Would It Matter
21 Ciúmes?
Notas iniciais
~Syo
– Ai!!! Seu maldito!!! – gritei o mais alto que consegui, atraindo a atenção dele.
– O que foi chibi? – perguntou se aproximando.
– Não chega perto! – gritei novamente.
– E por que não? – perguntou mais baixo, chegando cada vez mais perto, e como eu estava sentado na cama não tinha para onde fugir.
– Porque eu to dolorido. – respondi mais baixo e senti meu rosto corar. – E tudo isso é culpa sua! – gritei apontando pra ele.
– Não fui eu quem pedia pra ir mais rápido Syo. – sorriu de canto. Maldito! Ele ainda tinha capacidade de falar isso?
– Quieto Ai! – quase gritei novamente, mas consegui manter o tom normal. – Eu preciso levantar e ta doendo. – reclamei.
– Vem que eu te ajudo chibi. – ofereceu a mão e eu a segurei, ele passou o braço pelas minhas costas e me levantou suavemente, me abraçando em seguida. – Me desculpe. Eu deveria ter ido com mais cuidado. – sussurrou em meu pescoço.
– Tudo bem Ai. – o abracei de volta e senti meu rosto ficar ainda mais quente do que já estava. – Daqui a pouco melhora, não é?
– Sim. – confirmou e deu uma leve mordida em meu pescoço. – Consegue andar? – perguntou se afastando um pouco e me olhando com um pequeno sorriso.
– Claro que sim. – respondi rapidamente. E tentei dar um passo para o lado, sentindo uma dor aguda em meu quadril que me fez parar.
– Tem certeza? – perguntou enquanto me abraçava pelos ombros.
– Tenho. – confirmei. E dei mais alguns passos pequenos, mesmo com a dor, eu precisava fazer as coisas, e eu teria que esquecer-me dela para isso.
Abracei a cintura dele e continuei a caminhar pelo quarto, e aos pouco a dor foi diminuindo, ou eu estava me acostumando com ela. Não sei, mas ela estava parando de incomodar e após alguns minutos eu já conseguia caminhar mais facilmente.
– Como está chibi? – perguntou.
– Melhor. – admiti. – Mas eu estou com fome.
– Eu também. Esforço demais pela manhã dá muita fome. – concordou e me olhou com uma cara extremamente pervertida, que fez com que me arrepiasse.
Decidimos sair do quarto e ir comer alguma coisa, já que ambos não tínhamos comido nada até então.
Seguimos até o refeitório caminhando devagar, porque mesmo tendo aliviado um pouco, ainda doía e eu tinha certeza de que eu estava andando de uma forma estranha, porque o imbecil do Ai dava pequenos sorrisinhos a cada vez que me olhava.
*****
~Natsuki
Ouvi meu celular tocar, retirei-o rapidamente do bolso para ver quem me ligava, e para minha surpresa era o Kaoru. Ele nunca ligava nesse horário, era sempre à tarde depois do termino das aulas.
– Hai. – atendi, poderia ser algo sério.
“– Natsucchan. Tudo bem?” – cumprimentou feliz e me senti aliviado.
– Tudo. E com você Kaoru-kun? – continuei para sair da academia.
“– Sim, tudo ótimo. E eu tenho boas noticias.” – comentou e escutei um riso ao telefone.
– Que bom Kaoru-kun. Conte-as então. – pedi já sorrindo.
“– Primeiro, que e tirei notas boas em todas as provas que fiz até agora.” – contou feliz. – “E segundo, que as ultimas provas foram antecipadas para hoje, e eu estou bem confiante. O que quer dizer que eu poderei ir para ai amanha pela manha ou hoje à noite.” – senti meus olhos marejarem e meu coração acelerar.
– Q-q-que bom Kaoru-kun. – gaguejei.
“– Ei Natsuki. Não chore.” – pediu.
– Hai. – respondi baixo secando algumas lágrimas que começavam a cair.
“– E não conte nada ao Syo.” – pediu. “– É uma surpresa pra ele.”
– Certo. – concordei. Eu sempre amei ver os dois juntos, um sozinho já é kawaii os dois então, tenho vontade de abraçá-los e não soltar mais.
“– Então até amanhã Natsuki. Eu tenho que ir para a sala.”
– Entendo. Tchau Kaoru-kun. Aishiteru. – me despedi.
“– Aishiteru Natsuki. E não conte nada para o nii-san.” – repetiu rindo. “Tchau.”
Desliguei o telefone e continuei andando. Hoje não teria nada para fazer, então é melhor inventar algo.
Só de pensar que amanhã verei o Kaoru sinto meu coração acelerar e um sorriso se formar em minha face.
*****
~Cecil
Depois de muita insistência eu consegui convencer alguém a vir comigo, e mesmo que esse alguém fosse o Camus.
– Ande Aijima! – gritou. – A não ser que você quer que eu mude de ideia é melhor andar mais rápido.
– Eu já estou indo Camus. – resmunguei.
– Se você queria sair já não deveria estar pronto? – indagou.
– Deveria, mas eu não achei que você iria mesmo. – respondi terminando de trocar de roupa.
– Com toda essa demora eu vou acabar não indo mesmo. – devolveu já irritado.
– Acalme-se Camus, você nem parece um conde. – provoquei. – E se você desistir de ir seria uma pena lá tem uns doces realmente bons.
– Então se apresse! – gritou, olhei por cima do ombro e ele estava vermelho de raiva.
O fato de dizermos que ele não parecia um conde o deixava muito irritado, mas ao mesmo tempo, eu achava engraçado aquilo. Ele controlava ao máximo o tom de voz para tentar parecer mais calmo, notei isso já nos primeiros dias, e agora sempre me divirto com essa reação dele.
– O senhor realeza. – ironizou. – Se você não vai, eu vou. – disse virando as costas e indo em direção a porta.
– Já estou indo! – gritei e corri atrás dele.
– Se eu soubesse que você iria vir tão rápido se eu saísse do quarto, o teria feito antes. – contou.
– Você é muito mal humorado Camus. E estresse demais faz mal para a pele sabia? – perguntei o olhando. – A deixa marcada por essas marcas aqui. – Completei enquanto tocava de leve o rosto dele mostrando a pequenas linhas devido a careta que ele fazia.
– Não enche Aijima. – falou e afastou-se do toque.
“Foi impressão minha ou ele corou levemente? Eu estou tendo alucinações. Kami-sama, eu preciso de um médico urgente! O Camus corou!” – comecei a gargalhar com o pensamento, e acabei atraindo a atenção do conde.
– O que foi Aijima? – perguntou me fitando.
– Nada. – respondi e tentei controlar as gargalhadas. – É só que você fica uma graça corado. – respondi e comecei a correr, porque sabia que se ele me alcançasse eu estaria com problemas.
– AIJIMA!! – gritou e começou a correr atrás de mim pelo corredor. Acelerei o máximo que pude e corri até o portão, parando em seguida para checar se ele ainda me seguia.
Olhei para trás e ele vinha andando já, mas com uma expressão assassina no rosto e se eu acreditasse, poderia dizer que tinha uma aura maligna envolta dele. Encostei-me no portão e fiquei o olhando até se aproximar.
– Eu juro que um dia eu ainda mato você. – disse entre dentes enquanto passava por mim. Sorri de canto e confirmei com a cabeça.
– Só espero que não seja no sentido literal. – retruquei.
– Cale-se Aijima. – respondeu duramente. – Onde é aquela loja de doces mesmo? – perguntou enquanto ia em direção ao carro.
– É por ali. – apontei em direção ao centro e entrei no carro.
– Certo. – concordou e saímos.
*****
~Ren
– Aonde você vai me levar Jinguji? – o moreno perguntou pela terceira vez.
– Eu já disse que é surpresa Masato. – respondi pela quinta vez desde que saímos da academia.
– Isso não se faz. – bufou e virou o rosto e sorri perante aquilo.
– Masa. – chamei-o sussurrando perto de seu pescoço. – Não fique bravo.
– Eu quero saber onde você está me levando. – sussurrou.
– E você vai saber. – falei e ele se virou rapidamente para mim.
– Sério? Você vai me contar? – perguntou.
– Sim, quando chegarmos lá. – respondi e sorri de canto vendo-o virar a cara para mim novamente.
– Sem graça. – murmurou.
– E você me ama mesmo assim. – afirmei baixo.
– Convencido. – retrucou.
– Realista Masa, somente realista. – revidei.
Ficamos em silencio o resto do percurso, ele ainda não tinha voltado a me olhar, mas ao menos não afastou a mão quando entrelacei nossos dedos.
Paramos em frente a uma nova lanchonete, que eu descobri num acaso enquanto estava trabalhando.
– Vem Masa. – chamei enquanto descia do carro.
– É aqui? – perguntou apontando para a lanchonete.
– Sim. É um ótimo lugar. – respondi e entrei na lanchonete com o moreno logo atrás.
– Vamos naquela mesa. – apontei e ele apenas concordou com a cabeça, enquanto olhava em volta.
– Gostei daqui. – comentou apesar de ainda analisar o interior da mesma.
– Que bom que gostou. – sorri e me encaminhei para a mesa.
Reparando bem agora, era uma lanchonete bem tranquila, mas bonita, misturava os elementos orientais com os ocidentais perfeitamente, deixando um ambiente relaxante.
– Com licença. – uma garçonete se aproximou. – Chamo-me Yoshida Akemi, e servirei os senhores hoje. – apresentou-se e fez uma pequena mesura. – Aqui está o cardápio. E assim que quiserem fazer o pedido é só apertar aqui. – mostrou um aparelho no canto da mesa. – Com licença. – pediu e se retirou.
– Educada... — Masato comentou observando a garçonete se distanciar.
– Bem educada. – concordei e continuei o observando.
– Não te falaram que é falta de educação ficar encarando os outros Ren? – perguntou fingindo falsa descrença.
– Até ensinaram, mas é meio difícil não ficar te olhando. – respondi naturalmente vendo-o corar e abri um sorriso.
– Idiota. – virou o rosto tentando disfarçar.
– Ei, Masa. – chamei ainda sorrindo. – O que vamos comer? – indaguei e abri o cardápio o olhando rapidamente.
– Não sei ainda. – respondeu e pegou o cardápio o olhando também. – Mas primeiro eu quero tomar café. – completou erguendo os olhos para mim.
– É uma boa ideia, o café daqui é ótimo. – concordei e recebi um olhar curioso, mas conhecendo ele a tanto tempo sabia que ele não iria perguntar, então me adiantei e respondi a pergunta silenciosa. – Alguns dias atrás eu passei por aqui antes de ir para a entrevista daquela sessão de fotos, e como não tinha comido nada, comprei um café aqui para ir tomando.
– Entendo. – concordou. – Então serão dois cafés por enquanto? – perguntou e concordei com a cabeça apertando o botão para chamar a garçonete.
– Prontos para fazer o pedido? – Yoshida perguntou esboçando um pequeno sorriso.
– Vamos querer somente dois cafés por enquanto, Yoshida-san. – respondi retribuindo o sorriso da mesma.
– Certo. – assentiu e voltou rapidamente para o balcão.
Olhei para o moreno que estava quase me matando com os olhos.
– O que foi Masa? – perguntei sem entender.
– Precisa jogar charme para ela? – perguntou estreitando os olhos.
– Mas eu não joguei charme para ela. – respondi erguendo as mãos em sinal de defesa.
– Sei. – continuou me olhando com os olhos semicerrados.
– Masa, se você continuar assim eu não irei resistir e vou acabar te beijando aqui. – falei e ele arregalou os olhos e corou. Se pudesse eu realmente o teria beijado ali mesmo, mas se alguém nos visse seria problemático.
– Você não faria isso. – afirmou depois de ter se acalmado um pouco. – Ou faria? – perguntou.
– Não sei se conseguiria me segurar. – sorri de lado.
– É você não faria isso. – afirmou novamente e somente concordei com a cabeça. – Ótimo. – completou e sorriu.
– Eu acho que não terá mais volta mesmo. – murmurei.
– O que não terá mais volta? – perguntou.
– Eu ter me apaixonado por você tanto assim. – respondi mirando os olhos azuis do mesmo, para logo o ver sorrir.
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