Would You Have Dinner With Me?
28 Cold
–Hm... O que acha de Yakisoba de camarão? – Sherlock perguntou enquanto pressionava o dedo contra o cardápio grudado no balcão do restaurante.
– Já te disse que não estou com fome. – Reclamei, tentando enxugar os cabelos. Estávamos totalmente encharcados pela chuva inesperada.
– Camarão e carne. – Ele disse ao homem com feições asiáticas atrás do balcão.
– Desculpe... Hm... Nós estamos fechando.
– Fechando? Mas não tem cinco minutos que você atendeu aquela mulher loira. – Ele apontou para a uma moça comendo confortavelmente frango com algum molho estanho e um arroz que parecia uma papa.
– Nós estamos fechando. – O homem repetiu lentamente. – Se você quiser reclamar, fale com o dono. – Olhei para Sherlock. Ele cravou as unhas no balcão e respirou fundo. Normalmente iriamos embora, mas ele não estava cogitando isso. Era injusto.
– Tenho algo para reclamar sim. Como posso falar com o dono?
– Eu sou o dono. – O homem sorriu debochando de Sherlock. Então rapidamente Holmes bateu com força a mão direita no balcão. Todos que estavam no restaurante observaram. O homem se assustou e rapidamente ficou nervoso. – Que está fazendo?!
– Ele não está fazendo nada. – Sorri. Empurrei Sherlock para trás, apoiei meus cotovelos no balcão de modo que meu rosto ficasse a centímetros do rosto do homem. – Nós só queríamos pedir algo e embora pena que...
– Olhe... Quem sabe eu não posso te ajudar? – Ele sorriu.
– Você pode?
– Claro. Com camarão e carne? – Ele piscou o olho.
– Isso.
– É o prato mais gostoso que já vi. – O homem disse encostando sua mão na minha.
– E é porque você nem provou. – Sorri. Sherlock começou a tossir.
– Prato trinta e oito?! – Um homem gritou. Sherlock rapidamente entregou a senha de papel, pegou o pacote com a comida e me arrastou para fora do restaurante. Puxava-me com tamanha força e rapidez que mal conseguia me equilibrar. Estava me puxando há um tempo, quando tirei seu braço e tentei ajeitar minha blusa.
– Você estava me machucando! – Gritei, passando os dedos ao redor do braço.
– Você não vem? Vai voltar para o restaurante e perguntar se ele quer provar o prato?! – Ele começou a gritar segurando o pacote. Estávamos enxercados gritando um com o outro na chuva e na rua.
– Idiota! – Chutei uma poça de lama em cima dele.
– Eu sou idiota?!
– Sim, você é idiota!
– Não é daquele jeito que as coisas funcionam!
– Não me diga como as MINHAS coisas funcionam, EU faço do MEU jeito!
– Flertando com ele?! Você ia subir na mesa e tirar a roupa se ele tivesse complicado as coisas?!
– Quer saber? Eu não iria, mas se eu quisesse o corpo é MEU e eu faço o que quiser! – O empurrei contra a parede e comecei a pisar firmemente para Baker Street. Deslizei em uma poça e cai, molhando-me completamente. -ARGH! – Ele apareceu e estendeu a mão. Olhei séria para ele.
– Vamos, pegue minha mão. – Estava com um sorriso bobo nos lábios. Tinha raiva de quando ele fazia isso. Segurei sua mão e levantei-me, apoiando em sua cintura. Chegamos a Baker Street em poucos minutos. Abri a porta para Sherlock passar, Hamish apareceu correndo pela escada, abraçou a perna de Sherlock que ficou imóvel. Talvez representações de carinho realmente não fossem seu forte, ou talvez não soubesse como reagir às ações de Hamish que estavam se tornando cada vez mais espontâneas.
– Mãe!
– Hamish! – Desarrumei seus cabelos e coloquei a mão em seu ombro. – Não me abrace! Estou encharcada! Hey! Sentiu tanta saudade de mim assim?!
– Claro! – Ele sorriu. Entreguei o pacote para Sherlock e passei os dedos contornando os olhos de Hamish.
– Você não dormiu garoto? – Observei seu rosto novamente. Ele olhou desesperado para Sherlock que sorriu sem nenhum ressentimento. – Porque não me disse?
– Ficamos o resto da madrugada jogando cluedo...
– Unf.
– Irene. – John cumprimentou-me do outro lado da sala. Acenei.
– Onde está o almoço dessa criança? Ele está tão magrinho... – Mrs. Hudson apareceu, apertando ligeiramente as bochechas de Hamish.
– Nós compramos... Mas acho que foi ensopado pela chuva... – Toquei na caixa de papelão molhado que estava mole ao mesmo tempo em que tentava imaginar a comida dentro.
– Podemos almoçar no restaurante aqui em baixo.
– Claro. – John pegou um guarda-chuva e entregou a Mrs. Hudson, que para Sherlock e acompanhou Hamish para fora. – Venha Sherlock. – John apoiou-se em seus ombros de modo que empurrasse o mesmo pelas escadas.
– Já disse que comer me deixa lento!
– Apenas acompanhe-nos já que nem para trazer comida você sabe. – Desci as escadas acompanhando-os. Passamos rapidamente e entramos no restaurante, que para mim, mais parecia uma lanchonete. O nome era Speedy’s, lugar pequeno, caseiro e que raios! Muito frio. Acomodei-me na cadeira com estofado marfim desbotado grudada na janela de vidro. Sherlock estava na cadeira perto da parede, o lugar mais reservado. Hamish perto de Mrs. Hudson e John.
– Bagers com puré e molho! – Hamish pediu.
– Com picles?
– Odeio picles.
– E para o resto?
– Podemos pedir uma porção de Beef Wallington.
– Eu quero chicken tikka masala.
– Você come conosco o Beef, Holmes?
– Não quero. – Ele disse, rapidamente sacando o celular do bolso.
– Holmes...
– É apenas filé mignon com paté e massa.
– Deve ser bom! – Hamish continuou.
– É horrível.
– Sherlock... – Ele parecia visivelmente mal humorado. Quando a comida chegou, continuou no celular.
– Tenha respeito e largue esse celular. – Mrs. Hudson tentou pegar dele.
– Estou falando com Mycroft, é importante!
– É sobre Park Lane?
– Ele quer que eu me afaste do caso.
– Você vai?
– Não, obviamente!
– O que ele vai fazer? — Perguntei.
– Está ameaçando pedir que toda a Scotland Yard interceda por ordem da rainha para que eu pare. Não sei mais ridículo. Como ele explicaria que queria parar o fantasma do irmão morto?
– Se ele te condenar a cadeia for falsidade ideológica... – Comentei pegando a colher de porcelana e passando-a ao redor do prato para comer o molho de frango apimentado. O cheiro era incrível. Provei um pouco na colher e saboreei.
– Ele não vai fazer isso, tem muito a perder. Além de que, sem mim ele não resolve o caso de Park Lane.
– Não subestime Mycroft. – John falou enquanto colocava um pouco de filé no prato. Continuei comendo em silêncio. Sabia que Sherlock tinha ficado com raiva porque ele sabia que Mycroft não era menos inteligente que ele e sim, poderia facilmente retirá-lo do caso. Hamish conversava com John enquanto Mrs. Hudson mal tocava na comida.
– A senhora quer um pouco do meu? – Ofereci.
– Não, querida, não posso comer nada assim, meus remédios...
– Oh sim, sim. – Respondi rapidamente, desviando minha atenção.
– Não sabia que já estavam comendo! – Molly apareceu sorrindo. Tinha uma pizza na mão, o cabelo estava solto e ela parecia ter emagrecido. Estava usando o uniforme do trabalho e sorria para todos.
– Oh Molly! – John abraçou-a e ofereceu um lugar ao meu lado.
– Estão todos bem?
– Sim. – Mrs. Hudson disse, com um enorme sorriso.
– Está sujo aqui. – Sherlock apontou para o canto dos meus lábios. Limpei rapidamente constrangida.
– Já conhece o meu neto?! – Mrs. Hudson praticamente gritava para todos no restaurante ouvirem.
– Seu neto? Não. – Ele estendeu a mão a Hamish. – Não sabia que tinha filhos e nem netos Mrs. Hudson. Sou Molly.
– Hamish. Você deve ter corrido muito para chegar aqui, está quase sufocando. – Hamish falou enquanto acenava.
– Não é meu neto por parte de sangue mais considero. Espero que adivinhe de quem ele é.
– Oh... Você adotou?
– Francamente. – Hamish falou. Estava debochando dela!
– Hamish! – Olhei séria para ele. Ele abaixou a cabeça e continuou a comer.
– É seu filho? – Ela perguntou.
– Sim. – Respondi rapidamente. Continuei a comer minha sopa\\ molho.
– Não sabia que...
– Essa conversa está me dando náuseas, com licença. – Sherlock levantou-se bruscamente e parou na porta do restaurante.
– Molly sua blusa está ao avesso, jugando pelas suas orelhas você não deveria mais visitar Mike. Você vem roendo as unhas mostrando que você está ansiosa... Devo acrescentar que sua calcinha está rasgada... Não me faça dizer o motivo, por favor. – Então empurrou a porta de vidro e saiu. Comecei a tossir enquanto John tentava se desculpar e Mrs. Hudson explicava que Hamish não deveria seguir todos os exemplos de Sherlock. Percebi que precisava de água quando a pimenta piorou minha tosse. O mais triste foi que todos no restaurante olharam. Bebi alguns goles de água e corri atrás de Sherlock. Ele fechava a porta do táxi, quando a segurei e me joguei para dentro, sentando ao seu lado. O taxista se assustou, mas quando viu que Sherlock me conhecia, não comentou nada e seguiu o trajeto.
– Aquilo foi horrível, eu deveria já ter me acostumando.
– Não foi horrível, eu tinha que avisar. Ela está saindo assim sem perceber!
– Sherlock ela é sua amiga, não podia fazer isso com ela.
– Eu estava ajudando, não prejudicando. Você verá, ela nunca mais vai usar roupas ao avesso e nem usar tanto o vibr...
– Holmes!
– Se você vai me acompanhar, fique quieta!
– Nem pense em me mandar calar a boca. – Ele pegou o celular, começou a mandar mensagens, observei a tela. Era para Mycroft. Puxei o celular, mas ele conseguiu pegar de volta. Segurei seu braço e comecei a reclamar, ele começou a digitar com uma mão apenas, aparentemente ele conseguia com as duas. A outra mão ele pressionou o dedo contra meus lábios.
– Shh.
– Não me mande calar a boca!
– Eu não consigo pensar desse jeito! – Ele gritou. O taxista parou bruscamente. Bati minha cabeça no banco da frente.
– Vocês dois vão parar de gritar?
– Sim, nós vamos. – Sherlock olhou sorrateiramente para mim. Encarei-o com raiva. – Por acaso tem uma caneta? – Ele perguntou. O homem entregou e voltou a dirigir. Observei Sherlock escrever em meus braços sem entender. – Então à bala passu pelo... Não, não... Ridículo.
– Como é?
– Estou tentando me lembrar dos detalhes.
– Não seria melhor ver a cena do crime novamente?
– Preciso passar em Mycroft primeiro. – Ele esclareceu enquanto pagava o taxista e abria a porta para mim.
– Acho melhor hm...Eu ficar e esperar...
– Discordo. – Ele entrou em uma construção elegante. Parecia ser um apartamento com escritórios particulares. Acompanhei-o. Passamos por corredores de mármore preto até entrar em uma sala luxuosa com homens de terno. Alguns olharam para mim surpresos, outros pareciam avaliar meu corpo. Havia um homem alto, naturalmente de terno, bebia whisky enquanto outro homem igualmente elegante falava algo em seu ouvido.
– Holmes... – Mycroft virou surpreso. Ele apertou os olhos e bebeu um longo gole. Parecia visivelmente contrariado. O homem que estava ao seu lado parecia confuso, Mycroft transferiu a atenção para Sherlock, tomou seu braço e arrastou-o para outro canto da sala enorme. – Nem devo explicar o quanto você está se expondo! Enlouqueceu? Metade desses homens estavam em seu enterro!
– Você sabe muito bem que não vou abandonar o caso de Park Lane.
– SHH! Isso é de extremo sigilo! – Falou com a voz engasgada, então se virou para mim e observou-me dos pés a cabeça com seus olhos azuis. Sorri falsamente. – Adler. – Ele cumprimentou, contrariado.
– Mycroft. – Ele olhou-me enojado. Retribui o olhar.
– Preciso que libere algumas provas do laboratório. Eu mesmo posso analisar.
– Sem dúvida pode, mas teria o mesmo efeito que o nosso laboratório teve. O que te faz pensar que você seria melhor?
– Porque eu sou melhor em tudo. O meu trabalho é saber o que as outras pessoas não sabem.
– O seu trabalho... – Mycroft sussurrava com raiva. Apontou o dedo para cara de Sherlock. – É ficar longe desse caso!
– Quem é sua amiga Holmes? – Perguntou um homem de terno preto antigo. Observei tardiamente que não era antigo, era um clássico. Ele segurava whisky como os demais mas parecia mais jovem que a maioria. Falava com Mycroft que rapidamente empalideceu. – Quem diria que Irene Adler não tivesse morrido como consta em seu relatório Mycroft? Encobriu a morte dela meu amigo? Tenho certeza que isso não foi apenas obra de seu irmão casula. Quem sabe ela apareça morta em uma lata de lixo no subúrbio da cidade... Ninguém teria ao menos remorso contra alguém que praticou crimes contra a coroa inglesa.
– Sinceramente me sinto lisonjeada que a minha presença lhe traga tanto incomodo. – Sorri.
– Você foi advertida.
– Você que se diz a policia?
– Não sou um policial de assassinos minha querida. E também não sou o tipo de homem que vê fantasmas. – Ele observou Sherlock por um momento. – Você está encrencado Mycroft. – Então se retirou sorrindo.
– Idiota. – Mycroft resmungou olhando para Sherlock.
– Ele não vai fazer nada, não tem tanta força assim. – Holmes comentou enquanto explicava a Mycroft algo sobre o caso. Embora o mesmo não quisesse o irmão envolvido, não deixava de discordar de alguns fatos explicados por Sherlock.
– Não pode... A arma do crime...
– Oh, então como pensei, você sabe que seria impossível!
– Sherlock, não trocarei mais uma palavra sequer sobre o caso, está usando suas observações contra mim para obter informações sigilosas.
– Percebeu de forma tardia...
– Sai agora! – Ele arrastou-o pela sala tentando não chamar atenção. Segui os dois tentando acompanha-los pelo corredor, mas infelizmente não sabia o caminho. Virei à esquerda e encontrei o tal homem que por ironia conversava escondido com Sebastian. Sumi do corredor na esperança dele não ter me visto. Não encontrei Sherlock em canto algum, e poucos minutos depois apareceu uma ambulância e alguns repórteres. Fiquei ansiosa em frente ao prédio que fora selado esperando Sherlock ou Mycroft. Quarenta minutos depois surge Holmes pela porta dos fundos.
– O que aconteceu?
– Sebastian...
– Ele estava conversando com aquele homem...
– Ele deixou um aviso de sangue na parede do banheiro... Tem uma mensagem maior no quarto andar com sangue de toda a família do homem.
– Oh. Qual a ligação entre os dois?
– O tal homem era um policial corrupto, provavelmente negligenciava operações de grande porte que envolvia Moriarty... Essa é a ligação entre os dois... Ele não fez um serviço bem feito e Sebastian conferiu que ele não merecia sua misericórdia.
– Ele está jogando não está?
– Há muito tempo Adler, mas não queira dizer que nós também não. Será um jogo mútuo, de perdas para ambos os lados.
– O que vamos fazer?
– Encontrei essa carta no bolso do homem. O papel é fino demais para ser de fabricação comum. – Ele disse, mostrando enquanto usava luvas. – O papel tem coro de tigre, sabemos que Sebastian é o caçador de tigres de grande porte, isso só confirma que realmente foi ele quem escreveu. Ele vem observando nossos passos, sabia a hora em que eu estaria com Mycroft e até que eu viria, escreveu o bilhete para mim, de forma muito arriscada, devo completar... Ele é um homem perspicaz, talvez um dos mais perspicazes em toda a Europa... Porque se arriscaria tanto para entregar-me essa mensagem quando ele poderia me mandar na Baker Street?
– Não faz sentido. Porque essa mensagem deveria ser entregue no corpo do homem morto?
– As primeiras palavras foram ditas a você. Ele sabia quem você era, uma ligação com ele... Qual a sua ligação com ele?
– Nenhuma.
– Tem que ter...
– Não vejo como... – Ele passou a mãos pelos cabelos. – Preciso voltar a Baker Street. – Ele disse, passando por debaixo da faixa da policia e se dirigindo comigo a rua.
– Holmes. – Um homem falou. Ele virou com uma expressão de “pessoa sínica” e sorriu.
– Anderson.
– O que faz aqui?!
– Não é de seu interesse.
– Diga que não matou aquele home seu psicopata! Deveria denunciar você agora mesmo! Lestrade pode parecer molenga com você, mas eu te vejo como você realmente é! Dissimulado!
– Afaste um pouco, está me cuspindo. – Ele falou. O home ficou vermelho. – Seria ótimo se você me denunciasse e provasse que eu estou vivo... Você sabe, eu consigo sumir muito bem. Seria uma pena acharem que você enlouqueceu com o fantasma do falecido... Isso é o de menos, preocupe-se com a sua esposa e o promotor de justiça. – Ele apontou para uma mulher morena que sorria enquanto o homem descaradamente apertava a bunda da mulher. Ninguém teria percebido, apenas Sherlock. Observei o homem que olhava furioso, não conseguia saber se tinha mais raiva de Sherlock ou de sua esposa. O sua descia e brilhava em sua testa.
– Sherlock. – Um home grisalho de porte um pouco atlético e vestes comuns sorriu para mim e para Sherlock. – Já olhou a cena do crime?
– Sim, o de sempre. – Ele sorriu.
– O que você tem para mim Holmes?
– Nada para você, eu garanto. Observe as paredes, classifique como psicopata e cheque o caso de Park Lane. – Ele disse, transferindo a atenção as escrituras em meu braço.
– O que você quer dizer... O mesmo atirador?
– Descubra. – Sherlock entrou no táxi comigo.
– Não pode obstruir uma ação policial, deve me contar o que você sabe! – Ele disse, enquanto gesticulava preocupado na janela do carro.
– É apenas isso. – Ele mentiu.
– Sei que está mentindo.
– Processe um homem morto.
– Sherlock... – Ele falou. Holmes levantou a janela, o taxista dirigia veloz nas ruas abarrotadas de neve. Chegamos a Baker Street, Sherlock não comentava nada. Hamish tinha sido levado por John para meu apartamento, Mrs. Hudson assistia uma série sobre culinária na tevê da cozinha. Sherlock limpou os sapatos no tapete da geladeira e pegou um cupcake antes de subir. Joguei-me no sofá, retirei lentamente os sapatos. Ele retirou o casaco, pegou o violino de onde John tinha escondido com uma naturalidade incrível. Começou a tocar uma melodia bonita. Apoiei minha cabeça no sofá enquanto assistia ele tocar. Ele sustentou meu olhar e continuou tocando. Mexi em alguns jornais em cima da mesinha de centro e descobri que tinha que jogar o pacote de comida. Suspirei, atirando-o no lixo. Tentei ajeitar a cozinha, retirei os livros que estavam em baixo dos pratos e empilhei ao lado da poltrona preferida de Sherlock. Ele observou os livros, puxou um do meio, fazendo derrubar a pilha, levou para o quarto sem se incomodar. Ajeitei novamente os livros.
– Sherlock? – Bati na porta enquanto rodava a chave do apartamento nos dedos. – Já estou indo para meu apartamento... Sherlock? – Empurrei um pouco a porta. Ele estava de costas, descalço, despia a blusa roxa enquanto lia absorto um parágrafo do livro. – Tchau! – Eu disse, falando alto. Ele fechou o livro em um baque surdo, jogou ele pelo chão e continuou a me ignorar. No começo fiquei ofendida, provavelmente estava dando valor demais a alguém idiota. Resmunguei mentalmente. Depois pensei que não iria me estressar com as frescuras de Sherlock. -Idiota. – Murmurei.
– Eu consigo te ouvir.
– IDIOTA. – Repeti. – E... E pare de rir! – Bati em seu ombro. – Ele segurou meu pulso e continuou a sorrir. – Mais que droga!
– Te incomoda?
– Se eu estou pedindo para parar... Quer saber? Continue sorrindo, preciso trocar minhas roupas, estou suja desde aquela chuva ridícula.
– Vai trazer Hamish amanhã?
– Sim... Digo, se você quiser claro...
– Oh, adoraria eu, se você puder...
– Certo então... O que estava lendo?
– Agatha Christie. – Ele sorriu, sentando ao meu lado na cama.
– Desculpe por ter estragado um pouco com Mycroft... Não foi minha intenção... Não sabia que ele tinha encoberto minha morte.
– Não, eu também não sabia que você ia gerar tanto tumulto... Mycroft encobriu sua morte, mas não aumentou o afeto, garanto.
– Sei que não. – Rí do comentário de forma presunçosa.
– Bem, é incapaz de se levar algo a sério com você rindo.
– Desculpe, eu quero ajudar! Quero saber qual a minha ligação com o homem... Algo haver com Park Lane?
– Estou pensando. – Ele começou a bater os dedos no colchão.
– Onde está John? Digo, ele está com Hamish...
– Acho que deve ter levado Hamish para o apartamento, depois para conhecer Mary e vai trazer de volta...
– Ah. – Levantei-me e puxei um pijama, atire em cima dele.
– O quê?
– Você estava indo tomar banho, então vá. – Apontei para o banheiro.
– Não vou agora. – Ele disse, apertando as têmporas. Peguei o pijama e levei para o banheiro. Removi cada peça minha, depois liguei a ducha quente. Molhei os cabelos, passei sabão, depois alguns minutos a água quente já perdia o efeito. Estava ficando com frio. Abri o box de vidro, infelizmente muito gelado, para pegar a toalha. Puxei o vazio.
– Sherlock, pode me passar a toalha...
– Era para estar aí. – Ele respondeu, sua voz ao longe.
– Pode me dar, por favor. – Esperei alguns minutos tremendo de frio, então ele apareceu e entregou a toalha. – O...Obri..Obrigada. – Enrolei-me e comecei a tremer no canto da parede do banheiro.
– De nada... Mrs. Hudson deve ter trocado, desculpe.
– C-certo. – Sai da parte do chuveiro e pisei no tapete felpudo. Senti seus braços ao meu redor. Quente, era ótimo e calmo. Encostei meu lábio em seu pescoço, ele tremeu. – Desculpe.
– Melhor agora?
– Oui, merci monsieur. – Sorri, passando os dedos em seu ombro.
– Oh. – Toquei seus lábios nos meus, então me afastei, voltando no quarto e puxando o pijama para meu corpo. Vesti-me e sentei na cama puxando os lençóis. – Onde colocou a toalha?
– No banheiro. – Então ele fechou a porta, escutei o barulho da ducha novamente. Acomodei-me na cama, estava morrendo de sono, talvez me recuperasse da noite terrível de whisky dormindo de maneira correta. Sherlock apareceu com a toalha enrolada na cintura, apertei-me contra os lençóis resmungando mentalmente. Ele beijou minha testa, empurrei ele.
– Ei! Está todo molhado!
– É mais fácil você estar!
– Estou rindo muito com o seu comentário. – Respondi sarcástica. Ele riu baixinho. Sentou-se ao meu lado, pegou o livro e começou a passar as páginas novamente.
– O que você está procurando?
– Um trecho que tinha me chamado a atenção... – Desarrumei seu cabelo. – Não faça isso.
– porque não?
– Não pode... – Ele disse abraçando-me. – Mon Cher. – Deveria tentar uma língua em que ele não soubesse. – Arranhei suas costas enquanto mordia seu pescoço. – Sebastian... argh. – Soltei seu pescoço. – Isso ficou a marca. – Ele reclamou passando os dedos pelo local roxo no pescoço.
– Je n'ai aucun regret.
– Eu sei que não tem. – Ele disse, puxando os botões do pijama. Puxei sua toalha pressionando seu quadril contra o meu. – Hmm... – Ele puxou minhas pernas ao redor de sua cintura enquanto lentamente eu afundava na cama. Fechei os olhos. Era ótimo. A memoria não era justa, sentir ele era bem melhor do que eu podia recordar. Mordi sua orelha.
– Monsieur. – Sussurrei. Incrível como tinha estimulado, seus movimentos ficaram rápidos, mordi seu lábio inferior. Ele parou. Abri os olhos frustrada. Senti seus lábios descendo pelo meu quadril, então sua língua começou a fazer movimentos circulares dentro de mim. – Oh... Isso é... hmm... Oh..
– Diga. – Puxei seus cabelos. Sentia meu corpo todo quente, seu toque, seus dedos me puxando. Ele parou mais uma vez. Respirei fundo. Ele deitou-se novamente, estava adorando ver o efeito que causava. Sentei em quadril, encaixando seu membro.
– Sherlock... – Senti seus lábios nos meus, sua mãos puxando meu quadril contra seu corpo, movimentos de vai e vem, segurava o lençol com toda força que tinha. Nunca conseguia ouvir quando ele sussurrava algo. Arranhei seus ombros, comecei a me mover produzindo mais atrito. Seus olhos, me fitavam o tempo todo, concentrei minha atenção em sua boca entreaberta, sua respiração. –... Sherl... mais...rápido... – Meus gemidos encoram pelo quarto. Meu corpo todo tremeu, a sensação ótima de prazer tomou conta. Deitei ao seu lado ofegante, seu braço passou pela minha cintura, seus lábios faziam um caminho por minhas costas. Suspirei. Senti ele cobrindo com o lençol, enquanto ajeitava-se ao meu lado. Fechei os olhos exausta.
Notas finais
Espero que tenham gostado, peço desculpas também pela demora, trabalho da faculdade me fez custar.
Não se preocupem, não vou abadonar a fic. :D
O que acharam? hohoho xD
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