– Sherlock... Talvez queira esperar pelo Halloween... – John falou nervosamente.

– Não, esperar é entediante e para os fracos. – Ele falou, ajeitando as mangas da blusa roxa, elevando-as até os cotovelos.

– Não seja infantil, espere pelo Halloween, vai acabar expondo a criança a algo cómico. – John falou, observando Hamish.

– Não sou infantil, eu faço o que eu quero... Hamish fique quieto.

– Desculpe... Mas as orelhas incomodam um pouco.

– Porque incomodam? – Sherlock perguntou, enquanto ajeitava-o. Seus movimentos tentando conter Hamish e grudar as orelhas faziam os botões da camisa quererem pular para fora de seu peito.

– Elas coçam.

– Se não usar as orelhas, não vai parecer ele.

– Ok, ok... Certo, como estou?

– Exemplar, agora venha aqui e separe os dedos assim... Isso, assim... Ótimo. Vida longa e próspera.

– Vida longa e próspera.

Estou perdendo algo? – Bati lentamente duas vezes seguidas na porta enquanto colocava minha clutch em cima do sofá. – Hamish... Oh... Você está fantástico!

– Você sinceramente aprova esta loucura? – John perguntou enquanto colocava leite na xícara que continha chá, imediatamente o líquido mudou de cor, o vapor mais tênue no ambiente.

Sim... Eu adorei! – Observei Ham vestido de mini Spock. – Onde está Gladstone?

– No pet shop... Achei que não se interessava por astronomia Holmes. – John falou, levando a xícara aos lábios.

– Não me interesso, entretanto o personagem, Spock é uma figura ilustre.

Ok, mas para onde Ham vai assim? – Perguntei enquanto sentava e John me entregava uma xícara. – Sherlock... Você não vai ao tribunal ?... E Mycroft provavelmente estará aqui em alguns minutos... – Falei, enquanto levava a xícara aos lábios e soprava a fumaça.

– Sim. – Ele levantou-se e colocou o casaco. – Infelizmente... John, você está pronto? – John levantou-se rapidamente fechando o zíper do casaco verde.

– Sim, mas você ainda não me falou sobre seus pais.

– Não precisa saber como eles são, se comporte do jeito que se comporta sempre e tudo está resolvido.

– Sherlock... Um carro chegou lá em baixo. – Mrs. Hudson apareceu na ponta da escada enquanto apontava para a porta com um guarda-chuva fechado. Sua voz falhou um pouco, parecia realmente estar muito preocupada com Sherlock. Vestia um vestido fechado até o pescoço de cor azul navy.

– Mycroft. – Ele disse, informando de quem era o carro. Ajeitou rapidamente o cachecol, coloquei a xícara e o pires de porcelana de volta a mesinha de vidro sem ao menos ter o prazer de beber o chá. Descemos as escadas lentamente, Mycroft segurava a porta do carro para Sherlock passar, ele o ignorou e pediu um táxi. Entramos no táxi e Mrs.Hudson acabou indo com Mycroft no carro. A chuva nos atrasava, mas em geral o taxista conseguia seguir de uma boa distância sem perder de vista o carro à frente, ele nos deixou no estacionamento do quarto andar, pegamos o elevador e descemos para o tribunal, segurava na mão de Hamish, que estava estranhamente feliz com a roupa de Spock.

– Sherlock... Você não nos acompanhou. — Uma voz feminina disse delicadamente. Tinha uma pele muito branca que contrastavam com os cabelos lisos e negros curtos até o queixo. O nariz era delicado e os olhos de um azul profundo. Apesar das rugas, era uma mulher muito bonita, lembrava-me da antiga beleza clássica inglesa do cinema mudo.

– Mãe... – Ela abraçou-o enrolando seus dedos nos cabelos dele, seus braços pareciam bastante esticados abraçando Sherlock que parecia bem mais alto ao lado dela. Beijou suas bochechas, sua testa e sorriu serenamente, apertando seu rosto com felicidade.

– Meu garoto, como está? Não vem ver sua velha mãe.

– Mãe-

– Seu pai está com saudades, está com Mycroft na sala... Seu irmão tem nos atualizado sobre você, só assim sabemos noticias suas... Você mudou o telefone Sherlock Holmes?!

– Não, na verdade foi John, eu...

– John? Quero que me apresente, é seu amigo não é? Mycroft fala muito sobre ele... Quando nos contou que você estava sendo preso...

– Não estou sendo preso, mãe. – Ela segurou nos braços dele sorrindo, ele retribuiu o sorriso de uma forma desconcertante.

– Eu sei que não, você jamais faria nada de errado do jeito que estão falando... Mycroft disse que você tinha uma novidade muito importante para nos contar! O que é? – Ela perguntou enquanto acariciava o rosto dele.

– Não me lembro de novidade alguma. – Ele olhou com raiva para Mycroft que sorria apoiado na parede. A novidade provavelmente seria Hamish.

– Querido você já se lembra de tudo? – Ela perguntou, ajeitando seu casaco, me fazendo sorrir imediatamente. Algo naquilo me fazia pensar em sua infância e de algum modo me sentia curiosa sobre seu passado. De onde tinha saído o Sherlock enigmático e Mycroft de uma mãe aparentemente tão doce?

– Não, estou trabalhando nisso. – Ele disse quase sussurrando. – Lembro-me de quase tudo...

– Vai conseguir lembrar-se do resto. – Ela sorriu, olhou para John e para mim e afastou-se de Sherlock estendendo a mão para cumprimentar-nos. – Como sou tola, você é John não é mesmo?

– Sim, é um prazer finalmente conhecer a senhora. – Ele sorriu.

– O fiel escudeiro. – Ela riu. – Sherlock fala sobre mim?

– É.. ah... F-Fala.

– Não precisa mentir John. – Sherlock observou-o rapidamente colocando as mãos no bolso e encolhendo-se com frio. Por um momento John ficou desconfortável, contudo, a mãe de Holmes apenas sorriu.

– E você é...? – Ela sorriu, entendendo a mão.

Irene Adler... – Apertei a mão dela sem jeito, observando Sherlock comprimir os lábios.

– S-Sherlock! – Ela olhou para Hamish e cobriu os lábios. – Sherlock é...

– Podemos entrar no saguão? – Ele mexeu no relógio de pulso e tornou a sacudi-lo rapidamente apontando para o mesmo. – Estamos atrasados. — Um homem alto colocou a mão no ombro de Mycroft e sorriu para ele, a mãe de Sherlock se pôs ao lado dele, que lhe entregou um copo térmico de café. Ela olhava chocada para Hamish e parecia sequer piscar. O homem era alto, do tamanho de Mycroft que tecnicamente era um pouco mais alto que Sherlock, usava uma blusa de gola fechada, um cardigã e casaco. Tinha olhos claros, dentes muito bem feitos, o óculos moderno repousava sobre seu nariz que era um tanto diferente, assimilei que tinha quebrado pela leve deformidade na base. Era charmoso, percebi que constantemente mexia no cabelo grisalho, mostrando que a mania de Sherlock era genética. Quando sorria parecia achar graça de algo que claramente ninguém percebia, talvez fosse sarcasmo. As covinhas pareciam profundas e ele não fazia som algum, como se estivesse rindo para si, desfrutando de algo a parte.

– Sherlock. – Ele endireitou os óculos e segurou o ombro dele, observando sério seu rosto. Fechei meu casaco preto e cruzei os braços observando-os. Sherlock não disse nada, continuou apontando o relógio, apenas acenou levemente com a cabeça. O homem solto-o e voltou a segurar gentilmente a mão da esposa.

– Sherlock Holmes? – Uma mulher com um vestido justo de cor marrom, decote em “V” e uma plaquinha prata surgiu com uma prancheta.

– Aqui.

– Acompanhe-me, por favor. – Continuamos pelo longo corredor então ela fez sinal para paramos. – Apenas cinco pessoas para a audiência.

– Sherlock... – A mãe dele segurou-o pelo ombro, ele virou-se, observando-me.

– Ok, eu fico com Hamish, podem ir. – Sentei no sofá de couro com Hamish que brincava com as orelhas postiças.

– John...

– Claro, claro. – Ele disse, antes que Sherlock pronunciasse que queria sua presença.

– Eu vou. – Mycroft disse, colocando em si mesmo a plaquinha de acompanhante, sem pedir permissão a moça. – O advogado. – Ele disse, apontando para um homem que apressadamente atravessou o corredor e colocou a plaquinha em si.

– Ótimo, temos cinco, podem entrar. – Puxei uma revista, Sherlock foi o último a entrar, respirou fundo.

– Você vai ficar bem. – Sorri.

– Sherlock! – Mycroft chamou. Holmes revirou os olhos e entrou na sala, fechando a porta de vidro atrás de si. Tirei o casaco e coloquei-o ajeitado em cima do sofá. Hamish pegou e cobriu-se por completo, colocando os joelhos em cima do mesmo. Comecei a folhear nervosamente a revista. Uma vez ou outra olhava pela janela o céu completamente cinza e a chuva que parecia aumentar o fluxo.

– Fico admirado que ele tenha encontrado a versão feminina. – Puxei a folha em um sobressalto fazendo-a rasgar. O barulho seco ficou ecoando em meus ouvidos. Tinha completamente esquecido do pai de Sherlock observando-me na parede oposta enquanto bebia café, a voz era incrivelmente parecida. Ele encurtou a distancia entre nós e curvou-se para Hamish enquanto arqueava uma sobrancelha. Aquele olhar de superioridade era perfeitamente conhecido.

– Porque acha que sou a versão feminina dele?

– Porque eu observei. – Ele disse, ainda fitando Hamish. – Assim como observei outras coisas. – Ele disse, passando o olhar para mim novamente. Minha bolsa começou a vibrar em meu colo, abri pegando o celular.

– Mrs. Hudson onde a senhora está? – Ela explicou-me que tinha ficado no estacionamento, pois estava com dor na perna e não sentia-se confortável em elevadores. Não ia poder descer para ver a audiência de Sherlock, mas iria esperar no carro com o motorista de Mycroft. Desliguei o celular e voltei a guardar na bolsa, Hamish sorriu para ele.

– Como se chama? – Ele perguntou para Ham, enquanto espetava a ponta da orelha postiça e sorria.

– Hamish Adler. – Ele respondeu rapidamente.

– Holmes.

– Holmes?

– Sim, Adler Holmes, estou certo? — Ham pensou por um momento e acenou positivamente.

– Pareço com ele? – Hamish perguntou, puxando a costura do sofá.

– Evidente. – Ele sorriu e passou a mão nos cabelos dele, observando os olhos.

– Fisicamente sim, mas intelectualmente você herdou a sorte de seu pai? ... Ou de outro ponto de vista, a maldição? De qualquer forma, a família carrega isso por um tempo... Talvez você tenha se safado. – Ele observou-me por um tempo depois voltou a olhar para Ham. – Ou talvez não.

– Não me importo das críticas que faz a ele. – Ele respondeu. Mordi os lábios e estralei os dedos. – Não me importo de me tornar um dia o que ele se tornou. – Tinha certeza de que Hamish estava começando a construir argumentos estranhamente maduros de mais para a idade.

– E você sabe o que ele se tornou?

Hamish, porque não pega algo para beber na máquina? – Tirei uma célula e passei para ele. – Pode escolher um Lipton de limão com hortelã... Você gosta. – Ele pegou o dinheiro e saiu a passos largos, era divertido ver um mini Spock andando por ai com dinheiro na mão, especialmente quando vários empresários e advogados andavam pelo aposento com ternos, pastas e folhas e ficavam surpresos ao verem. – Se acha que a melhor forma de cativar o garoto é criticar o pai, você está bem longe de conseguir o que quer. – Falei, sem observar seu rosto. Ele sentou-se ao meu lado. Apesar da conversa, são estávamos brigando, parecia provocativo o tom de voz, no entando eram apenas observações.

– A verdade é ela nunca teve preferidos em casa. – Ele gesticulou, se referindo à esposa. — Entretanto Mycroft sempre soube que Sherlock é o preferido para mim... O que estou explicando é que Holmes sempre será o que eu cobro e critico mais... Por ser o predileto, ele sabe disso.

– Está dizendo que ele é daquele jeito graças ao senhor?

– Não, ele é daquele jeito pela própria personalidade, mas nosso relacionamento sempre foi critico. – Ele disse, sorrindo. – Posso dizer que influenciei um pouco.

Todos os relacionamentos de Sherlock são críticos se o senhor ainda não percebeu... Admira-me que ele considere John como amigo ou tenha afeto por Mrs. Hudson... O relacionamento dele com Mycroft , por exemplo...

– Competição entre irmãos é normal. – Ele disse, passando os dedos por entres os cabelos. – Só mudou que Mycroft agora tem poder e Sherlock tem o cérebro desenvolvido com maturidade e uma dose muito grande audácia... Mas a competição continua. – Hamish voltou com o chá em lata e ofereceu.

Não, obrigada. – Sorri. Analisei por um momento o que ele tinha contando. Levantei-me e me dirigi em frente a porta, observando por entre o vidro Sherlock sentando batendo os dedos contra a mesa enquanto John falava algo. Mycroft assinava alguns papeis e a mãe de Sherlock não parecia respirar do outro lado da sala. Pressionei a palma da mão contra o vidro embora a porta estivesse trancada. Não conseguia escutar nada pelo cômodo ser lacrado a prova de som. Sentia uma vontade imensa de atravessar a sala e abraça-lo embora nunca tivesse tão sentimental com ele. Do outro lado John levantou-se e foi beber água no lado oposto, Sherlock observou-me e acenou, retribui o aceno tentando analisar seu rosto, porém não consegui nada. Suspirei. Voltei minha atenção para Hamish fazendo o sinal com os dedos e falando “Vida longa e próspera” para o pai de Sherlock. Seria avô... A ideia de família nunca tinha sido feita em minha cabeça, onde eu tinha me perdido? John saiu do tribunal junto a Mycroft e o advogado. – Então? – Perguntei nervosa, tirando esmalte vermelho da unha.

– Alternativas de aplicação de pena. – O advogado falou sorrido amistosamente.

E qual foi a que ele escolheu?

– A melhor seria serviço social, entretanto ele rejeitou com veemência...Disse que nunca se submeteria a fazer isso. Ele escolheu prestar serviços ao tribunal.

Mas esse tipo de coisa não seria trapaça?

– Mycroft deu um depoimento sobre o desempenho de Sherlock em casos antigos... Conseguimos utilizar a falta de memoria como defesa e ele se comportou bem.

Então o que ele vai fazer?

– Digamos que ele irá trabalhar para a policia secreta.

– Ele já faz isso.

– Irene... Ele vai ajudar a policia secreta com casos de terroristas. – John falou, ajeitando o casaco. Todos sabiam o quão perigoso seria para ele, especialmente quando ele não tinha paciência alguma.

Quanto tempo?

– Eu não sei, a sentença foi mostrada apenas para ele. – Sherlock saiu do tribunal, a mãe dele parecia estar satisfeita, sorria o tempo inteiro.

Você está ok? – Perguntei, cruzando os braços observando-o.

– Perfeitamente bem, só essa ideia ridícula de Mycroft... E fique sabendo que o número da lei não termina em oito, termina em quatro. – Ele disse, apontando o dedo para o rosto do advogado. – Seu argumento precário, desmotivado e sua falta de ética combinada ao desmerecimento da profissão...

– Cale a boca. – Mycroft grunhiu com raiva puxando-o imediatamente pela manga da blusa rocha. O casaco que Sherlock tinha em mãos caiu no corredor, Hamish pegou rapidamente observando os dois.

– Solte-me Mycroft. – Sherlock tirou o braço dele com raiva, então chegou a um ponto em que os dois começaram a brigar aos berros em frente a promotoria que saia da sala.

– Você não tem o direito! – Mycroft gritava apontando o dedo para o rosto de Sherlock que fazia o mesmo gritando e sendo sarcástico.

– Os dois! – John gritou enquanto pegava o casaco de Sherlock que estava com Hamish e jogava em Sherlock. – O pai deles continuava bebendo café como se no mínimo ele não estivesse vendo o que estava acontecendo, contudo percebi que ambos os filhos eram copias mais altruístas. Todos eles não se importavam.

– Sherlock, você prometeu que iria me apresentar. – Ela falou, cutucando-o e apontando para Hamish.

– Eu disse isso para a senhora parar de chorar no tribunal e usar psicologia reversa.

– Sherlock! – Ele suspirou, pegou a mão dela e levou-a até Hamish.

– Hamish... Essa é –

– Ele é lindo! Sherlock... É tão parecido! Eu adorei!

– Oi. – Hamish falou, observando-a. Parecia menos assustado que quando conheceu Mrs. Hudson, talvez tivesse acostumado. Sherlock deixou-a perto dele e veio para o meu lado.

– Mrs. Hudson, onde ela está?

No estacionamento.

– Hmm.

– Porque Molly e Lestrade não estão aqui?

– Não avisei para Molly e Lestrade está resolvendo um caso... Já chega dessa frescura. – Ele disse, comprimindo os dedos nas têmporas. Pegou a mãozinha de Hamish conduzindo-o de volta ao elevador. Peguei minha bolsa e casaco rapidamente e o acompanhei, tentando correr pelo corredor de saltos, Mycroft parecia constrangido. Consegui chegar a tempo de colocar minha mão e permitir que a porta do elevador abrisse para mim. Tirei o batom vermelho de dentro da bolsa e passei, enquanto observava-me no espelho.

O que aconteceu...? Estavam todos ok e você grit

– Você sabe o que fazem aos meus nervos, não estava aguentando. – Hamish continuou segurando sua mão.

Você tem uma família ótima, o pouco que conheci.... Sua mãe é uma pessoa amável e seu pai é extremamente inteligente e excêntrico.

– Meu pai é indiferente para mim.

Você se parece com ele, todavia é pior. – Guardei o batom sentindo seu olhar em minhas costas. Continuamos em silêncio quando o elevador chegou ao estacionamento, Mrs. Hudson apareceu para abraçá-lo.

– Sherlock querido... Estava muito preocupada, ocorreu tudo bem?

–Está tudo certo. – Ele disse, franzindo as sobrancelhas.

– Eu chamei um táxi para vocês, onde está John?

– Com o resto. – Segui para o táxi com Hamish, abri a porta e fiz ele sentar e colocar o sinto. Apoiei-me na janela do motorista e entreguei um cartão social.

O endereço. – O taxista assentiu lentamente enquanto digitava no GPS o endereço do cartão. Sherlock se despediu de Mrs. Hudson e entrou no táxi, por fim, sentei ao lado de Ham, rapidamente colocando o cinto.

– É sério? Só pode estar brincando. – Ele virou para mim quando observou o endereço no GPS.

Claro que é. Mais cedo ou mais tarde você iria que providenciar um.

– Aonde vamos? – Hamish perguntou.

– Infelizmente vamos olhar ternos. – Sherlock respondeu.

– Eu gostei desse. – Apontei para um terno preto clássico e longo atrás que rodava silenciosamente em um manequim pálido dentro de um vidro muito bem polido da loja de ternos masculinos. Um dos atendentes – um senhor idoso – Carregava algumas faixas métricas e agulhas para tirar as medidas de Sherlock, que tentava me acompanhar com as calças frouxas enquanto eu escolhia suas roupas.


– Se você soltar elas caem? – Hamish perguntou entre risos, observando as calças extra largas em Sherlock. Ele não respondeu, mas para minha surpresa estava de bom humor.



O senhor tem esse? – Apontei para o terno escolhido.



– Tenho. – O homem respondeu, já fadigado de proporcionar meus pedidos. – Irei buscar. – Ele disse, apressando-se. Alguns minutos depois voltou com uma caixa preta cheia de papeis que contornavam-na, retirou o terno e entregou a Sherlock. Tirei o casaco e sentei em frente ao longo sofá azul marinho no centro da enorme sala de provadores. Hamish começou a andar por cima do sofá, apontei o estofado para ele sentar-se, mas ele ignorou-me completamente.



Hamish. – Sussurei. Ele voltou a observar-me e sorriu, apenas. – Hamish volte aqui! – Gritei, enquanto corria para buscá-lo, ele começou a correr rapidamente pelas roupas dos outros clientes, saltando caixas de sapatos e batendo nos vidros internos da loja. Tirei os sapatos altos e joguei-os em cima do sofá perto da bolsa procurando pro Ham para alcança-lo. – HAMISH! – Gritei quando finalmente peguei-o pela cintura levantando em meus braços com dificuldade. – O que estava fazendo?



– Chamando a atenção da loja para observar Mr. Spock! Vida longa e próspera! – Suspirei enquanto colocava-o de volta ao chão e voltava para o sofá com ele. Sherlock apareceu vestindo completamente bem o terno que eu tinha escolhido.



Certo, você sabe que qualquer roupa fica bem em você. – Falei, enquanto fechava alguns botões da camisa, meu dedos rosavam em seu peito. – Terno definitivamente fica ótimo. – Ele observou-se em frente ao espelho por um momento.



Estava relembrando algumas memórias hoje. – Sussurrou lentamente.



– Isso é ótimo! Algo que queira compartilhar?



– Não em público. – Ele tossiu e voltou ao provador.



– Podemos comer macarronada? – Hamish perguntou, sentando calmamente no sofá.



Macarronada? – Perguntei, enquanto pegava-o em meus braços beijando seus cabelos, ele começou a rir, suas bochechas assumindo um tom de rosado. – Sem problemas, macarronada será. – Sherlock voltou com a caixa do terno em mãos, o senhor idoso pegou-a e levou para o balcão de aluguel. Esperamos Sherlock voltar enquanto escutava Hamish falar o que achava das pessoas que estavam na loja.


– Aquela não é rica, obviamente tem uma aliança cara e um colar muito pesado que é apenas fachada. – Ele disse.

Está indo bem, mas desde quando possui esse interesse em deduzir a vida das pessoas?

– Sempre fizemos isso... Eu e você... Mas com ele parecia algo para a vida.

Está dizendo que quer ser detetive quando crescer?

– Não, estou dizendo que quero ser exatamente como ele quando crescer.

É uma escolha excêntrica. – Sorri enquanto pegava a bolsa , o casaco e a mão de Hamish. Encontramos Sherlock na saída da loja, Hamish segurou sua mão enquanto atravessámos a rua sendo molhados pela chuva, entramos no shopping. – Hamish quer comer macarronada. – falei, retirando o dinheiro da bolsa.

– Eu não quero que seja de restaurante.

Qual o problema agora? Você sempre come de restaurante.

– Eu quero aprender. – Ele disse, comprimindo os lábios. Apontou para o supermercado. Chegamos e Sherlock voltou com um carinho, empurrava-o debruçado enquanto Hamish e eu escolhíamos a massa para fazer o macarrão. Coloquei no carrinho macarrão e extrato de tomate, Sherlock colocou queijo ralado, Ham um vidro de azeitonas. Peguei um pote com carne para enrolar e fazer bolinhas, Hamish encontrou um capacete do Loki e rapidamente colocou em Sherlock, enquanto procurava pelo escudo do capitão América e a máscara do homem de ferro. Voltou com ambos, ainda vestido de Spock, o que o deixou extremamente estranho. Continuamos fazendo compras, retirei o celular as bolsa, colocando-a no carrinho. Tirei algumas fotos de Sherlock e Hamish usando os acessórios, as pessoas passavam ao redor e observavam de forma engraçada Sherlock e Ham daquele jeito. Ao final, pagamos as compras e Hamish comprou o capacete de Loki, mas continuava tentando colocar em Holmes, mesmo depois que já estávamos saindo do shopping. Conseguimos chegar a Baker Street depois de perder algumas horas roubadas pelo tráfego. Coloquei as compras na bancada da cozinha, Hamish lavou as mãos e começou a enrolar a carne quase pronta para fazer as bolinhas de carne.

– Hamish você está se sujando. –Sherlock pegou uma frigideira preta, retirei os sapatos, o casaco e bolsa, colocando-os no sofá e lavei as mãos para fazer o molho. – Hamish eu já disse que você... – Ham jogou um pouco de carne em Sherlock que imediatamente grudou em seu queixo.

Vocês estão estragando comida, podem parar?

– O que acontece se colocarmos macarrão no cabelo dela? – Ham perguntou, puxando alguns do pacote que Sherlock tinha aberto.

– Ficaria bom...

NEM PENSEM! – Tentei sair de perto, mas Ham atirou macarrão em meu cabelo e Sherlock com mais força, conseguiu me segurar e jogar macarrão de qualquer jeito. – Argh! – Tirei o macarrão dos cabelos tentando achar todos. – Você tem um pouco de carne no seu queixo. – Apontei. Ele retirou e tentou limpar-se, joguei imediatamente molho de tomate em seu rosto, fazendo salpicar nas maçãs do rosto e nos lábios. Ele olhou-me com uma expressão de choque, depois de desafio. – Só estava devolvendo! – Voltamos a fazer cada um as funções corretas, deixando mais sujeira na cozinha do que o normal. Hamish esperou sentado no balcão Sherlock fritar a bolinha de carne no molho, enquanto eu pitava seu rosto com a sobra de molho de tomate. – Nunca fiz tanta bagunça. – Sorri para Hamish com duas listras nas bochechas.

– Mrs. Hudson não pode ver isso. – Sherlock comentou sorrindo. – Pegue os pratos por favor. – Ele apontou. Retirei com cuidando e coloquei no lugar determinado. Colocamos o macarrão com o molho, a carne e um pouco de queijo ralado. – Vamos, a primeira garfada é sua. – Ele falou para Ham, esperando ele comer. Escutamos Mrs.Hudson chegar com John fazendo bastante barulho, seguida de mais vozes. Estávamos prestes a comer, eu tinha o macarrão roçando em meus lábios, coloquei o garfo com a comida repousando no prato e voltei minha atenção para John entrado com os pais de Sherlock. A mãe dele observou-nos sujos com massa, extrato, queijo... Tentei limpar um pouco de meu vestido embora fosse tarde.

– Sherlock... Mas o quê...? O que aconteceu?

– Cozinhando. – Sherlock respondeu dando de ombros, não tirava os olhos dos pais.

– Sherlock! Que bagunça! – Mrs.Hudson tentou tirar um pouco de extrato de Sherlock, contudo, quando viu Ham, apressadamente tentou o limpar primeiro, retirando a atenção de Sherlock.

– O que vocês estão fazendo aqui?

– Eu os convidei... Achei que estaria aqui e não tinha almoçado... – Percebia-se que John tentava selecionar as melhores palavras e formas de contar para Holmes o fato dos pais dele estarem na 221-B sem deixa-lo chateado. Ficamos em silêncio por alguns instantes, Hamish era o único que comia observando. Então todos ficaram desconfortáveis por não escutarem uma resposta de Sherlock, levantei-me e peguei mais quatro pratos.

Tem bastante para todos. – Falei, sem os observar, apenas colocando os pratos em cima da mesa lentamente. A mãe de Sherlock retirou o casaco colocando-o em cima do sofá, sentou-se ao lado dele segurando sua mão sobre a mesa. Mrs. Hudson serviu os pratos de todos, John sentou-se ao lado de Hamish parecia querer tergiversar. Sherlock continuava taciturno, apenas remexia o macarrão e espetava as bolinhas de carne. Tentei limpar o vestido na cozinha, todavia não conseguia retirar a sujeira. Desisti atirando com força o pano úmido dentro da pia. Observei-me ao espelho, os cabelos desarrumados, ajeitei-os rapidamente tentando parecer apresentável, na minha volta à sala de estar, todos comiam normalmente, as únicas pessoas que não tocavam na comida: John e Sherlock. Retirei meu prato da mesa e levei-o para o balcão, deixando a comida devidamente sem ser mexida. Eu queria que Sherlock passasse um tempo com os pais, queria que ele tivesse isso de volta, entretanto aparentemente ele não fazia questão, e talvez eu quisesse tanto e estivesse tendo esse cuidado com ele pela amnésia. Mrs. Hudson trouxe alguns pratos vazios para a cozinha, ajudei a lavar alguns em silêncio.

– Estava pensando se John fez certo... Digo, em trazer os pais de Sherlock... Em qualquer outro momento seria tão estranho ou diferente como hoje?

Não sei. – Passei o prato para o secador, enxugando as mãos rapidamente.

– Tem um pouco de macarrão em seu cabelo. – Ela retirou sorrindo. – Como nós podemos não saber? Eu sei que é Sherlock... No entanto, somos as pessoas mais próximas. – Ele falou, enquanto continuava a lavar dois pratos, tinha o olhar distante.

– Sherlock é diferente de qualquer outra pessoa... Mas eu não vou julgar as decisões dele quanto a família, mesmo que eu discorde. – Apoiei-me ao balcão cruzando os braços. – Hamish ainda está lá?

– Sim, acho que a mãe de Sherlock está conversando com ele. – Ela sorriu generosamente.

– Irene. – John apareceu bruscamente na cozinha fazendo Mrs. Hudson assustar-se. – Desculpe.

– Tudo bem.

– Irene... Mary vai provar o vestido hoje.

Oh... Isso é ótimo! – Procurei em minha mente o que as pessoas necessariamente faziam em casamentos, vestidos, despidas de solteiro, lista de presentes, festas... Tossi sentindo minha garganta fechar-se. Já sabia o que estava por vir.

– Ela ligou... Perguntou se você gostaria de ir para ajudá-la a escolher o vestido.

Eu?... – Mordi o lábio inferior por um momento, o silêncio constrangedor no ar. Preparei-me para argumentar: — John, você sabe que eu não sou a pessoa mais indicada para isso...

– Você não entende. – Ele disse, segurando meus ombros, olhando em meus olhos. – Eu preciso que você vá... Obviamente Sherlock não seria chamado e trocas e escolhas de vestidos são importantes, por favor... Você tem que ir.

Espere, está falando que quer que eu vá por você?

– Mas é claro! Preciso saber o que Mary vai escolher.

Se eu for, não poderei te contar de qualquer forma. – Falei, sem ceder.

– Uma pista... Só uma. – Ele sorriu. Raios, ele conseguia parecer fofo e de alguma forma se eu recusasse, daria a impressão que isso iria mata-lo.

Certo, certo. – Suspirei. Ele sorriu mais ainda, mostrando os dentes brancos. – Quando vai ser?

– Hoje. – Ele disse, pegando o celular e discando os números. – Mary! Mary ela disse sim. Certo. – Desligou e guardou de volta ao bolso. – Ela está vindo te buscar.

Agora?! John eu não estou nem devidamente vestida!

– Não vejo problema nenhum com a sua roupa. – Ele começou a levar-me pelos ombros até a porta. – Meu casaco e minha bolsa! – Voltei para buscar, mas ele entregou-me.

– Você está com essa mania terrível do Sherlock.

– Desculpe.

Hamish! Hamish eu volto em... – Peguei o pulso de John observando o relógio. – Unf... Em três horas... Acho.

– Aonde você vai?


Olhar vestido com Mary. – Abracei-o apertadamente e acenei para Sherlock. Ela provavelmente não viu, porque apenas encarava o pai ou olhava para a mão da mãe sobre a sua.



•••



– O que você acha? – Mary perguntou. Para algumas pessoas o matrimônio fazia maravilhas. O pouco que eu conhecia de Mary nem se comprava a como estava hoje, tinha a pele corada, um sorriso no rosto que nunca parecia se desfazer, os olhos brilhavam e só de ver um vestido branco parecia estar totalmente satisfeita. O problema é que eu não era o tipo de pessoa tradicional e obviamente quando ela me chamou eu optei por não fornecer minha opinião em nenhum dos casos. Descobri que sorrir e acenar era a melhor política, mas infelizmente ela percebeu em algum momento a minha falta de percepção e perguntou minha opinião. O vestido era um balão branco de cetim amarrando as pernas dela com flores plissadas e cor extravagante. Eu queria sair correndo da loja e gritar que era horrível, entretanto a madrasta dela encarava-me o tempo inteiro esperando a minha resposta... E Mary parecia tão feliz.



Eu acho que é bom. – Mordi os lábios. Eu poderia falar que era perfeito e então ela iria como uma batata dos anos 80, o ano mais extravagante para vestidos de casamento e aparentemente a madrasta dela não tinha a noção de que esse tempo estava há muito tempo atrás.



– Você não falou sua opinião sobre nenhum deles. – Ela disse, levantando as sobrancelhas, tentei concentrar-me.



Desculpe... Todos parecem bons para mim... Eu sei que isso é muito importante para você, mas Mary se você está se sentindo bem com o vestido, quem irá usar é você... Digo, o casamento é seu.



– Você está falando que o vestido que ela usando não é bonito? – A mulher perguntou horrorizada.

Não, eu não disse isso. – Estralei os dedos e levantei-me da poltrona cor de creme do salão da loja de vestidos refinados. – Mary você já tentou ao menos se olhar ao espelho e ver que está em 2013? Eu consigo enxergar modelos perfeitos em toda a loja, mas você está selecionando apenas os antigos, você percebeu isso? – Ela ajeitou nervosamente os cabelos e olhou-se ao espelho.

– Eu não tenho certeza... Não quero errar... Quero ter um casamento bonito como o da mãe... Mas eu quero a sua opinião, então ficaria mais fácil se você me mostrasse alguns vestidos.

Eu gostei desse. – Falei, apontando para um vestido longo branco com decote pequeno e mangas médias.

– Eu queria um pouco mais de babado. – Ela falou.

C-Certo. – Tentei procurar por algum enquanto ela me seguia ainda com o vestido de balão. – Sua mãe... onde está? – Perguntei, enquanto procurava.

– Morreu. – Ela disse, ajeitando o vestido em si.

– Desculpe, eu não... Desculpe mesmo...

– Não tem problema, faz tanto tempo... Eu era uma criança. – Ela sorriu.

– O que acha desse? – Ela perguntou. – Eu amei, preciso provar! É exatamente do jeito em que eu queria. – Olhei para o vestido com babados finos e renda saltando pelas laterais. Tinha uma faixa que amarrava a cintura e um laço grande atrás.

Acho que é mais bonito que o que você estava vestindo. – Falei. Ela pegou o vestido e levou para o provador, voltei para a poltrona cor de creme olhando o relógio. Demorou aproximadamente quarenta minutos para Mary aparecer com o outro vestido. Já não aguentava mais ficar sentada e constantemente mexia na bolsa. – Oh! Ficou bem em você. – Levantei. Ela subiu em cima de uma pequena plataforma de provador de vestidos e olhou-se no espelho sorrindo mais ainda.

– É esse, tenho certeza... Não sei como não tinha percebido antes. O que acha? – Ela virou para madrasta que analisava e tocava algumas partes da renda do vestido.

– Você não acha que está muito simples? – Comprimi os lábios tentando não rir. Talvez ela não soubesse a diferença entre a noiva e o bolo.

– Não, eu gostei. – Mary continuou firme, soltou os cabelos e tentou ajeitar em um coque parecido o que iria usar “no grande dia”.

– E o véu Mary?

– Não... Não vou usar. – Ela corou e tentou respirar profundamente com o vestido.

– Como assim não vai usar? Todas as mulheres da família de seu pai usaram, inclusive sua mãe que eu sei...

– Eu não quero usar. – Ela disse, encarando as mangas.

– Por que não? Mary o véu é o mais tradicional e puro...

Porque ela não é mais virgem. – Respondi, pegando minha bolsa do sofá. Ela corou imediatamente e a mulher olhou para Mary surpresa. – Ela é adulta se a senhora não percebeu, está na faixa dos trinta, além do mais, John é uma pessoa especial.

– Seu pai sabe disso? – A mulher perguntou.

– Não. – Mary sorriu. Infeliz que ainda tratassem-na como uma criança.

Eu preciso de um banho. – Falei, acenando enquanto segurava a porta para ir embora. – Obrigada por ter me chamado.

– Obrigada você, por ter me ajudado. – Ela falou. – Acho que posso escolher os sapatos mais rapidamente.


– Me ligue se precisar de mais alguma coisa. – Falei, enquanto saia da loja. Peguei o primeiro táxi que estava estacionado em frente ao estabelecimento e informei o endereço do apartamento. Em alguns minutos tinha chegado a casa, paguei o taxista e sai praticamente correndo enquanto passava pela recepção e pegava o elevador. Retirei a chave da bolsa e passei na porta entrando lentamente em casa, retirei os sapatos jogando-os de qualquer forma pelo corredor. Puxei o zíper do vestido enquanto caminha para o quarto, coloquei a bolsa em cima da cama e me dirigi ao banheiro, esperando a água quente encher a banheira. Deitei-me na banheira olhando pela janela o céu escuro, quase que completamente cheio de nuvens. Esperei o sabão líquido sair, passei em meu corpo ainda olhando pela janela. Perdi uma quantidade de tempo em retirar o sabão e me preparar para sair da banheira quente e enfrentar o frio. Sai rapidamente puxando a toalha observando a água escorrer do meu corpo para o chão, então escovei os dentes e sequei os cabelos observando meu reflexo no espelho. Dirigi-me para o closet selecionando um short cinza, blusa, blazer branco e sapatos. Vesti-me rapidamente, soltando os cabelos. Tremi um pouco quando o colar gelado encostou-se a minha pele. Fechei-o e puxei uma bolsa de ombro preta. Tranquei a porta do apartamento e corri para o elevador procurando chegar rápido na Baker Street.



•••



– John eu resolvi! – Sherlock correu e tropeçou na almofada no meio da sala. – Resolvi o problema de... – Ele observou-me enquanto tentava se levantar. – Você.... Você!



O que eu perdi? – Passei os dedos pelo cabelo em uma atitude nervosa de sua presença muito próxima. Ele segurou meus ombros e encarou-me.



– Eu estava falando com você duas horas atrás e não me respondeu. – Ele disse.



Eu não estava aqui duas horas atrás Sherlock. – Respondi, beijando sua bochecha.



– Oh. – Assanhou os cabelos e colocou as mãos na cintura. Olhou para a minhas roupas, especialmente para o short. – Vejo que vai sair. – Estava prestes a responder quando John apareceu vestindo pijamas e pantufas que pareciam extremamente engraçadas.



– Então?! – Ele perguntou, segurando uma xícara de chá na mão. Colocou um biscoito nos lábios e mastigou rapidamente mostrando nervosismo.



– Mary é... Tradicional. – Falei.



– Como ela está? Como o vestido... Oh Deus! Não conte, não conte! Eu não posso suportar!



– Então porque perguntou? – Sherlock parecia estar contrariado da felicidade de John.



– O que há com você?



– Onde vai morar John? – Sherlock perguntou, agora mostrando o que estava passando em sua mente.



Oh...


– Sherlock... – John sorriu tristemente. – Um dia ou outro iriamos parar de conviver juntos, irei casar com Mary, saiba que estou feliz... Sempre será o meu melhor amigo. – Sherlock não falou nada, assentiu e com rapidez se dirigiu para o quarto.

Ele vai ficar bem. – Toquei o ombro de John tentando reconfortá-lo.

– Sinto como se estivesse me separando de algum parente.

Sherlock é como um irmão para você é normal que se sinta assim... E não é um adeus, você sempre poderá visitar Sherlock. Fico feliz por você e Mary.

Obrigado.

Você viu Hamish?

– Estamos jogando cartas no quarto. – John pegou outra xícara e me mostrou o caminho. Puxei a porta do quarto observando Ham sentado na cama de John com um jogo improvisado. Tinham cartas e ao lado “dinheiro” do banco imobiliário, como se estivessem apostando.

Meu amor! – Abracei-o com força.

– Está fazendo as cartas caírem de minhas mãos. – Ele sorriu.

Não já está tarde Hamish? – perguntei, fazendo cócegas em seu pé.

– Só mais essa partida.

Estou vendo olheiras em você. – Peguei sua mão conduzindo-o para fora da cama.

– Boa noite tio John.

– Boa noite Hamish. – John sorriu. Entramos no quarto de Sherlock, Ham correu e pulou em cima da cama, depois pegou os cobertores e se enrolou por completo.

Boa noite anjinho. – Beijei sua bochecha e ajeitei suas cobertas. Sherlock saiu do banheiro enrolado em uma toalha branca, acenou para Hamish.

– Pode contar uma história para mim?

– História? – Sherlock perguntou, sentando na cama ao seu lado.

– Sim.

– Certo... Provavelmente entrarei em um novo caso o qual chamarei de a liga...

– Não, conte O Hobbit.

– O Hobbit? – Sherlock comprimiu os lábios.

– Sim... Espere, espere... Onde está Gladstone? – Ham perguntou, sentando-se na cama.

Sherlock você não se esqueceu de pegar Gladstone no pet shop, certo? – Coloquei a mão sobre seu ombro enquanto observava-o sentando ao lado de Hamish.

– Talvez eu possa ter cometido um pequeno engano... Pegarei amanhã.

– Gladstone! Por favor, pegue hoje.

– Hamish está de madrugada, sem chances.

Vamos de táxi e podemos pegar o cachorro.

– Por favor!

– Que tantos gritos são esses? – John apareceu perto da porta ainda bebendo chá.

Sherlock não pegou Gladstone...

– Gladstone! Deus! – Ele quase engasgou com o chá.

Se vista. – Sai do quarto e sentei-me a poltrona do sofá enquanto esperava Sherlock se vestir, John tentava ligar para o pet shop para não deixar o pobre cachorro abandonado. Depois de várias tentativas algum ser vivo atendeu.

– Boa noite... É o dono do Gladstone...

– Você não é o dono, eu sou o dono! – Sherlock apareceu fechando o zíper das calças e descalço. Pegou uma blusa branca e fechou apressadamente os botões. Ajudei a enrolar as mangas.

– Você pode abrir a loja...? Certo, obrigado... – Desligou o telefone e colocou de volta à base. – Muito bem, vocês vão busca-lo e entreguem isso para o dono.

– Você não pagou pelo serviço?

– Paguei, contudo o homem quer mais dinheiro por abrir de madrugada. – Ele disse enquanto colocava uma cédula na mão pálida de Sherlock. Puxei Holmes enquanto ele tentava se calçar na escada.

– É ridículo e sem sentido buscar um cachorro há essa hora.

Você reclama naturalmente ou se esforça?

– É natural, já que vocês não me escutam. – Entramos no primeiro táxi que vimos, não custou a chegar, paguei e saímos apressadamente. A loja estava completamente escura e o dono segurava Gladstone em uma mão enquanto encostava-se ao vidro da porta. – Aqui. – Sherlock entregou o dinheiro e pegou o cachorrinho encostando-o em seu peito. – Onde está o táxi?

Não sei... Estava aqui agora pouco... – Falei, virando para a avenida.

– Vamos andando. – Ele disse, enquanto mostrava o caminho. Continuamos por algumas ruas em silêncio, quando as primeiras gotas de chuva começaram a encontrar minha pele, imediatamente senti falta de um casaco.

Deveríamos tentar pegar um táxi de novo..

– Não tem como, aqui é secundária e como estamos pegando atalhos, nenhum táxi passa em ruas assim. – Ele disse, tentando ajeitar o cachorro para não pegar chuva. Continuamos andando, encostei-me em seu ombro apoiando em seu corpo para retirar os sapatos altos, o toque em seu ombro propiciou um arrepio em sua pele.

Você tem o mapa de Londres em sua cabeça, estou certa?

– Não sei se chega a tanto embora conheça Londres e New Jersey.

New Jersey?! – Parei tentando entender o que ele tinha falado.

– New Jersey, quando você sumiu eu procurei por você onde morava com sua família, eu sei o mapa de lá porque passei quase um ano andando por todos os lugares.

Eu achei que tinha...

– Shh. – Senti-o puxando meu braço bruscamente e imprensou-me contra a parede gelada e úmida de uma casa.

O que está fazendo? – Sussurrei, tentando ganhar espaço e sair de perto da parede.

– Pegue o que tiver de valor. – Um homem apareceu sorrindo e deu ordens a outro. O rapaz não parecia ter vinte anos, pegou minha bolsa e saiu correndo, o outro tentou revistar Sherlock quando rapidamente levou um murro no rosto. Corri atrás do rapaz para pegar minha bolsa mas já estava longe, ainda assim forcei minhas pernas, ignorando totalmente o frio pela adrenalina. Parei subitamente percebendo eu tinha deixado Holmes para trás. Voltei correndo a tempo de conseguir ver o homem correr batendo contra mim, levantou-se rapidamente e conseguiu correr.

O que foi isso?! – gritei, tentando apontar para onde os ladrões tinham corrido.

– Estavam desesperados. – Sherlock virou com Gladstone ainda nos braços, um pouco de sangue escorria pelos lábios.

Oh Deus! Você está bem? – Toquei em um corte em sua boca, depois algo com um pouco de sangue apareceu em sua blusa branca. – Você está sagrando!

– Eu sei. – Ele disse. – Continuou a andar, optei por ficar ao seu lado analisando seus ferimentos. Definitivamente não era nada sério, tinha um arranhão fundo no peito que era o que estava fazendo um pouco de sangue, no entanto iria coagular rapidamente. Ainda saia sangue por entre seus lábios, não parecia ter quebrado nenhum dente porque não reclama de dores profundas, a bochecha era só um corte pequeno e com certeza dos menores. Chegamos a Baker Street depois de alguns minutos, eu tinha em mãos meus sapatos, apenas. Bati na porta com urgência e força fazendo meus pulsos doerem.

Fomos roubados, antes que pergunte a razão do atraso. – Falei, puxando a porta para Sherlock entrar, ele colocou Gladstone no chão, que saiu correndo e subiu facilmente as escadas. Talvez depois de tantas quedas, finalmente nada fosse páreo para ele. John estava com um sorriso enorme, lembrou-me algo como uma cópia do de Mary. – É impressão minha ou você está feliz pelo atraso? – Sentei no corrimão da escada enquanto Sherlock encostava-se na parede tentando limpar o sangue da boca com a blusa. Olhou para John e arqueou as sobrancelhas.

– Nunca lhe vi tão animado desde que deduzi algo sobre Moriaty...

– Oh , mas isso não chega nem perto!

O que é?

– Eu diria que Moriarty voltou, porque eu estaria feliz assim para coloca-lo atrás das grandes, no entanto você não rói as unhas e muito menos é desleixado com manchas de chá no seu pijama, algo te tirou da cama e... Só... Deus! O que aconteceu com você?! – Ele disse, enquanto John ria para o nada e gargalhava sem parar. Sherlock sentou-se ao meu lado observando John com as sobrancelhas franzidas. Uma leve película de lágrima formava-se ao redor dos olhos de John. – Watson... Watson por acaso a data que você escolheu...

– Não, não sabia de nada! – Ele gritou rindo.

Desculpe, o que eu estou perdendo? Que data?

– John! – Sherlock gritou olhando assustado. – Você não...

– Sim!

– Oh, For God Sake! – Segurei a manga de Sherlock quando ele levantou-se apressadamente e colocou as mãos na cintura. – Mary... – Ele disse, atrapalhando-se. — John vai ter...

– Eu vou seu pai! – Tenho certeza de que minha boca formou um “O” completo olhando de Sherlock para Watson. – Mary está grávida!

Mary... Nossa! Isso é maravilhoso! – Abracei-o apertando o máximo possível e sorrindo. – Parabéns! – Nunca tinha visto John tão animado. Estava corado, chorando e quase pulando de pijamas.

– Não tínhamos ideia e Mary descobriu agora... Ligou para mim e contou! – Sherlock podia não querer admitir mas ver o amigo assim deixava-o feliz. O senhor “ sem emoções” sorriu um pouco. John sabia que esse seu jeito, mas não poupou de abraça-lo também.

Mrs. Hudson sabe?

– Não, ninguém sabe! Só eu, Mary e vocês! Eu estou surpreso... Na verdade é uma sensação ótima de uma pessoa pertencer a você... Continuar sua genética... Criar uma criança... São tantas responsabilidades que eu estou queimando!

– Biologicamente é impossível você estar queimando, especialmente nesse frio.

Agora não, Sherlock... – Subi as escadas escutando John falar o quanto Mary também estava feliz enquanto tentava empurrar Sherlock para cima. Ele seguiu na frente, rodou a torneia da cozinha e passou água gelada nos ferimentos. Retirou a blusa branca, com um leve movimento abriu a janelinha da cozinha respirando fundo. Coloquei meus sapatos no tapete da sala e sentei-me ao chão, enquanto brincava com Gladstone, ele mordiscava meus dedos e grunhia baixinho. Não iria conseguir dormir tão cedo, pensei sobre o assalto, a criança de John e em como Hamish estava crescendo. Sherlock cuidando de casos de terrorismo, Mary casando , Mycroft crescendo na carreira e em como a vida passava rápido. Estava me sentindo tensa e meus músculos pareciam duros. Talvez pela corrida no frio agora eu sentisse as consequências e talvez um resfriado se aproximasse.

– Me deixe olhar esses ferimentos, Holmes. – John voltou com uma maleta de plático branco, colocou-a em cima do balcão ao lado de Sherlock que apoiou-se no mesmo, enquanto John passava uma substância incolor no corte da bochecha.

– Não foi nada. – Ele disse, revirando os olhos para a maleta desnecessária.

– Você já olhou o terno? – Ele perguntou, mudando de assunto.

– Já. – Sherlock respondeu. – Onde vai morar?

– Mary e eu alugamos uma casa próxima a área principal da Victoria Station... Não é muito mas é confortável e em pouco tempo, se eu aumentar os dias de trabalho em um ano poderemos comprar uma casa só nossa. – John guardou a maleta e Sherlock dirigiu-se para o quarto. Fiquei na sala sozinha pensando se tinha forças para ir embora ou se continuava ali. Levantei-me com dificuldade já que Gladstone não ajudava e sequer parava de latir.

Shhh! Vai acordar Mrs. Hudson. – Ele continuou latindo de um jeito fino. – Que ótimo. — Já estava propriamente claro e todo o tempo que perdemos para voltar para Baker Street tinha tirado toda a madrugada. Sustentei-me na porta de vidro da cozinha observando o relógio de parede. Em breve seriam sete horas e eu poderia criar coragem para voltar para casa a pé. John voltou do quarto segurando uma caixinha com uma flor branca em cima. Sherlock pegou um copo para beber água, no entanto no momento que viu a caixinha franziu as sobrancelhas com a típica expressão de superioridade.

– Esse é o seu. – Ele entregou para Sherlock que continuou bebendo água. Colocou o copo na pia e abriu, puxando o envelope do convite de John.

O convite é bonito. – Puxei uma almofada estampada e coloquei sobre o tapete, próximo a lareira.

– Essa é a minha almofada preferida. – Sherlock falou, pegando-a do chão.

Ninguém nunca lhe ensinou a partilhar? – Puxei outra almofada e coloquei no mesmo luar da antiga.

– Não para esse propósito.

Não seja ruim, ele também precisa de conforto. – Coloquei Gladstone em cima da almofada, ele imediatamente cheirou-a por completo depois deitou em cima, fechando os olhinhos. Sentei-me de volta ao sofá planejando mentalmente a lista de compras para casa. John ligou a tevê e sentou-se na poltrona perto da lareira. Sherlock ia se sentar na poltrona oposta, contudo, puxei sua cintura fazendo-o sentar ao meu lado.

– Vocês já estão acordados? – Mrs. Hudson apareceu em seu pijama colorido com uma xícara de café entre as mãos. Abriu as cortinas da sala, pisquei algumas vezes com a abrupta claridade.

Bom dia Mrs. Hudson. – Sorri, pegando em sua mão, ela apertou-a, abraçou Sherlock e beijou a testa de John.

– Onde Hamish está?

– Dormindo.

– Sherlock... O que foi isso? – Ela perguntou, examinado os cortes do rosto.

– Não é nada... É claro que ela está mentindo! Ele não é o pai! Olhe para a barra da calça e a postura! – Sorri com a falta de sentindo que isso fazia para mim, entretanto pensava em como ele examinava os mínimos detalhes. – Você está vendo a postura dele? Veja, esse tem um tique nervoso, esse tem uma cicatriz, esse é geneticamente impossível de ser o pai! – Ele ficou em pé em cima do sofá apontando cada homem que aparecia na tela. – INEPTO!

Sherlock, menos... – Puxei-o fazendo senta de volta ao meu lado, no entanto ele levantou-se e foi para a cozinha.

– Mrs. Hudson, eu tenho uma notícia para a senhora! – John levantou-se e fez ela sentar na poltrona que ele estava.

– Oh Deus! John o que aconteceu? – Sherlock voltou passou rapidamente com Gladstone para a cozinha.

– É algo bom, algo ótimo! – Ele gritou, segurando as mãos dela. Sorri observando sua euforia.

– Conte.

– Mary está grávida!

– Mary?! Oh, John, querido! – Ela ficou surpresa e abraçou-o com força. – Prometa que eu irei conhecer quando nascer! Prometa! – Ela bateu de leve contra seu peito.

– Prometo! – Ele sorriu, abraçando-a novamente.

– É menino ou menina?

– Mrs. Hudson não podemos saber ainda... — Como sou tola. – Ela colocou as mãos nos próprios cabelos, acariciando-os. — Eu estou muito feliz!

– Eu também! ... Glad- Glad... O quê ...? – O cachorro estava andando no meio da sala quando começou a rodar e caiu. Tentou levante-se sem sucesso. – Gladstone... – John pegou o cachorrinho e tentou ver o que ele tinha. – Sherlock, Gladstone não está bem, ele.. Sherlock!... O que você fez?!

– Um experimento.

– Você matou o cachorro! – Observamos Gladstone deitado com os olhos fechados.

– Não está morto. – Pegou o violino e sentou-se no sofá de cabeça para baixo com as pernas para cima apoiadas na parede, o violino no ombro tocando melodias em sequência linear. Seus longos dedos passavam pelas cordas do instrumento graciosamente com plena habilidade. Contemplei seu rosto, os lábios em postura reta sussurrando notas musicais. Uma vez ou outra fechava os olhos e tocava com mais intensidade.

Você não tinha quebrado o violino?

– Estou usando o antigo. – Ele respondeu, sentando-se normalmente. John tentou reanimar o cachorro mas ele não mostrava sinais alguns. – Parada monetânea.

– O que vocês está dizendo?

– Utilizado para forjar algo por um determinado período de tempo... – Ele colocou o violino de volta ao sofá e abaixou-se ao lado de John. – E vai acordar em cinco...quatro...três, dois... um. – Gladstone levantou-se ofegante, com mais energia do que tinha antes de “desmaiar”.

– Não acredito que você fez experiências com o cachorro.

– O cachorro é meu.

– Você considerou que as pessoas não fazem isso?

– As pessoas são ordinárias. Foi apenas uma experiência, ele está bem.

– Psicótico! – John voltou para o quarto e fechou a porta com força.

– Muito ruim? – Sherlock perguntou enquanto estralava os dedos. Acenei positivamente.

Eu vou acordar Ham. – Levantei-me da lateral do sofá, ele segurou meus pulsos.

– Não, John está no quarto, Gladstone em observamento , Hamish dormindo , irei estudar você.

Não sou uma de suas experiências.

– É verdade, no entanto, você é melhor. – Um sorriso diferente surgiu em seu rosto. Pressionou o polegar contra meu pulso, sentindo a textura. Observei as íris de seus olhos de uma cor mistura entre o azul e o verde, além do pequeno ponto preto dentro de um dos olhos.

Do you think so, Mr. Holmes?

– Não ... – Encostei parcialmente em seus lábios percebendo a maciez. Senti-o pressionar os dedos em minha cintura puxando-me para seu peito, seus lábios mais urgentes e doces.

Você estava longe... Eu não quero...

– Estou relembrando. – Abracei sua cintura deixando meu rosto apoiar na base de seu ombro. – A mulher. – Ele riu baixinho.

O que está falando?

– Esses fatos e acontecimentos triviais de que estamos envolvidos surgiu entre uma fina linha de um problema sobre Moriarty... Quando apareceram provas em sua mão, necessariamente você entrou no jogo do poder, interessante o fato de que ligou exatamente no momento que estava apontando uma arma para Moriarty e ainda assim você me fez um favor.

Por que disse isso?

– Como eu tinha dito, estou relembrando. – Ele sorriu, apertando minha cintura. Observei o aranhão em seu peito, segui com a ponta dos dedos o padrão irregular.

Dói?

– Não.

Eu queria falar sobre ter deixado você para trás ontem...

– Você correu para pegar a bolsa, não se preocupe.

Eu tenho essa mania terrível de deixar você para trás cada vez que as coisas acontecem rápido demais... Desculpe. – Envolvi seu pescoço entrelaçando os dedos em seu cabelo, ele sorriu passivamente.


•••



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Notas finais
O capitulo ficou muito extenso por isso tive que cortar o final... Espero que tenham apreciado a leitura... Eu tinha prometido contar sobre a família Holmes, ai está =) E tem a novidade de que John será pai... Não resistí xD

Desculpe pela demora, tive várias provas na facul. Desculpe também se tiver algum erro, agradeço os que continuam a acompanhar a fic *-*

Prometo postar o próximo em breve!

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