You Are Not Alone
25 Desabafo
Notas iniciais
Espero que me desculpem por isso, os leitores aumentaram para 43 e eu desejo boas vindas à todos, peguem suas pipocas pessoal e aproveitem ♥
boa leitura.
Os dois caminharam levemente ansiosos para o apartamento de Reita, o maior finalmente podendo abraçar com intensidade a cintura de Ruki, depositando beijos em seu pescoço enquanto ele inclinava a cabeça para o lado oposto, dando espaço para o baixista brincar consigo. Seus toques eram firmes e intensos, mas não ia adiante, mais do que Akira achava que deveria ir. Contentou-se em apenas guiar Takanori para seu quarto ainda agarrando as laterais de sua cintura, escolhendo uma roupa junto com ele e caminhando até o banheiro.
- Eu definitivamente adoraria tomar banho com você, Ruki. Mas, acho melhor irmos descansar hoje.
- Mas, sabe que isso evoluiu, não? – O menor argüiu, sentando-se na borda da banheira, enquanto tirava as próprias meias. Por sorte tinha coisas na casa do maior.
- Sei sim. Acha que nosso próximo encontro vai avançar mais? – Inquiriu, retirando sua camiseta e colocando dentro do cesto de palha.
- Não sei bem dizer se o sexo já estará presente, mas não é como se eu não sentisse vontade. Mas, sabe do meu medo.
- Sei sim Ruki e esperarei o tempo que precisar. Mas, deveria mudar as palavras, quem ouve isso vai pensar que você é virgem.
- Baka! – Reita riu da sentença e Ruki acabou indo pelo mesmo caminho, retirando a própria parte de cima de sua roupa e jogando no maior. – Sabe que não sou virgem.
- Do traseiro é. – Reita cruzou os braços, apoiando-se na porta enquanto fitava o menor se levantar e ir em direção ao box.
- Sim, mas eu não preciso enfatizar isso, melhor deixar a pose de bom menino. – Riu.
- Bom menino? Por favor, Ruki, menos, quase nada. – Reita riu novamente, desta vez a calça e a cueca do menor voando em si, ouvindo o chuveiro ser aberto. – Aproveite o banho senhor puritano, estarei no outro banheiro.
- Boa punheta!
Mais risadas e o cansaço por pouco quase indo realmente embora. Claro que os dois não permitiriam deixar algo como aquilo acontecer ainda tendo ensaios no dia seguinte, e Reita apenas limitou-se a ir tomar banho no banheiro que não ficava em nenhuma das duas suítes, assim não ficaria tentado a usar a banheira. E como Ruki, gemeu de alívio ao sentir a água quente em seu corpo necessitado de cama, se lavando o mais rápido que conseguiu, terminando tudo com agilidade, mal se dando conta de quando se encontrou na cama com o menor, os dois devidamente abraçados e cobertos até a cabeça com o edredom, dado o frio. Conversaram pouco e desejaram apenas boa noite para o outro, terminando de se ajeitar e finalmente podendo se deixar levar pelo tão almejado sono.
xXx
- Isso é tão bom Uruha. – Viktor anunciou sorridente logo pela manhã após Takashima ter tomado café. – Finalmente sua anemia regrediu e seu sistema imunológico está mais forte.
- Isso... Isso é bom demais. – Sorriu verdadeiramente, só não se sentando por estar com um pouco de frio, não que fosse decorrido de febre, como o médico já havia verificado. – Estou melhorando.
- Viu, finalmente conseguiu. – A Senhora Suzuki acarinhou um dos braços do filho, visivelmente feliz.
- E não é só isso. – O loiro anunciou novamente. – Não lembro se recorda, mas comentei com você no início do tratamento que após o segundo ciclo do tratamento de indução, o paciente fazia um mielograma pra identificar se ainda havia as células cancerosas e, se estivesse com a saúde estável, poderia ficar em casa até o resultado chegar. E com essa sua melhora eu tenho certeza absoluta que poderá ir.
Uruha não conseguiu conter a alegria, desta vez se sentando e levando as duas mãos ao rosto, feliz por tal notícia. Certamente aproveitaria os dias de descanso em seu lar, fazendo amenidades e relaxando, sem se importar com qualquer outra coisa. Cuidaria de si e aproveitaria sua macia cama, dormindo e acordando a hora que quisesse. Ainda que estivesse realmente doente, essa parte já lhe parecia um paraíso.
- Claro que – Viktor continuou. – há regras que você deverá seguir e seria bom se pudesse ficar na casa de alguém para algum incidente que possa ocorrer. Só como precaução realmente.
- Se for assim – Argüiu o Senhor Suzuki. – nós poderíamos ir para a casa de Akira e você poderia ir aproveitar a companhia de Shiroyama-san, e quando o resultado saísse, nós lhe buscaríamos.
Uruha fitou seus pais incrédulo, corando de imediato. Sabia que eles não tinham problema com homossexualismo, mas saberem que ele tinha um caso com Aoi era inédito. Não se lembrava de ter dito nada, e quando ouviu sua mãe e Viktor rirem baixos, corou ainda mais, arrancando uma risada baixa e um pigarreio de seu pai.
- Não fazia idéia que sabiam.
- Percebemos anteontem quando o vimos. – Sua mãe se pronunciou novamente. – Meu filho, essa oportunidade será realmente especial, aproveite quando chegar, assim também poderemos matar a saudade de Akira.
- Se realmente não se importam... – Sorriu constrangido, corando e fitando o chão. – Seria realmente bom ficar com o Aoi durante esse tempo. Mas, queria fazer uma surpresa, chegar num dia qualquer na gravadora.
- Se é assim, Viktor-san pode nos dizer quando o dia do exame e da alta chegará e nós vamos buscar algumas roupas para você usar enquanto estiver com Shiroyama-san, assim ele só saberá quando aparecer na gravadora.
Os quaro sorriram absolutamente cúmplices, inebriando o quarto com uma aura realmente leve, tornando aquele começo de manhã mais gostoso e aproveitável para Uruha, que era somente sorrisos, claro que também influenciados pelos programas de comédia que havia acompanhando. De qualquer forma era, sem dúvida, mais esperança surgindo em seu caminho.
xXx
Ruki e Reita chegaram juntos à companhia, sorridentes e mais animados que o normal. O vocalista deu uma rápida olhada em seu carro conferindo tudo, aproveitando que Akira ainda pegava seu baixo. Sorriu fechado ao ver tudo em ordem, trancando o veículo novamente e dirigindo-se com o outro para o elevador que havia no subsolo, agradecendo pelo mesmo ir até seu andar.
Dentro das instalações não podiam fazer nada, mas depois da maravilhosa noite que tiveram, com direito a café da manhã mais elaborado e especial, com muito carinho que certamente não seria interrompido mesmo que o mundo se acabasse do lado de fora não precisavam nem se preocupar em não se tocarem. Estavam felizes pelo andamento de seu relacionamento, contentes também por ele, ainda que estando lento, estar caminhando de forma natural e segura, sem margem para coisas impensadas.
E claro que sua aura boa inebriou os outros três que já se encontravam na sala de ensaios, ainda que Sugizo não tenha sorrido por não entender bem as relações dos membros ainda. Apenas observou como eles trocavam olhares ás vezes, mesmo que Reita estivesse conversando sobre a set-list do festival que já havia sido entregue, e Ruki bebesse um pouco de água, preparando-se para cantar.
Aoi e Akira permaneceram mais alguns minutos conversando, em seguida o moreno indo até Sugizo, precisava acertar coisas com ele como entradas para os solos de Uruha, assim como o mesmo faria para os solos de Shiroyama. O sincronismo tinha de ser perfeito para não deixar lacunas nas músicas, assim como nenhum dos dois, talvez Sugizo por não ter composto nenhuma das músicas, acabar se perdendo e acelerar os compassos.
Ainda que o guitarrista do X Japan fosse profissional, não estava acostumado com outro estilo e tinha de aprender como se estivesse começando do zero, claro que sendo uma experiência boa. Fora bem aceito pela produção, inclusive, e estava confortável com todos, feliz por poder ajudar e estar conseguindo interagir tanto pessoalmente quanto e principalmente profissionalmente, focando em Aoi. Suas guitarras trabalhavam bem em conjunto, e eles se davam bem, o que no conjunto inteiro era extremamente agradável.
Os cinco se posicionaram devidamente alguns minutos depois com uma chamada de Kai, e as cinco músicas que seriam apresentadas foram foco de todos, e assim seriam até que o festival chegasse; Yutaka mal podendo imaginar o que viria depois, visto que o single novo deveria ser gravado e ele tinha certeza que antes do evento de inverno fotos seriam feitas com os visuais da apresentação ou outros parecidos, e se perguntava como seria a aceitação.
Não queria pensar naquilo, mas de certa forma não tinha escapatória. Ainda assim resolveu se concentrar no ensaio, afinal de contas, não poderia errar.
E o almoço nunca pareceu chegar tão rápido. Os cinco se divertiam tocando, trocando brincadeiras e piadas durante as músicas, um clima de nostalgia inebriando principalmente Kai, que se lembrava de Uruha e claro, observador como era, podia notar que ainda que estivessem brincando também, Aoi e Reita estavam vazios por não ser ele. O líder não desejava precisar compartilhar as intimidades da banda com outra pessoa e chegava a se sentir impotente com isso, mas ainda assim não poderia fazer nada, o que era mais decepcionante.
Ainda assim sorriu com todos, tentando não forçar. Queria estar bem de verdade e de alguma maneira poder ajudar Reita e Aoi, talvez devesse ter uma conversa com eles após o ensaio para tentar amenizar as coisas, se sentia mal por vê-los desconsolados.
Apesar disso, Ruki parecia realmente relaxado e bem. Certamente havia estado com o outro, por isso do bom-humor e o sorriso estampado em sua face, ainda que tentasse disfarçar. Mas, tentar disfarçar algo do líder era realmente difícil, ainda mais num momento como esse em que se encontravam, com Yutaka tão compenetrado nos detalhes.
Mas, no fim das contas só podia esperar mesmo. Deu um sorriso gentil para Reita quando este lhe dirigiu a palavra, terminando de comer para voltar logo à gravadora. O frio começava a ficar mais intenso, conseqüência do outono que ia passando da metade. Logo o inverno chegaria e o vento frio que agora beijava seus rostos conforme se dirigiam novamente à PS seria mais rigoroso e intenso, ainda que junto com ele viesse o natal.
A data não era de comemoração muito seguida pelos orientais, mas os cinco costumavam se reunir sempre que podiam para conversar e trocar alguns presentes, e agora, sendo o primeiro ano tanto de Aoi e Uruha assim como de Ruki e Reita, as coisas seriam diferentes já que o guitarrista loiro não estaria lá. Kai se perguntava como o moreno encararia aquilo, e desejava que fosse de um bom jeito, ainda que não tivesse real certeza.
- Cuidado Sugizo, quando o Kai pensa demais é porque a coisa ou ta boa ou ta feia. Mas acho melhor você sempre levar para o lado ruim. – Ouviu a voz de Aoi ao longe rindo junto com os outros e acabou de juntando, tentando não devanear tanto.
- Me deixem pensar em paz.
- Aposto que é no Miyavi. – Ruki falou baixo, mas o suficiente para que todos ouvissem e caíssem na risada conforme o líder foi corando, mesmo que aquilo fosse mentira.
- Não é verdade. – Virou o rosto, fitando outro ponto qualquer da rua.
- Mentira é? – O vocalista alfinetou. – Então porque está corado?
- Está insinuando o que? – Kai virou-se para ele. – Sabe que a maioria das coisas que vocês dizem quando eu estou distraído me deixam assim, não venha dizer que é por causa do Miyavi.
- Vou fingir que acredito.
Os cinco riram novamente antes de adentrarem a companhia, ainda provocando Kai. Estavam leves e confiantes para o festival, ainda que soubessem que mais ensaios eram necessários. Sugizo interagia bem com eles e isso já era uma bela ajuda, assim como conseguiu entrar bem nos ritmos de cada música, o que deu mais descanso aos ombros cansados dos outros quatro que no começo estavam um pouco agoniados com isso.
Agora as coisas estavam bem encaminhadas e como anteriormente o ensaio correu bem, as cinco músicas estavam praticamente perfeitas, para tudo dar realmente certo só faltava visitar o local do festival, coisa que os cinco fariam no dia seguinte, como o empresário havia dito quando entregou o set list para Kai. Infelizmente não podiam adiar aquilo, e Yutaka organizou tudo com os outros e conforme foram se arrumando para irem embora, sua voz se fez presente na sala de descanso.
- Reita, Aoi, se importam de ficar? Eu queria falar com vocês. – Disse sem fitar os dois, com a convicção tão conhecida, fazendo-os assentirem e Sugizo e Ruki trocarem olhares curiosos, não que tivessem ficado na sala quando Yutaka se sentou, indicando que muito provavelmente a coisa não seria muito fácil. Não que fosse realmente verdade, mas ele preferia passar aquela imagem. Por fim o vocalista e o guitarrista acabaram indo e os que sobraram se sentaram perto do líder, olhando-o com curiosidade.
- Aconteceu alguma coisa Kai? – Reita quebrou o silêncio, surpreendendo-se ao ver relaxar.
- Vocês dois. Vocês estão tristes não é? – Deu um sorriso cúmplice, não indicando que estava como eles, mas que aquela pose séria era apenas fachada. – Poderiam ter me dito.
- Não temos esse direito. – Aoi estatuou. – Quer dizer, o contrato acima de tudo, certo? – Respirou fundo, estava sufocado por aquilo.
- Seus corações abaixo dele também? Não digo que deveriam fazer um escândalo, vi como estão lutando contra isso, mas poderiam desabafar também. Sei que não odeiam Sugizo, odeiam ter que colocar alguém no lugar de Uruha. Vão guardar algo desse tamanho para vocês?
Kai falava calmo e sereno, querendo passar confiança para os dois. Não foi preciso muito para ver as máscaras caindo e eles se deixarem levar por um choro baixo e entregue, que desolaria qualquer um. Não estava sendo fácil passar por cima de tantas coisas por causa de um papel, e ainda que da visão de fora fosse parecer infantil, os dois — E agora Kai. – sabiam o que sentiam e como aquilo machucava. Não queriam que fosse daquela forma, precisavam ver o outro de qualquer maneira, sentir que estava bem, talvez apenas assim conseguissem realmente se acalmar.
- Ele não me mandou mais mensagem, será que aconteceu alguma coisa?
- Parece que ele tinha perdido o celular. – Reita enxugou as lágrimas, erguendo a cabeça. – Minha mãe disse mais cedo, mas eu esqueci de te avisar, desculpe. Mas, acredito que devem ter encontrado já.
- Porque vocês não vão lá, seria bom, assim podem aliviar um pouco mais o coração.
Os dois se olharam rapidamente e trocaram um sorriso tímido e cúmplice, decidindo o que fazer com sua noite de sexta-feira.
- Obrigado Kai. – Aoi sorriu, seguido pelo líder. Os três pegaram tudo que lhes pertencia e saíram da companhia ainda levemente cheia, parando apenas no estacionamento onde se despediram de Yutaka, decidindo que iriam no carro de Reita, já que Aoi outrora precisara deixar seu automóvel no local e descobrira ser de confiança.
Estavam um pouco mais leves depois da rápida conversa e agora entendiam porque o baterista estava tão compenetrado e jurou de pés juntos que não pensava em Miyavi. Sim, porque tanto Reita quanto Aoi sabiam que mesmo negando agora, Kai já estava envolvido com o outro. Até onde sabiam ele não havia ligado mais, e imaginavam que aquilo agoniava seu líder, mesmo que sem querer. Talvez Kai ainda não tivesse entendido o que realmente sentia, mas imaginavam que se Ishihara sentia o mesmo, não demoraria muito a falar.
Não tinham certeza de muita coisa, mas mudamente desejavam que Kai fosse feliz e assim como ele estariam sempre a seu lado para qualquer coisa que acontecesse, lhe apoiando se aquela situação fosse 'boa demais para ser verdade', assim como lhe desejando todas as felicidades caso fosse Miyavi que lhe tirasse daquela solidão.
Ainda assim, dos seis, Aoi parecia ter sido o único a se declarar no momento, e não poderia deixar passar, agora que estava sozinho com Reita, de perguntar por que Ruki estava tão sorridente naquela manhã, ainda que já tivesse suas reais suspeitas. Aproveitou que ele tomava um pouco de água e com toda inocência embutida nos olhos negros, jogou o anzol.
- O Ruki estava sorridente hoje de manhã nee? Aposto que a noite que foi boa.
Começou a rir quando o amigo se engasgou com a água, não sabendo se ria também ou direcionava uns tapas contra o outro.
- Maldito, não diga essas coisas quando eu estiver tomando água! – Tentou se recompor, enxugando as lágrimas que desceram por causa a risada, assim como vestígios da água que ficara pelo rosto. – E não pense demais.
- Eu não penso demais, o Ruki que estava alegre. – Deu de ombros, esperando a confissão.
- É verdade que nós passamos a noite juntos. Fomos jantar depois que saímos da PS, e eu acabei pedindo ele em namoro. – Agradeceu por estar de faixa e não fitar Aoi por causa da atenção que precisava ao dirigir, afinal de contas deveria estar realmente corado. – Mas, não lhe dei nada, achei que a gente podia escolher alguma coisa depois. E por fim ele acabou indo para casa depois, mas não fizemos mais do que trocar palavras e alguns carinhos.
- Isso é bom, já faz algum tempo que vocês estão juntos. – Aoi argüiu, sorrindo. – Mas, e claro, se puder responder, queria entender porque ele não cede.
- Ele tem medo Aoi. Medo da dor. – Disse simplista e calmo, sabia que podia confiar no moreno. – E eu ainda não sei como fazer esse medo ir embora. – Fez uma rápida pausa. – Se é que vai.
- Duvida?
- Um pouco. Acho que só vai acontecer mesmo depois que passar esse festival. O Ruki anda nervoso demais com tudo e eu estava conversando com o Koga-san e temos uma lacuna depois do festival. O Uruha ainda está na metade do tratamento e não podemos gravar o single sem ele. Acho que conseguimos algumas férias depois disso.
- Talvez tenha sido por isso que o Koga-san deixou claro que Sugizo era inteiramente da banda quando assinou o contrato. Pelo menos nisso estão do nosso lado. – Aoi encolheu-se no banco, olhando para fora.
- Acha que ele está melhor? Atualmente tenho medo que passe mal por qualquer coisa e a qualquer momento.
- Nem fale, acho que nem tenho mais chão embaixo de mim depois de ver ele sofrendo tanto. – Era possível ver a amargura em sua voz, a dor que ainda guardava.
E Reita sorriu. Não provocativo, mas terno. Tinha aquela intimidade com Aoi e sabia que algumas coisas o moreno desabafava consigo.
- Você ama muito ele não é? Posso sentir isso quando toca no nome dele. – Viu de esguelha Aoi lhe fitar e sorriu fechado, amigo.
- Amo Reita, e estar longe dele quando eu estava tão perto de dizer tudo realmente foi uma porrada. – Sorriu triste.
- E sei que ainda não chorou tudo que precisava. Aposto que chora sozinho no seu apartamento, mas isso também não é a mesma coisa. Vá em frente, eu não posso te dar um abraço, mas posso te dar conforto e mostrar que não está sozinho. Nem com o Kai chorou direito, faça isso agora, vai te deixar melhor.
Reita colocara numa rádio internacional que tocava diversas músicas. Ainda que o próprio não fosse prontamente eclético gostava de relaxar a noite e algo mais tranqüilo lhe ajudava. E a letra daquela que tocava no momento, — Ainda que nenhum dos dois estivesse realmente prestando atenção. — junto com suas palavras fez Aoi deixar suas defesas caírem, entregando-se a um choro baixo que aos poucos foi se intensificando, fazendo o moreno se abraçar.
E eu não me importo Se é comigo com quem você precisa desabafar
Nós vamos superar, No fim o que realmente importa é o coração...
- Eu... Eu ainda não acredito, quando vou dormir tenho pesadelos e fico desejando que tudo não seja uma imensa mentira. Ter ficado um ano para me declarar agora parece a pior decisão da minha vida.
- Não diga isso, você fez o certo, deixou o sentimento se firmar. A leucemia dele foi uma pedra no caminho, mas se esperou tanto para se declarar eu tenho certeza que agora não vai deixar isso atrapalhar Aoi, você o ama e seu amor por ele vai te ajudar, apenas confie.
- Tenho medo dessas pedras da vida, sempre parecem um fardo maior. Mas é pelo Uruha no fim das contas, isso vale mais que qualquer outra coisa.
Reita sorriu terno, assentindo. Aoi ainda tinha muito que colocar para fora, mas ele sabia que o moreno o faria daquela maneira para não cair no abismo, então por hora deixou apenas que ele se recuperasse, já que estavam quase chegando, e guardaria sua sanidade para Uruha. Momentos para lhe apertar contra a parede haveriam, mas agora ele precisava do silêncio.
Silêncio que fora preenchido apenas pela melodia leve de outra música em que os dois só prestavam atenção na mesma, mas que era suficiente para acalmar os ânimos no veículo.
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