Would You Have Dinner With Me?
8 It will be different, I promise.
– 16 Alma Road... Próximo a SeaPoint Avenue. – Falei, tirando um papel do bolso e guardando o celular. Dublin é dividido por um rio e de um lado ficam os números impares, ao sul os bairros mais ricos os números pares. É comum que em condomínios de casas todas elas tenham a mesma arquitetura, o que diferencia é a cor da porta e o nome da casa. Não existe número, apenas nome. Em geral a Irlanda é bem calma e muito bonita, totalmente diferente de seu passado que inclui histórias de crianças em internatos sendo maltratadas por padres.
Durante todo o percurso ninguém falou nada. O taxista estava escutandoAmhrán na bhFiannque significa "A canção do soldado", o hino da Irlanda. Passamos pela a estátua do memorial deCharles Stewart e por algumas belas construções medievais (A capital da Irlanda é Dublin, onde o memorial de Charles se encontra).
– Chegamos. – O taxista bocejou e recebeu meu dinheiro pelo percurso. Sherlock tirou a mala e saiu puxando até onde eu estava. Eu tinha comprado essa propriedade desde que saíra de Londres antes de Sherlock supostamente “morrer”.
– O que acha? – Apontei para a casa enquanto Sherlock olhava para os enormes campos verdes ao redor da mesma. Ele subiu à calçada e se desequilibrou no canto de algumas flores.
– É bem verde. — Disse ele, recuperando o equilíbrio. -Lugar aconchegante para se esconder.
– Também acho. – Peguei a mala de suas mãos e arrastei pelo caminho de mármore que começava na rua, passava pelo gramado e finalmente chegava a casa, que ficava protegida por algumas árvores. Tinhas algumas flores vermelhas na frente, a arquitetura era vitoriana, toda a casa tinha tons de creme e era ornamentada com gesso perto das janelas. Subi os dois degraus de cor cinza e passei a chave na fechadura. Entrei e coloquei meu celular na penteadeira da sala de recepção, que tinha um espelho muito grande, com detalhes douradores em sua borda. Tinha também um vaso de vidro ao lado direito da penteadeira, com algumas folhas de plástico dourado e ao lado esquerdo, um abajur de porcelana. O compartimento era algo como uma recepção, tinha carpete branco, uma parede branca com vários detalhes em gesso, uma enorme janela de vidro que dava para uma vista de várias flores e campos verdes. A janela tinha cortinas brancas pesadas, na parede da porta tinha alguns quadros com molduras banhadas a ouro. O telefone branco ficava do lado oposto de uma cadeira de madeira com estofado vermelho. Um lustre chamava a atenção por ser enorme dourado e centralizado na recepção da casa.
– Você decorou? – Sherlock passou os dedos pela penteadeira.
– Sim. Como sabe? – Fechei a porta e coloquei meu casaco na cadeira.
– Observei que gosta do estilo vitoriano e os detalhes das paredes, o gesso e os lugares de pequenos objetos que podem ser muito manuseados estão parecendo com as de sua casa antiga... — Observei a casa que parecia totalmente normal a meu ver.
– Deve ser terrível dentro de sua cabeça. – Concluí, passando pela recepção e abrindo uma enorme porta branca de fechaduras douradas. O compartimento era a sala, enorme e aparentemente bem fria. Abri uma janela e acendi a lareira. Sherlock confortavelmente se sentou no tapete de frente para a lareira e ao meu lado. Tirou as luvas de couro e esquentou as mãos. Uma vez ou outra eu remexia o fogo ou puxava alguns fios do tapete.
– O que vai querer ganhar de natal? – Sorri, e abracei minhas pernas pousando o queixo nos joelhos.
– Você sabe que não gosto de comemorações, muito menos selecionar presentes. -Ele olhou para mim e pegou um fio de meu cabelo, brincando com a ponta entre os dedos.
– Se desta vez for diferente?
– O que quer dizer? – Ele franziu as sobrancelhas enquanto colocava o fio atrás de minha orelha e passava os dedos por minha maçã do rosto.
– Se eu fizer você gostar? – Sorri tocando seus lábios com a ponta dos dedos. Imediatamente ele fez uma careta. – Você duvida?
– Não gosto de festas, troca de presentes...
– Eu não disse que seria do modo tradicional. Pensei em apenas fazer algo divertido.
– Não sei aonde você quer chegar.
– Só vai saber na hora certa. – Pisquei. – Será diferente, eu prometo.
A campainha tocou e eu estava levantando quando Sherlock fechou suas mãos em meus pulsos e me puxou muito próxima de seu rosto.
– Mas o quê...?
– Só estava checando algo. – Ele disse, sorrindo e pegando o mexedor de brasa.
– Checando o que? – Eu parei em pé, me apoiando em seu ombro e tirando a bota. Ele remexeu a brasa e a campainha tocou novamente. Coloquei as botas em um canto e corri para abrir a porta passando pela recepção. Recebi as caixas de Sherlock e assinei alguns papéis. Arrastei algumas até a sala e Sherlock pegou outras de minhas mãos julgando que eu iria quebrar seus preciosos frascos. Arrumamos tudo na mesa de centro da sala, mas Sherlock insistia que preferia na cozinha. Eu odiava a ideia de colocar tudo na sala, imagine na cozinha. Tentei arrumar tudo na mesa de madeira do centro sem dar ouvidos a ele, mas novamente ele julgou que eu não entendia nada de química.
– Aqui está bom? – Falei aparentemente calma, mas a verdade é que eu não tinha paciência alguma.
– Não, está encaixado errado, não é o lugar, é o encaixe. – Ele pegou o vidro de minhas mãos e encaixou a bureta no Béquer. Resolvi apenas arrumar os tubos de ensaio em um lugar que eles ficassem em pé enquanto isso, Sherlock mexia com habilidade no cristalizador, trompa de vácuo, condensador e vários outros vidros que eu não tinha ideia de para que serviam ou qual seria o nome. Decidi deixá-lo arrumando tudo e fui tomar banho. Segui para a escada e cheguei ao quarto arrastando a mala. Guardei as roupas e separei um lado para Sherlock no armário, já que minhas roupas ficavam no closet e o armário só tinha toalhas, cobertores, sais para banho e travesseiros. O quarto era bastante claro, assim como toda a casa. Tinha um enorme lustre no meio, detalhe que em cada cômodo tinha um menos a cozinha. Abri as janelas enormes que iam de cima a baixo tomando quase todo o espaço da parede da direita. Tinham uma cortina bege com preto estampado. Uma cama enorme com colcha branca chamava a atenção no quarto. Duas mesas ficavam na lateral da cama com um abajur em cada, respectivamente. Encostado na cama tinha um pequeno divã/mini sofá. De frente para cama uma lareira de mármore claro com um espelho de bronze em cima e duas poltronas em sua lateral.
Cheguei ao banheiro e abri as torneiras cor de prata da banheira branca. Despi-me lentamente e mergulhei a ponta do pé enquanto sentava na borda da banheira. Prendi o cabelo e escorreguei pela borda até estar completamente sentada na banheira. A água quente me acalmava junto à sensação de lugar conhecido. Depois de todo o processo de higiene, enrolei a toalha ao redor de meu corpo e passei para o closet. Procurei meu vestido preto acima dos joelhos, um sapato preto e uma clutche grande. Passei um batom vermelho, liguei pedindo um táxi. Passei um pouco de perfume (Chopard) e desci as escadas. Sherlock estava tocando violino sentado em uma poltrona de frente para a lareira. Seus olhos estavam fechados, desci sem fazer barulho e já estava no meio da sala quando ele abriu os olhos e parou de tocar. Ele observou o que eu vestia e me encarou. Sorri e tirei o violino de suas mãos depois sentei em seu colo.
– O que está planejando?
–Quero te levar a um lugar. — Respondi enquanto arranhava sua mão esquerda.
– Isso faz parte dos planos de natal?
– Exatamente.
– Só é daqui a uma semana.
– Eu sei.
Ele soltou o meu cabelo, tirando a presilha lentamente.
– Assim está melhor.
O táxi chegou e entreguei um papel com o endereço. Seguimos por algumas ruas até a compreensão aparecer no rosto de Sherlock.
Notas finais
Desculpe se tiver algum erro =s
Estou adorando os reviews *------*
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