Notas iniciais
Vou apanhar? Alguém acertou quem era o acidentado? 8D
Depois comentem nos review sim sim sim -qqq.
Nee, adoro esse cheiro de limão |D.
Boa leitura.

‘’Acidente no transporte das caixas da banda the GazettE, membro ferido!’’

O anúncio levou Kai a sair correndo de dentro do camarim da banda enquanto Ruki e Sugizo tentavam entender o que estava acontecendo. Como Aoi não estava na sala, as margens para hipóteses estavam abertas como um leque e o vocalista tinha um mal pressentimento sobre isso.

— E se for... E se for o Aoi Sugizo-san? — Disse com uma voz chorosa, sentando com a ajuda do outro. — Como o Uruha vai ficar quando souber?

- Ruki-san, calma, membro pode ser qualquer um, até um Staff. Sei que não amenizaria nada, afinal ainda alguém se machucou, mas, por favor, tente se acalmar. – O moreno entregou uma garrafinha de água para Takanori, que aceitou de bom grado, bebericando aos poucos.

...

— Já dá para saber quem é? — Kai gritou, a forte chuva que caía já havia lhe molhado por inteiro e fazia um som alto batendo nos objetos e chão, enquanto os Staffs tentavam tirar as caixas com mais cuidado para não machucar a pessoa. Apenas parte de uma perna estava para fora, como um deles apontou.

- Sabe quem é? — O próprio indagou, chamando a atenção do líder.

- Não faço nem- A imagem daquele modelo de calçado lhe passou pela mente, levando-o a arregalar os olhos. — Ah meu Deus. Por Kami chamem uma ambulância logo que eu já volto.

Correu rapidamente por entre os corredores, já imaginando como daria uma notícia daquelas. Seus passos ecoavam pelos locais que passava e um caminho de água era deixado pelas roupas encharcadas. Nem se preocupava com as pessoas com quem cruzava, ouvindo sem muita atenção as perguntas feitas.

Chegou à soleira da porta do camarim junto com Aoi enquanto Sugizo ainda tentava acalmar Ruki.

— Que aconteceu Kai? – Aoi indagou também surpreso.

- Aoi que bom que você está bem. – Ruki sorriu já mais calmo, conseguindo se sustentar em pé. Pelo menos até sentir a realidade dando pistas do que realmente havia acontecido. – O que houve Kai? – O sorriso se tornou falso, apenas para tentar se auto-afirmar.

- As caixas dos nossos instrumentos escorregaram na hora do transporte e... – Respirou fundo vendo pelo olhar do menor e de todos ali que suas palavras não tomassem o caminho que pareciam querer seguir. – E elas caíram por cima do... – Viu uma lágrima solitária descer pelo rosto de Takanori. – Reita.

Sugizo abraçou Ruki num reflexo sentindo imediatamente o corpo tremer em seus braços e o choro se tornar presente seguido da frustração de uma apresentação tão emocionante e digna acabar com um dos membros machucado. O menor apertou as mãos contra o rosto e Aoi decidiu fechar a porta para não levantar suspeitas.

— Um dos Staffs já chamou a ambulância e eu imagino que eles estejam aqui logo. – Kai tentava pensar com a razão, mas assim como Aoi precisou se sentar para não cair, aproveitando para fazer perto de Ruki, acarinhando um dos ombros. – Para nossa sorte elas estavam vazias. Vai ficar tudo bem Ruki, confia, por favor.

- Ruki-san deveria se sentar um pouco. – Sugizo sugeriu incerto. – Reita-san vai ficar bem, você vai ver. – Apesar das palavras estava tão assustado quanto o menor, sentimento compartilhado pelo outro guitarrista e pelo líder.

- E deveria tentar se acalmar também Ruki. – Aoi lhe entregou mais água quando finalmente o menor pareceu ceder, sentando-se, mas ainda chorando. A cabeça baixa e alguns soluços, mas o pranto ainda claro.

Estava completamente inerte. Não conseguia ainda assimilar que Reita havia sofrido um acidente, tão repentino que foi, mas estava sem chão. A alegria outrora vinda da apresentação estava sendo guardada num baú bem fundo em sua mente e apenas os sons da sirene da ambulância e antes dela a correria dos Staffs provavelmente para tirar Akira debaixo daquelas caixas ecoava por seus ouvidos, e apenas aquilo.

Queria correr, gritar, espernear e se beliscar desejando ser um sonho. Mas, as pernas estavam tão fracas que muito provavelmente cairia antes de completar um passo. Podia assimilar as palavras de Kai ouvindo que o amado ficaria bem, mas estava tão preocupado e surpreso por si mesmo não ter conseguido fazer nada como normalmente acontecia que o sentimento de inutilidade lhe atingia em cheio.

Calmo demais, inerte demais, choro demais, inútil demais. Mal conseguia mover a cabeça, olhando de esguelha Kai e Aoi se levantarem, seguindo o empresário que chegou correndo e abrindo a porta do camarim bruscamente. Era como se tudo passasse em câmera lenta, o silêncio sendo roubado de cada seqüência. Só conseguiu algum movimento quando Sugizo lhe tocou num dos antebraços, sorrindo fechado, terno.

— Vamos, Ruki-san. Ele só vai querer ver uma pessoa quando acordar.

- H-hai. – Disse quase num sussurro, conseguindo retribuir o sorriso, apesar de também fechado. Sua calma assustava a si mesmo, talvez fossem pensamentos de seu loiro pedindo que não sofresse. Seria surreal, claro, mas sentia que não era preciso ter um ataque, que Reita tivesse toda a atenção necessária e ficasse bem logo, para levar umas broncas.

Queria entender o que havia acontecido e se negou a entrar na ambulância, vendo de fora os pés e parte das calças sujas de lama. Deveria estar mais machucado do que seu autocontrole permitia e preferiu deixar que Aoi e Kai fossem juntos.

— Melhor assim. – Disse baixo, fitando Sugizo que estava a seu lado, poucas gotas de chuva ainda caindo e a ambulância se distanciando enquanto os Staffs atrás dos dois erguiam as caixas que faltava, colocando finalmente dentro do transporte. Era uma cena digna de filme.

- Deveria descansar um pouco também, não? – Sugizo sugeriu, surpreendeu-se um pouco com a negativa indicada pelo menear da cabeça.

- Eu quero conversar, desenhar, escrever. Se eu dormir, Sugizo-san, vai ser pior. Eu nunca fui tão controlado e se pensar demais eu sei que isso vai desaparecer.

- Desculpem incomodar – Um staff apareceu por trás dos dois, chamando-os atenção. – Koga-sama pediu que se acomodassem no ônibus ou no camarim e ao amanhecer um carro virá buscar vocês e levará até o hospital.

- Podem trazer alguns papéis e canetas? Quero fazer alguns esboços.

- Pedirei que providenciem Ruki-san. Agora se puderem me acompanhar.

Assentiram levemente, encaminhando-se para dentro das instalações construídas para o festival.

...

No meio do caminho Kai e Aoi descobriram que a ambulância pertencia ao hospital em que Uruha estava internado, o que, de certa forma, era bom e ruim. Mesmo com a homenagem não sabiam se Takashima tinha visto a apresentação, e se tinha realmente e não estava triste. Ademais, tinha que avisar os Suzuki pais sobre o acidente com Reita, que já estava parcialmente medicado.

Pararam na recepção para avisar sobre o amigo e que seus pais já estavam no local acompanhados de outro paciente, o que facilitava o registro. A senhora Suzuki precisou ser chamada apenas para resolver alguns detalhes, tendo de ser amparada por Kai e Aoi, acomodando-se com a ajuda dos dois músicos numa das cadeiras que havia no corredor na ala de pronto-socorro.

— Ele... Ele está bem? – Tomava um pouco de água tentando se acalmar.

- As caixas sem instrumentos pesam menos Suzuki-sama. – Kai argüiu, recebendo um sorriso fechado da senhora.

- Pode me chamar apenas de Akemi, Kai-san. – Pegou numa das mãos do baterista. – Mas, ele ficou muito machucado?

- Ele deve ficar com alguns hematomas e talvez dores, mas vai ficar bem, juro que não estava tão feio dentro da ambulância. – Aoi comentou com brincadeira levando a Suzuki mãe a rir.

- Obrigado pelo bom-humor – Fez aspas no ar. – ‘’Genro-san’’.

- Suzuki-san! – As mãos de Aoi foram de imediato para seu rosto, a expressão surpresa e a fala repentina da ‘’sogra’’ fazendo Kai e a mesma rirem baixo tentando deixar a preocupação exagerada de lado.

- E não é verdade? – Akemi sorriu, acarinhando a lateral do rosto de Aoi. – E creio que esteja faltando uma pessoa aqui, como pude ver nos porta-retratos de Akira.

- O Ruki é muito descontrolado às vezes Akemi-san. – Kai iniciou. – E apesar de ter chorado ele não saiu correndo e nem teve descontrole. Ele deve estar querendo botar o medo pra fora fazendo alguma outra coisa, mas deve estar aqui de manhã.

- Akira-chan vai gostar. – Aoi e Kai concordaram mudamente, sorrindo fechado.

- Com licença, os senhores são acompanhantes de – Conferiu na prancheta em suas mãos. – Suzuki Akira?

- Sim doutor. Ele vai ficar bem? – Kai inquiriu.

- Sim, foi apenas um susto, mas precisará de alguns cuidados. Por hoje ele vai descansar e só acordará de manhã, mas de antemão posso adiantar que precisará de descanso em casa por alguns dias, e vou pedir que apenas uma pessoa fique no quarto.

- Eu ficarei. – Akemi se levantou. – Se quiserem ficar com Kou-chan não é problema, seria bom para explicar aos dois. Eu vou ficar bem.

...

— Ele vai ficar bem? – Uruha e o pai perguntaram em coro, assustados.

- O médico disse que foi apenas um susto e por enquanto que ele vai dormir até amanhã e precisará de alguns dias em casa. Por sorte já tínhamos as duas semanas de descanso agora que o festival passou.

- O festival pode ter passado. – Aoi esfregou as mãos nos braços. – Mas, o inverno não.

- E com essas roupas que secaram no corpo a gripe já faz até festa. – Viktor adentrou o quarto, rindo. – Não é melhor irem para casa tomar pelo menos um banho ou descansar? Kai-san ainda deve estar com a adrenalina agindo, mas vai sentir dor depois que parar de uma vez.

- Eu aposto que eles esqueceram que acabaram de fazer um show.

Uruha riu inebriando os outros. Foi preciso alguma insistência, mas Aoi e Kai acabaram cedendo, despedindo-se e pegando um táxi que demorou mais do que desejavam, mas claro que ser duas e meia da manhã foi um agravante.

Já Ruki mesmo cansado não conseguia dormir. Sugizo havia sido embalado pelo sono e estava parcialmente acomodado no sofá enquanto o outro fazia desenhos abstratos. Estava encostado no sofá com as pálpebras pesando, mas ainda estava agoniado com o acidente. Não tinha mais vontade de chorar e de certa forma estava aliviado, mas a preocupação lhe acompanharia até Reita melhorar novamente.

Ao menos podia aproveitar do silêncio, rabiscando e escrevendo até que não agüentou mais, o corpo deitando cada vez mais, os olhos permanecendo mais tempo fechados, o sono lhe abraçando por completo finalmente.

Um descanso merecido depois de um show, nem haviam tido os devidos cuidados após uma apresentação e aquilo provavelmente acarretaria em alguns problemas, mas no momento um bom sono e descanso falavam mais alto e os cinco mereciam aquilo, assim como toda a equipe.

xXx

O frio não dava trégua. O amanhecer não estava sendo fácil para quem permaneceu no local do festival, sendo dois Staffs, Ruki e Sugizo, e o empresário. Nevava do lado de fora e apesar de fraco só havia diminuído as temperaturas e a sensação térmica. Precisaram se acomodar no ônibus para se aquecerem com o ar-condicionado, o que agradou principalmente a garganta de Ruki.

— Porcaria. – Dizia com um pouco de dificuldade enquanto bebericava o chá. Estava rouco.

- Koga-san sabe se vamos embora logo?

- Vamos agora Sugizo-san, o motorista disse que dá para ir, mas não tão rápido. Não podemos correr risco de acidente e pelo menos dá para descansar mais. O carro que viria buscar vocês demoraria demais.

- Podem... Podem me deixar no hospital?

- Podemos Ruki, já sei em qual hospital eles estão e pasmem, é o mesmo do Uruha.

- Tenho medo de coincidências.

- Compartilho da mesma ideia Sugizo-san. – Um dos Staffs comentou, rindo.

Não demorou para sentirem o ônibus começar a se mover, acomodando-se em seus lugares. Dormir mais um pouco era válido principalmente por não passar das oito da manhã ainda e com os corpos fracos não havia ânimo para outras coisas.

E bem, nem mesmo o empresário precisava dizer algo. Com todos tão cansados e debilitados duas semanas de descanso era um merecido prêmio.

...

— Reita você está lindo com esses hematomas. – Aoi fazia graça rindo do amigo.

- Ta muito feio? – Ainda falava baixo e meio arrastado como se sentisse dor, o que o médico disse ser normal.

- Ta sim, muito feio, horrível. Mas, você não perdeu nenhum dente não, acho que o Ruki ainda te quer. – Disse simplista, os outros dois presentes rindo das sentenças do Shiroyama, Reita lhe dirigindo um sorriso.

- Aoi... Se minha mãe não estivesse aqui – Parou para respirar. – eu juro que tinha... Soltado um palavrão.

- Não, isso não pode. – O moreno pegou um espelho das mãos da Suzuki que ainda ria, erguendo na altura do rosto do amigo. – Só algumas marcas roxas, nada que o Ruki não dê jeito com maquiagem.

- Eu ouvi isso, Shiroyama Yuu. – Os três se voltaram para a voz fraca vinda da soleira da porta, encontrando um Takanori com as feições cansadas, mas de certa forma aliviado. – E não riam por eu estar rouco, não me cuidei. – Aproximou-se, cumprimentando Akemi.

- Nem nós. – Aoi estatuou. – Não duvido que vamos passar duas semanas em casa por causa da gripe sem poder aproveitar.

- Mas, pelo menos por enquanto – Akemi se levantou. – podemos ir ver como a neve está linda caindo lá do corredor, que acham?

Não era lá uma bela desculpa, mas nesses momentos o engraçado eram essas indiretas tão diretas quanto possível, e claro, os outros dois como cúmplices apenas sorriram acompanhando a Srª Suzuki para fora do quarto.

— Quer... Me matar?

- Não tem ideia do quanto, Suzuki. – Sorriu, acarinhando a bochecha maculada. – Quer me matar também?

- Desculpa, não deu tempo... De correr.

- Não fale muito, pelo menos está bem. Eu só quero te levar daqui logo e cuidar de você, seu desastrado. Da próxima vez escolha melhor o lugar que vai ficar. – Tossiu pela frase extensa, levando um sorriso aos lábios de Reita. O Suzuki segurou uma de suas mãos com a sua livre, beijando.

- Desculpe... Por te preocupar.

- Está tudo bem Aki, tente não pensar mais nisso. Melhor descansar mais.

O Suzuki assentiu leve, erguendo a mão livre para acarinhar a face pálida e gelada de Ruki. Podia ver em seus olhos que ele não havia descansado muito bem, o que lhe causava culpa. Claro que a queda das caixas sobre si foi absurdamente acidental, mas conhecia bem seu pequeno e sabia como ele estava preocupado.

Acabou se deixando levar pelo peso de suas pálpebras, movimentando-se minimamente, já que ainda sentia dor, para então sentir a manta ser puxada na altura de suas axilas, sorrindo fechado, mas sem abrir os olhos. Não demorou a dormir, o que Ruki constatou pela respiração mais tranqüila e cadenciada, deixando-se cair na poltrona que outrora Akemi estava sentada. O peso do festival lhe tomava por completo e já de olhos de fechados também quase se entregando ao sono sentiu uma mão em seu ombro, encontrando Kai lhe sorrindo.

— Devia ir para casa descansar Ruki. Cuide da sua garganta para não ter mais problemas e durma bastante. Nós podemos levar o Reita para casa depois.

O vocalista fez que ‘não’ com a cabeça, quase fechando os olhos novamente.

— Quero... Quero ficar.

- Tem certeza? Não queria estar bem para cuidar do Reita?

Takanori se arrumou na poltrona, esfregando os olhos e fitando o líder.

— Porque você tinha que me convencer? – Podia quase rir de sua voz maculada se rouquidão não fosse algo tão desesperado para si.

- Porque eu sei que você quer cuidar dele da melhor forma possível, e cansado e doente não vai conseguir. E também porque o Aoi já chamou um táxi.

- ‘Bakai!’ – Forçou um pouco a voz, rindo baixo junto com Yutaka.

- ‘Bakuki!’

- Não combinou. – Takanori mostrou a língua, levantando-se. – Mas, se é assim, cuide dele. Já deve imaginar para onde eu vou.

- Já sim. – Kai sorriu terno. – Não se preocupe, ele vai sair daqui inteiro.

Ruki agradeceu e saiu a passos pesados do quarto, almejando sua cama. – Ou de Reita. – Estava tão cansado que poderia dormir até mesmo no táxi sem pretensão de sair do veículo, o trajeto para o apartamento do outro loiro agora muito mais distante para si. Mal conseguia ligar para sua vaidade, ostentando apenas um óculos escuro para evitar os olhares sobre a feição caída. Almejava dormir um dia inteiro se fosse possível, e claro, se cuidando para melhorar da garganta e não pegar uma gripe.

Adentrou o táxi despedindo-se rapidamente de Aoi, que agora agradecia por ter ido dormir em casa na noite anterior, podendo fazer um pouco de companhia para Uruha, havendo decidido que passaria suas duas semanas de recesso em sua companhia, sabendo que não haveria plano melhor para aqueles quatorze dias..

Já numa das salas de outra ala do hospital, um Takashi incrédulo mantinha uma expressão surpresa e de horror no rosto conforme as gazes foram caindo pela pele maculada do outro.