Would You Have Dinner With Me?
27 And a "Happy" New Year
– Hamish você pegou seu casaco? – Desci as escadas de madeira deslizando as mãos pelo longo corrimão. Encontrei Sherlock em frente à porta entreaberta colocando suas luvas pretas. – Hamish?! – Ele apareceu segurando novamente seu Stitch, mas já usava seu casaco vermelho por cima de um suéter branco. – Porque não coloca o Stitch na mala?
– Quero segurar... E se a mala ficar presa? Eu vou levar séculos para rever ele...
– Está bem... Para o táxi, por favor.
– Porque já estamos voltando? Não paramos sequer um mês em um canto fixo. Não passamos nem quatro dias aqui! – Ele falou, enquanto eu trancava a porta e Sherlock colocava a mala no porta-malas do táxi.
– Você não quer voltar? – Sherlock franziu a testa e observou-o sem entender.
– Você vai estar com a gente?
– Não vou deixar você Hamish. – Ele se ajoelhou de frente para ele e segurou sua mão. Tranquei a porta e corri para o táxi fazendo um esforço enorme para não escorregar no piso molhado. Acomodei-me ao bando de trás, Ham sentou-se ao meu lado e Sherlock ao lado do motorista. Tivemos a sorte de conseguir as passagens um dia antes do ano novo, ou seja: Quando chegarmos a Londres seria 31 de dezembro se contar dia um como ano novo. Passando pelo tráfego conturbado chegamos ao aeroporto, Sherlock arrastava a mala enquanto mexia em um celular que eu tentava adivinhar se era o dele ou o meu. Observei as pessoas presentes. Vários empresários que provavelmente estavam tentando chegar à casa a tempo do ano novo para ficarem com suas famílias. Passando pelo check-in seguimos rapidamente para a sala de embarque. Sentei-me na poltrona vermelha esperando pelo voo. Sherlock recusava a se sentar e já estava com a expressão de tédio usual, ele estava aguentando “tempo demais” sem preencher sua mente com trabalho.
– Excusez-moi, mademoiselle parle français? ¹
¹ Desculpe-me, senhorita fala francês?
– Um homem de paletó cinza, cabelos e olhos castanhos sentou ao meu lado sorrateiramente.
– Oui, je peux aider? ²
² Sim, eu posso ajudar?
– M'a dit de lui donner cette lettre. ³
³ Me disseram para lhe entregar essa carta.
– Qui...? ¹
¹ Quem?
– Une personne... Sebastian Moran. ²
² Uma pessoa... Sebastian Moran.
– Quel est le message? ³
³ Qual é a mensagem?
– Je ne m'inquiète pas. ¹
¹ Não sei, não me interresa.
– Então se levantou mostrando descaso. Passei os dedos pelas pontas do envelope da carta, minhas unhas cravaram-se no selo de cera vermelha com um carimbo M. Levantei-me e joguei na lata de lixo prateada mais próxima de minha poltrona. O saguão estava lotado, teria Sherlock visto? Virei para tentar acha-lo e ele estava a poucos passos de mim. Sim tinha visto, talvez até ouvido.
– Quem era?
– Não tenho ideia.
– Desde quando fala francês? – Ele disse enquanto andava ao meu lado remexendo seu casaco azul marinho.
– Desde sempre. – Sorri e peguei a mão de Hamish. Seguimos para o avião, Sherlock não comentou anda, provavelmente tinha visto o homem, mas não a carta e muito menos escutado o nome de Sebastian. Hamish escolheu sentar-se a janela e Sherlock pediu para ficar próximo ao corredor, então me sentei no meio dos dois. Quando estávamos na metade do voo ele pegou os papeis de opinião com voracidade, como se realmente dar sua opinião fosse mudar o atendimento da companhia. Começou a preencher o formulário por completo, mas enquanto eu achava que ele estava totalmente entretido, cinco minutos depois começou a implicar com um comissário de bordo.
– Como é? Com todo o respeito o senhor é muito ignorante, acha mesmo que a...
– Sherlock, por favor não comece. – Segurei a manga de seu casaco fazendo sua mão encostar na minha. – Desculpe, o senhor pode ir... Ele não quis ofender.
– Obrigado, aprecio sua educação, queria que todos fossem assim.
– Não fui mal educado, longe disso. Não tenho culpa se não sabe argumentar contra minhas críticas. Consta em sua ficha problemas auditivos ou de memória?
– Sherlock Holmes. – Encarei-o. O homem aproveitou para distribuir o serviço de bordo e tornou a ignorar Sherl. Uma hora se passou então chegamos a Londres. Acordei Ham e segurei sua mão enquanto saímos do avião e Sherlock pegava e arrastava a mala pelo aeroporto de Heathrow. Quando as portas de vidro do saguão de desembarque abriram, John surgiu com uma placa escrita “Ranzinza Holmes”. Mrs. Hudson correu para abraçar Sherlock e deu-lhe três tapinhas no ombro. Ham olhou para mim com curiosidade, continuei parada observando o movimento, então John abraçou Sherlock e lançou-se a falar algo. Mrs. Hudson cumprimentou-me e quando viu Hamish colocou as mãos nos lábios e começou a chorar.
– Mrs. Hudson... Está tudo bem? – Passei a mão pelos ombros dela tentando confortá-la.
– Ele é...Idêntico!
– A senhora está chorando por causa de mim?! – Hamish perguntou olhando com curiosidade para ela.
– Posso te abraçar Hamish? – Ela perguntou, se ajoelhando e estendendo os braços ao redor dele.
– P-Pode... – Ele abraçou-a sem jeito.
– John, você tem certeza que era ele? – Sherlock estava escorado na mala com uma mão na cintura enquanto escutava John provavelmente falar sobre Sebastian.
– Oh! Você é John? Muito Prazer, Hamish. – Ham puxou o caso de John, sorriu estendeu a mão. Ele virou e olhou-o surpreso, cumprimentou e olhou para Sherlock, provavelmente percebendo a semelhança.
– Muito prazer Hamish... Você sabe que sou Hamish também?
– Ah! Que coincidência.
– Não é coincidência, sua mãe aceitou a minha opinião quando colocou seu nome. – Ele sorriu. – Você é muito parecido com o seu pai. – Ele colocou uma mão no ombro de Sherlock. Ham não falou nada apenas observou-o.
– Sherlock... Está tarde, Hamish está cansado... Nós vamos para casa.
– Casa? Mas é ano novo... Não vai ficar conosco? – Mrs. Hudson perguntou enquanto mexia em sua bolsinha preta atrás de um lenço.
– Achei que iria ficar. – Sherlock pegou meu braço e me conduziu para perto da porta de vidro.
– Não fiz planos... Sinceramente não vou fazer tão cedo. Você pode passar o ano novo com Hamish se quiser, ficar com ele não significa ficar comigo Holmes. – Ele me olhou surpreso e passou a mão pelos cabelos.
– Eu achei que...
– Que o quê?
– Nada. Hm... Bom ano novo. – Ele estendeu a mão.
– Bom ano novo para você também. – Apertei casualmente sua mão, não olhei para seu rosto ou se quer me virei para acenar. – Hamish você está com sono?
– Não... Mas de qualquer forma é ano novo, não quero dormir tão cedo.
– Hamish você pode ficar com Sherlock? Comemorar ano novo com John e Mrs. Hudson... Vai ser divertido, você vai gostar.
– Você não vem?
– Estou cansada Ham... Aproveite por mim sim?
– Mas nós sempre passamos ano novo juntos. – Talvez ele não fosse tão igual a Sherlock assim, se importava com as comemorações como se fosse a melhor parte da vida, justamente quando eu precisava que fosse o contrário.
– Hamish...
– Se eu ficar com você ele vai ficar triste? – Ele sussurrou em meu ouvido.
– Eu não sei, mas eu quero que você vá. – Sorri e beijei sua bochecha. – Amanhã passo para pegar você.
– Certo...
– Eu te amo. – Acenei para ele e comecei a andar pelo aeroporto tentando não esbarrar nas pessoas. Eles estavam saindo do aeroporto e Ham conversava com Sherlock enquanto John ria de algo. Tirei os sapatos e levei nas mãos com o casaco no braço. Entrei no primeiro táxi que vi entreguei o único dinheiro que eu tinha junto ao endereço. Tinha começado a nevar e estava esfriando em uma velocidade irritante.
– O dinheiro só dá para vir até aqui. – O homem disse. Faltavam algumas ruas ainda, era uma boa caminhada. Suspirei e sai do táxi. Apoiei-me na parede de uma loja e calcei os sapatos. Coloquei o casaco e comecei a andar tentando ver onde estava. Coloquei a mão nos bolsos e encontrei mais dez euros. Virei para ver se ainda encontrava o táxi. Sem sinal, tinha sumido.
– Que ótimo! – Gritei no meio da rua sem ninguém. Comecei a vagar pelas ruas atrás de encontrar uma que eu conhecesse para ir para casa. Na esquina tinha um pub aberto com algumas pessoas, provavelmente familiares. Entrei no pub e passei os dez euros no balcão.
– Bom ano novo! – Um homem disse.
– Quanto tempo falta?
– Duas horas Miss. Só vou te servir porque estou de bom humor. Vê? Estamos em família.
– Desculpe.
– O que vai querer?
– Alguma coisa forte que dê para comprar com dez libras. – Ele se abaixou e passou-me uma garrafa de whisky.
– Bom ano novo.
– Bom ano novo. – Abri e tomei um longo gole na própria garrafa, sai do pub e comecei a andar enquanto bebia. O whisky ardia mas eu não ligava. – Merda! Que porcaria de rua é essa? – Falei comigo mesma enquanto tentava ver o que tinha escrito em uma placa. Não estava tão longe. Continuei bebendo e depois de uma hora mais ou menos eu cheguei tremendo no apartamento com metade do conteúdo da garrafa ingerido.
– Mrs. Adler! – O recepcionista falou. Sorriu para mim e estendeu a mão.
– Oi... – Peguei um copo em cima do balcão de bebidas da recepção e cliquei no botão.
– Oh... A senhora está bem? Não acha que já bebeu muito?
– Não. Eu estou bem e que se dane você e cuide da sua vida. – Reclamei jogando um pouco de bebida nele.
– Você está bêbada, venha sente aqui.
– Me largue. – Observei o elevador. Entrei e cliquei no botão da cobertura. Então do nada travou, ficou tudo preto. – O que aconteceu? – Perguntei no interfone.
– Eu não sei, acho que queimou um gerador.
– Pois ligue o outro, não posso ficar aqui!
– Eu não sei ligar, o rapaz da manutenção está comemorando, não está aqui.
– Que ótimo! Então você serve de quê seu inútil?! – Gritei. Tirei o casaco e joguei no piso do elevador, sentei em cima dele e coloquei mais whisky no copo. – Grande ano novo de merda. – Voltei a beber. Pressionei minha cabeça contra o vidro do elevador. Fechei os olhos tentando descansar, mal tinha consciência de onde estava.
•••
– Mrs. Adler?
– Hmm? – Abri o olhos. Continuava na porcaria do elevador. Deveria ter cochilado, o copo com whisky ainda estava em minha mãos. Sorri satisfeita.
– Mrs?
– Que é desgraça? – Perguntei apertando no interfone.
– Cinco segundos para o ano novo. Tenha um ótimo ano.
– Vá à merda! Que tipo de ano você acha que vou ter se já começo presa no elevador? Idiota! – Sentei-me no casaco novamente. – Mais um ano de merda pela frente, pelo menos agora não tem nenhum James. Onde você está querido? – Sorri maliciosamente. – Espero que queimando no inferno. – Fechei os olhos novamente. Era melhor do que ficar olhando para a escuridão.
•••
– Bom dia.
– hm... – Senti algo em meu rosto então abri os olhos quando senti algo me carregando. – Argh! – Pisquei algumas vezes tentando enxergar em meio a claridade. Minha cabeça doía tanto que eu mal conseguia pensar. – Mais que merda!
– Ainda não acredito que você bebeu aquela garrafa inteira. – Sherlock. Tentei sair de seus braços, não queria que ele me visse assim. – Pare com isso.
– Me largue! Me largue! – Ele abriu a porta e me colocou no chão. Tentei chegar no sofá e tropecei na mesa de vidro. Não me feri mais dezequilibrei todos os preciosos vinhos que estavam lá. Se espatifaram no chão e mancharam o resto do tapete. – Filho da puta. – Murmurei. Quem? Que se dane quem. Não fazia sentido mais era o que eu conseguia falar. Deitei no sofá e coloquei a almofada em meu rosto.
– Porque não veio passar o ano novo conosco?
– Não importa. Porque está aqui?
– Você disse que ia pegar Hamish de manhã...
– Oh! – Levantei-me rapidamente. – Ele está aqui?!
– Não... Achei melhor ver porque não tinha vindo...
– Hm. – Voltei a sentar no sofá. Ele sentou de frente para mim e ajeitou meus cabelos.
– O que você fez com você?... O que está querendo?
– Nada.
– Você estava chorando? – Ele disse, passando os dedos pelo meu rosto.
– Não. – Tirei sua mão e levantei-me. Segui para a cozinha atrás de água e remédios. Coloquei água gelado no copo e atirei em meu rosto. Segurei-me na pia e prendi os cabelos. Coloquei mais água e despejei alguns comprimidos na mão.
– Está querendo morrer?! – Sherlock segurou meu pulso e pegou os comprimidos.
– Não. Não estou. Me devolva, por favor. – Ele me devolveu um, apenas . — O resto.
– Só precisa de um. – Colocou o resto com os outros comprimidos. Tomei o remédio e tentei chegar ao quarto me apoiando na parede. Ele abriu a porta para mim e passou o braço pela minha cintura, transferindo o peso de meu corpo para o dele.
– Hamish gostou do ano novo?
– Sim.
– O que vocês fizeram?
– Agora de manhã estávamos jogando cluedo com John.
– Parece divertido, mas não deve ter sido muito promissor já que você e Hamish não seguem as regras do jogo.
– Foi divertido, mas John não aguentou jogar uma rodada toda, acabou que ficou apenas Hamish e eu. Mrs. Hudson desertou-me, estava torcendo para Ham. – Ele disse sorrindo.
– Deve ser porque ele é fofo. – Falei enquanto sentava na cama. – Talvez ela se sinta como uma avó para ele.
– Acho que sim. – Vamos, deixe-me ver sua mão.
– Minha mão?
– Está vermelha, acho que você se cortou com o vidro ou do copo o da garrafa, não tive tempo de olhar.
– Hm.
– Onde você sujou suas calças assim?
– Nas ruas... Com neve.
– Você veio a pé?- Ele me olhou chocado.
– Mais ou menos. – Então suspirou e me olhou resignado.- Não pode me julgar, não sou só eu que tenho tendências suicidas. – Reclamei e puxei o travesseiro contra meu peito. Ele sentou de frente para mim novamente, tirou o travesseiro e me abraçou. Coloquei minha cabeça em seu ombro e fechei os olhos. – Você tem um cheiro bom.
– Incrível como você é quando está com ressaca.
– Muito obrigada.
– Não durma. – Seu hálito soprou em meu rosto. – Porque não passa na Baker Street de tarde?
– Não acho que seria boa ideia. – Sussurrei contra seu pescoço de olhos fechados.- Não sei se John me desculpou pelo que fiz a vocês.
– Não foi sua culpa. – Ele ficou sério de repente.
– Não foi culpa sua se Moriarty queria você morto. – Argumentei. Ele abriu a boca para responder. Pressionei meus dedos sobre seus lábios. –Não foi culpa de John se meter em toda essa história quando na verdade ele só queria conhecer alguém para dividir um flat. Não foi culpa de Hamish ter nascido ou não conhecer direito o próprio pai. Não foi culpa minha quase matar você quando te conheci e muito menos permitir que você entrasse em minha casa vestido de padre clamando por ajuda... E ainda assim isso não é desculpa porque quase todo mundo tem uma escolha e eu fiz a minha, mesmo você falando que eu não tenho culpa pela tortura que você sofreu no galpão, eu tive sim! Não foi totalmente minha culpa, mas eu tenho uma parcela dela e não tenho vergonha de admitir porque fiz por Hamish, então pare de defender minha honra e comece a me enxergar como eu realmente sou... Nem um pouco perfeita e principalmente... Não sou a mulher que um homem quer para se casar. Sou altamente feminista, defendo os meus direitos e critico os erros dos outros quanto a isso. Bebi demais ontem porque pensei que naquele momento nada fazia sentido... Acabei descobrindo que whisky não é tão ruim. Drogas? Já usei e não tenho vergonha de admitir. Já fui uma prostituta e fui chamada de vadia várias vezes e quer saber? Eu não ligo. Minha família me levou a vários psicólogos em minha adolescência, sabe o que consta em minha fixa? Que eu não vou sentir nada se eu matar alguém em que eu não conheço. Sabe do quê mais? Mycroft já tentou me matar tantas vezes que perdi a conta, porque eu sou curiosa o suficiente para tentar saber o que está ao meu redor. Sei informações da polícia, do parlamento e da monarquia e são altamente confidenciais. Desenvolvi uma obsessão por armas, então tive que aprender a usar uma... Quando eu disse que gostava de detetives e histórias de detetives, bom eu não estava mentindo, já dormi com quatro. Pessoas inteligentes são atraentes para mim mais do que qualquer outra coisa. Estou sempre em confusões e acabo machucando as pessoas. Sou extremamente sarcástica, adoro ver que as pessoas precisam de mim... Além de que muitas vezes eu sou egoísta. Não aceitei passar o ano novo com você porque pensei que talvez quando algo ocorresse eu iria te deixar e você poderia se magoar de novo, então disse “não”, porque sou orgulhosa. Porfavor pare de tentar justificar meus erros, mais do que qualquer outra pessoa você sabe que não sou certa para ninguém. – Ele me olhou por um momento passou os dedos pelos meus cabelos e sorriu.
– Não precisava falar nada disso porque eu já tinha deduzido isso de você, mas eu sinceramente penso que você não leva em consideração que tecnicamente eu sou muito pior que você. Me responda como eu posso ter raiva de você se eu gosto do que você faz porque eu faço ou sou capaz de fazer. A maior parte da população me classifica como um psicopata mais eu sou um sociopata funcional... O que acha que sinto quando você fala isso? Você diz que não é perfeita aos padrões da sociedade... – Ele segurou meus pulsos e me observou. – Mas eu te digo que você preenche os meus... Talvez da forma que dizem, você tenha sido feita da mesma fôrma que eu... Errada? Talvez, mas desde quando eu me importo com para o que alguém impõe sobre certo e errado? Eu sigo o que acredito, não falo de religião, mas do tipo de vida que cada um leva. Não sei se sou má companhia o suficiente para te influenciar a ficar “pior”, mas sei que sou egoísta o suficiente para te querer por perto... Por razões complicadas para mim... Agora, por favor me deixe ver sua mão. – Não falei nada, estava pensando no que ele disse. Mostrei a mão e percebi seus longos dedos enquanto ele examinava.
– Ah... Não foi um corte profundo, onde tem gaze e remédio?
– Em baixo da bancada da pia no banheiro. – Ele se levantou, tirou o casaco, jogou-o na poltrona e ligou o aquecedor. Passou para o banheiro e voltou com a maleta de primeiros socorros.– Como sabe que eu tinha gaze...
– Porque você morava com James, provavelmente tinha uma maleta dessas em casa. Fico feliz que você tenha ajeitado a morte dele porque eu não teria sido piedoso. — Sentou-se novamente na cama, na minha frente, abriu a maleta, enrolou minha mão em uma toalha branca, despejou uma substância líquida incolor que ardia e apertou a gaze ao redor. – Dói quando eu aperto com a gaze?
– Não... Por quê?
– Porque se doer é porque tem vidro no corte.
– Não está doendo, obrigada. – Fechei a maleta e levei para o banheiro. Fitei-me no espelho. Estava com olheiras e roupas sujas. Os cabelos estavam um pouco assanhados também. Peguei a escova de dentes e fiz todo o processo de higiene. Despi-me e joguei as roupas no cesto. Rodei a torneira do chuveiro e esperei a ducha quente escorrer pelo meu corpo. Passei o shampoo pelos cabelos e o condicionador nas pontas, depois o sabão contra minha pele e retirei com água. Enxuguei-me, enrolei a toalha ao redor do corpo, peguei o secador mecanicamente, sequei os cabelos, escovei e depois prendi em um rabo de cavalo alto. Puxei a maleta de maquiagem e apliquei corretivo e base na esperança bem sucedida de esconder as olheiras. Passei um pouco de perfume e passei para o closet, escolhi minhas roupas e vesti-me. Percebi tardiamente que as roupas de James ainda estavam lá. Suspirei. Precisava doar aquilo o quanto antes. Voltei para a cama e sentei ao lado de Sherlock, ele me abraçou, apoiei minha cabeça em seu ombro.
– Parece mais saudável agora.
– Culpa do elevador...
– Não, culpa do whisky. Está com fome?
– Não consigo comer nada e minha cabeça está me matando.
– Eu vou comprar algo para você e Hamish comerem... – Ele vestiu o casaco e entendeu a mão. Peguei e me levantei da cama, fechando a porta do quarto com força.
•••
Notas finais
Bom, a utilidade desse capítulo foi mostrar que realmente os personagens não são perfeitos, me incomoda quando as pessoas só querem ver à parte "boa", mas a vida não é assim, todos temos defeitos. Espero que tenham gostado! :D E Sebastian continua por ai! ^-^
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