Irene pagou o taxista e andou rapidamente para o hotel, passando por um gramado verde enorme, observando ao longe crianças que brincavam de roda. Ela puxou a porta de vidro e olhou a placa elegante grudada na porta. Calmamente entrou e caminhou pela longa entrada que tinha tapetes, diversos sofás, vasos de flores e lustres. O ambiente era bem iluminado, as paredes tinham um tom creme e o piso era de um tipo de granito cinza. Aproximou-se do balcão onde estava um homem moreno de olhos castanhos e cabelos cacheados.

– Posso ajudar? – Disse ele sorrindo.

Sim, meu quarto é o 301, pode mandar uma camareira?

– Claro sem problemas. — Disse ele. Irene pegou o elevador e clicou no botão enquanto um homem vestido de terno azul-marinho segurando um copo de whisky, olhava-a dos pés a cabeça. Calmamente ela abriu a bolsa e pegou o celular preto enquanto teclava a senha, abriu a pasta de contatos e um nome chamou sua atenção. Dr. John Watson.

O elevador parou e a moça saiu rapidamente andando pelo o corredor vitoriano. Ao longe, a camareira em sua porta varria o tapete. A mulher olhou para ela e com uma pontada de desgosto deu espaço para que Irene passasse, que rapidamente pressionou o cartão na fechadura e a porta abriu. Entrou e jogou a bolsa no sofá enquanto a mulher puxava seu carrinho com produtos de limpeza. Sentada na cadeira, colocou o celular em cima da mesa e pegou uma revista. Folheava calmamente enquanto a mulher limpava o quarto, despois a sala e voltava para o quarto. Eestava fazendo de tudo para o tempo passar, voltar para Londres antes seria arriscado com Moriarty vivo, mas agora que ele se foi junto com todos os pesadelos, parecia reconfortante finalmente estar em Londres. Quem sabe, depois poderia olhar apartamentos que estivessem à venda. Rapidamente tirou seus sapatos e jogou no tapete enquanto a mulher chegava à sala e limpava o vidro da mesa com um paninho e um creme branco.

–Irene narrado-

Joguei a revista na mesa enquanto a camareira saia às presas pela porta. Caminhei e tranquei com o cartão. Já estava escuro, virei para o relógio de madeira na parede. 07h30min. Peguei o telefone do hotel e me joguei no sofá, clicando nos botões, uma moça da recepção atendeu.

– Boa noite, em que posso ajudar?

Boa noite. – Respondi, rolando e me deitando enquanto passava os dedos pelo fio do telefone. — Essa é a linha para pedir serviço de pratos?

– É sim – Disse a moça animada do outro lado da linha. – O que vai querer pedir?

Risoto de camarão com queijo e suco de limão. – Disse, olhando para o cardápio que tinha em todos os quartos do hotel. – Número 32.

– Ok, sobremesa?

Spotted Dick. (Espécie de pudim que tem uvas passas e molho de groselha).

–Irei mandar deixar em seu quarto. Obrigada boa noite.

Desliguei o telefone e corri para o quarto, tirei rapidamente o vestido e andei até o banheiro. Abri a parte de vidro do Box do chuveiro entrei abrindo duas torneiras. Soltei os cabelos e tomei banho. Estava exausta. Só conseguia pensar em Sherlock... Lindo, inteligente... Se jogando daquele hospital, e dando um fim trágico a sua vida. Nos últimos dois meses nós não tínhamos nos falando, foi então que semana passada ele mandou uma mensagem:

“I am free, let’s have a dinner – SH ‘’

Eu não estava em Londres, e eu sentia a falta dele. (Depois que ele me salvou e deixou-me no aeroporto me entregando uma passagem para a Irlanda, ele não devolveu meu celular. Apenas deu um novo, idêntico. O qual, só mandou duas mensagens).

Terminei meu banho e peguei a tolha prendendo e rolando-a pelo meu corpo. Enxuguei meus cabelos e peguei um pijama qualquer preto, de mangas longas. Fui à sala para pegar o celular e a bolsa. Voltando para o quarto, joguei o celular na cama e coloquei a bolsa em uma cadeira. Segui para o banheiro e peguei o secador de cabelos, calmamente fiz todo o processo de deixar leve, depois tirar maquiagem, escovar os dentes...

A porta fez três Bips e corri para atender, passando o cartão pelo leitor. Um homem segurava uma bandeja e calmamente entrou me desejando boa noite. Senti o cheiro de camarão enquanto o homem tirava a tampa branca do prato.

–Bom apetite.

Obrigada, boa noite.

Fechei a porta e passei o cartão. Cheguei até a mesa, puxei uma cadeira bem confortável e peguei os talheres. Espetei um camarão e levei até minha boca. Estava ótimo, o sabor explodiu em minha língua e o cheiro... Perfeito. Comi calmante alternando garfadas e goles de suco. Terminei o risoto e puxei outro prato com o pudim. Argh. Definitivamente não era bom. Larguei a colher no prato e coloquei tudo na bandeja. Segui para o banheiro e escovei os dentes, depois os cabelos. Desliguei a luz do banheiro e fui ao quarto, me deitei na cama, puxando o edredom e bagunçando os travesseiros por todos os lados. Estava exausta e com uma dor horrível no peito.

Sherlock... Acho que você está melhor do que eu. De que adiantava ter me salvado?– Lágrimas agora fluindo de meus olhos. A noite toda. Adormeci em algum momento, cansada demais, de pensar, chorar ou qualquer coisa do tipo que envolvesse estar consciente.

O sol entrava pelo quarto e a claridade me acordou. Olhei sem ver direito e corri até as janelas e com um rápido movimento sai puxando todas as cortinas. Corri para cama e me joguei pelas cobertas e travesseiros. Estava frio. Frio demais para o meu gosto. Enrolei-me nas cobertas e abri os olhos. Finalmente minha vista se acostumando agora com o quarto mais escuro.

Olhei para o quarto e algo se mexeu, pisquei rapidamente e uma almofada rolou pelo chão tocando no armário. Olhei para ver o porquê ela tinha caído, e percebi que havia uma pessoa sentada ali.

– Você é extremamente diferente enquanto dorme. – Disse uma voz conhecida, suavemente de onde a almofada tinha caído.

Olhei para ver. Não podia acreditar. Minha mente deveria estar cansada demais, ou agora eu via fantasmas. Sherlock?

Sherl...? – Disse com a garganta seca. – Ele olhou parar mim com o rosto mais bonito que quando eu o vi pela última vez, sem nenhum aranhão ou fratura.

Eu vejo fantasmas agora? – A ideia antes parecia me assustar, mas se era para vê-lo, parecia bem convidativa. Lágrimas saíram pelos meus olhos mais uma vez. Ele sorriu e pouco tempo depois estava rindo. Sua linda risada ecoava pelo quarto enquanto seu rosto angelical se divertia com a minha expressão.

–Acho que não. – Respondeu por fim, com um sorriso no canto dos lábios.

Filho da puta. – Congelei olhando para ele. Lágrimas rolaram pelo meu rosto e agora ardiam.

– Achei que iria ficar feliz em me ver, mas nunca consigo te deduzir. – Falou tocando os dedos em sequencia no estofado da cadeira. – Obrigado pela flor.

Achei que estava morto. – Cuspi as palavras para ele, enquanto eu passava de joelhos para o outro lado da cama chegando mais perto dele.

–Sobre isso, Moriarty ameaçou matar todos que eu conheço. — Levantei da cama e passei direto para o banheiro pegando a escova de dente, enfurecida. — Está com raiva?- Disse ele entrando no banheiro e tocando minha bochecha enquanto eu escovava os dentes.

Não, imagina. – Eu disse, acabando de escovar e enxugando meu rosto na toalha branca enquanto ele se afastava. Passei para o quarto procurando algo para prender o cabelo.

– Sabe o que eu não consegui deduzir? — disse ele, suavemente enquanto virava e olhava com os olhos perfeitamente azuis.
Não.
– Que você estaria de luto. — Olhei para ele. Estava mesmo vivo... Eu estava sofrendo e me torturando por esse desgraçado... Enquanto ele mal consegue entender o que é sentimento.

–Nunca consigo não é mesmo?

Como você pode deduzir todos menos eu?

– Isso também me incomoda. – Disse ele tocando as têmporas.

Marchei para a sala e abri o frigobar. Peguei água e coloquei no primeiro copo que vi em minha frente. Ele vinha logo atrás de mim e sentou no sofá.

–Por que estava lá? Poderia ter morrido. – Disse ele, me olhando enquanto eu bebia água.

Na sua lápide? Por que eu sou estúpida e achava que você estava morto. Nem todo mundo é tão inteligente como você Mr. Holmes, então me desculpe se eu não consigo lhe acompanhar.

–O que estava fazendo lá? – Disse ele, impaciente.

O que? O grande Sherlock Holmes não consegue deduzir? – Joguei o copo de vidro na mesa. — Eu estava lá por que eu amo você, idiota. – Ele olhou para o copo de vidro e nada disse. Ótimo, agora ele não iria falar nada e eu estava furiosa. Voltei para o quarto e procurei uma calça preta de cintura alta, meus sapatos (pump — amarelo queimado) e uma blusa de cetim com renda preta de mangas curtas.