You Are Not Alone

18 Acompanhante?


Notas iniciais
Oi pessoal *------------*
Acho que alguns de vocês devem estar viajando, por isso do número pequeno de reviews no cap anterior, mas espero que acompanhem tudo quando voltarem *-*
Não tenho muito o que dizer sobre esse cap, apenas que não se esqueçam do ponto de interrogação, ok?
Boa leitura.
PS: Notas finais.

- Acha que podemos arcar com tudo no fim do mês? O diretor permitiu e eu já ouvi alguns deles trocarem palavras sobre o tal acompanhante. Uruha não pode ficar sozinho. – O médico loiro estava em sua sala, levemente angustiado com a situação de seu paciente.

- Nós sempre conseguimos Viktor, faça isso por ele, seremos recompensados com a felicidade e paz de espírito dos cinco. – Felipe sorriu e deu um rápido selo no menor, abraçando-o em seguida.

- Sabe, valeu a pena passar por tudo para ter alguém como você comigo. – Devolveu o sorriso, abraçando o marido, — Podia-o chamar assim, visto que haviam se casado na Holanda. – depositando alguns beijos em sua bochecha.

- Digo o mesmo. Sofremos, mas eu passaria por tudo de novo se soubesse que teria você comigo agora. – Acarinhou suavemente a bochecha do amado. – Mas, quantos dias eles ainda tem?

O loiro franziu o cenho, tentando se lembrar.

— Uruha fez o mielograma exatamente no dia que eles saíram de férias. Uma semana depois diagnosticamos o câncer, depois veio a comitiva, de lá para cá passou mais uma semana e alguns dias, então presumo que no fim da semana que vem eles já estejam de volta as atividades normais. – Viktor sentenciou ainda meio em dúvida.

- Bem, está acabando já. E a segunda sessão do Uruha começa amanhã, presumo. – Felipe sentou-se na cadeira à frente da poltrona de seu amado, fitando-o.

- Sim, pedi a chefe das enfermeiras para deixar tudo ciente para ele e ela me disse que conseguiu aceitar bem aquilo.

- Fico mais tranqüilo também, apesar de que logo em seguida vem o mielograma. Ele já sabe disso? – Inquiriu, recebendo uma resposta positiva do médico.

- A enfermeira disse tudo para ele sobre essa segunda fase e daqui a pouco eu vou para lá, só preciso encontrar Reita-san antes e falar com ele. A autorização precisa vir da decisão dele, espero que concorde. – Terminou o que fazia, juntando tudo e se levantando.

- Aposto que todos vão ficar realmente contentes com isso. – O hematologista comentou, sorrindo para o menor em seguida.

xXx

No dia anterior Uruha havia acordado na hora do banho, como sempre, e conseguiu fazê-lo e jantar mais tranquilamente, a presença de Aoi não lhe causava vergonha de si mesmo. Havia dormido bem e estava tentando aceitar sua falta de cabelos, de certa forma gostando de encostar a pele da cabeça no travesseiro. Era diferente, tinha de admitir.

Não tinha ficado muito surpreso ao acordar e ver no Ruki no lugar de Yuu, eles realmente estavam se esforçando, e isso, pelo sim, pelo não, deixava o ex-loiro constrangido. Nunca quis ser empecilho na vida de ninguém, e era isso que no momento havia se tornado.

— Não pense isso. – Assim como os outros, Ruki acarinhava a cabeça do amigo, que poderia ronronar a qualquer momento dado a sensação e a delicadeza dos movimentos feitos por Takanori. – Sabe que a culpa não é sua.

- Eu sei, mas morro de pena de ver vocês aqui no hospital morrendo de dores por dormirem em cadeiras ou com olheiras e cansaço por não descansarem às vezes, enquanto eu fico aqui, deitado. – Disse sinceramente, aquilo era algo que iria lhe incomodar até que estivesse curado. – Fora o Kai que deve ter levado bronca.

- Pon, acha mesmo que estando aí deitado a sua situação é melhor que a nossa? – Ruki inquiriu; sinceridade exalando de cada palavra. – Você tem mais dores que todos nós e tudo que passa as horas de sono não compensam, sabe disso. E além do mais, o Kai não levou bronca. O Koga-san apareceu aí embaixo depois de uma reunião na companhia, e disse a verdade, mas como a polícia já estava aqui também, tudo foi controlado. Vai ficar tudo bem. – Sorriu leve, depositando um beijo na cabeça do amigo.

- Sabe, eu estava contando os dias, falta tão pouco para-

- Sim, nós também contamos. – Ruki exibia um semblante triste, mas duvidava que Uruha não fosse tocar naquele assunto. – Sexta-feira que vem as férias acabam.

- Exatamente daqui uma semana. – Takashima soltou fracamente a frase, tentando manter a calma. – E eu vou ficar sem acompanhante, acho que isso é proibido.

- Nós vamos dar um jeito Pon, tente não pensar nisso, vamos aproveitar essa semana ficando bem. Você não vai ficar sozinho aqui, está bem?

Uruha assentiu leve, sorrindo para o amigo e se aconchegando na cama. Ruki não parava de acarinhar sua cabeça em nenhum momento e os dois continuaram trocando conversas amenas, conseguindo assim fazer com que o guitarrista conseguisse tomar bem seu café da manhã, rindo com os diálogos entre ele e o vocalista, levando um sorriso aos lábios da enfermeira que cuidava de si.

Enquanto isso na sala de espera, Reita assinava com lágrimas nos olhos, a autorização que deixava Viktor como sendo acompanhante interino de Uruha, sendo também seu médico em tempo integral, com a obrigação de não sair de seu quarto, em contrapartida abrindo mão de seus outros pacientes.

— Viktor, espero que isso não te cause problemas. – Suzuki enxugou as lágrimas, sorrindo amavelmente para o menor.

- Imagine, vai ficar tudo bem. Eu e o Felipe ganhamos bem, podemos nos manter comigo cuidando só do Uruha, não se preocupe, de verdade. – O médico sorriu amável, recebendo um abraço de seu ídolo que provavelmente havia virado seu fã depois de tantas coisas boas que fez.

- Pode esperar o Aoi e o Kai para dar a notícia ou precisa ver outros pacientes? – Reita indagou baixo, havia algumas pessoas chorando e sendo amparadas no local.

- Falando neles, foram aonde? – O médico inquiriu no mesmo tom de voz, quase sussurrando.

- Foram comer algo, depois que voltarem eu vou com Ruki.

- Eles conseguiram sair pelas portas laterais? – O médico torcia para que sim, quase vibrando com a resposta positiva do loiro.

- O Kai disse que eles conseguiram se esconder da imprensa que ainda ronda por aqui, mas eu acho que ainda vão dar o flagra em alguns de nós. – Riu extremamente baixo evitando chamar atenção.

- Não duvido, mas enquanto não acontece, aproveitem. – Viktor deu uma piscadela. – E pode dar as boas novas, vou dar uma rondada pelo hospital e mais tarde passo no quarto de Uruha.

Reita assentiu, sorrindo e se acomodando novamente na cadeira, fitando a tv que deveria distrair as pessoas que esperavam naquela sala, mas que, obviamente, não o fazia, apesar de o loiro ter tirado muitos problemas dos ombros com aquele gesto do médico.

xXx

— Minha cabeça vai ficar carente de tantos carinhos quando você voltar pra gravadora. – Uruha riu gostosamente, arrancando risadas de Ruki. O vocalista havia passado boa parte do horário entre o café e o almoço conversando com o amigo e acarinhando sua cabeça desprovida dos cobiçosos fios e agora estava comendo descontraídamente, conseguindo aproveitar a refeição.

- É, mas eu vou deixar meu nome marcado nela, aí a carência diminui. – Takanori disse simplista, tirando mais risadas e sorrisos de Takashima.

Estava feliz por ver o amigo mais contente, com uma cor mais viva em sua cútis maculada, mais sorrisos em seus lábios rachados, e certo ar esperançoso em seus olhos chocolate caídos, apesar destes ainda emanarem tristeza.

Bem, Takanori sabia que as coisas não seriam fáceis, e todos estavam tendo essa certeza com as crises que Uruha vinha apresentando. Mas, conhecendo Takashima como ele conhecia, sabia também que faria de tudo para passar por cima daquilo e tentaria se manter forte quando todos estivessem longe.

Tinha certeza absoluta de que de nenhuma maneira, Uruha desistiria de viver.

xXx

Kai desceu do táxi em frente à entrada de um condomínio de casas, caminhando tranquilamente até a portaria, fitando rapidamente o local até onde sua visão alcançava.

— Boa tarde, quem gostaria? – A voz afeminada da mulher devidamente uniformizada num traje social azul e coque no alto da cabeça, ditou pelo microfone que ficava perto de seu rosto dentro da guarita, fazendo o som ecoar para fora.

- Boa tarde, fui chamado pelo senhor Ishihara Takamasa. Gostaria de saber qual o número da casa dele, e quem fala é Uke Yutaka, ou Kai. – O baterista sorriu amável, anuindo quando a atendente pediu que aguardasse um momento.

Esperou em silêncio a mulher pegar o interfone, discando alguns números e trocando poucas palavras com a pessoa que ele acreditou ser Miyavi, desligando rapidamente e fitando-o com um sorriso no rosto.

— Última casa à direita, número 8. O senhor Ishihara lhe espera. – Anunciou, acionando um botão que iniciou a abertura de um portão ao lado direito de sua cabine, indicando à Kai que prosseguisse.

O baterista agradeceu formalmente, passando pelo portão e se dirigindo até e calçada da direita, caminhando tranquilamente pelo conjunto residencial. Podia ver atrás das imponentes casas de três andares, bons blocos de verde, provavelmente tanto dos jardins como quanto da mata selvagem.

Era uma bela visão, que fez Yutaka sorrir quase bobamente, aumentando o ato em gênero, número e grau, quando viu Miyavi do lado de fora de sua casa com Lovelie nos braços, devidamente coberta por causa do vento do outono.

— E a Super-babá-Kai surge para ajudar esse pobre pai desesperado. – Miyavi fez uma pose melodramática, colocando a costa da mão sobre o rosto, abaixando-o e levando Kai a dar uma gostosa risada.

- Não tem nada de super babá, eu disse que sempre que pudesse viria lhe ajudar. – Abraçou o maior como conseguiu, aspirando o cheiro gostoso da curva de seu pescoço, enquanto um beijo suave era depositado em sua bochecha.

- E veio, desculpe pelo telefonema urgente, mas é que só agora que a fome bateu que eu me lembrei que não havia feito compras. Mas, vamos entrar para conversar melhor. – Ditou, dando passagem para Kai que não hesitou em pegar Lovelie de seus braços, fazendo o cantor sorrir.

Caminharam apenas até alcançar a sala, primeiro ambiente da casa. Era um lugar grande, o que já se podia esperar apenas por olhar de fora. As paredes eram beges e tantos os rodapés como roda tetos eram detalhados, coloridos num tom branco. Dois sofás em cor lavanda de dois e três lugares ocupavam uma parte do ambiente, o menor adjacente ao lado direito do outro.

Havia uma mesinha de centro inteiramente de vidro, contando com a base, tendo as pontas cobertas por proteções de plásticos, ostentando apenas uma toalha branca delicada e uma bombonière repleta de doces. Á frente da mesma, uma estante baixa em ébano, acomodando o aparelho de DVD e outros acessórios, acima da mesma presa na parede com uma base de madeira ao fundo, uma tv de LED de 42 polegadas, que no momento encontrava-se desligada.

No chão apenas um tapete embaixo da mesinha de centro extremamente fofo e de cor crua, deixando boa parte do porcelanato à mostra.

A parede atrás do sofá de três lugares tinha uma parte destinada a uma porta de vidro detalhada, que, de acordo com Miyavi, dava acesso a um jardim impossível de ser visto pelo lado de fora. A parede ao lado, que também acomodava a porta, possuía uma grande janela, coberta por uma cortina de cor bege, tendo por cima do tecido leitoso uma camada rendada, branca.

As paredes ainda sustentavam alguns quadros, e num dos cantos havia uma pequena estante feita exatamente para se acomodar entre a junção das duas colunas de sustentação, contendo algumas fotos pessoais do músico e de sua filha.

Yutaka observou tudo rapidamente, sentando-se num dos sofás e intercalando os olhares entre Ishihara e Lovelie.

— Kai, você vai realmente salvar minha vida. Eu tenho um básico para o café da manhã e o leite especial da Lovelie-chan, mas comida para mim que é bom, nada. — Fez um bico, rindo em seguida com o outro. – Preciso urgente ir fazer compras.

- Pode ir sem pressa Miyavi, eu fico com ela o tempo que precisar. — Sorriu amável, levando o outro para o mesmo caminho.

- Eu agradeço de coração. — Levantou-se rapidamente, conferindo mais uma vez tudo que precisaria. — Nesse andar tem a sala de jantar seguindo pelo corredor, uma sala íntima atrás dessa porta, — Apontou para trás de si, mais especificamente para a parede atrás do sofá de dois lugares. — a cozinha do lado direito do corredor, e dela você tem acesso ao corredor que dá para a piscina. No segundo andar tem três quartos, mas como a Lovelie ainda é pequena, dorme no meu que é no terceiro andar e pega ele todo. Qualquer coisa que precisar pode fuçar a casa toda e eu prometo que não demoro.

- Vá sem pressa. — Yutaka anunciou, sorrindo ternamente enquanto o maior dava um beijo na filha e outro em sua bochecha, pegando as coisas e saindo porta a fora.

O baterista sorriu amavelmente ao fitar a filha de Takamasa, dormindo gostosamente em seus braços como se ali fosse o lugar mais aconchegante e seguro para se ficar. Fazia ainda barulhos característicos de bebês e às vezes mexia os bracinhos, fazendo Yutaka sorrir bobamente.

O moreno notou ainda como toda a decoração delicada que Miyavi havia escolhido praticamente gritava indicando que o cantor havia feito tudo por Lovelie. Mesmo com seu jeito extravagante, Yutaka sempre ouviu falar que Ishihara não abusava tanto em casa, usando o espaço como seu ponto de paz, mas ainda tendo toques peculiares de sua personalidade.

No entanto, pelo menos neste primeiro ambiente, Kai notou que tudo era ‘normal’ demais, e mesmo sendo o lugar particular de descanso de Miyavi, brando além da conta para ele. E para quem já conhecia Lovelie, só podia arriscar que o cantor havia mudado tanto por causa dela.

Mas, bem, desde quando Kai havia se prendido a tantos detalhes da vida do outro? Nunca foram íntimos a esse ponto, e tudo que sabia vinha de conversas rápidas com o maior, nada que os houvesse feito sentar juntos para conversar seriamente. Entretanto, como passe de mágica, Yutaka se via preso a tudo que vinha dele, principalmente depois do brilho em seus olhos ao falar da filha.

A garotinha que só sabia pedir as coisas através de resmungos e choros havia mudado a vida do pai sem nem imaginar algo assim. Sua presença – Pelo menos era o que Kai achava. – fez Takamasa ver o mundo de uma forma diferente, e provavelmente o cantor enxergava coisas que antes passavam despercebidas, mudando seu ritmo de vida.

E não precisava muito para notar aquilo. Pela segunda vez que o vira depois do nascimento de Lovelie, Kai percebeu que ele só vestia trajes discretos e sóbrios, excluindo acessórios como anéis e pulseiras, ostentando apenas o piercing. Os cabelos pretos e compridos escorriam pelos ombros sem nenhum aparato e ele deixava de ser o grande Miyavi para ser apenas mais um cidadão comum japonês com uma adorável filha para criar.

E por um momento, Kai se perguntou se não poderia ser parte daquilo. Quer dizer, mesmo sendo há poucos dias, ele já se sentia bem próximo de Miyavi e havia se encantado com Lovelie, que podia se perder adoravelmente naquele ambiente de amor e paz sem mencionar um único instante, sair dali, mesmo que fosse parecer um intruso.

Estava se sentindo bem e feliz em poder ajudar Miyavi que mal notou, no meio das divagações, seus pés o levarem de encontro aos ambientes do primeiro pavimento, cada um decorado com peças leves dando um ar quente e aconchegante, as cores das paredes sempre neutras ou clarinhas, os móveis seguindo essa linha, salvo uma estante ou outra, mas tudo em seu devido lugar, limpo e impecável.

Deixou-se levar até o segundo andar, achando apenas três portas, dos quartos que Miyavi havia dito. Resolveu não abri-los e direcionou-se para o último pavimento, encontrando mais três portas. Duas nas extremidades das paredes, uma dando para o terraço, e a última à frente, sendo o quarto do cantor, provavelmente.

Não se atreveria a abrir a porta e apenas caminhou em direção ao espaço ao ar livre, deixando a porta de correr, — Que era coberta por uma cortina num tom mais forte, mas que estava presa por cordinhas douradas. – abrir e revelar um espaço não muito grande, contendo uma espreguiçadeira, alguns vasos de plantas nos cantos e uma pequena mesa com quatro cadeiras do tipo usada em casas de campo na hora dos cafés da tarde.

Fitou Lovelie dentro de macacão rosa se mexer adoravelmente em seus braços, mas fazendo uma pequena careta de quem começaria a chorar e sorriu rapidamente, acomodando-a em pé nos braços, adentrando a casa novamente quando a garotinha começou a chorar.

— Nee, Lovelie-chan deve estar com fome. Vamos até a cozinha que a Super babá Kai vai cuidar de você. – Riu baixo da própria frase, caminhando escada abaixo.

Estava feliz e nada mudaria aquilo.

xXx

— Você o que?! – Uruha estava boquiaberto, Reita sorria amavelmente e Ruki e Aoi tinham lágrimas nos olhos.

- Eu vou ser seu acompanhante, Uruha. Você não vai ficar sozinho. – Viktor sorriu feliz por sua decisão.

Notas finais
Sabiam que vocês estão realizando meu maior sonho? ♥
Eu sempre desejei ter 100 reviews numa fanfic. Obrigada de coração a todos. Espero que quem não tenha lido o cap anterior, quando o faça que possa comentar, me deixaria muito feliz *-*.