava começando a se instalar em seu coração. Aoi não era bobo, sabia que Uruha estava tentando se preparar, mas que muito provavelmente desabaria na hora do ‘até logo’.

Tinha medo, o amado não tinha familiar algum para ser seu acompanhante e não podia ficar sozinho. Dificilmente um membro do Staff poderia ficar no lugar de Reita, e definitivamente não sabia o que fazer, como agir ou o que pensar. Só tinha consciência de que Uruha não podia ficar à mercê da própria sorte e alguém tinha de aparecer para lhe amparar.

Mas, com tantas divagações, Aoi acabou pegando no sono, embargado em sonhos cheios de dúvidas a sanar, mas de certa forma, com uma luz no fim do túnel. Só precisava saber de onde ela viria.