Would It Matter
20 Vamos?
Notas iniciais
~Reiji
Já faziam quatro dias que o Ran-ran estava internado, e até agora só o vi acordado poucas vezes, e quando isso acontecia as enfermeiras logo me retiravam do quarto para poderem checar tudo.
O que resultou em eu não conseguir falar com ele nenhuma vez, e ficar frustrado com isso.
Myu-chan e o Ai-ai vêm aqui no horário de visitas e tentam me levar para a academia afirmando que um deles ficaria aqui, mas eu me nego a tal coisa. Como eles acham que deixaria o Ran-ran sozinho numa hora dessas? Ele é meu melhor amigo!
Já faz quase uma hora que o médico está lá dentro conversando com o Ran-ran, e eu estou curioso pra saber o que é.
Caminhei de um lado para o outro no corredor até que finalmente o médico disse que eu poderia entrar no quarto. E dessa vez o Ran-ran estava acordado. Sorri para ele quando passei pela porta e ele sorriu de volta. É algo raro ver ele sorrindo, mas quando o faz abala qualquer um que ver. O sorriso dele combinava perfeitamente, os dentes branquíssimos e alinhados, davam um apelo final a beleza única do albino.
– Ran-ran! – Exclamei e o abracei. – Como é bom te ver acordado. – disse sentindo os olhos marejarem.
O médico pigarreou chamando nossa atenção, o soltei rapidamente e abaixei a cabeça tentando evitar que alguma lágrima escapasse.
– Mister Kotobuki. – começou. E o olhei com atenção. – O Mister Kurosaki ganhará alta hoje pela tarde. Então se quiser ir para casa e voltar depois, sinta-se a vontade. – falou.
– Não, eu ficarei aqui, e o levarei depois. – disse.
– Reiji. – o albino me chamou. Desviei meus olhos do médico e os voltei para ele. – É melhor você ir. Deve estar cansado, e eu sei que você não saiu daqui nesses quatro dias. Precisa de um descanso. – falou calmamente.
– Nee, nee Ran-ran são só mais algumas horas. – falei fazendo bico. – E eu não estou nem um pouco cansado. – completei sorrindo e piscando para ele.
– Você não vai, não é? – perguntou e neguei com a cabeça. – Imaginei, mas não custa nada tentar. – sussurrou dando de ombros.
– Você me entende Ran-ran! – me animei.
– Ele ficará doutor, não existe nenhuma forma de arrancá-lo daqui. – Ranmaru falou para o médico.
– Tudo bem então. Após o horário de visitas você será liberado Mister Kurosaki.
– Certo. Obrigado.
– Com licença. – pediu e saiu do quarto novamente.
Fiquei em silencio um pouco e fui até a janela olhar a rua.
– Reiji. – chamou.
– Sim Ran-ran. – respondi voltando para perto da cama e sentando num pequeno pedaço da mesma, ficando de frente para ele.
– Obrigado. – sussurrou. E eu sorri.
– Pelo que Ran-ran? Não foi nada.
– Claro que foi, faz quase quatro dias que você não sai desse hospital. – explodiu.
– Você faria o mesmo. – devolvi o olhando sério. – Você sabe que eu gosto muito de você Ranmaru. É meu melhor amigo.
– Eu sei. –falou mais baixo e desviou os olhos. – Mas eu queria te agradecer por isso. Por ficar aqui comigo, já que meus pais não moram mais aqui.
– Eu já disse que não precisa se preocupar Ran-ran. – repeti e segurei seu queixo o fazendo olhar para mim. – Eu sempre vou estar aqui. Eu prometi não é? Do mesmo jeito que você prometeu. – ele assentiu. – Nós sempre estaremos juntos, sempre seremos amigos, não importa o quão mal humorado você seja ou o quanto irritante eu for. Nós somos amigos. Certo?
– Sim. – respondeu e sorriu.
Me inclinei e o abracei, deixando minha cabeça deitada no seu ombro.
– Obrigado mesmo assim, por tudo. – murmurou e me abraçou de volta. Sorri e me afastei um pouco.
– Nee, nee Ran-ran.
– O que foi?
– Daqui a pouco o Myu-chan e o Ai-ai chegam, não vá dormir de novo. – comentei rindo da careta que ele fez.
– Eu não tenho culpa de terem colocado todos aqueles calmantes para eu tomar. – respondeu emburrando.
– Você é muito tsun-tsun Ran-ran. – caçoei pulando da cama e ficando longe o suficiente para ele não me alcançar.
– Eu te mato Reiji, mas não agora. – disse virando de costas para mim.
– Por que Ran-ran? – perguntei me aproximando novamente sorrateiramente.
– Porque eu não quero. – respondeu.
– Ahhh. Você é muito sem graça Ran-ran. – sussurrei perto do pescoço dele vendo-o se arrepiar e sentar rapidamente.
– Maldito. – disse entre dentes.
– Você me ama Ran-ran. – disse me desviando de umas das mãos dele. – Você, o Myu-chan e o Ai-ai. Vocês só não querem admitir isso. – completei gargalhando, mas não consegui desviar e a mãos dele segurou meu pulso e me puxou para perto.
– Será mesmo que eu te amo Reiji? – murmurou perto do meu pescoço.
– Tenho certeza que sim. Só não admite. – continuei provocando.
Ele se afastou levemente e selou nossos lábios. – Huumm. Eu acho que não. – falou quando se afastou. – Você não faz meu tipo.
– Eehh? – fingi indignação. – Então qual é o seu tipo Ran-ran? – Perguntei aproximando nossos lábios novamente num selinho rápido.
– Qualquer um que não seja igual a você. – respondeu sarcástico.
– Mas eu faço o tipo de qualquer um Ran-ran!
– Não o meu.
– Você é mau! – disse fazendo bico.
– Eu sei. – concordou sorrindo de canto. Bufei e tentei me afastar, mas ele manteve a mão no meu pulso e me puxou de volta.
– Sente-se aqui. – falou e bateu no lado dele na cama. – Eu não agüento mais ficar deitado. Minhas costas estão doloridas já.
– Bem feito. – falei fazendo birra. – Se você não fosse mau eu teria pena de você, mas agora eu não tenho.
– Imagino. – retrucou e virou a cara.
– Como eu já disse, você é muito tsun-tsun Ran-ran. – disse dando um beijo na bochecha dele e me sentando ao seu lado na cama.
*****
~Camus
– O que foi Aijima? – perguntei olhando para o indiano que estava sentado a minha frente.
– Não é nada Camus. – respondeu.
– Então por que você não para quieto? – gritei.
– Menos Camus, eu não quero ficar surdo. – reclamou. – E eu quero sair. Mas não tenho companhia e nem sei pra onde ir.
– Mas saia sozinho então. – sugeri.
– Não tem graça. – disse abaixando os olhos.
– Você quem está achando desculpas para não ir.
– Não são desculpas, eu quero ir, mas não sozinhos e os nenhum dos outros querem ir! – reclamou. – Nee Camus quer ir comigo? – perguntou.
– Não mesmo Aijima. – neguei.
– Por que não?
– Não estou com vontade. – respondi.
– Viu, ninguém quer. – disse me olhando triste.
– Pois é. – comentei levantando.
– Vamos Camus!! Só dessa vez! – pediu caminhando ao meu lado. – E eu vi uma loja de chocolates nova que abriu no shopping, tem uns doces deliciosos. – e olhou para o outro lado.
– Doces? Que tipo de doces? – perguntei me virando para olhá-lo.
– Eu vi desde chocolates, até aqueles que eu nunca experimentei. – deu de ombros. – E então vamos? – perguntou sorrindo.
– Só dessa vez Aijima. – me virei e continuei caminhando. – E de lá eu vou para o hospital.
– Hai! – gritou e correu para me alcançar.
*****
~Masato
– Hiji. – Ren chamou me abraçando.
– Hum? –encostei-me a ele.
– Quando será que o Ran-chan vai voltar para cá? – apoiou o queixo no meu ombro.
– Não sei, mas torço para que seja logo. – respondi fitando a janela.
Ficamos abraçados daquela forma por alguns minutos, cada um com seus pensamentos, apenas juntos.
Virei para ele e o abracei pelo pescoço, deitando minha cabeça em seu ombro.
– O que foi Masa? – perguntou acariciando meus cabelos.
– Estava pensando em como isso tudo aconteceu. Foi tudo tão rápido, que nem me dei conta direito, e quando consegui pensar, já estávamos aqui, assim. – respondi e senti-o descer a mão pela minha coluna e me puxar para mais perto.
– E com você aqui tudo fica melhor. – completou o que eu disse, o olhei e ele sorria para mim, sorri de volta. – Eu te amo Masa. – sussurrou e selou nossos lábios.
O puxei para mais perto e ele pressionou minha cintura com uma das mãos. O que começou com um selar de lábios se tornou um beijo urgente, devastador, senti sua mão adentrar por de baixo da minha camisa, me causando arrepios e um gemido no meio do beijo.
Nos separamos lentamente devido a necessidade do ar, que nessas horas poderia ser dispensável.
– Desse jeito eu não consigo me controlar Masato. Não teste meus limites – sussurrou nos meus lábios.
– E se eu quiser testá-los? – murmurei e desci dando pequenos beijos pelo pescoço dele.
– Não me provoque Masa, se eu perder o controle não conseguirá me parar depois. – sussurrou rouco.
– Não provocarei Ren. Não muito pelo menos. – sorri e mordi a região deixando uma marca vermelha que ficaria roxa mais tarde.
– Masa. – gemeu. E eu acabei ficando excitado com isso, puxei a camiseta pela barra há erguendo um pouco e levei minhas mãos ao abdômen dele, conseguia sentir perfeitamente as linhas dos músculos definido.
Subi novamente e selei nossos lábios. E me afastei levemente.
– Eu também te amo Ren. – disse olhando em seus olhos.
– Eu sei. – sorriu convencido. Revirei os olhos e bufei. – Mas é sempre maravilhoso escutar isso de você Masato. – me puxou novamente e deu um selinho rápido.
– Convencido. – mais um selinho.
– E você me ama mesmo assim. – sorriu. – Agora vem. Nós tínhamos combinado de sair, lembra?
Afirmei que sim e me afastei dele.
– Vamos então? – olhei por cima do ombro e pisquei.
– Desde quando você ficou assim Masa? – perguntou se aproximando.
– É a convivência. – sorri pra ele e ele devolveu com um sorriso de canto.
– Kami-sama permita que isso continue assim, ou fique pior. – comentou sarcástico.
– Menos Jinguji. – revirei os olhos e levei a mão na maçaneta para abrir a porta, sendo parado por ele.
– Você não acha que vai sair desse quarto sem me dar outro beijo, acha? – perguntou perto do meu pescoço. Virando-me para ele e me prendendo contra a porta.
– Imaginei que não, mas temos que tentar, não é? – provoquei.
– Claro. – concordou e me beijou, dessa vez devagar, permitindo a nós dois explorar a boca do outro com calma, até o ar resolver ser necessário. Nós separamos, mas ficamos próximos um do outro, sentindo as respirações irregulares se misturarem e se acalmarem aos pouco.
Meu coração estava dando saltos, e se batesse um pouquinho mais alto, tenho certeza que ele escutaria.
– Agora nós podemos ir. – sorriu sedutoramente.
– Certo. – concordei. – Vamos. – ele se afastou dando espaço pra mim abrir a porta, e saímos, mesmo sem saber para onde.
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