Wrath of Orcs - Marés de Sangue

5 Capítulo V - A tormenta do Dragão Marinho


Notas iniciais
Mais um capítulo, desta vez voltando à perspectiva dos orcs. Me desculpem mais uma vez pela demora, mas estou tendo que mudar algumas coisas no roteiro. Espero que gostem!

Graças à ciência moderna, sabemos que, quando a água de rios e lagos evapora e se condensa em altas altitudes, temos a formação de nuvens. Essas nuvens também podem formar uma precipitação conhecida como chuva. Mas os habitantes de Eldassar não tinham a mesma ciência que temos hoje. Os antigos costumavam achar que a chuva era um presente de Mortrow, o deus da tempestade (apesar de, às vezes, a chuva ser um castigo, como vocês vão ver nesse capítulo). Os nortistas de Skyland (uma terra distante ao norte do mundo) achavam que a chuva era uma manifestação de fúria da deusa suprema Ashley. Os que chegaram mais perto da real resposta foram os elfos de Milthir, a Cidadela dos Jardins de Mohan (mas a descoberta deles não foi bem vista pela sociedade em geral). Os orcs acreditavam que as gotas de chuva eram como tentativas de comunicação dos espíritos. Por isso, os xamãs órquicos (como Vhal Grock) conseguiam prever o futuro usando gotas de chuva e interpretando sinais do vento, que seriam como sussurros dos espíritos.

Mas as chuvas não trazem somente a fertilidade para os campos. Elas também podem trazer ventos furiosos, granizos impactantes e raios que iluminam o céu num espetáculo natural de horror e fascínio por parte dos que buscam compreender por que a natureza traz tamanha raiva. Mas se tem uma coisa que é muito afetada por tempestades são os navios em alto mar. Velas rasgadas, mastros quebrados, corações de marinheiros aflitos em uma batalha de vida ou morte. Thalldrow nunca havia presenciado uma tormenta em alto mar. Nos três meses de viagem, ele e sua tripulação haviam enfrentado somente algumas chuvas não muito fortes. Ele temia que os navios não conseguissem chegar inteiros à costa. O próprio Thalldrow assumiu o controle do leme do navio onde ele estava (lembrando que havia mais sete). As gotas de chuva batiam com força em seu rosto, os ventos da tormenta eram gelados e não facilitavam seus movimentos. As ondas quase viravam os barcos e muitos orcs precisavam se agarrar em cordas para não caírem no mar revoltado. Lothar, que estava ao lado de seu amigo, via a preocupação nos olhos de Thall e Sinthar’Ro. Mas ele também notava algo estranho na água. Algo que parecia estar nadando abaixo dos navios.

De repente, uma onda de quase dez metros se chocou contra o barco, fazendo com que a proa (a parte da frente) ficasse submersa por alguns instantes. Em meio à confusão de orcs gritando e segurando-se em cordas, Lothar foi o único que viu que havia criaturas subindo no convés. Quando o navio voltou à sua posição original, ele pôde perceber que pareciam criaturas que pareciam um híbrido de sapo e peixe bípedes de dentes afiados, escamas de um tom azul-esverdeado, pernas compridas, braços e mãos que seguravam tridentes incrustados de cracas e restos de algas. Lothar então disse:

– Santos espíritos! O que é aquilo?

– São Murds Marinhos! Criaturas agressivas das profundezas! – disse Sinthar’Ro.

– Peguem suas espadas! Lutem por suas vidas! – gritou Thalldrow.

Mas os Murds Marinhos já haviam apunhalado um orc pelas costas, deixando-o caído morto no chão. O resto da tripulação pegou suas espadas recurvadas e partiram para cima das criaturas. Não foi uma luta difícil. Eles não usavam armaduras e não eram bons em se mover fora d’água. Mas eles eram apenas a ponta do iceberg de problemas que eles iriam enfrentar naquela noite de tormenta. Em um momento, o navio bateu e algo e a tripulação quase caiu com o impacto. Lothar perguntou:

– Batemos em alguma coisa. Será que foi uma rocha ou algo do tipo?

– Em alto mar? – indagou Thall – Eu acho que não. Isto está muito estranho.

Foi então que os queixos dos três caíram. Diante deles, uma cabeça gigante emergiu na frente do navio. Era a cabeça de um dragão do mar. Uma serpente marinha azul, gigantesca, que descarregava sua fúria com um rugido estrondoso.

Ele abocanhou a proa do navio, mastigando a madeira com muita facilidade usando suas presas afiadas. Ele usou sua cauda e seu corpo comprido para bater nos outros navios. Thalldrow não parava de gritar:

– Peguem seus arcos! Para estibordo! Atirem! Mandem esse mostro de volta para as profundezas de onde ele saiu!

Por todos os lados, orcs atiravam flechas no pescoço da criatura. Não fazia muito estrago, mas o irritava. Ele tentou abocanhar os arqueiros, aproximando sua cabeça do convés. Foi a oportunidade para Thall, Lothar e alguns orcs chegarem com suas espadas e começarem a golpear as laterais da cabeça do monstro. Fizeram vários cortes antes de ele levantar a cabeça ensanguentada. Nesse instante, Sinthar’Ro, juntamente com um grupo de orcs, após terem escalado os mastros, deram um salto e foram parar nas costas do dragão marinho, fincando suas espadas e fazendo-o sangrar mais e mais. Ele começou a se sacudir até derrubar todos, exceto Sinthar’Ro, que foi jogada para longe, caindo no outro navio. Por sorte, alguns orcs pegaram-na e ela não se feriu.

Irado, ele começou a golpear o navio violentamente, destroçando-o. A tripulação (incluindo Lothar e Thall) teve de ir para o barco ao lado, caminhando sobre tábuas. A maioria dos orcs acabou caindo na água. Alguns subiram de volta com cordas e outros subiram nos destroços, tentando não se afogar em meios às ondas violentas da tempestade.

Os orcs continuavam acertando-o com flechas, e golpeando com espadas, quando possível. Quanto mais ele sangrava, mais irritado ficava, destruindo as embarcações. Ao final, só sobraram quatro, e Thalldrow podia ver a preocupação nos rostos da tripulação. Era hora de por um fim nisso. Ele subiu em um monte de caixas e começou a gritar:

– Ei! Aqui! Venha me pegar sua lesma marinha!

– O que está fazendo? Quer se matar? – gritou Sinthar’Ro.

– Preciso salvar meu povo. Preciso fazer o que deve ser feito.

Ele continuou gritando até que o dragão do mar deu uma bocanhada em sua direção. Ele deu um pulo para frente, desviando dos dentes e indo direto para a garganta da criatura. Ele usou uma adaga para se fixar no muco e, com a outra mão, começou a fazer cortes. O monstro se agitava e gritava, tentando se livrar daquela dor interna. Rasgar o pescoço do dragão marinho teria sido difícil devido às escamas duras dele, mas elas estavam todas cortadas pelas espadas e flechas. Logo, a ponta de sua espada apareceu para fora. Thalldrow continuou movendo sua espada para esquerda e para direita até rasgar o pescoço da fera, jorrando litros de sangue.

Ele pulou para o convés, todo ensanguentado, mas não havia ninguém ali. Cansado e tonto, ele tentou entender o que se passava. As ondas balançavam o navio violentamente, e a cabeça morta do dragão do mar caiu ao seu lado, fazendo um impacto que o desequilibrou. Ele tentou se segurar em algum lugar, mas acabou caindo no oceano. A água fria era como uma navalha penetrando na sua pele. Ele viu a luz dos relâmpagos na superfície e depois, tudo ficou escuro.

Notas finais
Não sou muito bom em escrever cenas de ação, mas tentei dar meu melhor. Sugestões? Deixem nos comentários! Fiquem com Deus e até o próximo capítulo!