You Are My Destiny
2 Chapter 02: My Lord
A cena em si já era inusitada. Um conhecido e respeitado inuyoukai observava enquanto seus homens se livravam de um bando de arruaceiros que perturbavam os moradores da pequena e pacífica vila de Yasu, local o qual vive e protege. O youkai bufa impacientemente enquanto os homens, visivelmente bêbados, insistem em dizer que foram enganados e que não sabiam que iriam ter que pagar pela comida que consumiram na hospedagem a qual foram expulsos.
– Não podemos andar logo com isso? Eu tenho pressa. – Fala o youkai de cabelos prateados e expressão emburrada para um de seus oficiais.
–Sim senhor! – Responde um youkai * com um sorriso no rosto. Seu senhor sempre fora impaciente, mas quando se tratava de ir ver a sacerdotisa, sua inquietude beirava o desespero.
Faziam mais de 10 anos que servia a seu senhor, e apesar de que, em algumas horas ainda mostrasse possuir traços de infantilidade adolescente, era um youkai de extrema confiança e se podia contar com a sua palavra, um adjetivo de valor em uma era tão conturbada. Ele possuía uma extrema complacência para com os humanos (característica o qual me senti um pouco incerto em acreditar no começo) e trata a todos com respeito e descontração, até mesmo as pessoas consideradas “inferiores” a ele.
Isso se mostrou evidente em um episódio específico há algum tempo atrás. Eu tinha acabado de me juntar ao meu senhor, portanto não tinha pleno conhecimento se seu caráter, pensando então que ele era igual a todos os outros youkais, seres cheios de sede de sangue e ensoberbados de orgulho. Nós havíamos precisado desviar de nosso caminho em busca de um construtor para a casa de meu amo, para comprar mantimentos para o grupo, que nesse período era relativamente pequeno, em torno de uns 16 homens. Enquanto seguíamos em direção ao vilarejo mais próximo, ouvimos gritos provindos da floresta e cheiro de sangue humano e, como eu acreditava na época, movido pela curiosidade meu mestre se dirigiu rapidamente até o local.
Ao chegarmos lá, encontramos uma cena que era infelizmente, muito comum em nossa época: Um homem que, pelas suas roupas aparentava ser um varão de posses, espancava uma criança de cerca de 9 anos de idade, que já sangrava e uma mulher que se ajoelhava aos pés do homem e chorando pedia por misericórdia. Era um senhor punindo seus servos. Hoje eu posso admitir, até com um pouco de vergonha de que achava até um pouco de graça naquela situação. Nunca entendera como os humanos eram capazes de tentar rebaixar aos seus semelhantes, sendo que eles mesmos, passados 20 ou 30 anos, não seriam mais capazes de manter sua autoridade sendo eles mesmos subjugados. Mas os meus pensamentos de escárnio não duraram por muito tempo.
–Hei, o que pensa que está fazendo? – Meu senhor grita, enquanto lançamos pra ele nossos melhores olhares de espanto. O que ele pensava estar fazendo? Era um problema entre humanos, então por que interferir?
– Não é da sua... – O homem ia retrucar, mas parou ao perceber que se tratava de um youkai, mudando completamente a postura de senhor autoritário e arrogante, para humano temeroso e desconfiado. – Youkai?
– Que direito você tem de bater na criança? Não vê que vai mata-la? Por acaso é idiota? –Continuou, ignorando a pergunte e gritando com grosseria, enquanto todos nós soltávamos suspiramos atrás dele. Sim, nosso mestre tinha o dom de, além de ser extremamente curioso e intrometido, era irritantemente mal-educado.
–Essa criança é minha serva e descumpriu com suas obrigações. Merece ser punida e você youkai, não deve se meter nos meus assuntos! – O homem disse recuperando a pose. Agora é que não restava nenhuma dúvida de que essa conversa daria uma bela confusão.
– O que disse maldito??? Se um humano estúpido como você soubesse cuidar de seus assuntos, ninguém precisaria falar nada! – Retrucou meu senhor, dessa vez realmente irritado com o homem. Aquela altura do campeonato eu não duvidaria de que sangue humano seria derramado apenas pela afronta. Mas por incrível que pareça em vez disso, ele simplesmente segurou o humano pela gola do quimono e pronunciou as palavras que eu guardo até os dias de hoje. – Se você acha que é melhor que seus servos está muito enganado. Continue sendo um senhor arrogante assim e seu futuro será cheio de miséria.
– Isamu? Isamu acorda! –Ouço meu poderoso amo me chamar com inquietação e curiosidade nos olhos dourados. – No que estava pensando?
– Nada de relevância Inuyasha- Sama. Somente em alguns cálculos sobre a compra dos novos armamentos encomendados. – Respondo com objetivo de, se entrar no assunto que o meu senhor mais detesta que são contas e orçamentos, ele não me questione mais. E pela expressão de perfeito desgosto que ele me lançou, percebo que fui bem sucedido.
– Feh, então não fique ai parado e vamos logo! – Responde ansioso para voltar rapidamente ao seu destino na vila de Yasu: O templo.
– Hai, hai! – Respondo com meu sorriso ainda maior no rosto. É para protegê-la que ele se esforça para tornar-se um poderoso senhor no leste do Japão. É pra velar por ela que ele mandou construir o templo ao redor do poço. E mesmo em sua “ausência” é por consideração a ela que ele cuida da vila a qual ela pertenceu um dia.
É Kagome- Sama, mesmo sem realmente conhece-la, a senhora possui além do respeito, a profunda admiração desse seu servo Isamu.
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