You And Me
6 Sing Club
Notas iniciais
– Sing Club -
Já faz uns dias desde que eu e Natsu nos falamos pela última vez. Ele disse que ia me ligar e até agora nada. Mas calma, eu não vou ligar pra ele de modo algum, eu ia parecer oferecida e desesperada e não quero ser nada disso, então resolvi esperar. Acho que ele é só mais um desses caras que foge de compromisso assim como o diabo foge da cruz. Provavelmente me diria que não estava preparado para um relacionamento e blabl. Já sabia esse discurso de cor, ele iria afirmar não estar pronto. Homens. Mas minha vida tem que continuar normalmente, afinal a gente nem se conhece tanto assim, não é possível que a ausência dele mude tanto assim minha rotina e meu humor. Pelo menos é o que eu espero.
Estou na sala de aula. Juvia está sentada ao meu lado esquerdo e Yuri esta na cadeira que fica atrás da minha. Todos nós estamos prestando atenção na aula de Sociologia, a professora está falando sobre capitalismo, que é um assunto que sempre me fascinou. A aula passa voando e quando dou por mim já é hora de ir para casa. Combinei com Juvia de chamarmos as meninas e irmos ao Karaokê hoje à noite, estou precisando mesmo de uma distração. Infelizmente Yuri já tinha planos então não poderia ir com a gente. Despeço-me de meus amigos e sigo rumo ao estacionamento.
Chegando em casa me deparo logo com uma cena inesperada. Levy e Gajeel se agarrando no sofá. Assim que me viram os dois se separaram bruscamente e coraram feito loucos. Não consegui conter meu riso.
– Espero não estar atrapalhando nada – falei com ironia.
– Que isso Lu-chan, você nunca atrapalha – Levy falou com um sorriso amarelo, tenho certeza que por dentro ela estava me xingando por ter cortado o clima do casal.
– E ai loirinha? – disse Gajeel enquanto tentava se recompor.
– Oi – sorri gentilmente para ele, que sorriu de volta. Naquele exato momento pensei em aproveitar a oportunidade e perguntar se ele tinha notícias do Natsu. Mas é claro que ele tinha, afinal são amigos. Segurei minha vontade, coloquei minhas coisas em cima do sofá e fui para a cozinha fazer um sanduíche.
– Então Levy-chan – falei chamando a atenção da azuladinha – Não esqueça que hoje iremos ao karaokê – dei uma piscada pra ela – Você não gostaria de ir também Gajeel?—sorri maliciosamente olhando para Levy, que corou.
– Ah, parece divertido. Eu amo cantar. – de repente os olhos do moreno brilharam de tal forma que eu percebi que ele não estava falando aquilo só por falar.
– Então a gente se encontra lá as sete? – Levy perguntou ao rapaz que assentiu com a cabeça, sorriu e lhe deu um beijo, dizendo que tinha que ir.
– Até mais tarde então – ele disse enquanto saia e novamente beijava Levy – Tchau Lucy – e acenou pra mim. Repeti o gesto e lhe mandei um sorriso. Ele já havia saído, então poderia finalmente conversar com a baixinha a sós.
– Fiz bem em ter tocado no assunto na frente dele? – perguntei meio desconfiada.
– Claro, por que não? Eu já tinha até esquecido do nosso programinha de hoje – ela riu docemente. Fiquei aliviada, não sabia se tinha sido inconveniente, mas agora sabia que estava tudo certo.
– Mas você sabe o que vai acontecer agora que você o chamou não é? – a azulada me perguntou e eu fiz uma cara de quem realmente não sabia a resposta. – Ele vai chamar os amigos dele. Ou você acha que ele ia gostar de ficar sozinho conosco ouvindo nosso papinho de mulher? – ela sorriu de novo. – E se ele vai chamar os amigos com certeza chamará o... – ela olhou pra mim como se quisesse que eu completasse a frase.
– Natsu – falei sem expressar sentimento algum. Estava magoada pelo fato dele estar me dando um gelo e não queria que ele pensasse que eu chamei Gajeel com o intuito de encontrar com ele. Espantei esse pensamento e fui para o meu quarto, resolvi que dormiria a tarde inteira pra parar de pensar besteira e só acordaria na hora de me arrumar para sair.
Meu despertador tocou indicando que já eram 17:30, era hora de me arrumar e eu queria estar irresistível. Parti para o banheiro, tomei um banho demorado e relaxante, fui para o meu quarto e revirei meu guarda-roupa a procura da peça perfeita. Optei por usar um short preto meio curto com uma blusa estampada meio transparente e uma delicada sandália prateada. Arrumei meu cabelo num coque deixando alguns fios soltos nas laterais, mas acabei por achar melhor deixa-lo solto e fiz uma make bem leve. Ao sair do quarto me deparo com uma Levy já arrumada. Ela usava um vestidinho branco, que contrastava muito bem com seus cabelos azuis presos num rabo de cavalo, e uma sapatilha num tom verde água. Ela estava parecendo um anjinho.
– Kawaii Levy-chan – falei com os olhinhos brilhando.
– E você está de tirar o fôlego com essas pernas de fora – me lançou um olhar pervertido que me fez rir.
Saímos em direção ao térreo onde encontraríamos as meninas. Quando descemos elas já estavam no carro nos esperando. Erza dirigia e a seu lado estava Juvia. No banco de trás estava Kana, uma morena de lindos cabelos castanhos que estudava com Erza. Eu e Levy rapidamente entramos no carro e fomos todas em direção à diversão da noite.
Erza parou o carro bem em frente ao prédio onde havia o nome Sing Club escrito em letras neon que piscavam. O prédio era bem grande e nós havíamos reservado uma das melhores mesas para aproveitar a noite. Sentamos e fizemos nossos pedidos, que não demoraram a chegar, já que eram basicamente apenas bebidas. Kana bebia como se não houvesse amanhã, aparentemente ela estava acostumada com isso, mas não deixava de ser uma ótima companhia.
Resolvemos então que cada uma iria lá em cima cantar uma música, mas não podia simplesmente cantar, tinha ainda que causar, como disse Kana, que por sinal foi a primeira a se levantar e ir em direção ao palco com uma garrafa de cerveja na mão. Ela começou a dançar sensualmente enquanto cantava a música Toxic, da Britney Spears, que por si só já é bem sensual, mas Kana fazia questão de torná-la mais ainda. Todos os homens do recinto iam à loucura com o jeito como a morena rebolava e cantava. Quando olhei para Levy reparei que ela estava com um sorriso gigantesco olhando em direção à porta e, já suspeitando o que seria, resolvi olhar também e me arrependi por ter virado. Passando pela porta e vindo em nossa direção estavam Gajeel, Gray, Jellal, Natsu, que me olhava de um jeito que parecia que não sabia que eu estaria ali, e um homem alto e loiro que tinha uma cicatriz no olho (muito bonito por sinal). Acho que se o rosado soubesse da minha presença talvez não tivesse vindo, isso me entristeceu. Os rapazes se sentaram conosco e todos foram devidamente apresentados. O rapaz alto e loiro se chamava Laxus, estudava com Natsu. Levantei-me dizendo que ia ao banheiro e as meninas me seguiram, exceto por Kana, que ainda rebolava em cima do palco.
Natsu POV on
Quase não acreditei quando entrei e vi que as meninas estavam ali. Gajeel apenas me convidou, não falou nada sobre a presença delas. Acho que ele sabia que eu não viria se ele contasse a verdade. Lucy estava sentada junto às outras, e como ela estava linda. Ela me olhou, mas não por muito tempo, rapidamente desviou o olhar. Aparentemente ela ficou magoada com o meu sumiço, o que já era de se esperar. Percebi que ela olhava para Laxus com uma certa curiosidade, aquilo me fez ficar irritado. Ela ficou interessada nele?
Sentamos-nos junto às garotas e os casais sentaram próximos um do outro. Lucy estava sentada com Levy de um lado e Juvia do outro, entre dois casais. Provavelmente elas já sabiam do gelo que eu estava dando em sua amiga e só queriam mantê-la longe de mim. Longe de mim... estranho como isso me agonia de uma certa forma. Apresentei Laxus a todas, que sorriram gentilmente para ele, inclusive ela, que de repente se levantou dizendo que iria ao banheiro e suas amigas a acompanharam.
– Só eu senti um clima tenso entre o Natsu e a Lucy? – Gajeel perguntou com um tom de ironia em sua voz. Todos me olharam esperando uma resposta. Dei de ombros, não queria discutir o assunto ali. Ficamos simplesmente olhando uma garota morena, muito bonita por sinal, que dançava e cantava uma música da Britney Spears.
Natsu POV off
– Muito estranho – Levy falava pensativa. – Você e o Natsu realmente não se falam mais não é Lu-chan?
– Bem, ele que quis sumir da minha vida. Só estou querendo agora que tudo volte ao normal – respondi normalmente. Todas olharam umas para as outras, como se não acreditassem no que eu estava falando.
– Juvia acha que Natsu-san deve ter medo de compromisso, por isso está agindo como um completo idiota – todas riram e eu assenti com a cabeça.
– Eu também acho que deve ser isso – falei meio desanimada.
– Então Lucy, nada mais justo do que você mostrar pra ele que está muito bem. Já sei até o que você vai fazer – Erza disse com um olhar maléfico e um sorriso que indicava que ela estava tramando algo.
O plano foi discutido e o objetivo principal era seduzir Natsu, mas sem mostrar que ele era realmente o meu alvo. Eu deveria cantar uma música e dançar o mais sensualmente possível, me insinuando para todos os homens do estabelecimento, ou quase todos. E eu já sabia exatamente a música que iria cantar.
Assim que nos sentamos, com Kana já sentada junto aos rapazes, percebi que Natsu me olhava. Olhei de volta, sorri e virei para conversar com Juvia. Agi normalmente, como se ele fosse qualquer pessoa.
– Vai lá Lu-chan, acho que agora é sua vez – Levy disse piscando o olho discretamente para mim. Sorri para ela e me levantei indo em direção ao palco.
– Arrasa Lucy-chan! – Juvia gritou me incentivando, sorri tímida pra ela, que sorriu de volta alegremente.
Rapidamente achei no catálogo a música que eu havia decidido cantar, peguei o microfone e me posicionei ao centro do palco. Vi que todos me observavam e muitos homens já me olhavam com desejo, assobiavam e gritavam elogios. Olhei de canto de olho para a mesa de meus amigos e vi que Natsu parecia incomodado com algo. Sorri. A música começou a tocar e eu comecei a cantar
When you ready come and get it
Na na na, na na na, na na na
When you ready come and get it
Na na na, na na na, na na na
When you rea-a-a-ady
When you rea-a-a-ady
When you ready come and get it
Na na na, na na na, na na na
Comecei a dançar sensualmente, passando a mão livre por meus cabelos, cintura e pernas. Tentei fazer tudo do modo mais ousado que podia e acho que estava conseguindo, pois muitos dos homens me aplaudiam, gritavam, assobiavam, pareciam estar indo à loucura com meus gestos.
You ain't gotta worry it's an open invitation
I'll be sittin' right here real patient
All day all night I'll be waitin' standby
Can't stop because I love it
Hate the way I love you
All day all night
Maybe I'm addicted for life, no lie
I'm not too shy to show I love you
I got no regrets
I love you much too, much to hide you
This love ain't finished yet
This love ain't finished yet
So baby whenever you're ready
Olhei em direção à mesa dos meus amigos e vi as meninas com um sorriso no rosto, acho que eu estava mesmo fazendo aquilo direito. Depois eu olhei para Natsu, que mordia o lábio inferior, me olhava com desejo e só desviava a atenção de mim para saber quem eram os homens que me idolatravam fervorosamente e lhes lançar um olhar ameaçador. Aquilo me fez dançar com ainda mais gosto.
This love will be the death of me
But I know I'll die happily
I'll know, I'll know, I'll know
Because you love me so
Yeah
When you ready come and get it
Na na na, na na na, na na na
When you ready come and get it
Na na na, na na na, na na na
When you rea-a-a-ady
When you rea-a-a-ady
When you ready come and get it
Na na na, na na na, na na na
Quando terminei meu show já estava ofegante e vários levantaram de suas cadeiras para me aplaudir de pé. Fiquei lisonjeada, sorri para todos e desci do palco indo em direção à mesa dos meus amigos.
– Amiga, você arrasou – dizia Kana enquanto bebia e ria loucamente.
– Obrigada – falei meio sem graça e ainda ofegante enquanto voltava a sentar em meu lugar. De repente sinto alguém tocar em meu ombro e viro para ver quem era.
– Lucy, posso falar com você rapidinho? – Natsu perguntou, fazendo meus músculos travarem. Nem vi a hora em que ele saiu de seu lugar. Eu assenti com a cabeça e fomos até a entrada do estabelecimento.
– O que deu em você? – ele perguntou parecendo não estar entendendo nada.
– Como assim? Eu só estava me divertindo – falei normalmente.
– Daquele jeito? – falou irônico.
– Sim – respondi – E o que você tem a ver com isso? – perguntei friamente. Ele ficou encarando o chão por alguns instantes, passava as mãos pelos cabelos repetidas vezes, aparentemente não sabia o que responder.
– Lucy, eu só não quero nada sério agora, entende? Você mexe comigo de um jeito que eu nem sei explicar, mas não acho que eu esteja preparado pra esse tipo de coisa nesse momento. – disse meio sem graça. COMO SE EU JÁ NÃO DESCONFIASSE DISSO! Não sei se fico feliz por saber que mexo com ele ou triste por ele ter chamado nosso possível relacionamento de coisa. Sou dramática, eu sei.
– Tudo bem Natsu, você não me deve satisfações – fiz uma pausa – Assim como eu também não lhe devo nenhuma.
Ele me fitou por um tempo, não sei dizer o que se passava pela cabeça dele naquele momento, suas feições eram indecifráveis. Até que ele pareceu acordar de um devaneio.
– Bem, agora eu vou entrar, as meninas devem estar se perguntando o porquê de toda essa demora – sorri amarelo tentando disfarçar meus reais sentimentos. Entrei e fui em direção ao banheiro.
Eu sabia! Ele é só mais um idiota que só quer saber de galinhar. Calma Lucy, não vai chorar aqui pelo amor de Deus! Tudo bem vou pra casa, essa noite já deu o que tinha que dar. NÃO! O que eu penso que estou fazendo? Se eu for pra casa agora vai ficar na cara que o que ele disse me abalou. Não quero parecer fraca. Voltei para a mesa e sentei no meu lugar. Natsu já estava de volta em seu lugar com uma cara de poucos amigos.
O resto da noite foi bem divertido, me fez esquecer um pouco as idiotices que o rosado havia me contado. Todas as meninas foram até o palco cantar alguma música. Gray quase sai na porrada com um carinha que se aproximou de mais de Juvia quando ela descia do palco. Todos nós rimos da atitude do moreno, que foi impedido de fazer uma besteira por Gajeel, que o segurava fortemente.
Natsu permaneceu calado quase o tempo todo. Às vezes ria de uma coisa ou outra e de vez em quando o pegava me encarando. Mas quando percebia que eu o olhava de volta rapidamente ele desviava o olhar.
Já estava ficando tarde e eu estava cansada, então resolvi que era hora de ir para casa.
– Minna, eu já vou indo. Estou muito cansada. – falei enquanto me levantava. Levy disse que iria comigo, mas eu percebi que ela ainda não queria ir embora, então disse que não precisava e depois de um bom tempo debatendo a azulada concordou em ficar.
– Eu te deixo em casa, também já estava querendo ir embora – falou Natsu.
– Não precisa, eu pego um táxi. Mas obrigada pela gentileza. – falei tentando parecer normal. Ele tentou insistir, mas eu disse que não precisava, a última coisa que eu queria nesse momento era ficar sozinha com Natsu. Acenei para todos e fui embora.
Fiquei um bom tempo na rua e nenhum táxi se dignava a aparecer. Aquilo já estava me irritando. Será que eu teria que ir a pé pra casa? Nunca, isso está fora de cogitação. Já estava decidida a voltar para o Sing Club quando vejo o rosado andando em minha direção.
– Então você não conseguiu um táxi? – ele sorriu. Lógico que não. Ele acha que se eu tivesse conseguido estaria ainda aqui no meio da rua?
– É o que parece – falei olhando para a rua ainda procurando por um táxi enquanto andava.
– Vamos lá, eu te deixo em casa.
– Não precisa, eu vou ficar lá com o pessoal por mais um tempo e voltar pra casa mais tarde com a Erza. – falei indiferente.
– Luce... – fez uma pausa. Como ele ousava ainda me chamar assim? Isso me deixou ainda mais irritada. – Deixa de ser teimosa, eu te dou uma carona. – resolvi aceitar. Não estava afim de voltar para o Sing, queria ir pra casa e ter uma bela noite de sono.
O silêncio estava muito desconfortável até que ele colocou uma música. Encostei minha cabeça no vidro da janela e fiquei observando a rua enquanto pensava. Eu sinceramente não entendo esse cabeça de algodão doce. Ele é bipolar por acaso? Ou estaria tentando virar meu amigo? Se estiver pode parar porque isso não vai acontecer, eu não ia conseguir ser apenas amiga dele.
Quando dei por mim o carro já tinha parado e já estávamos na porta do meu prédio. Lembrei-me da última vez em que estivemos nessa mesma situação e isso me entristeceu. Como as coisas puderam mudar tanto em tão pouco tempo?
– Obrigada pela carona. – sorri. – A gente se vê – falei, mesmo sabendo que não ia acontecer, enquanto virava para abrir a porta.
– De nada – ele falou. – Se cuida! – só eu entendi o recado? Aquilo com certeza era um adeus. Como ele podia ser tão idiota? Subi as escadas, abri a porta do meu apartamento e fui direto para o meu quarto. Deitei-me em minha cama e senti uma vontade enorme de chorar, mas resolvi que isso não ia me ajudar em nada, então fiz um esforço pra conseguir dormir.
Natsu POV on
Acabei de deixar Lucy em sua casa. Na hora em que ela se despediu de mim a minha vontade foi de segurar seu braço, a puxar pra perto e a beijar, mas isso só complicaria as coisas. Ela quer um relacionamento sério e eu não. Então pelo menos por enquanto é melhor que fiquemos longe um do outro.
Não é a primeira vez que eu passo por isso e nem vai ser a última. Vou superar e seguir normalmente com minha vida. Pelo menos é o que eu espero.
Natsu POV off
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