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* Watson narrando *


– Está frio não é? – Perguntou o rapaz loiro de preto segurando um martelo. Andando em círculos ao redor de Sherlock, batia uma vez ou outra o martelo na mão. Sherlock estava com suas mãos, pernas e pés amarrados. Tinha que ficar de joelhos no chão de um velho galpão enlameado. Olhou para o rapaz e não respondeu nada. Estava atrás de Adler, eu sabia, olhava para os cantos e procurava algo. Tinha que ser ela... Mas Adler não faria isso... Faria? Sim faria, jogou ele em cima do atirador, provavelmente que ela mesma contratou, esse tempo todo estávamos sendo enganados, talvez ela quisesse matar Sherlock como forma de se vingar. Não se tem como saber ao certo, afinal, mostrava que realmente em tudo que Sherlock acreditara estava errado.

– Responda! – Falou o rapaz dando um murro em Sherlock. As mãos dele encostaram com uma brutalidade imensa contra o rosto de Holmes. O choque entre os ossos da mandíbula, os dentes e as mãos era extremamente doloroso. Tentei soltar-me da corda, mas foi em vão. Eu já tinha passado por situações mais complicadas no Afeganistão, era só questão de tempo para nos livrar dessa aqui...

Não bata nas maçãs do rosto. – Disse uma voz familiar. – Digamos que elas são especiais... – Irene Adler. Eu queria mata-la, fechar minhas mãos ao redor de seu pescoço. Eu me sentia traído imagine Sherlock. O loiro olhou para Sherlock e depois para Irene, pegou o martelo e rodou duas vezes em sua mão. — Achei que tinha deixado claro que não queria que você me procurasse. – Falou Adler, aproximando-se lentamente de Sherlock. — Você se lembra?

– Achei que pelo o fato de me encontrar... – Sherlock fez uma pausa e cuspiu um pouco de sangue do chão. – Era o motivo de vir procurar respostas.

Não. O fato de eu lhe encontrar... – Disse Irene, contornando uma poça de lama e se abaixando em frente a Sherlock. – Foi à gota d’água. – Seus dedos finos e delicados passaram nos lábios de Sherlock pegando algumas gotas de sangue que escorriam pelo canto de seus lábios. Sherlock estremeceu com o toque. Queria virar e encará-la, mas parecia impossível olhar em seus olhos. Concentrou-se em olhar para o homem com o martelo.

Sherlock, você já sabe qual a ligação com James? – Disse Irene apontado para o loiro. – Lembra? Roger do pub... Falando sobre ele... – Disse ela sorrindo.

– O que vai fazer? – perguntou Sherlock.

– Você só me deixou duas escolhas...

– Não escolha.

Eu preciso. – Irene se levantou e passou para uma sala com janelas de vidro. Um senhor idoso se levantou com um charuto em suas mãos e falou algo para Irene. Eu estava preso próximo à porta da sala de vidro, ela passou por mim olhou-me sem nenhuma expressão no rosto, entrou na sala rapidamente.

– Você está olhando demais. – Falou o loiro para Sherlock. – Não gosto disso. Sherlock olhou para o loiro, sorriu. O que ele estava fazendo?! Rapidamente o loiro bateu com o martelo em um dos joelhos de Sherlock.

– Arghh!- O grito ecoou pelo galpão e Irene virou na mesma hora, olhando por entre as janelas de vidro da sala.

Que está fazendo?! – Gritou ela, indo em direção ao loiro. O homem saiu da sala e puxou-a pelo braço.

– Não vou tolerar mais isso. Escolha entre ele ou o seu protegido. – Era o homem de cabelos castanhos, o atirador, eu o conhecia! Era incrível como era a vida! Tinha jogado cartas com ele em um Pub, ele era o assassino de Park Lane!

Pedi para que você...

– Isso não é brincadeira e você já sabe. — Irene olhou para Sherlock que a encarava.

Quanto tempo? – perguntou ela para o homem com o charuto.

– Alguns dias.

E depois?

– Ainda estou trabalhando nisto. – Parecia descontente com a resposta, ficou séria, ela virou e encarou o homem. — Alguma objeção?

Nenhuma. — O loiro sorriu e deu uma pancada com o martelo contra a cabeça de Sherlock. Sherlock abriu os olhos. Estava com a blusa rasgada e um corte horrível no ombro.

– ARGH!

– Está falando de mais coisa linda. – Falou o loiro trazendo um carrinho com vários fios enquanto mais dois homens apareciam com uma cadeira e um barril de água. – Não deveria sofrer por Irene. Ela está bastante feliz agora. Provavelmente te trocou porque seu brinquedo não funcionava direito. Mas depois a gente resolve isso... — Irene rapidamente atravessou o galpão, o único barulho eram os gemidos e gritos de Sherlock, os saltos dela enconando e um barulho de construção ao lado. De repente o loiro pegou o braço dela e mordeu sua orelha, ela tirou o braço e saiu às pressas para a sala. Um dos homens colocou Sherlock na cadeira e prendeu seus braços e pernas. Então o loiro era James! Finalmente eu entendia alguma coisa.

– Você sabe... — Falou James, apertando botões enquanto fazia sinal para o outro homem colocar os fios no peito de Sherlock enquanto o outro colocava alguns fios na água. – Eu não posso colocar isso aqui na potência máxima por que você vira pó, e nós não queremos isso. Nossa brincadeira não pode terminar agora.

– Por quê? Por que não acaba logo com tudo? – Sherlock sussurrou. James chegou mais perto, puxou os cabelos de Sherlock e falou em seu ouvido. – Por que você a tirou de mim.

– Ela se casou com você. — Sussurrou Sherlock.

– Mas não é minha. – O loiro respondeu. Um homem branco entrou no galpão. Estava vestindo um casaco preto, botas e segurava um rifle em uma das mãos, se aproximou de Sherlock.

– Me reconhece? – perguntou o homem sorrindo. Sherlock virou para o homem. Reconhecendo seu rosto imediatamente.

– O taxista... Do dia do pub. O mesmo funcionário... Que eu esmurrei para pegar um uniforme. O homem que estava nos seguindo. Você também estava no aeroporto. No check in... Também é o assassino de Park Lane... É filho do Embaixador britânico que estava na Pérsia...

– Ótimo isso mesmo. Agora guarda bem o meu rosto e escute as minhas palavras, por que serão as últimas que você vai ouvir. – Sherlock apertou os olhos como se estivesse tentando se concentrar.

– Moriarty, deixou bem claro que queria você morto. Era apenas você se jogar daquele prédio ou se matar com aquela arma, mas você trapaceou. O problema, é que no jogo, uma vez iniciado, não existe trapaça e nem voltas. Apenas o movimento... Como xadrez.

– Você quer que eu me mate? Por que não faz logo isso?

– Eu quero que você morra, mas lentamente...

– por quê? Moriarty especificou isso?

– Moriarty está morto. Por que você o persuadiu. Minha única tarefa seria matar os outros se você não morresse, mas, como você não morreu, penso que agora chegou a sua vez.

– Por que se vinga? Por que não matou quem eu conhecia? — Reprimiu toda a raiva. – O homem pegou uma faca e cravou na coxa esquerda de Sherlock que gritava e se contorcia na cadeira. Calmamente o homem se afastou e fez um sinal para o loiro.

– Me diga! – gritou Sherlock. O homem virou e puxou a porta de vidro da sala.

– Ele era como um irmão, Moriarty era como um irmão.

– Sebastian Moran... – Sussurrou Sherlock. O loiro rapidamente clicou em vários botões e Sherlock começou a se contorcer em espasmos na cadeira. Seus gritos faziam ecos no galpão. Os choques tomavam mais intensidade, enquanto Irene abriu um vinho e passava um pacote para o senhor com charuto. Sebastian sentou-se calmamente na poltrona preta encostada no vidro da salinha e sorriu para Irene. O tempo passava e em algum momento daquela noite, Sherlock desmaiou, enquanto Irene soltava aliviada o copo de vinho. Os homens tiraram os fios e algemaram Sherlock em um ferro, ficando preso apenas pelas mãos, enquanto seu corpo inteiro ficava pendurado. Eles não mexiam comigo, agiam como se eu não estivesse lá. Uma vez ou outra a única pessoa que percebia que eu estava ali, vendo tudo era Irene, mas não falava nada. Tiraram Sherlock e depois de horas, me levaram pelo braço, arrastando-me por corredores que pareciam labirintos, depois de andar por um bom tempo, colocaram-se em uma sala escura, tiraram as algemas e fecharam a porta. Percebi que Sherlock estava lá também, atravessei a sala rapidamente até o meio. Ele estava deitado em sua própria possa de sangue e parecia estar desmaiado. Algum tempo se passou e a porta de abriu. Irene entrou segurando duas maçãs. Entregou-me uma, que eu queria jogar na cabeça dela.

– Eu quero que você se asfixie de alguma forma com o seu próprio sangue. – Eu sabia que não fazia sentido, mas estava com tanta raiva e só conseguia pensar em sague e em apertar o pescoço dela. Ela se quer me olhou, passou direito ao encontro de Sherlock, que agora estava sentado encostado na parede, ficou de joelhos no chão e entregou-lhe uma maçã.

Quer maçã? – Perguntou com uma voz doce em seu ouvido.

– Irene...

Shh. — Sherlock abriu os olhos. Eu tinha certeza de que mesmo sentado ele estava sentado e com várias dores no corpo. Irene colocou a maçã no chão e sentou-se de frente para ele. Mas sempre evitava olhar em seu rosto e muito pior me encarar.

– Você não me disse... O nome dele.

Nome de quem?

– De seu protegido.

Coma sua maçã...

– Para eles me torturarem mais?

Só... Coma. — Sherlock cerrou os olhos enquanto Irene passava e o deixava comigo na sala. Pouco tempo se passou e surgiu James com uma faca. – Vou cortar isso fora. – Falou o loiro, enquanto quatro homens riam. O loiro saiu à sala falando que ia afiar a faca e iria tortura-lo à noite. Eu já tinha perdido a noção de tempo e hora. Quanto tempo se passou que estávamos naquela salinha? Era toda fechada, mal tinha entrada de ar. De vez em quando Sherlock tentava se mover de lugar, quando saia água pelas paredes e caia em cima dele. Eu fazia o mesmo, mas ajudava-o a se mover, às vezes pensava que era pior pelos gemidos de dor, mas aparentemente a água em cima dele também era ruim. Estava um frio que vazia tremer até os ossos. Um longo tempo se passou e Sherlock cochilou. Sebastian entrou na sala sorriu para mim e em seguida estapeou-o para que acordasse.

– A noite só está começando. – Falou rindo para Sherlock. — Diga-me. Você gosta de água? -Sebastian puxou Sherlock para a parte do galpão que era aberta e lá tinha uma cama de hospital, com vários instrumentos para cirurgia. Ao lado da cama, tinha o barril com água. Dois homens enfaixaram os braços de Sherlock. Forçaram sua cabeça contra a água gelada, enquanto seu corpo pálido tentava se livrar e pegar ar. Eu estava algemado em uma cadeira de madeira, tinha cartas em cima da mesa e Sebastian estava sentado de frente para mim.

– Irene quero que veja isso. — O velho com o charuto apareceu puxando o braço de Irene. Tinha uma semelhança com Sebastian, percebi que era seu pai, o tal embaixador britânico que tinha ligações com a Pérsia. Deitaram Sherlock na cama e amarraram-no. Um homem ruivo surgiu e nervosamente injetou algo no corpo de Sherlock, sussurrando um desculpe cheio de piedade, enquanto outro homem apontava uma arma para a cabeça do pobre doutor, que tempos depois chorava suplicando por sua família. Irene estava ao lado de Sherlock, consequentemente do lado da cama.

– Tenho Observado... –Sherlock falou, então simplesmente não completou a frase.

O que fizeram?! – Perguntou Irene. Estava calma, mas não entendia o motivo do grito.

– Não reclame! – Sebastian apontou para o loiro. — Eu pensei que testar essa substância seria legal.

O que é isso?

– Não temos certeza, por isso, estamos testando. — Nos levaram novamente para a sala escura, eu rezava para que Sherlock acordasse. Passou-se mais que uma hora talvez... Então ele acordou. Achei que seus dedos procuravam algo para se levantar, se apoiar, mas pegaram a maçã, que já estava escurecida. Estava faminto? Começou a comer rapidamente a maçã. No meio da fruta percebeu que algo roçava em seus dentes. Seus dedos longos puxaram uma tira de papel. Ele esticou o papel entre suas mãos.

“Hamish“. – Olhei para o papel. Estava escrito o que tinha certeza ser a letra de Irene. Porque meu nome estava na maçã de Sherlock?

– Porque meu nome está ai? – Eu disse pegando o papel. Sherlock olhou para mim e nada disse, pegou o papel de minhas mãos e enfiou no bolso. – Sherlock, nós precisamos escapar... Eles vão realmente te matar...

– Eu sei, mas não consigo saber onde estamos.

– Eu consigo, vi todo o corredor, acho que sei sair, mas vai dar no galpão e provavelmente vamos ser presos de novo. — Sherlock se espremeu contra a parede enquanto comia o resto de sua maçã.

– Algo não está certo. O que estava acontecendo? Por que não consigo pensar em algo? Escapar seria prioridade...

– É claro que não está certo! Irene te entregou ao assassino de Park Lane, o que você queria?! Como assim escapar SERIA prioridade? É prioridade! – Ele apertou os lábios e não disse nada. – Você viu o que fizeram com a minha arma quando nos pegaram?

– Não faço ideia...

– Você também viu que estamos próximo a uma construção?

– Sim, o que é muito engenhoso para falar a verdade...

– Sherlock!

– Desculpe.

– Acha que consegue fugir se eu esmurrar alguém quando entrarem?

– Seria estupidez... Eles estão armados.

– Então deixe Irene vir, ela não está. – Ele se remexeu no lugar.

– Mas... James está.

– Mas você não acha que se pegarmos ela como refém poderíamos conseguir? É o máximo que eu consigo pensar...

– Irene não é fácil, não é fácil como você pensa pegá-la, seria bem melhor ter James a ela.

– James não vem aqui. – Constatei por fim. Então a porta abriu-se fazendo um ligeiro som metálico que ficava impregnado, ecoando por vezes na cabeça.

– Watson, presumo que me reconheça. – Disse Sebastian. – Nós jogamos cartas outro dia. Lembra? – Holmes olhou-me sem entender. Acenei brevemente e voltei a pensar em como poderia escapar. – Se aceitar jogar comigo uma partida de cartas, te deixo sair se ganhar. – O fitei sem compreender. Se eu saísse era óbvio que eu chamaria a polícia para pegar Holmes.

– Quais são as restrições?

– Não existem, se ganhar vai poder sair.

– O que acontece se eu perder?

– Se você perder Sherlock morre, mas nada que não vá acontecer de qualquer forma... E você vai ser morto... Mas podemos evitar isso, como bom soldado que você é, sabe que podemos evitar. – Ele deu um sorriso amarelo que fazia o meu estômago doer.

– Como vai provar que vai me soltar?

– A minha palavra... Você vai ser solto, mas vai ficar em um hotel, bem longe, até que tudo acabe, nós iremos te passar o endereço do cemitério em que Holmes vai ser enterrado. – Ele disse por fim. Olhei parar Sherlock, que fez um leve aceno com a cabeça, eu não sabia se ele estava pensando em algo, mas tinha que ser rápido, antes que a minha partida de cartas acabasse. Levantaram Sherlock e arrastaram-no pelos corredores, acompanhei calmamente enquanto Sebastian segurava-me pelo ombro. Estava armado, e fazia questão de me mostrar isso. Fui algemado novamente na cadeira de madeira, Sebastian sentou-se de frente para mim e recolheu as cartas, começou a embaralha-las com uma destreza que me era desconhecida. Sherlock estava preso pelos braços, embora fosse alto, seus pés arrastavam no chão demostrando que estava cansando de mais para ficar preso daquele jeito. Não adiantaria tentar custar ou depois ele poderia morrer lá mesmo. Soltaram as algemas, pensava em pegar a arma dele, mas como queriam Sherlock era capaz de atirarem em mim. Concentrei-me na partida de cartas, passou um longo tempo, eu olhava furtivamente para Sherlock e para todos que estavam presentes no lugar. Irene não estava lá. Estava para ganhar quando ocorreu-me que ele poderia me mandar embora agora mesmo, junto com todas as tentativas de tentar ajudar Sherlock. Puxei a carta errada entregando meu jogo por completo. Sherlock suspirou. Ele estava acompanhando o jogo e sabia o que eu tinha feito. – Ao que parece você não é tão bom assim. – Sebastian disse, sorriu brevemente, recolheu as cartas e mandou que nos levassem para a sala escura. Talvez o nome na maçã fosse Irene avisando que eu tinha como escapar, era minha chance, mas eu não tinha jogado fora, pelo contrário. Estávamos novamente na sala escura, dessa vez, algemados.

– Estragou tudo naquela partida. – Sherlock comentou.

– Está ficando velho Holmes, não aguenta mais o perigo? – Ri baixinho, ele fez o mesmo.

– Ah, Watson meu caro, não me faça rir, estou quebrado. – Ele riu novamente. Andei ao seu encontro e percebi que minha maçã estava ali, estava podre e muito escura.

– Olhe, temos uma maçã, talvez possamos atirar na cabeça do próximo que entrar. – Comentei, puxando-a e sentando ao lado de Holmes. Ele se mexeu ao meu lado e puxou a maçã. Começou a morder e jogar os pedaços para os lados.

– Interessante. – Ele disse com algo entre os lábios.

– O quê?

– Supostamente alguém colocou um ferro pequeno nessa maçã.

– Supostamente? – Puxei o ferro e abri com facilidade as algemas. Abri as do Sherlock também embora não fizesse diferença no estado em que ele estava, não poderia fazer muita coisa além de ter pensamento positivo.

– Amanhã vão matar-nos, você sabe disso.

– Sim eu sei. – Estiquei-me e andei até a porta.

– Watson... – Sherlock falou. Virei-me na escuridão, ele tateava no escuro atrás de algo.

– O que está atrás? – Perguntei.

– Estou sentido um vento incomum, parece mecânico, penso que vem de uma entrada de ar. – Rapidamente procurei acha-la. Puxei o ferro, era mediana, não daria para nenhum de nos dois passarmos. Sherlock passou os dedos pelo contorno e suspirou inconformado.

– Veja pelo lado bom, se você não comer em mais alguns dias acho que passa por ai. – Comentei.

– Veja bem, já fui chamado de velho e gordo em menos de uma hora. Seus encorajamentos então me alegrando Watson. – Ele disse. Ri do comentário.

– Se vamos morrer amanhã eu quero pelo menos ter a chance de fazer algo.

– O que quer fazer?

– A questão não é bem o que quero fazer... Porque não tenho a mínima ideia... A questão é o que eu não quero... Que é me entregar facilmente... Quando aquela porta se abrir eu vou pular em cima da primeira pessoa que eu ver.

– Eu vou ficar torcendo por você. – Sherlock bocejou e aparentemente dormiu. Encostei minha cabeça na parede e fiz o mesmo.

•••

– Sherlock! – Cutuquei-o.

– Hmm.

– Acorde, escuto algo.

– Não escuto nada. – Ele falou.

– Pois eu escuto. – Andei sorrateiramente até a porta, percebi que ele fez o mesmo, apoiado na parede, caiu na metade do caminho, depois veio engatinhando e ficou de joelhos com o ouvido grudado na porta. Não havia refletido sobre o que iria fazer, apenas pensei em surpreender qualquer que fosse a pessoa que viesse nos buscar. Pensei em Mary, nas palavras que não disse, o quanto ela significava para mim. Era incrível como estava calmo. Estava prestes a matar quem quer que fosse e estava calmo. Sinal de que todos os anos no exercito mudaram realmente minha vida... Parecia extremamente conveniente desligar-se do mundo por um momento e fazer o que tinha que ser feito, sem pensar nos resultados negativos dos meus atos, nesse caso, eu e Sherlock só iriamos nos beneficiar. Sherlock colou rapidamente na parede ao lado da porta. Ouvimos barulhos de chaves e no segundo em que a porta de abriu levemente, pulei em cima de um homem ruivo. Era enorme, mas eu ataquei seu pescoço e Sherlock chutou seu tórax. Era extremamente forte o que o deixava meio desengonçado quando tentava tirar Sherlock e eu de cima dele. Sherlock tapava sua boca enquanto eu apertava ainda mais seu pescoço. O homem sufocava, passaram-se alguns minutos e Sherlock cutucou-me para irmos.

– Já está bom Watson, vamos. – Sherlock sussurrou.

– Você não é médico, eu sou. – Sussurrei de volta. Então mais alguns minutos se passaram, larguei o homem lentamente no chão e chequei seu pulso. Quebrei sua perna, ele não se moveu. Morto. Procurei a arma em seu cinturão e peguei-a rapidamente, Sherlock mal se aguentava em pé. Passei a mão pelo seu braço e arrastava-o pelos corredores. Ele quase tropeçava em suas próprias pernas, era horrível ver meu melhor amigo nesse estado. Eu não tinha noção de quantos dias estávamos fora, Mrs. Hudson não teria percebido que algo estava errado? Pensava em mil formas de nos livrar, pela minha mente louca, rápida pela adrenalina. Sherlock deveria estar fazendo o mesmo, mas deveria estar bem mais adiante com sua mente de gênio. Estávamos chegando ao final do corredor quando me ocorreu de sair correndo pelo galpão, arrastaria Sherlock pelos cabelos se fosse preciso. Puxei a porta com força, fazendo o baque parecer maior do que realmente era para ser, meu coração martelava forte e rápido, investimos nossos corpos e corremos pelo galpão, Sebastian estava na sala de vidro eu podia ver, Irene também estava lá, ela olhou com uma expressão de choque enquanto atravessávamos correndo o galpão. Puxei a arma e Sherlock tombou ao meu lado, bateu com tudo no chão, fazendo seus ferimentos voltarem a sangrar, gritava pelo galpão. Então todos perceberam onde estávamos. Um homem idoso saiu de dentro da sala e segurava uma arma que eu não conseguia identificar por estar longe, mas era toda prata, fazia a luz bater e cegar. Atirei rapidamente do peito do homem, foi tudo tão rápido, ele caiu contra o vidro espalhando tudo. Eu acabava de matar o embaixador de ligações persas... Pai de Sebastian, ou seria coronel Sebastian? Sim, coronel. Agarrei Sherlock pela manga e arrastei-o. Sebastian definitivamente iria me matar por isso, mas eu iria morrer levando o bastardo de seu pai junto. Então James apareceu e atirou no joelho de Sherlock. Só me dei conta quando escutei o barulho de tiro e continuei a correr quando percebi que a bala não tinha me acertado, Sherlock gritava tanto que achei que não tinha sido atingindo, mas eu estava errado, novamente errado... Mas não iria sair sem ele. Atirei para a direção de James, eu sabia que não tinha como acertar sem ver, mas era pelo menos para ganhar tempo. Então estávamos fora do galpão, não era barulho de construção, era um porto, com todos aqueles contêineres em cores vibrantes de amarelo, azul e vermelho, que fazia meus olhos arderem e minha cabeça martelar de dor. Corri arrastando Sherlock, o barulho vinha dos trabalhadores colocando todo aqueles materiais no navios. Sebastian estava atrás de mim e de Sherlock, eu sabia. Também sabia que Irene atirava muito bem e provavelmente deveria estar pulado de contêiner em contêiner atrás de nós com toda a flexibilidade dela. Maldita, maldita duas e três vezes. Puxei Sherlock e coloquei-o dentro de um contêiner que estava aberto. Olhei para os lados, mas não vi ninguém. Corri para dentro e fechei a porta esperando que nos colocasse dentro de algum navio. Estávamos tão próximos, tão próximos de escapar... Mas eu esperava por qualquer movimento, quando o contêiner se mexesse, eu iria poder desabar no chão, sentar ao lado de meu melhor amigo e saborear a vitória. Passamos o que parecia ser uma eternidade, rasguei a manga da blusa de Sherlock que já estava em frangalhos, prendi sobre o braço para estancar o sangue. Rasguei a outra manga quando percebi que tinha me esquecido do joelho.

– Se eu te colocar no cemitério vão achar que você é um zumbi. – Sussurrei tentando fazer ele ficara acordado.

– Não se engane... Argh! Ahh! Eu... Eu não estou longe de ser um. – Sherlock respondeu, depois riu de si mesmo. Sim estava rindo de si? – Estou em um estado deplorável. – De repente o contêiner se mexeu, fomos elevados do chão e colocaram-nos dentro de um navio. Sherlock dormiu, eu também, acordava várias vezes para checar se ele estava vivo, mas parecia que não tinha chegado sua hora... Ou ele não queria ir, porque no estado dele, aguentar tudo aquilo fazia me crer que ele estava com muita vontade de ficar vivo. Estava perdendo muito sangue, mas não comentei, ele sabia de seu estado. Por graças estávamos chegando em algum canto. O navio parou, não sabia se estava ancorando, mas pelos meus conhecimentos de navios daquele porte, provavelmente tínhamos chegado em algum lugar, raramente paravam em mar aberto. Atirei contra o contêiner duas vezes e abriu-se rapidamente. Arrastei Sherlock pelo corredor que tinha muitos containers daquele, eu não sabia o que estavam transportando. Subimos uma escada de metal então estávamos na área de travessia de trabalhadores em geral. Andei com Sherlock até abrir a porta que dava para a parte de cima. Estava errado, estávamos em alto mar. Escutei um homem com uma voz familiar.

– Quero acesso a sala D, você me ouviu?!

– Já disse que não posso!

– Eu não quero saber o que você pode ou não! Você sabe quem eu sou?! É Scotland Yard e o serviço secreto, você tem IDEIA...! – Mycroft Holmes! Corri para a parte aberta, o vento era tão grande que fazia Sherlock ir para trás, mesmo eu segurando-o pelo braço. Mycroft estava parado em cima do circulo de helicópteros, tinha um sobrevoando o navio, Mycroft olhou para nós, ajeitou a gravata e correu para pegar Sherlock.

– Sherlock... Em que se meteu desta vez? – Ele perguntou, passando o braço e apoiando o peso de Sherlock. Joguei a arma no mar e subi no helicóptero, ajudando Sherlock e Mycroft.

– Filho... Da mãe... – Sherlock sussurrou.

– Que disse? – Perguntei.

– Filho da mãe... – Sherlock falou, estapeando Mycroft. Então a briga entre os dois começou.

– Garotos, por favor... – Falei. Os dois olharam para mim e me encararam. Então Sherlock começou a brigar e murmurar coisas sem sentido enquanto Mycroft dava sermões e falava em como a mãe deles estava preocupada. Uma medica, me oferecia água, comida e remédios. Peguei a seringa e enfiei com tudo no pescoço de Sherlock, ele desmaiou na hora. – Não me deu escolha. – Eu disse, dando tapinhas em sua mão, o único canto que parecia estar menos ferido. – Como nos achou? – Perguntei.

– Mrs. Hudson falou de toda a história, então não foi difícil achar vocês, com todo o serviço secreto atrás.

– Pegaram Sebastian Moran?

– Não, para falar a verdade, não sabíamos que ele estava envolvido... Watson você matou o embaixador? – Acenei levemente com a cabeça. Ele suspirou. – Ele estava envolvido?

– Estava.

– Mais alguém?

– Irene Adler. – Eu disse. Esperei ele levar um susto e me chamar de louco por eu culpar um suposto fantasma, mas ele suspirou novamente. – Você sabia... Que ela estava viva?

– Sim, sabia, cheguei a procurar por ela uma vez... Sherlock queria vê-la... É claro que eu fiz objeção, eu sabia que ela não era algo bom... Com tantas mulheres no mundo ele vai escolher justamente a mais errada. – Ele ajeitou a gravata, puxou uma caneta e anotou em um bloquinho. – Vou ter tanto trabalho hoje... Primeiro para pegar Sebastian, depois para tentar disfarçar a morte do embaixador e por fim, tentar encontrar uma forma de pegar Adler... Não vai ser fácil, não tenho como acusá-la, nem como provar que ela estava lá.

– Prenda-a por forjar a própria morte.

– Ai é que está o problema... Tecnicamente ela não forjou... Está viva para o resto do mundo... E morta para quem ela quer... Entende?

– Sim, inteligente. – Ele suspirou novamente.

– Para onde está nos levando?

– Hospital. – Ele disse. Me encostei na cadeira e fechei os olhos, o cansaço tomando conta de mim por completo.



•••

Nota da autora.

Fiquei devendo uma foto do apartamento de Irene: veja AQUI.

Notas finais
Enorme esse capítulo, espero que tenham gostado ;D
Eu escrevi com um lencinho pela tortura que Sherly sofreu T_T
Desculpe se tiver algum erro, estou realmente cançada de escrever esse aqui, amanhã vou tentar postar o próximo =)