You Are Not Alone
35 Amor
Notas iniciais
Quero reviews, troco a fic por reviews v.v
Leitores bobos -mostra a língua-.
EEEEE -q- já viram que eu coloquei quantos caps vai ter finalmente? Pois é, a You Are ta acabando já, eu to quase terminando de escrever ela e o segundo lemon :x que eu já sei quando vai ser. Se quiser saber, mande reviews u.u -apanha-.
Boa leitura.
PS: e podem me xingar pelo cap fraco, mas necessário.
PS2: Kai ta com dor na bunda u.u
Alguns pontos de luz adentravam parcamente pelas frestas da cortina do quarto de Miyavi. Não fazia sol, apenas a iluminação do começo do dia se chocou contra a face de Kai que fez uma careta, resmungando algo e se remexendo até deitar de bruços afundando o rosto no travesseiro. Estava meio desperto e podia sentir algum cansaço ainda, acomodando-se melhor, virando-se para o lado que a luz não batia.
Encolheu-se debaixo do edredom, afinal sua nudez não o ajudava a aquecer tanto. Estava quase adormecendo novamente quando sentiu um ar diferente chocando-se contra si, tentando ignorar, mas sem sucesso, deixando-se despertar quase completamente, por fim, abrindo os olhos e deparando-se com a feição calma e tranqüila de Miyavi, que ainda dormia. Os fios negros e compridos escorriam solitários ou em pequenos montes por parte do rosto do maior, contrastando quase gritantemente com o tom da pele.
Seu peito movimentava-se cadenciadamente e uma paz desconhecida para Kai emanava daquele corpo. Seu rosto mostrava uma tranqüilidade que o menor nunca tinha visto, surpreendendo-se, afinal não achava que as mudanças tinham ido mais longe do que o que viu quando o encontrou na companhia, mas os meses, o ano sem se falar e a vida deram um jeito de aflorar alguns lados daquele homem que agora dizia com orgulho que estava em seu coração. Até arriscou quebrar um pouco daquele momento calmo entrelaçando uma mecha negra entre seus dedos enrolando os fios que ao final de cada ciclo voltavam a ficar retos.
Hesitou um pouco, mas deixou os dedos descerem para o rosto, caminhando suavemente pela pele alva, descobrindo as laterais da face ainda adormecida, o olhar seguindo a estrada percorrida pelos dígitos, passando pela bochecha, canto dos lábios e começo do queixo, antes de Kai erguer o olhar e puxar a mão para si ao notar que os olhos do maior lhe encaravam, um sorriso começando a se formar no rosto recém despertado.
Miyavi repetiu todos os gestos do amado, pousando a mão num dos ombros e trazendo o corpo menor para si, aconchegando-o em seu peito e depositando um beijo no topo da cabeça, Kai sorrindo corado contra a pele nua. Agora se sentia mais aquecido e acolhido, feliz pelo ‘bom-dia’ único que aqueles gestos representaram, marcando em definitivo o início daquele relacionamento.
xXx
— Isso é possível Viktor? – Uruha indagou surpreso, não imaginava que Aoi fosse realmente ficar aquelas duas semanas consigo, afinal de contas merecia um descanso.
- Sim, porque você é maior de idade.
- Ponto para o Aoi. – Balançou os fios negros com a costa da mão, fazendo Takashima rir. Viktor deu uma última olhada em seus sinais e saiu, deixando-os à vontade.
- O Aoi é um metido. – O ex-loiro aconchegou-se em sua cama, tomando cuidado com o soro da quimioterapia.
- Um metido que o Uruha ama. – Provocou, acomodando-se o mais perto possível da cama. – E que deixa o Aoi todo preocupado quando começa essas seções de quimioterapia.
- Até que ta tudo bem. Ainda não tive crises.
- E tomara que não tenha. – Sorriu. – Aliás, sobre o festival,-
- Eu sei. – Retribuiu. – Eu vi Aoi, e fiquei chorando aqui, seus maus.
- E ficou bem?
Sorriu fechado para o menear positivo do maior, deixando-se relaxar um pouco na poltrona. Não se importaria em sentir incômodo por passar aqueles quatorze dias dormindo num assento invés de uma cama, desde que assim pudesse aproveitar da companhia de Uruha. Não se considerava um romântico à moda antiga e nem sabia como se descreveria nesse sentido, mas o que tinha de certeza era que aquele ex-loiro deitado lhe encarando com uma expressão indagatória lhe tomava todos os dias, horas, minutos e segundos e preenchia sua vida como nenhuma outra pessoa conseguiu.
xXx
- Tem algum lugar do seu corpo que não ta roxo, Reita? – Ruki riu ao fitar pela primeira vez depois do acidente a parte de cima desnuda do companheiro. Os pontos roxos em seu tórax ainda eram visíveis, assim como dois pequenos cortes perto das costelas.
- Acho que meus cabelos. – Suzuki riu, levantando-se com a ajuda do menor. – E esse pulso enfaixado.
- Que não está roxo, mas está torcido, não vale.
- Então só o cabelo mesmo. – Riu fraco. – Mas, com você cuidando de mim eu melhoro logo. – Sorriu para Ruki, que corou.
- Só não te mato porque seus pais não podem ouvir daqui. – Reclamou.
- Eles sabem que nós namoramos, não sei por que fica envergonhado.
Takanori fez uma careta levando o maior a rir. Ajudou-o a ir até o banheiro, colocando tudo que precisaria em cima da pia. Era apenas o segundo dia daquela nova rotina, mas os dois haviam estabelecido algumas coisas, já que Reita ficaria dependente de Ruki e seus pais para muitas coisas. E tomar banho era um desses pontos. Ainda era difícil se curvar então estava tentando se acostumar ao amado lhe ajudar com a roupa de baixo, o que estava sendo constrangedor.
— O seu acidente está incentivando a gente a transar. – O Matsumoto subiu num banquinho para poder fitar Akira enquanto tomava banho, rindo do fato de ter se engasgado com o comentário.
- E você não ajuda a deixar o momento menos constrangedor.
- Você fica muito kawaii corado, Reita. – Riu escandalosamente, apertando a parte da bochecha que não estava machucada. – E também de que adianta ficar adiando esse assunto, se qualquer dia aí a gente vai acabar transando mesmo? – Dizia descontraídamente.
- Você não existe Ruki. – Riu, sentindo o rosto quente. – Não sei como não fica envergonhado.
- Por dentro serve?
Dessa vez foi O Suzuki quem riu.
- Não acho que tanto, mas fico aliviado que ta mais tranqüilo.
- A convivência e os conselhos da Srª Suzuki ajudaram. – Estava com o queixo apoiado na base do box, não se importando com a água que espirrava em si.
- Conselhos da minha mãe? Devem ter sido produtivos e amedrontadores.
- Você escolhe. – Ruki riu, dando de ombros.
Para se vestir Reita também precisava de ajuda. Conseguia se enxugar com certa dificuldade, mas Ruki precisava apenas lhe acudir com a vestimenta. Não pôde deixar de rir com os comentários do menor pelas marcas também nas pernas, de fato estava todo em frangalhos.
Ao menos tinha sua ajuda e agora de seus pais, que cuidavam das coisas que não podia fazer. Não queria dar trabalho, mas não imaginava que daria o azar de ser acertado por todas aquelas caixas. Ao menos estavam vazias, o que diminuiu o estrago.
E ainda tinha as duas semanas em casa que eram reconfortantes principalmente por causa do inverno. Reita passava boa parte do tempo na cama, como agora se encontrava, e o calor aconchegante vindo dos edredons lhe deixava embriagado. Ao menos até ver a pequena compressa de gelo nas mãos de Ruki direcionada para seu rosto.
- Meu olho podia desinchar logo. – Reclamou, fazendo uma careta com o toque gelado na elevação perto do olho.
- Ou podia esquentar. – Ruki riu baixo.
- E falando em esquentar, porque você não vem deitar também? Ta frio.
- Você não ta com fome? Eu posso fazer alguma coisa.
Reita negou, sorrindo em seguida. Ergueu a mão livre até o rosto frio do loiro menor, acariciando. Ruki fechou os olhos, deixando-se levar pelo calor dos dígitos do baixista, quase ronronando. Havia se esquecido por alguns momentos da compressa, mas logo voltou a colocar sobre o olho inchado, ainda se deleitando com o carinho.
Estavam cada vez mais próximos, apesar de seu lado ruim o acidente havia fortificado seus laços, a necessidade de permanecer junto crescia. Não havia pressão de nenhum dos lados, era algo singelo, quase mágico. Mesmo sem perceber era o amor que Ruki tanto desejava para si e Reita, resistente para enfrentar batalhas intensas como as que o tio do loiro maior enfrentou, apesar de ser um sentimento um tanto quanto torto para se comparar.
Estavam felizes juntos, aquelas paredes tornavam tudo parecido com um conto de fadas, apesar de parecer que Reita havia caído do cavalo tentando salvar a pobre donzela Ruki que agora lhe agradecia com gelo num dos olhos enquanto nevava do lado de fora da cabana que os bons senhores, vulgos pais do Suzuki havia emprestado para o maior cuidar de suas feridas.
O importante era estarem juntos, trocando carinhos ou apenas apreciando a companhia, apesar de nenhum dos dois ter notado quando o beijo lento se iniciou, não era profundo ou impuro, era um toque leve, quase um roçar, as respirações se misturando e para Reita só o incômodo da temperatura fria do gelo ainda sobre sua pele maculada.
Fitaram-se com ternura quando o ósculo foi encerrado, Ruki finalmente se deixando levar pelo frio e deitando ao lado de Akira, ficando o mais próximos que conseguiam, já que o Suzuki não podia deitar de lado por que sentia dores nos ombros. Ao menos podiam aproveitar da companhia do outro, apesar de terem adormecido tão logo se aconchegaram por baixo das cobertas.
xXx
- Eu disse que você ia querer descansar. – Miyavi não parou de rir desde que os dois acordaram, e mesmo ajudando o menor não se agüentava com as caretas toda vez que se sentava, ou mesmo deixava de brincar quando via as marcas no pescoço.
- Eu deveria ter acreditado melhor. – Riu, aconchegando-se melhor no abraço recebido. Estavam na sala assistindo um filme, cobertos e com a companhia de Lovelie em seu carrinho, que dormia como se não houvesse o amanhã. Já era meio da tarde daquela terça-feira fria e decidir se aconchegar num lugar mais quente e apropriado não parecia uma hipótese ruim.
- Já que não acreditou muito agora precisa descansar. Vem, vamos dormir um pouco. – Miyavi se levantou quase de supetão, segurando uma das mãos de Kai.
- Assim, do nada?
- Fazer sem pensar é tão bom.
O Yutaka se sentiu corar com a sentença de sentido duplo, arrancando uma risada de Miyavi e se deixando ser conduzido, sem mudar muito a expressão ou comentar o que fosse. Deixou-se apenas ser ouvido quando Ishihara o empurrou de propósito na cama, caindo sentado e gemendo baixo com o incômodo. Ouviu a risada do outro e arriscaria jogar algo em si se ele não tivesse sido mais rápido ao sair do cômodo para buscar Lovelie.
- É uma pena que não posso te atacar com a Lovelie-chan no colo. – Brincou, arrumando-se em seu lado da espaçosa cama.
- Lovelie-chan salvou o papai. – Segurou a filha em pé, apoiando as partes necessárias e dando um beijinho de esquimó e outro numa das bochechas, sorrindo junto com Kai. O baterista nunca tinha visto um ato mais carinhoso assim de Miyavi com a filha, e se sentia especial por poder presenciar esses momentos.
- Deixa ela aqui entre a gente. – Não precisava nem se afastar, já que espaço não faltaria.
Miyavi apenas concordou, pegando o pequeno travesseiro de sua menininha e colocando entre o seu e de Kai, deitando-a e se arrumando em seguida. Os dois viraram-se para o pequeno corpo que parecia querer voltar a descansar e sorriram em simultâneo, aproximando-se um pouco mais apenas para o sentimento familiar se intensificar, deixando-se levar por algumas carícias entre si e para com Lovelie, os três adormecendo alguns minutos depois.
xXx
- Vomitar é um saco. – Uruha reclamou, retornando do banheiro e se acomodando na cama com a ajuda de Aoi. – Porcaria, só porque eu tinha conseguido jantar bem.
- Calma Uru, ta tudo bem agora. – Yuu acarinhou a cabeça protegida pela touca, recebendo um sorriso cansado do outro.
- Eu já não agüento mais passar tanto mal por causa disso. – Suspirou. – Quando vai acabar?
- Eu queria poder te responder. – O Shiroyama disse com sinceridade, arrumando-se na poltrona. – Eu só posso desejar que logo.
- Somos dois Aoi. – Se deitou, cobrindo-se. – Já tenho saudade dos remédios ruins, da sua cama, das nossas risadas. Agora parece bem distante.
- Por isso eu to aqui. – Sorriu mais aberto. – Para te deixar feliz mesmo com essas crises.
Uruha sorriu, fitando aquele abismo intenso compactado para formar os dois orbes do moreno.
- Você sabe que só de estar comigo já me deixa feliz.
- Mas, essas crises são uma provação, então eu venho para auto-afirmar.
Aoi sorriu por conseguir arrancar uma risada descontraída do amado, ligando a televisão num canal de humor e deixando o som num volume baixo, apagando as luzes e voltando para a poltrona, notando como o corpo de Uruha pareceu relaxar com o ambiente mais adequado para dormir.
- É bom estar aí quando eu acordar, Shiroyama. – Brincou baixo, rindo com o outro.
- Eu vou estar Takashima. Vê se descansa bem.
Uruha anuiu, acomodando-se e fechando os olhos. Aoi pôde notar como não demorou para que sua respiração cadenciasse e o semblante chateado pelo ocorrido moldasse para algo calmo. Mais uma vez tinha certeza de que as crises de Uruha e toda a pressão e cansaço por estar num hospital eram desgastantes e que seu ser somente se renovava com uma noite de sono tranqüila. Claro que depois de tanto tempo parecia que o sono não daria mais conta do recado, mas Yuu não podia perder a fé.
Não tinha dúvidas de que Uruha precisava de seu apoio e que se visse as pessoas ao seu redor perdendo as forças também não agüentaria. Imaginava que seus pais também fossem otimistas e passassem tranqüilidade ao Takashima filho, sendo muito provavelmente melhores que si.
Ainda assim não duvidava das palavras de Uruha dizendo que sua companhia o fazia bem. Se fosse o contrário certamente sua presença o faria muito bem, e a certeza de estar ali independente do tempo que precisasse só aumentaria a confiança, o que para alguém como Uruha que estava sim com sintomas depressivos por causa da doença era como um ponto de refúgio que Aoi não negaria.
Quatorze dias, que podiam ser semanas ou anos, não importava. Estar com Uruha era sublime, disso Aoi tinha certeza. Não podia gritar que o amava, mas o amaria com a intensidade de seu sentimento, assim como Reita amaria Ruki com todas suas forças e o menor estaria consigo em todos os momentos, e como Miyavi que voltou e conquistou Kai mostrando que ele não estava mais sozinho, e o líder demonstrou carinho e amor para consigo e Lovelie, trazendo o sentimento familiar para o moreno maior.
Eram seis almas ligadas entre si por amizade e especificamente por amor. O sentimento único que inebriava, enlouquecia, tirava da realidade, mas também sabia trazer. Amantes de todas as horas, ou apenas de algumas específicas. Personalidades diferentes, pessoas diferentes. Para eles não era preciso divulgar o sentimento, mesmo que o pudessem. O viviam plenamente e era aquilo que fazia a diferença em suas vidas, sendo como amigos, ou companheiros.
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