XIX
4 Capítulo 4 - O convite
Notas iniciais

No café da manhã, parecia que todos estavam estressados. Talvez fosse a falta de descanso, ou até mesmo a falta de diversão.
Ao ver que tínhamos uma nova hospede, a tia de Diana, que se apresentou para mim recentemente, repreendeu a sobrinha em instantes, dizendo palavras grossas para a familiar:
— Você não pode colocar pessoas estranhas para morar com você.
Por sorte, Esther não estava na mesa conosco, a mesma não deu nenhuma palavra após o ocorrido. Não sei quanto tempo irá demorar para que ela surte e conte a todos que viu um demônio. Se isso acontecer, serei forçada a usar métodos dolorosos para calar aquela boca.
Eu não consegui me segurar, tive que respondê-la a altura:
— Quem é você para falar algo?! – me levantado, bati com as duas mãos na mesa em sinal de fúria – Você também é uma estranha! Sua filha ainda é um pouco normal, mas esse homem que veio com vocês, ele um completo maníaco.
— Não ouse falar do meu filho! – respondeu-me e em seguida começou a perturbar Diana novamente – Diana, você irá deixar essa daí falar comigo como se fosse a dona desse lugar?
— Parem com isso! – gritou Diana ao puxar a toalha de mesa – Vocês parecem duas crianças brigando aqui! Essa é minha mansão, eu decido quem fica e quem sai!
— Desculpe-me. – pronunciei em sinal de arrependimento.
— Perdi o apetite. – Diana se retirou do cômodo.
Eu caminhei até as gêmeas, e pedi para que elas limpassem tudo.
— Ela dá ordem aos empregados também? – sussurrou a tia perguntando a Anlee.
Eu ouvi, mas achei melhor ficar calada. Ser um demônio tem diversas vantagens, a audição apurada é uma delas.
Em seguida, me retirei da sala e fui até o escritório de Diana, a mesma só poderia estar lá. Quando cheguei ao local desejado, bati na porta, mas minha atitude não foi respondida. Decidi entrar mesmo assim.
— A Rainha agradeceu o nosso trabalho. – disse Diana em tom vazio.
— É a obrigação dela. Já pensou se aquele demônio tivesse a mesma força que eu? Londres seria destruída.
— Esther Petersen... Ela estava lá.
— O que? – perguntei curiosa.
Eu já sabia do que ela estava falando, mas recobrar uma memória tão vaga assim...
— Ela estava lá. Era uma festa.
— Uma festa?
— Não, um baile... Um baile de mascaras.
— Você está falando da sua morte? – engoli em seco, eu estava realmente surpreendida.
— Não se faça de idiota! – ela gritou, fazendo com que eu me assustasse – Do que mais eu estaria falando?!
Diana saiu de sua grande poltrona, se levantando e desamarrando a camisola que cobrira seu corpo. Quando o pano de seda caiu ao chão, ela caminhou até a porta do banheiro, assim, mostrava seu corpo, que por sinal era incrível.
— Jovem dama... – iria perguntar a razão daquilo, mas fui interrompida rapidamente.
— Nunca viu uma mulher nua?
A pergunta que ela me fez me colocava em uma situação de impotência. Como eu, um demônio antigo que serviu diversas pessoas, não tinha visto a silhueta feminina nua? Respondi mentindo:
— Claro que eu já vi. – minha voz saiu tremula, mas eu não esperava que ela continuasse com as perguntas.
— Então me diga a razão de estar com uma expressão de surpresa.
— Eu não estou... – eu estava pronta para respondê-la, mas fui interrompida novamente.
— Pare. Não precisa responder. – ela entrou no banheiro do escritório e continuou a dialogar comigo, mas com um assunto diferente – Vá até meu quarto, em cima da minha cama há uma carta, é melhor lê-la.
Eu a obedeci e me retirei do seu escritório. No corredor, fui surpreendida por aquele que foi o motivo de discussão no café da manhã, depois de Esther, é claro.
— Victoria! – ele falou em um tom de surpresa, mas ao mesmo tempo alegre.
— Não estou com tempo para conversas. – respondi-o de forma rápida e fria.
— Eu queria que você me acompanhasse em um jantar.
— Eu não irei jantar com você.
Apesar de ele ser um homem bonito, não me atraia. Eu acho que não seria atraída por nenhum humano.
— Por favor! Eu faço tudo que você quiser! – ele agarrou meu punho e me puxou, fazendo com que nossos olhares se cruzassem.
— Vamos fazer um acordo, você fica longe de mim e eu não empurro você escada a baixo. Agora eu tenho coisas melhores para fazer. Quem sabe no próximo século eu aceite o seu convite.
Ao comunicar que não queria nada com ele, o mesmo me soltou. O seu olhar era tão penetrante que eu demorei a entrar no quarto de Diana. Quando consegui mudar a direção do meu olhar, deixei meus olhos semi-serrados e pressionei meus lábios um contra o outro, em seguida joguei meu cabelo e me virei, entrando no local desejado.
Lá estava ela, em cima do mar de lençóis que cobriam o colchão, a carta. Quando peguei aquele papel, li o que já era esperado:
“Aparentemente vocês conseguiram finalizar o trabalho. Espero que tenham sumido com o corpo do assassino.”
Era mais uma carta da Rainha, mais uma carta pedindo os nossos serviços.
“Algumas mulheres andam desaparecendo. Mulheres nobres, porém solteiras.”
A carta era enorme, eu decidi pular para o final e ler a parte importante: “A maioria delas somem após irem a uma mansão localizada na parte deserta de Londres. Em breve terá um baile nesta mesma casa, e vocês devem comparecer e descobrir o motivo do desaparecimento das mulheres.”.
Dentro do envelope, havia dois convites. Presente neles, uma forma bem formal de convite: “A mais bela dama um convite. Ao mais forte homem uma bebida.”.
Eu iria a aquela festa. Eu iria ao meu primeiro baile.
Em um breve instante, de amarelo á alaranjado, o céu se tornou quase vermelho. Eu me perdi no tempo, o motivo eu não sei. Estava realmente curiosa com o motivo de Diana não ter ido para o quarto.
Quando eu saí, vi que a porta de seu escritório estava aberta. Lá dentro, Diana estava sendo examinada por Anlee, que por sinal era uma das mais influentes médicas de toda a Inglaterra.
O que houve eu não sei, mas também não queria saber. Estava realmente preocupada com o diagnóstico.
— Você esta com uma febre alta. Indico que não saia até melhorar. – disse Anlee, recolhendo os materiais que usou para examiná-la.
— Mas eu tenho um baile para ir.
— Você não irá sair tão cedo. Você é fraca, a noite fria iria piorar a sua situação. Eu tenho que sair agora, meu trabalho me espera.
Anlee se retirou do cômodo e me deixou a sós com Diana.
— Você irá a essa festa. – Diana disse com a voz pálida.
— Pelo jeito você está realmente horrível. Eu levarei um acompanhante. Até lá, tente não morrer. – respondi ironicamente.
— Com quem você irá? Minha tia?
— Não. Levarei alguém pior do que ela.— meus olhos ganharam a cor original, transformando aquela simples frase em algo irônico.
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