Xeque Mate

2 Capítulo 1: Inquilino Indesejável


Notas iniciais
Primeiro capítulo meu povo! Espero que aproveitem.

Anne, agora vagava sozinha pela floresta, havia fugido da guerra há 20 anos, desde que seu pai morreu. Caminhava sem fazer barulho algum, já estava acostumada a fazer tudo sozinha. Andava sem rumo pela floresta escura quando ouviu um barulho, retirou sua espada da bainha e caminhou a passos curtos até detrás de uma árvore.

– Ei! O que faz aqui garoto? – Perguntou Anne com a expressão dura sem guardar a espada

– N-Não me mate, por favor! Foi apenas uma maçã! – Implorou o garoto

– Do que está falando? – Perguntou Anne brava, aliás, a lamentação do garoto havia espantado toda a caça

– V-Você não é um dos guardas do rei? – Perguntou o garoto confuso

– Lógico que não! Está me vendo de armadura por acaso? Além disso, odeio aquele velho! – Disse e guardou a espada na bainha, pronta para ir embora e voltar a caçar quando o garoto á impediu

– Ei aonde vai? – Perguntou o garoto

– Embora – Respondeu ainda andando, o garota á seguiu

– E vai me deixar aqui sozinho? – Perguntou indignado

– Claro! Você tem o que, dez anos? – Anne virou-se para ele

– Onze – Murmurou

– Pronto, se vira moleque! – Anne voltou a andar

– Vai mesmo deixar um garoto de onze anos sozinho nessa floresta imensa e escura? – O garoto dramatizou

– Vou – Disse Anne sem se importar

– Sua consciência vai pesar você vai ver! Eu vou ficar aqui, deitado nessa pedra dura, largado, pronto para virar banquete de animais ferozes! Oh mundo cruel! – O garoto se deitou na pedra e botou a costa da mão na testa em forma de drama

– Arg! Vem logo garoto, mas se fizer barulho eu mesmo te jogo pros animais famintos! – Ameaçou

– Então vai me levar junto com você? Sério? – O garoto perguntou empolgado ignorando a ameaça

– Sim – Respondeu sem emoção alguma na voz

– Legal! – O garoto comemorou

– Vem cá, cadê seus pais? – Perguntou Anne

– Mortos – Respondeu casualmente – Morreram quando eu tinha dez meses

– Oh, er, desculpa – Anne disse lembrando-se de seu pai

– Tudo bem, eu não ligo mais pra isso – O garoto dá de ombros

– Certo qual seu nome mesmo? – Perguntou mudando de assunto

– Cedric

– Ok, Cedric, primeiro você vai ficar quietinho, segundo, não vai me encher o saco, e terceiro, se eu mandar você fazer algo você vai fazer sem questionar tudo bem? – Anne o olhou ameaçadoramente

– T-Tudo – Cedric confirma com a cabeça várias vezes apavorado, mas logo ficando alegre novamente quando vê frutas perto de onde estavam

– Ei garota olhe! Frutas! – Ele correu até onde avistou as frutas e logo botou um monte na boca

– CEDRIC! TÁ MALUCO! COSPE ISSO! ESSAS FRUTAS SÃO VENENOSAS! – Gritou Anne

O garoto ficou parado, sem se mexer, boquiaberto.

– Espera eu comi frutas envenenadas? – Perguntou ainda parado, Anne apenas concordou com a cabeça – AHHHHHHHH!

– Ei! Não grita! Vai espantar os animais!

– O QUE? EU PODERIA TER MORRIDO E VOCÊ ESTÁ PREOCUPADA COM ANIMAIS? – Cedric perguntou indignado

– Hey, a culpa não é minha não! Foi você que decidiu sair correndo feito um idiota e botando frutas envenenadas na boca! – Anne se estressou

– Eu ‘tava com fome ta? Como eu ia perceber que aquelas frutas estavam envenenadas?

– Eu sei lá! Pelo cheiro talvez? – Gritou

– Como você sabe que estavam envenenadas? – Perguntou Cedric se acalmando

– É que há seis anos eu vi um animal comendo uma dessas frutas e caindo morto no instante seguinte — Explicou

– E por que eu ainda não morri? – Perguntou

– Não sei, acho que ainda não fez efeito, mas acho melhor você vomitar isso aí – Anne disse – Eu buscar água pra você, não sai dai, já está anoitecendo e é mais fácil se perder na floresta á noite

– Ok – Cedric confirmou

Anne marcou uma árvore com sua espada como ponto de localização e foi até um lago e pegou água com seu canil, aproveitou e bebeu um pouco também. Olhou pra cima e viu que algumas estrelas estavam começando a aparecer

– É melhor eu voltar do jeito que Cedric é já deve estar pensando em mil coisas – Sussurrou pra si, ouviu um barulho novamente detrás de um arbusto e de lá saiu um filhote de coelho muito fofo.

– Oi amiguinho, está perdido? Espera, por que que estou conversando com um coelho que nem sabe o que eu estou dizendo? Quer saber, esquece, eu acho eu o Cedric gostaria de um coelho, talvez ele me deixasse em paz um pouco enquanto brinca com um. – Anne foi tentar pegar o coelho, mas ele correu para o lado, e de novo Anne foi tentar pegar ele, porém o bichinho foi mais rápido e pulou pra outro lado. Anne continuou tentando e tentando e o coelho só pulava, certamente se aquele filhote fosse um ser humano estaria rindo da cara dela. Anne sentou-se em uma pedra cansada e zangada com o coelho, poderia matá-lo se ele não fosse tão fofo.

–Chega! Se você não quiser ir tudo bem, não vou te matar mesmo – Anne estava levantando-se quando o coelhinho pulou em seu colo.

– Seu bastardo. Não acredito nisso. – Bufou e pegou o coelho

Seguiu pela floresta até chegar á árvore que havia marcado e continuou em frente. Quando havia chegado foi cortejada com um abraço desesperado de Cedric

– Por onde estava? Eu estava quase indo atrás de você. Eu fiquei desesperado, e a única coisa que eu tinha pra me proteger era esse graveto aqui. – Mostrou o graveto e o partiu no meio, logo após jogando por detrás do ombro

– Relaxa Cedric, toma sua água – Deu o canil pro garoto

– Ok – Cedric disse e bebeu o conteúdo

– Ei, que isso? – Cedric se referiu ao coelho, limpou a água de seu rosto com a manga da camisa e apontou para o animal

– Um coelho, eu trouxe pra você

– Sério? Por quê? – Cedric pegou o bichinho no colo e começou a acariciar seu pelo “Ah, com ele você é todo manso...” pensou Anne

– Pra você se distrair um pouco – “E não me perturbar mais” Completou mentalmente

– Valeu! – Cedric agradeceu – Que nome você acha que combina com ele

– Demônio

– Hm... Acho melhor não, que tal Kennedy?

– Tanto faz – Anne deu de ombro – Vamos temos que fazer fogueira, já é quase de noite

– Tem razão, vamos Kennedy ajude-nos – Cedric soltou o coelho que foi logo pegando um graveto, Anne revirou os olhos e bufou “É isso que eu tenho que passar Senhor?” Pensou e revirou os olhos novamente