XIX

3 Capítulo 3 - Recuar


Notas iniciais
Eis que a Kelly Key retorna com o ultimo capítulo do arco de "Jack, o Estripador". Em breve retornaremos com o novo arco: "Vida e arte". Se possível não esqueçam de comentar. Boa leitura!

Eu a tinha em meus braços. Era muito tarde. Era muito escuro. Apenas os guardas noturnos podiam nos achar, mas eles eram idiotas o suficiente para não olhar para o céu.

E com ela em meus braços, cortei a escuridão dos céus de Londres. Pulando de telhado em telhado, até chegarmos ao Big Ben. Quando por fim havíamos chegado, ela acordou com uma expressão neutra.

— O que você está fazendo? – Diana perguntou com a voz rouca.

— Precisávamos conversar. – sussurrei ao colocá-la no chão — São assuntos que não podem ser ditos em uma casa cheia de ouvidos.

Diana caminhou até um ponto onde toda a Londres podia ser admirada, e assim ela fez.

— Você descobriu algo sobre os assassinatos?

— Sobre os assassinatos e assassinos.

— Assassinos? – Questionou a mim.

— Os assassinos são duas criaturas não humanas. O homem faz um trabalho menos cuidadoso e mais cruel. A jovem dama trabalha com mais precisão e perfeição.

— Seria isso o motivo de os assassinatos serem diferentes?

— Talvez. Eu assisti-os fazendo sua arte, e me surpreendi com a calma que eles tiveram ao perceber que alguém havia visto a cena.

— Você ficou bastante tempo fora. Recebi uma carta de um desconhecido, nela o nome da possível próxima assassina. – Diana falava em um tom firme, mas que perdia o rumo durante o papel que estava sendo entregue a mim pela mesma.

— Esther Petersen? – perguntei depois de ver o conteúdo do papel.

— Sim. Eu consegui algumas informações de onde ela fica. Não sei que horas são, mas o assassinato ocorrerá hoje. – Diana apertou com força as barras que dividiam a imensidão para a torre do relógio – Eu não quero falhar dessa vez.

— Você não irá falhar dessa vez, eu estou ao seu lado... Até o fim. – sussurrei enquanto me ajoelhava para a mesma.

Quando me ergui, coloquei-a no colo novamente e fui reprimida rapidamente pela mesma.

— Não a outra forma de chegarmos?

— Se quiser ir andando... Minha coluna fica acabada quando te carrego.

— Vai se foder! Você nem sente dor.

Depois de ela ter fechado a boca, continuei a saltar pelos diversos telhados, até chegarmos ao local onde a próxima vitima estaria.

— É aqui. – afirmou Diana.

— Não se meta em problemas. Eu mato os assassinos ou te protejo, fazer os dois será impossível. – disse quando coloquei a mesma no chão.

— Eu sei que não posso morrer antes de você cumprir o nosso contrato, fazendo com que você obedeça qualquer ordem minha.

Eu não queria ser rude, mas vi que a riqueza pode transformar qualquer um. Garanto que se ela fosse uma garota pobre as coisas seriam diferentes.

— Você deveria ter cuidado com o que fala... – antes de respondê-la fui interrompida.

Ao ouvir os gritos estridentes de desespero, arrombei a porta e consegui quebrar o salto do meu sapato, mas a porta também foi aberta.

— Eu não mereço isso. – disse ao retirar os dois sapatos.

A obra prima ainda não havia sido iniciada. Esther estava sem roupa no chão, várias ferramentas que iriam ser usadas para assassiná-la estavam espalhadas.

— Parece que nos encontramos de novo, jovem dama. – o assassino homem se dirigiu a mim com uma enorme formalidade, e após encerrar o cumprimento, ele puxou o manto que o cobria – Meu nome neste mundo é Vincent Hayward.

A garota que também participava dos assassinatos, fez o mesmo e retirou o manto que a cobria.

— Meu nome é Rumisa Masaev, a sétima... – a garota ia dizendo até ser encarada por um forte e amedrontador olhar vindo do homem.

Os dois estavam muito bem vestidos. Provavelmente tinham algo com uma família nobre.

— O que faz dois assassinos revelarem seus nomes tão facilmente? – Diana fez a pergunta mesmo sabendo a resposta.

— As vitimas devem saber quem é seu assassino. Isso deixa a obra mais perfeita... – ao encerrar a frase, o mesmo jogou seu corpo para frente e esticou seu braço esquerdo.

Eu vi sua mão indo direto ao pescoço de Diana, suas unhas tomaram um tamanho fora do normal para qualquer demônio.

Ao perceber que minha contratante estava em perigo, joguei os mesmos sapatos que havia tirado antes e entrei na frente de Diana.

Quando se deu a entender que eu havia tentado parar ele, o mesmo se jogou para trás e arrancou o colar da privação que estava em seu pescoço.

Seus membros e torso ficaram enormes e suas unhas tomaram proporções assustadoramente incríveis, seus olhos ficaram da cor única, o vermelho sangue. Ele tinha duas asas, uma de demônio e outra era de anjo. Fazia milênios que eu não via uma asa de anjo.

— Eu sabia que você não era humana! Você é Ele, o que habita o abismo mais profundo! ele era dono de uma voz forte e grossa, o timbre dela assustava Diana e Esther.

No outro lado do quarto a outra assassina também avançou em cima de Diana, mas a mesma foi surpreendida quando minha contratante puxou uma pistola de dentro do seu espartilho, mirando rapidamente na testa de Rumira e atirando.

Rumira com certeza não era humana, mas ao ser atingida por uma bala, seu corpo foi jogado para trás rapidamente. Ela não estava morta, apenas desacordada. Demônios são imunes a armas, o que fortalecia a minha teoria de que Rumira era diferente.

PEGUE A PROSTITUA E SAIA DAQUI AGORA! — o tom de minha voz foi alterado, mostrando que minha verdadeira aparência iria surgir.

Diana cobriu Esther com o casaco que a mesma usava, e a levou para fora do quarto rapidamente.

Ela é sua contratada? Você arrisca se ferir para proteger um mero humano... Demônio.

Minha transformação não foi completada. Não era hora de usar todo o poder. Não contra uma criatura tão fraca.

— Você é sujo. Demônios do seu tipo são as criaturas mais sujas de toda a colina. – respondia com certo tom de superioridade e caminhava em sua direção lentamente.

A colina mais precisamente é o inferno. Quanto mais fundo o lugar da criatura, mais forte ela é.

Ele recuava mais e mais. Ele sabia que não iria sair bem após me enfrentar.

O corpo dele começou a criar proporções mais humanas, encerrando aquela discussão de uma vez por todas. Eu havia ganhado.

— Consiga um homem rico e bonito para mim e eu te deixo em paz. – dizia ele enquanto pegava a sua parceira nos braços.

— Qual o motivo dos assassinatos? – ele sabia que se me respondesse eu deixaria os dois irem embora.

— Ela estava caindo dos céus, eu a vi e decidi descobrir o motivo. Quando cheguei ao local da queda, a mesma estava sangrando muito, pois uma de suas asas havia sido retirada cruelmente do corpo.

— Um anjo? Submisso a um demônio? – perguntei curiosa.

— Eu sempre quis ter uma asa de anjo. Enquanto ela estava desacordada, costurei a asa da mesma em cima do buraco que foi criado após eu ter arrancado uma das minhas de demônio.

— O que faria uma criatura proporcionar dor a si mesma para conseguir beleza?

— A espécie do ser que você serve é capaz de tudo para adquirir beleza, assim são os humanos. – ele respondeu seriamente.

Ele estava certo, os humanos eram tão interessantes.

— O que houve quando ela acordou e viu que você havia roubado uma de suas asas? Esse é o motivo de ela andar estranhamente?

— Eu também costurei minha asa de demônio nela, mas ao acordar ela surtou e arrancou a asa. Ela implorou por sua asa de volta, e eu disse que se ela me obedecesse teria o que quer.

— Ela caiu por qual razão? O Deus dela deveria ter perdoado.

— Deus é cruel e egoísta. Ela foi iludida por mim, ela acha que se matar as prostitutas será perdoada.

— Entendo. Se eu souber que vocês estão matando alguém, volto e arranco não as asas de vocês, e sim as cabeças.

Eu dei as costas e sai do quarto, deixando-o com a parceira.

Lá fora Diana estava conversando com Esther, quando eu me aproximei o assunto foi encerrado discretamente.

— Esther passará alguns dias em minha casa. – Diana afirmava como se fosse algo bom.

— Ótimo, agora temos três vadias na mesma casa! – falei em tom alegre.

— Se contarmos com você será quatro. – Diana sussurrou.

— Ótimo, eu sou uma puta sem sapatos.

Quando olhei para as nuvens, vi que a luz já estava quase as atravessando. Era hora de ir para casa.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Eu sou péssimo com palavras nas notas finais, então deixo essa vasta possibilidade de discursos... Até breve