Written Memories
3 Capítulo 3
Setembro, 27. 21:07 horas:
Resolvi usar esses últimos cinco dias para descansar. Precisava dormir um pouco. Mas acho que fiz mais do que devia. Gostaria de me desculpar para com aqueles que um dia vierem a ler isto. Desculpar-me por ter caído a tentação de um erro que há muito eu deveria ter entendido e superado, devida minha posição como psicólogo. Já que o lapso no diário é culpa minha contarei tudo que ocorreu nesses últimos cinco dias. Até ontem à noite, passei o tempo todo fazendo aquilo que um homem depressivo e só faz, bebi. Bebi algo entre duas e três garrafas de um uísque escocês, parte de um conjunto de 12 garrafas que ganhei de meu pai no meu aniversário. Acompanhado pela bebida, criei coragem para abrir o sótão e ver meus antigos pertences, passei o olhar (que girava sem parar) pelas caixas empoeiradas, vendo de relance um pequeno carro de madeira, que recordo ter ganhado no natal de 1890, aos meus cinco anos, e algumas pequenas roupas. Parei meu olhar em uma pequena mesa, onde jazia solitário um porta-retratos, feito de mogno, adornado com pequenos corações por todos os lados e no centro, protegido por uma lamina de vidro, coberta por poeira, jazia uma foto, de uma bela garota. A senhorita em questão era dona de lindos cabelos castanhos, que iam até sua cintura, belos olhos verdes, que até mesmo naquela foto semi descolorida a cor seus olhos ainda eram notados. Não me atrevo a dizer como eram as curvas de seu corpo, mesmo ela sendo minha noiva ainda me envergonhava disso. Pois bem, deixando todo o meu sentimentalismo fraco de lado, recebi há pouco um telegrama de uma das freiras do centro, escreverei aqui o que ela dizia e minha conseqüente resposta.
Telegrama para o Doutor Bryan Stroker.
Enviado pela Irmã Jennie em Setembro, 27.
Caro Doutor. Um de seus pacientes, o numero 21, está criando pássaros no quarto. Não sei como conseguiu os pegar, mas em seu quarto há um alvoroço enorme por causa das aves. O que devemos fazer?
Telegrama para o Bright Dawn Treatment Center.
Enviado por Bryan Stroker em Setembro, 27.
Obrigado por informar-me da situação atual do paciente, irmã. Deixe-o como está, e não o perturbe, amanha volto para o centro e cuido do caso. Espero que me relate o que houve no centro enquanto estive fora. Do sempre seu
Dr. Bryan Stroker.
Foi, então, após esse curto telegrama que resolvi parar de beber e ficar vendo aquela antiga foto. Guardei-a no mesmo lugar onde a encontrara e fui até meu quarto. Precisava arrumar meus instrumentos de trabalho. Preparei a roupa que usaria amanha e peguei um pequeno caderno de desenhos. Era um hobby que eu tinha. Adorava desenhar. Tentei desenhar qualquer coisa que me viesse à mente, temo dizer que o resultado foi assombroso, até mesmo eu, quem desenhara, temi.
Desenhara o Sr. Henry (Ou pelo menos como eu o via), pergunto-me o que me fez desenhá-lo, pois de tudo que eu sentia vontade de desenhar ele certamente não estava entre os primeiros.
Infelizmente, em um acesso estranho de violência, rasguei o desenho.
Acho melhor ir dormir e me preparar para amanhã.
Setembro, 29. 20:25
Novamente me desculpo com aqueles que possam um dia vir a ler este diário escrito por minha pessoa. Narrarei detalhadamente tudo o que ocorreu nos dois últimos dias. Parti de minha casa logo ao nascer do sol, vestia meu terno marrom. Sou grato por ter guardado esse terno, dado por minha mãe, em um lugar isolado dos demais e melhor protegido, pois logo após meu banho, notei que todos os meus ternos estavam sujos. Oh como fui irresponsável. Ainda ontem, contratei os serviços de uma das freiras. Ela cuidaria de minha casa duas vezes por semana. Ofereci para ela a quantia de 30 libras por semana, mas ela recusou, afirmando ser muito para apenas cuidar de uma casa, duas vezes na semana. Insisti, e afirmei que se quisesse ela poderia doar parte do dinheiro para a paróquia local. Ela levou as duas mãos até um crucifixo de madeira, que todas as freiras da região usavam. Ficou pensando de olhos fechados por alguns segundos, e por fim concordou com o acordo, afirmando que doaria a maior parte para a paróquia que o Padre Ian “dirigia” (Não encontrei termo melhor, perdão). Sorri e pedi para que ela fosse para minha casa, começar o serviço ainda hoje. Entreguei a chave da casa, junto com cinco libras, para que pudesse se utilizar dos serviços de charrete da cidade. Agradeceu-me com um “Que o Senhor esteja com você, meu filho” e partiu. Sem mais demora, principie-me a andar para o Centro, onde fui diretamente ao meu escritório, onde me preparei e logo saí. Andei até a ala onde se encontrava o Sr. Henry, fui parado por um dos enfermeiros. Chamava-se Paul Henckins, negro, cerca de um metro e noventa centímetros, musculoso. Certamente estaria bem protegido, no caso de que o Sr. Henry se exalte.
Rapidamente chegamos em frente a porta onde o paciente se encontrava. De prontidão estranhei, pois no telegrama que recebi, haviam me informado que o quarto se encontrava em um grande alvoroço, mas quando cheguei tudo se encontrava no mais puro e tenebroso silencio. Fiz um sinal de mão para que o enfermeiro se preparasse, andamos de maneira lenta até a porta, e ele abriu bem lentamente.
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