Would You Have Dinner With Me?
9 You're a mess.
–Uma festa!
Peguei Sherlock pelo braço enquanto atravessava à calçada e me espremia por várias pessoas que entravam na boate.
–Vamos, pare de fazer essa careta.
–UMA FESTA! – Ele gritou me encarando. Todo mundo na fila olhou para mim.
–Pare com isso, ninguém vai te morder, a menos é claro, que você peça. – Olhei para duas mulheres nos encarando na fila.
Arrastei Sherlock para dentro da Boate enquanto ele se segurava em tudo que podia pelo caminho. Tive um pequeno problema quando ele se forçou contra a divisória de vidro da recepção, mas eu o puxei novamente e ele deslizou quase caindo. Segurou-se em mim e aproveitei para jogá-lo para frente.
–Se eu soubesse que você era tão engraçado dentro de uma boate eu teria te levado antes. – Procurei uma mesa perto da pista de dança enquanto Sherlock se curvava de todos os jeitos para não encostar-se a ninguém quando as pessoas passavam por ele.
– Eu odeio isso. – Ele murmura a cada vez que via alguém dançando ou bebendo.
–Achei! – Puxei uma cadeira na mesa de frente para a pista de dança. Do lado da mesa tinha um palco que eu estava pensando em fazer Sherlock subir. Certamente ele preferia morrer a fazer isso.
– Este canto é péssimo.
–É a melhor mesa.
– A boate é péssima.
Uma garçonete vestida com um corset preto e plumas cor de rosa correu e tropeçou quase batendo o rosto contra nossa mesa. Sherlock olhou desesperado para mim e eu só fiz rir.
–Isso acontece o tempo todo. – Falei olhando para ele enquanto colocava minha bolsa em cima da mesa.
A moça aparentemente percebeu o estado de Sherlock e sorriu.
– Acontece o tempo todo, eu vivo tropeçando. — Ela se levantou segurando no braço de Sherlock que olhou para suas unhas em volta de seu casaco. – O que irão querer?
– Eu não quero nada. – Falou Sherlock, tirando dedo por dedo ao redor de seu braço.
–Nada por enquanto, obrigada.
A moça desapareceu em meio às pessoas que a cada vez lotavam mais a boate.
Sherlock começou a ficar carrancudo quando eu neguei entregar meu celular.
– Para você. — Falou uma garçonete. – Vem da outra mesa. – Ela apontou para uma mesa com três homens, que sorriram para mim quando olhei. Peguei o papel e abri para ler.
– O que diz? – Sherlock perguntou olhando para os homens.
–Fala que eu sou bonita e que eles aparentemente gostaram de mim.
– Qual deles?
–Eu não sei.
– Qual você acha que é?
–Já te falei que não sei.
– Diz algum.
–Não sei, o do meio?
– Gay.
–Ele não é gay.
– É sim, não vê o jeito que ele olha para o outro?
–Você está inventando isso, eu sei quando alguém é gay.
– Não estou.
Virei para olhar novamente o do meio. Ele sorriu e piscou para mim.
–Não acho que ele seja gay.
– Ele é gay, só quer provar que não é.
–Está bem, então foi o da ponta.
– O da ponta da direita ou da esquerda?
–Não sei, eu não me importo!
– Aquele ali é uma mulher.
–Sherlock!
– O quê?!
–Por que você fica falando isso?
– Eu? Eu não estou falando nada!
–O que acha daquele? – Apontei para um homem de cabelo loiro com um whisky na mão.
– Ele? Ele tem...
–O que ele tem?! – Interrompi.
Sherlock olhou para mim e não falou nada.
–Você está tentando achar algo em cada pessoa.
– Não é verdade.
–Sherlock Holmes, eu estou entendendo o que você está fazendo.
– Miss Adler, my dear, I’m doing nothing.
Olhei para ele que imediatamente sorriu em resposta. Várias pessoas se espremiam na pista de dança e a música estava ficando cada vez mais alta. Puxei Sherlock para a pista e ele quase tropeçou em um garçom que segurava uma bandeja com vários copos.
–Vai ser divertido!
– Isso é terrível! – Sherlock estava comigo na pista de dança sem mexer um músculo enquanto em dançava e puxava sua mão.
–Não é, pare de ser tão carrancudo!
– Pare você de ser tão...
–Tão o que?! – Gritei rindo, dançando e puxando mais ainda sua mão.
Sherlock olhou para as pessoas que riam e dançavam por todos os cantos.
–Pare de ser dramático, eu sei que você está gostando.
– Eu não seria capaz de tal coisa.
–Porque me faz parecer totalmente errada em comparação a você?
– É verdade que alguma coisa deu errado em seu DNA e você ficou louca do jeito que é... – Ele sorriu.
–Finalmente um sorriso! – Passei meus braços por sua cintura e fiquei abraçada a Sherlock até ele sorrir novamente.
– Você é terrível.
–Eu não desisto do que quero, é diferente.
– Você é terrível.
–Não tenho culpa se minha presença te incomoda.
– Não sei do que está falando.
–Ah, eu tenho certeza de que sabe. Lembro-me de sua expressão quando me conheceu.
– Meu rosto é expressivo.
–Sherlock, você não conseguiu deduzir e seu rosto...– Comecei a rir novamente enquanto lembrava.
– Eu não acho que...
–Shh. – Coloquei meus dedos sobre seus lábios. Ele fez uma cara de negação enquanto eu olhava seus olhos que hoje pareciam estar verdes.
Algum tempo se passou e eu me soltei de seus braços. Comecei a prestar atenção nas pessoas ao redor. Algumas bebiam, outras namoravam, algumas dançavam loucamente e outras estavam obviamente bêbadas. Ri quando uma garota tropeçou no próprio pé e caiu em cima de um rapaz que sorriu para ela. Sherlock passou as mãos por minha cintura me abraçando por trás e ficou ali, sua boca encostada em meu cabelo.
–Você já quer ir? – Sussurrei.
– Sim, por favor.
Atravessamos a boate e ficamos do lado de fora enquanto esperávamos um táxi. Várias pessoas entravam na boate. Comecei a observar o céu. Já estava clareando... Aos poucos os seguranças fechavam as portas e falavam que ninguém mais podia entrar porque já estava lotado.
–Quer ir a pé? – Perguntei rodando para me situar.
– Eu não sei... É longe?
–Talvez. – Puxei sua mão e atravessamos a rua. Uma vez ou outra eu tremia quando o vento investia com tudo sobre nós. Aos poucos diminuía a quantidade de movimento nas ruas, até não ter ninguém. Passamos por alguns atalhos, Sherlock observava tudo e falava sobre algumas casas. Tinha um grande conhecimento sobre arquitetura e mais ainda sobre terrenos, quando falava e apontava para algumas partes irregulares. O céu estava dividido entre escuro e claro. Juguei serem cinco horas e Sherlock concordou. Pegamos novamente outro atalho quando Sherlock tropeçou em alguns arbustos de uma casa vermelha.
Comecei a rir a ver ele cheio de plantas e com o cabelo assanhado. Estava deitado em um arbusto com uma careta de surpresa.
– Do que está rindo?! – Ele falou limpando as folhas que estavam grudadas no casaco, na calça, no cabelo...
–Você está muito engraçado. Espere. – Peguei o celular rapidamente e bati uma foto.
– Não, não faça isso! – Ele puxou meu tornozelo e cai contra ele. As folhas pareceram triplicar e eu soltei um grito quando ele prendeu minha cintura contra seu corpo.
–Olhe o que você fez! Me fez acordar os vizinhos! – Berrei em seus braços rolando pela grama e me sujando completamente. Tirei os saltos e me levantei desajeitada enquanto Sherlock rolava pela calçada e se deitava na rua tendo uma rara crise de risos.
–Oh meu Deus. – Olhei assustada para ele.
Um homem saiu da casa com uma madeira enorme e olhou assustado para nós.
–Desculpe. – Olhei para o homem e para a madeira.
– Isso não é hora de vocês fazerem barulho! Vão beber em casa!
–Desculpe, mas o senhor não está entendendo...
– Vão para casa! – O meu gritou.
Sherlock se levantou rapidamente e chegou perto do homem.
– Desculpe o incomodo o senhor deve estar muito ocupado assistindo esses filmes enquanto sua família dorme. — O homem olhou para Sherlock e pigarreou.
– Vocês estão bisbilhotando?! – Ele gritou.
Arrastei Sherlock pela rua enquanto o homem berrava – “Ladrões!”
Estávamos quase chegando em casa, mais duas ruas e pronto.
– Veja, é a primeira vez que me chamam de ladrão.
–Primeira vez para mim também. – Ri enquanto lembrava o rosto do homem. –Você viu a cara dele?!
– Eu vi! – Ele riu, imitando o homem. – “Vocês estão bisbilhotando?!”.
–Ladrões!
– Isso é uma bagunça.
Abracei sua cintura e sorri.
– Você é uma bagunça. – Ele sussurrou em meus lábios lentamente.
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