Would It Matter
11 Passado e Descobertas Parte II
Notas iniciais
~Ranmaru
Continuamos conversando por mais alguns minutos. Os meninos do Starish aos poucos se aproximaram, para nos dizer que estavam de saída, e assim apresentamos eles à Misaki. E pelo que notei, se interessou bastante neles.
Por eu já ter ficado com ele por algum tempo, já sei que mesmo escondendo de todos, ele é homossexual, e quando notei o interesse que ele teve pelos nossos kouhais, não pude deixar de pensar coisas demais.
....
– Ranmaru, você poderia me mostrar onde é a sala do presidente? – Misaki perguntou.
– Mas o Reiji também sabe, peça a ele Misaki.
– Eu preciso falar com você, e é mais fácil assim. E eu já tinha pedido ao Reiji, mas como você estava no mundo da lua, nem notou, não é? – indagou.
– Eu só estava pensando, nada demais. Mas por que você não o leva lá, Reiji? – me virei para encarar o moreno que estava ao meu lado.
Ele corou e desviou o olhar. Não entendi o porquê daquilo, mas acabei cedendo, e não dando continuidade ao assunto.
– Vamos, Ranmaru, já está quase na hora. – Misaki já estava me puxando pelo braço, sem me dar chances de escapar.
– Tudo bem, Misaki. – puxei meu braço – Agora me solta.
– Desculpe Ranmaru. – disse erguendo as mãos.
– Tudo bem. – respondi – Reiji, eu quero falar com você depois. – disse, me virando para olhar para o moreno que tinha ficado para trás.
– Ok, Ran-ran. Estarei no dormitório.
– Até. – disse me virando e guiando Misaki para a sala do presidente.
Caminhamos em silencio durante alguns minutos, a sala do presidente era distante do saguão, então demoraríamos alguns minutos até chegarmos lá.
– Então Misaki – comecei, o silencio já estava se tornando incomodo para mim. – Sobre o que você queria falar?
– É que... – interrompeu, eu fico com muita raiva quando não continuam o que falam e ficam cortando.
– É que? – incentivei.
– Eu queria sair com você de novo Ranmaru, mas eu achei que você estava com o Reiji, e acabei ficando com medo de pergunta, e agora eu to nervoso, e... — a voz dele foi sumindo aos poucos, até que se tornou apenas um sussurro.
– Hahaha, acalme-se Misaki. – pedi caindo na gargalhada, por ele ter ficado envergonhado. – Você realmente não mudou nada, não é? Continua, se envergonhando por falar alguma coisa. – e dei risada novamente.
– Não ria Ranmaru. – disse virando o rosto para o outro lado e cruzando os braços. Na hora lembrei de Reiji, que sempre que tentava parecer bravo fazia isso, e com esse pensamento acabei tento mais um ataque de riso.
– Ta bom, eu vou parar. – disse secando algumas lágrimas que se formaram em conseqüência do riso.
– Mas, Ranmaru, você não quer sair comigo de novo? Como nos velhos tempos.
– Acho que podemos pensar nisso. – disse parando em frente à porta da sala. – Pronto, chegamos.
– Sim, chegamos. – disse cabisbaixo.
– Ei, você ainda tem o meu numero, certo?
– Te-tenho sim – disse, corando. Ele é muito bonito, e muito gentil, mas mesmo com isso, eu não me apaixonei por ele. Acho que eu não vou me apaixonar por ninguém.
– Então quando terminar aqui me ligue, porque eu tenho que resolver uns assuntos com o Reiji, mas é rápido, e então saímos, pode ser? – questionei.
– C-claro Ranmaru, assim que eu terminar aqui eu te ligo, e nos encontramos no estacionamento.
– Certo. Até mais Misaki. – acenei e voltei pelo corredor, a caminho do dormitório, eu precisava falar com o Reiji, eu só não sei o porquê e nem o que, mas eu sei que preciso.
*****
~Natsuki
Adorei a ideia da nova música, pelo que o Otoya nos mostrou é uma música linda, e se for bem trabalhada, ficará perfeita.
Tenho que achar o Syo-chan, para contar a ele, só espero que ele e o senpai não estejam em guerra de novo. Não sei, como eles conseguem brigar tanto, o Syo-chan é tão fofinho, mas quando fica irritado é bom alguém segurar, e tenho certeza que se o Ai-senpai provocar muito, eles vão acabar brigando pra valer dessa vez.
Só me resta procurar eles por aqui, eu não sei nem para que lado eles foram, se eu soubesse disso, com certeza ficaria muito mais fácil. Mas, já que eu não sei, vou procurar. Primeiro vou ao pátio, assim consigo dar uma volta também.
Enquanto caminhava em direção ao pátio, lembro-me de que tinha de avisar ao Kaoru sobre como foi no hospital. Tenho certeza, que essa é a melhor hora, até porque não tem perigo do Syo-chan ouvir.
Pego meu celular e rapidamente disco o numero dele, e após dois toques ele atende.
“Alô”
– Oi Kaoru, tudo bem? – cumprimentei
“Oi, Natsuki, por aqui está tudo bem. E com você, como você está?”
– Estou bem também. Apenas com saudades.
“Eu também estou. Mas, daqui uma semana os exames acabam, então teremos uma folga, e eu irei pra aí, ver como você e como o Syo estão.”
– Então, Kaoru. É sobre o Syo-chan que eu quero falar. – aproveitei que ele tinha citado o Syo-chan para dar inicio ao assunto. E como já tinha chegado ao pátio, ninguém ouviria.
“O que foi Natsuki? Deu algo errado no hospital? Ou nos exames?” – ele alterou o tom da voz, por estar nervoso.
– Não, não, Kaoru. Ao contrário. Agora acalme-se.
“Ok. Vou me controlar. Agora me conte como foi e quais os resultados.”
– Tudo bem. Então, eu tinha contado para você que o nosso senpai iria junto, certo?
“Sim, falou.”
– E ele foi, quando chegamos ao hospital o Syo-chan, acabou ficando com medo de entrar. Mas acabou cedendo e entrou. Desde que entramos no hospital, eu notei que ele estava nervoso, e só o vi trocar algumas palavras com o senpai. Os procedimentos foram os mesmo de sempre, tivemos de ir para o quarto, trocar de roupa. Tudo que já fazemos ha muito tempo. – dei uma pausa para olhar em volta e ver se não tinha ninguém por perto.
“Então até ai correu tudo bem.”
– Sim. Quando estávamos indo para a sala dos exames ele se pronunciou, e falou que estava com medo, porque você não estava lá.
“Eu imaginei que isso iria acontecer, mesmo comigo junto, muitas vezes era difícil conseguir levar ele até lá. Me pergunto o que vocês fizeram para ele ir assim, tão facilmente.”
– É exatamente nisso que eu fiquei pensando, eu não fiz absolutamente nada, o Syo-chan quem decidiu contar tudo para o senpai, e no hospital, acabou fazendo dele uma pilastra pra se manter em pé.
– Flashback On –
– Mas das outras vezes o Kaoru estava comigo – sussurrou.
– Mas agora eu estou aqui chibi, lembra? – o senpai disse, e pude notar o olhar abatido que o Syo-chan lançou para ele.
– Eu sei senpai, mas é que eu nunca vim sem ele.
– Para tudo tem uma primeira vez, não é? – disse – E também, não vai acontecer nada, nós estaremos lá. – garantiu.
– Hai, senpai.
Após, o senpai caminhou até ele e passou o braço pelos seus ombros, acabei arregalando os olhos, mas não pelo susto, mas por achar que eles ficavam muito bem juntos, mesmo que ficassem como cão e gato.”
– Flashback Off –
– Sabe, Kaoru, eu acredito que dessa vez o Syo-chan conseguiu superar o antigo medo, e devemos isso ao Ai-senpai, se não fosse por ele eu não saberia o que fazer lá.
“Não se preocupe Natsuki, você fez o que estava ao teu alcance, eu, sim, devo muito a vocês dois, se não fosse por você em estar sempre comigo, eu não sei o que faria, e agora, também tenho de agradecer ao teu senpai, por apoiar o meu irmão, no momento que ele precisou e que eu não pude estar ai.” – nesse momento escutei um soluço baixo vindo do telefone.
– Não chore Kaoru, nós sabemos que você só não esteve lá com ele porque tinha as provas da faculdade. O Syo-chan entendeu isso, e sabe que você se esforça muito para isso. E sabe também que o principal motivo que te levou a cursar medicina, foi à saúde dele, que foi por você querer achar um jeito de curá-lo disso. E você sabe que ele é muito grato por isso. E que nós dois amamos você.
“N-n-na-natsuki, eu queria muito estar ai com vocês, queria ter ido com vocês até o hospital e ter dado o apoio que o Syo precisava. Mas, não pude, e mais uma vez te agradeço por isso.”
– Não precisa se preocupar, você vai estar com nós daqui a poucos dias.
“Eu sei. Tenho que ir Natsuki, tenho que continuar estudando, as provas já estão acabando.”
– Tudo bem, boa sorte nas provas. Aishiteru, Kaoru.
“Aishiteru Natsuki, mais uma vez, obrigado por cuidar do meu irmão.”
– Eu sempre cuidarei de vocês dois, não se preocupe com isso.
“Eu acredito nisso. Tchau”
– Tchau.
Segui meu caminho, ainda procurando pelo Syo-chan e pelo senpai, dei uma volta no prédio e então voltei para dentro, indo em direção aos dormitórios, já que lá era mais provável deles estarem. Ainda com um pouco de medo de eles estarem brigando.
Enquanto caminhava, fui pensando no que tinha se passado nesses últimos três dias, a mudança de comportamento do Syo-chan com o senpai foi o que se destacou, e agora essa ideia do Otoya em ceder à música nova para fazermos uma em grupo.
Fiquei bem animado com a música, tenho certeza que ela ficará ótima. Mal posso esperar até amanhã.
E com esses pensamentos, cheguei à porta do meu quarto, abri a porta e entrei, e vi uma cena que me deixou de boca aberta, era fofura demais para uma coisa só. O Syo-chan estava deitado no ombro do senpai, enquanto o outro tocava piano e cantava. Eles não tinham visto que eu havia entrado no quarto, e eu nem quis me pronunciar, até que a canção acabou e o senpai puxou Syo-chan para um beijo.
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