Would You Have Dinner With Me?
15 What, in your bedroom?
Peguei uma xícara com chá para ver se me acalmava. Minha cabeça trabalhava a mil tentando imaginar o que Sherlock fez para estar neste estado.
– Mary me desculpe... – Não sabia o que dizer... Não queria que ela tivesse visto Sherlock assim, muito menos que nossa noite divertida tivesse terminado em sangue. Talvez todas as chances com elas tivessem sido jogadas para o alto. – Só... Deixe-me ter a oportunidade de mudar o que aconteceu nesse final de noite.
– Não, está tudo bem John. – Ela pegou a bolsa da poltrona e eu a acompanhei pelas escadas. – Não se preocupe, eu adorei, adorei mesmo sair com você. – Ela corou um pouco quando falou. Passou a olhar para as mãos. Era tão bonita. – Você está livre na quarta?
– Estou sim, aonde quer ir? – Sorri enquanto puxava a porta para ela passar. Na rua deserta a única coisa que fazia barulho era o táxi que eu tinha pedido para levá-la para casa.
– Se você quiser, nós podemos assistir algum filme, eu faço pipoca...
– Ah, adoraria. – Sorri. O taxista abaixou o vidro e mostrou o quanto estava irritado com a demora.
– Quarta então... – Ela beijou-me na bochecha e virou para entrar no carro. – Na minha casa!
– Mary! – Fechei a porta do carro quando ela tinha entrado e me escorei na janela. – Só... Não o julgue mal. Ele não é como você está pensando... — Me referi a Sherlock. Eu tinha visto a expressão no rosto de Mary quando viu Sherlock ensanguentado. – Boa noite. — Segui para a porta e esperei o carro desaparecer pela rua húmida. Fechei a porta e subi as escadas.
– Boa noite John. – Mrs. Hudson sorriu, me abraçou e desceu as escadas. Ela tinha colocado um cobertor azul puído em cima de Sherlock. Eu sabia que era o preferido dela, era bastante antigo, provavelmente era preferido por lembrar a ela algumas boas lembranças.
– Boa noite Mrs. Hudson. – Acenei enquanto ela desligava a luz do corredor das escadas e sumia na escuridão. Sentei em frente a Sherlock em minha poltrona preferida e comecei a bater os dedos em sequência no estofado. – Sherlock, eu sei que você já está acordado, então levante e me conte o que aconteceu. – Sherlock se sentou e puxou o cobertor ao redor do corpo. Provavelmente estava procurando o casaco ensanguentado que Mrs. Hudson tinha levado para lavar.
– John... Eu...
– Você não sabe como estou! Sherlock você não é mais uma criança!
– Juro que dessa vez a culpa não foi minha... Não por completo, apenas uma parcela...
– O que aconteceu?!
– Eu estava vagando pelas ruas quando em uma travessa escura me lembrei de que existia uma rua em que eu queria visitar... Segui calmamente até a rua...
– Imagino.
– Estou falando, me deixe concluir!
– Continue...
– Estava andando pela rua... Com bastante frio devo acrescentar, quando percebi que estava lotada, vários carros caros e pessoas de traje formal abarrotavam a rua e entravam em um apartamento luxuoso.
– Oh Sherlock... Até já imagino o que aconteceu. Você tentou entrar de penetra?
– Eu entrei no apartamento, mas aparentemente a festa era na cobertura. Resolvi me espremer no elevador junto a algumas pessoas e apertei no botão da cobertura. Quando cheguei lá em cima, várias pessoas estavam bebendo, dançando ou falando besteiras... Procurei achar algo interessante, mas não tinha... Tamanha a ignorância na cabeça daquelas pessoas... Pergunto-me como conseguiram tanto dinheiro... Provavelmente metade recebeu honestamente, uma parte roubou e a outra parte não sabe administrar o que possui.
– Você não gosta de festas, o que estava fazendo lá?
– Fiquei curioso.
– Sherlock... Olhe o que a curiosidade fez com você! Quase morreu...
– Eu apanhei, mas...
– Não se defendeu, ou seja, levou uma boa surra meu caro.
– Estou tão marcado assim?
– Está. Aqui dói?- Toquei em um hematoma em seu rosto mais precisamente na maçã do rosto.
– Argh! Não faça isso.
– Então resumindo, entrou de penetra e apanhou?
– Sim, me desculpe por ter deixado você preocupado... E me desculpe por estragar sua noite com Mary.
– Eu estou cansado. Mentalmente e fisicamente. Não se meta em confusões, foi isso que eu disse, você é surdo?
– Desculpe... Oh, não sabia que ele tinha uma mão tão pesada... Foi bem rápido. – Ele passou a mão no corte da boca.
– Quando vi você ensanguentado achei que tinha algo haver com Sebastian.
– Não tem, nem se preocupe.
– Estou cansado, vou dormir. Sherlock, juro que se for preciso eu tranco você aqui. Você não sai sem mim enquanto Sebastian ou qualquer outro estiver por aí.
– Watson admiro sua preocupação, mas...
– Você não sabe ao menos cuidar de sí mesmo! Porque não revidou?!
– Eu já disse que foi rápido!
– Está ficando velho Sherlock... Já pensou em tirar uma folga dessa sua vida? – Ele não respondeu, ficou carrancudo, pegou meu notebook e começou a digitar rapidamente. – Mycroft vai passar aqui amanhã... Se ele ver você assim...
– Bem lembrado. Vou comprar alguns mantimentos amanhã, assim não olho para a cara dele.
– Que seja... Boa noite.
– Noite. – Segui para meu banheiro e tomei um longo banho. Peguei um papel e anotei algumas coisas que eu precisava. Vesti meu roupão e entreguei o papel a Sherlock. – Não que seja da minha conta, mas... Chocolate suíço?
– Eu provei e gostei. Ah! – Peguei o papel e anotei com letra de forma: GELEIA.
– Certo.
– Boa noite.
– Boa noite.
Segui para o meu quarto, tranquei a porta e me deitei na cama, exausto.
– John... – Escutei Sherlock bater a porta rapidamente. Falava baixo e parecia sair engasgado. Levantei da cama e andei descalço pelo assoalho de madeira. Estava tão cansado que meus olhos ardiam.
– Sim, Sherlock? – Ele andou direto pelo corredor e foi para o quarto. Segui, com tanta preguiça que estava a ponto de mais me arrastar do que andar.
– I think we have a client.
– What, in your bedroom? Oh…
Notas finais
Desculpe se tiver algum erro.
Caítulo pequeno mas o próximo é grande! xD
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