You Are My Destiny
3 Chapter 03: The Awakening
Precisava vê-la urgentemente. Alguma coisa estava diferente com ela e podia sentir essa mudança nos ossos. Mesmo depois de tantos anos não perdera a esperança de que sua Kagome acordasse e desse aquele sorriso radiante pra ele de novo.
Quando finalmente haviam derrotado Naraku duas décadas atrás, e com a joia completa, cabia a Kagome, como sacerdotisa guardiã da joia, fazer um pedido de razões puras para que a joia pudesse finalmente deixar de existir e Midoriko tivesse o seu tão aguardado descanso. Para isso, ela pediu para passar alguns dias em sua éra, com o objetivo de refletir sobre o seu desejo.
E assim se passou um mês.
Por mais ansioso que eu estivesse no maior ato de paciência da minha vida dessa vez eu esperei. E quando ela voltou, parecia que havia feito a descoberta do século. Ela estava muito feliz, mas se recusava a nos contar qualquer coisa, até que eu descobri da forma mais dolorosa possível.
Kagome, ainda meio debilitada pela batalha com Naraku (pensava até ter perdido mais da metade de seus poderes espirituais), me pediu pra leva-la para uma clareira á beira de um lago que existia relativamente perto da vila, e ouvisse o que ela tinha para me dizer. Assim o fiz e esperei impaciente enquanto ela parecia estar querendo tomar coragem para falar.
– Inuyasha – Ela começou, me fazendo ficar imediatamente tenso.
– O que foi Kagome? – Perguntei meio receoso.
– Acho que está na hora de fazer o meu pedido! – Falou com um enorme sorriso, como se aquilo fosse a melhor decisão que já tivesse tomado na vida.
– Mas o que... – Comecei a falar, perplexo com o rumo da conversa, mas vi que ela já não me ouvia mais. Segurava a Shikon no Tama junto ao peito e de olhos fechados, se concentrava enquanto a rósea luz emanava da pequena bolinha de vidro e se espalhava por toda a superfície ao redor de Kagome. A essa altura, estava tão aturdido pelo que acontecia que chegava a ter aquela sensação deque o tempo parava. Não existia brisa, não se ouvia nenhum som, era somente Kagome, a joia e eu.
–Guardiã de coração puro, qual é o seu desejo? – Perguntou uma suave e quase imperceptível voz provinda da joia. Nesse momento, ela abriu os olhos e vi que eles emanavam um brilho atencioso ao pedir.
– Desejo que Inuyasha se torne um youkai completo, para que por meio de sua força possa proteger a quem ama – Ela disse tão gentilmente que pude ver que ela não pensava nela mesma. Isso me fez me lembrar das pessoas que eu nunca consegui proteger. Minha mãe veio imediatamente a minha mente. Talvez essa fosse a minha maior dor, a dor de ser “incapaz” por ser fraco, por ser hanyou. Mas ela não precisava pedir isso, pois quando entrou na minha vida isso não importava mais. Ela me aceitava e isso era tudo o que importava.
–Sua idiota – Disse antes que uma poderosa força se apossasse contra meus membros, me impedindo de me mexer.
–Por pensar sempre no bem alheio e possuir bondosa alma altruísta, seu desejo é aceito e concedido – A voz mais uma vez se pronunciou antes de desaparecer.
A partir daí que senti a verdadeira transformação. Para ser um youkai completo eu precisava não só de mudanças físicas (as quais eu sentia dolorosamente), mas espirituais também. Foi muito difícil sentir a batalha interna entre o meu lado humano e youkai, o qual o segundo tal como um animal ensandecido, rugia e ganhava mais espaço à medida que o primeiro tentava inutilmente permanecer. Estava quase perdendo completamente a humanidade (e a sanidade também) quando senti um calor se instalar no meu peito. Com muita dificuldade abro os olhos e vejo Kagome encima de mim me abraçando e transferindo para mim o ultimo vestígio de esgotamento espiritual que lhe restara, tentando assim acalmar a fera que tentando tomar o controle completo de mim.
Isso felizmente aconteceu, e quando finalmente entrei em equilíbrio entre a minha consciência e meu extinto youkai, notava as minhas mudanças aparentes. Meus sentidos, minha força e minha aparência, que agora possuía estrias vermelhas por todo o corpo, e minhas orelhas, agora mais parecidas com orelhas humanas, só que mais alongadas, emitiam poder.
Enquanto do me recuperava do choque e me acostumava com meu “novo” corpo, ouço a debilitada voz de Kagome me chamar.
– Inuyasha... Você está bem? – A vejo ainda abraçada a mim e a amparo antes que ela caia. Agora que tinha percepção mais aguçada podia sentir seu coração batendo devagar e sua respiração frágil e descompassada. E a observo enquanto que com muito esforço, me diz as ultimas palavras das quais me lembro vividamente. – Eu estou... tão feliz! – Fala antes de entrar em um profundo “sono”, o qual só fui entender muito depois.
Seres de existência espiritual possuem certo limite de quanto poder podem usar, pois sendo esse poder a base de suas vidas, o usando além de sua capacidade o esgotamento espiritual pode ser tamanho que ocasionará na perda de sua consciência por tempo indeterminado, ou até mesmo sua morte. Houve histórias anteriores de sacerdotisas que ficaram vários meses adormecidas por esgotamento espiritual, mas são poucos os casos daquelas que chegaram a acordar e menores ainda das que ficaram vivas após isso. Usar tanto poder é perigoso.
Por isso aguardara 20 longos anos por ela.
Por que se conseguiu resistir por tanto tempo, ainda existia a pequena possibilidade da sua forte Kagome voltar para ele. Foi com essa esperança que montara um exercito de youkais e demarcara como seu território toda aquela região. Não falharia dessa vez. Kagome deu todo por sua felicidade e ele daria a vida se preciso por sua segurança. E foi pensando nisso que correu o mais rápido que podia para o templo ao sentir uma energia se agitando lá.
Ao chegar, foi direto a câmara principal, que era onde ela estava e ao abrir a porta estagnou, como que petrificado, a observar a cena.
Uma linha prateada pairava ao redor do corpo inerce de Kagome que como sempre, levava uma expressão tranquila no rosto. Sua situação sempre foi alvo de curiosidade. Se não fossem seus cabelos e unhas que sempre cresciam e precisavam ser aparados, ela permanecia com a mesma aparência de vinte anos atrás. Lendas começaram a se formar sobre ela e sobre sua aura que confortava quem estivesse ao redor, fazendo com que as pessoas do vilarejo sempre levassem presentes e coisas de valor para quando a “Bondosa Sacerdotisa” acordasse.
Ainda temeroso sobre o que significaria aquilo, me aproximei e constatei que não se tratava de uma linha em si, mas de uma finíssima corrente que parecia conter um grande poder. Não poder comum como youkai ou espiritual. Era um poder somente... Superior. Quando aproximei minha mão para toca-la, ela começou a brilhar com mais força e envolvia agora rapidamente o braço direito de Kagome, se focando em seu pulso e finalmente se fechando em volta dele, formando uma espécie de bracelete.
Então o que Inuyasha mais ansiava na vida em fim aconteceu. Kagome inspirou fortemente, como se fosse a primeira vez e abriu os olhos. E aquele mar de águas profundas o engoliu uma vez mais.
– Ka-Kagome... –Balbucinei em um misto de felicidade, alívio e um toque de retardo mental. Tudo pelo que eu esperei está aqui na minha frente e eu não consigo formular uma maldita frase inteira pra falar! Ela me olha com curiosidade já sentada, e se pondo de pé, vem em minha direção. Quando está parada a centímetros de distância, ela põe as duas mãos no topo da minha cabeça e começa a apalpar o topo como se estivesse procurando algo. – Ei, O que foi?
– Não sei dizer... – Respondeu com uma expressão pensativa. – Parece que falta alguma coisa...
– Pare com isso! – Reclamei segurando seus pulsos e os afastando da minha cabeça. Então ela passa duas décadas adormecida e a primeira coisa que dá falta são as minhas orelhas? Feh, bem típico dela! Kagome se afasta e começa a me olhar, como se tivesse realmente reparado a minha presença agora.
– A propósito – Ela começa a falar, ainda mais distante com uma expressão desconfiada. – Quem é você?
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