You Are My Destiny
4 Chapter 04: Amnesia
Notas iniciais
Hummm... Eu amo chá! Principalmente o Hojicha, por causa do seu sabor naturalmente mais doce. Creio que sempre me perturbavam me chamando de criança*, mas nunca liguei muito pra isso, já que quem ia beber o chá seria eu mesmo, e nem por um decreto que beberia chá Mugicha * só pra parecer mais adulta como as crianças costumavam fazer.
Enquanto tomava tranquilamente meu chá e meditava sobre implicâncias infantis, três seres realmente curiosos me observavam como se eu fosse a representação viva da afamada Kaguya Hime*. A primeira era uma mulher de aparentes quase quarenta anos, mas que possuía ainda bem claros os sinais de sua juventude e beleza, de longos cabelos castanhos brilhantes, grandes olhos chocolate perspicazes e gentis, que combinavam perfeitamente com sua postura um tanto rígida, mas claramente graciosa. Ao seu lado se encontrava um homem ligeiramente mais velho que ela, sentado tranquila e relaxadamente em frente á tradicional mesa chabudai* a qual nós tomávamos chá, e me olhava com expressão incrédula estampada no rosto. Ele, um pouco mais alto, tinha os cabelos que batiam na altura dos ombros firmemente atados na nuca em um rabo de cavalo, e suas roupas nobres indicavam que ele possuía um alto cargo naquela província, cargo o qual o Youkai ao seu lado obviamente seria superior.
Ele era diferente dos demais, e não só por ele ser youkai e os outros humanos, ele possuía uma presença peculiar para um ser daquele porte. Conseguia ser ainda mais alto que todos nos naquela sala, tinha seus fartos cabelos prateados presos por um alto rabo de cavalo e era dono dos olhos de uma cor extremamente peculiar, até mesmo para youkais: Eram dourados como o sol ao meio dia, tão intensos que quase desafiava quem ousasse duvidar de sua autenticidade. Eram visíveis também, parte de suas estrias vermelhas, comuns sinais animalescos de inuyoukais legítimos, além das orelhas pontudas, semelhantes às de um elfo. Seu quimono era totalmente vermelho e usava por cima dele uma armadura negra, com espinhos nas regiões dos ombros. Ela era presa por uma faixa, também vermelha com rajados dourados nas pontas. Para completar, trajava uma capa felpuda branca, que parecia ser muito útil já que estávamos em pleno inverno e nevava muito lá fora.
Apesar de extremamente poderoso (dizia isso por poder sentir sua aura assustadora, mas muito bem camuflada), ele tinha um jeito de “não vou lhe fazer mal, mas se me contrariar vou lhe perturbar até a sua morte”, além de manter aquela expressão desconfiada de que eu iria sair correndo se se distraísse por um minuto sequer. Eu não gostava disso, e estava realmente começando a me irritar por começar a me olhar acusatoriamente, como se eu tivesse feito alguma coisa de muito errado. Já ia perguntar se tinha algum problema, quando a mulher, percebendo a tensão no ar resolve interferir.
–Então Kagome-chan, você se sente bem?- Me perguntou com sincera preocupação na voz.
– Perfeitamente. Por quê? Pareço mal?
– Não, absolutamente não! Mas é que depois de tanto tempo, é pouco comum que uma sacerdotisa que entre em um estado como o seu saia sem sequelas. — Se explicou rapidamente. Ela parecia realmente se importar com a minha opinião, o que eu estranhei, já que eu não tinha nenhum grau de familiaridade com ela. Supus então que ela é uma daquelas pessoas que são elegantes o suficiente para se preocupar com o que um perfeito desconhecido acha dela, não importando se esse desconhecido é uma pirralha impertinente, por exemplo.
–Estado? Que estado?- perguntei confusa.
– Sango, ela acabou de despertar, você acha mesmo que ela saberia o porquê de estar dormindo? Ainda mais na forma como isso aconteceu? – Repreendeu gentilmente o homem do rabo de cavalo.
–Me desculpe Miroku-sam, mas eu preciso saber até onde ela sabe né?- Retrucou Sango, muito menos gentil. Miroku, parecendo acostumado com esse tipo de tratamento, só deu um sorriso complacente de quem havia entendido.
–Então continue Sangozinha – Respondeu com um sorriso matreiro. Provavelmente constrangida pelo apelido carinhoso, Sango corou e desviou o olhar do homem, que a essa altura deduzi ser seu marido.
– Me desculpem, mas não estou entendendo aonde vocês querem chegar – Disse, procurando chamar a atenção do casal novamente. O youkai que até então não tinha se manifestado, perdeu a pouca paciência que possuía e exclamou com grosseria.
– O que a gente quer saber é até onde você se lembra do seu passado com essa sua memória de passarinho, antes de cair no sono como uma donzela adormecida.
– Hei! – Reclamei ofendida. Ele se dignou a cruzar os braços e desviar o olhar, em sinal de infantilidade. Eu ia começar um discurso sobre ele ter que me desculpar por não ter uma memória canina como a dele, mas o assunto chamou minha atenção.
Já tinha percebido antes que quando tentava lembrar-se de algo do passado, as lembranças eram meio conturbadas. Podia ouvir algumas vozes e rostos misturados, mas eles eram encobertos em sua maioria, por uma neblina muito expeça. Somente três rostos se destacavam em sua memória: O rosto de uma senhora já de idade que deveria ser a sua mãe; uma garotinha que parecia ter seus seis anos e que tinha um sorriso eterno nos lábios; e uma mulher, bem jovem de longos cabelos negros e olhos pretos muito opacos.
– Na verdade, não muita coisa – respondi sem graça.
– Você se lembra de que exatamente?- Me perguntou Miroku, se inclinando em minha direção.
– Bem, eu me lembro de um poço, uma luz e depois um tempo extremamente longo no escuro. Não consigo me lembrar de fatos específicos, mas me recordo de algumas pessoas. O que aconteceu? Deve ter sido algo grave pra que eu não me lembre do meu passado.
– E do Inuyasha? Você se lembra dele Kagome-chan?- Perguntou Sango, com o cenho tão franzido quanto o possível, apontando para o crianção de cabelos prateados.
– Inuyasha? Inuyasha... – Pensava em voz alta enquanto o youkai ficava rígido em seu lugar. – Você tem um nome estranho, hein? Sua mão não teve dó não, Inuyasha-Sam?- Provoquei com um sorriso deslavado na cara ao vê-lo estreitar os olhos. Fazia tempo, desde que ele não parava de me encarar que eu queria perturba-lo. Mas a reação dele não foi exatamente a que eu esperava. Ele me olhou nos olhos e parecia decepcionado com algo.
– Desculpe. Não quis entrar em um assunto delicado Inuyasha-Sama.
– Não é isso Kagome-Sama, — Miroku me tranquilizou. – Ele só está chateado por que a senhorita não se lembra dele.
– E por que deveria? – Perguntei inocentemente. Não sei por que, mas isso pareceu piorar a situação e Sango resolveu interferir antes que a situação se tornasse ainda mais constrangedora.
–Eh, acho que pelo menos descobrimos a sequela que tanto tempo inconsciente causou nela. Kagome-chan está com amnésia- Constatou, seguida de enfáticos sinais de concordância por parte dos homens.
–Acho melhor continuarmos com essa conversa amanhã, porque já está anoitecendo e nós moramos um pouco longe da aldeia – Anunciou Miroku, já se levantando com Sango para ir embora. Espere essa não a casa deles?
– Pensei que morassem aqui- comentei estranhando a estrutura tipicamente humana. Miroku sorriu e disse simplesmente.
– Essa casa enorme? Claro que não! Essa casa é do Inuyasha-Sama. A proposito é bom aproveitar bastante, já que ela foi feita por sua causa. — E saiu apressadamente, adivinhando a explosão do inuyoukai.
–Miroku! Não sabe ficar de boca fechada? – Inuyasha grita para os dois, já distantes, mas perto o suficiente para ouvir a sonora gargalhada do que parecia ser um velho amigo dele. Olho para o youkai curiosa, mas esse se vira e sai andando, me pedindo desajeitadamente para que o seguisse. Ele não parece muito habituado a agir com gentileza, então eu só o acompanho em silencio, até que ele estaciona na frente de uma porta de correr e me indica para que eu entre.
Quando eu abri a porta me deparei com uma cena surpreendente. As paredes de papel de arroz eram lindamente decoradas com pétalas de Sakura. Havia uma grande porta de correr que dava vista para o jardim principal da casa, onde naquela época do ano estava coberto de neve, mas prometia um lindo show proporcionado pelas arvores de cerejeira na primavera. No quarto tinha um futon já arrumado e que parecia muito convidativo, e uma penteadeira na altura do chão, de seis pequenos compartimentos, e encima dela apetrechos tipicamente femininos como um pente, prendedores de cabelo com desenhos finamente trabalhados e um pequeno espelho com moldura de prata. O espaço em si era simples, mas muito bonito e bem elaborado. Alguém havia dado o coração naquilo.
Me virei para Inuyasha que adivinhando o rumo dos meus pensamentos, ruborizou e fugiu do meu olhar, desviando o rosto. Então decidi que deveria parar de me remoer sobre meu passado (nem me lembro dele mesmo) e começar a agir instintivamente. E o meu instinto naquele momento foi abraçar Inuyasha o mais carinhosamente que era possível abraçar um desconhecido.
Ainda sem reação pela minha atitude, o soltei, e dando meu melhor sorriso, olhei pra ele e disse.
– Obrigada Inuyasha-Sama, por tudo! – E dando um beijo em sua bochecha, entrei no quarto e fechei a porta, deixando um youkai estático parado do outro lado.
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