You And Me

38 Surpresas.


Notas iniciais
Olá meus queridos leitores! Como vão? Estranharam minha ausência? A verdade é que eu estava meio desanimada com a fic por motivos óbvios - a falta de valorização -, então demorei um pouquinho para conseguir bolar esse capítulo, mas eu enfim consegui! A fic está voltando a ficar do jeito que gosto *-* Bem-vindos novos leitores e muito obrigada a todos os que comentaram no capítulo passado e também aos que favoritaram a fic. Obrigada mesmo por não me abandonarem ♥ Mudei novamente a capa da fic, tinha bolado uma incrível, mas o Nyah! não quis aceitar. Triste fim ;x Enfim, não sei muito o que falar aqui, apenas duas coisas. Primeiro, neste capítulo aparecerá um personagem novo que me ajudará no decorrer da estória. Estou planejando isso faz tempo e finalmente vou conseguir pôr em prática *0* . E segundo, o Natsu volta no capítulo 40 negada! o/ Boa leitura ♥

– Surpresas -

– Está pronta? – questionei minha amiga azulada. Pobre Levy, parecia tão nervosa... Ela apenas confirmou com a cabeça. – Sabe o que vai falar? – confirmou novamente. – Então boa sorte! Vou ficar na praça de alimentação do shopping, qualquer coisa me liga ou manda mensagem. – sorri na tentativa de incentivá-la e a abracei. Pude sentir seu pequeno corpinho tremendo.

Fiquei observando enquanto ela se afastava e adentrava o camarim improvisado. Só o que posso fazer agora é torcer para que ocorra tudo bem e para que os dois se acertem. Não gosto nem de imaginar como a minha amiga ficaria caso algo não saísse como previsto.

Olhei ao meu redor e confirmei o que eu já sabia, estar sozinha naquele local cheio de gente não me agradava nenhum pouco, então, como disse para Levy, a melhor saída para mim seria esperar notícias suas na praça de alimentação.

Comecei a me espremer em meio à multidão na tentativa de sair daquele lugar. Nunca fui muito fã de locais muito cheios, principalmente quando eu estou sozinha dessa forma e me sentindo vulnerável. Tive dificuldade em alguns momentos por ser puxada por alguns rapazes que mantinham um sorrisinho sacana no rosto. Sorri ao imaginar a cara que Natsu faria se estivesse aqui, provavelmente ele surtaria. Eu sei, eu sei, não deveria estar rindo de uma coisa dessas.

Finalmente consegui entrar no shopping e um enorme alívio tomou conta de meu corpo quando senti o friozinho do ar condicionado. Aquele estacionamento estava um forno!

Comecei a andar pelos corredores e olhar as vitrines de algumas lojas. Normalmente eu pararia em uma delas e compraria alguma coisa que talvez eu nunca fosse usar, mas hoje não estou com muita vontade. Mais alguns passos e eu já podia ver a praça de alimentação, que por sinal também está lotada, mas a diferença é que aqui tem ar refrigerado. Experimente ficar em um lugar cheio de gente e no calor? É literalmente um inferno. Sinto uma agonia só de pensar.

Depois de um tempo procurando finalmente acho uma mesa vaga para me sentar.

Ótimo, serei a pessoa que fica sozinha em meio a vários grupos de amigos. Sempre que vejo alguém assim me pego pensando se esta pessoa está sozinha porque quer, se não tem amigos ou se está à espera de alguém. Eu nunca gostei muito de ficar sozinha em locais públicos, mas farei esse esforço pela minha melhor amiga. Provavelmente daqui a uns minutos já terei uma resposta, então acho que não terei que esperar por muito tempo.

Comecei a olhar ao redor e fazer aquilo que me é de praxe, observar o comportamento das pessoas. Uma moça elegante, em meio a outras, comia um prato enorme de salada, porém mantinha os olhos no hambúrguer da criança da mesa ao lado. Dois casais praticamente se comiam em uma mesa mais próxima à parede, eles, por acaso, nunca ouviram falar no clássico escurinho do cinema? Algumas pessoas devoravam um prato gigantesco de comida enquanto outras pareciam esperar seus pedidos ou simplesmente estavam sentadas apenas para conversar.

Comecei a mexer em meu celular. O tédio já tomava conta de mim, mas só havia se passado uns cinco minutos no máximo. O que o tempo tem contra mim afinal?

Talvez essa fosse uma ótima oportunidade para ligar para Natsu. Quem sabe ele não tem um tempinho para mim? Selecionei seu número em minhas chamadas recentes e esperei enquanto chamava. Tocou uma, duas, três, mil vezes até que caiu na caixa postal. Resolvi tentar apenas mais uma vez, mas a mesma coisa se repetiu. Ele deve estar muito ocupado, mas com certeza retornará a ligação assim que puder.

Começo a pensar com meus botões. Prometi que usaria essa viagem de Natsu para pensar melhor sobre o nosso relacionamento, mas acabei deixando isso de lado. Estou feliz com nosso namoro, mas algumas coisas ainda me preocupam, como o ciúme e possessividade que o rosado demonstra ter na maioria das vezes. Ás vezes pode parecer fofo e até excitante, mas quando eu começo a lembrar de todas as notícias que aparecem no jornal falando sobre assassinatos associados a namorados ciumentos, toda a fofura se esvai e eu acabo brochando. Mas eu amo o Natsu, então acabo me vendo entre a cruz e a espada.

Porém ele prometeu que mudaria, certo? Então eu só posso esperar que o tempo me dê uma resposta.

– Posso atrapalhar seus pensamentos? – uma voz conhecida me tira de meus devaneios.

– Claro. – o lanço um sorriso e indico uma cadeira ao meu lado.

– Está sozinha? – pergunta enquanto se senta.

– Sim.

– E o que faz por aqui?

– Esperando notícias de uma amiga. – me olhou com uma cara confusa. Sorri. – Dependo de uma resposta para poder ir para casa.

– A sim. Não entendi direito, mas tudo bem. – ele sorriu. – Posso te fazer companhia?

– Se você quiser...

– Eu adoraria. – me lançou um sorriso típico molha calcinha. Ele exalava sensualidade. Um típico galanteador, confesso.

Ele começou a me encarar incessantemente. Como válvula de escape comecei a observar o ambiente ao meu redor, mas continuava tendo a sensação de estar sendo observada, ou melhor, desnuda com os olhos.

– Algum problema? – finalmente o questionei e, adivinha, ele continuava mesmo olhando para mim.

– Nenhum. – sorriu novamente. Seus cotovelos estavam apoiados em cima da mesa e seus dedos cruzados debaixo do seu queixo fornecendo-lhe apoio.

– Então por que está me encarando?

– Por nenhum motivo em especial. Gosto de apreciar a beleza. – será que ele só sabe sorrir?

Sorri sem graça. Nunca soube lidar muito bem com elogios.

– E então, o que acha daquele senhor ranzinza ali? – apontou para um homem de idade sentado sozinho em uma das mesas.

– Como assim? Está querendo me arranjar com ele? Sabe que eu tenho namorado. – sorri brincalhona.

– De maneira alguma! Eu sei da existência do tal namorado e, caso ele não existisse, não seria aquele senhor a pessoa que eu estaria tentando arranjar para você. – piscou para mim.

E é isso que eu ganho por ter a boca grande. Corei constrangida.

– Percebi que você gosta de traçar perfis das pessoas. É uma boa maneira de passar o tempo.

– Você é bem observador. – cerrei meus olhos.

– Não imagina o quanto. – e lá estava o sorriso galanteador outra vez.

– Viúvo. – falei na tentativa de desviar a atenção que recebia.

– O que disse?

– O senhor na outra mesa. Viúvo.

– Por que acha isso?

– Sei que não é certo rotular as pessoas desse jeito, mas é o que parece. Ele parece estar viajando em pensamentos, de vez em quando mexe no dedo anelar que contém a aliança e, principalmente, encara muito os casais a sua volta. Talvez seja uma viuvez recente.

Loke me olhava demonstrando surpresa.

– O que?

– O FBI está perdendo uma ótima detetive.

– Isso? – comecei a rir. – Qualquer um pode fazer. – apoiei meu rosto em minha mão direita. – Vamos lá, sua vez. – comecei a olhar ao redor em busca de alguém que me chamasse à atenção. – Aquela moça ali. – apontei uma garota aleatória que estava em um grupo de amigas.

– Fácil. – sorriu de orelha a orelha. – Percebeu que ela é o centro das atenções em meio às outras? – observei melhor e confirmei com a cabeça. – Eu diria que ela terminou com o namorado e as amigas estão dando uma força. – sorriu vitorioso.

– Fala sério, acabei facilitando as coisas pra você. – revirei os olhos.

– Já parou pra pensar que eu posso ser bom nisso? – arqueou uma sobrancelha.

Nada respondi.

– Vamos lá, você não vai morrer se me fizer um elogio. – começou a cutucar meu braço.

– Tudo bem, tudo bem. – respirei fundo. – Você pode ser bom nisso.

– Valeu – ele começou a rir. – Já vi que é o máximo que conseguirei de você.

– Pode ter certeza.

Meu celular começa a vibrar em cima da mesa e eu o atendo gesticulando o número um com o dedo indicador para Loke.

– Lu-chan?

– Levy-chan! Como ficaram as coisas?

– Acho que nos acertamos, mas com o Gajeel nunca dá pra ter certeza. Ele disse que vai me dar uma carona até o apartamento.

– Ótimo! Fico feliz por vocês. – sorri abertamente.

– Então você está oficialmente dispensada, pode ir pra casa.

– Na verdade eu ainda vou demorar um pouquinho. – falei meio sem graça. – Acabei encontrando um amigo e estamos lanchando juntos.

– Amigo? Que amigo? – isso soa bem Natsu para mim.

– Loke. – ele me fitou instantaneamente quando eu disse seu nome.

– O tal ruivo?

– Esse mesmo. – sorri. Ele agora me olhava de forma desconfiada.

– Então tudo bem. Juízo!

– Eu que devia te falar isso! – fingi estar ofendida. Baixinha cara de pau. Quem vê pensa que sou eu que estarei aos amassos daqui a uns vinte minutos ou menos.

– Até mais tarde Lu, e obrigada!

– Tudo bem. Não precisa agradecer, afinal pra que servem os amigos?

Desliguei a ligação e Loke não podia parecer mais curioso.

– O que? – perguntei como se nada tivesse acontecido.

– Então quer dizer que você já havia falado de mim para sua amiga? – sorriso galanteador volta a todo o vapor.

– Ela te conheceu na festa ok? Já pode parar de se achar.

– Que pena. – exagerou um suspiro. Sorri.

– Vamos comer alguma coisa? – eu estava morrendo de fome. Sem falar que eu havia dito para Levy que estava lanchando, coisa que até agora eu não fiz.

– Está me chamando para jantar Lucy? – o divertimento estava explícito em seus olhos.

– Na verdade não. Eu só acho que ia ser desconfortável se eu estivesse comendo na sua frente. Você provavelmente ia querer que eu dividisse meu lanche com você. – falei exalando sinceridade.

– Você é má.

– Sou nada.

– Ok, você venceu. Acho que podemos ser amigos Lucy.

– Isso quer dizer que você vai parar de dar em cima de mim? – sorri esperançosa.

– Não creio que isso vá acontecer, então acostume-se.

– Tudo bem, eu posso sobreviver.

Nunca pensei que me divertiria tanto passando um tempo com Loke. No final das contas ele é bem mais do que aquelas cantadas chulas e todo aquele charme exalado em horas inapropriadas. Lanchamos juntos, conversamos sobre coisas da universidade ou simplesmente falamos baboseiras sem sentido. Parecia que nos conhecíamos há anos. Lógico que ele não conseguiu deixar de me cantar algumas vezes, mas acho que até estranharia se ele não o fizesse. É o Loke afinal.

Ficamos conversando até o momento em que o shopping estava para fechar. O ruivo insistiu para me levar em casa, mas eu frisei umas mil vezes que aquilo não era um encontro e que ele não devia se sentir obrigado a isso, além do mais eu estava de carro e não fazia sentido algum aceitar sua carona.

Cheguei em casa muito cansada pelo dia agitado. O mais estranho de tudo é que não tive notícias de Natsu o dia todo, e quando resolvi ligar para ele novamente ouvi aquela vozinha irritante que fala que o celular está desligado ou fora da área de cobertura. Malditas vozes eletrônicas.

Com certeza deve ter acontecido alguma coisa. Ele não me deixaria sem notícias por tanto tempo assim.

Estava na sala deitada no sofá pronta para dormir – com o celular ao lado, lógico – quando vejo Levy chegar no apartamento toda saltitante. Como é bom ver minha amiga feliz.

– Viu o passarinho verde?

– Que susto Lu-chan! – ela coloca a mão no peito enquanto respira pesadamente. – Quer me matar do coração?

– Estava tão distraída assim?

– Você sabe que sim. – ela sorri. – Algum problema?

– Nenhum, estou apenas esperando uma ligação do Natsu. Ele sumiu o dia todo.

– Mas isso é normal, ele provavelmente deve estar muito ocupado.

– Eu sei. – dou um sorriso amarelo.

– Não vá dormir muito tarde ok? Amanhã é um novo dia. – fala a última parte cantarolando.

– Pode deixar! – gritei enquanto a via entrar em seu quarto e fechar a porta.

Olho para o meu relógio. São 23:45. Normalmente eu já estaria dormindo num horário desses já que ainda é dia de semana.

Suspiro derrotada.

– Ele deve ter uma boa desculpa. – falo para mim mesma.

...

Acordei cedo, porém cheia de olheiras. Não consegui dormir muito bem noite passada pensando no que pode ter acontecido com Natsu. Assim que acordei tentei ligar para ele novamente, mas, como da última vez, o celular continuava desligado.

Tomei um banho demorado, coloquei um vestidinho branco básico, sapatilhas cor nude e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo. Coloquei apenas um rímel preto nos olhos e um brilho labial. Não estava com fome, então saí de casa apenas pegando uma maçã e colocando-a na bolsa. Comeria mais tarde.

Não tenho aula hoje pela manhã, porém usarei meu tempo livre para ficar na biblioteca da universidade estudando ou simplesmente lendo algo que me distraia.

O prédio da biblioteca fica distante do que eu tenho aula. O local estava cheio de estudantes. Alguns aparentemente desesperados e devorando livros enquanto outros pareciam dormir em cima das mesas. Deixei minha bolsa dentro de um dos armários e fui em direção às estantes com livros. Procurei a seção de Psicologia e busquei alguns livros sobre aprendizagem. Quando já estava com alguns livros nas mãos olhei algo que me chamou a atenção.

A seção de Astronomia.

Parando pra pensar faz muito tempo que eu não me informo sobre o assunto. Sinto falta do tempo em que eu simplesmente podia parar e olhar para as estrelas por horas.

Nunca tinha visto tantos livros desta área na vida. Era como descobrir um novo mundo. Como eu posso nunca ter estado aqui antes? Escolhi um entre os vários livros ali presentes e o levei, junto com os que eu já havia separado, para uma das mesas individuais.

O livro era basicamente composto por figuras, afinal era uma obra para principiantes. Todas as constelações estavam ali e algumas curiosidades sobre elas também. Depois de um tempo folheando algumas páginas acabei encontrando um papel dobrado, provavelmente algo que foi esquecido por alguém que alugou o livro anteriormente. Não conseguindo conter minha curiosidade desdobrei o papel.

Numa primeira olhada notei a caligrafia, que não era inteligível, mas também não era o que eu poderia chamar de graciosa, mas me encantei ao ler o que estava escrito.

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Senti um frio na espinha. Era simplesmente um dos poemas mais bonitos que já li na vida. No final da folha havia apenas a letra “D” assinada e uma data, 09/05/14. Então o poema era bem recente! Isso apenas atiçou ainda mais a minha curiosidade. Fui até a última página do livro de astrologia onde estava o papel, que é onde normalmente se carimba a data da devolução do livro acompanhada do número de matrícula da pessoa que alugou. Tendo este número é possível descobrir o curso e o período do estudante, mas infelizmente não da para saber o nome. Mas a letra D já é uma boa dica não é mesmo? Sem falar que a caligrafia parece masculina...

Eu só preciso saber quem foi a pessoa que escreveu isso. Talvez ela esteja procurando este papel, quem sabe? Ou estou fazendo isso apenas para não morrer de curiosidade, o que é bem mais provável, confesso.

Guardei o papel com o poema dentro do meu caderno, peguei todos os livros e os levei até o balcão da bibliotecária para fazer a locação. Depois de muito insistir consegui que ela me desse as informações que eu queria sobre o estudante. A tal pessoa fazia o quarto período do curso de Astronomia, como eu já desconfiava. Para a minha sorte este curso é de período integral, então provavelmente eu encontraria alunos por lá nesse horário.

Fui andando até o prédio de Astronomia. Precisava andar um pouco para colocar as ideias no lugar e processar o que eu estava fazendo nesse momento. Correndo atrás de uma pessoa que eu não faço ideia de quem seja para entregar um papel que eu não tenho certeza se é mesmo dela.

– Lucy! – viro de vez ao ouvir meu nome.

– Oi Lisanna. – dou um sorriso simpático.

– Tudo bem?

– Tudo sim, e com você?

– Também. – ela sorri sem graça. Provavelmente notando que nosso assunto acabou por aqui. Talvez eu devesse me esforçar mais para que sejamos no mínimo colegas já que temos uma pessoa importante em comum.

Como se uma lâmpada acendesse em minha mente pensei numa próxima pergunta.

– Tem falado com o Natsu?

Ela me olhou de forma desconfiada.

– Tenho sim. Ontem mesmo ele me ligou e parecia muito cansado, mas pelo que tudo indica está adorando a viagem. – tive que me conter para não demonstrar minha surpresa. – Você não?

– Claro que sim. – tentei dar meu melhor sorriso. – Era só uma forma de tentar puxar assunto.

– Entendo. – ela sorriu. – Tenho que ir. Até outra hora Lucy.

– Até. – dou um aceno fraco com a mão direita.

Inacreditável. Como ele pode ter ligado para ela e não para mim? Ele se esqueceu de me ligar? Ou... Nem sei o que pensar. Nunca tinha ficado com tanta raiva de Natsu como agora. Ele sabe que eu sinto ciúmes da Lisanna, mas mesmo assim prefere ligar para ela ao invés de ligar para mim?

Respiro fundo na tentativa de espantar as lágrimas. Não posso deixar isso me afetar.

Natsu idiota!

Só tem uma forma de aliviar um pouco a minha raiva nesse momento.

Legal saber que você lembra das amigas, mas esquece que tem uma namorada. Passe bem.

Nada melhor do que um pequeno terrorismo psicológico através de uma mensagem de texto.

Respirando fundo continuo a minha caminhada. Encontrar a pessoa que é dona daquele poema vai ser a saída perfeita para que minha mente pare de imaginar um Natsu todo espancado e cheio de hematomas. O curso de Astronomia, ao contrário do meu, tem um prédio próprio. Mesmo que pequeno é bastante organizado e muito bem decorado. Nunca tinha entrado ali antes, então não fazia ideia do lugar para onde eu estava indo. Comecei a adentrar os corredores em busca da sala do quarto período. Aquele lugar mais parecia um labirinto!

Para minha sorte encontrei uma garota simpática que me situou em meio àquele caos. Eu estava indo na direção completamente errada, para variar. Dei meia volta e comecei a observar o local. Para a minha sorte a sala que eu procurava estava exatamente onde havia me sido explicado, no terceiro corredor à esquerda. E, melhor ainda, havia um rapaz em frente ao mural da turma e de costas para mim. Era a hora perfeita para pedir informações.

Nesse momento eu gelei. O que eu falaria afinal? “Oi, na sua sala tem alguém que escreva poemas e que tenha um nome que comece com a letra D?”. Ridículo! Eu simplesmente não posso fazer isso.

Fiquei um tempo ali, estática, imaginando o quão ingênua eu fui ao planejar tudo isso. O mais sensato a se fazer neste momento seria sair dali de fininho o mais rápido possível e guardar o poema como lembrança. Quem sabe um dia ele não faz sucesso a ponto de eu finalmente descobrir o seu autor? É uma possibilidade.

Me dou por vencida e viro em direção a porta de saída. Foi uma ideia estúpida afinal.

– Posso te ajudar? – uma voz masculina soou atrás de mim.

Merda! Por que eu tinha que ter demorado tanto tempo pra decidir ir embora?

Me viro lentamente com um sorriso sem graça no rosto. O rapaz que me encarava era muito bonito e de alguma forma familiar. Era o mesmo que estava de costas para mim alguns segundos atrás. Sua pele era morena, e seus cabelos e olhos num tom castanho claro. Certamente devia possuir um bom fã clube.

– Na verdade eu já estava de saída.

– Sério? Parecia meio perdida. – sorriu.

E que sorriso... Controle-se Lucy! Não é só porque você está com raiva do seu namorado que vai começar a dar bola para o primeiro cara bonito que aparecer na sua frente.

– Na verdade eu estava mesmo... – falei incerta.

Ótimo, agora pareço uma idiota.

– Nós já nos vimos antes? Você me parece familiar...

O fitei melhor por uns instantes. Posso ter parecido mais estranha ainda por ficar encarando-o por tanto tempo, mas a partir daí foi como se eu ouvisse um click em minha mente. A voz dele parecia ter engrossado, ele estava mais alto e mais bonito, mas aqueles olhos continuavam os mesmos... Não tinha dúvidas. Era ele

– Você é... – o interrompi.

– Dan? – meus olhos se encheram de lágrimas.

Notas finais
Então é isso queridos, o Natsu não apareceu nesse capítulo, mas aparecerá no próximo com todo o vapor! E o coitado terá que penar hahahaha. Por que será que ele não deu sinal de vida para a Lucy? E quem é esse Dan? Muitas perguntas! Serão respondidas no próximo capítulo, prometo! E antes que eu me esqueça, esse poema citado aqui é de Drummond de Andrade ok? Porém na fic eu o coloquei como sendo de autoria de outra pessoa >< . Nos vemos nos comentários? Por hoje é só guys. Até o próximo, beijocas! ♥