Would You Have Dinner With Me?
22 No you didn’t!
O vento parecia chicotear minha pele, as ruas estavam cobertas de neve e por vezes Sherlock conseguia fazer a proeza de me segurar quando eu já estava prestes a cair em meio a tanta neve. Estávamos andando até a farmácia, Sherlock queria falar com Mrs. Hudson e depois visitar a casa da frente, eu não falava nada, John parecia animado de voltar oficialmente às aventuras. Chegamos à farmácia, Puxei a porta de vidro e entrei rapidamente, segurando para Sherlock e John passarem.
– Finalmente... – Suspirei. Um ambiente quente, finalmente. Passei minhas mãos nos braços com a esperança do atrito fazer esquentar.
– Mrs. Hudson! – Sherlock falou alto, não foi um tom rude, mas todos na farmácia olharam, Mrs. Hudson saiu de trás de uma prateleira, segurava uma cestinha de colocar compras na mão. – Mrs. Hudson... Eu preciso que volte ao apartamento...
– O que está aprontando...
– Lembra-se do que nós conversamos? – Ele perguntou calmamente, ela assentiu. – Preciso que faça isso agora. – Ela acenou com a cabeça, seguiu para o caixa, pagou as compras, arrumou rapidamente os pacotes na bolsa e seguiu para fora da farmácia. O que eles tinham conversado?
– Sherlock, está com o meu celular. – Tirei o dele do bolso e entreguei. Ele pegou o meu e segurou os dois em sua frente.
– Ambos são seus... – Ele comentou pensativo. Estava considerando ficar com os dois celulares!
– Nem pense! Devolva-me! – Peguei o celular de suas mãos, coloquei no silencioso e guardei no bolso da calça. Abri o seu casaco e abracei-me a ele, estava quente, era ótimo.
– Que horas acha que seria bom? – John comentou. Olhava o movimento na farmácia e mexia os pés.
– Em alguns minutos... Diga que está armado. – Sherlock sussurrou. John fez um leve movimento no casaco para mostrar uma parte da arma. Assentiu. Meu corpo tremeu involuntariamente, não sabia se era por frio, por nervosismo ou por imaginar John matando pessoas em suas missões no Afeganistão. Passando algum tempo, saímos da farmácia, caminhamos rapidamente por algumas ruas estranhas, eu perdi a noção de onde estava quando rodávamos por ruas que pareciam ser labirintos.
– Por aqui, tem certeza? – John perguntou quando estávamos em rua mal iluminada e mais fria do que qualquer outra.
– Hmm... Me dê um minuto. – Sherlock respondeu, olhou para cima procurando a placa, encostei-me a parede fria. – Por aqui! ... Desculpe, por ali! – Ele apontou, saiu correndo como um louco, John e eu tivemos que correr como se dependêssemos de nossas vidas atrás dele. Chegamos à esquina de algum lugar, olhei ao redor, dava para ver Baker Street mais adiante. Tinha esquecido de que Sherlock tinha conhecimentos amplos sobre os atalhos de Londres... Perguntava-me se ele decorava os mapas e andava a noite atrás dessas ruas.
– Voltamos...? – Perguntei, enquanto observava Sherlock olhar para os lados e parar em frente a um muro descuidado. Ele colocou uma das mãos na cintura e apontou para cima.
– Vamos ter que subir. – Encarei o muro. Eu sabia exatamente onde estava... E também sabia com todas as células de meu corpo que eu não queria entrar ali. – Estávamos em Cavendish Square... Aqui é uma pequena ligação com Blandford Street. – Sim, de fato era o nome da rua.
– Você tem certeza... – Falei pausadamente. – Que quer entrar ai?
– Tenho. – Ele disse. – John você pula primeiro ou eu?
– Eu vou. – John voltou se afastou um pouco depois correu de encontro ao muro, escalou rapidamente e passou para o outro lado. Provavelmente tinha caído porque escutamos um barulho de trás do muro que parecia tremer. Sherlock olhou para mim e com uma expressão de susto. Prendi a respiração por alguns segundos depois relaxamos quando escutamos John chamar. – O que estão esperando?
– Estamos indo. – Sherlock riu baixinho. Estava me afastando quando ele puxou minha cintura.
– Que está fazendo? – Perguntei, não era para eu escalar o muro?
– Levantando você. – Ele disse. Passou os braços pela minha cintura, cautelosamente me levantou, passei os braços para subir quando John estendeu a mão e me puxou calmamente. Sherlock rapidamente escalou o muro e estava ao nosso lado. Olhava para o jardim escuro a procura de algo. Eu odiava estar ali, odiava com todas as forças. Sherlock empurrou a porta de madeira que rangeu um pouco e fez sinal para apressarmos. Entramos pela porta da cozinha, em geral o ambiente parecia um pouco com o da Baker Street, era quase a mesma arquitetura da cozinha de baixo de Mrs. Hudson, mas as paredes estavam com bolos de água e a pintura terrivelmente desgastada. Sherlock andou até o que parecia ser uma escada, John seguiu na frente, com a arma nas mãos que não tremeram por nenhum segundo. Nossos pés no assoalho vaziam ranger de tal modo que para mim parecia ser amplamente alto, talvez porque eu estava me escondendo naquela casa, será que alguém dentro dela estaria ouvindo? John entrou em um aposento que parecia ter sido reformado há pouco tempo, eu não me lembrava dessa parte da casa, estava tudo escuro, apenas uma poltrona vermelha virada para a janela enorme com cortinas escuras, um maço de cigarros deixados no chão e uma lareira que não estava sendo usada há muito tempo. Todo o aposento tinha um odor de mofo, com o frio, parecia intensificar. – Sabe onde estamos? – Sherlock perguntou enquanto se abaixava atrás de uma cômoda um pouco longe da poltrona. John se abaixou também enquanto eu sentava no chão ao lado deles.
– Ali é 221B? – Watson perguntou olhando para a janela. Sim, de fato era, tinha uma ampla vista do apartamento. Com o tempo sua expressão mudou e a minha também. Sentando perto da janela tinha a silhueta de Holmes do outro lado, na 221B. Olhei rapidamente para ele para ter certeza de que realmente estava aqui.
– É um busto de cera. – Ele sussurrou. – Hoje à noite, finalmente serão concluídas minhas suspeitas sobre o caso de Park Lane... Poderemos pegar o assassino.
– Essa é a casa do assassino?
– Sim. – Sherlock respondeu. Comecei a mexer na madeira, não fazia barulho, mas ele me olhava impaciente.
– O busto se mexeu!
– Shh! É claro que se mexeu! Mrs. Hudson está mexendo ele de tempos em tempos. – Então todos ficaram em silêncio, rapidamente o som da porta de madeira sendo puxada no cômodo em que estávamos me fez tremer. O homem de cabelos castanhos seguiu direto para a janela, soltou uma exclamação de deleite, puxou uma arma que estava ao lado esquerdo da poltrona.
– Now... Don't run Mr. Holmes... — Ele gargalhou e atirou contra o vidro, certeiro bateu com tudo no busto de cera que se estraçalhou. O homem soltou um suspiro de prazer e pegou o telefone. Watson se remexia ao meu lado. Sherlock parecia não piscar, olhava para todos os movimentos do homem como se estivesse decorando. O homem teclou os números rapidamente, então meu celular se mexeu no meu bolso. Peguei-o lentamente, deslizei a tela e pressionei-o contra o ouvido. Sherlock virou o rosto lentamente para mim, que estava em um mesclado de emoções. – I killed him! Say for me, I killed him?! – Sherlock piscou algumas vezes sem tirar os olhos dos meus, respirei fundo, a compreensão passou pelo seu rosto, estava em choque.
– No you didn’t! – Gritei empurrando friamente Sherlock contra o homem.
Notas finais
Espero que tenham gostado de ler... =) Ok, ok, devem estar com muitas perguntas e nenhuma resposta... Mas o próximo capítulo vai ser postado em breve. =D
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