You Are My Endless Love

26 Cap 24 - Disguised Lies


Notas iniciais
Gente, primeiramente, eu queria pedir desculpas pelo atraso e por quebrar minha promessa D: Mas é que assim: esse capítulo foi MUITO difícil de escrever! Reescrevi ele duas vezes inteiramente, e isso fora os ajustes que eu sempre dava... Sério, dessa vez não foi por problemas pessoais, preguiça ou coisa do tipo. Foi pura trava por conta da cena e dos personagens QQQQ Outra coisinha é: tem cenas um pouco fortes. Então se vc tem estomago fraco, só leia depois de pensar bem, ok?
Bem, perdão mais uma vez, e não se preocupem que sábado ou domingo tem cap de novo pra voltar à normalidade :P

[Donghae POV]


Tic-tac, tic-tac, tic-tac…

Meus olhos perdiam-se em um ponto qualquer do longínquo e envelhecido relógio de parede que permanecia trabalhando incansavelmente em sua missão, alheio aos meus pensamentos perdidos. Não prestava atenção aos ponteiros, e sequer me lembrava há quanto tempo estaria fitando os segundos passarem enquanto era embalado pela melodia de seu característico barulho em meio ao silêncio que me rodeava.

Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

Aos poucos, influenciado pela minha mente vazia e meu corpo ainda dormente, senti o som chegado aos meus ouvidos ir mudando conforme eu percebia meus sentimentos vaguearem pelo meu quarto gélido. Nem mesmo a pequena lareira tratava animá-los.

Uma roleta.

Fechei meus olhos, concentrando-me mais no ruído vivo de uma roleta em plena rotação que me atingia naquele momento.

Sim, foi naquele momento em que me dei conta que finalmente começara a pôr as minhas fichas em jogo. Uma a uma, as lembranças de cada ocasião perambularam pelos meus olhos ainda cerrados. Em meio a elas, a pequena esfera prateada dançava confinada no caminho circular e girante de casas estreitas. Havia criado minha estratégia, me lançado à sorte, sabia que se queria chegar ao meu objetivo teria de apostar tudo, e embora minha fraqueza diante do desejo que sempre nutri por Junsu tenha atrapalhado um pouco a sua execução, começava a enxergar o jogo se desenrolando continuamente.

Um oblíquo se formou em meus lábios involuntariamente ao me dar conta de que afinal de contas, minhas maiores preocupações acabaram se transformando em fortes estimulantes para que eu continuasse compenetrado em minha tão dolorosa meta. A começar, pelo medo que senti no momento em que esperava pela reação de Hyukjae diante de minha primeira confissão: A doença de Junsu e como eu o manipulara desde antes de sairmos em viagem.

A bem da verdade, depois de tempos de convivência, eu aprendi o quanto a idéia de ser usado por quem fosse e pelo motivo que fosse enfurecia terrivelmente Hyukjae. Talvez por ter sido manejado pelo pai desde criança e pelo fantasma de ter nascido como herdeiro único de uma fortuna, talvez pela liberdade que ganhara ao aprender a manejar os outros, não sabia ao certo. Por isso, realmente cheguei a imaginar que o começo seria o fim, e que todo o jardim espinhado plantado por mim acabaria por não florescer. Mais eis que minhas pequenas rosas foram se fortalecendo bastante e silenciosamente ao longo da tempestade, e logo passado sua primeira provação, começaram a exibir seus botões iniciais.

Botões estes que cresceram ainda mais com a próxima barreira imposta pelo Destino.

O lago.

Aquele lugar que já fora meu paraíso e meu inferno. Suas águas, as únicas detentoras de meus mais profundos desejos, seguiam-se caladas, serenas, sábias... E, no entanto, permaneciam com a mesma aura acusadora de antes.

Entrar ali durante certos anos da minha vida – justamente depois de eu ter tido consciência que minha vontade de permanecer sempre ao lado de meu irmãozinho não era algo tão saudável como eu sempre imaginara – havia se tornado uma tortura inimaginável. Cada segundo fitando aquele santuário era um imenso martírio para a minha alma. Dera-me conta do quão sujo eu me tornara, do quanto eu merecia ser punido, do quanto estava enlouquecendo...

Por incontáveis vezes usei deste pequeno atributo do local como uma maneira de autopunição. Ao observar minha face tremulando na superfície daquele imenso espelho cristalino, lembrava-me de cada intriga que plantei em minha família, cada fio de desejo e luxúria que teci ao passo que Junsu crescia, cada lágrima que derramei de remorso e fraqueza, e cada vez que traía minhas próprias promessas, levantando-me sempre e continuando a escavar ainda mais o fundo do poço.

Todavia, fora dalí mesmo, de meu campo de concentração improvisado e voluntário, que saiu a brisa que fariam minhas pequenas flores começarem a espalhar seu perfume doce, deixando-me com um saboroso gostinho de vitória. Foi alí, que Hyukjae me confessou através do olhar que estava disposto a esquecer de minhas atitudes estranhas desde que eu lhe permitisse ver algum vestígio de luz em sua própria escuridão de pensamentos. Eu aceitei, logicamente. Pude ver, de acordo com as perguntas que me fizera tanto oralmente quanto silenciosamente, o quão perdido ele estava se sentindo no meio de tudo. Clamava mentalmente por ajuda, por verdades, por respostas que satisfizessem suas curiosidades e hipóteses. Naquele momento, consegui sentir o temor que ele emanava. O temor de se machucar. O fato era que eu sabia que tudo o que sua cabecinha processava a partir das descobertas que fizera ia de encontro com o nosso já tão perturbado romance. Então, no fim das contas, Hyukjae acabou por me permitir que o manipulasse conforme desejasse.

Afinal, meu Hyukkie também era humano, me amava, e igualmente queria ficar ao meu lado. Sua mente analítica ainda não era mais forte que seu coração. Ainda não era capaz de ir contra seus sentimentos, eu agradecia por isso. E como para completar, ainda havia mais outra coisa que angustiava a sanidade enevoada de meu namorado...

Ele havia visto a confusão na catedral de mais cedo. Eu tinha quase certeza. Não fosse por isso, não teria motivo para tanta confusão por sua parte. Em sua voz ecoando por entre os sussurros do vento e das árvores, nas entrelinhas, eram quase totalmente perceptíveis as perguntas mudas sobre o assunto. Só não consegui entender o porquê de ele ter segurado-as apenas para si. Se havia um momento perfeito para que me interrogasse a respeito do ocorrido seria alí. Embora, eu talvez não lhe entregasse a verdade.

Sim, talvez.

Já que na minha concepção já era mais que o momento de finalmente ele saber por completo do motivo que o trouxe aqui. Ou melhor, do motivo no qual eu o trouxe aqui. E a única coisa que o separava do seu tão sonhado esclarecimento era somente o tempo. Eu continuava apenas esperando a oportunidade certa para lhe contar tudo.

Abri novamente os olhos permitindo-os focar o relógio outra vez. Eram por volta das cinco da tarde. Suspirei com a demora do tempo a passar. Não fizera praticamente nada durante aquele dia a não ser limpar e organizar alguns livros antigos pela manhã. Após acabar, tranquei-me no quarto e fiquei sentado pelo que me pareceu a eternidade a olhar vaziamente figuras em formas de homens passando pela rua através da janela. Não havia comido, não havia bebido, não havia falado absolutamente nada. Apenas o silêncio reinava no aposento. Melhor dizendo... Apenas a melodia do ponteiro reinava no aposento. Mexendo e contando os segundos sem parar.

Isso. Independentemente de minha melancolia ou qualquer coisa que fosse, o tempo não parava.

Um barulho estridente de repente começou a tocar, assustando-me. Olhei para a minha cama e pude ver o visor de meu celular aceso acusando estar recebendo alguma chamada. Ponderei por alguns segundos se atenderia ou não a ligação, não estava com a mínima vontade de conversar com alguém, mas por fim acabei por levantar dirigindo-me até o aparelho que seguia gritando para que alguém o atendesse.

Um calafrio me atingiu ao ver de quem se tratava e me deixou confuso quanto a essa reação. Havia sido um sinal? Não sabia. Muito menos tinha algum tempo para pensar sobre o assunto. No fim, atendi a ligação.

– Oi, Hyukkie.

– Hae, me responde uma coisa – Sua voz soava séria ao meu ouvido. Séria demais. – Seus irmãos estão aí?

– Bem... – comecei a responder desconfiado da pergunta. – Até onde eu sabia, Jaejoong-hyung iria para o orfanato com Kyuhyun-ah e Junsu após o almoço e só voltariam na hora de dormir. Por quê?

– Estou indo aí.

E desligou.

Abaixei o celular até a minha frente e fiquei olhando-o sem nenhuma reação. Tentava entender em vão o que se passava na mente de Hyukjae. Ele não pareceu nervoso ou com raiva. Aliás, estava com uma seriedade tão calma que era até digno de suspeita de sua parte. Também não conseguia imaginar o que ele queria falar comigo tão repentinamente quando passara o dia inteiro longe da catedral e sem atender minhas ligações. Se bem que resolvi não pensar muito sobre isso já que apostava que ele ainda estava atordoado demais por conta de sua visitinha ao nosso querido e intrigante lago. Aquela fora uma experiência bastante perturbadora, e se eu que já estava acostumado àquela tortura fiquei aturdido novamente, imagino como ele ficara sendo essa supostamente sua primeira vez.

Continuando sem compreender nada, larguei o aparelho de qualquer jeito na cabeceira da cama e me dirigi lentamente ao banheiro. Ao me deparar com meu reflexo no espelho, surpreendi-me com minha imagem extremamente pálida, abatida. Parecia mais magro, fraco, doente... E não era para menos. Não havia tido momento algum de descanso desde nossa chegada a minha casa, e minha saúde começava a reclamar disso. Girei a torneira, deixando com que a água caísse livremente e escorresse pelo ralo da pia de mármore. Com as mãos em forma de concha, apurei um pouco do líquido e joguei contra meu rosto, encharcando-o completamente. Tremi de leve em contato com a temperatura gélida da água, respirando profundamente antes de desligar a torneira e iniciar uma procura cega pela toalha. Achei-a finalmente e, à medida que a deslizava contra minha face, voltava a caminhar pelo aposento já começando a escurecer devido a noite que chegava. Não me preocupei em ligar o abajur ou a lâmpada. Apenas permiti com que meu corpo afundasse na cama. Dormente, exausto, sem ânimo.

Rapidamente e sem aviso prévio como fora nossa conversa pelo telefone, foi como Hyukjae chegara. Sentei ao mesmo momento em que escutei o som da porta de meu quarto abrindo-se e fiquei a olhá-lo diante da porta aberta à espera de algum sinal de sua voz.

Ele também parecia estar me analisando. Friamente, analiticamente, decididamente. Como fazia quando tinha à frente de seus olhos um objeto extremamente interessante. Devagar e sem fazer nenhum gesto desnudava-me, sufocava-me, colocava-me contra a parede. Eu já estava débil antes mesmo de sua presença alí, então claramente não consegui apresentar nenhuma reação contra. Apenas clamava por razões. Por que tudo aquilo tão de repente? Enfim sua paciência se esgotara? Eu estaria correndo riscos outra vez de ser desmascarado? Meu raciocínio não processava o que estava se passando alí. Passavam-se segundos e, no entanto, para mim era como se o tempo se arrastasse mortalmente.

Sorriu.

Sem nenhum tipo de piedade transparecendo em sua expressão.

Engoli em seco. Vi-me preso, sem nenhuma saída por perto, completamente acorrentado aos seus olhos. Sentia sua alma misteriosamente sedenta. Pedia-me um pagamento por minha liberdade, e eu, totalmente cativo como estava, perguntava-lhe que preço teria de pagar por ela.

Mesmo que eu soubesse exatamente o que ele planejava conseguir de mim naquela noite.


~x~

[Hyukjae POV]


Deslizei minha mão lentamente sobre a maçaneta de dourado envelhecido da porta antes de dar um passo à frente e fechar o quarto às minhas costas. À minha frente, um Donghae me fitava estático, surpreso. Com certeza, não imaginava que eu invadiria seu quarto sem avisar. Permanecendo calado, olhei ao redor antes de começar a aproximar-me. Mesmo com a clareira ainda insistindo a luta por sua sobrevivência, o quarto permanecia frio. Exatamente como eu me sentia por dentro, ainda que estivesse queimando em fúria.

– Hyukkie, o que es... – sentou-se na cama assim que voltei a fitá-lo, seus olhos mostrando o enorme conflito em que estava internamente.

Minha risada embora baixa e breve soou deveras sádica.

A passos lentos, caminhei até chegar rente a si. Em meus lábios, um sorriso que demonstrava todo o meu estado de espírito era projetado inconscientemente. Provavelmente, aparentava ser bem assustador, pois logo que fora formado, pude ver Donghae mudar sua expressão. Acompanhado de alguns puxões involuntários aos lençóis abaixo de seus dedos, seus olhos inundavam-se e gotículas de suor despontavam de sua fronte levemente franzida que rapidamente adaptava seus traços angelicais para compor uma reação clara de nervosismo. Levantou-se receoso de suas ações quando me viu a menos de um metro de seu corpo, e pude senti-lo estremecer ao me ter colado a si.

Tão próximo, notei sua respiração furiosamente acelerada e por vezes o via engolindo em seco. Não me olhava diretamente e quando olhava fugia um segundo depois. Aproximei meu rosto do seu. O cheiro de seu temor se espalhava em sua pele e empestava o aposento, invadindo-me a alma. Em mim, o sorriso cruel aumentou em grande proporção, assim como a minha satisfação em vê-lo daquele jeito. Definitivamente não estava bem, mas sequer me importava com isso. Não quando tinha Donghae à minha frente precisamente do jeito que eu queria.

– Hyukjae, o que houve? – sussurrou como se temesse me enfurecer ainda mais ao mínimo motivo. Mal sabia ele que toda aquela covardia já estava me pondo em chamas ardentes. No entanto, de um jeito totalmente diferente – Não me avisou que havia chegado e entrou assim tão de repente...

– Nada de mais, oras. Não posso mais vir te visitar? – respondi sarcasticamente. – Ou será que tem medo que eu possa ver algo que não devo, Lee Donghae? – insinuei.

– Você está estranho – abaixou a cabeça, fugindo de meu olhar interrogador. Como sempre. – Não há nada como isso, Hyukjae.

– Claro – sibilei friamente para ambas as afirmações.

Estranho não seria a palavra correta a se pôr em meu caso naquele momento. Na verdade, eu permanecia estando com a minha sanidade por um fio, e pensava que esta não demoraria a extinguir-se como acontecera com a minha paciência algumas horas antes. Embora não lembrasse exatamente o momento em que minha cabeça dera um nó e eu perdera todo o controle sobre minhas atitudes, eu chegava a arriscar que acontecera depois de que resolvi, enfim, parar de pensar de acordo com o que nomeávamos de “senso comum” e dei asas ao inimaginável.

Na noite anterior, após a conversa que tive com Junsu, muitas coisas começaram a pairar em minha mente. Fatos no qual não dei conta da grande importância que carregavam enquanto o menino me revelava se mostraram ocultados entre suas palavras mansas. Eu sabia que ao me contar aquela pequena história, o artista não pensou em apenas tentar me convencer de que o frio por acaso era melhor do que o calor. Era um motivo infantil e aleatório demais, e não me pareceu algo de sua personalidade. Tão intrigado fiquei que, ao sair da catedral em direção à pousada na qual me hospedava, comecei a repassar inconscientemente cada palavra e expressão que captara do rapaz à procura de significados ocultos que minha intuição insistentemente dizia que existiam, indo contra todas as minhas promessas feitas na tarde em frente ao lago. Ao mergulhar de cabeça em minha busca incerta, não cheguei a perceber quando as passagens da história e as memórias de Junsu contando-a se mesclaram e se confundiram com as cenas amedrontadoras que se desenrolaram na catedral com os policiais. Cenas estas que ainda causavam-me arrepios só de lembrar.

Apenas algumas horas foram necessárias até que a densa névoa que permanecia camuflando as respostas que eu tanto procurava acabasse cedendo e, assim, uma a uma, cada revelação que Junsu me entregara dava o ar de sua graça.

Não fora a história em si que escondeu a chave para o enigma – embora esta também contivesse certas revelações – e sim, o fato de Junsu ter me contado-a.

Esta descoberta me levou a outra, e a outras. Aos poucos, o quebra-cabeça tomava forma. Minhas hipóteses ganhavam novos significados, e eu me fazia enxergar o que era verdadeiro ou falso em toda aquela trama. No entanto, à medida que percebia que as mentiras eram de longe a maioria em quantidade e que praticamente todas me envolviam ou foram feitas para submeterem-me, minhas entranhas se retorciam em nojo, raiva. Comecei a sentir-me humilhado. E a humilhação abriu portas para muitas outras coisas. Daí antes que desse por mim, já estava completamente entregue nas mãos da loucura.

Ainda estático, o pivô de todo aquele rebuliço insano dentro de mim fitava firmemente o chão. Levei a mão ao seu queixo e, sem me conter na força utilizada, forcei-o a me encarar. Mesmo depois de um certo tempo, continuava tentando esquivar-se de mim sem sucesso. Em seu desespero, acabou por fechar os olhos, me fazendo notar o quão indefeso estava. Sorri ao me perguntar mentalmente onde estava aquele ser frio e manipulador que brincara comigo até aquele momento.

Não. Embora o Donghae que me mostrava alí fosse bem parecido com o que se entregou temeroso e inocente para mim em nossa primeira vez, eu não iria mais cair em suas mentiras. Estava cansado. Não agüentava mais me enganar ou tentar arranjar desculpas para não enfurecer consigo e acabar lhe machucando. Até porque apostava como ele também sequer se importou com os meus sentimentos ao me jogar naquele abismo sem olhar para trás e ignorar os meus apelos desesperados por sua ajuda. Porém, também não faria nenhum alarde por isso. Muito pelo contrário. Ele tinha noção do quanto eu era louco por jogos. E se era jogar que ele queria, então, iríamos jogar.

Porém, era a minha vez de lançar os dados.

– Pra que tanto medo, Hae-ah? Age como se estivesse diante de um assassino... Não é como se eu fosse te estrangular, sabe? – sussurrei maliciosamente em seu ouvido enquanto o envolvia em meus braços e o apertava mais contra mim, sentindo seu quadril roçando levemente no meu.

– N-não estou com medo... – gemeu ao contato mais íntimo.

Pensei em enlouquecê-lo, fazer com que se esquecesse de suas defesas fortemente armadas. Porém, a idéia de apenas arrombar seus portões não me satisfazia. Eu preferiria dominá-lo completamente, provar-lhe que não era invencível, intocável, humilhá-lo em sua derrota e forçá-lo a abrir por si só cada um dos cadeados que protegiam seus segredos e sua face obscura. E a única oportunidade em que qualquer ser humano fica em total vulnerabilidade de repreensão era justamente a hora em que estava tomado pela luxúria. Tal conhecimento agradou-me de verdade e me fez pensar se o prazer talvez não pudesse se tornar um castigo.

– Que bom, porque agora é que os peões começarão a se mexer – mordisquei sua orelha deleitando-me ao vê-lo se arrepiar por completo e engolir um suspiro. – E se você der pra trás tão depressa, ganhar não vai ter a mesma graça.

Nem bem terminei de proferir as palavras, avancei sem piedade em seus lábios macios e tremulantes. Como sabia que aconteceria, Donghae não apresentou nenhuma resistência à sua captura. Estava encurralado como um coelho na frente de um felino faminto. No entanto, assim como o mesmo felino, eu não queria que minha presa morresse assim tão fácil. Insanamente, eu queria brincar. Dar-lhe esperança de sair ileso, só para novamente acabar com todas as suas expectativas. Queria torturá-lo quantas vezes fossem necessárias antes de obter o meu objetivo maior, as respostas que tanto buscava. Da mesma maneira fria e calculista com que ele fizera comigo.

Bruscamente, empurrei-o de encontro ao colchão. A cama, de idade avançada, rangeu à pressão sentida em suas peças. Donghae me olhava atônito. Seus olhos confusos perguntavam-me silenciosamente o que afinal eu pretendia com tudo aquilo. Sorri em resposta. Sabia que no fim das contas ele entendia muito bem o porquê de estar ali totalmente a mercê de minha própria insanidade. Afinal, ele já dera de cara com aquele meu lado antes e compreendia que a pior coisa que podia fazer era me contrariar.

Só que ao contrário de antes, eu não estava dando à mínima se fazia algo de errado ou não.

– Se não se importa Hae, eu queria conversar um pouquinho. Sabe, pôr o papo em dia – disse ao começar a desabotoar lentamente minha camisa. Não desviava um só momento de seu olhar receoso e em meus lábios, o sorriso cínico continuava vivo. – Eu sei que já fizemos isso ontem, mas entenda, no fim você não me contou o que eu mais queria saber.

– Como assim? – se afastou para mais acima na cama.

Ri com seu cinismo. Era incrível como mesmo vendo que já não adiantava mais continuar com suas farsas, Donghae ainda insistia em se manter com a pose de inocente. Achei bom, ao menos, isso mostrava que era perseverante.

– Não se preocupe. Eu explico.

Joguei a peça já solta em meus ombros, e lançando-me em cima de si, aprisionei-o entre minhas pernas.

Parando para observá-lo completamente cativo, atentei ao seu rosto angelical naquele momento exibindo uma expressão amedrontada. Cada traço como se fosse feito por mãos divinas contornavam sua pele agora enrubescida de pavor.

– Incrível como até assustado você continua lindo – voltei a sussurrar em seu ouvido. Um gemido baixo e contido pôde ser ouvido.

Certamente em outra ocasião, aquele olhar molhado e sem vida me machucaria a ponto de me deixar totalmente depressivo, mas não naquela ocasião. Vê-lo assim, tão submisso e consciente de que fora suas próprias ações que nos levaram até alí, enchia-me de um prazer lascivo, fervente. Esquecia-me totalmente que estávamos em local sagrado para deixar com que as sensações libidinosas me tomassem e assumissem o comando de todo o meu corpo. A partir dali, eu não tinha mais consciência de quem era ou de como parar. Mas o que importava? Satisfeito, notei que não era o único que parecia estar enlouquecendo alí.

Ao assistir-me sentando em seu quadril através do reflexo em suas íris, percebi que um certo brilho diferente nascia entre as lágrimas dos orbes apavorados. Uma centelha que muito lentamente ia crescendo e se misturando com seus outros sentimentos conforme passeava com os olhos por meu peitoral desnudo. Achei interessante tal mudança. Não imaginava que apesar de tudo, Donghae fosse como eu e conseguisse descobrir prazer em situações inusitadas. Internamente, aprovei a reação com louvor, imaginando se, afinal das contas, eu poderia ver a face daquele que me enganara frente a frente.

No intuito de instigar aquela pequena faísca a se desenvolver e tomar forma, afastei-me levemente para trás, instalando meu corpo no mesmo canto onde já se era perceptível seu membro retesando-se. Apertei-o propositalmente, fazendo com que um gemido ecoasse pelo lugar abafado. Sorri-lhe sádico enquanto o via contorcer-se por inteiro e me preparei para a execução de meus depravados planos.

Arrastando-me em uma dança sensual por seu baixo ventre, me concentrei em ultrapassar a primeira barreira que se impunha entre mim e meu alvo: sua mente.

Conforme nosso ritmo continuava, eu percebia a maneira com que seu corpo começava a transparecer os efeitos causados por meu pequeno estímulo. A camisa se via encharcando-se rapidamente com o suor produzido por sua tamanha confusão interna, lembrando-me de que era uma peça desnecessária naquela situação. Decidido a colocá-la em seu devido lugar de direito, pacientemente me pus a retirar cada botão de sua casa com uma calma torturante, deliciando-me com as interrogações quase audíveis que corriam pela cabeça de Donghae. Quando o pedaço de tecido já estava completamente desposto, a pele clara e molhada me presenteou com uma visão excitante de um banquete farto e delicioso. Meus lábios curvaram-se em expectativa enquanto eu observava cada fração de músculo contrair-se e relaxar de acordo com compasso de sua respiração furiosamente acelerada.

Com o indicador esquerdo, percorri levemente o caminho central que ia de seus lábios trêmulos até o cós da calça, sentindo-o sendo tomado por intensos espasmos na medida em que meu dedo caminhava lento por seu corpo. Inconscientemente, Donghae me fez o favor de curvar a coluna, me dando a oportunidade que esperava de retirar a camisa de debaixo de si e colocá-la junto a minha em meu ombro, pensando em como as duas seriam otimamente utilizadas.

Ainda apertando as correntes que mantinham seu olhar preso à minha loucura, sem pressa alguma, iniciei a degustar cada pedacinho de seu pescoço. Sugava fortemente, arranhava-o e marcava-o sem me preocupar com a intensidade da força utilizada, cravando meus dentes mais profundamente em alguns pontos e escutando alguns grunhidos de dor escaparem-lhe junto a suplicas para que parasse.

Mas eu não pararia.

Não quando já podia escutar os cadeados trincarem suas defesas.

– Bem, vamos às perguntas então... – comecei, soltando mesmo que a contragosto de sua pele já mostrando seus primeiros sinais avermelhados.

– C-como?! – balbuciou.

– Você sabe o quanto eu sou curioso, não é Hae? Gosto de saber das coisas – deslizei uma de minhas mãos pelo seu abdome até chegar à sua cintura. Apertei-a, ameaçando de vez em quando avançar um tanto mais à frente.

–S-sei...

As ambas mãos de Donghae que até pouco estavam largadas ao seu lado utilizando dos lençóis para conter as reações de seu corpo, abarcaram meu pescoço puxando-me mais a si e fazendo com que eu encostasse com mais alento em seu baixo ventre. Correntes vivas de prazer atravessaram meu corpo e um gemido inconsciente escapou-me.

– Admite então que usou disso para me fazer dançar conforme a sua música?

Ao invés de me responder, o loiro se limitou a roubar-me desesperadamente os lábios. Seu músculo procurava desbravar cada centímetro de minha boca, roubando-me em total o ar. Ainda degustando de seu doce sabor, lembrei-me de uma regrinha da natureza que dizia que todo animal ao estar amedrontado acaba passando por alguns momentos: de princípio, receio, no qual ele foge ou tenta se desviar do que teme; mas, no entanto, se vê que está encurralado, o mesmo assume posição de ataque. Donghae, claro, não fugiu à regra, transformando nossa brincadeira em algo muito mais interessante.

– Então? – Frio, perguntei novamente quando este por fim me soltou em busca de oxigênio.

– Sim.

Seus olhos desviaram-se de mim novamente como se para esconder sua culpa.

Sorri de escárnio enquanto friccionava ambos os corpos com a mesma fúria que me atingiu ao escutar a resposta seca.

– E gostou de brincar comigo?

Donghae perdia a razão aos poucos com a nossa dança. Apertava-me fortemente, arranhava minhas costas sem piedade, e tomava-me a pele como se necessitasse de meu sabor para sobreviver. Deslizou ambas as mãos até o cós de minha calça e invadiu-me com uma delas sem nenhuma cerimônia. Acariciava-me com paixão, apertando e estimulando meu membro sem nenhum pudor, como se quisesse provar a mim que somente ele tinha tal liberdade.

– Posso considerar isso um “sim”? – Tentei conter o volume de minha voz diante da carícia, mas totalmente em vão.

– Pode considerar um “foi necessário” e um pedido de desculpas – sussurrou em meu ouvido antes de voltar a se deliciar com o meu pescoço.

Estalei a língua em desacordo com o que escutei. Se mesmo naquela situação Donghae continuava a inventar rodeios para suas respostas, queria dizer que aquele nível de tortura ainda não era o bastante e que eu teria de ser mais criativo a partir dalí. Teria de excitá-lo mais ou assustá-lo mais... Ou, quem sabe os dois? Já era hora de dar destino aos dois pedaços de tecidos esquecidos em meu ombro.

– Ora vamos, Hae-ah! Ainda há necessidade para essas formalidades entre nós? – Voltei a beijá-lo enquanto o sentia tocando-me como bem queria. – Olhe só como estamos. Basta que comece a me dizer a verdade. Já está mais que na hora de deixar cair essa máscara de bom moço, não acha?

Segurei a mão que me acariciava e retirei-a de dentro da minha calça, revelando-a completamente molhada com meu pré-gozo. Tomei dois de seus dedos e lambi-os provando de meu próprio gosto. Donghae apenas me olhava desconfiado, e imitou meu gesto quando ofereci-lhe o restante de seus outros dedos. Após, talvez sentindo o cheiro do perigo aumentar, arrastou-se mais acima na cama até chegar à cabeceira. Aprovei a reação, e seguindo lentamente a si, meus olhos sufocando-o com a imensa expectativa que crescia em mim, voltei a cercá-lo entre meus braços. Sem querer, ele havia se dirigido até a minha armadilha.

Fingindo uma inocência definitivamente não existente em mim naquele momento, deitei-me sobre o seu corpo e o abracei. Roçava em seus lábios calmamente, acalentando-os com os meus e tomando-os por vezes. Senti-o relaxar, voltar a confiar em minhas atitudes. Aos poucos, ia descontraindo as mãos cerradas em punhos que o segurava no colchão, e permitiu com que eu ditasse o caminho no qual teriam de seguir. Assim, sem que percebesse exatamente as minhas intenções, Donghae logo estava com ambas acima de sua cabeça. Empurrei-as às cegas o máximo que consegui até senti-las encostarem-se à cabeceira da cama. Velozmente, voltei as minhas pegando as duas camisas de meu ombro e, envolvendo seus punhos em uma delas, amarrei-as contra o pedaço de madeira talhada.

– Hyukjae, o que pensa que está fazendo?! – exclamou assustado novamente assim que puxei ainda mais as amarras improvisadas e voltei a sentar.

– Jogando, claro! – O cinismo renascia intenso em meus lábios.

– Hyuk, por favor, isso está... – choramingou sacudindo-se e tentando se livrar.

– Te assustando? Mas que pena... Eu estou achando divertidíssimo! – dei de ombros – Ah, e é melhor não forçar muito não. Sabe como é, o tecido está encharcado e fazendo isso só vai piorar a sua situação – comentei. Logo após, um grunhido aflito soou de sua direção. – Viu só, eu avisei...

Mesmo de longe, a vermelhidão causada pela camisa enlaçada nos pálidos pulsos podia ser notada. Donghae, ao perceber que sua rebeldia para com o tecido só lhe causaria mais dor, acabou por desistir de sua tentativa de fuga. Arfava. Sua respiração gritante e ofegosa só mostrava o quão cansado e ferido estava. Em seu rosto, uma expressão de sofrimento remexia-se banhada pelo suor que lhe escorria abundantemente. Por alguns segundos, permaneceu puxando o ar com dificuldade enquanto fitava calado um ponto perdido na parede. Pensei que talvez aquela cabecinha estivesse pensando em alguma outra maneira de se safar, mas não foi o que me mostrou ser. As lágrimas que brotavam tímidas de seus olhos pareciam carregar um sofrimento puro. Ele estava verdadeiramente magoado. E a culpa era minha.

Embora ele permanecesse sem me fitar diretamente, aos poucos, eu sentia o peso daquelas lágrimas apertarem meu coração, fazendo-me voltar à razão mesmo que de maneira leve. A sensatez, que retornava aos meus sentidos entorpecidos pelo ódio, avisava-me como um bom amigo que se continuasse assim, eu perderia toda a coragem de seguir em frente com aquele plano cruel. Imediatamente, como uma onda repentina que empurrava tudo que estava à sua frente, fui levado por uma força invisível que me arrastou de volta ao meu mar insano e descontrolado. Seguir observando o lado frágil de Donghae me sufocava e eu, de repente, decidi esconder aqueles malditos orbes feridos.

Minhas mãos que de súbito pareciam pensar por si próprias, foram velozes em pegar a outra camisa ainda esquecida pelo colchão e, girando-a ao redor de si, transformaram-na em um grosso rolo de tecido. Ele, ao me sentir indo bruscamente ao seu encontro, voltou a me olhar amedrontado um instante antes que eu pudesse envolver sua cabeça com a venda recém-feita, calando tal fonte de amargura que, mesmo sem nenhum ruído, estrondeava colericamente meus tímpanos.

Aliviado por ter conseguido escapar, finalmente pude voltar a respirar.

– Ótimo, agora sim podemos continuar! – exclamei, um suspiro de conforto escapou-me demorado enquanto via novamente Donghae contorcer-se agoniado. – Não se importe com esse novo assessório, é apenas um complemento para o outro. Vai fazer as coisas ficarem mais divertidas, vai ver.

Perdido em seu desespero, Donghae nada dizia. Aliás, mais me parecia que ele já não havia apelos ou força para utilizá-los. O medo estava cumprindo com perfeição o seu papel de esgotá-lo mentalmente. A muralha que o protegia já começava a apresentar falhas em seus alicerces, ruindo pouco a pouco a alvenaria e deixando com que pequenas frestas se apresentassem visíveis. Muito em breve aquela estrutura cairia e, enfim, eu conseguiria ver a verdadeira face daquela pessoa que um dia afirmou me amar. Sinceramente, tão poucas eram as palavras que tinham algum significado verdadeiro em seu uso por ele, que naquele momento mais do que nunca, aquela afirmação me provava ser dolorosamente duvidosa. Quem me garantia que até nisto ele não me enganara? Quem poderia me afirmar com certeza que aquelas palavras não eram tão vazias como seu próprio coração mostrava ser?

– Sabe Hae, eu estive pensando... – Involuntariamente, minha voz começou a sair. Pesada, séria. Exibindo em cada nota liberada toda a confusão que acontecia em minha mente – Você me disse tantas coisas antes... Agora, eu consigo ver que muitas delas eram apenas mentiras. Uma espécie de maquiagem para encobrir o lado obscuro de sua personalidade. Uma miragem. Nada mais do que algo belo, mas que verdadeiramente não existe.

Donghae parou de se mexer ao ouvir minhas palavras. Escutava completamente mudo. Como se ponderasse a tudo e isto só aumentasse o peso de seu significado.

– Me pergunto... Se não há bem mais do que imagino ter, e se por acaso, não são mais graves do que eu descobri até agora.

– D-do que está falando? – finalmente disse.

– Estou falando do fato explícito de que talvez nosso namoro tenha sido completamente moldado por você.

– Hyukjae, eu não...

– Perceba Hae, se você fingiu ser uma pessoa que não era, me usou pelo bem de seus caprichos, mentiu e enganou como nada fosse importante para você e ainda me incluiu em tudo isso... Não pode me julgar se eu começar a pensar que, no fim, também era apenas um brinquedo em suas mãos. E também, começar a te usar tanto quanto eu fui usado.

Voltei a aproximar de seus lábios, tocando-os de leve e vendo-o se arrepiar pelo contato. Baixei minha vista até seu corpo ainda seminu, deleitando-me com a maneira no qual reagia e se eriçava apenas com a minha presença tão próxima. Aquilo definitivamente tinha que significar mais alguma coisa do que além de simples reflexo de seu medo, sua dúvida ou de seu êxtase. Suas palavras podiam mentir, porém seu corpo não. No entanto, mais uma vez, minha cabeça calculava. E entre cada informação repassada em minha mente, uma em especial me incomodava de maneira terrível. Algo que contradizia todas as suas juras de amor, ou as ditas reações que eu continuava presenciando conforme escorregava minha boca pelo seu pescoço e colo lentamente. Donghae gemia e movimentava-se como se tentasse desesperadamente me laçar aos seus lábios outra vez. Como se demonstrasse que precisava de mim, de minha existência. Todavia, meu cérebro analítico teimava em desmentir cada uma de minhas esperanças. Julgava-as infundadas. Vindas de uma sombra, um fantasma que mais uma vez me assombrava e me forçava a ignorar o que já estava bem na minha frente, e que por isso, eram indignas de serem levadas em conta. Lembrava-me das tantas vezes em que eu ignorei a minha intuição e como em cada uma delas vira que, no fim, ela sempre estava com a razão.

Instinto.

O elemento primitivo que movia o homem e que o fez sobreviver tantas eras de perigos, vindo do animalesco, do hoje considerado impróprio para seres pensantes. Ironicamente, era justamente ele que, silencioso e esquecido há tantos anos, continuava salvando a vida dos “racionais” seres humanos. E que por acaso, me fazia a bondade de retirar a névoa de meus pensamentos.

Continuei descendo por seu tronco umedecido. Provocava-o com pequenas carícias pelas curvas tão perfeitas enquanto me alimentava de seu sabor único. Cada gotícula captada por meu paladar era como uma facada em meu coração que continuava a remoer suas dúvidas, sendo auxiliado e estimulado pelo meu infatigável cérebro. Este, aos poucos, voltava à sua escuridão conforme ia se dando conta de que afinal tudo se encaixava. Donghae outra vez demonstrava sentir prazer por minhas carícias e, por mais que isto tenha sido minha intenção de início, naquele momento, o fato me irritou profundamente.

Se a principal questão que me enfadava afinal tivesse fundamento, significaria que ele não merece sentir nenhuma sensação boa que eu possa lhe causar.

Indiferente à dor que lhe causaria, desci minhas unhas pela sua pele como se a rasgasse inteira. Donghae grunhiu alto, e eu acabei por sorrir ao vê-lo segurar o grito de dor que notavelmente estava preso em sua garganta. As marcas rubras como o sangue que eu desejava insanamente ver vertendo exibiam-se vivas e carregadas com a fúria que exalava de meus poros.

– Fico imaginando se realmente seus sentimentos eram verdadeiros naquela noite... Se sua pureza de fato existia – voltei a sussurrar em sua pele machucada.

– N-noite?

– A noite em que se entregou para mim. Você me pareceu bem esperto naquela noite. Esperto demais. Mostrou uma experiência que eu jamais havia imaginado existir em alguém que supostamente havia crescido em uma igreja e estudava para a vida eclesiástica. Apesar de sermos dois homens, você se mostrou bem confortável... Imagino se de repente eu talvez não tenha sido o primeiro de sua vida, como deixou a entender – insinuei friamente.

Donghae retesou-se imediatamente.

– Como pode dizer isso?! – A angústia renascia em sua voz. – Você tirou minha virgindade, sabe disso! É médico. Teria notado na hora se fosse diferente, não é?

Sim, era verdade. Apesar de minha alfinetada, eu sabia que fora eu o primeiro a possuí-lo. No entanto, isso não extinguia todas as possibilidades.

– Alguma vez você já me fodeu? Não. E, no entanto, continuamos sendo amantes – rebati. – Vê Donghae? Há a probabilidade de que você já tenha tido outra pessoa em seus braços, e de que, afinal de contas, não tenha sido eu aquele que te desviou do caminho santo. As tantas horas que gastei em minhas preocupações e a culpa que me amola desde aquela vez simplesmente não terão mais sentido.

– Você não sabe do que está falando!

– Será que não, Hae-ah? – sibilei, o veneno que banhavam minhas palavras espalhando-se pelo ambiente ao nosso redor. Sentia-o varrer qualquer fonte de calor que existia entre nós. Donghae estremecia à medida em que seu nervosismo aumentava, mostrando estar tão afetado por ele quanto eu imaginava estar. Satisfeito por aquela visão, prossegui com o plano. – Os fatos se encaixam. Está tudo indo contra você. E eu conheço tão pouco sobre o que passa em sua cabeça. Quer dizer, agora vejo que não conhecia absolutamente nada. Quem me garante que até nisso você tenha mentido para mim? Se pode escapar de sua vida cristã por mim, por que não por qualquer outra pessoa? Talvez esta pessoa possa até ser alguém daqui!

– Você é não é qualquer um, será que não entende?!

– Não sou qualquer um? Mesmo com tudo isso? Caramba, o que você é capaz de fazer com uma pessoa qualquer então? Matar?! – ironizei.

Ira. Era isso que eu buscava criar.

Queria tocar no mais frágil ponto de sua paciência. Sabia que se devidamente provocado, Donghae com certeza deixaria a imagem inocente que insistia em cultivar ser levada pelas chamas ardentes da cólera. Seu lado calculista e manipulador finalmente estaria com o caminho livre para surgir à minha frente. E eu, sem a influência da miragem que ele criara, poderia ter a verdade de fato completa.

– E sabe, Hae... – continuei, minha voz soando cruelmente fria até mesmo para mim. – Se isso for verdade, explica também o fato de você ter mudado tanto desde que pegamos aquele ônibus em Seul. Não te falei por motivos óbvios, claro, mas venho te observando sempre. E, não importa por onde eu teimasse olhar, era a mesma coisa. Você estava com medo de mim. De que eu descobrisse algo que pudesse atrapalhar o nosso romance. Inventou milhares de desculpas para explicar seu comportamento duvidoso, e mesmo assim, acabou por me pedir perdão sem mais nem menos. Por que pedir perdão se não houvesse feito algo de errado? Foi só questão de juntar as peças, Hae. No fim, é como você mesmo disse, há muito mais envolvido nisto que apenas nós dois. Ou... Alguém.

– O-o que está insinuando, Hyukjae? – soltou em meio a um lamurio solto quando me sentiu mordendo fortemente a curva de sua cintura.

À altura do cós de sua calça, parei pensando se deveria ou não continuar com a minha linha de raciocínio. Por mais que eu quisesse provocá-lo, castigá-lo, encobrir seus pensamentos com a mesma névoa densa que colocara sobre os meus, sabia que trilhar aquele caminho acabaria por machucar não só a ele como a mim também. Mais do que eu já estava. Imaginei se talvez aquela pudesse ser a última vez em que eu tocaria em seu corpo, em que beijaria sua pele, me perderia em seus lábios... Não sabia se sobreviveria a isto. E, no entanto, menos ainda sabia se sobreviveria a mais tempo mergulhado naquele poço profundo no qual estava. A alternativa que menos me desagradava naquela situação era arriscar. Respirei fundo, deixando com que meu hálito se resvalasse contra a pele de seu ventre, avermelhada por conta das vezes em que passei minhas garras pela região sem dó.

– De que talvez essa pessoa do passado Donghae, não esteja somente no passado. Afinal, não tem como você me provar que permaneceu fiel quando passou a maior parte do tempo longe dos meus olhos. Sem falar, que se foi capaz de me enganar a respeito de tantas coisas a seu respeito, então eu não me surpreenderia se esta fosse mais uma delas. – Contornei-lhe o umbigo com a língua criando um caminho invisível por seu ventre em direção à região mais úmida e colada do jeans azul, seus clamores doloridos às vezes mesclados a alguns suspiros tímidos e deliciados – Não vê? Sua conduta, seu medo de eu acabar sabendo sobre quem você é, a maneira como tenta ocultar os caminhos por onde passa... Uma traição explicaria tudo!

Ao contrário da reação que imaginei que teria, Donghae se desesperou repentinamente. Chacoalhava-se por inteiro abaixo de mim, por vezes dando-me alguns cutucões e quase fazendo com eu caísse por outras. Tentando conter o acesso, diminuí o espaço entre as minhas pernas, aprisionando as suas totalmente e o segurei com toda força que tinha. Seus pulsos se viam quase que feridos pelo roçar constante do tecido em sua pele e suas mãos já estavam pálidas pela pouca circulação de sangue. Chorava sem nenhuma vergonha. As lágrimas que não se acumulavam no pano que tinha em seus olhos desciam trilhando caminhos amargos por sua face moldada em dor.

A revelação oculta na atitude demonstrada dando-me uma surra impiedosa. Por segundos, aquilo me provocou ânsias. Mente e coração, momentaneamente, tornaram-se dormentes, impedindo-me de agir de imediato. Observava-o e não acreditava no que meus olhos viam. Afinal, mais uma vez, minha intuição mostrara estar certa.

– Não adianta fazer tanto alarde, Hae. Você só vai sair daqui quando eu achar que deve. É a minha vez de manipulá-lo de acordo com os meus caprichos. Sem falar que você não quer que alguém venha até aqui ou já teria gritado por socorro, não é assim? Você tem seus planos. Suas metas. E seus irmãos de repente descobrirem o que nós somos não é bem o que está neles – segredei-lhe, quando por fim consegui expulsar alguma emoção de meu interior.

O sadismo enchia-me até transbordar.

– Q-quem é você? – Sua voz saíra penosa, como se aos poucos sua vida começasse a extinguir-se. – Você não é o meu Hyukjae...

– Estamos quites então. Você também não é o Donghae que eu conheci – disse seriamente.

– Seu idiota! – gritou finalmente.

Por debaixo da venda, seu pranto aumentava de proporção e, pesado em seus sentimentos carregados, já alcançava e inundava o colo. No entanto, ao contrário de antes, eu enfim sentia a raiva expandir de suas palavras.

– Idiota, eu?! – Ri de escárnio – Você me engana, me trai, me usa, e me chama de idiota quando eu acabo por me enfurecer e lhe torturar? Meu bem, está na hora de rever os seus conceitos.

– Quer pôr tudo em pratos limpos entre nós Hyukjae? – disse, sua voz se tornando áspera. – Ou isso tudo é um adeus?

Surpreendi-me com seu comentário repentino.

– Não, não é um adeus. Apesar de tudo, não planejo terminar com você, se é o que está pensando – expliquei, voltando a sentar em seu quadril e a fitá-lo seriamente – Lembra? Te fiz uma promessa. Não vou deixar de te amar, não importa que caminho tome ou que escolha faça. Mas isso não significa que sou obrigado a aguentar ser manejado sem nem ao menos saber o motivo. E nem que não vou tomar nenhuma atitude contra você por conta disso.

– Mas eu já te disse o motivo!

– Muitas palavras, poucas que fossem verdade. Sem falar que ainda assim, me escondeu grande parte da história, incluindo a fração de maior gravidade... Pra mim, isso não conta.

– Vai ficar por isso então? Você me mostra seu lado sádico e eu te mostro meu lado mentiroso e manipulador? – Arqueou uma sobrancelha deixando-o terrivelmente sexy.

– Troca equivalente, amor. Deveria ler mais mangás de vez em quando. Saberia o que isto significa – disparei.

Aproximando de si novamente e observando o ser estranho que estava à minha frente parei para revisar cada uma das pistas que tinha. As lágrimas haviam parado de cair. Sua voz perdera todo o sofrimento que carregava outrora. Sua expressão já não mais demonstrava medo. Donghae mudara da água para o vinho, no mais literal dos sentidos. Rindo completamente pasmo de minha visão, imaginei se ele não era de verdade bipolar.

De repente, fui surpreendido por Donghae, que se utilizando das pernas livres não lembro como, puxou-me contra si. Nossos rostos colaram, e eu pude sentir sua respiração enlouquecida por qualquer outro motivo que não fosse os de outrora. Com a minha permissão, passou a tocar de leve nossos lábios, sugando-os vez ou outra com uma calma digna de desconfiança.

– Sabia que você fica incrivelmente sedutor quando tá furioso? – cochichou-me. Inesperadamente, ri de sua observação.

– Sério? Achei que havia te assustado – sorri debochado.

– Assustou. Muito. Só que não foi só apenas por causa do medo que você conseguiu me dominar...

Soltou-me. Minha cabeça dava voltas, confusa. Aos poucos, sentia tudo em mim se desligando. Repentinamente, o fogo da luxúria, esquecido em meio à confusão de sentimentos ruins que me assolavam, renasceu furioso e devastador. Ignorando qualquer que fosse o racional, decidi a terminar o que começara. Deixei com que meus lábios tornassem a caminhar tortuosos por seu pescoço enquanto aproveitei para tatear cegamente sua calça até achar o botão. Abri-o rapidamente assim como o zíper que finalizava a proteção de meu atual objeto de consumo visando tomá-lo o mais rápido que pudesse.

– Hyukkie...

– Hum?

– Se você quer o segredo mais grave da nossa família, eu vou te dizer – começou num tom doce e agradável, inundando-me nas águas misteriosas que era a sua voz rouca de prazer.

– Mas somente se...

– Mas só se... – Procurou com os lábios lentamente até achar meu ouvido, lambendo-me o lóbulo e fazendo com que um arrepio me atravessasse o corpo. – Se você parar com essa tortura e me foder de uma vez! – concluiu agressivamente.

Desatei a rir.

– Bem, eu acho que isso podemos resolver... Quer dizer, pelo menos a segunda parte sim – insinuei, fazendo-o rir também.

A surpresa de acabar por fim conhecendo a verdadeira face de Donghae me atingiu de um modo completamente oposto do que imaginei que seria. Descobri que não éramos tão diferentes assim, fato este que fez com que, ao invés do ódio ou da mágoa que guardava em meu peito para soltar em cima de si e resolver as diferenças entre nós, eu terminasse por continuar a ser exatamente como eu era: sádico e louco. Enigmas continuavam sendo meu vício e Donghae me provou ser um dos mais deliciosos de se desvendar.

Enfim, parecíamos ter chegado a um acordo.

Continuando cegamente minha árdua tarefa de despi-lo, escutei sua voz falhando conforme me aproximava mais e mais de seu membro. Após livrá-lo do impertinente tecido grosso do jeans que o sufocava, permiti com que meu tato envolvesse o músculo endurecido ainda por cima da boxer encharcada. Donghae curvou a coluna imediatamente, deixando com que um lamurio escapasse por seus lábios e os calassem de vez. De início, comecei a massageá-lo num ritmo lento. Deslizava a mão em forma de túnel de cima a baixo calmamente, dando mais atenção à base e à glande, que como se mostrasse o desespero do dono, expelia cada vez mais gozo.

Donghae voltou a mostrar a submissão antes esquecida. Implorava-me e acenava diversas vezes para que parasse com a tortura. Eu sorria diante da atitude. Estava me divertindo aos montes com tudo. Tratara de fazer um bloqueio mental para que não caísse em tentação e sucumbisse aos pedidos luxuriosos dele, ainda não estava com vontade de deixar o loiro ter o que queria. O dono da brincadeira continuava sendo eu, e ele infelizmente teria de se adaptar às minhas leis.

Antes de me colocar entre suas pernas escancaradas outra vez, terminei de tirar-lhe o jeans jogando-o longe. Toquei-lhe a perna esquerda e segui passeando lentamente com meu indicador numa linha semi-reta até a região da coxa. Donghae estremeceu furiosamente. Apertei e dedilhei cada pedacinho me aproximando vez ou outra da virilha e do falo teso. Eu podia ver toda a sua expectativa espelhada em seu corpo tremeluzente, sua vontade estampada em sua expressão lascivamente faceira que exigia que eu o possuísse imediatamente. Suspirei. Ele teria de esperar.

Rindo de sua expressão clara de desgosto ao perceber que eu não estava satisfeito com o nosso nível de diversão, aproximei meu rosto de sua perna, beijando e mordendo, indo de encontro da minha mão que seguia a caminho da barra da boxer. Levantei o pedaço de pano molhado e lentamente tirei-o deliciando-me com os seus grunhidos que aumentavam de volume a cada centímetro de carne exposta.

– Agora é o seguinte, Hae. Você não se mexe e eu não paro. Fácil, não é? – disse for fim.

– Hyukkie... I-isso é...

– Ora vamos lá! Sendo tão frio, aposto que consegue! – brinquei.

Antes que pudesse falar mais alguma coisa, abocanhei-lhe sem pena alguma o membro. Donghae retesou-se imediatamente e gritou com toda a força. Por um segundo, pensei se aquilo não fora perigoso demais. Não seria nada bom que alguém chegasse antes de eu arrancar-lhe as informações que queria. Mas acabei por não ligar muito para o fato. A noite acabara de começar e era muito provável que não chegasse ninguém à ala de cima da catedral antes das nove. Voltei assim minha atenção novamente a ele, que naquele momento, lutava para conter o corpo que insistia em traí-lo. Ri mentalmente da cena. Se ele estava conseguindo resistir, eu teria de trabalhar mais então.

Fui sugando-o devagar, fazendo com que perdesse a cabeça pouco a pouco. Da base à glande, em movimentos de vai-e-vem, contornava uma a uma as veias dilatadas sentindo o líquido quente escorrer-me pela boca. Arranhava-o vez ou outra me utilizando dos dentes e das unhas e o ouvia falar palavras de baixo calão enquanto tocava-lhe o períneo. Até que por fim, não aguentara mais se segurar assim que eu introduzi um dígito em sua entrada, usando das suas pernas para começar a empurrar-me ainda mais contra si.

Satisfeito, parei imediatamente.

– Não foi isso que combinamos, Hae – sussurrei-lhe enquanto beijava-lhe a virilha.

– Por acaso quer me matar?! – disparou. Não consegui prender o riso.

– Talvez – insinuei.

– Como quer que eu te conte tudo depois de morto?

– Ora, então finalmente vai me contar? – sorri cinicamente.

– Me tira essas amarras pra ver o que te acontece!

– Caramba, agora tem até ameaças! Estou ficando assustado... – ironizei – E muito curioso. No entanto, acho que essas amarras ainda não terminaram o seu dever aqui. Mas posso tirar a venda se quiser.

Aproximei-me de seu rosto, levantando o pano que cobria seus olhos e retirando-o para dar de cara com os olhos raivosos de Donghae. Sorri com a surpresa.

– Faz algum tempo que eu queria te perguntar mas... Você é bipolar, Hae?

Em resposta, Donghae chacoalhou-se violentamente fazendo-me cair em cima de si e me encarou. Olhava-me com uma transparência assustadora. Mostrava-se cansado de resistir. Cansado e sedento. Seu peito subia e descia descontroladamente e eu podia sentir seu coração em furiosa sintonia com o meu. Toquei-lhe os lábios, dando-lhe um pouco de sua própria essência. Aos poucos a sua respiração acelerada permitiu com que eu invadisse sua boca à procura de seu sabor doce. Donghae, já tão conhecedor do meu corpo e da minha alma quanto eu era da sua, massageava-me a língua com fervor, e mesmo com tão simples movimentos, de repente me fez tão louco e necessitado de si quanto estava de mim. Ao mesmo tempo, também parecia entregar-se aos seus sentimentos. Beijava-me livre de qualquer barreira ou algema auto-imposta, revelando-me através de suas carícias exatamente o que queria no mais profundo de seu ser. Sem camuflagens e sem mentiras.

Retornei à minha posição inicial entre as suas pernas e concentrei-me em desabotoar a minha calça que desgostosamente ainda estava alí. Pacientemente, prosseguia em minha missão, ignorando os comentários impacientes de Donghae e retirando pouco a pouco as peças que iam sumindo de nossas vistas para habitar uma região desconhecida do chão do quarto. Meu namorado logo exibia um sorriso vitorioso ao vislumbrar meu membro rijo totalmente despido.

Em completa expectativa para o que aconteceria em seguida, sentia meu corpo estremecer a cada idéia pervertida que me acometia ou fantasia lembrada de meus sonhos. Há muito que minha mente masoquista me perturbava e incentivava o que estava acontecendo naquele momento. No entanto, meu medo de machucar ou assustar Donghae me parava sempre que estava por um fio. Medo este que sumiu assim como ambas as máscaras que nos ocultavam de nós mesmos. Aliviado, deleitava-me com a sensação provocante de meu sangue correndo fervendo dentro de minhas veias e se acumulando em meu baixo ventre, alimentando a luxúria que crescia conforme a sensação aumentava.

Escorreguei novamente minhas mãos por suas pernas, vendo-o gemer agoniado por minha demora em atender seus desejos, antes de segurá-las e posicioná-las para que me dessem maior acesso à sua entrada. Penetrei-o de uma vez. Um urro lascivo escapou livre pela minha garganta ao sentir meu membro sendo espremido completamente pelo túnel quente e apertado que seus músculos formavam, acompanhado também pela própria nota alta que o mesmo soltou. Donghae por vezes remexia-se em meu quadril, procurando se acomodar ao desconforto que sempre sentia no ato. Eu, apenado de sua situação, voltei a estimulá-lo com alento em busca de dar alguma ajuda no processo e procurava me controlar e não machucar-lhe ainda mais levado pelo efeito delicioso que estava me causando com os movimentos.

Logo ao começar a escutar alguns gemidos tímidos fugirem de seus lábios por conta das carícias, comecei a me movimentar dentro de si. Eu já não agüentava mais me segurar. Queria possuí-lo totalmente, voltar a escutar a se chamado por ele em seu deleite, deixar com que meu corpo aproveitasse cada segundo de estar dentro daquele a quem eu lembrava que amava. Aproveitei que a raiva e a decepção me deram trégua. Assim como minha mente de cientista, meus princípios ou qualquer coisa que me ligasse à razão. Meu desejo ali se tornou apenas tê-lo no mais profundo sentido da palavra. Lembrá-lo que, por mais que antes tenha sido diferente, naquele momento ele pertencia a mim, a ninguém mais, e que eu jamais permitiria que fosse de outro jeito.

Minhas estocadas eram fortes, certeiras. Assim como Donghae me pedira, sem qualquer cerimônia ou rodeios. Procuravam apenas desbravar cada fragmento daquele corpo já me tão conhecido. Dar e receber prazer. Transpassava cada anel e pressionava seu ponto sensível enquanto o sentia contorcer-se por completo. Por muitas vezes, consegui escutar meu nome ecoando pelo quarto num tom mergulhado em luxúria, sempre acompanhados por pedidos ardentes que aumentasse a intensidade de meu trabalho. Eu atendia-os sempre. Toda vez enlouquecendo a ponto de também deixar palavras proibidas de serem faladas dentro de uma casa sagrada saírem soltas. Internamente, rezava para que ninguém além de Donghae as escutasse.

Meu corpo logo começou a sentir-se mais sensível. Deslizava-me contra si auxiliado pelo suor que nos cobria e lubrificava nossas ações. Tomava-lhe a pele, coletando com a boca cada uma das gotículas que escorriam, saboreando-o inteiramente e decorando cada sensação captada em minha memória. Meus sentidos de repente apuraram-se e eu estremecia a cada carícia ou beijo recebido. Comprovei que Donghae também estava na mesma situação e sorri-lhe ao perceber que chegaríamos ao ápice juntos. Os espasmos aumentaram consideravelmente. Nossas vozes formaram um coro alto em gemidos e urros cheios de volúpia. Segundos depois, senti seu gozo quente e espesso espalhar-se em meu abdome na medida em que eu mesmo me sentia preenchê-lo.

O ar me faltava. A força já não existia. De repente, notei que se Donghae quisesse faltar com a sua palavra, eu não estava em condições de fazer absolutamente nada a respeito e tudo o que eu fizera teria sido em vão. No fim, acabei por me deixar levar pelos desejos de Donghae. Mais uma vez, eu fora dominado e manipulado. Ri exaustamente em minha descoberta. Afinal, uma coisa era certa: eu faria tudo de novo.

– O que foi? – escutei-o dizer enquanto eu me esticava para, enfim, retirar-lhe as amarras.

– Nada não, é só besteira minha.

– Hum. Bem, eu acho que te devo uma resposta, não?

Surpreso com o que dissera, olhei-o atentamente a procura de algum vacilo de sua parte. Deixei escapar uma exclamação de admiração.

– Achou que eu ia dar pra trás? – sorriu-me desconfiado quando deixou com que eu o envolvesse em meus lábios.

– Sinceramente...

– Caramba, não imaginei que estivesse tão desiludido assim comigo.

– Foi a situação que você criou – confessei.

– Eu sei. Mas agora mesmo você vai ver que eu não tinha outra escolha. Digamos que a verdade seja um pouco... inacreditável.

– Como assim? – fitei-o espantado.

Indo contra o cansaço de meu corpo, acumulei força em meus braços e impulsionei-os, me fazendo sentar no colchão. Virei e voltei a encará-lo enquanto se ajeitava mais confortavelmente com a minha saída.

– Lembra quando eu te disse que Junsu era capaz de ver o mundo de um jeito diferente das outras pessoas? – reiniciou a conversa.

– Lembro.

– Pois é, quando eu disse isso, eu quis dizer literalmente.

– Não estou entendendo...

– Hyukjae, o que eu estou dizendo é que Junsu é capaz de ver coisas que ninguém mais consegue. Coisas estranhas, perigosas.

– Como o quê? – arrisquei meio atônito. – Fantasmas, monstros, ou... Os mortos? – arrisquei de repente, ignorando o fato de que talvez estivesse falando loucura.

– Não exatamente – sorriu de deboche.

– Então...

– Hyukjae, Junsu é a única pessoa no mundo que tem contato direto com o maior medo da humanidade. Ele pode ver a Morte.



Notas finais
Quem gostou de ver a vingancinha do Hyuk levanta a mão! O/ Tá bom que no fim ele meio que deu pra trás, mas né? Já é um avanço! O Hae, por outro lado, agora tá vendo que nosso psiquiatra é tão pirado quanto àqueles que ele estuda. Cuidado rapaz ou ele acaba te prendendo no laboratório secreto de cientista maluco dele XDDDD E o Junsu foi quem incentivou o Hyuk a perder a linha... Alguém arrisca o significado da historinha e o efeito que ela teve no Hyuk?
Ok, agora vamos falar de outro assunto: Vocês acham que o ritmo da fic tá bom? Tipo, estou pegando pesado demais, indo rápido demais... É porque eu acho que estou esquecendo que os níveis de compreensão de vocês são bem diferentes. Então, por favor, opinem e sejam sinceros, porque só assim eu vou poder moldar a história para que todos - ou a maioria - entendam e se divirtam, ok?
PS: Vou ver se dou uma revisada nos avisos e nos gêneros do início xD