Would You Have Dinner With Me?
25 Somentimes life is like a sad song
Notas iniciais
- Eleanor rigby
- Behind blue eyes
- Photograph
- Love the way you lie part 2
- The long and winding road
- Video games
Boa leitura!
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*Irene Narrando*
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– Mãe! Mãe por favor! – Estava segurando a mão dele e atravessando a recepção. Tinha raiva de como estava absurdamente frio, meu cabelo estava bem mais seco por culpa do tempo, eu passava horas passando creme na pele e nos lábios e ainda estava com duas blusas por debaixo do casaco.
– Ham, você realmente precisa disso? — Perguntei me ajoelhando em frente a ele. Olhei para seus olhos azuis esperando que ele estivesse sendo claro comigo.
– Preciso mãe!
– Por quê?
– Porque não tem lá! – Ham insistia que precisava de seu “Stich de pelúcia”, eu não conseguia entender porque ele queria tanto.
– Nós podemos comprar outro... – Tentei convencê-lo sabendo que seria em vão, ele insistia ainda mais quando sabia que poderia ganhar. Não posso reclamar porque ele aprendeu comigo.
– Na Irlanda? Mas ele foi da Disney, porque eu não posso levar?
– Te disse que era para ser rápido... – Reclamei puxando as chaves que pareciam gelo dentro da bolsa.
– Quanto mais nós conversamos mais custa.
– Unf. – Entreguei-lhe de forma relutante as chaves, ele saiu correndo e entrou no elevador prata. Tinha dito para ser rápido... Ele já estava começando a argumentar muito bem. Meus pensamentos voltaram para o que tinha acontecido pela tarde. James tinha voltado conosco e o elevador estava em manutenção. Subimos pela escada até ocorrer um pequeno problema... Em meio a discussões, Hamish empurrou James das escadas e ele saiu rolando de imediato pelos andares abaixo. Eu tinha mandado Ham subir e ir para o quarto... Ele estava chorando, mas eu sabia que era de raiva... Também sabia que por mais arrependido que ele dissesse que estava ele não tinha um pingo de arrependimento, não parecia nem estar perturbado de ter matado alguém. Quando encontrei James três andares abaixo o desgraçado ainda respirava com dificuldade, fechei minhas mãos ao redor de seu pescoço pálido e apertei até ele sufocar, então Hamish não é totalmente culpado.
– Viu mãe! Eu disse que ia ser rápido! – Me assustei com sua presença.
– É você disse. – Sorri. Ele mostrava o Stich, jogava-o no ar e apertava-o contra seu corpo. Era meu anjinho, não um assassino, embora talvez ninguém entendesse, mas no final ele era só uma criança que estava passando por tantos problemas e definitivamente poderia falar que teve uma infância conturbada. Puxei a mala e coloquei no táxi. Seguimos para Heathrow pelo caminho mais longo as ruas já estavam cobertas de neve, só de olhar me fazia tremer. Paramos no estacionamento preferencial de funcionários, só havia três carros e um deles parecia que não saia do estacionamento á séculos. Segurei a mão de Ham enquanto passávamos ao encontro de Barton, o único barulho que se podia escutar era a mala arrastando no piso disforme.
– Irene. – Ele cumprimentou com um sorriso enorme. Vestia roupas claras e pelo cheiro, eu tinha certeza que estava fumando. Também estava visivelmente mais velho do que a última vez que o vi, mas seu condicionamento estava melhor apesar das manchas escuras debaixo dos olhos que revelavam que não dormia bem há dias.
– Barton! – Cumprimentei-o. Ele abaixou-se desarrumou o cabelo de Ham e ofereceu a mão para mim, apertando ligeiramente.
– Que posso fazer por você e o seu pequeno? – Ele sorriu para Hamish.
– Preciso entrar em um avião, mas como sempre, eu preciso entrar antes e sem ser vista. – Expliquei por cima a situação, eu não tinha certeza se ele tinha compreendido que eu precisava entrar antes para não ter uma companhia indesejada. Talvez ele imaginasse que eu só queria embarcar depressa no avião.
– Que está aprontando? – Ele perguntou, gesticulando nervosamente. Passou o cartão na máquina e fez sinal parar entrarmos no elevador.
– Nada, apenas férias. – Sorri. Ele rapidamente nos levou, começou a falar sobre sua família, eu só escutava algumas coisas e comentava com palavras pequenas, que do jeito que eu o conhecia, eu sabia que isso influenciava a continuar a falar.
– Andei fazendo uma dieta! – Ele disse gargalhando enquanto passava conosco pelos corredores abarrotados do aeroporto. Final de ano sempre era assim. Parei subitamente lembrando de que brevemente seria Janeiro e em Janeiro seria aniversário de Sherlock. Mais especificamente dia seis. – Irene?
– Desculpe. – Continuei a andar pelos corredores.
– Você está bem?
– Oh... Sim desculpe... Só um pouco perdida em pensamentos. – Sorri.
– Irene, pode esperar aqui por um minuto? ... Preciso fazer um relatório antes de você embarcar, é rápido e você pode me esperar no meu escritório.
– Barton, mentir nunca foi seu forte... Então me diga aonde quer chegar, eu não vou alugar nenhum que não seja o avião... E de preferência bem rapidamente. – Encarei seu rosto, agora pálido com o meu comentário.
– Não consigo esconder nada de você, é incrível! – Ele comentou sem graça, sorriu para mim e depois ficou sério novamente. — O seu amigo de finanças me pediu parar falar com você... Eu sabia que você iria vir, mas ele me pediu um favor eu... – Apertei os dedos contra os olhos tentando pensar coerentemente e ajeitar os fatos.
– Barton, eu preciso entrar naquele avião agora, você me entende? – Falei lentamente como se fosse para uma criança entender algo que era além de sua capacidade. Eu sabia quem o amigo de finanças era... Exatamente a pessoa que eu não queria encontrar, mas por um momento um sentimento de felicidade estava ali. Ele tinha sobrevivido. Mexi a cabeça na esperança insignificante de tentar fazer os pensamentos irem embora, ou pelos menos se tornarem invisíveis por conveniência. Iria agir como se ele não existisse.
– Sim... – Olhei rapidamente para ele. Semicerrei os olhos encarando-o. Parecia atordoado, andava apressadamente, quando finalmente chegamos ao salão de embarque ele ainda parecia hesitar. Ham e eu praticamente corríamos atrás dele. Entreguei as passagens e os passaportes além de assinar dois papeis que só faltavam pedir a contagem de quantos cabelos tinham na cabeça de Hamish. Ele estava ao meu lado segurando o Stich e não falava nada, estava impaciente, mas eu o ignorei. Entreguei as malas e quando virei para me despedir de Barton, o mesmo estava ao celular e sussurrava palavras desconexas, além de olhar para mim ele gesticulava e acenava positivamente. Desligou o celular e estendeu a mão dando um aperto de mão frio.
– Que estava fazendo Barton? – Perguntei séria.
– Avisando que você não vai ao escritório. – Só tinha confirmado as minhas suspeitas.
– Não era... Não era para ter feito isso! – Tentei me acalmar, estava nervosa e não era definitivamente para isso acontecer.
– Eu achei que...
– Achou errado. – Soou frio, mas eu não ligava. A adrenalina corria em minhas veias, peguei a mão de Hamish e segui para o avião, sem tirar os olhos da silhueta de Barton, eu encarava-o de uma forma tão cruel que ele não conseguia devolver meu olhar.
– Mãe porque não ficamos na primeira classe? – Ham perguntou observando que nós passamos direto para os assentos de trás.
– Porque eu não quero ficar na frente... – Os assentos da primeira classe eram definitivamente os primeiros acentos que eram vistos quando se entrava no avião. – Mas tem filme para você assistir de qualquer jeito Ham... – Sorri. Sentamos nos respetivos lugares. Eram três cadeiras juntas e Barton tinha reservado uma no meio para ninguém sentar. Com o tempo os passageiros começaram a adentrar o avião, o ar frio me incomodava, parecia grudar em meu rosto, fazia meu corpo todo tremer e minhas mãos pareciam gelo. Ham olhava pelo vidro e assistia algo na tevê, passei a mão pelos seus cabelos, o resultado foi ele cair no sono. Cobri a janela ao lado dele, desliguei a tevê e me encolhi na cadeira rezando para que as horas passassem rapidamente. Uma vez ou outra eu remexia nas revistas e os dentes se chocavam uns com outros pelo frio.
– Senhores passageiros... Oh, oh... Boa tarde senhor... Senhores passageiros as portas da aeronave serão fechadas e nós iremos começar o nosso voo, agradecemos a escolha de nossa companhia, tenham todos uma boa viajem. Suspirei.
– Com licença... Esse canto é meu. – Levantei o rosto. Sherlock me encarava com um sorriso de vitória nos lábios. Estava usando seu casaco preferido, azul e longo. Estava corado e com os cabelos assanhados, seus olhos pareciam mais azuis, me olhavam e analizavam esperando minha reação. Tinha um hematoma no rosto, lábios inchados que tremiam levemente, um pouco de sangue nos canto inferior de sua boca. Ele segurava a passagem firmemente entres os longos dedos. E eu, como uma pessoa doente ainda pensava que ele parecia extremamente atraente. Ele estava respirando depressa, deduzi que provavelmente tinha corrido como um louco para comprar uma passagem para esse voo e escolher o acento, Barton tinha reservado para ele... Idiota, ele realmente tinha escolhido sentar ao meu lado. Respirei fundo, Sherlock sentou ao meio lado, colocou o sinto e observou-me. Se arrependimento matasse... Deveria ter comprado na primeira classe, assim não existiriam essas três cadeiras. Suspirei resignada.
– Eu realmente gostei da Irlanda. – Sherlock comentou. Eu sabia que era para me provocar, ignorei observando Ham dormindo, sua cabeça estava encostada na janela. Passou realmente um tempo bom, estava ficando curiosa sobre o que Sherlock iria fazer quando chegasse à Irlanda. – Você não me disse... – Ele falou, referindo-se a Ham.
– Não preciso contar tudo... – Falei finalmente. Na verdade não sabia o que responder, não existia um manual de como dizer para um pai que você tentou matar que ele tem um filho que ele nem imaginava sua existência.
– Não preciso contar tudo? É o melhor que tem para dizer?
– Sherlock, era para você estar morto, considere-se assim.
– Realmente queria que isso tivesse acontecido? – Apertei os lábios em uma linha reta. Não, não era isso!! Não percebe?!
– Eu não vou discutir com você.
– Você...!
– Como você acha que você escapou vivo? Sinceramente não me diga que ferro nasce em maçã.
– Você colocou. Não estou surpreso.
– Deveria... Como o nome dele, eu também coloquei... Provavelmente porque você tinha o direito de saber antes de morrer. – Ele mexeu a cabeça parecia tentar absorver o que eu estava falando. – Você tem um pouco de sangue na sua boca. – Toquei seu lábio inferior que tremeu um pouco, ele não disse nada, acompanhava meus olhos apenas. Depois de um tempo suspirou. Ele retirou de seu casaco um lenço que já continha um pouco de sangue. – O que aconteceu?
– Me surpreende que você saiba que esse ferimento não seja da tortura. – Ele disse levantando uma sobrancelha. Eu poderia esmurra-lo por agir assim. Idiota. Será que ele realmente não sabia que era atraente? Não, acho que sabia e usava isso quando queria.
– Eu te surpreendo? – Falei um tempo depois, analisando o que ele tinha falado.
– Sim, você me surpreende, nunca é o que eu espero.
– Isso é bom?
– Sim.
– Porque estamos falando de mim? – Perguntei visivelmente sem entender, aquilo estava me perturbando.
– Isso incomoda você? – Ele perguntou sorrindo.
– O que você acha? Poderia falar de tudo, porque de mim?
– Gostaria de serviço de bordo? – Uma aeromoça perguntou. Ela tinha certa idade, cabelos loiros e olhos castanhos, um rosto bem expressivo. Usava um conjunto vermelho com alguns emblemas. Era bonita.
– Sim. – Ela passou uma bandeja de plástico tampada a mim e a Sherlock. Puxei a mesinha a minha frente, tirei a tampa da bandeja e coloquei em baixo, formava um prato quadrado. Puxei o garfo e a faca do saquinho de plástico e cortei um pedaço de bacon. Observei Sherlock mexer na comida com desgosto, ele me viu olhando e me encarou, fitei meu prato e não olhei em sua direção novamente. O tempo se arrastava, eu pensava se não era de propósito. Estava sentada de forma casual como se estivesse ao lado de um estranho porque não queria mover uma célula que fosse para olhar ou encostar perto dele. Fechei meus olhos e apertei-os com força agradecendo mentalmente quando o avião começou a descer. Acordei Ham que assustou-se com a presença de Sherlock. Caminhamos pelos corredores lotados, Sherlock tinha sumido e novamente eu estava atrás de sua presença. Chegando a sala de embarque, minha mala foi uma das últimas por ter sido despachada antes.
– Mãe... Quem é ele? – Hamish puxou a manga do meu casaco e apontou para Sherlock que apareceu e passou uma partilha para mim. Lembrava que eu tinha problema com a pressão no ouvido, realmente me surpreendeu ele ter esses pequenos acontecimentos em sua cabeça.
– Um amigo. Quando você vai voltar para Londres? – Perguntei enquanto ele pegava a mala de minha mão e puxava pelo aeroporto.
– Quando você voltar. – Ele sussurrou, sem olhar para mim, observava o aeroporto, seu movimento e as pessoas.
– Eu processo você por perseguição. – Eu falei, pegando a mala de sua mão.
– Estou quebrado, você acha mesmo que eles irão acreditar? E sinceramente se eu explicar o motivo...
– Você não tem o direito! — Eu disse, olhando para Hamish.
– E muito menos você!
– Mãe! – Hamish gritou. Olhei para ele e tirei o dedo que estava apontado para o rosto de Sherlock que se abaixou e entregou o Stich que estava no chão para Ham. –Obrigado. – Ele disse.
– De nada. – Sherlock falou sem graça olhando para Ham. Se continuasse a olhá-lo assim iria assustar a criança. – Mãe ele vai ficar conosco?
– Nã...
– Sim, eu vou. – Sherlock sorriu.
– Você não vai fazer isso Holmes!
– Está faltando o Mr.
– Vá se ferrar! – Saímos do aeroporto e pegamos um táxi. Entreguei o endereço ao taxista e seguimos para a casa. O percurso foi lento e estava muito frio, mais frio do que previa, provavelmente iria chover a qualquer momento. Ham estava com sono, tentava encostar-se ao Stich e depois suspirava frustrado por não conseguir dormir. Chegamos, arrastei minha mala com dificuldade e paguei o taxista. – Cuidado para não trope... çar ai... – Eu disse, Ham se desequilibrou na calçada e caiu em cima de umas plantas. – Você é igual a ele. – Suspirei, levantando-o.
– Ele quem?
– Ninguém.
– Você disse, ele.
– Ham, não é ninguém. – Insisti. Abri a porta, entramos e coloquei a chave na mesinha de centro. Ham correu pela casa enquanto eu tentava acender a lareira, joguei os sapatos em algum lugar da sala. Embora soubesse que Sherlock estava na Irlanda, estava atrás de Ham, não significava que estava atrás de mim.
– Mãe, boa noite.
– Boa noite meu amor. – Abracei-o, ele desapareceu para o quarto arrastando o Stich no chão. Sorri com a cena. Sentei novamente no tapete e tirei o casaco, precisava de uma boa noite de sono, precisava descansar. A ideia de finalmente parar de fugir ou seguir planos era ótima. A campainha tocou caminhei para abrir a porta e encarei-o encharcado. Cruzei os braços e sorri. – Você custou.
– Sabe que eu tive que pedir para o táxi me deixar naquela boate estupida para eu ter que vir andado até aqui a pé porque eu não sabia o endereço?! E aquele canteiro ridículo ali na frente me fez tropeçar de novo! – Ele entrou me empurrando e fechando a porta. – E nós precisamos conversar. — Sentei no tapete novamente observando-o, ele retirou o casaco e colocou em cima da poltrona, sentou-se ao lado e olhou para mim.
– Imagino que tenha vindo por Ham.
– óbvio. Quando soube que eu estava vivo?
– Eu não sabia se estava vivo Sherlock... Eu achei que sim já que você fugiu do galpão, mas eu não sabia se iria sobreviver no hospital.
– O que disse a Hamish?... Sobre mim... Digo... Você não falou que eu morri ou algo do tipo...
– Não... Eu... Eu disse que você não o conhecia e não sabia que ele existia... Disse que morava longe... E outras coisas mais.
– Quando você sumiu foi por Sebastian?
– Sherlock eu não quero falar sobre isso.
– Quero saber se estou certo.
– Sebastian me mandou uma carta, pedindo para se encontrar comigo... Eu achei que ele iria me matar, pensei que poderia querer apenas me matar... No começo achei que era Moriarty, mas depois quando sai pela janela naquela chuva... Bom, ele conversou comigo... O plano era matar você, mas estava tudo dando errado... Até que em alguns meses minha barriga começou a crescer... E ele percebeu então mudou tudo, mudou todo o plano para envolver Hamish também... Eu teria que seguir ou Ham iria morrer... Então eu escolhi fazer o que ele queria, eu escolhi matar você e deixar ele vivo... Então por alguma falta de sorte ele conhecia James, nós nos casamos e obvio que James também me chantageava... Eu nunca disse a ele que James era pai dele e em momento nenhum ele perguntou, talvez porque ele soubesse de alguma forma...
– O que aconteceu com James? – Ele sussurrou. Respirei fundo tentando tirar um bolo que estava se formando em minha garganta.
– Ham... Brigou com ele... Foi tudo tão rápido, estávamos nas escadas e então Hamish empurrou James... Quando eu desci para procura-lo estava respirando, mas não poderia viver mais da mesma forma, estava em estado vegetativo... Acabei de matar o que restou dele... Tirei seu corpo de lá e coloquei perto do Tâmisa, não existiam digitais e as poucas marcas que haviam no corpo revelavam que ele poderia ter morrido de qualquer coisa.
– Hamish fez isso?
– Ele disse que não foi porque quis, é óbvio que foi um acidente... Mas acho que talvez ele não esteja arrependido.
– Eu também não estaria. – Ficamos um minuto em silêncio, estava chovendo tão forte que dava parar escutar o barulho da água batendo com o vento contra a janela. Percebi que estava chorando quando as lágrimas rolaram pelo meu rosto quentes, pareciam queimar a pele. Passei a pontas dos dedos retirando-as rapidamente, mas ele tinha percebido. Virei meu rosto e levantei-me, ele puxou meu braço e me abraçou. Eu não esperava por isso, depois de quase mata-lo ele ainda estava ali. — Já passou...
– Não, não passou você não sabe como é ter que fazer de tudo para proteger quem se ama!- Fitei seu rosto vendo como tinha o magoado ainda mais por ter pronunciado essas palavras. Era injusto ele também estava sofrendo. -Desculpe! Desculpe!- Estava meio entorpecida.
– Você foi chantageada... Por isso estava me afastando...
– Porque não percebeu?!
– Eu não sei... O caso de Park Lane ainda não acabou... O que me faz lembrar... Alguma ideia de onde Sebastian esteja?
– Não até agora...
– Como foram esses três últimos anos para você? Ficando com James, cuidando de Hamish e planejando me matar... Você não precisa se fazer de forte agora Adler. – Tentei sair de seus braços, mas ele não deixava.
– Não estou me fazendo de forte.
– Sim você está. – Seu hálito soprou no meu rosto me fazendo tremer.
– Me largue. – Eu não iria me machucar mais.
– O que aconteceu com você?
– O que aconteceu comigo? Eu quase matei você e ainda me pergunta o que aconteceu comigo? Qual é o seu problema?! Eu quase matei você, não consegue entender isso? Porque continua aqui, eu não consigo te entender! – Quase matei uma das pessoas mais importantes para mim e nunca iria me perdoar por isso.
– Parece o certo.
– Então siga o certo e volte para Londres, ninguém precisa se machucar mais.
– Não vou sem o Hamish e você.
– Você sabe como a minha vida está, não piore, não piore, por favor... Ele é só uma criança e já tem passado por tudo isso.
– Não vou voltar sem você, fico imaginando como eu me sentiria com os nossos lugares invertidos. Lamento pelo dor que causei.
– Mãe? – Hamish estava no corredor com seu Stich, olhava para nós e bocejava. Limpei as lágrimas imediatamente.
– Está tudo bem. – Atravessei a sala e abracei-o. – Não consegue dormir?
– Não com esse barulho. – Ele olhou sugestivamente para Sherlock.
– Desculpe.
– É o seu amigo? – Ele apontou. – O mesmo do aeroporto... Você está bem? – Ele atravessou a sala e puxou a manga da blusa molhada de Sherlock.
– Estou...
– Hamish pode voltar a dormir? Estamos conversando...
– Eu vou beber água, ele pode ficar com a gente? – Incrível como a pergunta soava como se Holmes fosse um cachorro, “nós podemos comprar esse aqui?“.
– Hamish, o que está fazendo?! – Sussurrei acompanhando-o enquanto ele ia à cozinha.
– Ele pode ficar com a gente? Eu gostei dele.
– Você nem o conhece.
– Se é seu amigo então é meu amigo...
– De onde você tira essas coisas?!
– Dos livros... Geralmente as pessoas falam isso para se socializar...
– Para se socializar?!
– Boa noite mãe. – Segui-o de volta a sala enquanto ele acenava para Sherlock. – Você não me disse o seu nome.
– Amanhã talvez você descubra. – Ele sorriu e acenou para Hamish que voltou para o quarto. Ficamos em silêncio por um momento, talvez eu e ele estivéssemos esperando por esse momento há tempos da mesma forma, o ambiente mostrava tensão.
– Ele é praticamente a minha cópia. – Ele falou, depois de alguns minutos de completo silêncio.
– Os olhos são meus.
– O quê?! Os olhos são definitivamente meus!
– Não são não.
– Tenho certeza.
–... Ele gostou de você.
– Eu percebi... – Sentei-me ao seu lado e encostei minha cabeça sem eu ombro. – Como acha que ele vai reagir quando eu contar?
– Não sei... – Ele mexeu em meu cabelo, depois seus dedos passaram pelo meu rosto, seu toque fazia um rastro quente. – Eu vou subir... Boa noite. – Levantei e subi as escadas lentamente. Passei para o banheiro, rodei a torneira esperando a água quente encher a banheira. Despi-me e sentei na banheira, esperando a água me acalmar. Meu olhar vagou pelo banheiro, a claridade revelava que já estava amanhecendo e eu tinha perdido totalmente a noção do tempo. Passei o sabão contra minha pele até surgir espuma. A água fazia o trabalho de relaxar o meu corpo, mas quando eu voltava a pensar em Sherlock na sala, o relaxamento ia embora com toda a água. Enxuguei-me, prendi a toalha ao redor do corpo e passei perfume. Destranquei a porta do banheiro a me preparei para correr pelo chão de madeira até o closet. Já estava sentido o frio passar por entre a porta. Abri e observei Sherlock de costas em frente à lareira.
– Que está fazendo? – Perguntei fazendo uma careta feia.
– Minhas roupas estão molhadas. – Ele disse apenas.
– Isso é obvio, mas o que está fazendo aqui?
– Procurando roupas. – Ele disse me seguindo até o closet. Não teria nenhuma roupa de James aqui porque ele nunca chegou a vir para Irlanda, mas Sherlock já tinha passado um tempo aqui, talvez ele tivesse escondido uma roupa em algum canto. Puxei uma blusa branca com botões.
– Hmm essa é sua. – Adorava aquela blusa nele, de alguma forma era um mistério que os botões não pulassem de seu peito. Ele tirou a blusa, deixou cair no chão e pegou a branca.
– Ei, ei, vá tomar banho e pegue essa blusa do chão, não está no seu quarto Holmes. – Bufei e empurrei-o para o banheiro.
– Eu não reclamava quando você molhava o chão do meu quarto.
– Você vai me agradecer por não ficar doente.
– Você aprendeu muito bem com Mrs. Hudson. – Ele segurou minha cintura e olhou para mim.
– Não foi com Mrs. Hudson, foi com a vida Sherlock, eu tenho Hamish para cuidar. – Encarei-o por alguns instantes, ele olhava nos meu olhos, alguns minutos depois sorriu. – O que foi?
– Nada, só estava gostando do que estava vendo.
– E o que estava vendo?
– A parede atrás de você. É claro que eu estava vendo você!
– Vá tomar banho. – Apontei para o banheiro. Vesti um conjunto de calcinha e sutiã azul claro e coloquei a blusa de Sherlock. Ele que pegasse outra. Corri para ligar o aquecedor, já estava morrendo de frio, ele só fez me atrasar mais ainda. Pulei em cima da cama me enrolado nas cobertas quentes e macias. Sherlock surgiu do banheiro molhando o piso de madeira. Tinha que guardar a imagem dele de toalha devidamente em algum lugar seguro.
– Está com a minha blusa.
– E você com a minha toalha. – Respondi ao mesmo tempo em que tentava me agasalhar na cama. Ele não respondeu, foi ao closet e pegou algo para vestir. A calma dele me deixava nervosa. Ele surgiu vestindo seu conjunto de pijamas azul desligou a luz do quarto e sentou-se na cama ao meu lado. Já estava ficando um pouco iluminado, estava também incrivelmente frio, o aquecedor parecia não amenizar nada. Passaram-se silenciosos minutos, toquei o braço de Sherlock, ele se virou e observou-se. – Desculpe. – Ele pegou uma de minhas mãos, segurou levando ao peito e fechou os olhos. Passei a mão livre por seus cabelos, mas parei pensando que ele poderia se afastar, no mesmo momento escutei ele suspirar, então encostei minha cabeça em seu ombro sentindo imediatamente ele abraçar-me de encontro a seu corpo. Ele poderia me afastar amanhã, mas pelo menos por esse breve momento eu poderia aproveitar sua companhia.
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Abri os olhos incomodada com a claridade. Tinha esperanças que o sol trouxesse o calor, mas quando levantei para fechar a janela, constatei que as esperanças foram em vão. Tropecei no lençol no chão. Algumas coisas não mudam, Sherlock tinha deixado o lençol cair da cama. Levantei-me apoiando na cama, procurei por ele, mas a cama estava vazia. Talvez já tivesse ido embora, voltado para Londres. Subi imediatamente na cama me enrolando com o cobertor, puxei seu travesseiro ignorando totalmente o meu. Queria sentir seu cheiro e imaginar que ele estava ao meu lado novamente. Apertei o travesseiro contra meu rosto com força, o despertador interrompeu-me. Desliguei o alarme chocada com a hora, Estava de tarde, hora do almoço. Levantei da cama e parei subitamente na porta. Se Hamish me visse assim poderia pensar algo. Escolhi um short, vesti rapidamente e desci as escadas.
– É verdade? Isso acontece mesmo?
– Sim é verdade, se você ingerir isso só sobreviverá por uma hora.
– Incrível! E o ópio, que me diz?
– O que está fazendo?! – Desci as escadas e encontrei os dois sentados no chão com alguns tipos de plantas.
– Estamos estudando...
– Eu não quero saber o que estão estudando, Hamish você não tem idade para estudar sobre nada disso!
– Mãe não tem problema...
– Irene nós só estamos nos divertindo. – Sherlock falou. Percebi que estava usando uma calça preta e uma blusa azul claro que estava suja de terra. Seus cabelos estavam mais assanhados e seu rosto estava machado de uma substancia amarela.
– O que está fazendo com ele?! – Perguntei, puxando seu braço.
– Não estou fazendo nada, nós temos interesses mútuos.
– Você está desmanchando o comportamento dele.
– Não estou desmanchando, estou influenciando ele a desenvolver suas habilidades, dê um pouco de liberdade.
– Ele já tem liberdade demais. – Insisti, eu sabia que seria difícil argumentar com Sherlock, ainda mais agora que ele tinha descoberto habilidades e gostos em comum com Hamish. – Ele destruiu o meu tapete outro dia...
– Não foi bem... – Ham tentou argumentar.
– Você destruiu. – Reclamei.
– Acidentes acontecem... Hamish foi errado você ter destruído o tapete.
– Obrigada. – Agradeci por ele me apoiar.
– Porque não reserva um quarto para fazer suas experiências?
– O quê?! – Hamish sorriu para mim esperando eu dizer sim. Ignorei os dois e segui para a cozinha. Peguei alguns ingredientes para fazer o atrasado almoço, percebi tardiamente que Sherlock estava parado no canto da cozinha. Não comentei, continuei a fazer a comida, pegar torradas, geleia, fazer suco... Sherlock passou ao meu lado, esquentou água e pegou a louça de chá. – Desde quando você sabe cozinhar?
– Eu sei cozinhar, mas gosto de fazer experiências apenas. Me passe aquele bule por favor. – Entreguei o bule de porcelana observando-o com curiosidade. Sentei no balcão e peguei uma torrada com geleia.
– Você fica mais atraente quando cozinha, deveria fazer isso mais vezes. – Ele olhou para mim um pouco vermelho e entregou-me uma xícara de chá com leite. Peguei de suas mãos e soprei, esperando que ficasse morno. O cheiro era ótimo, realmente de dar água na boca.
– O que quer dizer com mais atraente?
– Oh, por favor, você sabe o seu efeito nas pessoas.
– Meus efeitos? – Ele se aproximou de mim, seu rosto a centímetros do meu.
– Sim, seus efeitos. – Bebi um logo gole do chá. – É ótimo.
– O chá ficava melhor quando eu colocava um pouco de... – Olhei com cara feia para ele. Se Hamish escutasse o quanto o chá ficaria bom com as drogas, alucinógenos que Sherlock gostava, com certeza seria um péssimo exemplo. – Esqueça, de qualquer forma, volte a falar sobre o meus efeitos.
– Você fica sendo misterioso com essas maçãs do rosto, olha para mim e sorri desse jeito.
– Não estou fazendo nada.
– Você sabe que está!
– Então diga o que estou fazendo. – Ele sorriu novamente.
– Argh. Hamish venha comer algo!– Ham apareceu e sentou-se na mesa da cozinha. Sherlock me ajudou a levar as comidas para a mesa, Parte de mim ainda parecia não acreditar que ele estava ali, ao meu lado, vivo. Fazendo uma ação tão simples como fazer chá ou levar comida para mesa. Poderia ter partido para sempre, poderia ter ido sem eu conseguir me despedir, eu poderia nunca mais ter visto seu rosto novamente, ou até mesmo ir ao seu segundo velório, aquilo me destruía, já tinha experimentado a dor de perdê-lo e poderia ter passado por isso de novo, mas não iria conseguir ser a mesma. Sim me desmancharia... Partiria-me ao meio não ver aquele sorriso novamente ou escutar suas incessáveis reclamações, seus comentários e as perfeitas deduções. Até mesmo suas experiências, sua felicidade ou sua tristeza. As longas noites em que ele não me deixava e nem deixava John dormir, as vezes que me assustava em vê-lo atirar contra a parede. Seu cheiro único, seu hálito perto do meu rosto, seu toque, as poucas vezes que ele demonstrava se preocupar comigo, seus abraços e seus lamentos. Seus gritos pelo galpão. Lembro-me de quando ele tinha partido e eu só queria ter a chance de ter conhecido melhor, mas a única coisa que eu podia fazer era dizer que eu amava-o, ele iria partir sabendo que era amado, era o máximo que eu poderia fazer, mas agora, se ele tivesse morrido, nem isso eu poderia dizer, porque mesmo amando-o, ele nunca iria saber. A última vez que eu teria visto seria seu corpo imóvel ensanguentado, longe de mim. Ninguém sabe como é ser derrotada, destinada a contar mentiras. Sentir todos esses sentimentos que eu sentia. Olhei para ele para checar se ele estava ali. Parecia não perceber, estava comendo com Hamish, conversava sobre alguma curiosidade que só ele sabia, combinava de fazer algo, Ham estava adorando. Dei as costas e abri a geladeira, colocando um copo com água. Limpei meu rosto novamente na manga da blusa e me apoie no balcão. Todas as coisas que eu me repreendia por pensar eu estava pensando em um dia só. Eu sabia que sua companhia de uma forma ou de outra iria me magoar. Talvez ele estivesse certo, eu estava me fazendo de forte, estava passando tudo por Hamish. Estava sofrendo, matando quem eu amo, mudando de país incontáveis vezes, arrumando malas, seguindo planos, sendo chantageada, até mesmo estuprada por James. Estava me fazendo de forte, estava sendo fria por que a vida me cobrava ser. Ajeitei-me em frente à geladeira observando meu reflexo. Bebi a água e guardei o copo. O futuro antes com ele parecia tão brilhante e agora só um borrão.
"Somentimes life is like a sad song."
Notas finais
Capítulo enorme, desculpe se tiver erros.
Sobre esse capítulo, foi feito para explicar o que Irene passou e é mais que normal que ela esteja assim, já que ele passou por muita coisa.
Espero que tenham gostado. Muitas pessoas me pergutaram se a fic está chegando ao final. Não, não está. Ainda tenho muito que escrever e... Estou escrevendo o tão esperado capítulo hot, não se preocupem. =)
Obrigada pela recomendação Ana *-* e Rosa *u*, fico imensamente muito grata. :D
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