Would You Have Dinner With Me?
30 You have my word.
– Deveríamos contar a John.
– Nós vamos contar. – Ele sorriu e colocou a mão nos bolsos.
– Agora. –Enfatizei enquanto observava seu rosto. Ele suspirou lentamente. Passávamos por um amontoado de pessoas enquanto várias olhavam sugestivamente para nós. Com toda aquela gente eu me sentia vulnerável, como se alguém na multidão pudesse a qualquer momento matar Sherlock. Na verdade, eu sabia que se Sebastian quisesse, Sherlock não estava levando muito a sério as consequências, não dificultava muito as coisas. Não conseguia entender o porquê. Talvez pela adrenalina ou por praticidade, de qualquer forma, para mim, nada justificava seu comportamento.
– John está na lan house, nós já sabemos o dia marcado, não precisa-.
– Você confia em Sebastian mais do que aparenta? Você definitivamente está me assustando. – Falei impaciente enquanto mexia em uma porção de terra molhada com a ponta da galocha. Grudou uma parte na sola, mas rapidamente soltou-se.
– Ele não perderia tempo em mandar um mensageiro apenas para enrolar. – Disse Sherlock pensativo.
– Talvez ele ache que você pensa assim e vai fazer exatamente o contrário.
– Você acha que por apenas contar logo a John as coisas vão ficar mais seguras? Lestrade não vai desgrudar, é capaz de ficar vigiando os quartos de todos nós se ele souber que algo está “mais perigoso”... – Ele disse, fazendo sinal com os dedos. -... Do que o normal. Suspirei. Sabia que era verdade. Um calafrio passou pela minha espinha, puxei o cardigã que roçava em meio queixo e me encolhi. A brisa fria passava por nós sem piedade. Estava apenas de short e o vento parecia congelar meus ossos. Caminhávamos para a pousada. Eu sabia que Sherlock estava morrendo de tédio, eu também estava. O lugar parecia ter um bom ciclo de visitantes, mas nada de mais, eu compreendia o fascínio que os turistas tinham pelo cão dos Baskerville porque eu compartilhava do mesmo interesse, apesar deles acharem que a lenda era real, eu via como uma história sobre algo misterioso e incomum, que de alguma forma me atraia. O sol que tinha começado o dia iluminando cada centímetro do lugar cedeu seu espaço para um dia cinzento com nuvens carregadas. Aos poucos que nos distanciávamos da cidade, conseguia ver alguns moradores fechando as janelas esperando proteger a casa da singela chuva que estava por vir. Não comentei mais nada, continuei reservada imersa em meus pensamentos. Hamish estaria bem e protegido? O que será que ele estaria fazendo naquele momento? Talvez experiências, manchando algum carpete alheio do hotel. Um sorriso bobo preencheu meus lábios. Tornar-se-ia comum suas experiências novamente? Como eu poderia saber? Tão perto e devidamente tão longe de mim. Meu sorriso se desmanchou. – Está pensando em Hamish. – Ele constatou. Levantei meu rosto, não percebera que ele estava me observando.
– Como sabe?
– Este vinco em sua testa. – Ele sorriu discretamente. – Não precisa se preocupar, ele está bem.
– Não respondeu minhas chamadas ontem. – Encolhi-me. Ele franziu as sobrancelhas, puxou a manga do casaco e olhou o relógio.
– Não poderia mesmo. Está seguindo meu cronograma de voos. Eles não foram direto para a Suíça, para falar a verdade ainda nem chegaram. Essa hora devem estar embarcando em Sydney.
– Quantos voos estavam programados? – Perguntei surpresa.
– Coloquei sete. – Sherlock comprimiu os lábios. SETE?!
– Sete voos?!– Parei mecanicamente. – Sete voos? Uma coisa é despistar, a outra é matar eles antes mesmo de chegarem à Suíça!
– Pelo menos chegarão seguros.
– Se chegarem. – Andamos por mais alguns minutos. Chegando a pousada, ficamos praticamente cinco minutos limpando os sapatos no tapete de cor vermelha da frente porque o recepcionista não queria nos deixar entrar. Tirei as galochas e entreguei ao homem, enquanto ele anotava algo em um bloquinho branco com a letra torta e adicionava a taxa do aluguel delas na conta do quarto. Atirou-as no cesto para serem lavadas e me devolveu minhas botas. Subi descalça enquanto Sherlock me acompanhava. – Então, o que vai fazer hoje?
– Não sei. Provavelmente vou me juntar a John na lan house.
– Ele queria falar com Mary, talvez esteja usando vídeo conferência.
– Certamente. – Vagamos pelo corredor até eu chegar ao quarto, enfiar a chave no trinco da porta. Puxei-a para ele passar. Ele entrou, tirou a casaco e jogou-se na cama espalhando os lençóis. – Você não arrumou a cama, estou perplexo.
– Você não penteou o cabelo e eu nem estou perplexa. – Falei enquanto tentava ajeitar seus cabelos desgrenhados. Passou os braços pela minha cintura e beijou meu tórax. Franziu as sobrancelhas e mordeu o lábio. – O que foi?
– Você me faz duvidar de mim mesmo. – Sentei ao lado dele, ele segurou meus pulsos ao redor de suas mãos. — Como sempre, mal consigo deduzir alguma coisa sobre você, quando já estou a ponto de saber o que está pensando, na verdade, pode ser bem óbvio para todos.
– Não é verdade e eu não consigo saber o que está pensando, isso é bom... Digo... Qual a graça em saber tudo?
– Não tem graça nenhuma em não saber nada, no entanto, com você é diferente, parece excitante ou misteriosa. Tem algo em você que eu não consigo declarar como óbvio ou deduzir. – Encostei seus lábios nos meus por um tempo e depois em afastei. Ajeitei o colarinho de sua blusa.
– Eu quero que me diga o que está pensando. – Sussurrei em seu ouvido enquanto despia-me. Beijei seu pescoço, ele suspirou, comecei a puxar suas peças de roupas atirando-as pelo chão do quarto.
– Não é exatamente... Uma ocorrência normal, mas está nebuloso. – Sorri enquanto mordia seu queixo.
– Deixe-me entretê-lo Mr. Holmes. – Puxei seus pulsos e apoiei minhas mãos eu seu peito enquanto afundava os quadris movimentando lentamente. Lambi seus lábios, seus dedos puxaram-me com força, comecei a distribuir deliberadamente beijos por seu pescoço, um gemido suave escapou de meus lábios quando ele começou a combinar, testar e procurar novos movimentos. – Isso... Não é concorrência. — Gemi em seu ouvido quando ele tentava me conduzir em movimentos diferentes. Ele sorriu seu riso abafado em meu pescoço. Suas mãos passavam meus seios, quadris, costelas, em toda parte. Puxou o elástico de meu cabelo, se desfazendo em camadas pelas minhas costas.
– Estava pensando se ele era tão sedoso quanto sua pele. – Ele sussurrou. Procurei me concentrar na sensação dele o redor de meu corpo. Estava com os lábios entreabertos gemendo roucamente. Distrai-me com seus dedos em minha cintura, batendo em sequencia melodias de músicas. Enterrei minha cabeça em seu ombro mordendo e lambendo seu pescoço, uma marca roxa já se formando onde meus dentes tinham passado. Então ele apertou meu quadril contra o dele com mais força, depois me soltou, rolou na cama e puxou um caderninho de couro de dentro do bolso do casaco jogado no chão. Gemi passando os lençóis ao redor de meu corpo.
– Precisa fazer isso agora? – Perguntei, observando ele anotar algo no caderno, sussurrar algumas notas e se apoiar na cômoda de madeira.
– Shh. – Ele disse absorto enquanto continuava a anotar. Bufei. Observei sua nudez memorizando cada curva, cada cor, musculatura e sua respiração. Pressionei dois dedos em meu clitóris e suspirei. – Não, você não vai fazer isso. – Ele disse, tirando minha mão e puxando-me da cama. Colocou-me em cima da cômoda preenchendo-me. Arfei. Seus movimentos começaram lentos depois ficaram mais rápidos, meus gemidos ecoando pelo quarto. Puxei seus cabelos quando a cômoda começou a bater de encontro à parede, sua força aumentando.
– Mais... – Gemi. A pressão aumentava nossas respirações descompassadas, não conseguia me mexer, seguindo sua força, orientação e eletricidade contra meu corpo, segurou meus seios com firmeza, à cômoda batia tanto na parede que parecia um frenesi. Saboreei seus lábios abafando nossos gemidos, meus braços ao redor de seu pescoço, puxando-o para mim, enquanto seus braços me apertavam com os músculos contraídos.
– Percebe... A deliciosa... Reação química? – Ele perguntou em meu ouvido entre gemidos, trazendo arrepios em meu corpo. Sentia um prazer imenso e ainda maior quando pensava em como era tê-lo em meus braços, tão único, inteligente, fascinante, enigmático, atraente... E meu. Conseguia me ver como o resto do mundo não podia. Um movimento rápido ele abriu mais minha pernas, colocando-as ao redor de seu quadril, Penetrou-me mais uma vez e gemeu. Um som de algo partido irrompeu no quarto. Ele Empresou-se contra mim novamente, seu rosto enterrado em meu ombro.
– Sherlock... - Beijou meu ombro, observei seu peito ofegante, arranhei suas costas enquanto ele apertava seus lábios ao redor de meus seios. Tirei suavemente com a ponta do dedo uma gota de suor que escorria por sua testa. Tinha chegado ao ápice, ele estava pulsando dentro de mim, rapidamente liberando fluido quente. Gemeu em meus lábios. Ficamos ali por um breve momento escutando nossas respirações voltarem ao normal, nossos corpos ainda juntos, molhados de suor. — Do you liked the dinner Mr. Holmes? – Sorri maliciosamente. Ele me levantou da cômoda, sentei na cama observando-o.
– Extraordinário. Levou mais tempo do que o normal. – Ele disse. Sentou-se ao eu lado e voltou a rabiscar no caderno encostando-se a cabeceira da cama. – Nós, nós não...
– Se está se referindo a usar proteção... Eu coloquei DIU¹ Sherlock. – Sorri. — Preciso de um banho. — Puxei seu braço. Liguei a água fria para a banheira, ele sentou-se na borda. Esperei encher enquanto ajeitava-me em frente ao espelho. Voltei minha atenção para seu corpo, beijei seus lábios enquanto acariciava seus braços. Empurrei-o para dentro da banheira.
– Argh! – Um mesclado de surpresa e maldade surgiram dele. Desliguei a torneira e sentei-me ao seu lado, passando os dedos por seu peito. Comecei a passar shampoo em seu cabelo, ele de olhos fechados suspirava. Acabando o banho, procurei minhas meias pretas, saia e blusa nude. Coloquei tudo na cama, estava de lingerie preta procurando minhas botas enquanto Sherlock se vestia. – Quebrei a cômoda. – Ele disse simplesmente. Virei para ver ele examinando-a, um pedaço de madeira partido no chão e a parede danificada onde a cômoda estava. Vesti-me observando ele tentar ajeitar a cômoda sem sucesso.
– Está vendo o estado da cômoda?
– Óbvio. – Ele disse, de frente para ela.
– Imagine o meu. – Ele passou os dedos por meu queixo e sorriu. – Estou faminta! – Levantei e puxei-o pelo corredor. Descemos as escadas rapidamente, rindo ou sussurrando algo. Chegamos à área de alimentação, John e Lestrade seguravam bandejas com pratos na fila para escolher o almoço. Sherlock se recusou a pegar uma bandeja, disse que não estava com fome. Acompanhou-me enquanto passávamos por um bife variado, bastante colorido. Coloquei salada com azeitonas picadas, peito de peru e azeite. Sentamos à mesa de John e Lestrade. Por um momento permanecemos em silêncio, conseguia apenas escutar o barulho de garfadas desajeitadas contra o prato de Lestrade e John cortando um pedaço de linguiça branca disciplinadamente. – Conseguiu falar com Mary? – Perguntei, tentando conversar sobe algo, enquanto cutucava com o garfo um pedaço de batata refogada.
– Consegui. – Ele sorriu animadamente. – Sherlock terminou de fazer seus experimentos? – Sherlock olhou para mim e sorriu maliciosamente.
– Ainda não. – óbvio que John se referia ao relatório sobre o solo, mas Sherlock respondeu como outra coisa. Suspirei e voltei minha atenção para o prato. Espetei com o garfo um pedaço de frango e coloquei na boca de Sherlock.
– Gostou? – Perguntei enquanto olhava ele mastigar.
– Sim, é bom. – Comi minha salada intercalando as estregas furtivas de pedaços de peru para Holmes.
– Alguma noticia sobre Sebastian? – John perguntou aproveitando quando Lestrade se levantou para repetir.
– Sim, três dias... Na charneca. – Sherlock sussurrou. John ficou inquieto. Levantei-me da mesa com Sherlock, seguimos para o hall, nada propriamente para fazer. Algumas crianças assistiam filme pelo celular. Saímos para andar no gramado em frente à pousada.
– Seria correto visitar a charneca antes?
– Não sei. – Ele respondeu pensativo. Passei meus dedos por sua cintura, apoiando minha cabeça em seu ombro. Ele retirou o celular do bolso e rapidamente atendeu. Um breve sorriso apareceu em seus lábios. – Sim, exatamente esse hotel. Ótimo, sim. Vou passar. – Entregou-me o celular.
– Mãe?
– Ham! – Apertei o aparelho contra o ouvido. – Como está?
– Bem, cansado, com fome. – Sorri.
– Está se comportando?
– Sim, sim.
– Certo, descanse um pouco, estava preocupada.
– Estamos bem, Mrs. Hudson manda um abraço.
– Outro para ela. – Desliguei o celular e passei de volta a Sherlock. — Onde está indo? – O observei caminhando de volta para a pousada.
– Acho que tenho algo em mente.
– Como assim? – Ele estendeu a mão para acompanha-lo. Chegamos à recepção, ele conversou com o rapaz atrás do balcão por um tempo. O homem pegou um mapa e circulou um lugar. Entregou a Sherlock enquanto gesticulava e mexia as mãos, provavelmente ensinando como chegar a algum canto. – Então? – perguntei quando vi Sherlock rodando as chaves do carro nos dedos.
– É surpresa. – Ele sorriu, aparecendo as covinhas.
– Certo, eu acho... – Olhei desconfiada. Puxei a porta do carro com força, sentei no banco de lado do de motorista. Puxei o cinto e pressionei a aba contra o encaixe, fazendo o típico *clic* metálico. Fechei a porta, agora minha atenção em Sherlock. Ele começou a dirigir calmamente, tentei extrair algo de seu rosto, algum sinal para onde íamos, mas ele se mantia firme em seu propósito, nada. Comecei a bater os dedos no banco de couro. Abri a janela, deixando o vento passar por meus cabelos, uma brisa fria grudava um pouco em meu rosto. Observei o céu. – A chuva não vai atrapalhar o passeio? – Perguntei curiosa.
– Não. – Ele sorriu. Não estávamos indo para a cidade, parecia um pouco afastado da pousada, consegui avistar uma espécie de mansão antiga, muito bem conservada em meio a um campo extremamente verde cheio de marcações e pessoas com uniformes coloridos. Um clube. Realmente não esperava por isso. Entramos na fila para pegar o ticket de entrada para estacionar o carro. Quando conseguimos um lugar vago na sobra, entramos pelo hall secundário com poucas pessoas, obviamente mais reservado. Um mapa gingante estava grudado em uma porta de vidro escandalosa. Sherlock retirou o casaco, colocou-o no braço segurando firmemente enquanto pressionava a ponta do dedo contra algumas atividades do clube.
– Diga que não vamos jogar cricket. – Comentei, mas ele continuou sem me responder. Atravessamos alguns corredores extremamente longos, para minha surpresa, achava que iriamos jogar algo no gramado. Algumas portas largas fechadas tinham letreiros em cima que indicavam salas com jogos diversos. Sherlock parou em uma porta branca, pressionou dois cartões, um seguido do outro em um aparelho digital grudado na parede e abriu a porta para mim. Observei o lugar curiosa. Uma sala grandiosa, com vários tons de branco e bege, colunas de mármore, sofás Luiz XV de cor vermelho bem robusto com estampas de renda. Diversos tipos de abajur de cor creme com luzes brancas, colchões cinza em algumas partes da sala. Muitos espelhos, em praticamente oitenta por cento da sala existiam espelhos. Sons crepitantes ecoaram do outro lado da sala. Virei o rosto lentamente para observar de onde tinha se proliferado. Um homem com traje preto e masca “lutava” com outro no canto extremo da sala. -Esgrima! – Falei chocada. – Não acredito! – Tentei voltar pelo caminho que tinha percorrido, mas Sherlock foi mais rápido, pegou minha mão rapidamente me conduzindo para um balcão de mogno onde tinha uma atendente sorridente.
– Boa tarde, como posso ajudar? – Ela usava um uniforme creme com dourado, cabelos loiros presos em um coque social. Tinha um corpo esbelto, lábios salientes, nariz fino e longo que demonstrava aparência séria.
– Nós queremos dois pacotes.
– Com roupas também?
– Não. Um pacote completo sem roupa e um simples.
– Presumo que o senhor saiba?
– Sim. – Ela sorriu, entregou dois pacotes brancos, passou os dois cartões em outro leitor e devolveu para Sherlock. Ele guardou no casaco. Seguimos para uma estante branca, colocando objetos de uso pessoal. Tirei meus brincos e coloquei em uma caixinha tímida no alto da estante.
– Eu não tenho a mínima de ideia de como segurar isso... Espada... Foice? – Falei enquanto tentava segurar à bendita. Sherlock retirou-a de minhas mãos e passou-me luvas. Soltei os cabelos para que os grampos não me machucassem se eu me movesse bruscamente ou caísse. Coloquei a máscara branca, enquanto observava Sherlock sem a máscara, apenas com luvas.
– Dizem que esgrima já existia pouco antes de mil trezentos e cinquenta. O nome não é foice e essa não é uma espada, é um florete. – Ele disse, passando-a pelas mãos. Era toda de prata legítima, muito pesada, fina e com um cabo de desenhos cravados em alto relevo. Peguei a minha e segurei-a pisando em cima do colchão. Ele colocou a máscara, mas não usávamos as roupas adequadas. Começou a demonstrar alguns movimentos, pediu para que eu repetisse, fiz como pediu. Depois de algum tempo se repetições, risadas e suspiros finalmente ele decidiu que podia se divertir um pouco e lentamente tentou competir comigo. O movimento foi rápido, impôs o florete contra ao meu fazendo uma curva, rapidamente retirou e fiquei se nenhum. Estendi a mão para ele me devolver. Rapidamente ele avançou contra mim, bati o florete no dele e ele recuou. Retirou a máscara mostrando sua expressão surpresa, sorriu. Parecia como alguém que realmente queria um desafio. Dei um pequeno salto em sua direção, encurtando a distância, depois um longo salto para frente enquanto nossos floretes se chocavam. – Isso foi uma balestra!
– I’m not so sorry. – Sorri. Ele rebateu rapidamente percebendo que eu sabia os movimentos, fazendo um circulo com os floretes consegui apontar para seu peito.
– Você fingiu que não sabia, isso é trapaça. – Ele disse, enquanto eu ainda tinha o florete quase encostado em seu peito. Devolvi seu florete e recomeçamos. Um ataque por macha e fundo, contra coupé então ele apontou o florete para mim encostado à extremidade da lâmina do florete quando estava parada.
– Empate. – Falei, pegando meu florete caído no chão, enquanto ele pulava de um colchão para o outro e rodava rapidamente o dele na mão, habilidosamente.
– Não, será “barrage”, quero desempate.
– Você simplesmente não sabe perder ou ficar igual?
– Não com você. – Ele sorriu. Mordeu meu lábio inferior, o empurrei para longe, deslizou no colchão e caiu.
– Deus! Desculpe você está bem? – perguntei, ajoelhando-me ao seu lado, tirando o florete de suas mãos para ele não se ferir.
– Sim, ótimo. – Ele disse, ajeitando-se no colchão. Segurei seu braço ajudando ele a se levantar. – Não poderia morrer antes de encontrar-me com Sebastian. – Dei uma leve tapa em seu ombro.
– Como pode falar isso?
– Falando. – Ele respondeu indiferente. Tentou alguns golpes contra o ar e começou a pegar na ponta da lâmina.
– Diga que tem um plano.
– Eu não quero falar sobre isso. – Ele continuou. Atirei o florete no chão com raiva. O baque fez todos os presentes na sala olharem. Peguei minhas botas e brincos no guardador de volumes e sai da sala fechando a porta com um baque atrás de mim. Andei praticamente correndo e me calcei sustentando em uma parede. Sherlock agora já tentava me alcançar. Desci as escadas praticamente correndo, ele apareceu alguns minutos depois e segurou-me pelo braço.
– Não. – Falei antes que ele pudesse argumentar. – Não quero ouvir nada que você tem a dizer. – Ele pensou por um momento no que eu falei e largou meu braço.
– Sinto muito.
– Eu também. Passe-me o celular. – Ele olhou surpreso, tirou de seu casaco e entregou-me. Atravessou o hall e foi pagar a entrada e o aluguel dos objetos. Segurei o celular firmemente e atravessei o hall.
– O estacionamento é para o outro lado. – Ele suspirou. Estava debruçado no balcão entregando os cartões e me observando.
– Quero ir a pé. – Ele parou e virou-se para mim. – Sozinha. – Enfatizei. Atravessei o hall sem olhar para trás. Andei por um com caminho verde finalmente saindo do clube. Passei por uma faixa de terra abandonada e comecei a ver as árvores familiares da vista do quarto da pousada. Andar para afastar os pensamentos não funcionou. Parei por um momento encostando-me a uma árvore cheia de musgo. O celular começou a chamar. O número era estranho e de alguma forma a curiosidade despertou em mim, na tela do celular em letras maiúsculas se lia “Por raios não atenda”. Cliquei no botão e pressionei contra o ouvido.
– Sherlock?
– Não é Sherlock. – Respondi rapidamente. Mycroft. – É Irene. – Longa pausa.
– Estava precisando falar com você. – Ele disse lentamente. Tentei digerir suas palavras. Comigo?
– Comigo...? – Perguntei.
– Sim. Sei que estão em Baskerville, vi a carta traduzida na mesinha de vidro esta tarde. Sei que pode ter dúvidas quando o sucesso de Sebastian. Serei direto. Embora Sherlock sempre tenha um plano, esse pode ser um que sua verdadeira morte seja incluída. Está me entendendo?
– Sim. – Sussurrei.
– E já percebeu onde eu vou chegar?
– Sim.
– Ótimo. Quero que me prometa que vai fazer. – Ele nem sequer hesitou.
– I will, you have my word¹.
¹ Você tem a minha palavra.
¹ DIU — Dispositivo intrauterino.
Notas finais
Devo informar que ponderei bastante sobre esse capítulo, estava totalmente inspirada no começo, quando, procurei no nyah por algumas fanfics de Sherlock que fossem boas, pois várias leitoras já me pediram indicações. Fiquei chocada com uma fanfic ( que não vou citar ) que faz analogia a várias coisas de minha história. Não quero divulgar porque não sou fan e nem nunca fui de brigas e desdenhas, portanto sem nomes, mas em qualquer caso, o print foi tirado. Enfim, a inspiração tinha me abandonado por um tempo, ficava pensando, - De que adianta tentar escrever e e transferir criatividade para o papel -ou melhor- para a fic digital, se a cada novo capitulo surgem variedasdes muito parecidas em outra fic de mesma categoria? - Então, ocorreu-me que eu iria um pouco além. Minha inspiração aparentemente voltou, na minha opnião, esse foi o melhor hot escrito por mim até agora, tive que levar um tempo para estudar os detalhes de esgrima e aprofudamento de horas e horas observando as curiosidades e fatos raros de Sherlock Holmes que pensei, desta vez não. Porque tudo aqui está tão claro com um espelho. O que estou querendo dizer é, " Raios, agora você não copia!" . Estudei tanto cada detalhe, e estarei de "olho" para saber o conteúdo. Não desistirei dessa fic, e agora, terei mais cuidado com o meu material, guardando provas de que realmente é meu. Obrigada por ler esse desabafo gigante, espero estar postando o capítulo seguinte nesse final de semana, quem sabe?
Agora, finalmente podemos falar de algo bom?
Estou me dedicando e escrevendo muito neste momento, provavelmente porque a ispiração voltou. Uma nova fic vem por aí! Ela não será da categoria Sherlock, mas acho que não vai decepcionar vocês. Ela já tem nome e inclusive capa! Estão curiosas (os) ? Dica para as (os) leitoras(res) detetives: Algo haver com uma certa data de junho, e algo haver com certa pessoa...
P.s: Porfavor, não é uma comemoração tipo "São joão". -.-'
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