You Are Not Alone
54 Até
Notas iniciais
Contagem regressiva para o lemon AoiHa: 02
Oieee *-*
E aí amores como estão? Espero que bem *-*.
Hoje não vou dizer muito, só que ainda não respondi os reviews, mas to meio ruinzinha hoje, minha pressão ta baixa e eu to com tontura e não sei se consigo responder todos hoje, mas prometo tentar *-*.
Estamos chegando no lemon hein? UHAHUAUHUHAUHHAUUHA ta quase caindo no colo de vocês 8D. Ansiosos?
Boa leitura ♥.
Quando acordou, a primeira coisa que Uruha viu, pela inclinação de sua cabeça, foi a grande bolsa que antes totalmente cheia, agora mostrava apenas pequenas manchas em vermelho. A bolsa do líquido amarelo também estava vazia, e os canudos que ligavam as duas ao cateter na região vascular de seu peito já haviam feito seu trabalho e agora repousavam em silêncio esperando apenas para serem removidos. A medula já havia sido transplantada e esse pensamento era quase surreal para o guitarrista.
Estava bastante sonolento ainda, mas começou a vasculhar o quarto com os olhos até encontrar Akemi e Takashi o fitando com sorrisos, como ele imaginava, já que seus rostos estavam cobertos pelas máscaras e ele não podia ter certeza. De fato eles sorriam, de maneira tímida, mas acolhedores e condescendentes.
— Dormiu bem? – Inquiriu Akemi.
- Hai. – Respondeu com a voz rouca. Depois apontou para as bolsas no apoio do soro. – Acabou faz tempo?
- Alguns minutos só. – Respondeu Takashi. – Viktor-san ficou meio receoso quando você dormiu, mas não aconteceu nada.
- Menos mal. – Comentou baixo. – Talvez sejam sinais de que as coisas estão melhorando.
- E elas estão. – Disse Viktor ao adentrar o quarto. – O transplante foi bem sucedido e para que a medula não rejeite o seu corpo você vai tomar alguns remédios, e outros para influenciar a produção dos glóbulos brancos. As plaquetas e os glóbulos vermelhos se preciso vai ser usada transfusão de sangue, mas tudo isso é bem calmo e sem muitos problemas.
- Então o que poderia acontecer de errado seria a medula rejeitar o meu organismo.
- Sim, mas com os remédios que vai tomar as chances diminuem consideravelmente. Enquanto estiver aqui vai ser mais fácil monitorar, mas é claro que quando estiver em casa todos, e principalmente você tem de estar atentos a qualquer sinal estranho. Se houver rejeição é em torno de duas a três semanas após o transplante. Mas, vamos nos ater apenas ao lado bom da coisa: o transplante foi realizado com sucesso e isso é muito significativo.
- Ainda bem. – Uruha sorriu. – E quanto à pneumonia? – Nesse ponto Uruha já estava totalmente acordado, apesar de ainda um pouco lento.
- Você vai almoçar primeiro e depois de uma hora o fisioterapeuta vem.
- Vou ter que comer mesmo? – Indagou enquanto uma careta surgia em seu rosto e uma mão ia até a própria barriga. Antes de adormecer sofreu um pouco com os enjôos.
- Sim, você precisa comer. Pode ir sem pressa como nós sempre fizemos, mas vai ter que tentar comer tudo.
Meio receoso assentiu. Viktor esperou que despertasse completamente de fato e dissesse que tudo estava bem até chamar uma enfermeira, a mesma que cuidou de si na UTI para que trouxesse o almoço. Seu estômago embrulhou na hora em que ficou a comida, que apesar de ser de hospital parecia muito apetitosa. Só não estava fazendo tão bem se lembrar que vomitou um pouco antes de adormecer enquanto a medula era transplantada.
O que lhe chamou atenção, no entanto, após observar a refeição, o suco e a maçã na bandeja foi a colher que estava ao lado do prato.
— Colher? – Fitou Viktor.
- Para não se ferir. Pode parecer incrédulo para você, mas todas as medidas de segurança são necessárias. Mas, vamos falar sobre elas depois que comer.
...
— Quanta coisa. – Exclamou Uruha. – Desse jeito eu vou ficar deitado na cama sem me mover.
- Vai ser ótimo. – Viktor riu. – Basicamente são os mesmos cuidados de quando ainda não tinha realizado o transplante.
- E quando eu vou poder ir para casa?
- Isso talvez ainda demore um pouco. – Disse o médico. – A sua medula precisa estar funcionando bem, produzindo as células do sangue, o que não se tem uma data exata, já que algumas medulas são mais precoces, então pode começar a acontecer amanhã ou daqui um mês. E em contrapartida tem ainda a recuperação da pneumonia.
- Que eu ainda vou tratar hoje.
- Exatamente. Mas, de uma maneira mais leve por causa do transplante.
- Então quanto tempo você me daria ainda aqui no hospital?
- Não costumo chutar muito, mas se for para falar grandes valores, vamos colocar mais um mês.
Uruha assentiu um pouco frustrado, mas tendo consciência de que não poderia fazer muito. Viktor lhe dirigiu um sorriso fechado e acolhedor.
— Mas, veja pelo lado bom: quando estiver recuperado, o tratamento posterior vai ser todo em Tokyo, como deveria ter continuado realmente, e as visitas vão ser rápidas, você não vai precisar ficar internado novamente.
— A não ser que a doença volte.
- É um risco. – Disse sincero ante as palavras de seu paciente. – E não seria o único em que há esse risco. Mas, as chances de volta da doença após o transplante são mínimas, e com o acompanhamento que aos poucos vai se tornando mais espaçado, se algo acontecer pode ser tratado ainda mais rápido.
- Isso é mais reconfortante.
- É sim. – Viktor lhe sorriu. – Mas, tente descansar mais um pouco, o fisioterapeuta não vai chegar agora.
xXx
Quando Aoi acordou a noite já reinava no céu há algum tempo e ele ainda sentia vontade de permanecer na cama. Suas pálpebras mostravam demasiado cansaço e lutavam para continuarem fechadas enquanto ele tentava se manter desperto. Seu corpo, todavia, não havia se movido, pois, parecia ser um esforço extremo que ele não estava disposto a fazer, e o clima também ajudava, já que mesmo que o frio reinasse soberano do lado de fora das janelas do quarto de Uruha, as duas cobertas que envolviam seu corpo o mantinham quente e a cama aconchegante.
Foi com muita dificuldade que ele se moveu, reclamando pelo ato. Deitou-se totalmente de costas e ainda manteve as cobertas rente ao corpo, fitando o teto como se exaltasse algo interessante e bonito, afora a pintura branca e a lâmpada que era envolvida num meio-círculo de vidro fosco, mas que dava boa iluminação ao cômodo. No criado-mudo ao lado da cama jazia um relógio simples e funcional que mostrava à Aoi que já passava das oito e meia da noite, o que lhe espantou, e ao mesmo tempo mostrou que não haveria muito que fazer caso levantasse. A casa parecia em silêncio, e de fato estava, então o que lhe restou a fazer foi se virar novamente para a parede e deixar que suas pálpebras vencessem e se fechassem de novo em um sono pesado e confortável.
No quarto de Reita a coisa reinava de outra forma. Ruki e ele no mesmo cômodo só poderia resultar em altos níveis sexuais e testosterona elevada, e apesar da cama abaixo deles ranger cada vez que ele investia contra o quadril do Takanori, o quarto prendia boa parte do som ali dentro, os deixando despreocupados, uma vez que achavam que Aoi ainda dormia e assim permaneceria pelo resto da noite. Sem esse problema de atrapalhar o moreno Ruki se dava ao luxo de gemer no tom que achasse melhor, apesar de não ter ultrapassado o que considerava seu limite em respeito ao amigo que dormia no quarto ao lado e a casa que não era sua.
Mas, não era fácil se controlar com Reita lhe atingindo a próstata a todo o momento, era pedir demais para sua sanidade que já era normal em níveis baixos. Sua respiração estava entrecortada e pesada e o suor escorria-lhe por certos locais do corpo. Outros estavam pegando fogo e quase explodindo de tanta quentura, como era o caso do baixo-ventre de ambos. O formigamento que eles conheciam tão bem não tardou a surgir, assim como o orgasmo lhe atingiu e Reita impediu de ser gemido aos quatro ventos ao beijar Ruki com voracidade. Moveu-se contra ele por mais algum tempo prolongando a sensação de prazer. Ao parar todo o quarto foi envolvido pelo silêncio noturno tão característico. Reita saiu de dentro de Ruki com cuidado e retirou a camisinha ao se sentar na cama, recebendo um abraço que o fez sorrir. Ruki entrelaçou as pernas em sua cintura e o abraçou também pelos braços, apoiando o rosto em suas costas e fechando os olhos.
— Você melou as minhas costas. – O Suzuki brincou falsamente enojado com o prazer do menor que havia sido jorrado na própria barriga.
- Você melou o meu rabo e eu nem disse nada. E que, aliás, ta doendo um bocado.
- Você bem que estava gostando, não seja hipócrita.
- Eu não estou sendo hipócrita. – Mordeu de leve as costas de Reita. – E eu não disse que não gostei, mas ainda posso colocar a culpa em você.
- Porque você não vale nada.
- Nem você, estava transando em vez de ir até o hospital saber como o próprio irmão está.
Quando Reita se virou o que viu foi um Ruki tapando a própria boca para não rir alto demais. Com aquelas palavras havia ficado totalmente sem saber o que dizer, apesar de saber que Ruki estava apenas brincando. Ainda assim não teve como não agarrar o menor como forma de 'castigo' pelo que dissera. De certo modo Ruki até tinha razão, já que os três haviam dormido a tarde e Reita se esqueceu de ligar a noite, mas pelo horário sentia que não seria muito bom fazer uma ligação para os pais. No momento seria melhor que se concentrassem em limpar os resquícios de seus momentos de prazer e, botando apenas a cabeça para fora do quarto como se estivessem tentando fugir, ambos correram nus até o banheiro.
No quarto de Aoi ele ainda dormia tranquilamente. Mal tinha noção da movimentação inusitada no corredor da casa enquanto os dois se limpavam, tomando um rápido banho juntos. Apenas depois de estarem limpos e deitados como duas crianças sapecas que foram botadas para dormir foi que a casa voltou novamente e ficar em silêncio, mas desta vez por mais tempo, durante aquele fim de noite e a madrugada inteira.
xXx
— Hoje chegou todo mundo cedo. — Viktor sorriu para Aoi, Reita e Ruki enquanto discretamente o 'Suzuki — baixista' observava o primo limpar o curativo em volta do cateter de Uruha.
Três vezes por dia o Suzuki fazia a mesma coisa: Lavava bem as mãos e se munia de luvas, descolava o esparadrapo com cuidado usando gaze embebida em soro fisiológico para não machucar a pele, retirava o curativo, limpava toda a área em volta, começando pela pele, usando outra gaze, mas esta embebida em uma solução especial alcoólica. Depois pegava uma terceira gaze com a mesma solução e passava perto do cateter, que era quando verificava se havia algo errado, como vermelhidão, inchaço, alguma coisa fora do lugar e perguntava ao paciente se doía.
— Não. — Uruha sorriu. Felipe lhe devolveu o sorriso, apesar de escondido, e cobriu novamente a região com gaze e esparadrapo antialérgico. Reita sorriu discretamente e voltou a atenção para Viktor.
- Podemos ficar todos? — Aoi perguntou.
- Na verdade cinco seria demais. — Disse o oncologista. — Se for contar o Felipe e eu somos sete. Eu vou pedir que Akemi-san e Takashi-san vão para casa descansar, já que precisam e aí vocês podem ficar.
Os Suzuki's assentiram para o médico e saíram acompanhados de Reita. Aoi e Ruki acomodaram-se nas poltronas ao lado de Uruha, que mantinham uma distância segura do Takashima.
— Dormiu bem?
- Tranquilo. — Uruha sorriu para Ruki, ainda que nenhum deles pudesse ver, já que ambos usavam máscara, apesar da de Uruha ser de plástico, já que fazia parte da oxigenoterapia. — E sossegado. Fazia tempo que eu não dormia tão bem. — Nesse momento Felipe e Viktor saíram para dar privacidade aos três.
- Só falta dormir bem longe do hospital agora. — Disse Aoi.
- Concordo. Mas, de acordo com o Viktor ainda vai demorar um pouco porque eu preciso tratar a pneumonia e só posso sair quando a medula estiver funcionando bem.
- Ou seja, mais tempo longe de você. — Disse Ruki com pesar. — E a turnê continua incompleta.
- Sugizo-san é uma boa pessoa. — Disse Uruha. — Vocês não se dão bem?
- Nos damos. — Respondeu Aoi. — Mas, não é a mesma coisa.
- Estamos incompletos. — Completou Ruki. — E acho que a turnê deveria chamar assim.
- Não imagino o que poderia acontecer se chamasse assim. Mas, com certeza seria uma turnê conturbada.
- Seria a verdade. — Redarguiu Ruki. — Pelo menos você está melhorando.
- Mas, pelo jeito vou demorar para voltar. O Viktor falou comigo ontem à noite e eu ainda tenho que ficar algum tempo aqui antes de poder voltar.
- Ele disse quanto?
Uruha negou.
— Estimou apenas.
- E isso deu...? — Perguntou Aoi.
- Até oito meses.
- Isso é tempo demais. — Disse Ruki com o cenho franzido. — Até o fim da turnê-
- Não Ruki. — Alertou Aoi. — Não vamos por esse caminho. Melhor pensar que as coisas estão bem agora e que vão continuar assim.
- E que independente do tempo eu vou voltar para Tokyo. — Uruha sorriu por dentro da máscara de oxigênio.
Reita apareceu alguns minutos depois e os quatro passaram a conversar como há muito não faziam. Os momentos em que estavam despreocupados, fosse na casa de um deles ou na sala de descanso após o almoço ou um ensaio mais exaustivo pareceram distantes por todos aqueles meses, mas era como se as coisas tivessem entrado nos eixos novamente, um rumo firme os guiasse novamente e o chão sob seus pés não bambeasse mais. E como sentiram falta disso, desses momentos despreocupados e descontraídos que por vários momentos pareceram se perder no meio de tudo que aconteceu. Agora podiam dizer que eram vitoriosos e estavam passando por cima de todas aquelas adversidades, Uruha principalmente.
Ele estava lidando com dores que iam desde as conhecidas até outras que nunca ouvira falar, mas que havia sentido em grandes intensidades. E podia dizer orgulhoso de si mesmo que estava superando uma fase tão difícil, e que querendo ou não ficaria marcada para sempre em sua alma, em seu coração, ele podia sentir. Sabia que algumas coisas marcam para sempre e nada seria mais como era antes, quando não estava doente e não se preocupava com muitas coisas além da banda. Agora dava ainda mais valor para a própria vida, para as pessoas que tanto amava e queria bem, e sabia que aquele novo Uruha, Kouyou era alguém melhor, principalmente internamente, para consigo mesmo.
E mesmo sabendo que ainda precisaria ficar um bom tempo no hospital, estava feliz e aliviado por saber que sua nova medula já estava em seu corpo, e se desce sorte trabalhando a seu favor, e não precisaria tomar por muito mais tempo todos aqueles remédios que ajudavam na produção dos glóbulos brancos, hemáceas e plaquetas. Não estava e não gostava de contar com a sorte antes do tempo, mas estava confiante de que os ares estavam finalmente se tornando mais amenos e caminhavam a seu favor de uma vez por todas. Podia aguentar mais seis, oito meses em Kanagawa com seus amados pais e recebendo a visita dos amigos que tanto amava, assim como do amado, o tempo não importava. O que lhe faria continuar era saber que tinha chances de estar curado finalmente.
E o pensamento de cura lhe fazia tão bem, o fazia sentir tão contente que passou o dia todo conversando com um sorriso no rosto, almoçou bem, apesar da falta de apetite, e mesmo quando se encontrou sozinho com os fisioterapeutas enquanto tratava a pneumonia continuava feliz e sorridente. Finalmente, depois de tanto tempo estava sorrindo de verdade dentro de um hospital e mesmo que ainda precisasse passar mais tempo naquele local tão frio e pálido, o que reinava dentro de seu quarto era o calor do amor que sentia pelos amigos, pais e amado, e que recebia dos mesmos na mesma intensidade.
À noite, quando Reita e Ruki foram embora, Akemi e Takashi combinaram com Aoi que o deixariam com Uruha para que pudessem aproveitar mais algum tempo juntos, mesmo que houvesse chances de o Takashima adormecer rápido por conta dos remédios. Se quisessem manter alguma conversa ambos teriam de correr um pouco.
— O Kai ligou tem uma hora. – Disse Aoi.
- Para que? – Uruha perguntou enquanto se arrumava na cama, cobrindo-se melhor.
- Avisar sobre o prazo aqui e que já conversou com o Koga-san.
Uruha murmurou um 'hum' no primeiro momento.
— Deu mais algum tempo aqui? – Indagou em seguida.
- Uma semana contando de amanhã. – Uruha sorriu tímido. – Posso ficar mais alguns dias com você aqui.
- Mesmo que eu fique esse tempo aqui no hospital?
- Sem problemas. – Aoi sorriu. – O importante é que eu vou ficar com você. E o Kai também quis saber sobre o seu estado de saúde.
- De saúde eu até que to bem, mas ansioso para voltar de uma vez.
- Nem fale, as coisas estão tão diferentes sem você. Concordo com o Ruki, a turnê deveria se chamar incompletos.
- Eu quero voltar logo. – Uruha disse enquanto fitava o teto, um semblante sonhador se formando em seu rosto. – Tentar encerrar essa turnê com vocês.
- É um sonho compartilhado, tenha certeza.
Uruha assentiu de leve e voltou a cabeça para Aoi. – E também. – Seu sorriso se ampliou. – quero voltar para você.
- Esse também é um sonho que eu compartilho com você.
Uruha riu. – Acha que pode agüentar alguns meses ainda?
Aoi o fitou com um sorriso, este que fez questão de mostrar ao Takashima, afastando a máscara do rosto.
— Posso agüentar até anos. Meu amor por você aguenta tudo.
xXx
Aquela semana foi vivida inteiramente no hospital. Ruki, Aoi, Reita, Takashi e Akemi enfrentaram o frio, a nevasca e as chuvas e durante aqueles sete dias se dedicaram de corpo e alma à Uruha, trazendo-lhe alegria e aconchego. Os três músicos se desligaram totalmente do GazettE e se puseram a trabalhar de forma diferente, com o objetivo de fazer Uruha rir e se sentir amado, o que deu um resultado positivo. Viktor parabenizou aos três e disse que aquele apoio ajudou na recuperação precoce da pneumonia. Como Uruha sempre ficava sozinho com o fisioterapeuta para tratar a infecção ninguém tinha ideia de como ele se sentia ou se portava, mas para Viktor fora reportado que ele se mostrava sempre animado e disposto a melhorar logo depois de todo o carinho recebido.
Para completar de maneira positiva a situação, como a quimioterapia havia sido encerrada, os cabelos de Uruha e suas sobrancelhas começaram a aparecer novamente. De maneira tímida, mas mostravam que estavam renascendo depois de tantos problemas ocasionados pelos remédios fortes que foram jogados no organismo do guitarrista.
E como não poderia deixar de ser, todas aquelas informações boas vindas do oncologista levaram os três a comemorarem com abraços e sorrisos alegres, e nem mesmo na hora de se despedirem, quando um táxi os esperava do lado de fora do hospital com todas as malas já guardadas para levar-lhes de volta à Tokyo, o ânimo desapareceu. Diferentes de todas as outras vezes, eles agora estavam sorridentes e aliviados.
— A gente está te esperando lá na companhia. – Ruki estava parado ao pé da cama junto com Aoi e Reita. – Não vamos deixar essa turnê se encerrar com o sentimento de que falta algo.
- Aumentem a quantidade de shows até eu poder voltar. – Uruha riu de si mesmo. – Assim as chances são maiores.
- E os diretores vão adorar ganhar mais dinheiro. – Disse Aoi.
- E ainda vamos alegrar os fãs. – Reita completou. Aoi concordou e Uruha fitou os três rindo.
- Eu disse de brincadeira.
- Mas, parece uma ótima ideia. – Riu também riu. – Quem sabe não conseguimos alguma coisa.
- Por mais de meio ano? Ainda acho difícil.
- Mas continua sendo uma ótima ideia. – Disse Aoi. – Acho que podemos convencer os diretores. Porque aumentando a turnê de uma maneira que não force a barra nós temos chances de ter o Uruha de volta e ainda conseguir um descanso prolongado após ela terminar, até para comemorar que ele voltou.
- O que também nos daria chance de pensar no single interrompido e no CD que está engavetado. – Reita completou a ideia de Aoi sorrindo animado.
- E o principal: conseguir que o pon se recupere e volte a tempo. – Ruki completou os outros dois.
- Pode ser uma boa ideia, mas ainda tem o problema do meu cabelo, eu não vou poder tocar assim.
- Se a gente pensar em meio ano ou oito meses vai crescer mais. – Disse Reita. – Claro que não suficiente, mas as cabeleireiras podem dar um jeito nisso, pensar em algo, uma peruca.
- Viu? – Aoi fitou Uruha sorrindo. – Sua ideia é ótima. Nós podemos falar com o Kai e depois conversar com o Koga-san sobre o aumento da turnê, já que há chances de você voltar, e enquanto continua aqui as cabeleireiras vão providenciando com a ajuda do Ruki as perucas e o que mais precisar.
- Então posso contar com vocês?
Reita lhe sorriu.
— Sempre. E vamos cuidar para que o Ruki desenhe perucas bonitas para você.
Ruki xingou Reita. Todos riram.
xXx
A volta para Tokyo foi cansativa e fria. Mesmo que as estradas estivessem com trânsito normal ainda havia neve acumulada que impedia os veículos de transitarem com grandes velocidades, o que resultou no dobro do tempo médio que normalmente se usava para ir de Tokyo à Kanagawa. O taxista os deixou em seus devidos apartamentos quatro horas depois de saírem da província vizinha, e com os termômetros tão gelados e os relógios marcando quatro horas da tarde não havia muito mais para se aproveitar daquele dia.
Inacreditavelmente Ruki e Reita se separaram e cada um foi para seu respectivo apartamento. Era muito mais prático e seguro morar em prédios, ainda mais para eles que tanto saíam em turnê e precisavam em muitos casos deixar as moradias por grandes períodos. Para Ruki, que ainda tinha Koron podia contar com a ajuda de sua única vizinha daquele andar, já que cada um comportava apenas dois apartamentos. A boa senhora sempre ficava com a chave do vocalista para olhar o cachorro que pulou com vontade nos braços de seu dono, que mesmo cansado sorriu e começou a brincar consigo, esquecendo qualquer outro problema.
Reita, que também tinha um bicho de estimação deixou que a calopsita de nome Kenji pousasse atrás de seu pescoço, encobrindo-se com os fios loiros do baixista. Reita riu com as cócegas que as penas do pássaro lhe causavam, mas deixou que o pequeno bichinho matasse a saudade enquanto estivesse assistindo TV, devidamente coberto. Sem Ruki ali ficava sem muito para fazer, mas também não ligaria, já que cada um precisava de seu próprio espaço.
Aoi também não fez nada de muito especial, compartilhou o ato de Reita ao se enfiar no sofá com uma coberta. Ficara incumbido de ligar para Kai e avisar que havia algumas idéias novas para a turnê, apenas para não pegar ninguém de supetão, e claro, não conversarem na frente de Sugizo, já que seria um insulto ao moreno que todos falassem normalmente que queriam aumentar a turnê por causa de Uruha. Não era justo, ainda mais depois de tudo que ele havia feito por todos. Então precisariam fazer tudo de maneira branda, era o certo a se fazer.
...
— Aumentar a turnê? – Kai indagou. – Isso vai dar certo?
- Não sabemos. – Ruki comentou enquanto abraçava a si mesmo. – Mas, esperamos que você nos ajude dando uma opinião sobre isso.
- Vai ser inusitado. – Disse, copiando o gesto de Ruki. As salas da companhia pareciam salas de frigorífico, agora que o aquecedor havia queimado. – Sobre Sugizo-san eu concordo, seria injusto fazer algo e despejar nele que queremos fazer isso apenas pelo Uruha, mas não me parece ruim. Acho que o Koga-san não vai achar de todo mal.
- Só vamos saber de um jeito. – Disse Aoi, saindo da sala em busca do empresário.
Os que permaneceram ali estava quase congelando. Reita praguejou pelo aquecedor queimado, Ruki e Kai se abraçaram e mais que nunca desejavam tocar logo para se aquecerem e esquecerem aquela sala enregelada que parecia um dos cenários do filme O dia depois de amanhã.
— Mas que frio. – Disse Koga ao entrar na sala repetindo o ato do baterista e do vocalista, mas abraçando a si mesmo. – Pelo jeito a gravadora toda vai acabar pegando uma gripe.
- O que ajudaria a gente a adiar a turnê. – Ruki redargüiu rapidamente, sorrindo. O empresário o fitou com espanto.
- Adiar a turnê?
Aoi riu.
— Senta Koga-san, a gente vai te explicar tudo.
...
— Parece bom. A turnê ainda vai durar por mais quatro meses como vocês já sabiam, manter mais sete meses nos manteria em serviço até dezembro. O que preocupa um pouco é o último mês, tem o inverno e o natal, as casas de show normalmente estão ocupadas e seria algo grandioso de quase um ano. Eu posso tentar conversar com os diretores, mas não garanto que eles vão me dar mais sete meses. Isso eu acho que não consigo. Mas, até setembro eu vou tentar.
- É alguma coisa. – Disse Kai. – Podemos manter mais contato com o Uruha e ir acompanhando a evolução das coisas agora que ele realizou o transplante. Quem sabe se dermos sorte até agosto ele não melhora e volta.
- Então vou contar com vocês com relação a isso, tudo bem? Eu vou tentar conversar com os diretores e se eles aprovarem o Ruki e as cabeleiras vão entrar em reunião às cinco horas para irem conversando sobre o que pode ser feito. Enquanto isso melhor vocês ensaiarem antes que acabem congelando.
Sugizo apareceu alguns minutos depois que o empresário saiu, pedindo desculpas pela demora. Uma de suas filhas ainda estava internada, mas Kai não fez vista grossa ou mesmo brigou com ele, apenas se encaminhou para a sala de ensaios junto com os outros e desejou melhora à garotinha, assim como os outros. De uma coisa o empresário tinha razão, se não ensaiassem logo iam acabar congelando com certeza, o que não seria nada bom para nenhum deles. Se queriam manter a chama da esperança viva tinham de continuar ensaiando e fazendo shows, e como Kai havia dito, manter contato com Uruha e fazer as coisas sem alarde para não magoar ninguém.
Dali alguns dias teriam o quarto show daquela turnê que talvez se encerrasse sem que o nome 'incompletos' pairasse no ar de maneira discreta. Se as coisas estivessem de seu lado poderiam ter com Uruha alguns shows depois de quase um ano separados. Bastava apenas que o empresário conseguisse convencer os superiores que aquela poderia ser uma turnê marcante, e mesmo que eles pensassem apenas em dinheiro, para Kai, Reita, Ruki e Aoi o que mais desejavam era que Uruha pudesse voltar em tempo e junto com eles e Sugizo encerrasse aquela turnê que, mais do que marcante para os diretores que enriqueceriam um pouco mais, marcaria a volta de uma pessoa que estava ligada aos outros pelo fio do destino, e que mesmo que várias e várias voltas e nós tenham dado a união ainda continuava firme e forte.
Eles iam conseguir, tinham fé nisso.
Eram o the GazettE, nada podia contra eles.
Nem a implacável leucemia.
Notas finais
Tsuki Senshi ♥;
ChunLi W Malfoy ♥;
Melka ♥;
Kotori ♥;
AlineVKei ♥;
ninfanegra ♥;
Takashima Yuumi ♥;
Saa Chan ♥;
freeasabird ♥;
Ringo-sama ♥;
Eu não seria nada sem vocês ♥.
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