Would You Have Dinner With Me?
7 First Class
Estava tudo escuro e eu acordei em alerta. Que horas são? Sherlock respirava em meu cabelo quando eu lentamente saia de seus braços e procurava o despertador. Seis horas... O voo: 8 horas. Corri para o banheiro para tomar banho, entrei no Box de vidro e girei a torneira sem me importar com a ducha fria. Depois de fazer todo o processo de higiene, escovei os cabelos e deixei-os soltos. Enrolei a toalha em meu corpo e voltei para o quarto. Sherlock ainda estava dormindo. Tão calmo, lindo... Aproximei-me lentamente pensando em como iria acordá-lo. Nunca tinha acordando-o antes... Existem pessoas que ficam bastante mal humoradas. Cutuquei seu braço e ele nem se mexeu. Cutuquei novamente e ele simplesmente mudou de lado e continuou a dormir.
–Sherlock! – Gritei sentando na cama de uma vez. Definitivamente eu não tinha paciência.
– ARGH!- Ele abriu os olhos e me olhou com uma cara feia.
–Não olhe para mim assim. — Eu disse, passando as mãos por sua mandíbula. –Você não estava querendo acordar.- Ele olhou para mim e esfregou os olhos. Calmamente bocejou e passou os dedos pelo cabelo. –Vamos, levante, está na hora.
– Estou indo. – Ele falou deitando-se novamente e se aninhando ao travesseiro.
–Não, estou falando sério. Levante! – Tentei puxar o travesseiro mais ele não soltou. Ele fechou os olhos e continuou deitado. Apertei meus lábios e puxei outro travesseiro jogando com força em cima dele.
– Mas o quê?...
–Anda! – Puxei seus pulsos e tentei levantá-lo. Ele ficou de joelhos na cama enquanto eu fazia uma força imensa para tentar tirá-lo da cama. Ele se levantou rapidamente e eu tropecei no tapete. Joguei o cobertor em cima dele enquanto ele ficava de joelhos novamente na cama e ria da cena.Vesti-me rapidamente e coloquei a arma em um saco de plástico. Guardei as poucas coisas que faltavam enquanto ele se vestia, coloquei a mala perto da porta e me calcei. Sentei no sofá e estava pronta para esperar por ele quando ele passou para a sala e rapidamente foi fechar as caixas.
–Tudo pronto? – Me levantei e ajeitei seu casaco.
– Pronto. – Ele falou, sem tirar os olhos das caixas. Descemos do quarto e Sherlock ficou confortavelmente na recepção que por sinal estava vazia, enquanto eu pagava minha estadia. O recepcionista ficava puxando conversa enquanto eu pagava, assinava papeis etc.
– Então, quem é ele? – O recepcionista apontou para Sherlock.
– Meu irmão. – Fechei a cara e continuei assinando os papeis.
– Ele me lembra de alguém muito conhecido.
– Ele trabalha com finanças.
– Oh sim.
Continuei a preencher.
– Bem, não quero ser chato mais acho que seu irmão quebrou alguma coisa ali. – Virei para olhar e encontrei Sherlock mexendo em um relógio antigo. Oh Deus. Entreguei os papeis e corri para Sherlock enquanto o recepcionista checava se estava quebrado. — Na verdade, acho que ele concertou. – O recepcionista sorriu para mim, deu tapinhas no ombro de Sherlock e voltou para a recepção.
– Desde quando sabe concertar relógios?
– Mrs. Hudson tinha um quebrado, certa vez decidi concertá-lo. – Ele falou levantando os ombros. Puxei minha mala para fora do hotel, enquanto Sherlock segurava a porta de vidro para eu passar. Ele chamou um táxi e eu coloquei a mala atrás, depois deslizei pelo banco para ele entrar no carro.
–Aeroporto de Gatwick ou Heathrow? – Sherlock sussurrou.
– Hmm, Heathrow é mais lotado, mas Gatwick tem mais formalidades. Acho melhor Heathrow, tem os meus contatos. – Sorri.
– Aeroporto de Heathrow. – Sherlock falou para o taxista. Escorei-me no vidro do carro, pressionando minha testa enquanto via a cidade amanhecer aos poucos. Adorava a Irlanda, mas nada se comprava a Londres. Cultura, arte, tecnologia e classe... A união perfeita entre o antigo e o novo, os grandes campos e a cidade, juntos e de alguma forma combinando. Na Irlanda tudo era bem mais verde, sem dúvida é lindo, mas em Londres se respira as políticas, o comércio, tecnologia e sem dúvida a monarquia. Estava realmente feliz em "voltar para casa". Nasci em New Jersey, mas sempre gostei de Londres.
– Chegamos. – Falou Sherlock, me tirando de meus devaneios e jogando a arma em uma lata de lixo. Arrastei a mala rapidamente pelo aeroporto e Sherlock me seguia, olhando para tudo e todos.
– Não encare ou eles irão começar a reconhecer você. – Eu disse sussurrando. Chegamos ao balcão e um homem olhou para mim carrancudo.
– A fila é ali. – Ele apontou enquanto meus olhos seguiam as pessoas procurando pelo final. Estava enorme.
–Posso falar com o gerente?– O homem olhou assustado e ficou sem ação. -Preciso falar com Barton. — Ele pegou rapidamente o telefone e discou um número.
– Sim, setor oito. É. Sim Barton. Bom dia, Barton. Tem uma mulher de cabelo preto, pele translúcida que quer falar com você reconhece? Sim claro. Não, está acompanhada.
Ele olhou para Sherlock escorado no balcão e impaciente.
– Certo. – O homem virou para mim sorrindo. – Bom dia Senhorita Adler, pode me acompanhar?
Sorri falsamente e puxei a mala atravessando o aeroporto. Descemos para o subsolo que era muito bem iluminado e cheio de corredores. Lembrava-me um labirinto. O homem abriu a porta de vidro de uma sala enorme também de vidro com paredes e janelas que formavam a separação de cada escritório. Barton estava sentado bebendo chá e comendo bolo. Era um homem um tanto encorpado, parecia estar malhando. Tinha cabelos pretos e olhos de um castanho escuro.
– Bom dia Irene! – Ele disse, saltando da cadeira e dando tapinhas em meu ombro. – Como posso te ajudar? – Disse ele franzino as sobrancelhas para Sherlock.
– Preciso pegar meu voo para Irlanda e percebo que a fila está enorme... Outra coisa, Meu amigo aqui, — Apontei para Sherlock. — É bastante famoso e nós queremos pelo menos entrar no avião com privacidade.
– Oh sim, entendo. Conheço-te de algum lugar. – Barton falou, se escorando na elegante mesa vitoriana que contrastava com a sala moderna. Olhou para Sherlock.
– Finanças. – Sherlock sussurrou, olhando cada mínimo detalhe de todo o lugar.
– Ah sim. Deve ser. – Barton rapidamente pegou um cartão da gaveta e limpou um dos dedos na gravata vermelha. Como assim deve ser? Porque todos acreditam nele?
– Me acompanhem. – Ele segurou firmemente um cartão e seguiu pelo aeroporto nos levando ao portão de embarque C. Dei as passagens enquanto ele passava o cartão e nós passávamos pelo terminal que já estava sendo decorado para as festividades de natal e ano-novo.
– Boa viagem.
–Obrigada. – Passamos pelo terminal e uma aeromoça ruiva bem humorada nos atendeu e “conferiu” as passagens.Barton seguiu pelo corredor e fiquei olhando sua silhueta desaparecer enquanto nós andávamos para o lado oposto.
– Boa viagem na primeira classe! – Ela sorriu, passando as passagens no leitor de metal enquanto encaminhava minha mala. Entrei no avião cor de creme e passamos pela classe executiva até chegar à primeira classe. Sentamos nas poltronas duplas cor de creme da direita e eu peguei uma almofada azul enquanto Sherlock ligava a tevê e colocava o cinto.
– Eles mal conferiram o passaporte.
–Eu sei.– Olhei Sherlock passar os canais enquanto apertava a almofada. Ele parou no da BBC sobre clima enquanto eu fechava a cortina das duas janelinhas ao meu lado. Algumas pessoas entraram no avião e começaram a se sentar. Chegou uma mãe com um bebê que não parava de chorar e eu fiquei extremamente impaciente. Ela sentou na nossa frente e não parava de falar “Não chore meu amor”. Algum tempo depois várias aeromoças entraram vestindo fardas elegantes na cor azul e verde. O avião se preparou para decolar e eu me atrapalhei com a fivela do cinto. Sherlock gentilmente fechou a fivela e pediu meu celular. Destravei e entreguei a ele, enquanto rapidamente ele pegou e acessou a internet. O avião decolou, tempos depois Sherlock e eu tiramos o cinto. Uma aeromoça surgiu com vários livros e ele reclamou de todos eles. Inclinei a poltrona dupla e me encostei-me a Sherlock para dormir.
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–Acorde.
–Hmm?- Sentia Sherlock me cutucando e ele respirando em meu cabelo.
– A aeromoça trouxe o cardápio. – Tirei a máscara cor de creme que estava cobrindo meus olhos e guardei.
–O que vai pedir?
– Eu pensei em carne.
–Pede para mim também.
– Tem várias opções.
–Qualquer coisa. – Me encostei novamente.
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– Irene...
– Estou acordada. – Respondi bocejando e me ajeitando na poltrona. A aeromoça estava com um carrinho cheio de vários tipos de comidas. Colocou dois pratos com carne, arroz, molhos, pão, queijo, linguiça, peixe e batatas. Para beber tinha a opção de alguns sucos, refrigerante e cerveja. Eu pedi água e Sherlock não bebeu nada. Provavelmente não iria nem comer direito depois de ter bebido tanto noite passada.
– Sua cabeça está doendo?
– Não. – Ele respondeu tirando o garfo e a faca de plástico do saquinho incolor.– O que geralmente você faz para passar o tempo quando está no avião?
– Hmm... Eu durmo.
– Sem graça. O que mais?
– Eu leio também, mas você pareceu não gostar de nenhum livro que eles trouxeram.
– São horríveis.
– São livros aclamados com boa crítica.
– As pessoas leem aquilo? – Ele falou levando um pedaço de carne a boca enquanto eu partia o pão e passava creme.
– Sim elas leem. Que tipo assunto gosta então? – Perguntei apertando os olhos.
– Vários. Apenas digo que...
– Astronomia? Que tal? É o assunto diferente e inexplorado.
– Não. – Ele disse carrancudo.
– Filosofia?
– Não. – Ele cortou outro pedaço de carne e pegou um pouco de arroz.
– Oh meu Deus, Sherlock.
– Literatura Sensacionalista.
– Então você gosta do choque na mente das pessoas. – Eu falei, pegando o garfo do saquinho e espetando uma azeitona em meu prato. Sherlock remexia a comida no prato mostrando que realmente estava com tédio.
– Está entre fatos que acontecem no cotidiano e romance policial.
– Incrível. Não consigo te imaginar lendo isso. – Ele não falou nada e aparentemente começou a pensar no assunto.
– Edgar Allan Poe.
– Hm? – Continuei comendo e passando creme no pão.
– Edgar Allan Poe, ficção policial, sensacionalismo, mistério e macabro.
– Oh sim.
– Eles não têm nada disso aqui.
– Não acho que ninguém iria querer ler algo macabro enquanto está em um avião. Além do mais, eles mostram apenas livros muito famosos e pequenos para que dê tempo das pessoas lerem tudo.
– Dull.
Continuei comendo enquanto uma aeromoça recolhia alguns pratos e conversava com os poucos passageiros da primeira classe. Uma vez ou outra entregava uma caneta e alguns papéis para algumas pessoas. Entreguei os pratos para a aeromoça enquanto Sherlock voltava do banheiro e se sentava confortavelmente de volta na poltrona.
– Estão aproveitando a viajem? – Uma aeromoça loira falou, enquanto recolhia tudo.
– Sim, o serviço está bem melhor que da última vez. – Respondi procurando a música Yesterday ,The Beatles na tevê digital de touch do avião.
– Ah, que ótimo que está gostando, mudamos muitas coisas por aqui. — Ela fez uma pausa e colocou tudo no carrinho. Olhou para Sherlock e piscou. – Percebi que não pegaram nenhum livro para ler. Nós estamos pesquisando os gostos das pessoas para ter de tudo um pouco. – Ela entregou uma caneta e papel enquanto Sherlock olhava fixo para a caneta. – Vocês poderiam escrever alguns autores ou livros que vocês gostem? Tudo será entregue para analise e compra.
– Claro! – Sherlock falou, pegando a caneta rapidamente e escrevendo vários nomes em várias linhas. Em pouco tempo tinha escrito mais de vinte linhas e eu olhava chocada.
– Sherlock... – Puxei o papel e a caneta de suas mãos e entreguei a aeromoça. – Pronto obrigada.
– Por que não tenta ser menos detestável? – Ele falou olhando para a aeromoça.
– Desculpe?– A aeromoça olhou para ele chocada.
– Sherlock! – Puxei a manga de seu casaco.
– Seus joelhos estão vermelhos e os botões de seu vestido, abertos. As marcas de seus seios revelam que está sem sutiã. Existem manchas de mordidas em seu pescoço, que você tentou cobrir com o cabelo, sem sucesso. Você tem um filho, a foto dele está no pingente em seu pescoço e a marca do anel de casada revela que você recentemente o retirou. Hm está faltando algo. Oh sim, claro. Sua clara ansiedade e falta de caráter combinada com o fato de que, por algum discutido o piloto ou copiloto deixou de avisar para que todos nós colocássemos o cinto, revela que você estava fazendo sexo na cabine, o que eu é totalmente antiético e que claramente mostra que você estava com dois homens ao mesmo tempo.
– Sherlock... – Cobri minha boca com a mão enquanto olhava para ele e para a aeromoça. Ele falou tão alto que todos os passageiros olhavam assustados para a aeromoça. A aeromoça olhava horrorizada para ele com lágrimas nos olhos.
– Só quero que o avião não caia. – Ele falou dando um sorriso torto. – E tem mais, seu filho está a bordo, é apenas o bebé. Tem manchas de leite em sua manga. Você é detestável. Deveria mostrar respeito às pessoas, como por exemplo, aquela mãe que você sussurrou chamando-a de gorda enquanto eu escutava passando do banheiro. Hm, como você retirou a aliança recentemente e o seu nome estava no painel dos voos, seu marido é comissário, está na Suíça não é? Enquanto você está com o seu filho a bordo e banca a prostituta sem menor respeito por ele. Sabe o que é mais ridículo? Que você humilha todas as suas companheiras de trabalho e a julgar pelo seu sobrenome deve ter algum parentesco com o dono da empresa aérea. – Ele fez uma pausa e olhou sorrindo. – Você me enoja.
– Você não tem o direito! – Ela gritou, algumas lágrimas rolavam pelo seu rosto. Seus olhos repentinamente ficaram vermelhos.
– Posso contar o resto? Eu estava passando do banheiro quando você levantou sua saia até as coxas e começou a se esfregar na minha perna como se eu não tivesse mais o que fazer. O que foi que você disse? Oh sim: “- Está sozinho? Porque se não estiver não tem problema, podemos fazer aqui mesmo”. – Cravei minhas unhas na almofada. Uma aeromoça surgiu, puxou a loira pelo braço que saiu totalmente humilhada sem falar nada.
– Ela realmente fez isso? – Sussurrei olhando para Sherlock.
– Claro que fez, porque eu mentiria?- Fitei o piso do avião enquanto sentava de pernas cruzadas na poltrona.
– Bem, ela não é tão diferente de mim, não é mesmo? Eu era um dominatrix.
– Você era uma dominatrix por que queria conseguir informações das pessoas, não por dinheiro. Pesquisei sobre sua fortuna antes de lhe conhecer.
– Ainda assim.
– Você não é casada, não festava fazendo sexo com dois homens em frente a seu filho e não traiu seu marido. Não falei nada, bebi minha água e escorei minha cabeça na janela. Seguida depois de Here Comes The Sun começou a tocar My sweet Lord. Algum tempo se passou e aviso de colocar o sinto ligou. Coloquei o sinto e fechei a tevê enquanto o avião descia a pressão no meu ouvido ficava extremamente irritante. Quando finalmente descemos do avião, Sherlock segurava meu casaco em uma das mãos enquanto eu limpava as lágrimas de meus olhos por ter chorado pela pressão no ouvido. Fomos para o salão pegar minha mala. O aeroporto estava quase deserto o que foi ótimo. Andei calmamente arrastando minha mala enquanto Sherlock seguia trás sem falar nada. Pedi um táxi e nós nos acomodamos.
Notas finais
Comemorando hoje um mês de fanfic *u*
-Descobri que Edgar Allan Poe foi um dos escritores preferidos de Sir. Athur Conan Doyle. Além de adorar as histórias dele, pensei em fazer Sherlock gostar desse autor, já que, reunindo os fatos de Conan Doyle se inspirou nas histórias dele para criar Sherlock e ele (Sherlock) gosta de Literatura Sensacionalista.
^-^
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