Notas iniciais
Oii gente tudo bem?
Comigo está também -qqq- Mas, queria entender uma coisa. O número de leitores aumentou, mas os reviews andaram diminuindo. Alguma coisa está ficando ruim, vocês desistiram da fic? @o@ Eu não vou fazer chantagem pedindo reviews em troca de caps, mas se tem algum leitor fantasma que lê essa parte, saiba que reviews são aceitos e deixam autores felizes, ok?
boa leitura.

Tanto Reita como Kai e Ruki estavam de volta ao quarto que Uruha logo daria adeus quando Viktor voltou com o papel de internação em mãos. Caminhou até Reita, mostrando alguns protocolos e procedimentos, ditando as coisas mais importantes como informações sobre a internação em si, deixando que o baixista lesse em voz baixa sobre alta e preços, entre outros detalhes.

Por fim o loiro virou-se para o médico, sorrindo fechado.

- Aonde eu assino?

Viktor retribuiu o sorriso e mostrou as folhas aonde o baixista deveria assinar, recolhendo tudo em seguida.

- Qualquer outro detalhe será tratado com um de vocês quatro, mas o paciente só poderá sair caso o senhor Suzuki autorize.

Os cinco assentiram e os dois médicos se retiraram, deixando-os a sós apenas por mais alguns instantes, visto que o enfermeiro chefe do andar da Oncologia estava arrumando o novo quarto de Uruha e logo Viktor estaria de volta para levá-los até lá.

- Parece que no andar aonde o Uruha vai ficar somente uma pessoa pode permanecer no quarto com ele e as outras ficam numa sala de espera no próprio andar. – Reita cruzou os braços enquanto falava, fitando os outros.

- Então quer dizer que não dá para ficar no corredor? – Aoi comentou, desanimado.

- Dessa vez não.

- Eu quero saber quando vou para casa. – Uruha suspirou e virou a cabeça, fitando o nada e fazendo um bico leve. – Vai ser ruim ficar aqui tanto para mim, e pior para vocês.

- Ainda pensando nas nossas férias? – Kai foi até o amigo, sentando-se na beirada da cama e levando uma das mãos até seus ombros.

- Eu já disse que não quero estragar nada. – O guitarrista suspirou sentindo a mão de Kai apertar levemente aonde tocava.

- Não é incômodo, Uru, nós estamos com você.

O guitarrista virou-se para o líder e sentiu os olhos arderem. As lágrimas começaram a se formar e um bolo se infiltrou em sua garganta, mas Kai foi mais rápido e as impediu de cair, baixando o rosto e dando um beijo na testa do amigo.

- Vai ficar tudo bem Uru, não se preocupe. Amanhã mesmo eu vou à gravadora, já que hoje é domingo, e vou falar com o Koga-san. Ele vai ficar mais uma semana com os Staffs na PSC e eu vou lá avisar o que está acontecendo.

- Mas, o Aoi disse que vocês talvez fossem esperar um pouco mais.

- Não Uru, na verdade eu achei que o Kai fosse esperar um pouco mais realmente, mas quanto antes melhor.

- É, e nós íamos começar os ensaios do novo single depois das férias, mas agora com esse problema, é melhor que ele seja avisado antes.

- E não Uru, não vai acontecer o que você acha que vai. – Aoi disse num firme, mas mostrando a delicadeza que ele tinha para com o loiro.

- O que você acha que vai acontecer? – Kai indagou fitando Uruha que mostrou a língua para Aoi, fazendo-o rir.

- Ele acha que vai ser expulso da banda.

Kai fitou o amigo, um sorriso sincero estampado em seus lábios.

- Isso nunca aconteceria Uruha. Nós somos seus amigos e estamos do seu lado, não tem nem como o Koga-san querer te substituir muito menos para um single.

- Mas, e para shows? Isso É uma possibilidade. – Uruha enfatizou o final, recebendo um suspiro pesado de Kai.

O baterista ia continuar falando, mas Viktor adentrou o quarto trazendo uma cadeira de rodas, e indo até Uruha.

- Seu novo quarto está pronto, Takashima-san. – O médico sorriu, fitando seu mais novo paciente.

- Você podia me chamar de Uruha. – O guitarrista fez um bico e se sentou fazendo os amigos e o médico rirem.

- Eu adoraria, mas não sei se posso. Não ainda.

- Então quando puder, faça, é mais confortável que Takashima-san. – Uruha fez uma careta para o médico e se sentou na cadeira, fazendo-o rir novamente.

Pelo menos até Reita postar-se a seu lado, assustando-o.

- Se importa se eu levar o Uruha? – O baixista deu uma piscadela rápida para o outro, que sorriu, assentindo.

- Me ajudaria muito.

Reita sorriu fechado e começou a caminhar para fora do quarto seguido dos outros que tinham um ponto de interrogação em suas mentes, incluindo Uruha.

Bem, Reita disse que não ia contar e assim permaneceria por mais que eles viessem a insistir e sorriu ao ver Felipe vir até eles, certa preocupação em seu rosto amenizando quando viu o baixista empurrar a cadeira com Uruha.

- Obrigado, Suzuki-san.

- Não tem problema. – Reita sorriu amável e se segurou para não rir quando viu os amigos, — incluindo Uruha, — fitando-o.

- O Reita sabe mais sobre certas coisas do que eu poderia imaginar. – Ruki disse inconformado, fazendo o baixista e os médicos rirem baixo, as risadas aumentando quando as portas do elevador se fecharam.

- E parece que sabe mais ainda do que eu posso imaginar, não é, Viktor? – O hematologista deu uma piscadela para o outro, que se remexeu ao lado do baixista.

- Eu... Eu não sei de nada.

Felipe e Reita riram e o médico menor sentiu-se corar, fitando Uruha que levou as mãos à boca.

- Vocês têm um caso! – O guitarrista disse com uma expressão de surpresa, fazendo Viktor corar mais ainda e Felipe abrir um sorriso sincero, levando uma das mãos ao ombro do companheiro, massageando de leve.

- Há dez anos. – O oncologista por fim falou, sorrindo em seguida, enquanto as expressões dos outros quatro formavam caretas de surpresa.

- Vocês disfarçam muito bem, se não tivessem dito eu jamais imaginaria. – Uruha comentou e Viktor relaxou mais, sorrindo.

- Ainda bem que sabemos disfarçar, isso é tão proibido quanto um médico dizer que tem um paciente favorito para os quatro ventos.

- Ninguém então sabe que tem um caso? – Uruha indagou quando as portas do elevador abriram, revelando um corredor tão branco quanto o do andar que ele estava, mas talvez mais calmo que o normal, dando inclusive um ar um tanto perturbador para o ambiente.

- Não é que não saibam praticamente todos nossos amigos aqui dentro sabem. O que acontece é que não podemos deixar que os pacientes percebam. Pelo menos não tão facilmente.

Os cinco soltaram um ‘ahh’ em uníssono, fazendo os médicos rirem baixo. Viktor então pediu que Reita virasse para a esquerda quando o corredor bifurcava e o baixista andou até o final desse novo corredor, chegando à porta de um quarto com um apoio de plástico transparente preso na mesma, que comportava alguns papéis, sendo o primeiro o nome do paciente de Viktor, Takashima Kouyou.

O oncologista então abriu a porta, revelando um quarto tão normal quanto o que Uruha estava a não ser pelo fato de ter mais aparelhos. Era um lugar aconchegante para alguém que tinha uma doença tão grave como ele.

- Esse vai ser seu quarto pelo tempo que for necessário a partir de agora, Takashima-san. – A expressão do oncologista ficou um pouco mais séria, mas nada tão espetacular. Os cinco imaginaram que era normal cada médico se usar de métodos mais tranqüilos em outros ambientes, e bem, Viktor sendo o médico que era provavelmente gostava dos momentos em que podia relaxar.

Uruha, no entanto, apenas assentiu e se levantou quando Reita chegou á beirada da cama, levantando-se e logo se deitando novamente, se cobrindo até a cintura com o lençol branco, puxando a leve manta azul por cima. Seu corpo já estava um pouco melhor da anemia, mas ele ainda estava abatido o suficiente para ser preocupante.

Sendo assim, Viktor abriu uma gaveta que havia na cômoda dentro do lugar e pegou cinco máscaras cirúrgicas, entregando para cada um deles.

- Os sintomas do Takashima-san ainda estão meio fortes, então a partir de hoje vocês deverão usar essas máscaras sempre que entrarem aqui.

Os quatro assentiram; um medo adentrando seus corações. Apesar de estarem descontraídos, sabiam que Uruha tinha uma doença que necessitava ser levada a sério, e claro, a gravidade da mesma os deixava balançados.

- Todos que entrarem aqui precisarão usar máscaras doutor? – Uruha indagou, sendo fitado por Viktor, que já ajustava a sua no rosto.

- Sim, Takashima-san, sua imunidade vai começar a ficar mais baixa a partir de amanhã quando iniciaremos a quimioterapia, então todo e qualquer cuidado é pouco. Lembra do que eu disse? O que mata não é a leucemia, é uma gripe, um resfriado simples.

O guitarrista assentiu, respirando fundo. Estava apreensivo, era verdade, e com um medo que por mais que ficasse escondido, às vezes aparecia para lhe incomodar.

Mas, não teve muito tempo para pensar nisso, pois, logo Viktor aproximou-se de si, fitando-o.

- Takashima-san, como deve imaginar, durante o tratamento nós fazemos coleta de sangue e ainda outros tipos de exame, e para não ficar perfurando o paciente e assim causar mais dor e incômodo, é inserido um cateter próximo a essa região do fim do pescoço e já começo do colo, para que tanto a quimioterapia seja inserida, como para que os exames sejam feitos. – O médico limpou a garganta. – Então daqui a duas horas eu e uma equipe retornaremos aqui para te levar até a sala cirúrgica para inserir o cateter.

- Isso é como uma operação?

- Não deixa de ser, é verdade. Em escala pequena, dura no máximo quarenta minutos, e logo você estará de volta. Mas, sim, dói um pouco e incomoda como uma operação leve.

Uruha respirou fundo apertando a mão de Reita que havia se aproximado de si.

- Está bem então, tentarei descansar um pouco.

- É o melhor que faz. Deixarei um de seus amigos aqui, já que não deve mais ficar sozinho em hipótese alguma e levarei os outros para a sala aonde poderão ficar. É como uma sala de espera, mas apenas para a área de oncologia, como eu já havia comentado com o Suzuki-san. E, caso alguém os venha pedir autógrafo ou algo semelhante, vocês devem nos avisar, já que isso não é permitido, principalmente pelo zelo dos acompanhantes.

Os cinco assentiram felizes por aquilo. A doença de Uruha lhes tomava todo o tempo e eles se esqueceram, por um momento, de que eram famosos. Mas, agora, com essa notícia do médico, eles podiam respirar aliviados.

- Então, quem escolhe Takashima-san?

- Posso mesmo?

- Claro. – Viktor sorriu, incentivando-o.

O guitarrista fitou Reita e depois os outros, sentindo o coração disparar. Deveria ser algo fácil, mas ao fitar os orbes negros de Aoi, seu coração ficou dividido entre os dois, e como não queria demorar para não ficar constrangido, disse o primeiro nome que lhe veio à mente.

- Aoi.

O guitarrista moreno sentiu corar na hora e os outros apenas sorriram, saindo acompanhados por Viktor. Por sorte Aoi estava de máscara e parte de sua vergonha ficou escondida.

- Não se importa nee? – Uruha perguntou, vendo o moreno sentar a seu lado.

- Nem um pouco. – Aoi sorriu, brincando com os dedos nervosamente. – É sempre bom ficar perto de você.

Uruha corou, fitando rapidamente outro ponto do quarto enquanto pensava em algo para continuar a conversa.

- Etto Aoi, lembra na semana passada quando o Reita foi para casa e vocês três ficaram comigo?

O moreno assentiu, indicando com a cabeça que o outro deveria continuar.

- Você queria me falar alguma coisa? Quer dizer, parecia isso. – Uruha mordeu o lábio inferior, arriscando.

- Não era nada importante não Uru, só queria enfatizar que você não iria mesmo sair da banda.

- E isso não é importante? – O guitarrista fez um bico tentando não rir. – Obrigado pela consideração, Shiroyama Yuu.

O loiro mostrou a língua para o outro e os dois caíram na risada, tentando desatar alguns nós entre sua relação como amigos, e quem sabe, até mais. Eles não queriam e não iriam forçar nada, cada um respeitava o tempo do outro, e mais do que agora Aoi sabia que o loiro acometido com a leucemia não queria pensar tanto em relacionamentos.

O que, de fato, era verdade. Uruha estava preocupado com sua permanência na banda e com sua saúde, e preferia, no momento, deixar relacionamentos mais sérios de lado. Havia saído de um pouco antes de começar a última turnê, e mesmo tendo superado, agora que a leucemia acometia-lhe, resolveu que deixaria assuntos amorosos para depois.

Não que isso o impedisse de ter lindos momentos com Aoi, claro.

Os dois sempre se deram bem, tanto entre si como com os outros. Suas conversas nunca acabavam quando os ensaios se encerravam, e várias vezes, durantes esses nove anos, eles comemoravam aniversários ou outras datas importantes, e bem, se entendiam, num geral.

Foi aos poucos, não que os dois soubessem a data exata, que começaram a se sentirem atraídos pelo outro, não que também já tivessem sentado para conversar sobre seus sentimentos. Só o que entendiam é o que haviam notado por olhares, e pela forma como as coisas estavam acontecendo, certamente essa conversa se adiaria o máximo possível.

Não tanto por vergonha, ou mesmo inteiramente pela leucemia, mas, de fato, ela era a grande vilã que os impedia, de certa forma, de conversarem.

Pois, veja bem. A saúde de Uruha estava mais do que debilitada e o fato dele precisar ter ficado no hospital enquanto o resultado do mielograma não saía só serviu para contestar a delicadeza em que seu corpo se encontrava.

E toda essa fragilidade ocupava o espaço no coração dos dois que deveria estar sendo usado para eles se expressarem para o outro, mas, de fato, a doença os impediria por um bom tempo.

Claro que a vergonha também, mas isso é assunto para um próximo capítulo.