You Are Not Alone
10 Cumplicidade
Notas iniciais
Perdoem qualquer erro e boa leitura.
Kai e Aoi acabaram indo embora juntos no carro do guitarrista, já que o líder estava com problemas no próprio, deixando assim Reita e Ruki sozinhos na sala de ensaios da banda. O empresário também não se demorou a ir, enfatizando assim ainda mais a palavra ‘sozinhos’.
— Quanto tempo, Ruki.
- Que? Tempo de que? – O vocalista deu uma risada rápida, sentando-se no sofá.
- Baixinho hipócrita. – Reita riu cansado, sentando-se ao lado do outro, levando um leve tapa num dos braços.
- Baixinho é o que você tem no meio das pernas, Akira.
- Mas, eu posso fazer ele ficar grandinho grandinho.
Os dois riram gostosamente, abraçando-se em seguida. Estavam com saudades um do outro, e pareciam ter arrumado a oportunidade perfeita para ficarem juntos por um momento. Que, aliás, seria o primeiro.
— Seu cheiro é tão gostoso, pequeno.
- Se eu não tivesse suado, até concordaria. – Ruki riu apoiado no ombro de Reita. – E já disse que pequeno é o seu-
- Já sei já sei. – Dessa vez foi Reita quem riu. – E juro que vou desmentir a sua tese.
- Akira! – Ruki deu outro tapa no baixista, levando as mãos ao rosto para abafar o riso. – Se ficar me fazendo rir assim eu vou mijar nas calças dentro do seu carro.
Reita gargalhou gostosamente, apesar do cansaço estampado em seu rosto. Acomodou Ruki novamente em seus braços, deitando um pouco no sofá.
— Sabe Ruki, eu acho que depois que o Uruha se curar, nós deveríamos tirar uma semana de férias.
- Uma semana? Para fazer o que? – Ruki acomodou-se no peito de Reita, inalando o cheiro da roupa dele.
- Sei lá, ficar em casa mesmo, se curtindo um pouco, ou juntar todo mundo e ir para uma casa só, alguma coisa assim. Um tempo para a gente.
- Não seria tão mal sabe? Nós precisamos mesmo de um tempo tanto pessoalmente quanto para os outros. Conversar descontraídamente poder falar com o Pon sem correr o risco de ele passar mal. Nós precisamos mesmo disso, Aki. Vamos falar com o Koga-san depois.
- Disse a palavra mágica. – Reita mencionou sentar novamente, pegando sua carteira e chave do carro. – Depois. Agora vamos lá para casa dormir um pouco que a noite vai ser longa novamente.
Ruki assentiu, sorrindo e se levantando. Os dois caminharam perto do outro pelos corredores da companhia, as mãos roçando-se levemente, sendo esse o maior contato deles com outras pessoas por perto.
Mas, apesar de todos esses cuidados para não darem demasiadamente na telha, o que os dois mais queriam era poder descansar em paz pelo resto daquele dia, já mais tranqüilos por saberem que Uruha estava melhor da febre.
Caminhavam a passos rápidos, chegando logo ao carro de Reita no estacionamento. Sempre que possível eles iam juntos aos lugares no automóvel do baixista, podendo assim se curtir um pouco, claro que nenhum deles avançando mais do que seu relacionamento permitia no momento. Fora que podiam ficar mais perto do outro, conversando amenidades e outras coisas.
— Meu carro já cheira a Ruki. – Reita riu, sentando-se no banco do motorista.
- Melhor do que cheirar a outra pessoa que não seja um de nós dois.
Os dois riram e Reita concordou, dando partida e saindo da gravadora. Ainda havia alguns fotógrafos na companhia, mas por sorte o baixista conseguiu sair rapidamente de lá, agradecendo juntamente com Ruki pelas ruas estarem calmas.
Claro que não totalmente, visto que ainda era dia de semana, mas estava um pouco mais calmo do que o normal, talvez dado pela hora que, não era de pico, então se podia transitar melhor, o que ajudou Reita a chegar a seu apartamento meia hora depois de ter saído da companhia.
— É a primeira vez que eu venho no seu apartamento sem que seja para falar sobre a banda. – Ruki comentou, adentrando o local que mesmo com sua pequena bagunça aqui e ali era aconchegante.
- E a sensação é diferente, certo? – Reita foi até ele e o abraçou pelas costas, beijando-lhe uma das bochechas e fazendo o menor sorrir.
- Ainda mais quando você me trata assim.
Reita sorriu rente a bochecha de Ruki, depositando outro beijo no local e se desvencilhando dele apenas para lhe segurar uma das mãos e o guiar até seu quarto. Os dois já haviam tomado banho antes de saírem de suas casas para a comitiva, então bastava que eles trocassem de roupa para poderem dormir.
Claro que Ruki não tinha nenhuma roupa na casa do baixista, mas o fato de ser menor que ele lhe concedia o privilégio de poder usar qualquer coisa que caberia perfeitamente.
Com isso não se preocupou quando Reita lhe entregou uma camiseta sem nem mesmo olhar tamanhos ou qualquer coisa assim, e tirou a calça e a camisa que usava, vestindo a que continha o cheiro do baixista impregnado, caindo até o meio de suas coxas.
— Quer uma calça? – Reita indagou enquanto tirava a própria roupa e, diferente de Ruki, vestiu apenas um moletom.
- Não, somente isso já está ótimo.
Ruki sorriu e quando Reita o retribuiu, apressou-se e se deitou na cama, puxando o edredom para si enquanto o outro tirava a faixa e terminava as últimas coisas antes de se deitar também. Cobriu-se como o menor e o aninhou em seus braços, depositando um beijo no alto da cabeça.
— Até daqui algumas horas, Ruki. – Riu leve sendo acompanhado.
- Até... Aki.
xXx
Kai agradeceu amavelmente pela carona de Aoi e adentrou os portões de segurança do prédio onde morava, cumprimentando rapidamente o porteiro e se dirigindo para o hall, mencionando entrar num dos dois elevadores que havia no primeiro ambiente coberto.
Estava cansado mentalmente tanto pela comitiva, como por precisar começar a procurar o tal guitarrista substituto. Não queria pedir a ajuda de Uruha para tal ato, mas sabia que seria necessário, tendo em vista que ele e Aoi seriam os melhores para decidir, mesmo que não o fossem fazer sozinhos. Deveria haver um entrosamento entre os cinco, mas ele sabia que os dois guitarristas que bateriam o martelo.
Massageou as têmporas enquanto o elevador se dirigia para o quinto andar sem parar nos anteriores, trazendo alívio aos ombros do baterista que parecia estar carregando todos os problemas possíveis, sem ter tempo ao menos para tomar fôlego, achando que nessa fração de segundo tudo poderia desmoronar.
Agradeceu quando adentrou seu espaço mais íntimo da vida, sentindo-se acolhido, apesar de todo o silêncio. Quer dizer, Kai não era de barulho, apesar da ironia com o instrumento que comandava, mas no pessoal era alguém mais reservado, apesar de brincalhão. Não gostava de extrapolar, mas o silêncio que seu apartamento emanava no momento lhe fazia pensar se não estava na hora de ter uma companhia.
Podia ser o que fosse. Um amor, um bicho de estimação, algo para tirar o baterista daquela solidão que, antes não fazendo diferença, agora se tornava incômoda. Talvez o fato de seus companheiros de banda estarem se resolvendo amorosamente fosse um dos motivos para o baterista começar a pensar daquela forma.
Não que tivesse inveja, isso jamais. Estava realmente feliz por eles. O que lhe fazia pensar daquela forma no momento era o fato de ver como eles estavam bem com outra pessoa do lado, o que fazia certa carência se apoderar do baterista que, não podendo sair por aí caçando seu amor, apenas suspirou pesadamente e caminhou até seu quarto, retirando toda a roupa como de praxe e se deitando usando de uma colcha para esconder sua nudez.
Abraçou o travesseiro vago que havia a seu lado e adormeceu rapidamente, embalado por um sono relativamente calmo, uma pequena brisa adentrando o quarto pela pequena fenda da janela aberta, balançando as cortinas de tom bege que produziam um baixo som, amenizando a profundidade do silêncio instaurado no apartamento.
xXx
Já Aoi chegou ao próprio apartamento um pouco abalado por saber que Uruha precisaria ser substituído, mas apesar disso estava bem disposto. Não era muito tarde e mesmo estando sem sono o moreno sentia o corpo doer por causa dos dias no hospital, então decidiu vestir uma roupa mais amena e se deitar, cobrindo-se até a cintura.
Levou as duas mãos até o alto da cabeça, colocando-as no travesseiro para servir de apoio. Gostava de ficar daquela forma refletindo sobre as coisas. Principalmente agora que tudo tinha mudado. Da noite para o dia descobre que o primeiro homem que lhe atraiu estava doente a ponto de desfalecer por qualquer atitude equívoca das pessoas que o rodeavam.
Juntando isso ao fato de que a formação da banda mudaria para um festival, só podia crer que a vida estava dando reviravoltas e, de certa forma, tinha medo de como aquilo poderia terminar. Não ficava pensando que Uruha morreria ou algo parecido, mas tinha receio de que seu quadro se agravasse e ele ficasse mais perto da morte.
Claro que o ceifeiro é o fim de tudo, mas enquanto não se chega a ele a espera e a dor podem ser realmente piores, e era isso que mais temia estar longe de Uruha, receber uma ligação e dizer que ele havia piorado, ou a quimioterapia não estava surtindo efeito.
Sim porque a leucemia por si só lhe machucava. Se pudesse trocaria de lugar com Uruha somente para sentir suas dores, mas como não era possível, queria se manter forte para lhe apoiar como estava fazendo, recebendo em troca aqueles lindos sorrisos do loiro que não se abalavam nem com a descoberta da doença ou mesmo com a substituição temporária.
Era incrível como Uruha se mostrava forte e estava lutando contra tudo que estava acontecendo, assim como contra seu passado que começava a incomodar Aoi. Ele se perguntava o que havia ocorrido de tão ruim, ou de tão bom, para aquela ligação forte entre ele e Reita.
Não que o moreno estivesse com ciúmes. Estava apenas curioso em saber o que tinha acontecido, e se fosse algo ruim, amparar aquele que lhe tomou noites de sono, por um período que Aoi imaginou ser de mais ou menos um ano até o presente momento, aonde entendeu que se reprimir não ia fazer Uruha perceber o inevitável, aquilo que lhe tomava o coração de forma intensa e o fazia sorrir bobamente ao ouvir o apelido do loiro.
Amor.
Sim, Aoi não negava mais. Estava amando Uruha de todas as formas e intensidades possíveis descobrindo que no auge de seus trinta e dois anos tudo que mais desejou estava junto em Uruha. E mesmo que aquela fosse a primeira vez que olhava para um homem sabia que era o que queria. Estava bem resolvido consigo mesmo e seu coração e só queria que o amado soubesse daquilo logo, percebendo que teria o moreno a seu lado para sempre.
Sorriu. Para sempre era algo intenso, independente da duração. Amar alguém para sempre era se dedicar de corpo e alma para aquele ser e saber que uma simples discussão, um olhar mais carregado de ira seria capaz de ferir tanto quem o receberia como quem o mandava.
Amar era, quando machucar o outro por algum motivo, machucar a si mesmo e talvez de maneira mais intensa. E o que determinava como as coisas iriam se resolver no final era à força do que cada um sentia, determinando se as duas almas poderiam passar juntas por mais um obstáculo.
E Aoi sentia em seu coração que certamente ficaria ao lado de Uruha lhe ajudando a lidar com os fantasmas de seu passado e agora os de sua doença, sendo como uma luz no fim do túnel para lhe socorrer sempre que fosse preciso, mesmo que o moreno não se visse daquela forma.
O que ele sabia, nesse momento de reflexão todo, era que não desejava ficar longe de Uruha por muito tempo naquele dia e mencionou levantar, fazendo uma ligação para uma conhecida enquanto pegava um casaco mais pesado no guarda-roupa e saía novamente de casa, passando apenas nesse lugar antes de se dirigir para o hospital.
xXx
— Venceu mais um obstáculo Uruha. – Viktor sorriu, tirando pela última vez a temperatura do paciente que já estava normalizada. Seu semblante estava com mais cor apesar da anemia, e Uruha não se sentia mais tão cansado.
- Isso é bom, nunca achei que uma febre fosse durar mais do que o necessário. – O guitarrista riu leve, levando um sorriso ao rosto coberto de Viktor. – E por falar nisso, como foi a comitiva?
- Intensa. – Viktor suspirou, sentando-se levemente largado na cadeira. – Aqueles repórteres pareciam sanguessugas, cogitaram coisas erradas, por sorte Kai-san e Koga-san controlaram a situação e Reita-kun te defendeu com unhas e dentes. Foi colocado tudo na mesa, mas acho que devem sair especulações erradas.
- Isso é normal. – Uruha riu mais abertamente, aconchegando-se na cama. – Alguma revista sensacionalista certamente vai dizer coisas a mais do que se foi realmente comentado lá na gravadora, mas não acho que há muito que fazer.
- Basta tentar aceitar e ter a consciência limpa. – Viktor sorriu e Uruha assentiu, sorrindo.
Um sorriso relativamente tímido perto do que o loiro abriu quando viu Aoi adentrar o quarto, carregando um pequeno pacote em mãos, virando-se rapidamente para Viktor lhe cumprimentando pela segunda vez, com um sorriso, voltando em seguida à atenção para Uruha.
— Aoi, que surpresa, não esperava te encontrar aqui tão logo.
- Eu não ia conseguir dormir então resolvi vir mais cedo. – O moreno sorriu, sentando-se na poltrona perto do loiro.
- E eu – Viktor se levantou chamando a atenção dos dois. – vou me retirar porque foi assim que comecei com o Felipe e isso já tem dez anos.
Os dois guitarristas caíram na risada e viram o médico sair do quarto, voltando a atenção um para o outro.
— O Viktor disse que foi complicado na comitiva.
- Mais ou menos. Eu e o Reita queríamos matar alguns que acharam que você sairia para sempre do GazettE, mas no fim das contas tudo correu bem.
- Ainda bem, acho que já consigo lidar melhor com esse festival. Mas, quero ver as gravações depois para ver vocês tocando.
- Não vai ser tão bom. Sem um de nós a banda fica incompleta.
Uruha sorriu amavelmente, deitando-se. Fitava Aoi em silêncio olhando-o dentro dos olhos e se perdendo por aquela janela que dava para sua alma. Um leve rubor apareceu sobre suas bochechas, mas ele não virou o rosto, querendo aproveitar aquele momento com o moreno.
E claro Aoi retribuía. Olhava-o com ternura e exalando o sentimento puro por todos os poros, só esperando para anunciar finalmente o que sentia. Também se perdeu nos olhos chocolates, vendo um Uruha esperançoso e ao mesmo tempo ansioso, como se esperasse por algo.
Foi então que acompanhou com o olhar o loiro fitar a embalagem coberta por papel de presente vermelho em suas mãos.
— Que é isso Aoi? – Perguntou meio receoso, afinal de contas deveria ser para alguém importante.
- Acho melhor você ver.
- É para mim? – Os olhos brilharam esperançosos quando o moreno assentiu.
- Eu não compraria isso para mais ninguém, Kou.
O loiro sorriu e voltou à atenção para o embrulho, tirando o durex com cuidado, almejando preservar até o ínfimo dos detalhes daquele presente. E como o papel havia sido habilmente dobrado deixando alguns detalhes na parte de cima do objeto retangular, Uruha demorou um pouco para conseguir soltar tudo, retirando com cuidado e dobrando antes de se voltar para a caixinha de veludo felpudo azul escuro, abrindo-a com cuidado e retirando um relicário dourado de lá de dentro.
— Aoi é lindo. – o loiro sorriu e ia agradecer, mas parou na metade quando abriu o pingente do colar, encontrando um papel que pegava as duas partes do coração, com o kanji que mais desejou receber do moreno.
Eu te amo.
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