You And Me
39 E se...
Notas iniciais

– E se... -
– Você é... – o interrompi.
– Dan? – meus olhos se encheram de lágrimas.
Não consegui me conter, quando dei por mim já estava abraçando-o sem me importar em ser retribuída. Fechei meus olhos enquanto era invadida por memórias. Lembro-me de quando nos abraçávamos quando crianças, era bem diferente de agora. Dan não era mais aquela criança magricela e meio desengonçada. Agora ele é um homem, muito atraente por sinal. Daqueles que chamam a atenção por onde andam.
– Não acredito que te encontrei. – falou enquanto me abraçava de volta. Seu abraço também se tornou mais forte.
– Quem vê pensa que você estava me procurando. – sorri e nos separamos.
– E quem disse que eu não estava? – arqueou uma sobrancelha.
Fiquei sem graça e dei um empurrãozinho em seu ombro para disfarçar.
– Brincalhão como sempre, juro que se eu fosse uma garota bobinha teria caído nessa.
– Já você mudou bastante. – falou me olhando de cima a baixo. Não pude deixar de corar.
– Para de me olhar desse jeito. – falei desviando o olhar. – Qual o seu problema?
– Agora nenhum. – começou a rir. – Está muito bonita Lu.
– Você também deu uma melhoradinha. – falei como quem não quer nada.
– Vindo de você é um grande elogio. – sorriu de forma maliciosa.
– Está tentando me cantar? – semicerrei os olhos em desconfiança.
– De forma alguma. – levantou as mãos em forma de rendimento.
– Ótimo, porque eu tenho namorado. – cruzei os braços.
– Sério? – ele pareceu surpreso.
– É assim tão surpreendente? Poxa, muito obrigada.
– Não é isso, é que... Não, deixa pra lá. Tem planos pra hoje?
Deixe-me pensar... Além de fazer um terrorismo psicológico com meu namorado traidor, nenhum.
– Na verdade não.
– Ótimo, então vamos sair juntos. – e, antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele completou sua frase. – E sim, isso é uma convocação. Não aceito não como resposta.
– Ai de mim negar um pedido desses. – rimos juntos.
E, com tudo isso, acabei esquecendo de procurar pelo dono daquela bela poesia.
–--
Eu havia marcado com Dan em uma pizzaria famosa na cidade. Iríamos nos encontrar às oito da noite, um par de horas após o término das minhas aulas do dia. Eu estava ansiosa para saber o que ele fez durante todos esses anos e como havia acabado parando em Magnólia. Era muita coincidência – mesmo que eu não acredite muito nelas, para mim tudo está relacionado ao destino e aquilo que tem que acontecer acaba achando uma forma de se realizar, mesmo que seja a mais mirabolante ou improvável.
A verdade é que eu fiquei tão surpresa com meu reencontro que acabei me esquecendo do acontecido mais cedo. Eu sei que Lisanna não teve a intenção de me atingir falando aquilo tudo, mas acabou acontecendo. É irônico como eu reclamo dos ciúmes de Natsu e acabo fazendo coisas semelhantes, não é? Acho que se eu quiser que ele mude suas atitudes tenho que começar mudando as minhas, mas eu simplesmente não consigo.
Como forma de evitar problemas – lê-se eu mandar outra mensagem ameaçadora para Natsu no decorrer do dia – resolvi deixar meu celular desligado. Mandei uma mensagem para Levy dizendo que meu celular estava prestes a descarregar e informando o horário que chegaria em casa e em seguida mandei uma similar para Dan confirmando nossa ida à pizzaria e o horário. Pouco tempo depois já havia recebido respostas dos dois e então desliguei o aparelho. Era estranho passar o dia incomunicável, já que nos dias de hoje estamos tão acostumados a estar disponíveis o tempo todo, mas acho que me fará bem. Fiz um acordo comigo mesma, só vou ligar o celular novamente um pouco antes do horário de sair com Dan e não deixarei que isso interfira em minha noite.
Almocei na lanchonete da universidade e fiquei lendo o livro de astronomia até a hora em que meus amigos começaram a chegar em nossa sala de aula. Juvia, desde que se acertou com Gray há um tempo, está nas nuvens. Segundo ela o seu namoro está melhor do que nunca, pois seu Gray-sama finalmente a trata da forma como merece. Pensei em comentar algo com ela a respeito de Dan, mas, conhecendo a azulada como conheço, ela provavelmente me incentivaria a não ir para o “encontro” pois o Natsu provavelmente ficaria uma fera e blablabá. Sinceramente, não sei se isso tudo é porque ela gosta muito do Natsu ou se é porque para ela um homem e uma mulher sozinhos é igual a pegação. Me pergunto se ela teria ficado tão amiga do Yuri se soubesse que ele na verdade não era gay, mas se bem que nem o próprio Yuri sabia...
E quanto ao Yuri... Bem, eu estava me esforçando como disse que faria, mas ainda não estávamos cem por cento amigos, digamos assim, porém as coisas melhoraram quando descobri que ele estava ficando com uma garota do curso de Enfermagem. Ao que parece ele resolveu explorar um pouco do seu lado “hétero” para ver no que vai dar. Boa sorte para ele!
Estou sendo invadida por um enorme sentimento de nostalgia. Fazia muito tempo que não via meu amigo Dan e vê-lo novamente foi como trazer de volta velhas sensações, como se eu tivesse a oportunidade de confrontar quem sou agora e o que eu era antigamente. Tenho que confessar que sinto saudade de uns aspectos do meu antigo eu. Passar noites e mais noites sentada na sacada de minha casa apenas observando as estrelas e fixando suas posições em minha memória, o projeto de ajuda aos animais que eu e Dan normalmente frequentávamos e até as vezes em que virávamos a noite conversando no telefone e chegávamos na escola no dia seguinte com olheiras maiores que tudo nesse mundo. Bons tempos... Tudo isso me faz lembrar que eu nunca me engajei em nenhum projeto em Magnólia, talvez eu devesse tentar procurar algum em minha área, quem sabe. Só sei que preciso de algum.
Não consegui me concentrar em nenhuma de minhas aulas o dia inteiro e já são cinco da tarde. Normalmente, a esta altura do dia, meu caderno já estaria cheio de anotações e todos os meus textos já estariam marcados e rasurados, porém hoje é uma exceção. Olho para o meu celular de dois em dois minutos no anseio de ligá-lo e ter uma notícia do mundo lá fora, ou melhor, do Natsu, mas sempre acabo por me controlar. Pode parecer infantilidade da minha parte, mas no momento eu prefiro assim. Mas isso também não quer dizer que não haja uma parte de mim que está para arrancar seus cabelos de tanta curiosidade. Qual seria o motivo do sumiço? Só espero que não seja nada grave... Mas se fosse o caso ele não teria conseguido ligar para ninguém, não é mesmo? Mas ele foi bem capaz de ligar para a sua querida amiga e me deixar às escuras. Me pergunto o que ele faria se estivesse em meu lugar... Provavelmente apareceria na porta do meu quarto de hotel para pedir satisfações. Seria engraçado, admito. E melhor ainda é o que provavelmente aconteceria depois...
Fecho os olhos e respiro fundo. Esse período de abstinência realmente não está me fazendo bem.
Tento me concentrar no restante da aula, mas é praticamente impossível, então resolvo acabar com essa tortura de uma vez. Arrumo minhas coisas e saio da sala dando um leve aceno para os meus amigos, que me olham interrogativamente. Tudo bem, invento um desculpa depois.
Nesses momentos a única coisa que me acalma é comer algo bem calórico e, de preferência, doce, ou melhor, chocolate. Como uma tábua de salvação, lembro que Levy havia comprado duas barras de chocolate branco na última vez em que foi ao supermercado. Espero que elas ainda existam!
Sabe, existem as vantagens em morar com uma amiga chocólatra – quando você não está de dieta, é claro. Ao abrir a geladeira de casa me deparo não só com as barras de chocolate, que por sinal agora é apenas uma e meia, mas também com um belo e sedutor suflê de chocolate que parecia clamar por mim. Pego uma vasilha grande de vidro e me sirvo de uma generosa porção do doce, e, logicamente, ainda pego uma metade da barra de chocolate. E agora, para ficar tudo ainda melhor, coloco o meu filme de romance preferido no aparelho de DVD e dou o play. Era tudo o que eu precisava nesse momento.
...
– Ei, o que deu em você hoje?
Minha amiga de infância mal chega em casa e já inicia seu interrogatório peculiar. Não consigo esconder nada de você, baixinha?
– Do que está falando? – se fazer de desentendida é sempre a melhor saída.
– Qual é Lucy? Seu celular passa a madrugada toda plugado na tomada, você não vive sem ele e agora vem me dizer que ele está descarregando no início do dia? Sei que você tem mil carregadores reservas dentro da bolsa. – cruzou os braços e me encarou de pé. – Pode ir se explicando.
Reviro meus olhos. Essa garota realmente me conhece.
– Tem a ver com Natsu não é?
– Posso falar do meu dia primeiro? – a olhei interrogativamente e ela me devolveu um olhar encorajador. – Primeiramente eu fui até a biblioteca e achei um poema lindo dentro de um livro, depois procurei informações e fui no prédio de astronomia, atrás da última pessoa que o havia locado para descobrir quem era o poeta, aí no caminho encontrei com a Lisanna e ela disse que o Natsu havia ligado para ela ontem. – os olhos da azulada dobraram de tamanho e ela fez sinal de que iria me interromper, porém levantei a mão pedindo para continuar meu monólogo. – e, por fim, quando estava no prédio procurando o tal do poeta, dou de cara com ninguém mais ninguém menos do que o Dan.
Confesso que foi engraçada a cara de espanto que a McGarden fazia nesse momento.
– Eu sei, é muita informação. – dou de ombros.
– Calma, vamos pelo início. Então quer dizer que o idiota do Natsu não te ligou, mas ligou pra a Lisanna? – confirmei com a cabeça. – E foi por isso que você desligou seu celular. – deduziu e eu confirmei novamente. – Que panaca! Eu vou matar o Natsu!
– Isso se eu não o matar primeiro. – dou um suspiro.
– Mas calma! O Dan de quem você falou é aquele Dan?
– O próprio.
– Não acredito! – ela sentou ao meu lado. Provavelmente tentando processar tanta informação.
– E nós vamos sair hoje.
– Sério? Vão pra onde? E como ele está? Meu Deus, faz tanto tempo... Eu sempre imaginei que você fossem ficar juntos, mas aí ele foi embora e – a interrompi.
– Não viaja Levy, agora eu namoro o Natsu e, no momento, querendo ou não, eu amo esse idiota. Eu e o Dan juntos somos história velha, não há possibilidade alguma de isso acontecer.
– Mas você não sentiu nada quando o reencontrou?
– Nostalgia e muita surpresa. Sem falar que ele está um gato.
– Se eu não fosse comprometida...
A dou um empurrãozinho.
– Levy! Deixa só o Gajeel ouvir uma coisa dessas.
– Gajeel? Deixa só o Natsu saber da existência do Dan. Com certeza ele vai ficar possesso.
– Nem me fale... Mas no momento eu não estou me importando muito. – dou de ombros. Não quero sofrer de véspera.
– E você e o Dan vão pra onde? – me perguntou animada.
Ficamos uns bons minutos conversando a respeito. Levy exigiu saber dos mínimos detalhes, até da roupa que Dan estava usando e de como ela ressaltava seus músculos – tudo bem, confesso que essa última parte eu que não pude deixar de contar. Quando dei por mim já eram sete da noite, então eu tinha que correr para me arrumar.
Depois de um bom banho me arrumei de forma simples. Coloquei um vestido de alças finas tom nude que era preso até a cintura e soltinho em baixo, uma sapatilha branca e deixei meu cabelo solto com alguns cachos nas pontas. Não quis exagerar muito na maquiagem, mas também não podia ir de cara lavada, então optei pelo bom e velho time composto por rímel, batom básico, delineador e blush.
Olhei para o meu celular e ele parecia clamar por mim, mas tudo bem, já estava na hora de ligá-lo de qualquer forma. Sento-me em minha cama e ligo o aparelho, que após ligado começa a apitar loucamente avisando que há chamadas não atendidas e algumas mensagens. Me espanto ao ver que são 23 ligações não atendidas, sendo 21 do Natsu, uma de Juvia e outra do Dan. Sem falar nas 7 mensagens, todas do rosado. O engraçado é que todas elas diziam praticamente a mesma coisa,
Cadê você?!
É bom ficar às cegas não acha Dragneel? Experimentar do próprio veneno às vezes faz bem...
Fecho meus olhos, respiro pesadamente e resolvo que está na hora de acabar com essa brincadeira. Procuro o número do rosado nos meus contatos favoritos e toco em ligar. Mal chama duas vezes e ele atende a ligação.
– Lucy!
– Oi Natsu.
– Onde você estava?! Por que não atendeu minhas ligações?!
Tento me controlar para não explodir em cima dele, mas não consigo. Que cara de pau!
– Onde você estava ontem Natsu? Eu te liguei mil vezes e nada de você atender.
– E aí você resolveu desligar seu celular pra se vingar?! – ele parecia incrédulo – Tem noção do quanto eu fiquei preocupado com você? Liguei para a Levy, mas ela disse que vocês não estavam juntas e a Juvia também não atendia o celular! Eu quase peguei um voo direto para Magnólia hoje mesmo.
Nada respondi, afinal era a mais pura verdade. Meus olhos se encheram de água.
Não, não posso chorar.
– Natsu, como você se sentiria se eu estivesse longe e, ao invés de te ligar, ligasse para o Yuri?
A ligação ficou muda por uns instantes.
– Então você falou com a Lis. – era uma constatação.
– Sim, eu falei com a Lis. Não vai dizer o que fez o dia todo ontem que não podia parar um segundo pra ligar para a sua namorada e dizer que ainda estava vivo? Ao contrário de você eu não tinha para quem ligar e ter informações suas.
– Lucy, me desculpa. Eu fui para uma cidade vizinha com uns sócios da empresa e meu celular acabou descarregando. Você sabe como eu sou péssimo para gravar números, eu não sabia o seu de cor, mas o da Lis...
– E você não podia pedir pra ela me avisar?! A gente estuda na mesma universidade, sabia? – falei em tom irônico.
– Desculpa, eu não tinha muito tempo. Liguei pra ela pra pedir algumas informações sobre um dos casos que ela assistiu e... – sua voz foi morrendo.
– Tudo bem. – falei lutando contra minhas lágrimas. – Muito legal ver quanta importância você dá pra mim. A gente se fala depois.
– Não Lucy, não. – ele soava alterado e diria que até um pouco desesperado. – Por favor, não fica chateada comigo. Eu vacilei, mas foi só porque eu tava cheio de coisas jurídicas na cabeça e não conseguia raciocinar direito. Por favor, me perdoa. Você tá certa, eu ia odiar se estivesse no seu lugar, mas, por favor, não fica chateada comigo. Você é uma das pessoas mais importantes da minha vida! Eu te amo.
– A gente pode se falar amanhã? Eu não estou no meu melhor momento agora e, também, estou atrasada. – uma lágrima solitária escorreu pelos meus olhos.
– Atrasada? Vai pra onde? – e o Natsu estressado estava de volta.
Ponderei por um momento. Falar a verdade ou inventar uma desculpa? Eu odiaria que ele mentisse para mim, então...
– Com um amigo. Te explico depois.
Pude ouvir Natsu suspirando do outro lado da linha. Provavelmente deve estar em um conflito interno consigo mesmo.
– Ok. Me conta amanhã?
– Ok.
– Te amo.
– Também.
– Muito.
– Também.
– Muito, muito.
– Natsu. – não pude deixar de rir. – Me deixa desligar.
– Só depois que você me disser o que eu quero ouvir, e com todas as letras.
– Eu te amo. Satisfeito?
– Bastante
– Mas ainda estou chateada com você. – bufei.
– Tudo bem, eu conheço uma boa forma de lidar com isso depois. Faltam poucos dias pra a gente matar a saudade. – falou a última parte de forma sussurrada. Senti um arrepio correr pela minha espinha.
– Palhaço. Tenho que ir.
– Tudo bem. Boa noite amor.
– Boa noite.
Desliguei a chamada. Como pode uma única ligação ser intensa em tantos sentidos?
Olho novamente para o meu celular e me espanto ao ver que horas são. Estou realmente atrasada, espero que Dan não tenha desistido.
Pego minha bolsa, chaves e saio de casa lançando um beijo para Levy, que estava na sala assistindo TV e terminando com a outra barra de chocolate, mas, logicamente, não pôde deixar de me lançar um sorriso malicioso antes que eu desaparecesse porta a fora.
Dirijo rapidamente e, quando chego à pizzaria, mantenho um sorriso envergonhado no rosto. Dan estava sozinho em uma mesa, a minha espera, brincando de rodar seu celular com uma das mãos, mas, felizmente, sorriu ao me ver.
– Estava começando a achar que ia levar um bolo. – levantou de sua cadeira para me cumprimentar.
– Mil perdões. – beijei sua bochecha. – Acabei tendo um imprevisto.
– Com o namorado? – perguntou como quem não quer nada enquanto se sentava.
– Mais ou menos. – voltei a sorrir envergonhada.
– Ele não queria que você viesse?
Talvez se ele soubesse que eu iria sair com você não iria aceitar de forma alguma, mas não creio que isto iria me impedir.
– Não foi bem isso, longa história. – suspirei. A última coisa que eu quero nesse momento é falar detalhes sobre meu relacionamento com Natsu para Dan – Mas vamos falar de outra coisa. Como foi a sua vida ao longo desses sete anos? É uma coisa que eu sempre quis saber.
– Bem normal na verdade. – falou de forma rápida.
– Como veio parar aqui em Magnólia? – era impossível conter minha curiosidade.
– A UFL tem o melhor curso de Astronomia da região e, com sorte, acabei conseguindo passar no vestibular. Não podia perder a oportunidade.
– Tenho certeza de que não foi por sorte. Você, apesar de todos aqueles momentos de bagunça, sempre foi um ótimo aluno.
– Obrigado. – sorriu convencido. – E a Levy, vocês ainda são melhores amigas?
– Claro que sim! E ela está ótima. Nós moramos juntas, você deveria passar lá em casa qualquer dia desses. – sorri amigavelmente.
– Com certeza o farei. – abriu um belo sorriso em resposta. – Você ainda mantém contato com os outros?
– Bem, a Yukino e o Rogue continuam em Hargeon e o Sting... Está aqui em Magnólia também.
– Sério? Temos que marcar de fazer alguma coisa juntos!
– Com certeza. – sorri sem graça.
O moreno me olhou de forma desconfiada.
– Algum problema?
– Nenhum. É que... Eu namorei o Sting um tempo atrás e não voltamos a ser como antes depois do término, sabe?
– Nossa. – ele parecia realmente surpreso. – Ele foi seu primeiro namorado? – confirmei com a cabeça e pude jurar ter ouvido alguns resmungos. – Quem diria...
– Não é? – sorri amarelo. – Mas isso não impede que nos juntemos para sair. Também vai ser uma ótima oportunidade para você conhecer meu namorado Natsu.
Consigo até imaginar o rosado tendo um infarto ao me imaginar no mesmo local que meu ex namorado e meu primeiro amor. Com certeza ele fará questão de ir junto, mas pelo menos Levy estará por perto. Esse pensamento me faz rir.
– Realmente.
– Mas me fala sobre você. Tem namorada?
– No momento não, só alguns casos passageiros.
– Dan, o garanhão. – começo a rir.
– Eu tenho meus momentos. – me lança um sorriso sedutor.
– Imagino.
Ficamos conversando por um bom tempo. Pedimos nossa pizza e nos empanturramos de tanto comer. Foi impossível não reviver alguns momentos cômicos que passamos juntos, que não foram poucos, confesso. Digamos que, quando crianças, tínhamos a mania de não ficar quietos e incomodar um pouco minha vizinhança. Nós realmente não éramos flor que se cheirasse.
– Lembra quando nós ligamos para a casa do Sra Roberts fingindo que era da lavanderia?
– Se lembro?! Nós fizemos a pobre coitada achar que todas as suas roupas de grife estavam perdidas. O que eu não daria para poder ver a cara que ela fez naquele momento?! – gargalhamos juntos.
– Nós realmente aprontávamos bastante não é mesmo?
– Bastante, mas, também, éramos apenas crianças.
– Eu senti muito a sua falta depois que fui embora. Não tem noção do quanto. Não dava pra olhar para uma estrela no céu e não lembrar de você.
Fiquei sem graça.
– Ainda consegue lembrar da posição delas? – o olhei com certas dúvidas.
– E tem como esquecer? Todos os dias eu ouvia você falar daquilo, – voltamos a rir juntos – sem falar que eu não me esqueci de nada que estivesse relacionado a você. – sorriu de forma carinhosa – Sinto muito por termos perdido contato, eu realmente não queria que isso tivesse acontecido depois da mudança, mas... – sua voz foi morrendo aos poucos.
– Mas? – Ele estava desconfortável. O assunto realmente me interessou.
Dan me olhou de forma inquieta, como se estivesse ponderando algo.
– Meu pai mandou que eu não o fizesse. – falou sem me olhar nos olhos.
– Seu pai? Mas por quê? – não fazia sentido algum.
Ele passou as mãos pelos cabelos demonstrando seu nervosismo.
– Eu realmente não queria começar de novo com você já com todo esse clima tenso.
– Dan... – chamei sua atenção. Eu queria muito saber.
– Você sabe por que minha família teve que ir embora de repente?
– Porque seu pai foi transferido... – falei a última palavra lentamente.
E, de repente, tudo começava a fazer sentido. Mas será que...?
– Seu pai usou suas influências com o banco para transferir o meu.
E era tudo o que eu não queria ouvir.
– Como? Por quê?
– Não faz ideia? – me olhou interrogativamente. – Nós dois estávamos muito próximos Lu, diria até que... – suas bochechas deram uma leve corada – Você sabe tão bem quanto eu. – desviou o olhar por uns instantes. – Seu pai é um homem rico e poderoso, não queria sua filha tendo um possível relacionamento com um simples filho de gerente de banco.
Não consegui responder. Agora tudo fazia sentido. A família de Dan teve que se afastar por minha causa!
– Me perdoe, Dan. Eu não tinha ideia. Juro que se eu soubesse, eu... – coloquei minhas mãos em minha cabeça tentando processar todas essas informações.
– Não precisa se desculpar. – puxou meu braço para que eu o fitasse. – Meu pai acabou sendo promovido depois que nos mudamos, a mudança para ele e minha mãe foi realmente muito boa. A única parte ruim foi ter que ficar longe de você. – corei instantaneamente. – E do restante do pessoal, é claro.
– Eu nunca soube de nada disso.
– Não tem mais importância. Nós estamos aqui agora não é mesmo? Nem eu e nem ninguém da minha família guarda rancor em relação à sua. – deu um sorriso motivador.
– Sim. – sorri de volta. – Mas me pergunto como seria se nada disso tivesse acontecido...
– Bem, provavelmente nós dois teríamos começado algo um tempo depois, você nunca teria namorado o Sting e nós estaríamos juntos até hoje. – falou sem rodeios.
Como não corar numa hora dessas?
– Quem sabe? – sorri sem graça. – Mas tenho que falar com meu pai, ele não pode manipular a vida das pessoas desse jeito.
– Lu, esquece, já passou. Isso faz sete anos. Tem alguns assuntos que ficam bem melhor quando adormecidos, acredite.
Ponderei por um momento. Eu realmente estou muito bem com meu pai ultimamente e não queria estragar nossa relação, mas tenho que perguntar para minha mãe e checar se ela sabia de algo.
– Tudo bem.
Olhei para meu celular e vi as horas. Já eram quase onze da noite.
– Céus, o tempo voou! – Dan conferiu seu relógio. – Tenho que ir agora.
– Nossa, tem razão. Eu tenho aula amanhã cedo. – sorriu tristemente.
– Nós podemos marcar de novo, sabe? Não vamos perder o contato de novo.
– É isso que eu espero. Se eu soubesse que você estava em Magnólia já teria lhe procurado há muito tempo loirinha.
– Eu também.
– Eu te ligo pra a gente marcar alguma coisa, pode ser?
– Claro!
– Ei, Lu. – chamou minha atenção assim que me virei.
– Sim?
– Não esquece, vamos manter o contato! – piscou para mim e seguiu seu rumo.
E, depois de um dia tão atordoado, eu me via pensativa. E se meu pai não tivesse interferido na minha vida como acabou fazendo? E se eu tivesse ficado com Dan? Estaríamos juntos até hoje? Nós nos amaríamos? E Natsu, como ficaria nessa história toda?
Essas são respostas que eu nunca terei, mas o engraçado é que não me sinto mal por isso. Eu amo Natsu, afinal. Mas não posso negar que Dan, de uma certa forma, também mexe comigo e eu não sei explicar o por que. Ele certamente foi muito importante pra mim no passado e continua sendo hoje em dia, mas, de forma diferente, eu diria. Porém ele é o único que leva e vai levar pra sempre o título de meu primeiro amor.
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