Would You Have Dinner With Me?
24 It wasn't funny.
– Hmm.
– Sherlock? – Perguntei. Tinham se passado três dias que estavam dando remédio a ele para dormir, problema é que ele nem acordava. Tinha passado por várias cirurgias, estava com duas costelas fraturadas, o joelho estava enfaixado, graças aos céus James atirava extremamente ruim, pois o joelho de Sherlock estava intacto e não foi preciso colar pinos, apenas remover a bala. Tinha levado um murro no rosto, por isso tinha um hematoma perto do queixo. O resto do corpo, os médicos disseram que estava cheio de hematomas também e o pulso esquerdo estava quebrado, colocaram no lugar. Mycroft tinha nos trazido de volta para Londres e estava presente quase todos os dias no hospital. Mary também me visitou no hospital, deixou flores para Sherlock. Mrs. Hudson vem todos os dias, Sebastian não foi encontrado e Adler estava livre.
– Ah. – Ele suspirou e se sentou lentamente.
– Não faça isso, continue deitado...
– Eu não aguento mais! Faça-os pararem de me dar esses remédios para dormir, eu não consigo pensar! – Começou a gritar pelo quarto, provavelmente início de uma de suas crises de loucura.
– Eles deram para que você não sentisse dor Sherlock...
– Eu não me importo, quando eu vou poder sair daqui?
– Eu não sei.
– Acharam Sebastian?
– Não, fugiu, mas está sendo procurado pela polícia.
– Se não acharam é capaz de ele não estar mais em Londres, ele é rápido. Adler... Acharam-na?
– Não.
– Eu quero que tirem o nome dela da lista de procurados. – Disse ele, se levantando e jogando o cobertor de volta a cama de hospital. Começou a puxar as agulhas que estavam grudadas em seu peito fazendo um som angustiante no aparelho, como se ele estivesse morrendo. Atirou tudo na cama. Definitivamente alguma enfermeira poderia aparecer.
– Mycroft está atrás dela, mas não sabe como vai fazer para prendê-la, não existem provas que digam que ela está envolvida.
– Então peça para Mycroft parar de procurar, eu mesmo vou fazer isso.
– O quê?! Que pensa que está fazendo?! – Sherlock fechou o robe de hospital e andou por todo o quarto, abriu a janela e ficou lá, respirando ar puro. – Você não vai atrás dela!
– I’ve always been able to keep myself distant, divorce myself from feelings, but don’t you see my dear Watson? My body is betraying me.
– O que quer dizer? Eu não entendo...
– Hamish. John Hamish Watson. Just if you were looking for baby names... You said... He is my son Watson... My son!
– Quem é o seu filho?!
– Hamish!
– Hamish sou eu! – Segurei o braço dele e fiz sentar na cama. – Você não está bem! Está sob efeitos de remédios! Não está falando coisa com coisa!
– Não, Hamish! Ham, Irene o filho... Escute, escute com atenção, Irene tem um filho de pouco mais que três anos... O nome dele é Hamish, ela sempre o chamou de Ham, eu nunca o vi... Achava que ela tinha um filho bebê, porque no dia em que estava tendo uma festa no apartamento dela, que eu entrei e levei uma surra, ela estava com um bebê nos braços, descobri mais tarde que era de uma amiga dela, mas não me importei de saber sobre o filho... Então quando me dei conta do nome da maçã... Watson ela estava fazendo isso pelo filho... Quando Sebastian falou “Escolha entre ele ou o seu protegido” ... Ele seria eu e o protegido Hamish!
– Você tem um filho?! Como você pode ter um filho?!
– Não me faça essa pergunta estúpida, você sabe muito bem como...
– Não foi isso que eu quis dizer! ... Eu estou em choque!
– Preciso acha-la... Antes de Sebastian, de preferência...
– James está morto.
– O quê?!
– Está morto, foi encontrado o corpo perto do Tâmisa... Adler não era casada com ele no papel, ou seja, se foi ela quem matou ninguém nunca vai saber. Apareceu na tevê... Nenhum dos amigos sabiam se ele tinha algum relacionamento... O apartamento é no nome de Irene, ou seja... Se tiverem fotos ou algo dele, provavelmente ela queimou tudo e não tem como saber que foi ela... Até porque meticulosamente não foi deixada nenhum digital que não seja do próprio James é claro.
– Ela fugiu? Saiu do país? Ela sabe que eu não estou morto?
– Eu não sei Sherlock! Você queria que eu voltasse lá para perguntar?! “Com licença Sebastian, Irene você sabia que Sherlock sobreviveu? Sim, está no hospital, gostaria de ir mata-lo pessoalmente?”
– Argh! Eu não tenho tempo para isso!
– Você precisa escolher entre pegar Sebastian ou ela, sinceramente as chances de acha-la são menores.
– Então não vamos perder tempo com asneiras, essa conversa está me incomodando, podemos ir?
– Ir para onde? Ficou louco?! Não, louco você já é... – Holmes abriu a boca e levantou o dedo, iria questionar e argumentar com um longo discurso. — E não tenha o trabalho de responder por que foi uma pergunta retórica!
– Porque estaria? Estou em perfeito estado, não vê? Preciso achar duas pessoas que provavelmente sumiram de Londres e você ainda me faz perder tempo!
– Me poupe com o seu discurso inglês sobre tempo. Você está doente, quebrado, quase morreu! Esqueceu-se disso Holmes?!
– Estou em perfeito estado, não seja idiota.
– Você é idiota! De que adianta achar Sebastian se quando ele te ver vai conseguir matar você?! É mesmo que se entregar!
– Não vou me entregar, vou pegá-lo e se eu ficar aqui, será mais fácil de ele me achar... Se não já souber onde eu estou.
– Onde vai?
– Passar em alguma loja. Diga que está com o seu cartão.
– Como assim em uma loja?
– Não posso voltar a Baker Street...
Énomomentotãoobvioqueelemesmoestariaesperandoeuacharqueelenãoestaria láporqueéobvio.
– Como é?! – Arregalei os olhos e olhei para ele. Tinha falado tão rápido que eu não tinha entendido se quer uma palavra. – Que disse?!
– É no momento tão obvio que ele mesmo estaria esperando eu achar que ele não estaria lá porque é obvio!!! – Ele gritou e saiu correndo do quarto.
– SHERLOCK!!!
– Espere! Ele pode mesmo estar lá! – Ele disse parando de uma vez no corredor.
– Você vai mesmo a casa vazia?
– Estou pensando.
– Sherlock, se acalme, venha, vamos tomar um café. – Puxei-o pelo braço e andamos até a cantina do hospital. Pedi dois frapuccinos. É café com gelo, creme e chantilly, mas de lugar para lugar pode mudar e serem adicionados novos ingredientes. O aroma é perfeito e o gosto também. Voltei para a mesa, várias pessoas olhavam Holmes de robe azul esverdeado claro com uma plaquinha de “Paciente” tomando frapuccino e cheio de hematomas. Ele olhava com “olhar esnobe” para as pessoas, eu tinha certeza que em certos momentos ele arqueava a sobrancelha e dava um risinho maldoso. Antigamente eu tinha pedido para ele parar com isso, mas descobri um tempo depois que não era algo do comportamento dele, era de sua personalidade, que por sinal era bem forte, ou seja, não poderia ser mudada.
– Estou perdendo meu tempo. – Ele suspirou, colocou o copo em cima da mesa , uniu a ponta dos dedos, apoiou os cotovelos na mesa , levou as mãos a frente de seu rosto e me encarou. – Obrigado Watson.
– Hm? – Olhei para ele sem entender.
– Obrigado por ter me tirado vivo do galpão, mas nunca mais seja tão imprudente, poderia ter morrido.
– Eu não iria deixar você para trás. – Continuei a beber.
– Claro que não! Ninguém disse isso. Você escapava e depois voltava para enterrar meu corpo, eu não iria querer ficar naquele galpão até desintegrar, você entende não é? Posso não ser digno de tão bons elogios, mas prestei muitos favores a Londres. – Ele sorriu.
– Idiota. – Resmunguei, ele começou a rir e voltou a beber. – Holmes, acha que Hamish realmente é seu filho?
– Não... Mas foi a única coisa que eu consegui pensar em três dias sem acordar!
– Deveriam ter sido mais dias, por uma leve coincidência você acordou... Diga, teria se levantado e ido embora se tivesse acordado e eu não estivesse lá?
– Claro que sim!
– Eu teria no mínimo pensado que Sebastian ou Adler tinham achado você!
– Não seja tolo, eu deixaria avisado no hospital.
– Eles teriam te amarrado e te dado uma injeção que te faria dormir lá mesmo!
– Eu me disfarçaria. – Suspirei. – Preciso checar no aeroporto.
– Porque no aeroporto?
– Porque é minha chance de tentar acha-la.
– Mas... E Sebastian?
– Você volta a Baker Street e entra na casa vazia... Tenha cuidado. – Ele levantou-se bruscamente e começou andar para a saída do hospital.
– Onde pensa que vai desse jeito! – Segurei seu braço. – Holmes você só está de robe!
– Por isso eu quero visitar uma loja!!
– Não há a nada que eu possa fazer ou dizer para que você fique?
– Não.
– Então me desculpe. – Esmurrei-o. Não sabia se ele tinha desmaiado, mas estava torcendo para que sim.
– John Hamish Watson!!
– Ah... Você é duro na queda... – Eu disse, lamentando-me e puxando-o do chão. Estava sangrando pela boca, mas não tinha quebrado nada.
– Inepto!!
– Não me chame de idiota! – Eu disse, gritando com ele. Ele olhou, depois começou a rir. Entreguei um lenço para ele estancar o sangue.
– Então... Começarei pela loja. – Ele disse, acenando e se afastando.
– Holmes!
– Sim? – Ele virou.
– Como acha que vai pagar pelas roupas? Vendendo o corpo? – Comecei a rir da ideia. Entreguei-lhe o cartão de crédito.
– Oh... Tinha esquecido...
– Percebi. – Gargalhei mais alto quando vi a expressão no rosto dele, provavelmente a parte do “ Vendendo o corpo”. – E não acho que ganharia muito... Disseram que está com vários hematomas e a perna enfaixada.
– Mas Watson... Não acho que essas pessoas paguem pelo corpo em geral. – Ele disse inocentemente. Gargalhei mais alto ainda.
– É mesmo Holmes? – Continuei em minha crise de risos quando ele percebeu que eu estava debochando dele.
– Não foi engraçado.
– Mycroft vai adorar. – Comentei rindo. – Ei! Espere, eu vou com você, te acompanho até a loja!
– Não foi engraçado. – Ele repetiu. Continuei a rir.
Notas finais
O que acharam da dedução de Sherlock sobre Hamish?
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