Encolhi-me na cama em busca de calor. Sentia meu corpo um pouco entorpecido pelo frio, rapidamente puxei as cobertas leves- Sherlock não sentia frio? Fiz uma nota mentalmente- mas elas não cederam, ficaram presas em algo. Suspirei pesadamente. – Mas que merda... – Sussurrei coisas desconexas que não faziam muito sentido, estava com sono, cansada e com frio. Senti uma mão quente em minha cintura, abri os olhos rapidamente. Sherlock segurava o cobertor, vestida um pijama azul com listras vermelhas, estava sério.

– Vamos, levante, quero que veja algo. – Ele falou lentamente. O quarto estava totalmente escuro, puxei o lençol, cobrindo-me e sentei na cama enquanto observava seu rosto. Algo em sua voz e seu olhar... Estava começando a me deixar preocupada.

– O que foi? – Perguntei com curiosidade.

– Eu achei sua ligação com o homem. – Ele disse, sem desviar os olhos.

E qual é a minha ligação com ele? – Perguntei. Ele fechou os olhos e colocou os dedos nas têmporas.

– Recebi uma carta hoje pela manhã com palavras soltas, sem sentido algum... Então percebi que por palavras, como o homem se referiu a você primeiro, não foram às palavras dele ou as suas, foram a forte analogia aos nomes, seu nome em potencial, completo por ser mais importante... E o nome dele.

Como assim? Você acha que... Ele sabia que ia morrer? Digo... Se precisava do nome dele e ele seguiu o que Sebastian mandou... Falou comigo, ele sabia que ia morrer?– Perguntei atirando minhas perguntas para cima dele.

– Não, ele seguiu na esperança de não morrer. – Ele falou calmamente, sem sentimento algum, não se via sequer pena ou algo que uma pessoa normal sentiria.

Você sabe o nome dele? – Percebi que não tínhamos sequer perguntado o nome do homem na noite de sua morte.

– Oitenta por cento de todos os jornais do país informaram a morte dele, seu nome é Stanley. Mycroft foi escalado para o caso.

Mycroft... Para o caso? Está brincado.

– Não estou. Sei que é irônico, mas não sabiam do relacionamento entre os dois... E Mycroft estava conversando com ele pelas câmeras... Nós aparecemos também, mas nada foi divulgado ainda.

Certo hum...Então, como... Como formará pelos nomes as mensagens?

– Eu disse que recebi outra carta... — Ele sentou-se ao meu lado e começou a fazer círculos no meu pulso direito, totalmente absorto explicando seu raciocínio. Ele olhava para as paredes do quarto, seus olhos em uma nébula encantadora, incrível. – A inicial dos nomes com as frases encaixam-se perfeitamente.

Oh... Você já tem as palavras?

– Sim, só precisamos encaixá-las. John está no sofá com as palavras desde 3 horas da madrugada.

Porque não me chamou?

– Porque você estava cansada... Hamish está na cozinha tomando café da manhã. John trouxe algumas roupas de seu apartamento ontem à noite, estão em cima da poltrona. – Ele apontou. Corei imediatamente. Séria tão óbvio que ontem nós iríamos passar a noite juntos? Levantei, segui descalça para o banheiro de azulejo branco, meus dedos batiam no azulejo, estava incomodada com o frio. Procurei minha antiga escova de dente que para minha surpresa ainda estava lá, pensei por um momento em quão estranho era Sherlock não se livrar de minhas coisas. Escovei os dentes, depois os cabelos, prendi com um grampo fazendo o penteado que descia com cachos pretos e depois ondulava levemente. Tomei uma ducha quente, enxuguei-me e peguei a bolsa em cima da poltrona, coloquei na cama desarrumada e fiquei de joelhos no chão de madeira escura, mexendo nela, fazendo bagunça. Puxei uma calça branca apertada que valorizava minhas pernas, uma blusa preta e um casaco preto, sapatos cor nude e maquiagem. Vesti tudo rapidamente e corri para o banheiro passar batom, base, rímel e delineador. Fechei a bolsa, joguei de volta para a poltrona e sai do quarto. Para minha surpresa Sherlock estava de luvas químicas, parecia uma espécie de látex muito grosso, óculos incolor para experiências, estava curvado sobre a mesa pingado com um cota gotas alguma substância de coloração roxa. Hamish estava todo sujo mexendo a massa de algo. Tinha um sorriso enorme no rosto. Beijei sua bochecha, sussurrei “Eu te amo”. Observei John sentado no sofá remexendo os papeis, estava com olheiras, tinha aparência abatida e de tempos em tempos olhava o relógio, depois colocava a mão de volta ao queixo para apoiar o rosto. Provavelmente esperando o horário do trabalho. Sentei ao lado de Hamish no balcão olhando chocada para Sherlock quando descobri o que ele estava fazendo. Cozinhando! Cozinhando que mais parecia ser criando algum remédio. Estava usando os objetos do laboratório para fazer a comida, ele mexia algo em um vidro com tanta delicadeza como se com um erro, algo fosse explodir. Despejou na massa de Hamish. Então como se fosse cronometrado, os dois sorriram. Sherlock suspirou com satisfação.

Não está planejando fazer um bolo venenoso de novo, certo? – Perguntei, só para confirmar, enquanto tirava um pouco de massa que estava grudada no cabelo de Hamish.

– Estamos fazendo panquecas com geleia de uva e... Mexa aquela panela, por favor, os ovos já estão se desfazendo no bacon. – Ele disse enquanto se curvava para olhar a frigideira preta com um cabo incolor. Levantei, passei ao seu lado, meu braço roçou em suas costas, ele se encolheu. Reprimi a vontade de abraça-lo, mexi a frigideira como ele pediu, o cheiro estava ótimo, senti uma pontada de inveja dele, tudo que ele queria aprendia e fazia muito melhor do que eu. Fechei o fogo e coloquei os ovos com bacon em um prato preto quadrado. Hamish mexia com tanta força a massa que espirrava para todos os lados. – Hamish não é assim! Espere, espere, está me sujando! – Afastei-me da bancada sorrindo e me dirigi à sala, olhando pela visão periférica vi Sherlock sujo de massa e Hamish coberto de uma papa cor roxa. Sentei ao lado de John fazendo-o acordar do cochilo.

Desculpe. – Sussurrei.

– Oh, tudo bem. – Ele disse, voltando sua expressão para um rosto cansado de um homem que não dorme bem há dias.

Sherlock te fez ficar acordado não é?

– Fez... Não prego o olho a duas noites, e hoje tenho trabalho e uma festa com Mary. Não sei como vai ser. – Ele disse, gesticulando rapidamente. – Estamos aqui há séculos e empacamos. Uma vez ou outra Sherlock vem aqui mexe nos papeis com tanta felicidade... Depois sai com a habitual cara de tédio. Isso está me deixando perturbado além de que, ele continua me avisando que estamos correndo contra o tempo... Tempo que nem sabemos ao menos quanto... Serão semanas? Dias? Horas? Vai saber. Talvez até já terminou o tempo e nós estamos condenados?

Vai saber. – Repeti. Comecei a mexer no papel. Na mesinha de vidro meu nome estava espalhado em uma ordem sem sentido. Puxei um papel -com a letra de Sherlock- que estava grudado como lembrete do caminho de partida.

Irєทє A∂ℓєr, Sταทℓєy".

I -

Right -

Each -

Nightfall -

English? –


And -



Damage? -


Language -

Easy -

Rain -

Oh. Mas já tiveram um processo e tanto! Onde estão as outras palavras?

– Mas... Você quer juntar as outras com a da outra carta com se completassem? Não acha que seria uma mensagem por carta como uma pessoa normal?

– John... Nós não somos muitos normais sim? Passe-me essa carta, por favor. – Ele abriu uma pasta veste, soltou o elástico que rebateu na pasta formando um barulho * clic*, remexeu os papeis e me passou a carta totalmente lacrada. Observei entre meus dedos atrás de onde Holmes tinha aberto para ler o conteúdo. – Mas está fechada!

– Sherlock passou uma substancia, não queria abrir em caso de precação... – Ignorei-o, passei os dedos pelo envelope vermelho, rasguei e puxei o papel de dentro. Comecei a cortar os nomes e a separá-los na mesa. John começou a mexer e tentar colocar na ordem.

Vê? Onde tem o ponto de interrogação provavelmente é o final, e se é final precisa de algo antes, algo como um verbo para fazer a pergunta, é provável... – Hamish sentou-se todo sujo na mesa da cozinha e começou a comer suas panquecas, Sherlock passou , acariciou os cabelos de Hamish e apareceu comendo bacon para ver nosso progresso. O simples fato de ele ter passado os dedos pelo cabelo de Hamish me desconcentrou totalmente.

– O quê... Agora eu vejo... Vamos supor que comece pelo “eu”. – John continuou.

Isso, vamos começar pelo “eu”. – Começamos a mexer nas palavras, Sherlock não falava nada mas eu tinha certeza que ele estava formando sua própria ordem nas palavras, não sabia se ele tinha percebido, mas ele estava cutucando violentamente com o garfo o bacon do prato.

– Eu no cair da noite... – John murmurou, pensando consigo. – Não vai dar certo.

Porque talvez a ordem não comece pelo meu nome... Se continuar tentando fazer na ordem vai dar errado.

– Certo... – Ele disse, rapidamente passando as mãos pela testa. – Onde está o nome de Stanley?

Aqui. – Passei os papeis com o nome dele.

Sacrifice -

Time -

Alike -

Nature -

Lady -

Essential -

Yard -

– Certo, o que acha de colocarmos um seu e um dele como se fosse em uma ordem...

– Cale a boca. – Sherlock sentou-se no meio do sofá quase em cima de mim e de John, jogou o prato no colo dele e começou a mexer as palavras. Nem piscava. John abriu a boca para argumentar, Sherlock colocou um dedo perto de seus lábios fazendo o sinal de silêncio. – I am at nightfall, will rain at sacrifice of alike and will be easy, see the damage?... – John olhou boquiaberto para Sherlock que ainda juntava os papeis e formava as palavras. — It's nature and you must come with the essential. Don't call Yard. Be in the right time. Does the lady speak each language? French and english? – Então os dois olharam para mim.

Eu? O homem no aeroporto... Falava francês, o que ele tem haver?

– Preciso descobrir...

– Como... Hrum... Como conseguiu tão rápido...? – John olhou chocado. – Digo, você não simplesmente juntou as palavras, você adicionou o que faltava para poder formar o texto.

– Simples. – Ele disse sorrindo, mas não pretendia explicar todo o processo. — Agora o que eu preciso saber é onde será o encontro. – Ele bateu os longos dedos na mesa de vidro em uma sequência rápida.

– Ele disse natureza... Algum lugar haver com natureza que você tenha visitado? Pode ter sido de um caso...

– Ou talvez... – John falou. – Seja o lugar onde Sebastian era caçador...

– Não, ela está certa. – Ele disse observando-me. — Natureza, ele escolheria um lugar perto, não em outro continente, um lugar de um caso... E o único lugar em que vejo a presença de Mycroft e natureza é Baskerville. – Os dois se entreolharam.

Baskerville? O que tem em Baskerville? – Perguntei sem compreender.

– Foi um caso... – John comentou. – Que nós resolvemos... Com Henry, Sherlock ficou um pouco, um pouco estranho...

– Não fiquei estranho. – Ele disse com a voz firme.

Então, nós vamos para Baskerville encontrar com esse Henry? – Falei rompendo o silêncio constrangedor.

– Ao que parece sim... – John falou pesadamente. – Preciso tirar uns dias de folga do trabalho.

– Sim, precisa. – Holmes falou enquanto unia a ponta dos dedos e colocava em frente seus lábios.

– Mas, nós realmente vamos? Não podemos chamar Mycroft e é obvio que Sebastian quer te matar. Precisamos deixar Hamish protegido, como ele disse, ele pode sacrificar Hamish se não conseguir... – Um calafrio percorreu meu corpo. Pressionei os dedos contra a cabeça fazendo movimentos circulares.

Hamish pode ficar comigo, eu protejo ele, como sempre fiz. – Sussurrei para Sherlock de modo que Hamish, do outro lado do cômodo não pudesse ouvir.

– Não pode ficar, ele deixou claro que quer que você vá... Não com as palavras “Ela deve ir”, mas quando ele perguntou sobre você está explicito que você deve ir. Por outro lado, poderíamos ficar sem John, mas... Ele é essencial, tanto para nós como para Sebastian.

– Acho que a morte do pai dele não é algo que ele irá esquecer. – Ele sussurrou. – Então... Hamish ficará com Mrs. Hudson? – John perguntou, mudando de assunto friamente. Quantas vezes me esqueci de que por trás de toda aquela pessoa maravilhosa que ele era, apesar de médico ele também matou pessoas, sequer conseguia pensar em John sendo calculista ou matando alguém, quando ele era umas das pessoas que mais me traziam a ideia de proteção. Concentrei-me em encarar minhas mãos.

Hamish com Mrs. Hudson? Acha uma boa ideia? – Não duvidada da capacidade de Mrs.Hudson, mas sim de como uma senhora idosa era frágil para cuidar de uma criança ainda mais como Hamish e na mira de uma arma.

– Mrs.Hudson passou por muita coisa e ela gosta muito de Hamish, não vejo problema já que ela conseguiu viver com o marido bêbado... Em qualquer caso, podemos deixar Lestrade aqui. – Sherlock falou sem desviar os olhos de Hamish.

Lestrade?

Policial, muito competente... Apesar de tudo ele tem porte de arma, pode ajudar Mrs.Hudson em algo... Ficará de olho nela e em Hamish.

Como tem certeza? – Perguntei encarando Sherlock. Estávamos falando de Hamish e eu não iria deixar que sequer alguém chegasse perto dele para maltratá-lo.

– Ele fará. – Ele disse, percebendo como eu estava apreensiva. Segurei seu braço e encarei novamente.

Estamos falando de Hamish. – Continuei, lentamente. – É melhor que saiba o que está fazendo. – Não sabia como aquilo soava. Provavelmente no fundo, tinha um pouco de ameaça, me arrependi de como tinha falado imediatamente. Sherlock não tinha culpa de nada que fosse acontecer com Hamish, eu tinha. E mesmo amando incondicionalmente Sherlock, eu sabia e ele também, que eu escolheria Hamish, assim como ele escolheria.

– Sei o que estou fazendo. – Ele disse, colocando sua mão em cima da minha. Minha expressão suavizou. Ficamos em silêncio, até que Ham veio até nós, todo sujo oferecer panquecas com geleia de uva para John.

– Você quer? – Ele disse, estendendo o prato.

– Não sei se é confiável com você e Sherlock cozinhando. – John sorriu.

– É confiável, totalmente! – Hamish defendeu.

– Bom, então deixe-me levar esse prato. – Ele disse, olhando sério para Sherlock. – Já que nem todos aqui sabem levar. – Sherlock fingiu tossir. Sorri. – Acho que você deve desculpa à Molly. – John falou, rapidamente enquanto colocava duas panquecas no próprio prato.

– Acha? – Sherlock suspirou. Deitou-se no sofá e apoiou sua cabeça no meu colo. – Estou muito ocupado neste momento. – John sentou-se a mesa observando Sherlock. Parecia estar com preguiça, deitado enquanto eu assanhava seus cabelos sem dó.

– Já que está tão ocupado, ao menos ligue para ela. Você não tem tratado Molly como deve desde que voltou. Lembre-se de que ela sempre...

– Sempre foi uma grande amiga. – Sherlock completou a fala de John antes do mesmo terminar. Suspirou. – Já sei disso.

– Então... – Disse John enquanto comia. – Ligue para ela!

– Escute. – Ele disse sentando de uma vez. – Não está na hora de seu trabalho? – Ele olhou no relógio do pulso. – Está sim! Aproveite... – Ele disse, se levantando rapidamente e indo para a cozinha. Voltou com uma vasilha de plástico, começou a catar as panquecas do prato de John enquanto ele tentava segurá-las e comer. A cena era cómica. Não sabia se Sherlock já tinha feito isso, mas era muito engraçado para mim. – Enquanto ainda pode, porque ... Argh! Porque vai ter que tirar folga! – Ele disse, fechando a tampa da vasilha e puxando a cadeira de John, imediatamente levantando-o. Entregou a vasilha em um movimento muito rápido. Saiu correndo e voltou com o casado de John, colocou tudo empilhado em seu braço e empurrou-o pela porta.

– Mas Sherlock...

– E não se esqueça de comprar leite! – Ele disse, enquanto levava John pelas escadas.

Nem ouse Hamish, nem ouse em aprender isso. – Eu disse, apontando para seu rosto. Hamish gargalhava. Tomei-o em meus braços enquanto distribuía beijos por sua nuca. Escutei o baque da porta batendo, Sherlock apareceu corado, provavelmente de fazer tanta força de empurra John. Observei sua perna ainda enfaixada. – Não já está na hora de tirar isso? – Perguntei apontando. Percebi que não tinha prestado atenção em sua perna por um bom tempo, assim como não tinha prestado atenção em seus machucados porque eles já tinham sumido, mas provavelmente ele ainda sentia dor. Ele fitou a própria perna e começou a mexer.

– Vou tirar... Vamos, me ajude.

Como... Como é?

– Vou tirar. – Ele repetiu. – Sentou-se na cadeira da cozinha e começou a tirar as faixas. Hamish sentou no sofá e começou a mudar os canais da tevê com o controle remoto. Segui para a cozinha, fiquei de joelhos ao lado de Sherlock, tentando ajudar no procedimento. Segurei algumas faixas que ele tirava.

Acho melhor irmos ao hospital.

– Não preciso de hospital. – Ele disse, puxando a última faixa. – Tudo certo. – Ele observou.

Tem certeza? – Passei os dedos por sua perna.

– ... Tenho. – Ele disse, puxando-me para seu colo. Tirei alguns fios de seu cabelo de frente de seus olhos e beijei sua testa. Afastei-me.

Preciso arrumar as malas de Hamish.

– E as suas.

– Sim, sim. Hamish! Pegue seu casaco nos vamos para casa! – Hamish correu para buscar o casaco. – Dê um abraço em Mrs.Hudson!

– Certo! – Ele respondeu, enquanto descia as escadas. Mordi o queixo de Sherlock enquanto cravava as unhas em sua blusa, puxando-o mais para perto de mim.

– Devo... Devo mandar Mrs. Hudson com Hamish para um hotel na Suíça. – Ele disse. Afastei-me para ver seu rosto.

Na Suíça? – Sussurrei. – Está louco? Se ... Se algo acontecer nós não poderemos fazer nada! Quando você disse que Lestrade ficaria com eles, achei que ficaria aqui!

– Não posso deixar aqui, seria óbvio demais e muito mais fácil de achar. – Ele disse segurando minha cintura.

Suíça não, escute o que estou falando.

– Para onde você quer que eu mande? Irlanda? Muito fácil. New Jersey, com a sua família? Colocaria a vida de mais pessoas em risco. França? Você sabe que ele tem pessoas que trabalham para ele por lá. Suíça me parece bom. – Ele me olhou com certeza, sorriu me acalmando. Colocou uma mecha solta do penteado atrás de minha orelha. Abraçou-me suavemente. Encostei minha cabeça em seu ombro.

Você tem um plano para quando chegarmos lá?

– Hamish e Mrs. Hudson não irão diretamente para Suíça, passarão por...

Não estou falando de Hamish, estou falando de você. – Segurei sua mão, seus dedos entrelaçados nos meus. – Você sabe o que vai fazer quando estivermos lá?– Ele apertou os lábios.

– Precisamos fazer Sebastian sumir. – Ele sussurrou enquanto pressionava seus lábios contra os meus. Hamish apareceu perto da porta de vidro da cozinha. Pensei em como ele ficaria devastado se perdesse Sherlock, mal teve o prazer de conhecê-lo. Talvez o tempo em que passamos juntos tivesse sido um erro. Afastei-me novamente, Hamish abraçou Sherlock.

Ei, ei, nós vamos voltar, não precisa ficar todo meloso. – Falei para Hamish, eu estava com um pouco de ciúme.

– Vamos? – Hamish perguntou.

Você vai viajar com Mrs. Hudson.

– Vocês não vão?

– Não... Para sua segurança. – Sherlock falou.

– Minha segurança? O que está acontecendo?!

O que você precisa saber é que tem que cofiar em Mrs. Hudson e Lestrade, fazer tudo que eles mandarem. Será o melhor para você.

De novo viajar?!

– Não vou nem discutir com você. – Respondi, sabia que ele iria amar argumentar, sua primeira tática era falar da escola, em como estava próximo de começar as aulas, depois em como deveria se preparar, em como não tinha tempo para visitar alguns lugares, não conseguia ter amizades porque não parava em lugar algum. Como eu disse, desculpas. – E Sherlock... Você vai ligar para Molly. – Falei enquanto acenava e descia as escadas com Hamish. – Bom dia Mrs. Hudson! – Ela apareceu em seu pijama rosa com tulipas, usava pantufas que combinavam com o pijama, os cabelos estavam presos apenas de um lado e ela já estava cozinhando.

– Não, não vá agora, está muito cedo! Estou fazendo o almoço.

Vamos voltar, não se preocupe. – Acenei para ela novamente. Entramos no táxi e seguimos para o apartamento. Sentei-me confortavelmente no banco de trás com Hamish, falei o endereço, quando um papel fino, molhado, grudado na janela esquerda me chamou minha atenção. “Rich Brook” escrito de forma apressada com o que parecia ser sangue. Provavelmente o taxista nem sabia da existência do papel. Peguei com as mãos trêmulas o papel, Richard Brook tinha sido Moriarty, que estava morto, mas mesmo assim Sebastian continuava espalhando seu fantasma e apenas comigo, ele sabia que isso me abalava, me deixava nervosa imaginar Moriarty vivo. No fundo eu sabia que sentia muito medo dele, do que ele poderia fazer, sabia que ele conhecia minhas fraquezas. Talvez se estivesse vivo já teria matado Hamish. Amassei o papel com raiva e joguei pela janela. Bufei. A esse ponto do jogo Sebastian estava usando todas suas armas, até algumas para confundir minha psique mental. Paguei o taxista e saímos apressados. Passamos pela recepção, ignorei o rapaz atrás do balcão. Subimos e chegamos à cobertura, abri a porta enquanto Hamish corria para o quarto. Segui para meu quarto. Tirei a mala guardada e coloquei em minha cama, virei para pegar minhas roupas quando encontro o homem do aeroporto em meu quarto. Estava mexendo nas minhas roupas, provavelmente tinha mexido em todo o apartamento. Era o francês que tinha entregado a carta que eu me recusei a receber. – O-O que você quer? – Perguntei, nervosa imaginado Hamish no cômodo ao lado.

– Não falo sua língua. –Ele disse com um sotaque forte. Tirou uma carta do bolso interno do paletó. Passou-me. Peguei a carta enquanto observava ele sair do quarto, sair do apartamento. Quando ele passou pela porta, corri e tranquei-a.

HAMISH PEGUE LOGO SUAS ROUPAS! – Gritei. Puxei o celular do bolso de minha calça branca. – Sherlock... Sherlock, o homem do aeroporto estava aqui!

Você e Hamish estão bem?

Sim, sim...

– O que ele queria?

– Não sei, entregou a carta e sumiu.

– Não deixou nada?

Nada eu... Acho. Nada que eu saiba. Vou arrumar as coisas.

– Te vejo logo.

– Logo. – Desliguei. – Hamish!

– Estou aqui. Pare de gritar. – Ele apareceu vestindo uma blusa xadrez vermelha, calça jeans e sapatos pretos. Arrastava sua mala azul pelo corredor. Puxei a mala ajudando-o. – Onde está a sua?

Ainda estou fazendo. Você jogou tudo não foi? Nem sequer arrumou.

– É... Sem tempo. – Ele sorriu.

Aham, sei. – Segui para o quarto, atirei minhas roupas na bolsa tentando separar algumas coisas. Não tinha ideia do que iria precisar, colocava um pouco de cada. Substitui alguns sapatos com salto por botas e adicionei algumas meia e blusas de manga. Fechei a mala e arrastei pelo apartamento. – Tudo pronto? – Hamish estava sentando com seu Stich. – De novo?

– Preciso dele... Sabe disso.

Unf. – Passei a chave na porta e abri, descemos pelo elevador, John apareceu com Mrs.Hudson, suas mãos no ombro dela. – O quê?

– Mudança de planos. – John falou. Lestrade apareceu ao lado de Mrs.Hudson. Não sabia o que Sherlock e John tinham feito para fazê-lo sair do emprego por dias e ir para a Suíça. Ele cumprimentou-me. Falava suavemente e parecia ter uma personalidade totalmente oposta a Sherlock.

– Inspector Greg Lestrade. – Ele ofereceu a mão. Cumprimentei.

Nós no conhecemos outro dia. – Completei, enquanto John levava minha mala e Mrs.Hudson abraçava Hamish.

– Eu sei, mas você não em disse seu nome. – Ele sorriu. Observei sua mão, não era casado, como uma pessoa com personalidade tão “caseira” poderia não ser casada? Sorri.

Adler.

– Adler? Adler o quê? – Ele perguntou, ajudando John com as malas enquanto atrasávamos a rua para entrar no carro. – Porque tanto mistério para um nome?

– Pronto John? John? John?!

– Porque quanto menos você saber sobre mim melhor. – Respondi enquanto observava Sherlock sério chamando por John sem parar. Puxei a porta da Land Rover. Tinha uma película fina de poeira, de quem era aquele carro? Sherlock se contorceu no banco do passageiro. John guardou o resto das malas e abraçou Hamish.

– Vocês vão por táxi... Fiquem bem, mandaremos noticias. Por favor, faça o que Mrs.hudson disser. – John falou. Abracei Hamish.

Se comporte.

– Eu sei mãe, eu te amo ok?

– Ok. Eu também te amo. Muito. – Beijei sua bochecha. Ele seguiu para a porta onde Sherlock estava sentado. Entrei no carro, Lestrade sentou-se ao meu lado. Sherlock colocou a mão em seu ombro. Então Hamish se jogou por cima dele, abraçando-o. Parecia algo estranho, Sherlock ficou meu congelado enquanto Hamish afagava seu ombro, então abraçou, fechou a porta e acenou para ele.

Sherlock, que tipo de mudanças de planos você fez? – Perguntei olhando Lestrade confortavelmente ao meu lado. Ele virou, passou para o banco do motorista sem sair do carro.

– Tive que mudar. Lestrade vai nos acompanhar, mandei outra pessoa para ficar com Mrs.Hudson e Hamish. – Ele disse, girando a chave, imediatamente o motor fez um ronco alto, depois ficou silencioso. – Não ligue para ele, é meio inconveniente mais é só ignorar. – Ele disse, se referindo a Lestrade. Olhei para ele, o homem sorriu, mostrando dentes brancos perfeitos, começou a bater os dedos contra uma parte do vidro que estava entreaberto. Não parecia ser muito novo e nem muito velho. Tinha na faixa de quarenta anos, alguns cabelos grisalhos, corpo um pouco atlético e era carismático. Aparentemente bem humorado, sabia ignorar Sherlock tanto quanto Sherlock ignorava ele. Seria uma longa viagem e eu tinha que ficar no banco de trás ao lado dele. John abriu a porta do motorista, estava se preparando para sentar quando Sherlock cutucou seu ombro. Ele virou imediatamente, fez uma expressão de pessoa contrariada, fechou a porta que irrompeu em um baque, passou para o banco do passageiro, colocou o sinto e fechou a porta. Ligou o aquecedor, enquanto Sherlock começou a dirigir. Estava curiosa, sempre pegávamos táxi, Sherlock dirigindo? Sentia que ele ia bater em algo ou nos atirar em um penhasco. Acenei para Hamish que entrava absorto no táxi. Fechei o vidro a minha direita e me encolhi no banco, abracei minhas pernas. Começamos a fazer o percurso para a estrada principal de saída da cidade para o interior. Uma vez ou outra olhava para o espelho retrovisor, conseguia ver Sherlock observando-me. Estava escurecendo, percebi John tirando o cinto e pegando uma caixa branca da mochila. Tirou um Galaxy tab branco de dentro, ligou.

– Sherlock, acho que nós viramos á direita por aquele caminho a última vez...

– Não, nós seguimos em frente. – Silêncio constrangedor. Sherlock estava errado? Improvável. John estava errado? Discutir com o Gps seria insignificante.

– Holmes, talvez se você observasse o GPS... – Lestrade falou por um momento.

– Não preciso. – Coloquei meu cinto. Essa simples reação fez Sherlock bufar.

– Sei o que estou fazendo. – Ele disse claramente. Mais para mim do que para qualquer um. John deixou o gps ligado mas ninguém sequer voltou a olhar para o aparelho. Paramos em uma rodovia muito escura, sem movimento algum porque John precisava ir ao banheiro. Tirei meu sinto e sai do carro. Sherlock e Lestrade fizeram o mesmo. Conseguia avistar John ao longe caminhando apressado para a área de conveniência de um posto de gasolina. Abri o bagageiro e retirei minha caixa de doces da Laduree e fechei novamente. Abri a caixa, me atrapalhando com a película incolor. Sherlock estava na frente, apoiado no capô do carro. Fiquei ao lado dele, enquanto tirava um doce e observava Lestrade focar com a lanterna uma placa avisando quantos km faltavam para chegarmos.

– Estamos indo bem, eu acho... O problema é que não me lembro de ter passado por aqui. – Ele disse, voltando e ficando ao nosso lado.

Você já visitou Baskerville? – Perguntei curiosa enquanto passava um doce para Sherlock.

– Ele foi. – Sherlock falou, claramente contrariado. Não entendia o que estava acontecendo com seu humor. Não era do cansaço, muito menos de dirigir, mas ele ficava assim à medida que avançávamos para Baskerville.

Você gosta de lá? – perguntei para Sherlock enquanto ele comia o doce.

– Não muito... É calmo demais.

E isso não é bom? – Dei um tapinha em suas costas. Sorri.

– É muito calmo, tem uma ótima vegetação e as casas! Oh, você tem que ver, é tudo muito bonito, talvez você goste. – Lestrade estava empolgado, era o único para falar a verdade. Talvez porque não soubesse nada de Sebastian e nem de como iriamos fazer para escapar dele.

Ele sabe? – Sussurrei para Sherlock.

– Não. – Ele me observou por um momento, depois desviou o olhar. – Acha mesmo que se soubesse não iria tentar nos impedir?

Então porque ele veio?

– John insistiu.- Comi o penúltimo doce e deixei o último para John. Cruzei os braços e suspirei. Lestrade ficou ao meu lado sem falar nada. Sherlock começou a andar de um lado para o outro. – John! Finalmente! – Ele disse, andando apressado e sentou-se novamente no bando do motorista, fechou a porta com força. John não falou nada, sentou-se no banco do passageiro e colocou o sinto. Sentei no banco de trás com Lestrade e passei o doce para John. Estava com sono e cansada.

– Acha que vamos chegar de noite? – Ele perguntou, passando os dedos no acolchoado do banco de couro escuro que há muito tempo deixou de parecer confortável, de tanto estarmos sentados.

– Talvez de madrugada. – Sherlock falou rapidamente. Estava escuro já fazia um tempo, eu rezava para que de madrugava estivesse próximo. Encostei minha cabeça no banco e fechou os olhos. Escutava John sussurar algo para Sherlock e depois todos ficarem em silêncio. Depois de horas, escutei Lestrade começar uma conversa alegre sobre algo. Uma hora depois John começou a partilhar da mesma empolgação que Lestrade. Chegamos.

– Chegamos! – John gritou. Suspirei com satisfação quando Sherlock estacionou em uma casa colonial que depois percebi que era um pousada. Ele abriu a porta para mim e me ajudou a descer do carro. Lestrade tirou todos as malas e em seu auge de empolgação tropeçou na calçada e caiu na grama. Mesmo eu estando ao seu lado não puder sequer segurar seu braço para evitar a queda e ainda assim, John e eu não conseguíamos parar de rir toda vida que recordávamos a cena. Sherlock nos levou para a recepção.

– Bom dia. – Um homem respondeu. – Foram vocês que fizeram reserva de última hora? – O homem simpático puxou um caderno e anotou algo enquanto Sherlock respondia suas pergunta e mostrava alguns papeis.

– Sim, sim. Acho que já se hospedou aqui não é mesmo? Seu rosto não é algo que eu me esqueça. –Ele disse observando Sherlock.

– Respondendo a sua pergunta anterior, somos quatro pessoas.

– Certo. – O homem disse. – Tenho um quarto triplo de solteiro e um casal ou dois de casal. Esquentei minhas mãos a lareira enquanto Sherlock e John decidiam.

– Podemos ficar junto e você sozinho se preferir. – John falou.

– Não sei se...

– Porque não ficam vocês dois como sempre e Adler comigo? – Lestrade perguntou, escorando-se na mesa.

– O que quer dizer com como sempre? – John perguntou claramente contrariado.

– Porque ficaria...

Posso falar? – Perguntei enquanto os três falavam ao mesmo tempo. – Você tem um triplo e um de casal? – Perguntei ao homem.

– Sim.

É óbvio que vocês ficam no triplo e eu no de casal. Mais privacidade para todo mundo. Pode ser?

– Não tem problema você ficar sozinha? – John perguntou enquanto me ajudava a levar as malas pela escada de madeira.

Não, obrigada. – Chegamos ao corredor, esperei Sherlock levar facilmente a mala enquanto Lestrade arrastava a sua pelo corredor conferindo os números dos quartos.

– Quarto três. – John apontou enquanto entregava a chave para Lestrade.

Qual o meu?

– Por aqui. – Sherlock apontou para o final do corredor. Andamos o corredor todo e depois viramos à direita, meu quarto ficava na ponta, mais propriamente de frente para o deles. – Aqui. – Ele entregou a chave cor de bronze que tinha um número onze chamativo escrito na cor verde.

Obrigada. Nós nos vemos no café da manhã?

– Eu vejo você. – Ele sorriu.

Como assim? – Perguntei, mas ele já sumia pelo corredor. As luzes eram automáticas, aos poucos fechavam e tudo voltava a ficar escuro novamente. Pelo corredor não tinha como eu ver o quarto deles e depois de um tempo, tudo ficou assustadoramente calmo e a única luz acessa era uma em frente ao meu quarto. Abri a porta e arrastei a mala. Liguei a luz e fechei a porta ao mesmo tempo em que a luz do corredor se apagou. Tranquei a joguei a chave no armário de madeira escura em frente à cama dossel, também de madeira com cobertas brancas, tanto na colcha como na cortina fina que estava amarrada a cama. Tinha algo no quarto e em toda a Baskerville que era totalmente bucólico. A vida campestre, calma me deixava com mais sono do que já estava. Abri a janela observando John passando o pijama vermelho de Sherlock enquanto o mesmo deitava-se na cama e ligava o notebook totalmente absorto quando John jogou um travesseiro nele. Abri a mala selecionando o que realmente iria precisar ficar fora, como maquiagem, toalha, escova de dente, escova de cabelo. Escolhi meu pijama, entre as calças jeans retirei uma Glock 17 II preta, peguei um fio incolor e passei de baixo da cama de madeira. Prendi a arma e coloquei o silenciador. Puxei meu pijama Victoria’s Secret e levei para o banheiro com minha nécessaire. Tomei banho em pé na banheira sem me importar de usá-la. Vesti minha calcinha e pijama, ajeitei as maquiagens em cima do armário com espelho prata. Coloquei a toalha no banheiro, juntei todas as almofadas que estavam em cima da cama e coloquei em uma poltrona ao lado da mesa também de madeira que ficava encostada na parede da janela. Aqui não era frio como Londres, estava perfeitamente bom para mim. Nem tão quente e nem tão frio, quem precisa de neve para congelar os ossos? Puxei as cobertas e ajeitei dois travesseiros, passei os dedos pelo papel grudado na porta. Café da manhã: 7h as 9h. – Ok... – Sussurrei enquanto apagava as luzes, deixando apenas a do abajur ao lado. Peguei o celular, deitei na cama e puxei as cobertas. “Boa noite, espero que esteja bem. Te amo” – IA. – Mandei uma mensagem para Hamish, desliguei o celular e joguei na cômoda.

•••

Levantei apressada. Quinze para as oito. Ninguém marcou horário nenhum, mas não estávamos aqui para perder tempo. A água da chuva estava molhando a mesa, fechei a janela, causei minhas botas quentes, puxei um cardigã nude, fechei a porta e desci as escadas correndo. A recepção tinha algumas pessoas rindo, outras esquentando as mãos na lareira. Algumas pessoas pegando guarda-chuvas e caminhando para o gramado da frente. Outras totalmente encharcadas coletando galochas na recepção. – Desculpe, onde é a área do café da manhã? – Perguntei a um homem branco com bochechas rosadas que sorria atrás do balcão. Não era o mesmo de ontem.

– Passe por aquele corredor ao lado da lareira e vire à esquerda.

Obrigada. – Falei, observando o olhar de um homem ao lado da lareira entretido demais para perceber algo que não fosse meu short e minhas pernas. Fechei o cardigã por completo e me dirigi ao corredor, passando por algumas famílias distribuídas pelo salão em poltronas verdes. Cheguei a área do café da manhã, John passava manteiga em uma torrada e Lestrade com olheiras e os olhos quase fechados, pegava café na mesa de alimentação. – Bom dia. – Falei, observando o rosto de John. Parecia bem melhor e mais descansado. Vestia um casaco elegante.

– Bom dia. – Ele disse, imediatamente sorrindo.

Falou que não pode ir para festa com Mary ontem?

– Não. – Ele suspirou. – Não consegui, mas mandei uma mensagem ontem.

Ela vai entender.

– Sei que vai. – Ele voltou a sorrir.

Onde Sherlock está? – Perguntei enquanto tentava ver todos no área, nem sinal dele.

– Acabou de sair, foi pegar algo no quarto, disse que só voltava de tarde.

De tarde?! – Cruzei as pernas e comecei a bater os dedos na mesa.

– Sim.

O que ele foi fazer?

– Não sei, talvez tenha ido finalizar o estudo sobre o solo daqui... Ele estava acabando quando nós finalizamos o caso. Nunca voltou e agora ele tem a chance.

Você viu que horas são? Ele vai fazer isso agora, de manhã?

– É bem calmo, se você ver... Já observou o lugar?

Só os arredores do hotel, não consegui ver muito bem ontem à noite estava bem escuro.

– É muito bonito.

Hmm... E o que você vai fazer? – Lestrade sentou-se ao lado de John na mesa, acenou para mim.

– Aparentemente ele não disse nada sobre Sebastian, creio que hoje estamos livres para fazer qualquer coisa. – Suspirei. O que raios eu ia fazer aqui?

Não é perigoso?

– Se você quiser, posso te mostrar o lugar. John quer visitar uma lan house, o wifi não estava prestando direito no quarto... Posso te mostrar o lugar e não se preocupe, estou armado. – Ele sorriu.

É eu também. – Falei sem graça, desviando o olhar.

– Como é? – Ele perguntou. Parecia visivelmente surpreso. John deu uma risadinha e voltou a tomar o chá.

Uma Glock 17 preta. – Sussurei.

– O quê?! Isso é arma da policia! – Ele disse enquanto fazia um nervoso movimento com as mãos. – A minha é uma Glock 17 branca!

Com silenciador? – Perguntei enquanto puxava o pano verde da mesa. Tudo era verde. Suspirei novamente.

– Você só pode estar brincando, porte de armas é totalmente proibido no Reino Unido.

Então... Caso me flagrem com a arma, eu respondo que não sabia. – Respondi sendo sarcástica.

– Adler... Digo, digo, qual o seu nome?!

Irene.

– Irene, não pode, não pode usar uma arma...

– Lestrade, por favor. – John falou. – Beba seu café, está esfriando. Ela está brincando. – Ele disse, enquanto piscava o olho para mim.

É. – Respondi sorrindo. Não estou não.

– Certo... – Lestrade disse, meu perdido, enquanto voltava a beber seu café que mais parecia tinta preta.

Eu vou andar por ai. – Falei. – A chuva parou e... Está calmo.

– Ótimo. – John falou. Levantei-me a mesma hora que Lestrade levantou-se e tocou meu braço.

– Se quiser posso lhe fazer companhia. – Não estava gostando da proximidade que ele tinha criado entre nós dois.

Estou bem, obrigada. – Sorri. Voltei para o quarto do hotel, peguei meu óculos, desci as escadas e puxei a porta.

– Garota não vá com essas botas ou elas vão se acabar. – O homem pálido gorducho falou do outro lado do balcão.

Oh... Certo. – Voltei e peguei um par de galochas pretas que ele colocou em cima do balcão. – Obrigada. Retirei minhas botas e entreguei, ele guardou e sorriu. Coloquei as galochas e o óculos de sol. Estava frio, mas o sol iluminava cada centímetro de todo o lugar. Voltei na recepção. – Desculpe hm... Onde o caminho de terra vai levar?

– Para a cidadezinha. É muito bonita. – O home disse, tirando um mapa dos folhetos coloridos. Circulou com a caneta onde estávamos e onde a cidadezinha era.

Obrigada. – Peguei o mapa e sai pelo caminho de terra, o vento responsável pelo farfalhas das árvores fazia algumas folhas caírem em cima de mim. O barulho da pousada aos poucos diminuía, conseguia escutar passos distantes ao longe, algumas crianças cantando, meu passos fazia os galhos caídos no chão estalarem. Estava seguindo o mapa perfeitamente bem, até que o caminho dizia que tinha que passar por entres as árvores que por sinal eram estranhamente altas demais. Puxei o cardigã até a altura do queixo. Coloquei as mãos no bolso e amassei o mapa em meu bolso. Caminhava a passos largos. Pisei perto dos galhos de uma árvore de alguma forma tinha uma água com terra que absorveu metade da galocha. – Argh. – Estava andando com dificuldade, realmente o lugar estava encharcado. Cheguei até uma pista igualmente enlameada, o que mudava era o pavimento regular. Subi uma parte Irregular totalmente verde. A vista era linda realmente. Do lado esquerdo tinha uma charneca, que levava para um pântano. Algumas pessoa tiravam foto em frente à casa com uma placa. “The Hound was here”. Dei um impulso e pulei a parte irregular, atravessei a rua de terra, o vento soprando em meu rosto, o nariz totalmente gelado. – Com licença. – Disse suavemente. – Onde fica a cidade? – Perguntei, tirando o mapa amassado do bolso, me atrapalhando para abri-lo.

– Você está se distanciando, tem que seguir por aquela charneca ali. – Uma mulher com blusa vermelha escrito ‘Can I help you?” apontou.

Oh, certo, obrigada.

– É linda, não perca de ver. Você está fazendo o caminho contrario.

Como assim o caminho contrário?

– Depois que as pessoas vão para a cidade elas visitam o solar dos Baskerville.

O que tem o solar dos Baskerville? – Perguntei colocando novamente as mãos no bolso, amaçando o mapa.

– É a história desse lugar. – A moça riu. – A lenda diz que existe um cão como demônio que atravessa a charneca dos Baskerville a séculos.

É mesmo? – Sorri. – É uma bela história. – Falei enquanto tentava voltar pelo caminho certo.

– O atual dono da charneca leva a sério a lenda. Dizem que ele viu o pai ser morto por um cachorro com os vermelhos como diabo. – Ela segurou meu pulso e apontou para perto da casa cercada. – Não ande por ai de noite, ou você pode ver o cão dos Baskerville... E não voltar para nos contar, se é que entende. Ela soltou meu pulso e voltou para a van branca onde os turistas agora entravam. Que tipo de lugar doentio prega a lenda de um cachorro demoníaco para atrair turistas? Bufei. Voltei pelo caminho oposto, encontrei um placa escrita “The hound tour”. Cheia de malditas pretas, comecei a subir, minha galocha ficou presa em um espaço entre as duas rochas, quase torcia o tornozelo. Levantei-me e comecei a subir novamente, tinha algumas parte com placas que contavam uma parte da lenda. Contunuei andando quando uma parte da rocha molhada pela chuva cedeu e eu escorrei. Bati nas pedras de baixo com menos intensidade por ter segurando em algumas partes irregulares para diminuir a velocidade. – Fucking beautiful fall! – Gritei enquanto me levantava e tirava o cardigã, colocando-o amarrado ao redor de minha cintura. Olhei para minhas mãos arranhadas. Porcaria para arder. Reclamei mentalmente.

– Not so beautiful as mine. – Sherlock apareceu e me ajudou a tirar algumas camadas de terra do meu braço.

Como me achou?! – Perguntei horrorizada com seu senso de direção.

– Eu não te achei...

Você estava me seguindo?!

– Claro que não, estava aqui o tempo todo. – Ele disse, franzindo as sobrancelhas. – Você que me achou.

Ah... Certo. Por que saiu tão cedo, não consegui te ver no café da manhã...

– Mas eu te vi, como disse que faria. – Ele sorriu.

Injusto. – Falei enquanto apoiava em seu ombro. – Como está a festa? – Falei com ironia.

– Se está se referindo ao meu relatório sobre o solo desta região, eu digo que está indo muito bem.

Ótimo. – Sorri, ele tirou um estojo do bolso, com várias ferramentas. Suspirei. Pulei em sua coluna, colocando as pernas ao redor de sua cintura e os braços ao redor do pescoço. – Fale-me sobre o lugar mon amour. – Sussurei eu seu ouvido. Ele começou a andar me levando.

– Já viu a charneca?

Sim. Me contaram sobre a história dos Baskerville.

– Naturalmente. Todas as pessoas daqui acreditam fielmente na lenda.

E Henry?

– Henry sabe que não é real. Foi meu caso aqui... Ele queria investigar o pai morto... – Sai de cima dele.

O pai morto pelo suposto cachorro?

– Morreu de susto... Literalmente. O velho tinhavum coração fraco. Se deparou com um cachorro na charneca perto do pântano e teve um infarto.

Oh. Isso é triste.

– Você acha? – Ele disse, enquanto sentava-se em uma pedra e anotava algo em um bloquinho de capa de couro ressecada. Começou a passar os dedos folheando-o.

E onde está Henry agora?

– Não sei. Resolvi o caso, não me interessa. Talvez em Londres. – Suspirei. Ele levantou a cabeça e me observou. – Onde conseguiu esses óculos?

São meus. – Comecei a chutar algumas pedrinhas pelo terreno. – Então, como se resolveu o caso?

– Era um alucinante. Uma arma química da policia secreta que usou HOUND.

Engenhoso.

– Muito. – Ele fechou o livro e guardou no casaco. – Quer ver a cidade?

Sim, sim. — Segurei seu braço enquanto subia as rochas. Quase tropeçava em outra rocha quando estávamos mais em cima.

– Greg tem sido grudento?

– Desculpe, quem?

– Greg Lestrade.

Oh. Greg? Tinha esquecido. é hm.. Tem sim, mas acho que você já percebeu.

– Ele admira você.

Ele nem me conhece. – Sherlock puxou-me quando eu me desequilibrei. O clima estava ficando tenso.

– Disse que tem uma bela silhueta. – Encarei-o.

Como você disse, ele me admira. – Respondi.

– Rosto colossal...

Ele disse isso? – Comecei a rir, Sherlock continuava sério. – Repita por favor.

– Nunca mais falo isso, socialmente estranho.

Não, é normal, as pessoas elogiam as outras.

– John faz isso por mim.

Sei que faz. – Sorri. Andamos por um caminho de uma rua com pavimento irregular, algumas casas com flores e pinturas coloridas começaram a aparecer. Seguiam um padrão, todas elas eram de madeira e tinham uma arquitetura parecida. Ao longe, as casas mais altas tinham arquitetura livre, com janelas enormes e vários andares modernos. A parte histórica era preservada. Chegamos na cidade, vários turistas com roupas leves, bonés e óculos estavam tirando fotos, bebendo cerveja preta e fazendo brincadeira com pessoas vestidas de mascotes de cachorros. Várias lojas abarrotadas com pessoas que compravam mercadorias haver com o cachorro de Baskerville. – É bem animado...

– Sim. – Ele disse, andando lentamente, procurando por algo.

Está atrás de algo?

– Não, porque eu acabei de achar. – Segui seus passos, ele parou e cutucou um homem que usava o mesmo boné de Moriarty. – Onde?

– Próximo a charneca.

– Horas?

– sete da noite.

– Quando? – Ele segurou o braço do homem que já estava indo.

– Você tem três dias. – Então puxou o braço de forma grosseira. Olhei para Sherlock, ele puxou a gola do casaco e me observou sério.

Notas finais
Ai está o gigante cap. :D
Custou, mas chegou! Escrevendo o próximo. Espero que tenham gostado de ler esse. ^-^
Atualizando: Tinha errado o titulo do cap. T_T
A "pousada" na verdade não existe, é um pub, mas na história eles oferecem quartos :D