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( Irene )

Ali! – Apontei para a fila e voltei a empurrar Sherlock pelo Shopping.

– Eu ainda nem sei por que escuto você.

Oh! Essa doeu!

– Até aparece... Diga que não vamos olhar roupas. – Ele fez uma careta enquanto eu continuava empurrando-o com dificuldade pela praça de alimentação. Algumas pessoas olhavam para mim fazendo tanta força para tirar Sherlock do canto.

Não, não vamos. – Chegamos à fila do Subway, tinha algumas pessoas na nossa frente, tentei me lembrar do cardápio para não perder mais tempo.

– Você está com desejo! – Ele gritou assustado.

Não, não estou! – Fiz uma careta e voltei a tentar me lembrar do que iria pedir. – Até ontem não era errado sair de casa para comer fora.

– Se eu soubesse... – Sorri, passei meus braços por sua cintura e encostei minha cabeça em seu ombro. Ele beijou minha testa e ficou brincando com o meu cabelo.

– Próximo. – Uma atendente atrás do balcão chamou com tédio. Fiz meu pedido e peguei a senha. Sentei em frente a Sherlock, em uma cadeira cinza com estofado vermelho, a mesa era toda cinza.

O que você tem?

– Nada. – Sherlock batia os dedos na mesa e olhava para o movimento na praça de alimentação.

Fique à vontade.

– Eu estou à vontade.

– Eu conheço você. – Peguei sua mão e sorri.

– Não consegui encontrar uma conexão entre o assassinato de Park Lane e o seu caso.

Irá conseguir.

– Existe algo que você deixou passar? Algo que você não esteja me contando?

Não, contei tudo para você. Minhas descrições não foram suficientes?

– Não sei... Naturalmente eu saberia, mas esse é diferente, não tenho fios para puxar e ao menos sei por onde começar.

Pode desistir se quiser...

– Não vou, é interessante demais... Era o que eu estava precisando. – Sherlock apontou para um homem na tevê, que sorria para outro homem e eles pareciam estar em um tribunal. – Ele assassinou essa mulher a sangue frio. Vê como é inteligente? Não existem provas e a promotoria não quer se intrometer.

Como sabe se não é ele o assassino de Park Lane, já que ambos os casos tem algo em comum?

– Pode ser qualquer pessoa. – O atendente chamou e eu mostrei minha senha, peguei meu pedido e voltei à mesa. Comecei a comer o pão enquanto Sherlock encarava alguém ou algo por cima de meu ombro. Definitivamente eu queria virar e olhar o que ou quem prendeu sua atenção, mas ele desviou os olhos e voltou a sua expressão de tédio de antes. Terminei meu sanduiche e seguimos pelo shopping. Eu tinha comprado um Grand Cru Volluto, café meio gelado com espuma de leite com caramelo e baunilha. Sherlock bebia alguns goles de vez em quando. Ele apontava para algumas lojas e falava algo. Uma vez ou outra ria de uma criança que brincava com o “papai Noel” do shopping. – Deve estar sentindo falta de seu filho.

Estou e muita... Não existe um dia em que eu não queira tê-lo perto de mim, mas não posso colocar sua vida em risco. – Abracei sua cintura e encostei minha cabeça em seu ombro. Passamos em frente a uma loja que vendia enfeites natalinos em geral. Consegui a proeza de fazer Sherlock entrar na loja e me acompanhar enquanto eu escolhia alguns enfeites. Saímos da loja carregando várias sacolas. Estávamos virando o corredor quando eu escutei uma voz feminina.

– Sherlock! – Viramos imediatamente. A moça olhava para mim sem entender. Tinha uma pele clara, cabelos escuros e presos em um rabo de cavalo básico. Também possuía olhos muito redondos e acentuados de cor castanhos escuros, o nariz era médio e os lábios eram extremamente finos.

– Molly! – Ele sorriu e beijou sua bochecha. – Como está?

– Como está você! – Ele apontou para as sacolas de natal. Quando ela falava aparecia um rubor em suas bochechas, mal o encarava e olhava para o chão e para as mãos repentinas vezes. – Nunca mais apareceu!

– Me desculpe, eu estou resolvendo alguns casos interessantes.

Hm. – Apertei sua manga com a expressão de “Não vai me apresentar?”.

– Molly essa é Irene, Irene essa é Molly. – Ele gesticulou.

Prazer em conhecer você. – Sorri e estendi a mão. Ele pegou e sorriu. – John e Sherlock falam muito bem de você.

– Ah é? – Ela sorriu. – Eu trabalho no mesmo hospital que Sherlock... Trabalhava quando ele estava “vivo”.

Eu sou uma amiga. – Sorri.

– Ah... Foi você quem eu vi morta no natal passado. Sherlock e Mycroft foram te visitar no hospital, sua família estava tão triste e Sherlock passou mais de meses compondo apenas músicas tristes.

Não era minha família, acredite... E foi por uma boa causa... No final foi apenas uma brincadeira. – Sorri sem graça. Não tinha sido uma brincadeira, eu tinha que forjar minha morte para Moriarty não me achar.

– Bem perigosa. – Ela sorriu também. Ela começou a conversar com Sherlock sobre o trabalho, os dois tinham tanto que falar, eu me sentia sobrando obviamente, mas não comentei mais nada, ele parecia estar feliz, talvez porque ela era o certo para ele. Chegamos ao fim do shopping, ele gentilmente nos acompanhou enquanto conversava conosco, depois acenou e foi embora a passos calmos.

Ela é muito gentil. – Comentei enquanto entrávamos no táxi. Rapidamente chegamos a Baker Street. Eu tinha apenas algumas sacolas em mãos, mas estavam lotadas de enfeites natalinos e presentes. Subimos em silêncio, eu me sentia péssima, por estar casada e sentir ciúmes dele depois de tanto tempo, mas eu poderia lidar com isso, se eu não soubesse que se eu fosse embora, embora de verdade para nunca mais voltar ele ficara com Molly. Então eu realmente estava me sentindo péssima. Sherlock mexia em seu celular enquanto segurava a porta da sala para eu passar. John fez uma cara de felicidade quando viu que eu tinha comprado enfeites de natal. Provavelmente Sherlock tinha dado um fim nos do ano passado e não deixava o pobre Watson comprar novos. Coloquei as compras no sofá, John imediatamente tirou os pacotes de dentro da sacola e colocou no tapete da sala. Mrs. Hudson surgiu chocada com enfeites, mas feliz, por finalmente conseguir embelezar a árvore de natal com o que quisesse. Olhei para Sherlock, ele colocou o casaco no sofá ao lado de John, acenou para o mesmo e depois pegou o notebook e puxou a poltrona para o lado da janela, estava chovendo, mas ele abriu a janela e se sentou lá. Começou a digitar algo e a ignorar todos na sala como sempre fazia. Será que desta vez ele estaria pensando nela?

– Irene, você ficará para o natal não é? – Mrs. Hudson perguntou feliz assim como John que arrumava a árvore como se fosse seu último sopro de vida.

Acho que sim. – Olhei para Sherlock, mas ele não falou anda e continuou a digitar como se não tivesse escutado. Eu me divertia sentada no tapete entregando os enfeites a John e Mrs. Hudson enquanto os dois decoravam como queriam a árvore. Talvez fosse tão importante para eles porque há muito tempo foram privados de fazer isso por Sherlock.

– Mrs. Hudson esse natal teremos Irene e Mary a mais!

– Que felicidade. – Sherlock falou sarcasticamente enquanto digitava. – Natal, todos entregando presentes, sendo felizes e reunindo todos.

– Começou... – John sorriu para mim e disse em silêncio, gesticulando as mãos para eu não ligar para o que Sherlock falava.

Molly vai vir? – Perguntei passando outro enfeite a Watson.

– Molly sempre vem! – Mrs. Hudson falou feliz enquanto tentava colocar a estrela no topo da árvore.

– Você poderá conhecê-la. – John falou.

– Eu conheci hoje... No shopping com Sherlock. Parece ser bem gentil.

– Molly é verdadeiramente muito gentil e uma grande amiga, mesmo que Sherlock não reconheça às vezes.

Hmm. – Sherlock pulou no chão na mesma hora em que escutámos um barulho de vidro quebrando. – O que foi isso?!

– Algo bateu no vidro da janela e quebrou. – John correu para examinar a janela. Sherlock se levantou rapidamente, e correu para examinar também. Eu fiquei sentada no tapete olhando a rapidez que os dois examinavam a janela.

Oh Mrs. Hudson, como a senhora aguenta esses dois loucos? – Sorri e me levantei para ajuda-la enquanto ela ria.

– Me pergunto o mesmo todos os dias, mas já amo os dois, como meus filhos. – Sorri e ajeitei a estrela no topo para ela. – Pode pegar aquele enfeite no chão? Meus quadris não são mais os mesmos. – Ela sorriu generosamente.

Claro, sem problemas. – Peguei o pacote de enfeites e segurei enquanto ela colocava na árvore. – Descobriu o que foi? – Perguntei quando Sherlock apareceu do meu lado assanhando o cabelo com impaciência.

– Não, não sei o que foi... O vidro rachou por isso não dá para ver o formato, eu queria tentar pegar na varanda, mas John não deixou.

– Porque não é uma varanda! É um detalhe da janela que se você pisar vai cair lá em baixo!!

– Acha que foi do apartamento da frente? – Sherlock cutucou John enquanto ele segurava o pisca- pisca.

– Não, no apartamento da frente só mora um velhinho.

– Idai?!

– Sherlock! – Mrs. Hudson olhou mexendo a cabeça. Você não vai importunar o senhor, está louco?

– Mas... – Abracei sua cintura e sorri. Ele olhou para mim e beijou minha bochecha. – Vai realmente ficar para o natal?

Não sei... – Tornei a responder. Sherlock caminhou para o quarto. Fiquei na sala com Mrs. Hudson e John, estávamos colocando o pisca-pisca e depois tínhamos que colocar as meia de natal na lareira, Mrs. Hudson queria ajuda para eu escolher algumas comidas natalinas e John ainda iria ligar para confirmar os convidados. – Mas vocês fazem tudo isso se ainda faltam mais de duas semanas para o natal?!

– Onde está Sherlock? – John perguntou atravessando a sala e indo em direção à janela.

No quarto. – Respondi.

– Não! Não era para ter deixado ele sozinho no quarto! – Ele apontou para a janela. Corri para ver. Sherlock atravessava a rua sorrateiramente mesmo com a chuva e estava indo bater na porta da frente. Não me lembro de ter corrido tanto atrás de algo ou alguém. Mrs. Hudson me deu uma torta para eu levar e impedir Sherlock de importunar o homem. Atravessei a rua quase caindo, mas cheguei a tempo de ver Sherlock tocando na campainha.

O que está fazendo?! – Gritei.

– O que você está fazendo aqui?! – Ele me olhou com espanto.

– Posso ajudar? – O homem atendeu, não era tão velho, tinha mais ou menos quarenta e alguma coisa.

Nós moramos aqui na frente e gostaríamos de lhe oferecer essa torta. – Sorri e abracei Sherlock que me olhava incrédulo.

– Obrigado. – Ele pegou a torta e sorriu para Sherlock.

– O senhor...

De Nada, obrigada pelo seu tempo. – Peguei o braço de Sherlock e arrastei-o pela rua. John apareceu na porta e me ajudou a coloca-lo para dentro. – Está louco?!

– Não! Eu precisava saber se ele tinha quebrado a janela!

– Sherlock!

– Você saiu pelo quarto? Pela janela do quarto de novo?! – John gritou mexendo a cabeça em visível descontentamento. – fechei a porta e segui os dois pela escada até a sala.

– Sherlock que vergonha, porque não deixou o pobre senhor em paz?! – Mrs. Hudson falou.

Não é um senhor Mrs. Hudson. – Respondi. Sherlock voltou para o quarto, segui e chamei enquanto batia na porta que a pouco ele tinha fechado.

– O quê?

– Quero ter certeza de que você não vai fugir de novo. – Respondi. Ele abriu a porta e entrei no quarto, sentei rapidamente na cama. – Então? O que você faz para passar o tempo? – Ele fechou a porta e seguiu para perto de uma mesa.

– Experimentos, casos e uso o computador. – Ele tirou uma arma da gaveta e começou a atirar na parede.

Sherlock! – Gritei assustada. – Largue isso! – Peguei a arma de sua mão, descarreguei e coloquei de volta a gaveta.

– I’m bored. – Ele falou. Jogou-se na cama e colocou o travesseiro em cima do rosto.

Não é motivo para atirar na parede. – Deitei ao seu lado e abracei sua cintura. — Podemos tentar jogar algo.

– Cluedo!

Não vou jogar cluedo com você, John disse que você trapaceia.

– Eu não trapaceio, só acho que a vítima pode ser o assassino.

Não pode... As regras do jogo não são assim.

– As regras do jogo são chatas.

– Interessante.

– O quê?

Nada... – Sorri e passei os dedos pelos seus cabelos. Ele suspirou e fechou os olhos.

– O que está esperando para ter certeza se vai ou não passar o natal aqui?

Como sabe se eu estou esperando algo?

– Você está?

Não.

– Me parece que está.

É James... E tudo isso acontecendo... Ei! Primeiro natal que vou passar com você!

– É... Se não tivesse fugido antes. – Cutuquei sua costela e ele riu.

Você vai superar... Além do mais, você tem Molly.

– Como é?

Você tem Molly. – Repeti tentando tirar o nó que se formou em minha garganta.

– Que história é essa Mrs. Adler? Que história é essa que tenho Molly? É claro que eu tenho, ela é uma amiga. – Ele sentou de pernas cruzadas na cama e começou a brincar com a minha mão.

Sherlock, ela gosta de você.

– Eu também gosto dela.

Eu digo, além da amizade. – Ele olhou para mim e franziu as sobrancelhas.

– Está querendo dizer que não vai passar o natal comigo porque Molly gosta de mim?

Sim, eu poderia dizer isso... Ela merece você.

– O que você está dizendo?!

Mas você não a merece... Ela é tão boa e gentil... Você por aí, atrás de cadáveres.

– Você não morreu ainda.

Sherlock!

– Falou como Mrs. Hudson! Acho que está aprendendo. – Comecei a rir de seu comentário.

Verdade, pareceu Mrs. Hudson. – Beijei sua bochecha e me dirigi à porta.

– Aonde vai?

Ajudar Mrs. Hudson a escolher as comidas natalinas. – Fiz uma careta. Não era o estilo de pessoa que eu era.

– Que tortura. Não precisa ir agora. – Ele puxou meu braço de volta à cama. Sentei e olhei para seu rosto. — Me conte sobre James. – Ele pediu.

Não vai querer saber.

– Então me conte sobre seu filho.

Você nem se importa. – Sorri. – Me conte sobre Molly.

– Importa?

Me diga você.


Notas finais
Sim eu custei, desculpeeem Y_Y Estou arrumando minhas coisas para uma viagem então estou sem tempo, mas não abandonarei vocês! =)
Ahhh é eu amei o jeito que esse capítulo acabou *-*'
* Foge de facadas *
Vou postar o próximo capítulo antes do natal se Deus quiser :D
Obrigada AsgardianSoul pela recomendação *-* ♥