You Are My Endless Love

25 Cap 23 - What if...?


Notas iniciais
Nem demorei dessa vez q xD Aliás, como eu já tinha avisado por twitter, vou começar a me esforçar bastante para atualizar todos os sábados yay! O/ Acho que fica mais organizado pra vcs e pra mim ter um dia certo na semana né? - Ideia da cumadi Suz, agradeçam a ela q.
E esse é o último cap de enrolação! Vivas!!!

[Junsu POV]


– Mestre? Está aí? Posso entrar? – finalmente escutei a voz de Kyuhyun ecoando por detrás da porta.

– Estou sim, Kyu-ah. Entra logo que o serviço é meio pesado – respondi terminando de fechar a proteção do teclado do piano.

O som da porta de madeira se arrastando se fez no quarto e logo ouvi os passos leves de Kyuhyun se aproximando.

– Meio? – ironizou – Hyung, isto é um piano de cauda, se não percebeu. Não é só “meio” pesado...

– Chega de implicar com meu bebê, tá bom? – rebati.

– Sim, senhor – brincou.

A manhã já corria solta. Enquanto meus irmãos se ocupavam logo cedo com os afazeres comuns diários, minha cabeça desatava a maquinar. Talvez o desabafo do dia anterior em cima dos policiais ordinários que vieram perturbar a paz de nossa família e interromper minha aula de violino, tenha feito bem ao meu coração. Tudo bem que para todos eles o que acontecera ali não fora apenas uma explosão de sentimentos reprimidos, mas o que eu podia fazer? Passei tempo demais agüentando a petulância daquele homem. Além do quê, dessa vez era o nome do meu tio que estava em jogo. E com o nome dele não se joga. De maneira alguma. Afinal, tanto tempo sendo considerado um monstro terrível trouxe a ele um respeito mútuo das pessoas, um respeito que não pode simplesmente ser jogado ao lixo apenas por capricho de um gorducho com distintivo e seus cães magrelos. Dessa forma, eu acabei me descontrolando e passando um pouco do ponto em minha brincadeira inocente.

Agora já foi. Paciência, né?

Que seja. O fato é que o estouro fizera muito bem a mim, obrigado. Acordei mais leve, inspirado. Se Jaejoong-hyung não tivesse quebrado meu pincel favorito eu seria capaz de pintar despreocupadamente durante o dia inteiro. Mas como infelizmente não é o caso, preferi me contentar com a música ao invés de passar o tempo caminhando pela catedral.

Porém antes disso, uma pequena mudança de ambiente.

– Anda logo e segura do outro lado – impacientei-me. – E cuidado! Um arranhão, e você sabe o que te acontece.

– Sem ameaças, mestre. Sabe que eu não consigo trabalhar sob pressão – brincou novamente.

– Tão engraçado esse menino – ironizei.

Ainda escutando desaforos, meu fofo aprendiz de cabelos castanhos se posicionou onde eu lhe ordenara. Apoiamos o piano com ambas às mãos e nos pusemos a caminhar em direção à sala de música, que pelos céus, não ficava muito longe.

O caminho fora duro e cansativo, embora curto. Paramos duas vezes para descansar e rir de nossas expressões exaustas, uma vez para responder a algumas perguntas de Jaejoong-hyung que escutara todo o barulho que fazíamos e resolveu saber o que se passava, e uma quarta vez para deixar Donghae-hyung passar com alguns livros antigos nos braços pelo corredor. Ao chegarmos a nosso destino final, um sentimento de vitória comparada à sentida ao se derrubar leões em uma arena nos possuiu, e mais exaustos o quanto poderíamos ficar, acabamos por rir novamente.

Eram assim os momentos normais que tinha com Kyuhyun – ou seja, quando eu não estava obrigando-o a perturbar meu irmão mais velho ou ensinando-o alguma lição nova. Éramos apenas dois amigos, adolescentes se divertindo com a menor causa possível. Esquecíamos de hierarquias, regras, responsabilidades... Éramos apenas nós. E não precisávamos de muito para nos distrair.

– Parece que não fui só eu que acordou de bom humor hoje, não é? – disse deixando-me escorregar pelo chão, sentando e apoiando as costas em uma das pernas do piano.

– Infelizmente, não é bem assim – Kyuhyun fechou o sorriso e fez o mesmo, instalando-se na perna ao lado da minha.

– O que houve?

– Coisas demais na minha cabeça...

– Já não disse a você para parar de pensar demasiado e se ocupar com algo? Sempre que faz isso acaba se machucando a toa – fitei-o e suspirei ao notar que mantinha o olhar perdido em algum ponto da lareira. – O assunto de sempre?

– Também...

Aquele era um assunto e um problema deveras complicado de se tratar, que fazia com que Kyuhyun perdesse várias de suas noites em lágrimas, sozinho ou comigo. Se fosse um acontecimento ou objeto, com certeza seria bem mais fácil de lidar. Porém, infelizmente, “aquele assunto” tinha um nome e sobrenome. Um bem importante por sinal.

– O que aconteceu dessa vez?

– Nada demais. É só que... – pareceu pensar por um segundo – Que motivo levaria ele a me segurar durante toda a confusão de ontem?

– Como assim? – perguntei confuso.

– Ontem, quando os policiais chegaram, eu tentei avisá-lo muitas vezes antes...

– Avisar ou me impedir de chegar até lá? – fitei-o interrogador.

Kyuhyun abaixou a cabeça, talvez se lembrando de sua costumeira formalidade para comigo, talvez envergonhado pela verdade. Por fim, respirou profundamente e virou-se a mim novamente.

– Os dois. De certa forma, o impedindo de chegar até lá eu estaria, ao mesmo tempo, o avisando da presença deles, então... Desculpe hyung, mas pelo andar da carruagem, eu imaginei que você acabaria explodindo com eles desta vez.

– Não precisava ter se esforçado tanto. Desde que tio Tod me contou de seus planos, eu desconfiei que o Delegado viesse aqui. A causa das mortes estava idiota demais desta vez. Por incrível que pareça, nem o culpo por não ter conseguido resolver o caso – confessei.

– Mas precisava exagerar tanto? Não havia necessidade de usar os poderes de Lilith-sshi só para assustá-los. Sabe que eles têm medo até mesmo de chegarem perto de você, somente uma palavra ou duas bem colocadas e eles sairiam apavorados de lá!

– Gosto dos efeitos especiais. Dão um ar mais verdadeiro à ameaça – dei de ombros, vendo-o rolar os olhos com a minha afirmação – Ah, Kyu... Juro que tentei me controlar, sério. Só que infelizmente a audácia daquele roliço desgraçado ultrapassou todos os limites. Não foi culpa minha.

– E não terá problemas com ele? Digo, com seu tio. Ele não achará ruim o senhor ter usado o nome dele para brincar com os oficiais?

– Talvez sim, talvez não. Ele é muito imprevisível. Só saberei quando ele vier buscar Lily, o que não deve demorar a acontecer.

– E quanto ao amigo de Donghae-sshi? O que fará se ele tiver ouvido tudo? – Mordisquei o lábio inferior, me perdendo em pensamentos.

Eu já havia pensado naquela possibilidade.

Desde a primeira vez em que eu vira Hyukjae-hyung, me passou pela cabeça que ele parecia alguém exatamente tão curioso quanto um homem jovem, atraente e rico da capital que gosta de artes e é professor de música, poderia ser. Ou seja, muito. Talvez por isso eu tenha começado bastante desconfiado quanto ao cartão de visita excessivamente bonito dele. Porém, durante os seguidos encontros que tivemos a partir dali, percebi que ele conseguia me passar certa segurança sobre o seu caráter. Aos poucos, eu sentia minha confiança sendo inconscientemente ganha por si, mesmo sabendo tão pouco sobre sua vida. E, ao mesmo tempo, algo dentro de mim gritava que eu permanecesse cauteloso. Não entendia o porquê. Já que em contrapartida a todos os cuidados de não ser desmascarado por um forasteiro, como tio Tod mesmo me dissera, ele parecia ser uma boa pessoa. Também não compreendia o que Donghae-hyung pretendia trazendo-o a essa cidade ou permitindo-o saber sobre a minha doença. Aquilo sim, me parecia perigoso.

O fato era que eu não sabia de absolutamente nada sobre Lee Hyukjae. Nem confiante, nem comprometedor. E, querendo ou não, isso lhe dava certo crédito comigo. Por quê? Simples. Desvendá-lo enquanto me divertia em nossas aulas poderia ser um passatempo bem proveitoso. Não era segredo a ninguém minha mania de observar as coisas ao meu redor, embora eu não imaginasse se estaria sendo manipulado ou não por meu irmão por conta disso. E se estivesse, também não era problema, afinal, não é todo dia que um homem assim tão perturbador aparece na porta de sua casa... E eu já estava definitivamente disposto a ver até onde ele seria capaz de ir por entre os caminhos perniciosos de nossas vidas.

– Não se preocupe com isso. Darei um jeito... Mas o que dizia mesmo? – procurei mudar o rumo da conversa.

Kyuhyun me analisava de forma minuciosa, assim como eu era acostumado a fazer consigo. Parecia surpreso com a minha tranqüilidade diante de um ponto tão importante a ser levado em conta. Antes que pudesse fazer qualquer outra pergunta sobre o assunto, fiz sinal para que continuasse a história anterior.

– Pois é – Acatando minhas intenções, recostou-se novamente na perna do piano e prosseguiu. – Por várias vezes eu tentei ir até o hyung, mas ele sempre me impedia, com conversas ou me segurando mesmo. Isso é estranho. Quer dizer, pode ser bobagem minha, eu sei. Só que vindo dele, que só lembra que eu existo na hora da missa ou quando precisa me passar uma ordem, de repente vir todo amigável é bem...

– Intrigante realmente – concluí por si. – Mas vai ver ele apenas não queria que você conseguisse me avisar da visitinha surpresa dos policiais. Ou então... de me impedir de chegar até lá – insinuei.

– Não hyung, isso não. Ele jamais iria querer uma desordem daquelas dentro da catedral!

– Será mesmo Kyu-ah?

– Lógico! – adiantou-se.

A verdade era que desde o máximo que conseguia puxar de lembranças de minha memória, Kyuhyun sofria de um mal instável e perturbador. Era apaixonado. Porém, como manda o costume entre as pessoas que viviam nesta catedral, um problema nosso não pode ser simplesmente pequeno e intransferível. Pelo contrário. Vivíamos em contato constante com Murfin e sua lei; e diz ela, que quando algo tem que dar errado, tende a ser da pior maneira possível e atingindo o máximo de pessoas possíveis. Assim, nosso Kyuhyun teve o infortúnio de nutrir uma paixão proibida e pela pessoa mais ilógica que eu conhecia: o filho do nosso honorável Prefeito, Choi Siwon.

Não que Siwon-sshi fosse uma pessoa ruim. E era exatamente este o ponto principal. Choi Siwon foi criado em meio a tanta nobreza que acabou incorporando o adjetivo no mais amplo sentido da palavra. Ele era um homem correto. Sem qualquer mancha ou erro de conduta em toda sua vida. Ininterruptamente prezando a moral e os bons costumes. Mostrava-se simpático, amigável, bondoso, religioso, sempre sorridente... Eram muitas as qualidades que ostentava, contudo, a modéstia nunca o abandonava.

Era por este Choi Siwon por quem meu Kyuhyun era completamente arrebatado. Um espécime raro dentre os tão sujos e hipócritas humanos. Um ser suspeito para mim. Um ser perfeito para ele. De um jeito ou de outro, concordávamos em uma coisa: ele jamais seria capaz de olhá-lo com outros olhos que não fossem de um irmão mais velho, se é que chegava a tudo isto.

Olhei-o completamente derretido por aqueles olhos melancólicos. Por muitas vezes, levado por aqueles mesmos olhos, planejei comigo mesmo uma punição adequada para o idiota que fizera meu pequeno sofrer por todos esses anos enquanto o tinha choroso em meus braços. Mais do que ninguém, eu fora testemunha de seu dilema. No qual, foi desenrolando – ou enrolando cada vez mais – a vista que o tempo passava. No entanto...

– Kyu-ah, você sabe que quando o assunto é “Siwon” eu não posso fazer nada a respeito para ajudar, não é? – tentei não ser muito alheio à sua tristeza.

– Eu sei hyung – Notei sua voz doce, quase embargada, saindo já com certo esforço de sua parte. – Não se preocupe. Já faz demais me ouvindo lamentar por todos estes anos. Deve ser terrível me agüentar quando estou assim... Nem sei como agradecer.

– Esquecendo este homem já seria uma bela forma – disparei. – Já comentei que não vou com a cara deste Siwon, não é? Por mim você não chegava a menos de cem metros dele!

– Quem me dera poder, hyung. Acho que vou acabar ficando lhe devendo eternamente então – um sorriso triste despontou em seus lábios e eu me preocupei com seu estado. Detestava vê-lo assim, tão desolado. Pedi silenciosamente forças aos céus e alguma idéia de como ajudá-lo a melhorar, mas de que forma alguém tão errado como eu poderia ser capaz de censurar alguém por ser politicamente correto?

Suspirei cansado e me preparei para oferecer-lhe o meu único meio de socorrê-lo.

Engatinhei até estar diante de si, e me ajoelhando, estiquei o corpo para cima, apoiando sua cabeça em meu peito e envolvendo-o em meus braços.

– Meu Kyu... – sussurrei antes de sentir seus próprios braços enlaçando-me pela cintura e me puxando para mais perto – Bem sabe que eu não gosto de te ver assim.

– Perdão por isso – respondeu escondendo seu rosto em meu pescoço.

– Não tem o que perdoar. Eu só acho – e você vai me desculpar por dizer isso – que não adianta uma pessoa como ele se mostrar perfeito para umas pessoas quando sequer percebe – ou finge não perceber – que também agride outras com aquele sorriso indiferente dele. Ele não te merece criança, quando vai resolver compreender isso?

– Talvez nunca, mestre...

Sua voz, quase inaudível, transpassava todo o sofrimento de seu coração. Sofrimento este que eu, por mais que tentasse, não conseguia entender. Amar alguém doía tanto assim? Era mesmo necessário alguém passar por tudo isso? Enquanto eu continuava a pensar sobre o assunto calado, conseguia aos poucos sentir Kyuhyun remexer-se contra meu corpo. Carente e frágil parecia tentar encontrar uma maneira de nos deixar confortáveis, mostrando assim que não me largaria tão cedo.

Exatamente como eu pensei alguns segundos depois eu já estava entre suas pernas e com as costas contra o seu peito enquanto ele continuava com o rosto escondido em meu pescoço, agora do lado oposto. Abraçava-me fortemente, como se temesse que eu saísse dali assim que afrouxasse seu cerco mesmo que minimamente.

– Hyung... – quebrou o silêncio depois de alguns segundos.

– Hum?

– Alguma vez eu já disse que adoro esse seu perfume?

– É? – sorri surpreso. – E por quê?

– Algodão. Lembra-me algo brando, doce, leve... Me acalma..

– Elogios vindos de casa não servem. Já ouviu falar? – brinquei. – Não vai conseguir ganhar sorvete mais caro somente com isso, desculpe.

Escutei sua risada breve ressoar baixa por meus ouvidos, e sua respiração cálida batendo contra minha pele me arrepiou os pêlos. Um pensamento perturbador, de repente, invadiu minha mente. Tão mais fácil seria tudo se...

– ...fosse apaixonado por você – acordei de meu transe com sua voz ecoando pelo salão.

– Como? – perguntei ainda atônito.

– Eu disse que seria bem mais fácil se, ao invés dele, eu fosse apaixonado por você – repetiu dando de ombros.

Era exatamente essa a minha preocupação.

– Eu não diria isso – soltei-me de si, sentando em minhas pernas.

– Por quê?

– Eu não conseguiria te fazer feliz, Kyuhyun. Talvez pudesse ser até pior se fosse por mim, já que eu te mantenho sempre por perto. No fim, se encontraria nesta mesma situação, e eu me sentiria ainda pior por ser a causa e não poder fazer nada para mudá-la. Você é um menino tão doce, bonito, gentil... Merece alguém que possa te amar de verdade, que seja forte para enfrentar a tudo e todos pelo o que sente, que possa dar a vida pela sua sem pensar duas vezes... Eu não sou essa pessoa, infelizmente. Sou fraco, manipulável, com uma história de vida totalmente suspeita e escravo de minha própria condição. Sendo assim, acho melhor reformularmos sua frase.

– Pois não – sorriu fracamente – Então... Seria bem mais fácil se fossemos apaixonados um pelo outro.

– Exatamente – assenti retribuindo-lhe o sorriso.

– Ainda assim... O hyung sempre me trata de um jeito diferente das outras pessoas, me escuta, me compreende, me consola, até me faz rir quando estou em crise... Obrigado. De verdade.

– Agradecer pra quê? Não faço mais que minha obrigação como mestre, como hyung e como amigo – baguncei seu cabelos carinhosamente recebendo uma pequena risada sua em troca.

– Não. Pra mim, significa bem mais que simples gentileza... Tanto, que não imagino como ficarei depois que você partir e me deixar sozinho.

– E por que eu faria isso? – perguntei surpreso com suas palavras.

– Por causa disso.

Foi aí que eu notei no bolso esquerdo de sua calça a existência de um pequeno envelope branco. Kyuhyun tirava-o de seu abrigo, mostrando-o um pouco amassado, e entregou-o a mim. Na parte traseira do papel polido, meu nome podia ser lido em letras escritas à mão de formas finas e belamente curvas. Na frente, o nome e a logo da famosíssima universidade onde Donghae-hyung estudava, brilhava em relevo. Ainda perplexo com a delicadeza da correspondência misteriosa, voltei a fitá-lo curioso.

– Do que se trata?

– Acho que... De sua carta de alforria. – respondeu enquanto um oblíquo de ar tristonho se formava em seus lábios.


Notas finais
KyuSu são uns fofos *-*
Pobrezinho do Kyu, sofre por amor e o coitado do Su sequer pode ajudar o amigo, ele já tem seus próprios problemas :/
Quem consegue adivinhar, o que tem nessa cartinha hein? Uma balinha piper pra quem acertar MASOQ XD
Bjos e até sábado que vem! Agora, meus reviews??? x3