You Are Not Alone
9 Comitiva
Notas iniciais
Séio, obrigada a todas as sete leitoras pelos reviews, eu os amei e entendo perfeitamente os motivos pelos quais algumas de vocês demoraram para mandar.
Bem, como prometido mais um cap na área, e se vocês forem boazinhas e reviewzarem ele, dia 3 nós nos encontraremos nesse mesmo canal e nesse mesmo horário -qq
Boa leitura.
PS: preview do cap 10 nas notas finais para vocês ♥
Naquele fim de dia Uruha apenas dormiu, sendo despertado para comer e tomar banho. Aoi ficou a seu lado a todo o momento e sentia os olhos do loiro exalar tristeza. Ele estava desolado, mas tentava não cair tanto, aceitando de bom grado a janta que o moreno lhe oferecia pacientemente, fazendo-o insistir de leve quando não queria mais comer.
Claro que Aoi não cobrou nada e sua voz estava mansa e tranqüila, ainda que abafada pela máscara cirúrgica. Não que fosse de todo o mal também, visto que o moreno corava a cada olhar mais demorado que sustentava com o outro, então a proteção que deveria impedir Uruha de respirar oxigênio com bactérias estava na verdade ajudando Aoi a não desfalecer de vergonha em sua frente.
— Aoi chega. – O loiro fez um bico, soltando os ombros e levando o moreno a rir. – Já ‘ta quase acabando.
- Mas é por estar quase acabando que você deveria se esforçar mais um pouco. Por favor, Kou.
Uruha fitou o prato a sua frente, realmente não faltava muito, talvez umas três colheradas. Respirou fundo e assentiu, abrindo a boca para Aoi lhe dar o final do alimento. Em seguida começou a tomar o suco lentamente, arrepiando-se quando Viktor adentrou o quarto, trazendo consigo uma lufada de ar.
— Com frio Uruha?
- Um pouco. – O guitarrista abraçou-se, esfregando as mãos nos braços.
Imediatamente Aoi se afastou, colocando a bandeja para o lado enquanto o médico ia até o loiro, levando uma das mãos até sua testa. Logo em seguida levantou-se, abrindo a cômoda e tirando um termômetro.
— Eu vou colocar esse termômetro, e chamar o Felipe caso esteja com febre. Se for necessário será feito um exame de sangue pelo cateter para descobrir a causa, está bem?
Mesmo com a voz abafada pela máscara Uruha podia ouvir tudo perfeitamente e assentiu, encostando-se na cama e se ajeitando.
— Aoi-san, agradeço por ter dado a comida para ele, mas me pergunto como a enfermeira permitiu. – Viktor riu levando Aoi e Uruha pelo mesmo caminho.
- Não foi muito fácil, mas pelo menos ele comeu tudo.
- Meio empurrado, mas comi. – O loiro fez um bico, rindo em seguida.
- Mas, é bom que tenha comido. A febre é algo normal já que a quimioterapia já está fazendo efeito no seu organismo, diminuindo todas as suas defesas. Nesse caso, talvez seja preciso até mesmo restringir as visitas.
- Como assim, doutor? – Aoi indagou apreensivo.
- Vocês poderão ficar com ele, mas apenas um, por um período menor e mais tempo deixando o paciente sem visita. Tomara que não seja necessário.
Os dois guitarristas assentiram e Viktor olhou no relógio, terminando de contar o tempo até tirar o termômetro de Uruha.
— É, está com febre sim. Eu vou chamar o Felipe.
Dito isso o médico retirou seu bip do jaleco, mexendo no objeto rapidamente, enquanto chamava pelo hematologista.
— Isso é muito preocupante?
- Qualquer sintoma da quimioterapia que não sejam os enjôos e a queda de cabelo costuma preocupar sim. Por isso é provável que seja feito um exame de sangue, para constar como está a qualidade dele, que nesse caso deve estar realmente frágil e fazer transfusão para aumentar o número de glóbulos brancos que são responsáveis pelo sistema imunológico.
Os dois guitarristas pareceram ponderar um pouco sobre o assunto, mas o frio de Uruha parecia estar tomando mais espaço em sua mente do que as palavras de Viktor em si.
— Chamou Viktor? – Felipe adentrou o quarto, fitando Uruha quase que de imediato.
- Febre alta, trinta e oito e meio. Pensei em fazer um exame de sangue para detectar o motivo da febre, provavelmente uma infecção e começar a fazer transfusão caso seja preciso ou tratar com antibiótico até os níveis de glóbulos brancos estarem em níveis aceitáveis.
- Bem, o médico responsável é você. Se quiser uma opinião trate com o antibiótico enquanto o resultado não fica pronto, e se for preciso mude o paciente de quarto.
- Mudar de quarto? – Uruha indagou surpreso.
- Sim, isolar até seu sistema imunológico estar fortalecido novamente. Mas, isso só depois do resultado. – Felipe finalizou, indo até Uruha e descobrindo o mínimo, apenas para encontrar o cateter.
Retirou a seringa do jaleco e inseriu a agulha no cateter, retirando rapidamente a quantidade necessária do líquido rubro para verificação. Deixou por fim a região descoberta, dirigindo-se aos três presentes.
— Como as plaquetas estão baixas, fiquem de olho para qualquer espécie de sangramento. Logo que possível eu trago os resultados.
Viktor agradeceu e Felipe foi embora, deixando os três sozinhos novamente.
— Aoi-san, pode ficar aqui essa noite? Eu preciso dar uma passada em outros quartos, e como é necessária assepsia total, talvez eu demore um pouco. E qualquer coisa é só tocar a campainha.
- Está bem, Viktor-san.
O médico sorriu e saiu, deixando os dois a sós. Aoi aproximou-se novamente, mas de uma distância mais segura, ainda com certo receio de passar algo para Uruha. Ajudou-o a se cobrir devidamente, deixando apenas a parte do cateter exposta, como Felipe havia dito.
— Está tudo bem Uru?
- Mais ou menos. Estou um pouco receoso sabe? Parece que quando se está doente qualquer outra coisinha é motivo para medo.
- Tente não ficar assim, certo? Você precisa descansar ainda e eu vou ficar aqui cuidando de você.
Uruha sorriu, aconchegando-se melhor na cama.
— Obrigado por tudo, Aoi.
Na sexta-feira daquela semana
Cada um estava imerso em pensamentos e ansiedades. A sala de entrevistas da PSC foi totalmente preparada para receber os repórteres que iam chegando aos poucos, somente autorizados a perguntar algo ou filmar quando estivessem em posição dentro do salão.
Koga-san e o GazettE encontravam-se na sala de descanso da banda junto com Viktor apenas, visto que Felipe e uma equipe do oncologista ficaram no hospital para cuidar de Uruha, que ainda era acometido pela febre. Estava mais fraca do que no início daquela semana, mas ainda assim não era bom arriscar.
O guitarrista estava sendo submetido à transfusão de sangue para aumentar o número de glóbulos vermelhos e há antibióticos para ajudar no aumento dos glóbulos brancos para assim fortalecer seu sistema imunológico, e como havia tido uma pequena crise com vômitos e dor de cabeça no começo do dia, Felipe decidiu ficar.
Claro que Viktor não descansou estando longe do hospital e decidiu que não pararia de ligar em nenhum momento para o hematologista, afinal de contas a situação de Uruha era delicada.
E como não podia ir embora sem falar para o mundo inteiro, por assim dizer, acabou por colocar o celular no modo silencioso quando um dos chefes do empresário da banda adentrou a sala.
— A sala está pronta. Boa sorte a todos.
O empresário foi o primeiro a se levantar, respirando fundo e incentivando os outros.
— Vamos pessoal.
Os seis caminharam em silêncio pelos corredores, e nem mesmo dentro do elevador qualquer palavra foi trocada. Apenas as respirações pesadas eram ouvidas e os passos compassados de todos ecoavam a cada nova passada, conforme eles se aproximavam de seu destino.
Koga foi o primeiro a entrar no recinto, sendo observado por todos os repórteres, seguido pelo líder Kai, Ruki, Reita, Aoi e Viktor. A ordem de se sentarem também foi a mesma, começando da direita, para quem via de frente, ou seja, os repórteres.
Todos se posicionaram devidamente e o silêncio que se seguiu foi sepulcral até que todos se entreolharam e o empresário começou.
— Queria primeiramente agradecer a todos pelo comparecimento, como vocês sabem o the GazettE está de férias e, de certa forma, uma comitiva seria desnecessária, mas como podem ver, um dos membros não está aqui e é sobre isso que se trata esse anúncio.
O empresário ajeitou-se na cadeira enquanto era filmado pelas diversas câmeras das emissoras do país. A parte publicitária da companhia e da banda havia sido realmente eficiente.
— Para tentar auxiliar nas informações que serão repassadas, o Doutor Viktor Rickerstzhausen está aqui para ajudar.
Os flashes se voltaram rapidamente para o médico de sobrenome difícil antes de o empresário passar a palavra para Kai, mudamente.
— O Uruha não veio porque nesse momento está doente e internado, e mesmo com a banda de férias nós achamos que fosse melhor ser revelado enquanto nossa agenda está vazia, contendo apenas os eventos futuros.
O líder nunca fora muito de alongar assuntos e sua seriedade havia atraído as câmeras para si junto dos flashes e murmúrios de repórteres fazendo perguntas baixas, praticamente mudas.
— Como sabem – Kai continuou após as pequenas vozes silenciarem novamente. – nós gravaremos um novo single logo após as férias, mas já está avisado que será adiado, pois, a doença do Uruha é realmente séria, e junto com ela vieram outras mudanças que nesse momento serão necessárias. E como o Koga-san havia dito, o doutor Viktor diagnosticou que o Uruha tem leucemia mielóide aguda.
Os murmúrios se transformaram em perguntas conjuntas que tentavam sobressaltar umas as outras e nenhum dos seis entendia algo, contrapondo ainda com os flashes que tornaram a sala um rio de confusão que foi controlado apenas com o empresário pedindo que todos se acalmassem e levantassem as mãos para as perguntas.
— Quando foi diagnosticada a doença? – Uma jornalista mais a frente perguntou, voltando-se para Viktor.
- Mais ou menos há quase duas semanas, quando o paciente deu entrada com alguns dos sintomas da doença.
- E porque a suposta demora em revelar a doença? Isso seria escondido de todos?
- Na verdade, meu senhor – O empresário novamente tomou a frente, realmente ofendido, mas sem deixar transparecer tanto. – nada seria escondido, mas uma notícia como essa mexe com os ânimos de qualquer um, e Uruha precisava de um tempo para conseguir aceitar a gravidade de sua doença, assim como seus companheiros.
- E há uma previsão de alta?
- Um cancro ou no caso, leucemia – Viktor tomou a frente novamente. – nunca é previsível e cada pessoa responde de uma forma diferente. Não há como determinar se Takashima-san terá alta daqui a dois dias ou dois meses, tudo depende de como ele vai responder ao tratamento.
- Há risco de morte?
Viktor fitou o empresário, que assentiu mudamente para continuar.
— Toda doença de patamar grave coloca a vida do paciente em risco, e com Takashima-san não seria diferente. Claro que todas as medidas estão sendo tomadas, mas sim, há risco, não tendo uma porcentagem exata, já respondendo uma possível pergunta.
- E sobre a banda? O que acontecerá com o festival de outono/inverno da PSCompany?
Dessa vez Koga pronunciou-se.
— Não há ainda uma decisão fixa, mas talvez seja necessário que uma ajuda de fora colabore com a banda.
- Ajuda de fora?
- Sim. É com pesar que os fãs vão ficar sabendo, mas muito provavelmente o Uruha não tocará no festival, e durante seu tempo de tratamento um guitarrista temporário ajudará Aoi no andamento das músicas.
Mais burburinhos foram se tornando perguntas desconexas, mas os repórteres se conteram, até que apenas um perguntou:
— Isso é como uma saída do guitarrista da banda?
- De forma alguma. – Desta vez Reita se pronunciou chamando a atenção de todos. – Uruha está doente, e nós não o iremos substituir. Será apenas uma colaboração conosco de fora e o próprio Uruha ajudará, afinal de contas, nada melhor do que ele e Aoi principalmente para decidirem quem se entrosará mais com a gente. Mas, de maneira alguma ele será expulso do GazettE.
- Pedimos ainda – O empresário voltou a falar. – que os fãs tenham paciência para o lançamento do single, mas que não se preocupem, pois, ele vai sair. Espero que todas as dúvidas tenham sido sanadas, o nome do hospital não será revelado para evitar tumulto, sinto muito, e caso os fãs tenham algo para mandar para seu ídolo, que utilizem os fanmails ou mesmo a recepção da companhia, já que, com devida autorização as pessoas poderão trazer cartas ou semelhantes e deixar com as recepcionistas que tudo que for possível será entregue para o Uruha. É isso, obrigado pela atenção.
Os repórteres continuaram perguntando algumas coisas, mas os seis se retiraram logo em seguida às palavras de Koga, respirando aliviados apenas quando se encontraram novamente na sala de descanso da banda.
— Vocês passam por situações desse tipo a todo o momento nas comitivas? – Viktor indagou, sentando-se num dos nódulos do sofá.
- Quase sempre. – Kai riu, respondendo. – É que dessa vez foi mais complicado mesmo.
- Eu posso imaginar. – O oncologista sorriu, pegando o celular no jaleco quando o sentiu vibrar em seu bolso. – Alô.
Os membros da banda ficaram imersos em seus mundos por alguns momentos, relativamente satisfeitos pela comitiva ter passado e ocorrido bem. Claro que muitas revistas sensacionalistas fariam especulações absurdas sobre a doença de Uruha, o que já era de praxe para qualquer um que caísse nas garras dessa legião.
Mas, o que realmente inundava os corpos dos membros do GazettE era a calmaria de já terem conversado com a mídia e a preocupação com Uruha e sua febre, que mesmo estando devidamente controlada, fazia os quatro se assustarem um bocado.
— A febre do Uruha-san baixou mais ainda, o Felipe acabou de me contar, então se quiserem podem ir para casa descansar um pouco enquanto eu volto para o hospital. Talvez estejam precisando de um tempo para dormir em casa.
Os quatro se olharam, sorrindo leve.
— Realmente estamos precisando. – Kai disse, por fim.
- Então aproveitem. Aviso para Uruha-san que estarão de volta à noite. – Viktor disse, mencionando sair da sala.
Reita e Ruki trocaram olhares e sorrisos cúmplices e Kai sorriu cansado enquanto Aoi divagava sobre as madeixas loiras de seu guitarrista favorito.
Notas finais
Foi então que acompanhou com o olhar o loiro fitar a embalagem coberta por papel de presente vermelho em suas mãos.
- Que é isso Aoi? Perguntou meio receoso, afinal de contas deveria ser para alguém importante.
- Acho melhor você ver.
- É pra mim? Os olhos brilharam esperançosos quando o moreno assentiu.
- Eu não compraria isso para mais ninguém, Kou.
O loiro sorriu e voltou à atenção para o embrulho, tirando o durex com cuidado, almejando preservar até o ínfimo dos detalhes daquele presente. E como o papel havia sido habilmente dobrado deixando alguns detalhes na parte de cima do objeto retangular, Uruha demorou um pouco para conseguir soltar tudo, retirando com cuidado e dobrando antes de se voltar para a caixinha de veludo felpudo azul escuro, abrindo-a com cuidado e retirando um relicário dourado de lá de dentro.
- Aoi é lindo. o loiro sorriu e ia agradecer, mas parou na metade quando abriu o pingente do colar, encontrando um papel que pegava as duas partes do coração, com o kanji que mais desejou receber do moreno.
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